Serviço Geológico lança sistema de alerta hidrológico no rio São Francisco nesta sexta-feira (17)

Ao todo, 17 sistemas de alerta hidrológico são operados pelo SGB-CPRM em todo o território nacional

Conhecido por Velho Chico, o novo SAH vai acompanhar o comportamento de um dos mais importantes cursos de água do Brasil

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), por meio do Departamento de Hidrologia (DEHID), da Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial (DHT), deu início, nesta sexta-feira (17), à operação do Sistema de Alerta Hidrológico (SAH) da bacia do Rio São Francisco, importante rio brasileiro que se situa nos estados de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.

O sistema visa monitorar e gerar informações hidrológicas de qualidade, para subsidiar a tomada de decisões por parte dos órgãos relacionadas à mitigação dos impactos de eventos hidrológicos extremos. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), por meio da operação da Rede Hidrometeorológica Nacional.

Estiveram presentes no evento, realizado de forma remota, a diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB-CPRM, Alice Castilho, o superintendente de Belo Horizonte (SUREG/BH), Marlon Coutinho, o chefe do Departamento de Hidrologia (DEHID) do SGB-CPRM, Frederico Peixinho, o gerente de hidrologia e gestão territorial de Belo Horizonte (GEHITE/BH) e o coordenador dos SAH do SGB-CPRM, engenheiro Artur Matos.

A diretora Alice Castilho fez uma breve retrospectiva sobre os momentos marcantes da bacia e relembrou que em janeiro de 2020, houve uma cheia histórica nas cabeceiras do rio São Francisco. Além disso, a pesquisadora comemorou o lançamento de um novo SAH no país.

“Agora, já somamos, com esse novo sistema de alerta da calha do rio São Francisco, 17 sistemas de alerta hidrológico, em um período de 30 anos de experiência nessa atividade”, destaca a diretora.

Na imagem, todos os sistemas de alerta operados pelo SGB-CPRM no Brasil

O superintendente Marlon Coutinho celebrou, também, o mais novo projeto do SGB-CPRM. “Esse é o terceiro sistema operado no estado de Minas Gerais e muito nos orgulha por sua relevância e impactos positivos gerados na sociedade. Com ele, podemos mitigar perdas materiais e humanas”, afirma.

“A implantação desse sistema ainda é o primeiro passo. As etapas seguintes são desafiadoras, pois buscamos mitigar eventos extremos e o mais importante: salvar vidas” acrescentou o especialista Frederico Peixinho sobre a magnitude do projeto.

O coordenador dos SAH do SGB-CPRM, Artur Matos, salientou que o lançamento do novo sistema de alerta corrobora com a missão do SGB-CPRM: gerar e disseminar conhecimento geocientífico com excelência, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento sustentável do Brasil.

“Além disso, os sistemas de alerta respondem a três questões principais: o nível que o rio atingirá; em quanto tempo; e qual população será atingida. Assim, as comunidades ribeirinhas e a Defesa Civil podem se preparar antecipadamente. É um trabalho conjunto que busca mitigar impactos de eventos extremos em um determinado local”, frisa Matos.

O SGB-CPRM já possui o SAH do rio das Velhas, que está na cabeceira do rio São Francisco. Agora, está ampliando o monitoramento com a operação na calha principal do rio São Francisco. “Os principais beneficiados serão as pessoas que moram nas margens dos rios, que costumam ser uma população mais vulnerável e com baixo poder aquisitivo”, destaca o engenheiro do SGB-CPRM, Artur Matos. O sistema vai inicialmente gerar previsões para quatro municípios de Minas Gerais: Pirapora, Buritizeiro, São Romão e São Francisco, localizadas às margens do rio São Francisco.

Na transmissão, especialistas do SGB-CPRM debatem e comemoram a grandiosidade do projeto

Para saber mais sobre o SAH, clique aqui.

O lançamento teve transmissão ao vivo no Youtube e pode ser vista a qualquer momento na TV CPRM .

Ecocídio no Pantanal: Incêndios florestais no Brasil mataram cerca de 17 milhões de animais

fogo pantanalCientistas visitaram uma área do Pantanal 48 horas após um incêndio

Por Victoria Gill,  correspondente de Ciências, BBC News

Em meio à desolação de 2020, os cientistas no Brasil concluíram um estudo de conservação particularmente sombrio – tentando contar os animais mortos por enormes incêndios florestais no Pantanal.

Eles estimam que até 17 milhões de vertebrados – incluindo répteis, pássaros e primatas – morreram.

Os incêndios florestais ocorreram entre janeiro e novembro, destruindo 30% da maior área úmida tropical do mundo.

Esta estimativa de perda está publicada na revista Scientific Reports .

O Pantanal é a maior área úmida do planeta localizada no Brasil, Bolívia e Paraguai

O Pantanal é a maior área úmida do planeta localizada no Brasil, Bolívia e Paraguai.FONTE DA IMAGEM,AFP

A Dra. Mariana Napolitano Ferreira, chefe de ciência do WWF-Brasil, explicou que houve 22 mil incêndios separados registrados naquele ano.

Esta nova pesquisa destaca, dizem os pesquisadores, a importância de prevenir tais desastres no futuro.

Contagem de corpos

O Pantanal queima naturalmente, mas os incêndios florestais de 2020 foram “apocalípticos”, de acordo com o Dr. Alex Lees, um ecologista da Universidade Metropolitana de Manchester que trabalhou extensivamente no Brasil Central, incluindo no Pantanal. 

Eles eram “muito diferentes” daqueles que a região normalmente experimenta e do ciclo típico de queima e recuperação, explicou o Dr. Lees.

“Esses incêndios eram incomuns por causa de sua escala e estavam claramente ligados à megasseca que [a área] estava passando naquela época.

“O Pantanal não pode continuar queimando tanto ano após ano – a biodiversidade não pode se recuperar disso.”

Cervos do brejo que sobreviveram aos incêndios florestaisCervos do brejo que sobreviveram aos incêndios florestais. FONTE DA IMAGEM,CENAP-ICMBIO

O próprio estudo foi baseado em um exercício de contagem de corpos.

Os cientistas conseguiram alcançar áreas do pântano em 48 horas após um incêndio. Eles caminharam por trechos em intervalos definidos e examinaram todos os animais mortos que encontraram.

A equipe conseguiu identificar as espécies de 300 animais que encontraram. Eles então extrapolaram a partir da área que examinaram para dar uma estimativa de quantos animais foram mortos no total. 

Pesquisador coletando um animal morto.  CréditoFONTE DA IMAGEM,CENAP-ICMBIO

O Dr. Walfrido Moraes Tomas, ecologista do instituto de pesquisas Embrapa Pantanal, em Brasília, conduziu o estudo. Ele disse à BBC que ele e sua equipe “não ficaram surpresos com os números”, dada a vasta escala geográfica do desastre.

O que o surpreendeu, disse ele, foi como certos grupos de espécies foram mais impactados do que outros.

“O número extremamente alto de cobras mortas nos faz pensar sobre os efeitos em cascata”, explicou ele. “As cobras são geralmente predadores em pequenos mamíferos, rãs. Esse impacto pode resultar em um desequilíbrio inimaginável no ecossistema.”

O maior roedor do mundo, a capivara, é nativa do PantanalO maior roedor do mundo, a capivara, é nativa do PantanalFONTE DA IMAGEM,CHESTER ZOO

O Dr. Ferreira, do WWF Brasil, explicou que a pesquisa de campo ainda está em andamento. “O impacto imediato foi muito chocante”, disse ela à BBC News. “Mas também precisamos entender como o ecossistema se recupera semanas, meses e anos após os incêndios.”

