Espalhamento exponencial da Ômicron causa reação de governos em toda a Europa

Contra avanço rápido de ômicron, Holanda fecha escolas e Inglaterra instaura passaporte sanitário

ômicron europaCiclista usa máscara durante passeio em Amsterdã © MARTIN BERTRAND / HANS LUCAS / AFP

A transmissão da variante ômicron da COVID-19 avança em um ritmo “nunca antes visto”, alertou nesta terça-feira (14) a OMS (Organização Mundial de Saúde). Diante da rápida transmissão, países europeus aumentam as medidas de restrição sanitária às vésperas das festas de fim de ano.

Descoberta no final de novembro, a variante já foi detectada em 77 países. “A realidade é a ômicron está provavelmente na maioria dos países, ainda que não tenha sido detectada. Ela está se espalhando a uma velocidade que não vimos com nenhuma outra variante”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.

O diretor da OMS lembrou que apesar de a nova variante estar na origem de doenças menos graves, “o número de casos pode sobrecarregar novamente os sistemas de saúde despreparados”.

Diante do rápido aumento de casos na Europa, diversos países europeus decidiram aumentar as restrições de circulação durante o final do ano.

Na Holanda, o primeiro-ministro Mark Rutte anunciou o fechamento das escolas de ensino fundamental na próxima semana. As aulas terão fim uma semana antes do previsto. A decisão foi tomada devido às altas taxas de infecção entre os pequenos, que podem levar o vírus para casa.

Além disso, cada holandês só poderá receber até quatro convidados em casa para o período de festas.

“Obviamente não é a mensagem feliz que esperávamos na véspera do Natal. Mas não é uma surpresa”, afirmou Rutte, durante o anúncio feito em Haia.

O governo também decidiu estender até 14 de janeiro a limitação de horário para comércios não essenciais. Lojas, bares e restaurantes devem fechar suas portas a partir das 17h e não podem começar a funcionar antes das 5h.

Reino Unido exigirá passe sanitário a partir de quarta

No Reino Unido, que já perdeu quase 150 mil vidas desde o início da pandemia de COVID-19, são registrados diariamente 200 mil novos casos.

Apesar de sofrer rejeição de alguns membros do partido conservador, o governo de Boris Johnson conseguiu aprovar nesta terça a adoção do passaporte sanitário para casas noturnas e grandes salas no Reino Unido e obrigação vacinal para trabalhadores do sistema de saúde.

O premiê britânico havia alertado domingo que o país passava por um momento de aumento rápido de casos. No entanto, parte dos deputados de seu partido (Tory) votaram contra as novas medidas de restrição sanitária. A aprovação das medidas sanitárias só foi possível graças ao apoio do partido trabalhista, opositor.

Itália vai exigir teste negativo de europeus

O ministério italiano de Saúde anunciou hoje que será exigido um teste negativo para coronavírus de todos os viajantes que chegarem de um país europeu. A medida já era adotada para viajantes de países de fora da União Europeia.

O governo da Itália prorrogou ainda até março de 2022 o período de emergência sanitária, quando o governo tem mais poderes para adotar restrições sanitárias.

(Com informações da AFP e da Reuters)

blue compass

Este texto foi inicialmente publicado pela Rádio França Internacional [Aqui!].

 

A Uenf promove o lema “Aqui é Ciência”, mas sem oferecer as condições financeiras para seus jovens cientistas sobreviverem com dignidade

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Por Carlos Eduardo de Rezende*

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) tradicionalmente sempre foi inovadora em vários pontos acadêmicos e científicos. Quando iniciamos nossas atividades em 1993 tínhamos um salário diferenciado; os bolsistas de doutorado que aqui estiveram também recebiam um adicional de bolsa e, portanto, aquele momento foi altamente atrativo para doutorandos, recém-doutores e para professores seniores. Aliás, temos hoje na Uenf vários professores que chegaram aqui como doutorandos e poderiam atestar esta política, mas conhecendo alguns, sei que não irão de pronunciar e mais, vão justificar que era outro momento. Porém, sou a favor de valores que respeitem minimamente o profissional ao invés de aderir a política de precarização do trabalhador. Enfim, cada um deve respeitar sua trajetória com a verdade, e não fazer com terceiros o que não gostaria que fosse feito com ele próprio.

A bolsa de Pós-Doutorado, e todas as outras formas de fomento acadêmico, deveriam respeitar alguns princípios básicos quanto à dignidade e respeito ao profissional que possui graduação, mestrado e doutorado. Ninguém está fazendo favor para ninguém, espero que entendam isso, mas, a princípio, esta parece a lógica do status quo. Por mais de uma vez, expressei que um dos problemas que temos atualmente na pós-graduação da UENF, e no país, é tratar nossos mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos como alunos de graduação. Não podemos continuar com esta postura, pois não são mais alunos, mas profissionais em fase de aprimoramento dos seus conhecimentos, e responsáveis juntamente com seus/suas orientadores/as ou supervisores/as por uma parcela apreciável da geração de conhecimento no país (~ 95%). Inclusive, tenho estado junto com o presidente da Comissão de Educação da Alerj, Deputado Flavio Serafini (PSOL), discutimos para que o tempo de pós-graduação e pós-doutorado seja computado, assim como o tempo de escolas militares e agrícolas.