Uma consequência da mudança climática

Os pesquisadores apontaram que incêndios florestais mais frequentes estão “entre as consequências mais visíveis das mudanças climáticas induzidas pelo homem”.

Visão geral do Pantanal após o incêndio.  Observe a fumaça cobrindo a região de entrada

Vista aérea mostra um trecho do Pantanal após o incêndio. FONTE DA IMAGEM,CENAP-ICMBI

Porém, por mais sombria que seja a conclusão deste estudo, colocar um número robusto na escala deste desastre, de acordo com o Dr. Tomas, poderia impulsionar os esforços para desenvolver “estratégias e políticas adequadas de gestão de incêndios” na região.

Outros cientistas levantaram preocupações sobre a precisão da estimativa neste estudo. Há uma grande margem de erro na extrapolação das poucas centenas de corpos que a equipe contou para o número total de animais perdidos. 

“Eles estão extrapolando em uma área enorme da maior área úmida do mundo, então [o cálculo] é um pouco grosseiro”, explicou o Dr. Lees. 

“Mas não me surpreenderia se essa estimativa for de um estádio – poderia ser mais. Haverá centenas de milhões de criaturas vivendo lá.” 

O Dr. Ferreira descreveu o desastre no Pantanal como “uma mensagem” para a humanidade.

“Isso nos mostra que a natureza está sofrendo, mas também estamos sofrendo – de falta de água potável e de comida”, disse ela. “Precisamos mudar a maneira como interagimos com a natureza se quisermos que as gerações futuras vivam neste mundo.”

O tamanduá-bandeira é uma das milhares de espécies do Pantanal
O tamanduá-bandeira é uma das milhares de espécies do Pantanal. FONTE DA IMAGEM,PA MEDIA 

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pela BBC News [Aqui! ].

A Suzano, do Brasil, se orgulha de que suas plantações de madeira para celulose são verdes; críticos discordam

eucaliptal
Por Sue Branford para a Mongabay News

A Suzano, maior exportadora mundial de celulose de eucalipto, vem se distanciando energicamente nos últimos meses do presidente Jair Bolsonaro, notório por sua resistência ao combate ao desmatamento na Amazônia, que aumentou 22% no ano passado.

Membro destacado da Coalizão Brasileira sobre Clima, Florestas e Agricultura , a Suzano participou da cúpula do clima COP26 de novembro em Glasgow, na Escócia. Seu presidente-executivo, Walter Schalka, disse : “Nosso objetivo mais importante é trabalhar para ter metas ambientais mais ambiciosas no curto prazo e encontrar financiamento para esse [esforço].”

A Suzano – que fornece produtos de madeira para celulose para o mundo – afirma enfaticamente que, longe de agravar a crise climática, suas plantações de eucalipto estão ajudando no combate. Schalka disse ao Financial Times que “a floresta plantada vai ser parte da solução de longo prazo para as metas que temos no Acordo [Clima] de Paris ”.

Cristiano Oliveira, gerente executivo de sustentabilidade da empresa, detalhou essa afirmação. Suzano, disse ele, depende de uma vasta base florestal de cerca de 2,3 milhões de hectares (4,9 milhões de acres) – com suas plantações de eucalipto abrangendo uma das “maiores áreas de conservação de propriedade privada no Brasil”, cobrindo cerca de 960.000 hectares (2,4 milhões de acres) .

Essas monoculturas de árvores contribuem para “a preservação das espécies locais, a regulação dos ciclos hidrológicos e a remoção e armazenamento de dióxido de carbono”, disse Oliveira. As novas plantações da empresa, acrescentou, entrelaçam corredores ecológicos, vinculando-os a reservas florestais nativas, para apoiar a biodiversidade, atendendo aos requisitos de proteção do Código Florestal Brasileiro .

A Suzano afirma que só planta eucalipto “em áreas antropizadas e degradadas, então não é verdade que nosso negócio destrói matas nativas”. Também rastreia a origem de seus produtos florestais para garantir que não venham de áreas desmatadas após 1994, conforme exigido pela legislação ambiental brasileira. “Cada pedaço de madeira que cruza nossos portões em nossas fábricas têm um controle sobre ele. Sabemos de onde vem e quem está por trás ”, diz Suzano .

Eucaliptos empilhados, prontos para transporte e beneficiamento. Uma plantação de eucalipto pode ser vista à direita. Imagem de Steve Strauss / Oregon State University via Flickr ( CC BY-SA 2.0 ).

Ambientalistas brasileiros em conflito

Alguns ambientalistas argumentam veementemente contra a visão de mundo otimista da Suzano, dizendo que as plantações da empresa – compostas apenas por árvores de eucalipto não nativas do Brasil – não deveriam ser consideradas como restauração florestal legítima , que deixam de sequestrar carbono a longo prazo e que eucaliptos as monoculturas são, em sua maioria, biologicamente estéreis; enquanto comunidades tradicionais vizinhas reclamam das desigualdades sociais e da grilagem de terras pela empresa.

Mas o novo foco da Suzano em sustentabilidade ambiental e responsabilidade social persuadiu algumas organizações ambientais. Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF Brasil , que está trabalhando com a Suzano, declarou recentemente : “A Suzano é uma boa referência para outras empresas”.

A SOS Mata Atlântica , ONG dedicada à proteção dos remanescentes da Mata Atlântica – o bioma mais ameaçado do Brasil – também colabora com a Suzano. Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da ONG, disse que essa decisão foi difícil, porque a escolha seria polêmica para outros ambientalistas. Mas, acrescentou, referindo-se ao governo Bolsonaro: “O Brasil vive um dos piores momentos anti-ambientais da história do nosso país” e, “se a expansão das plantações de eucalipto ocorrer sem medidas de proteção às matas nativas, nós o faremos enfrentam uma perda irreversível de biodiversidade. ”

Ribeiro acredita que trabalhar com a maior fabricante de celulose e papel da América Latina oferece novas oportunidades de conservação e é um exemplo de cooperação bem-sucedida entre a ONG, prefeituras e a Suzano que obedece às leis ambientais brasileiras. “Sem a pressão internacional do mercado, a Suzano não mudaria seu comportamento”, disse ela. “Estamos aproveitando o momento para criar ‘um bom agronegócio’. que se distancia da própria elite rural reacionária aliada de Bolsonaro. ”

Ribeiro reconhece, no entanto, que as plantações de eucalipto têm desvantagens ambientais, incluindo a redução do nível do lençol freático (potencialmente impactando florestas nativas e fazendas próximas) e despejando grandes quantidades de substâncias tóxicas nos rios. Mas ela acredita que a cooperação da ONG com a Suzano levará a tempo a acordos que eliminem as piores práticas.

A subsidiária da Suzano, FuturaGene, divulgou um pôster expressando suas opiniões e listando as vantagens do eucalipto GM sobre o eucalipto convencional. Embora a Suzano ainda não esteja cultivando o eucalipto GM em escala comercial, espera-se que o faça em breve. Imagem cortesia da FuturaGene.

Uma solução climática para celulose?

Não surpreendentemente, a Suzano usa suas parcerias com organizações ambientais para promover e aprimorar suas credenciais verdes, e provavelmente espera que suas plantações sejam aceitas pela comunidade internacional como parte da chamada amplamente apoiada por reflorestamento em escala mundial para combater as mudanças climáticas. De acordo com as regras atuais da ONU , “tanto uma plantação industrial de monocultura de árvores de eucalipto quanto uma floresta tropical com suas centenas de espécies de árvores diferentes são classificadas como floresta”.

No entanto, os críticos dessa política da ONU dizem que não há comparação entre a imensa capacidade de armazenamento de carbono e a extensa biodiversidade de uma floresta nativa brasileira e de uma plantação de árvores. Ativistas e alguns pesquisadores apelidaram as monoculturas de eucalipto de desertos biológicos ”, embora outros pesquisadores digam que isso exagera.

A estreita associação da empresa com o reflorestamento global não é boa apenas para a imagem da Suzano junto aos consumidores ecologicamente corretos, como os da União Européia. Também poderia ajudar a empresa a obter financiamento do governo no curto prazo, possivelmente arrecadando alguns dos US $ 19,2 bilhões prometidos pela Declaração Florestal de Glasgow, anunciada na COP26 em novembro, “para deter e reverter a perda florestal e degradação da terra” até 2030.

No longo prazo, a Suzano espera ter suas plantações reconhecidas pelas autoridades governamentais como contribuintes das Contribuições Determinadas Internacionalmente (NDCs) do Brasil – as promessas de redução de emissão de carbono do país feitas como parte do Acordo de Paris de 2015. Essa designação pode abrir novas possibilidades de financiamento no futuro, possivelmente na forma de apoio financeiro internacional, subsídios e incentivos fiscais.

Mongabay perguntou à Suzano se suas novas plantações seriam incluídas nos NDCs do Brasil e a empresa respondeu: “O Brasil anunciou ajustes em seus NDCs muito recentemente durante a COP26, mas toda a gama de ações relacionadas a ele ainda não foi totalmente divulgada.”

Com base no ano de referência de 2005, o compromisso do Brasil de 2020 da NDC aprovado na COP26 compromete a nação a reduzir as emissões líquidas totais de gases de efeito estufa em 37% em 2025, em 43% em 2030, e alcançar a neutralidade climática (emissões líquidas zero ) em 2060. O WWF foi altamente crítico em relação ao compromisso do Brasil de 2020 com o NDC, observando em parte que, “A omissão de medidas para reduzir o desmatamento, as emissões de combustíveis fósseis e subsídios, e para encorajar ações de restauração florestal e a adoção de sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta, entre outros áreas (que foram incluídas no [Brasil original de 2015] NDC) tornam o novo [2021] NDC uma proposta vaga e desfocada em comparação com a anterior. ”

As plantações de eucaliptos têm sido descritas como “desertos verdes”, preservando pouca biodiversidade nativa. E embora as Nações Unidas considerem as fazendas de árvores como sumidouros de carbono, pesquisadores e ativistas dizem que a vegetação nativa fornece melhor sequestro do que o eucalipto. Imagem de Cássio Abreu via Flickr.
Um campo após a colheita do eucalipto.  Foto de Ignacio Amigo para Mongabay
Uma paisagem quase estéril após a colheita do eucalipto. Imagem de Ignacio Amigo para Mongabay

Controvérsia em andamento sobre as plantações de eucalipto

Alguns ambientalistas acreditam que é um erro cooperar com a Suzano na promoção de sua imagem de aliada da conservação da floresta porque, dizem, a designação verde obscurece os impactos danosos das plantações de eucalipto.

Não há dúvida de que o eucalipto ( Eucalyptus spp.), Nativo do oeste da Austrália, é uma espécie de árvore útil. Altamente tolerante a solo infértil, sua polpa é transformada em papel higiênico, lenços de papel e outros produtos de papel; enquanto a árvore é utilizada globalmente para projetos de reflorestamento em grande escala. Em 2015, as plantações de eucalipto do mundo cobriram 20 milhões de hectares (49,4 milhões de acres), com o Brasil detendo a maior parcela de 4,12 milhões de hectares (10,4 milhões de acres).

A expansão das plantações de eucalipto está aumentando atualmente tanto na China quanto no Brasil. De acordo com o Instituto de Geografia e Estatística do governo brasileiro (IBGE), a área coberta no Brasil por essas plantações em 2019 aumentou para 7,6 milhões de hectares (18,8 milhões de acres).

O eucalipto cresce rapidamente, por isso é elogiado por sua capacidade de captura de carbono. Um estudo de 2018 descobriu que “O dióxido de carbono removido por [todas] as plantações florestais brasileiras ao longo dos 26 anos [1990-2016] representam quase a totalidade das emissões de [carbono] do país na agricultura, silvicultura e outros setores de uso da terra em 2016. ” Os pesquisadores concluíram que “as plantações florestais desempenham um papel importante na mitigação das emissões de GEE (gases de efeito estufa) no Brasil”. Em 2016, aponta o estudo, as plantações de eucalipto, que então se expandiam rapidamente, representavam 71% de todas as plantações no país. A pesquisa também sugeriu que as plantações poderiam desempenhar um papel na realização dos PADs do Brasil.

Outros pesquisadores argumentam que não é suficiente contar apenas a quantidade de carbono que o eucalipto captura à medida que cresce. Markus Kröger, professor associado de desenvolvimento global na Universidade de Helsinque, apontou os resultados de um estudo de 2004  que mostra que as mudanças no uso da terra associadas à produção de eucalipto, incluindo “acidificação do solo e diminuição do carbono orgânico do solo”, levaram a um declínio acentuado no carbono armazenado , cancelando cerca de 80% do carbono capturado pelo eucalipto.

Colheita em andamento em uma plantação de eucalipto no Brasil. Imagem de Steve Strauss / Oregon State University via Flickr ( CC BY-SA 2.0 ).

Além disso, como o eucalipto cresce muito rapidamente e é derrubado em rápida rotação, o carbono que ele captura não é armazenado por um longo prazo como na floresta nativa, mas logo é liberado de volta à atmosfera. Um relatório da Environmental Paper Network (EPN), um coletivo global de pesquisadores de clima e proteção florestal, concluiu: “Dentro de dois a três anos após a colheita [do eucalipto], quase todo o CO 2 ‘armazenado’ é liberado novamente na atmosfera. ”

Existem outras preocupações importantes. “As fábricas de celulose poluem fortemente, com a produção de um milhão de toneladas de celulose levando a pelo menos dois milhões de toneladas de emissões de carbono”, disse Kröger. “Essas informações são ocultadas pelas empresas de celulose e não são consideradas nos cálculos.”

Geraldo Wilson Fernandes, professor de ecologia na Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil, concorda: “Precisamos considerar a pegada que essas plantações têm em geral. Existem problemas decorrentes da queima de resíduos, do beneficiamento da madeira, do plantio de árvores onde elas não ocorrem naturalmente ”.

Fernandes destaca outra diferença fundamental entre fazendas de árvores e floresta natural: “Essas plantações homogêneas, ou monoculturas, têm uma diversidade de espécies muito menor quando comparada ao ambiente que foi destruído para abrir caminho para elas. Eles têm menos pássaros, menos mamíferos, menos insetos e menos polinizadores … Junto com isso, as empresas sempre usam agrotóxicos [químicos tóxicos] que tornam a situação muito mais grave. A floresta parece um deserto em comparação com o ecossistema nativo. ”

Kröger conclui: “As plantações de eucalipto não são sustentáveis ​​para o Brasil ou qualquer outro país. A expansão das monoculturas de árvores é característica do fenômeno mais amplo da grilagem de terras, que é impulsionado pela lógica financeira dominante do capitalismo atual ”. Os críticos argumentam que a regra do Acordo de Paris que iguala as plantações de árvores às florestas nativas não é totalmente baseada na ciência, mas foi alavancada pela indústria florestal e por nações com grandes áreas florestais como os EUA, Rússia e Brasil.

Um toco toco em uma floresta brasileira. Os especialistas destacam o fato de que as plantações homogêneas, ou monoculturas, têm uma diversidade de espécies muito menor quando comparada ao ambiente que foi destruído para dar lugar a elas. Imagem de Rhett A. Butler / Mongabay.