Na UENF, de uns tempos para cá,  esse problema foi aprofundado nas duas últimas gestões, ou seja, a atual e anterior, se optou por uma política institucional casuística e  com viés autoritário. A UENF diferente de muitas instituições brasileiras têm um grande número de bolsas a partir de um recurso descentralizado oriundo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), um importante recurso e diferencial na política institucional. Estes recursos proporcionaram a criação de bolsas, como de pós-doutorado e professor visitante nos moldes de instituições de fomento, assim como uma farta modalidade de bolsas para os programas da Pró-Reitoria de Extensão. Tudo isso seria excelente se tivéssemos realmente uma política científica competitiva para atrair profissionais, e não simplesmente instituir uma política de sub-valorização dos profissionais que visa aparentemente ampliar números e explorar a falta de oportunidades para pesquisadores brasileiros de terem empregos em regime de estabilidade.

Na Uenf, por vários semestres temos recebido editais para bolsa de pós-doutorado, mas é importante ressaltar que  os valores que estão sendo praticados são totalmente divergentes do valores das agências estaduais e do CNPq (Tabela 1). 

Tabela 1: Valores comparativos de diferentes modalidades de bolsas a partir do doutorado

UENF PD – R$ 3.300,00

FAPERJ e as várias modalidades de bolsas

PD (FAPERJ/CAPES) Recém Doutor – R$ 4.100,00 mais R$ 1.000,00 de taxa de bancada

PD Recém Doutor – R$ 4.100,00

PD Nota 10 – R$ 5.200,00 mais R$ 1.000,00 de taxa de bancada PD Sênior – R$ 4.700,00

CNPq e as várias modalidades de bolsas

Pós-Doutorado Sênior – R$ 4.700,00

Pós-Doutorado Júnior – R$ 4.100,00

Professor Visitante – R$ 5.200,00

Professo Visitante Especial – R$ 14.000,00

FAPESP e as modalidades de bolsas

 

PD – R$ 7.373,10

 

Jovem Pesquisador – R$ 8.377,50

FUNCAP e as várias modalidades de bolsas e com uma definição bem interessante.

Pesquisador Sênior (≥ 10 anos) – Tempo Parcial (R$ 7.000,00 a R$ 8.000,00)  e Tempo Integral (R$ 12.000,00 a R$ 14.000,00)

Pesquisador Pleno (≥ 5 anos) – Tempo Parcial (R$ 6.000,00 a R$ 7.000,00)  e Tempo Integral (R$ 8.000,00 a R$ 10.000,00) 

Pesquisador Junior (Recém Doutor) – Tempo Parcial (R$ 4.000,00 a R$ 5.000,00)  e Tempo Integral (R$ 6.000,00 a R$ 8.000,00)

Não precisa ser muito atento para ver que as bolsa  distribuídas a partir da política estabelecida pela Reitoria da Uenf e aplicada pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação está abaixo da linha de dignidade, sendo totalmente incompatível com a prática de várias agências que financiam pesquisa no nosso país.

A minha consideração sobre este tema é que perdemos, institucionalmente, a noção de uma política que possa manter o que esta universidade sempre pregou, desde que iniciamos nossas atividades há 28 anos.  Todas as fundações, sem exceção, possuem valores mais atrativos do que a bolsa ofertada pela UENF através desta verba descentralizada, e que poderia ser usada de forma mais responsável para retomarmos um Programa de Excelência para atração de Recém Doutores e também para Pesquisadores Visitantes (Brasileiros e Estrangeiros).

Finalmente, ainda que a UENF possua possibilidade financeira, hoje está nas mãos de uma liderança apequenada, voltada para o assistencialismo e que se distancia de uma política institucional para indução e fortalecimento da ciência. Portanto, o lema “Aqui é Ciência” está comprometido diante do momento que vivemos no país e na Uenf, e o preço  das opções do presente será pago mais adiante. A única forma de mudar esse estado de coisas será os colegiados e conselhos institucionais atuaem de forma mais incisiva.

Carlos Eduardo de Rezende é Professor Titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), Pesquisador IB do CNPq e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ. Ex Vice-Reitor e Pró-Reitor de Graduação da UENF, Ex Diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia, Ex Chefe do LCA e membro do Grupo de Docentes Fundadores da Uenf.

Estudo mostra falta de transparência em quase metade dos dados para acompanhamento das ações do Ministério do Meio Ambiente

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Uma das maneiras dos cidadãos acompanharem e fiscalizarem a execução de políticas públicas ambientais brasileiras é por meio da divulgação de informações e dados públicos de forma transparente pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), órgão responsável por elaborá-las. No entanto, estudo divulgado nesta quarta (15) mostra que quase a metade (47%) das informações desejáveis para monitoramento das ações da pasta apresenta algum grau de incompletude e/ou estão indisponíveis. A pesquisa foi realizada pela Achados e Pedidos – iniciativa da agência de dados Fiquem Sabendo, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e da Transparência Brasil – e contou com financiamento da Fundação Ford.