Suzano: uma empresa com uma história variada

Em 1920, Leon Feffer chegou ao Brasil vindo da Ucrânia, fugindo de pogroms contra os judeus. Então, em 1939, ele comprou duas fábricas de papel que usavam celulose de fibra longa importada; uma dessas fábricas ficava na cidade de Suzano, no interior de São Paulo, que Feffer adotou como nome da empresa.

Após a segunda Guerra Mundial, a demanda por papel disparou, e o filho de Leon desenvolveu um novo processo de fabricação, usando celulose de fibra curta de árvores de eucalipto cultivadas no Brasil. Desde então, a Suzano tem se expandido fortemente, aumentando tanto as plantações de eucalipto quanto a capacidade de fabricação de celulose.

Antes de se tornar uma das gigantes mundiais da celulose, a Suzano atuou em outros setores, inclusive na petroquímica. E, como muitas grandes empresas brasileiras, seu crescimento foi marcado por denúncias de corrupção. Investigadores federais durante o escândalo Lava Jato descobriram que em 2007 a Petrobras, a estatal brasileira de petróleo, pagou três vezes o preço de mercado pela compra da petroquímica Suzano, Suzano Petroquímica, enquanto também assumia as dívidas da empresa. A Petrobras pagou R $ 4,1 bilhões (US $ 2,1 bilhões) por uma empresa avaliada em apenas R $ 1,4 bilhão (US $ 706 milhões).

Mais recentemente, a Suzano consolidou sua posição de liderança no mercado de celulose. Em 2018, comprou a Fibria, que até então era a maior produtora de celulose do país. Facilitando esse negócio estava o BNDESPar, o braço acionário do gigante estatal Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o acionista majoritário de ambas as empresas de celulose. A imprensa brasileira criticou severamente a aquisição porque o BNDES usou dinheiro público para facilitar a criação de um enorme monopólio privado. “Existem cerca de US $ 2,5-US $ 3 bilhões de sinergias nesta transação”, disse o CEO da Suzano Schalka, que defendeu o negócio , explicando que as duas empresas combinadas aumentaram a competitividade futura.

Hoje a Suzano é uma empresa gigantesca. As plantações de propriedade da empresa cobrem 2,3 milhões de hectares (4,9 milhões de acres). A empresa é, de longe, a maior produtora de celulose do Brasil e, atualmente, suas 10 fábricas têm capacidade para produzir 10,9 milhões de toneladas de celulose por ano. Em 2017, o Brasil produziu 10,2 milhões de toneladas de celulose, muito menos do que a produção da China (99,3 milhões de toneladas) e dos Estados Unidos (75,1 milhões de toneladas). Mas seu consumo interno muito menor significava que o Brasil era o maior exportador global de celulose, com 17% do mercado mundial.

A produção de celulose da Suzano deve aumentar rapidamente. A empresa afirma estar plantando mais de 500 milhões de mudas de eucalipto por dia, o que em breve adicionará nove milhões de hectares (22 milhões de acres) às suas plantações de eucalipto. A empresa também está construindo uma nova fábrica de celulose de eucalipto em Minas Gerais. Oliveira, da Suzano, disse à Mongabay que será a planta mais eficiente da empresa, com capacidade de produção de celulose de 2,55 milhões de toneladas anuais.

A Suzano continua adotando novas tecnologias. O eucalipto geneticamente modificado (GM) desenvolvido pela FuturaGene, subsidiária da Suzano, produz 20% a mais de madeira e foi aprovado para uso comercial pelo governo em 2015, mas ainda não foi implantado comercialmente. Em novembro de 2021, Brasil aprovou outra eucalipto GM, este modificado para ser resistente ao controverso ligada ao câncer de herbicida glifosato, mais conhecido como Roundup.

Terra desmatada para dar lugar a plantação de eucalipto. Imagem cortesia de Flávia Bernardes, FASE
Um fazendeiro mantém abóboras cultivadas perto de uma plantação de eucalipto no Brasil. Os ativistas contra as plantações de eucalipto dizem que as árvores de crescimento rápido absorvem água e nutrientes, arruinando as terras agrícolas ao redor – sem falar no problema com os pesticidas que às vezes acabam no abastecimento de água. Imagem de Hanna Nikkanen via Flickr ( CC BY-NC-SA 2.0 ).

Conflitos sociais contínuos

A expansão agressiva da Suzano gerou conflitos com as comunidades tradicionais do Brasil, algumas das quais perderam suas terras. Isso deixou um legado de má vontade e ressentimento em algumas localidades próximas às plantações e fábricas de celulose.

“Por incorporar várias outras empresas, a Suzano acumulou imensos passivos socioambientais, além de uma longa trajetória de violações e ilegalidades, por ter promovido um nefasto modelo de monoculturas de eucalipto em escala industrial ao longo de várias décadas , ”Disse Winnie Overbeek, coordenador internacional do Movimento Mundial pela Floresta Tropical .

Alguns conflitos ainda estão ocorrendo. Flávia dos Santos, líder do Território Tradicional Quilombola do Sapê do Norte, entre São Mateus e Conceição da Barra, no norte do Espírito Santo, foi contundente em sua denúncia do impacto das plantações de Suzano: “Vivemos de vinhas, peixes, … e a mandioca … a gente depende da terra, do rio e da floresta para sobreviver ”, mas, disse ela, a Suzano planta eucalipto nas cabeceiras desses cursos d’água. “Os rios secam ou as nascentes ficam poluídas. Acabamos sem as condições mínimas de sobrevivência. ”

“Temos uma luta diária com a Suzano”, acrescentou. “A monocultura do eucalipto chegou atropelando tudo e, com o racismo, tomou nossas terras. Terra que pertenceu aos nossos ancestrais. Terra que era nosso meio de sobrevivência. Os quilombolas [comunidades habitadas por descendentes de escravos fugitivos] aqui tinham de tudo em abundância – peixes, campos, matas. Mas hoje estamos construindo nossas casas umas em cima das outras porque não temos espaço ”.



Sapezeiro, um residente do Sapê do Norte Quilombola, estado do Espírito Santo, Brasil. O solo foi degradado por décadas de uso de pesticidas, mas os residentes usam métodos agrícolas tradicionais para restaurá-lo a algo semelhante à sua vitalidade anterior. Imagem cortesia de Flávia Bernardes, FASE.

De acordo com a legislação brasileira, esse quilombola deveria estar seguro em sua proteção à terra. Isso porque a Fundação Cultural Palmares, instituição pública de defesa da cultura afro-brasileira, há uma década certificou a validade da afirmação de quilombola da comunidade e agora aguarda o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para demarcar seu território. Apesar disso, o processo de titulação de terras para suas 32 comunidades não foi concluído pelo governo, e muitos temem que os residentes tradicionais sejam forçados a deixar suas terras com a expansão das plantações de eucalipto.

Cristiano Oliveira, empresa de celulose, admite o conflito: “A Suzano tem trabalhado para recuperar, por via judicial, algumas áreas de sua propriedade no norte do Espírito Santo que estavam ocupadas ilegalmente. Ressaltamos, entretanto, que desde o início da pandemia não foram realizadas ações de retomada da posse para as áreas alegadamente ocupadas por comunidades quilombolas, que permanecem no local. ”

A Suzano afirma que, desde que respeitados os seus direitos de propriedade, faz questão de colaborar: “Reconhecemos a importância das comunidades locais, por isso a Suzano se relaciona com todas as comunidades da região. Temos várias linhas de investimento social que beneficiam diretamente algumas organizações sociais no norte do Espírito Santo, incluindo mais de 20 associações quilombolas ”.

Mãe e filhos plantam mudas no reflorestamento do Quilombola Sapê do Norte. Imagem cortesia de Século Diário

O caminho a seguir

As opiniões divergem sobre se a recente dedicação da Suzano ao ambientalismo significa que pode ser encontrada uma maneira de tornar suas plantações de eucalipto sustentáveis ​​e socialmente e conservadoras.

“O aumento das plantações de eucalipto está causando graves impactos negativos na biodiversidade e está causando mais pobreza, injustiça social e danos ao planeta”, diz Fernandes, mas continua confiante de que soluções podem ser encontradas. “Empresas como a Suzano têm funcionários muito capacitados e bem treinados. Eles poderiam facilmente aplicar a ciência para tornar seus negócios verdadeiramente sustentáveis. Não estou falando de sustentabilidade econômica, mas de sustentabilidade ambiental, ecológica e social permanente. ”

Kröger tem menos certeza. “Acho que o atual modelo de plantação de eucalipto está tão arraigado no modelo básico de negócios da Suzano, que quer até ser pioneira na expansão de eucalipto GM resistente ao glifosato, que [a sustentabilidade ambiental] não é possível. Empresas como a Suzano precisam ser tratadas mais como empresas de combustíveis fósseis, como resquícios de um modelo de negócio obsoleto, do qual é preciso desinvestir rapidamente. As empresas devem transformar radicalmente seus modelos de negócios e práticas florestais, se quiserem se tornar parte da solução. ”

Kröger diz que os verdadeiros aliados dos ambientalistas na luta para conter as mudanças climáticas não são grandes corporações. “Comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e outras comunidades rurais podem dar uma grande contribuição [ao meio ambiente], ao substituir o eucalipto e outras monoculturas e áreas de pastagem por sistemas agroflorestais, que forneceriam alimentos além de trazer solo, clima, hidrológicos e socioambientais -benefícios econômicos.”

Imagem do banner: Uma plantação de eucalipto no Brasil. Imagem de Victor Camilo via Flickr ( CC BY-ND 2.0 ).

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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pela MongaBay News [Aqui!]

Mercado Europeu não quer mais consumir carne do desmatamento

O boicote é resultado da ligação direta de frigoríficos do Brasil com violações ambientais e registro de propriedade irregular

unnamed (41)Sobrevoo do Greenpeace Brasil em 2020 em fazenda na Amazônia © Christian Braga / Greenpeace

Manaus, 16 de dezembro de 2021 – Varejistas da União Europeia anunciaram nesta quarta-feira (15) que deixarão de comprar carne bovina do Brasil pela relação direta com o desmatamento na Amazônia. O boicote aponta que o mercado internacional não quer mais consumir produtos ligados com a destruição das florestas. Segundo um levantamento feito pelo Greenpeace Brasil, grandes frigoríficos do país, como JBS e Frigol, compraram gado de forma direta ou indireta, de fazendas com desmatamento ilegal localizadas em áreas públicas federais e suspeitas de grilagem.

“O sinal está mais do que claro, não há mais espaço para desmatamento na Amazônia. A COP-26 evidenciou que a crise climática é uma realidade e que para contê-la será necessária a união de diversos esforços em diferentes países. Se por um lado os frigoríficos se omitem em tomar as decisões necessárias para frear práticas ilegais na sua cadeia de custódia, por outro, parlamentares europeus, varejistas e consumidores mostram a importância de seu papel e iniciam um movimento de basta. Basta de desmatamento na Amazônia. Esperamos que em um futuro muito próximo esse tipo de atitude seja seguido pelo mercado interno brasileiro”, afirma André Freitas, gerente da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil.

O levantamento ainda aponta que a apropriação ilegal de terra pode aumentar na Amazônia e elevar o desmatamento em curso caso sejam aprovados pelo Senado alguns dos projetos de Lei conhecidos como PL da Grilagem (PL 2633/2020 e PL 510/2021) e PL do Licenciamento Ambiental (PL 2159/2021), conhecido como o PL da Boiada. Esta é a terceira manifestação europeia – em menos de duas semanas -, contra o desmatamento na Amazônia.

No início de novembro, a eurodeputada Anna Cavazzini, vice-Presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com o Brasil, enviou uma carta endereçada ao presidente do senado Rodrigo Pacheco, e também para os senadores Jaques Wagner e Acir Gurgacz, manifestando a sua preocupação com a possibilidade de aprovação dos PLs. Além disso, no início desta semana, foi a vez de 31 membros do parlamento dinamarquês de, cinco diferentes, partidos enviarem uma carta novamente ao presidente do Senado brasileiro manifestando preocupação com a disparada do desmatamento e das emissões de gases na atmosfera.

MPF pede afastamento da presidente do Iphan após fala de Bolsonaro sobre o órgão não “dar dor de cabeça”

Pedido se dá em ação popular para anular nomeação de Larissa Rodrigues Peixoto Dutra por falta de qualificação técnica para o cargo

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O Ministério Público Federal (MPF) requereu, no âmbito da ação popular 5028551-32.2020.4.02.5101, o imediato afastamento, em caráter liminar, da atual presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Larissa Rodrigues Peixoto Dutra, até o julgamento de mérito. O pedido se dá pelo surgimento de nova confissão do chefe do Poder Executivo, com prova vídeo documental, demonstrado o vício de finalidade na prática do ato administrativo.

Na última quarta-feira, 17, em evento realizado na Federação das Indústrias do Estado de São (Fiesp), o presidente Jair Bolsonaro confessou que a indicação para o Iphan tinha como finalidade “não dar dor de cabeça” para o governo. Segue a transcrição da fala do presidente que foi gravada e transmitida pelos meios de comunicação:

Também, há pouco tempo, tomei conhecimento que, uma obra, uma pessoa conhecida, o Luciano Hang, estava fazendo mais uma loja e apareceu um pedaço de azulejo durante as escavações. Chegou o Iphan e interditou a obra. Liguei para o ministro da pasta: ‘que trem é esse?’, porque eu não sou tão inteligente como meus ministros. ‘O que é Iphan?’, com PH. Explicaram para mim, tomei conhecimento, ripei todo mundo do Iphan. Botei outro cara lá. O Iphan não dá mais dor de cabeça pra gente [risos].”

Com o surgimento dessa nova prova video-documental, para o MPF, não há oposição de dúvida razoável sobre o desvio de finalidade na nomeação e posse da atual presidente do Iphan.

“No caso em julgamento, sequer buscaram os agentes do ato ocultar a verdadeira motivação na nomeação e posse da ré Larissa Rodrigues Peixoto Dutra, qual seja, a de ‘não dar mais dor de cabeça’ para o Presidente da República e seu círculo de ‘pessoas conhecidas’”, analisa o MPF.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional é uma das mais antigas instituições federais brasileiras, e tem por função precípua “promover, em todo o país e de modo permanente, o tombamento, a conservação, o enriquecimento e o conhecimento do patrimônio histórico e artístico nacional” (Lei Federal no 378/1937).

Ação popular

Em junho do ano passado, a Justiça concedeu liminar para suspender a nomeação de presidente do Iphan, após o MPF se posicionar, em ação popular, pela nulidade do ato administrativo por desvio de finalidade e falta de capacitação técnica. Além disso, o MPF apurou que o marido de Larissa, Gerson Dutra, teria integrado a equipe de segurança particular do Presidente da República durante a campanha eleitoral, o que indicaria possível desvio de finalidade na nomeação de pessoa não qualificada para a função pública. 

Larissa não atende os requisitos estabelecidos nos Decretos Federais 9.238/2017 e 9.727/2019, que exigem dos nomeados “perfil profissional ou formação acadêmica compatível com o cargo”, e também experiência profissional mínima de cinco anos em atividades correlatas e título de mestre ou doutor na área de atuação.