Para avaliar a disponibilidade e a qualidade dos dados, que permitiriam ainda o cumprimento da Lei de Acesso à Informação, foram considerados o site institucional do MMA, o Portal da Transparência e o Portal Brasileiro de Dados Abertos. Em alguns casos, recorreu-se a outros sistemas, como Consulta MMA, Painel de Informação de Colegiados (PIC) e Dados Abertos Ambientais.

No total, foram analisados 55 itens, divididos em dois grupos: Transparência ativa e Competências da pasta. No primeiro grupo, foram considerados 31 itens que se referem a dados institucionais e informações disponibilizadas pelo órgão, como ações e programas desenvolvidos, relatórios de gestão, certificados de auditoria e execução orçamentária e financeira. Já o segundo grupo incluiu 24 itens que dizem respeito ao conjunto de atribuições e responsabilidades do MMA ligados diretamente às políticas públicas ambientais, como indicadores ambientais nacionais e dados de recuperação e redução da degradação da vegetação nativa nos biomas.

Também foi objeto de análise o Plano de Dados Abertos (PDA) do MMA, que é um instrumento de planejamento, coordenação e disseminação de informações. Cada um dos 55 itens foi avaliado quanto à sua disponibilidade, link de acesso, formato do arquivo, data da última atualização e situação (satisfatório, incompleto, inconsistente, indisponível). Toda a análise foi feita entre os dias 28 e 29 de outubro de 2021.

Os resultados revelaram que, embora o MMA atenda parcialmente às exigências de transparência institucional – dos 31 itens analisados, 23 estavam satisfatórios em relação à disponibilidade, formato e atualização dos dados –, o mesmo não se verifica em relação aos assuntos de sua competência específica, ou seja, as políticas públicas ambientais. Dos 24 itens considerados nessa esfera, seis estavam satisfatórios, 15 incompletos e 3 indisponíveis.

O pior desempenho foi em relação a políticas e programas ambientais para a Amazônia. Não foram encontrados dados sobre o Programa Áreas Protegidas da Amazônia, e as informações estavam incompletas para os itens Prevenção e controle do desmatamento ilegal, dos incêndios florestais e das queimadas e Redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal.

“Isso confirma uma tendência que já vínhamos percebendo sobre a transparência governamental. É o que chamamos de opacidade de dados, relacionada à não continuidade na produção de determinados indicadores, existência de defasagens e dificuldade em encontrar as informações”, diz a pesquisadora e jornalista Jéssica Botelho, da Fiquem Sabendo, que foi a responsável pela avaliação dos dados e redação do relatório.

Ela acrescenta que, em relação ao meio ambiente, além da Lei de Acesso à Informação, há a Lei da Transparência Ambiental, com toda uma regulamentação sobre como devem ser publicados e divulgados os dados socioambientais. “Percebemos que está havendo uma violação dessa lei para dizer o mínimo.”

De acordo com a pesquisadora, “se o principal órgão do país ligado à questão ambiental está descumprindo a lei, órgãos vinculados ao MMA, como o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] e o ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da  Biodiversidade], provavelmente também estão cometendo deslizes na divulgação de dados e na transparência”. Outros estudos da Achados e Pedidos, como “Transparência Inativa: a opacidade da Funai” e “Área Socioambiental: Império da Opacidade” já apontavam nesse sentido.

Em relação ao Plano de Dados Abertos, Jéssica conta que foram encontrados os mesmos problemas: dados defasados, descontinuados e pulverizados em releases, o que dificulta recuperar a informação e elaborar uma série histórica, por exemplo. “Tudo isso gera dificuldades para a sociedade avaliar a gestão pública. Podemos dizer que, no geral, a transparência está comprometida”.

Para ler o artigo em sua íntegra, basta clicar [Aqui!].

Moradores de Macaé (RJ) já respiram ar poluído e estão pressionados por novos projetos termelétricos, mostra novo estudo do IEMA

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Três meses de ar poluído. Os habitantes de Macaé respiraram por 88 dias uma quantidade de ozônio em 2020 acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a nota técnica “Qualidade do ar em Macaé (RJ)”, publicada hoje dia 15 de dezembro pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). Essa foi a marca alcançada pela estação Fazenda Severina que mede a qualidade do ar em Macaé, nas proximidades das duas usinas termelétricas que lá operam. Com a previsão da expansão de termelétricas no município, a possibilidade de aumentar em mais de oito vezes a capacidade atual de geração de energia elétrica local. Os moradores e os visitantes da “Princesinha do Atlântico”, internacionalmente conhecida como a “Capital do Petróleo”, podem sofrer ainda mais de doenças crônicas causadas pela inadequada qualidade do ar.

“É preciso atender aos dois objetivos ao mesmo tempo, proteger a saúde da população local e garantir a geração elétrica para o desenvolvimento socioeconômico do país”, ressalta David Tsai, coordenador de projetos do IEMA e um dos autores do estudo. O aumento projetado de termelétricas novas ou ligadas por mais tempo indica que algumas regiões serão particularmente mais impactadas. Como é o caso de Macaé, no Norte Fluminense. De acordo com o documento:

●     Existem lacunas na produção dos dados diários pelas quatro estações que operam no município. As estações Fazenda Severina e Pesagro não produziram dados em quantidade satisfatória para o poluente ozônio nos anos 2018 e 2019. Entre 31% e até 80% dos dias do ano não houve medições válidas para o cálculo da média diária. A mesma situação também ocorreu na estação Pesagro nos anos 2016 e 2017. A estação Cabiúnas apresenta lacuna relevante de dados, mas em menor escala. Já a estação Fazenda Aires manteve uma média de 7% do número de dias por ano sem dados;

●     É possível observar frequentes concentrações do poluente ozônio (O3) acima das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), sobretudo nos últimos dois anos (2019 e 2020). Também há esporádicos episódios críticos de poluição por dióxido de enxofre (SO2) detectados por uma das estações;

●     O excesso de ozônio na região consta em relatórios do órgão ambiental do Rio de Janeiro e nos estudos de impacto ambiental das novas instalações termelétricas previstas para o município. Ou seja, a questão da poluição do ar é um problema reconhecido pelo poder público local e pelo setor elétrico. Porém, mesmo assim, está prevista a expansão do polo de energia centrado na exploração do gás natural, gerando mais poluentes.

Gás natural

Macaé tem dois polos de processamento de gás natural (Petrobras e Shell/Mitsubishi). Também duas usinas termelétricas (UTEs) a gás natural: a UTE Termomacaé (antiga Mário Lago) com 922 MW de potência e a UTE Norte Fluminense com quase 827 MW. Juntas elas representam 4% da potência termelétrica total instalada no Brasil. Somada a elas, está em fase de construção a usina termelétrica Vale Azul I, licenciada com mais de 565 MW de potência.

Estão previstos quatro novos parques termelétricos (Litos, São João Batista, Vale Azul e Nossa Senhora de Fátima) e a expansão de um parque existente (Norte Fluminense), do Terminal Portuário de Macaé (Tepor) e de uma nova unidade de processamento de gás natural. Esses novos parques termelétricos aumentam em mais de oito vezes a capacidade atual de geração no município.

Tais empreendimentos são reforçados pela expansão da produção offshore (localizadas em alto mar). Recentemente, foi anunciada a decisão de se escoar a produção de gás do pré-sal da bacia por meio de gasoduto submarino, conectando as plataformas ao Terminal Cabiúnas, já existente na cidade. “Macaé pode até continuar expandindo sua geração elétrica, mas isso deve ser feito sem agravar a qualidade do ar. É preciso empregar tecnologias mais limpas ou, caso não seja possível, expandir a geração elétrica para outros locais respeitando sua capacidade de suporte à carga de poluentes”, ressalta Tsai.

“Aumentar as emissões de poluentes em uma região já saturada, com problema de poluição por ozônio, é inadequado. O setor elétrico e os governos precisam se atentar a essa questão”, diz. “Além disso, é necessário a elaboração de inventário oficial de emissões de poluentes atmosféricos, um instrumento para identificar mais precisamente como cada instalação contribui para a poluição local, de modo a planejar ações certeiras para reduzir as emissões”, explica Tsai.

Ar poluído

O ozônio na baixa atmosfera não é emitido diretamente, mas formado em reações químicas que ocorrem sob influência de elevadas temperaturas e níveis de radiação solar, tendo como reagentes principais (os “ingredientes da receita”) os compostos orgânicos voláteis não metano (COVNM) e os óxidos de nitrogênio (NOx), ambos poluentes emitidos diretamente pelas fontes poluidoras.

Segundo dados do SEEG Municípios, as usinas termelétricas foram responsáveis por 41% das emissões totais desses compostos orgânicos voláteis no município no ano de 2018. O demais é proveniente do transporte na região, com destaque para as emissões associadas a automóveis e motocicletas. Com relação aos óxidos de nitrogênio, a maior parte das emissões, mais de 70%, são das usinas termelétricas. A queima de óleo diesel no transporte rodoviário, principalmente a partir de caminhões e ônibus, responde por 14%.

Há uma poluição sistemática local ocasionada pelo gás ozônio. A expansão do polo de energia de Macaé centrado na exploração do gás natural deve levar em conta as implicações para o agravamento da poluição do ar e seu impacto na saúde da população. Existem mais de dez projetos de usinas termelétricas com licença ambiental, além dos investimentos anunciados por grandes empresas petrolíferas.