Larissa Rodrigues Peixoto Dutra é graduada em Turismo e Hotelaria pelo Centro Universitário do Triângulo, e cursa atualmente pós-graduação lato sensu em MBA executivo em gestão estratégica de marketing, planejamento e inteligência competitiva, na Faculdade Unileya. Para o MPF, ela não possui formação acadêmica compatível com o exercício da função, uma vez que não obteve graduação em história, arqueologia, museologia, antropologia, artes ou outra área relacionada ao tombamento, conservação, enriquecimento e conhecimento do patrimônio histórico e artístico nacional.

No entanto, contra a decisão liminar, os réus interpuseram os agravos de instrumento 5006698-41.2020.4.02.0000 e 5006708-85.2020.4.02.0000, os quais foram deferidos pela 8ª Turma Especializada do TRF2, em acórdão datado de 20 de outubro de 2021.

Confira o pedido do MPF em: http://www.mpf.mp.br/rj/sala-de-imprensa/docs/pr-rj/acao-popular-presidente-o-iphan-pedido-de-liminar/view 

Saiba mais em: http://www.mpf.mp.br/rj/sala-de-imprensa/noticias-rj/mpf-pede-afastamento-da-presidente-do-iphan-apos-fala-de-bolsonaro-sobre-o-orgao-nao-201cdar-dor-de-cabeca201d/view 

Brasil pode ser líder em descarbonização e geração de empregos verdes

A convite do iCS e da Embaixada da Alemanha, especialistas apresentam dados e pesquisas e discutem como acelerar a profissionalização verde em setores como o industrial e da construção civil

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O iCS – Instituto Clima e Sociedade e a Embaixada da Alemanha realizam no dia 17 de dezembro, sexta-feira, um seminário internacional de debate sobre o tema “Empregos verdes: capacitação e formação de talentos para um mundo em transição”.  Nesta 19ª edição do projeto Diálogos Futuro Sustentável, que é aberto ao público em geral, especialistas alemães e brasileiros discutem caminhos se promover transformações no mercado de trabalho, em diversos setores, que fomentam uma abordagem sobre trabalho digno em atividades de baixa emissão de carbono – ganha especial importância no pós-Covid-19, com a necessidade de uma recuperação econômica pujante, justa e sustentável.

Com esse enfoque, o evento reúne três nomes com ângulos distintos e complementares do tema. O primeiro, Christoph Büdke, Head do Programa de Energia Renovável da GIZ, agência alemã para cooperação internacional, que apresenta o estudo “Profissionais de Energia do Futuro – Educação Profissional Superior em energias renováveis e eficiência energética (4E): novos empregos exigem novas qualificações” (2021). O estudo é parte de um projeto da GIZ voltado ao tema, que terá duração até 2024.

De acordo com recente estudo da Organização Internacional do Trabalho, colocar em prática acordos e compromissos climáticos internacionais poderia gerar 18 milhões de novos empregos até 2030. 

Neste contexto, o setor de Energia tem papel destacado na discussão global sobre empregos verdes. Diante da demanda urgente da descarbonização do setor – e tendo o Brasil enorme potencial para liderar essa empreitada -, de que forma o país pode se qualificar para formar talentos e capacitar trabalhadores? Quais energias podem empregar mais no Brasil? E o que podemos esperar das políticas públicas neste sentido, notadamente no campo educacional?

Para falar da profissionalização verde em um dos setores que mais empregam no Brasil, o da construção civil e industrial, a convidada é a especialista em eficiência energética e auditora EDGE, Rosane Fukuoka. Finalmente, o painel recebe o economista Paulo Eduardo Braga, bolsista da Cátedra Escolhas de Economia e Meio Ambiente e autor da dissertação “Empregos Verdes no Brasil: uma via Matriz Insumo-Produto” (Esalq/USP, 2020).

Serviço- Diálogos Futuro Sustentável

Palestrantes

Christoph Büdke – Especialista em Educação Profissional e Diretor de projetos da GIZ

Trabalha desde 2015 no Brasil em projetos de cooperação técnica com o MME, MEC, SENAI e outros setores do governo brasileiro e anteriormente trabalhou para instituições públicas e privadas na Alemanha, África do Sul e Holanda sempre com foco em educação, formação profissional e geração de empregos.

Rosane Fukuoka – Gerente de edificações na Mitsidi | EDGE Expert & Auditor 

Arquiteta e Urbanista formada na Universidade de São Paulo (USP), possui experiência na área de projetos e construção civil e trabalhou com consultoria em Uso e Operação de Edifícios e Certificação LEED EB OM. Atualmente atua na área de consultoria de Eficiência energética e auditorias em edifícios comerciais, residenciais na Mitsidi Projetos, tendo realizado diagnósticos energéticos no campo em dezenas de edifícios nos últimos anos. Certificada EDGE Expert e Auditor e com treinamento em “Promotion of Energy Efficiency and Conservation” no Japão e “Energy Efficiency and Renewables” na Alemanha. Possui pós-graduação em docência no Ensino Superior pela Faculdade São Luís e atualmente cursa o Master em Energias Renováveis pela IMF Business School (Nebrija, Madrid).

Paulo Eduardo Braga – Pesquisador e Analista de Economia Regional na 4intelligence

Economista formado pela Universidade Federal do Rio Grande (2017) e Mestre em Economia Aplicada pela Universidade de São Paulo (2020). Durante o mestrado foi bolsista da Cátedra de Economia e Meio Ambiente do Instituto Escolhas. Em pesquisa econômica, possui experiência em economia regional, economia do meio ambiente e desenvolvimento econômico. Atualmente é Analista de Economia Regional da 4intelligence – startup de tecnologia. 

Moderação

Leonildes Nazar – Instituto Clima e Sociedade – Colaboradora do Projeto Iniciativa Amazônia Legal Urbana

Leonildes é cientista política e internacionalista. Maranhense, da ilha de São Luís, atua e aprende enquanto pesquisadora, militante e consultora junto a redes, grupos acadêmicos e organizações da sociedade civil. Dedica-se, especialmente, às agendas de mudanças climáticas, justiça socioambiental e direitos humanos; cooperação internacional; e atores e temas da política externa brasileira. Graduou-se em Relações Internacionais (UFRRJ, 2014) e fez mestrado em Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ), onde atualmente é doutoranda na área. Entre 2019 e 2020, foi pesquisadora visitante do Center for Latin American Studies da Universidade da Califórnia – Berkeley. É pesquisadora do Laboratório de Análise Política Mundial (Labmundo), do Observatório Interdisciplinar das Mudanças Climáticas e membra da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e Negras (ABPN). No iCS, organização onde trabalha desde 2016, coordena as atividades de doação, mobilização e diagnóstico de campo para a Iniciativa Amazônia Legal Urbana.

Supermercados da Europa bloqueiam carne brasileira da JBS ligada ao desmatamento

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Redes de supermercados na Bélgica, França, Holanda e Reino Unido anunciaram hoje (16/12) que estão deixando de lado a carne bovina brasileira e/ou produtos de carne bovina vinculados à JBS, a maior empresa de carne bovina do mundo. O anúncio, segundo as empresas, seria uma resposta ao aumento do desmatamento no Brasil e a uma nova investigação documentando vínculos com o desmatamento.

A nova investigação foi realizada pela Repórter Brasil com apoio da Mighty Earth e rastreou a carne bovina ligada ao desmatamento até as prateleiras das lojas de varejo europeias, na forma de carne bovina seca, carne de cordeiro e cortes frescos de primeira qualidade. A Mighty Earth compartilhou as descobertas diretamente com as empresas antes da publicação oficial, o que resultou nos anúncios de hoje.