Qualidade do ar

Os dados analisados na Nota Técnica são produzidos pelas estações de qualidade do ar operadas por empreendimentos potencialmente poluidores e enviados em tempo real para a central do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) onde são armazenados, processados e disponibilizados no endereço eletrônico do órgão público. O IEMA inclui esses dados na sua Plataforma da Qualidade do Ar, uma ferramenta que reúne e padroniza as informações do monitoramento da qualidade do ar gerados por órgãos do poder público de todo o Brasil.

As informações publicadas pelo INEA indicam quatro estações de monitoramento automático da qualidade do ar operando em Macaé: Fazenda Severina (desde 2002), Pesagro (também desde 2002), Fazenda Aires (a partir de 2003) e Cabiúnas (2010). Os poluentes monitorados por essas estações são o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NOx), o ozônio (O3), hidrocarbonetos (HC), material particulado (MP10), partículas totais em suspensão (PTS) e dióxido de enxofre (SO2). Os três últimos são apenas monitorados pela estação Cabiúnas.

Economia sustentável para a Amazônia

Produtos Florestais Não Madeireiros ajudam a manter a floresta em pé e fazem crescer a economia com geração de renda e emprego

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Fundamentais para a subsistência de muitas pessoas ao redor do mundo, especialmente as que vivem nas florestas e arredores, Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM), como o nome já diz, abrange tudo o que possa ser extraído da floresta e que não seja madeira. São óleos, frutos, sementes, folhas, raízes, cascas, resinas, por exemplo, que podem ser utilizados na alimentação, produção de medicamentos, cosméticos, construção de moradias, móveis, utensílios, biojóias, entre outros.

“Por ter um papel econômico, social e cultural importante para várias populações, a troca de conhecimentos relacionados à bioeconomia, sociobiodiversidade e cadeias de valor, pode ajudar bastante em um período como esse, de crescimento de demanda por esses produtos, causada pela preocupação mundial relacionada às crises climáticas”, afirma Fabiana Prado, coordenadora do Projeto LIRA, Legado Integrado da Região Amazônica, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas. Para isso foi criado o BioForestALC, um fórum virtual com o objetivo de entender o potencial de PFNM para a bioeconomia da América Latina e Caribe, visando conectar a bioeconomia e as florestas com o desenvolvimento humano.

Segundo Fabiana, a importância do manejo e do uso desses produtos é que, sendo feito de maneira sustentável, constitui uma excelente alternativa para conservar a floresta em pé, além dos aspectos positivos sociais e econômicos. “A população se beneficia dos serviços e produtos da floresta e, ao mesmo tempo, é gerada renda com agregação de valor de uso sustentável das florestas.

Atividades preparatórias para o BioForestALC

O BioForestALC vai acontecer em março de 2022, mas as atividades relacionadas a ele foram iniciadas desde setembro de 2021. Como reuniões preparatórias envolvendo participantes de vários países, sendo a última delas realizada em 25 de novembro. Foram dois blocos, um sobre bioeconomia e políticas públicas na América Latina e Caribe e outro sobre experiências inclusivas da sociobiodiversidade.

“O que ficou evidente é que os desafios são parecidos, independentemente do país de origem e que a troca de conhecimentos, portanto, é fundamental. Outro ponto importante foi o apontamento da importância das organizações de apoio nas três experiências”, afirma Fabiana.

Serviço

Segunda reunião preparatória para o I Fórum Virtual sobre o potencial dos Produtos Florestais Não Madeireiros para uma bioeconomia da América Latina e Caribe.

Vamos falar de Bioeconomia da Floresta latino americana e caribenha?

Painel 1: Bioeconomia e as políticas públicas na América Latina e Caribe

Palestrantes do Brasil e Colômbia

Painel 2: Experiências inclusivas em Cadeias da Sociobiodiversidade na América Latina e Caribe

Experiências Da Guatemala, Suriname e Brasil

O vídeo estará disponível no Canal do Ipê

Sobre o BioForestALC

Em 2019, durante o durante o XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) realizado no Brasil, foi instituída uma Força Tarefa intitulada “Unlocking The Bioeconomy and NonTimber Forest Products”.

A Força-Tarefa envolve pesquisadores de mais de 25 países, incluindo representantes de toda a América Latina, e membros de organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que têm participado ativamente.

Nesse contexto, surgiu a proposta de organizar um e-FORUM sobre o Potencial de Produtos Florestais Não Madeireiros para a Bioeconomia Latino-americana, inspirada na Rede Temática Europeia INCREdible sobre Redes de Inovação em PFNMs do Mediterrâneo. Embora em contextos distintos, o objetivo da rede europeia, de reduzir a distância entre o conhecimento disponível em pesquisa e a inovação efetivamente implementada no setor, é também de interesse na América Latina e Caribe, especialmente, quando se pensa em desenvolver estratégias de bioeconomia inclusivas.