“Este é um momento decisivo porque vários grandes supermercados em toda a Europa estão dizendo um não enfático à carne bovina brasileira por causa das preocupações com o desmatamento”, disse Nico Muzi, Diretor da Mighty Earth Europe.

“Este não é um compromisso vago ou um anúncio voltado às relações públicas das empresas”, avalia Muzi. “Isto representa uma série de ações comerciais concretas tomadas por alguns dos maiores supermercados da Europa para parar de comprar e vender carne bovina de uma empresa e de um país que fez demasiadas promessas e entregou muito poucos resultados.”

Os principais compromissos dos supermercados europeus anunciados hoje são:

• O Carrefour Belgium se comprometeu a deixar de vender a carne seca Jack Link, e o Grupo Carrefour se comprometeu a aumentar a vigilância em suas operações em todos os países. O Grupo Carrefour é uma multinacional francesa com mais de 12.000 localidades no mundo e uma receita de 81 bilhões de euros em 2019. A Mighty Earth continua a pressionar o Carrefour para uma ação mais ampla em todas as suas lojas.

• A Sainsbury’s UK se comprometeu a retirar totalmente do Brasil sua própria marca de carne de vaca em conserva. A Sainsbury’s é a segunda maior cadeia de supermercados do Reino Unido, com uma participação de 16% no setor de supermercados, mais de 1.400 locais e quase £29 bilhões em receitas em 2019.

• O Princes Group anunciou que não colocou um contrato para a venda de carne bovina em pedaços da JBS desde novembro de 2020 e se comprometeu com uma nova política de abastecimento de material brasileiro que inclui desmatamento zero. A Princes é uma empresa internacional de alimentos e bebidas sediada em Liverpool com £1,5 bilhão em receitas em 2017.

• A Lidl Netherlands se comprometeu a deixar de vender toda a carne bovina de origem sul-americana a partir de janeiro de 2022. A empresa é parte da Lidl Stiftung & Co. KG, uma cadeia de varejistas alemães com mais de 11.000 locais e receita de 57 bilhões de euros.

• Auchan France se comprometeu a retirar os produtos de carne seca ligados à JBS de suas prateleiras. A Auchan France faz parte da Auchan Retail International S.A., uma multinacional francesa com mais de 4.000 locais em todo o mundo e uma receita de 51 bilhões de euros em 2018.

• Ahold Delhaize – A Albert Heijn (parte da Ahold Delhaize) comprometeu-se a deixar de fornecer carne bovina do Brasil para todas as suas lojas. É a maior cadeia de supermercados da Holanda, com mais de 1.000 locais e uma participação de mercado de 35% em 2020. Já a Delhaize (parte da Ahold Delhaize) comprometeu-se a retirar todos os produtos Jack Links de suas prateleiras. A empresa é uma das maiores cadeias de supermercados da Bélgica. A Ahold Delhaize é uma empresa holandesa de varejo de alimentos com mais de 7.000 locais em todo o mundo e receita de 75 bilhões de euros em 2020.

Estudo

A pesquisa da Repórter Brasil em parceria com a Mighty Earth encontrou múltiplos exemplos do que chamam de “lavagem de gado”. Segundo a pesquisa, parte da carne bovina processada pela JBS em seus abatedouros em áreas de baixa desmatamento, como São Paulo, é proveniente de gado criado e alimentado em fazendas oficialmente sancionadas – e embargadas – por desmatamento ilegal na Amazônica, Cerrado e Pantanal.

Com receita anual de US﹩ 50 bilhões, a JBS é o maior produtor mundial de carne bovina – abatendo quase 35.000 cabeças de gado por dia somente no Brasil. Em 2017, cerca de um terço das exportações de carne bovina da JBS do Brasil era apontado como sendo proveniente da Amazônia.

No ano passado, a Amazônia brasileira teve os piores níveis de desmatamento dos últimos 15 anos. Os cientistas estimam que dois terços das terras desmatadas na Amazônia e no Cerrado foram convertidas em pastagens para gado.

“A pesquisa mostra que a JBS continua a vender carne bovina ligada ao desmatamento, embora existam cerca de 650 milhões de hectares de pastagens degradadas na América Latina onde a produção agrícola sem desmatamento é possível”, disse Muzi. “A grande notícia é que a Europa está parando de comprar agora. Estas ações comerciais, assim como a nova legislação da UE para acabar com o desmatamento importado, mostram que o aperto está chegando aos destruidores de florestas”.

“Na verdade, com base nos compromissos de hoje, parece que as políticas irresponsáveis da JBS estão fazendo com que grandes supermercados e varejistas se afastem não apenas desta única empresa, mas da carne bovina de origem brasileira e até mesmo sul-americana em geral”, enfatiza Muzi. “Se eu fosse outra empresa de carne bovina daquela parte do mundo, eu exortaria a JBS a parar de fazer da região inteira um pária global ligado ao desmatamento. Certamente, há muitas empresas na América do Sul que fazem muito melhor do que isso”.

Em abril passado, a Mighty Earth divulgou sua mais nova análise dos dados de desmatamento, que constatou que a JBS era a empresa de carne com pior desempenho . Ela tem sido ligada a 100.000 hectares de desmatamento nos últimos dois anos. Cerca de 75% desse desmatamento ocorreu em áreas protegidas.

Declarações corporativas sobre os compromissos assumidos hoje

CARREFOUR GROUP

“Após o alerta recebido pela Repórter Brasil e Mighty Earth, realizamos uma investigação imediata”, disse Geoffroy Gersdorff, Diretor do Grupo de Oferta de Mercadorias Alimentícias e Não Alimentícias do Grupo Carrefour. “Como consequência, o Carrefour deixará de vender a carne seca da Jack Link no Carrefour Bélgica e aumentará sua vigilância em todos os seus países de operação. Esta decisão comercial foi tomada dentro do Comitê do Carrefour sobre as regras de compra para a transição alimentar. O Grupo saúda o compromisso das ONGs com esta luta, pois o diálogo e a vigilância por parte de todos nos permite identificar problemas e fazer progressos”.

LIDL NETHERLANDS

“A proteção da biodiversidade, incluindo a prevenção do desmatamento, são temas centrais dentro de nossa política de compras sustentáveis”, disse Renée Bijvoets, Gerente de Sustentabilidade da Lidl Netherlands. “Dado o risco de desmatamento ligado à carne bovina de origem sul-americana, decidimos, juntamente com nosso fornecedor, buscar fontes alternativas. O resultado é que a partir de janeiro de 2022 não venderemos carne bovina com origem sul-americana em nosso sortimento fixo”.

SAINSBURY’S UK

“A ligação entre a pecuária e a destruição de ecossistemas como a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal é uma questão complexa, que levamos extremamente a sério. Tomamos uma série de medidas junto aos nossos fornecedores e à indústria em geral para tentar resolver esta questão, mas não houve progresso suficiente. Estamos, portanto, comprometidos em afastar do Brasil o fornecimento de carne bovina de nossa própria marca para garantir que o produto de carne bovina de corte da Sainsbury’s possa ser verificado independentemente, sem desmatamento e conversão na origem”.

ALBERT HEIJN

“Albert Heijn decidiu parar de comprar carne bovina do Brasil para todas as suas lojas”, disse um porta-voz de Albert Heijn, Holanda. “Isto inclui tanto produtos de marca própria quanto de marca. Albert Heijn trabalhará com nossos fornecedores nos próximos meses para eliminar ou substituir gradualmente todos os produtos de carne bovina de origem brasileira”.

DELHAIZE BELGIUM

“A Delhaize garantirá que toda a carne seca da Jack Link será retirada de todas as suas lojas”, disse um porta-voz da Delhaize Bélgica.

AUCHAN FRANCE

“Auchan está engajada contra o desmatamento no Brasil e particularmente no Cerrado”, disse um porta-voz da Auchan França. “Para apoiar este engajamento, a Auchan trabalha em estreita colaboração com a Earthworm Foundation, que auxilia os varejistas na implementação de uma política de compras responsável. Além disso, a empresa assinou o manifesto contra o desmatamento de soja há um ano. Atualmente, nosso serviço de qualidade investiga suas informações. O produto é vendido abertamente por muitos varejistas e e-business na França. Auchan não poderia ser apontado como um vendedor específico deste produto. Para evitar qualquer mal-entendido e cumprir com nossos compromissos, a Auchan decide retirar o produto das prateleiras”.

PRINCES GROUP

“A Princes não firmou um contrato para a carne de vaca em conserva da JBS desde novembro de 2020; a carne de vaca em conserva da marca Princes, proveniente da JBS e identificada pela Mighty Earth nas prateleiras do Reino Unido e da Holanda, será vendida como elemento residual deste último contrato”, disse um porta-voz do Princes Group. “A Princes leva a questão do desmatamento muito a sério e se envolve continuamente com os fornecedores para melhorar a gestão da cadeia de abastecimento, mitigar os riscos e aumentar a transparência. Temos revisado nossa cadeia de fornecimento de carne bovina e estamos desenvolvendo uma nova política de fornecimento de material brasileiro levando em conta uma ampla gama de fatores, incluindo rastreabilidade, risco, custo, qualidade, feedback do cliente, a gestão de fornecedores indiretos e um compromisso de desmatamento zero”.

Inflação pelo IPC-S sobe 1,07% na segunda quadrissemana de dezembro

O IPC-S da segunda quadrissemana de dezembro de 2021 variou 1,07% e acumula alta de 9,89% nos últimos 12 meses

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Nesta apuração, três das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo em suas taxas de variação. A maior contribuição para o resultado do IPC-S partiu do grupo Transportes cuja taxa de variação passou de 2,92%, na primeira quadrissemana de dezembro de 2021 para 2,00% na segunda quadrissemana de dezembro de 2021. Nesta classe de despesa, cabe mencionar o comportamento do item gasolina, cujo preço variou 4,13%, ante 6,57% na edição anterior do IPC-S.

Também registraram decréscimo em suas taxas de variação os grupos: Despesas Diversas (0,18% para 0,12%) e Alimentação (0,65% para 0,64%). Nestas classes de despesa, vale destacar o comportamento dos itens: alimentos para animais domésticos (0,79% para 0,49%) e hortaliças e legumes (3,86% para -0,25%).

Em contrapartida, os grupos Habitação (0,70% para 0,94%), Educação, Leitura e Recreação (2,76% para 2,94%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,10% para 0,16%), Vestuário (0,24% para 0,30%) e Comunicação (0,06% para 0,07%) apresentaram avanço em suas taxas de variação. Nestas classes de despesa, vale citar os itens: tarifa de eletricidade residencial (1,48% para 2,49%), passagem aérea (15,67% para 16,74%), serviços de cuidados pessoais (0,18% para 0,39%), roupas femininas (0,21% para 0,41%) e serviços de streaming (0,23% para 0,35%).

A próxima apuração do IPC-S, com dados coletados até o dia 22.12.2021 será divulgado no dia 23.12.2021.

Mais informações e release completo no Portal IBRE [Aqui!].

Castigo veio a cavalo: supermercados europeus param de vender carne bovina do Brasil por relação com desmatamento

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Por Reuters

SÃO PAULO/AMSTERDÃ (Reuters) – Seis redes europeias de supermercados, incluindo duas de propriedade da empresa holandesa Ahold Delhaize e uma subsidiária do Carrefour, disseram nesta quarta-feira que não venderão mais uma parte ou todos os derivados de carne bovina do Brasil devido a laços com o desmatamento da floresta amazônica.

Os compromissos vão do anúncio da rede de supermercados Lidl Netherlands, que se comprometeu a parar de vender toda a carne bovina originária da América do Sul a partir de 2022, a decisões mais direcionadas de suspender a venda de certos produtos de carne.

Muitos dos produtos afetados são da JBS (JBSS3), a maior processadora de carne do mundo.

Os boicotes são uma reação a uma investigação da entidade Repórter Brasil, que alegou que a JBS utilizou carne de vacas de pastos em áreas desmatadas ilegalmente, em um esquema conhecido como “lavagem de gado”.

O esquema ocorre quando o gado criado em um lote de terra desmatado ilegalmente é vendido a uma fazenda legítima antes da venda para um abatedouro para ocultar sua origem.

A JBS disse à Reuters que tem tolerância zero com o desmatamento ilegal e que descartou mais de 14 mil fornecedores por não se adequarem às suas políticas. A empresa disse que o monitoramento de fornecedores indiretos –aqueles que antecedem o vendedor final para o abatedouro– é um desafio para todo o setor, mas que a JBS instituirá um sistema capaz de fazê-lo até 2025.

A processadora de carne disse que o levantamento da Repórter Brasil mencionou somente cinco de 77 mil de seus fornecedores diretos e que estes fornecedores se adequavam às suas políticas na ocasião da compra.

O desmatamento da Amazônia brasileira, a maior floresta tropical do mundo, tem disparado desde que o presidente Jair Bolsonaro tomou posse em 2019 e revogou medidas de proteção ambientais. Ele defende mais agricultura e mineração na região, inclusive em reservas indígenas.

Em 2021, o desmatamento atingiu uma alta de 15 anos. A maior parte das terras devastadas é usada para a criação de gado.

Entre outros compromissos dos mercados europeus, a Albert Heijn, subsidiária da Ahold Delhaize, que é a maior rede de supermercados da Holanda, suspenderá totalmente a compra de carne bovina do Brasil.

Um porta-voz da Albert Heijn disse à Reuters que atualmente a empresa só vende alguns produtos de origem brasileira por semana.

A francesa Auchan também deixará de oferecer produtos de carne ligados à JBS em suas prateleiras. Os supermercados Carrefour e Delhaize da Bélgica não venderão mais a marca de carne seca Jack Link’s.

JBS e Jack Link’s têm um empreendimento conjunto. A Jack Link’s não respondeu a um pedido de comentário.

A britânica Sainsbury’s disse que não obterá mais a carne bovina que vende com sua própria marca do Brasil, mas que 90% de sua carne bovina já é fornecida pelo Reino Unido e pela Irlanda.

blue compass

Este texto foi publicado inicialmente pela InfoMoney [Aqui!   ].

Um importante manto de gelo pode se estilhaçar nos próximos anos na Antárctica

No oeste da Antártica, o Glaciar Thwaites garante que o gelo do continente não deslize para o mar. Mas agora os cientistas descobriram que parte da plataforma de gelo está perdendo  controle e pode se romper

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A geleira Thwaites, no oeste da Antártica, desempenha um papel crucial no sistema climático da Terra. Foto: AFP/NASA

No oeste do continente Antártico fica a geleira Thwaites, uma massa de gelo cujo tamanho ultrapassa a área da República Tcheca , Áustria e Suíça juntas. O degelo desta geleira será responsável por cerca de 4% do aumento do nível do mar no mundo, 

E agora a geleira está rachando. Um manto de gelo de 45 km de largura no final da geleira – onde o gelo encontra o mar polar – pode se quebrar nos próximos cinco anos, relataram cientistas em uma reunião da  American Geophysical Union. O pano de fundo é explicado em um artigo na revista “Science” .

blue compass

Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pela revista Der Spiegel [Aqui!].