Assim, nasceu o BioForestALC (I Fórum Virtual sobre o Potencial dos Produtos Florestais Não Madeireiros para uma Bioeconomia da América Latina e Caribe: Conectando a bioeconomia e as florestas com o desenvolvimento humano), proposta que contempla uma série de atividades prévias realizadas a partir de setembro de 2021 e culminando na apresentação dos resultados em maio de 2022.

Sobre o LIRA

O LIRA é uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Fundo Amazônia e Fundação Gordon e Betty Moore, parceiros financiadores do projeto. Os parceiros institucionais são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas – SEMA-AM e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – IDEFLOR-Bio. O projeto abrange 34% das áreas protegidas da Amazônia, considerando 20 UCs Federais, 23 UCs Estaduais e 43 Terras Indígenas, nas regiões do Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Norte do Pará, Xingu, Madeira-Purus e Rondônia-Acre. O objetivo do projeto é promover e ampliar a gestão integrada para a conservação da biodiversidade, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais. Site do LIRA .

Suspeita de greenwashing no Deutsche Bank: discurso de sustentabilidade, investimentos em combustíves fósseis

Fundo subsidiário do Deutsche Bank investe em combustíveis fósseis sob o rótulo de sustentabilidade

dwsAs alegações de lavagem verde contra o Deutsche Bank e sua subsidiária de fundos DWS estão ficando cada vez mais barulhentas
Por Raphaël Schmeller para o JungeWelt

Mais uma vez, o Deutsche Bank é confrontado com alegações de greenwashing. Conforme  relatado pelo em Handelsblatt em sua edição de fim de semana, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América informou à instituição financeira de Frankfurt que pode ter violado um acordo anterior concluído em um contexto diferente em conexão com os chamados investimentos de sustentabilidade pela subsidiária do fundo DWS. O grupo não encaminhou reclamação interna ao DWS para o Ministério Público, daí a denúncia.

Especificamente, é sobre um e-mail do ex-chefe de sustentabilidade do DWS, Desiree Fixler, para o presidente do conselho de supervisão do fundo, Karl von Rohr (também membro do conselho do Deutsche Bank), no qual ela alegou a prática de greenwashing. A cópia do e-mail continha também o gerente de imprensa e sustentabilidade do banco, Jörg Eigendorf, segundo o Handelsblatt , que pôde ver a mensagem.

Em janeiro, o Deutsche Bank esclareceu os encargos legais nos Estados Unidos com um acordo de acusação, o Deferred Prosecution Agreement (DPA). A instituição pagou pouco menos de 125 milhões de dólares americanos por alegações de suborno em certas transações estrangeiras e manipulação no comércio de contratos de metais preciosos. No DPA,  o Deutsche Bank declarou que não permitiria mais nenhuma conduta indevida e que denunciaria imediatamente as possíveis violações das regras às autoridades. Em troca, a acusação foi dispensada.

O Departamento de Justiça dos EUA está agora examinando se o Deutsche Bank não deveria ter informado os supervisores imediatamente sobre o e-mail de 13 de março. Fixler, que deixou seu emprego pouco depois disso, deu uma entrevista ao Wall Street Journal em agosto, na qual ela tornou públicas as alegações de lavagem verde. Só então as autoridades norte-americanas souberam do incidente.

Se o Departamento de Justiça dos Estados Unidos chegar à conclusão de que o Deutsche Bank violou o regulamento da DPA, a instituição financeira sediada em Frankfurt poderá enfrentar encargos ou penalidades adicionais. A DWS negou as alegações de Fixler e contratou o renomado escritório de advocacia Sullivan and Cromwell de Nova York como advogados de defesa.

Enquanto isso, as acusações contra o Deutsche Bank estão ficando estão aumentando. Só na sexta-feira o NDR divulgou um estudo das organizações não-governamentais “Facing Finance” e “Urgewald”, que examinou 2.000 fundos “verdes”. Das aplicações financeiras examinadas, apenas 104 são classificadas como “não oneradas”. De acordo com o resultado, pelo menos 650 dos recursos que se autodenominam “sustentáveis” têm se mostrado direcionados a investimentos em empresas que estão entre os maiores emissores de gases de efeito estufa.

Vários fundos DWS aparecem na lista de organizações que estariam em violação dos princípios de sustentabilidade. O “Europe Energy ESG Screened ETF” é particularmente notável – o ESG significa “Environment, Social, Governance”, algo como: Environment, Social, Corporate Management. Segundo os autores do estudo, esse sistema acaba sendo um fundo de petróleo e gás, e os investimentos são feitos aqui exclusivamente em energia fóssil.

O DWS apontou para o NDR que é um fundo especial para o setor de petróleo e gás e que »os produtores de energia única convencionais, como petróleo e gás pode ser atribuído a este setor«. Além disso,  o gestor de ativos afirmou não era ilegal chamar esse fundo de “sustentável”.  

blue compass

Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].

Frigol envia resposta sobre estudo realizado pelo Greenpeace

frigolSão Paulo, 13 de dezembro de 2021

NOTA PARA A IMPRENSA

 Referente à reportagem publicada pelo Greenpeace em 09 de dezembro sob o título “Carne de destruição: como grandes frigoríficos seguem alimentando o desmatamento e a grilagem na Amazônia”, a FRIGOL informa que:

Carne de destruição: como grandes frigoríficos seguem alimentando o desmatamento e a grilagem na Amazônia”, a FRIGOL informa que:

  • Monitora seus fornecedores diretos para todas as linhas de produtos in As fazendas que comercializaram para a Frigol no período informado pela reportagem não possuíam nenhum impedimento nos órgãos de fiscalização ambiental e trabalhista e estavam em acordo com o TAC da Carne – no qual a Frigol obteve 95,1% de conformidade na auditoria do período 2018-2019. Atualmente, esse índice é ainda maior.
  • O caso relatado pela reportagem é de um fornecedor indireto. Para evitar que fatos como estes ocorram, a Frigol vem desenvolvendo seu programa de Controle de Origem, que avança para o monitoramento de toda sua cadeia de fornecedores nos próximos anos.
  • A primeira etapa do programa foi concluída em 2021, com a implantação de sistemas de rastreabilidade socioambientais para os fornecedores diretos. Com isso, todos os produtos in natura da empresa passam a contar com um código QR na embalagem com informações sobre as fazendas que originaram o produto e sua situação perante os órgãos ambientais e As informações são retiradas diretamente dos sites dos órgãos oficiais, sem a interferência da empresa e registrada em blockchain, para garantir total transparência e segurança da informação. O consumidor pode acessá-la diretamente do smartphone, fazendo a leitura do código QR.
  • Para o monitoramento dos fornecedores indiretos, está atualmente em fase de testes na Frigol o uso do software VISIPEC (NWF) para o bioma amazônico, e foi firmada uma parceria com a empresa CONECTA (Safetrace) para os demais biomas onde a empresa atua.
  • Além disso, em 2022, a Frigol disponibilizará aos fornecedores diretos a ferramenta SMGeo Prospec, que dará ao pecuarista meios para que ele possa selecionar seus fornecedores com base nos indicadores socioambientais previstos pelo TAC da Carne. É uma iniciativa inédita para apoiar o pecuarista que está em conformidade com a legislação ambiental e

A Frigol tem pautado sua atuação pela confiança, transparência e respeito à legislação vigente. Nos últimos anos, investiu em estudos e sistemas que permitiram à empresa avançar progressivamente no cumprimento do Pacto pela Amazônia/TAC da Carne, com o qual está plenamente comprometida. A empresa está à disposição para tirar qualquer dúvida.

Atenciosamente,

Frigol S/A

Sobre a Frigol

A Frigol SA é um dos principais frigoríficos brasileiros e um dos líderes em produção de carne bovina e suína na América do Sul. Fundada em 1992 pela família Gonzaga Oliveira, que atua no ramo de carnes desde 1970, a Frigol está estrategicamente localizada nos estados de São Paulo e Pará. A empresa possui hoje importante participação no mercado nacional e internacional, com presença em mais de 60 países espalhados pela América do Sul, Europa, Oriente Médio, Ásia e África. A Frigol foi destaque na lista “As 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro em 2020”, segundo revista FORBES. Saiba Mais: https://frigol.com.br/pt/

THE LANCET: Impacto socioeconômico da COVID-19 é maior e será mais duradouro em populações vulneráveis

covid 19 amazonia

Uma pesquisa publicada hoje pela The Lancet – uma das revistas científicas, voltadas para a área médica, mais prestigiadas no mundo -,  reuniu especialistas para explicar como a queda econômica terá efeito por anos e será pior em países pobres. Sem um consenso para ações preventivas, famílias e comunidades serão afetadas de forma desproporcional. A longo prazo, as desigualdades na saúde, no bem-estar físico e socioeconômico serão ampliadas por todo o mundo. 

Essas populações vulneráveis são, geralmente, invisíveis para os governos, o que resulta em um acesso insuficiente a serviços públicos e programas de igualdade econômica. Além disso, dados oficiais de indicadores de saúde, ligados ou não à COVID-19, não são disponibilizados publicamente em diversos países. Por isso, a verdadeira dimensão da gravidade é subestimada. Há uma urgência por mais dados desagregados e padronizados que informem com precisão as ações e políticas públicas. 

Um dos autores da pesquisa é o Superintendente Geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), professor Virgilio Viana, PhD por Harvard, membro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais do Vaticano e professor associado da Fundação Dom Cabral. Ele mencionou os desafios que comunidades indígenas e ribeirinhas enfrentam na parte brasileira da floresta amazônica por conta da COVID-19:

“Esse artigo realça de uma maneira muito clara a importância que a ciência dá para a necessidade de ter um tratamento diferenciado para as populações mais vulneráveis. Em relação à Amazônia, o atendimento às questões de saúde em áreas indígenas e populações tradicionais da Amazônia profunda merece uma atenção especial, como podemos ver com a chegada do vírus nas comunidades. Portanto, essa produção científica aponta para a necessidade de pensarmos o SUS na floresta de maneira a aumentar a sua eficiência e a sua eficácia, a partir da experiência com o nosso trabalho na FAS, que ajudou muitas comunidades e deu suporte durante o período mais difícil da pandemia, principalmente no Amazonas.”

Para entender o efeito da COVID-19, especificamente em pessoas vivendo em condições de vulnerabilidade, há uma necessidade específica de uma coleta de dados atualizada. O número de hospitalizações, mortes e outros indicadores de bem-estar social e de saúde precisam ser divididos por gênero, idade, raça, etnia, deficiências e outras variáveis.  

Nísia Trindade Lima, presidente da Fundação Oswaldo Cruz, explica que estes dados podem ajudar a criar políticas públicas: 

“A pandemia nos obriga a resgatar uma perspectiva sobre como a proteção social e a cobertura universal para assistência de saúde foram negligenciadas na última década. Os efeitos populacionais de fenômenos ambientais e sociais são sentidos mundialmente, principalmente por pessoas em situação de vulnerabilidade. Não é mais possível encarar a desigualdade como se não fosse um problema de todos.”

Quem são os afetados?

Quando falamos em populações vivendo em situação de vulnerabilidade, estão incluídos indivíduos que enfrentam exclusão sistemática e discriminação por causa de fatores como idade, deficiência, raça, etnia, gênero, classe econômica, religião, credo ou crença, identidade de gênero, orientação sexual e situação migratória, além daqueles que estão em conflitos e apátridas. Pessoas que estão encarceradas, com condições crônicas de saúde (ex.: deficiências mentais), vivendo em moradias inadequadas e expostas à degradação ambiental, poluição do ar e em risco durante a mudança climática também são afetadas.

Ao final do artigo, os autores destacam cinco recomendações para melhor auxiliar na proteção de populações vulneráveis, a fim de reduzir desigualdades na área da saúde. A primeira delas refere-se à importância de executar uma cobertura universal de saúde e implementar sistemas de proteção social nos países; a segunda diz respeito ao compromisso de governos e parlamentos para financiar e salvaguardar os serviços sociais e de saúde; como terceira recomendação, há a necessidade da equidade digital para todos; na quarta indicação, a ênfase está na economia do cuidado; e, finalmente, a quinta recomendação evidencia a revitalização das relações entre governos e atores da sociedade civil, de modo a garantir que comunidades, populações vulneráveis e todas as identidades de gênero detenham papel central na tomada de decisões.

O estudo concluiu que o mundo chegou a um momento crucial, exigindo mais do que nunca uma resposta colaborativa para ampliar o acesso universal à saúde e proteção social. É preciso construir estratégias e políticas públicas que levam em conta sistemas de saúde e de assistência social mais resilientes, incluindo aqueles que vivem uma crise humanitária, para mitigar efeitos da pandemia, solucionar a desigualdade e melhorar a resiliência de comunidades vulneráveis.

93% dos imóveis rurais na Amazônia Legal e Matopiba ainda não têm CAR validado

Novo relatório do Observatório do Código Florestal aponta limitações na implementação da Lei que atrasam a restauração de cerca de 15 milhões de hectares de vegetação nativa

matopiba

Às vésperas de completar 10 anos, o Código Florestal Brasileiro anda devagar, após avanços e recuos. Segundo relatório do Observatório do Código Florestal, mais de um terço (36%) da área a ser regularizada não foi cadastrada por seus proprietários rurais no Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar). Dos cerca de 6,1 milhões de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR), apenas 3,4% foram analisados e tiveram seus dados validados. O relatório mostra também que metade do déficit de Áreas de Preservação Permanente (APP) e 65% do déficit de Reservas Legais (RL) no país estão concentrados em grandes propriedades rurais.

“Apesar do país contar com uma legislação ambiental que permite cumprir metas climáticas e atender aos anseios dos importadores, todos os indicadores sugerem que ela ainda não foi devidamente aplicada. Avançar na implantação do Código Florestal é o nosso maior desafio atualmente”, afirma Roberta del Giudice, secretária executiva do Observatório do Código Florestal. “A não aplicação da lei deixa o Brasil vulnerável a questionamentos ambientais, que só tendem a crescer. O acordo global de florestas, anunciado na COP26, e o projeto da União Europeia de barrar importações contaminadas por desmatamento são apenas dois exemplos da transformação pela qual o comércio internacional está passando”, observa.

Nos 11 estados que compõem a Amazônia Legal e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), regiões que sofrem intensa pressão de desmatamento e dos importadores de commodities agropecuárias, apenas 7% dos imóveis inscritos passaram por alguma etapa de análise dos órgãos ambientais. Em outros estados, o volume de avaliações vai de patamares entre 10 a 300 cadastros analisados em Alagoas, Maranhão, Goiás, Sergipe, Santa Catarina e Distrito Federal, até 72 mil cadastros avaliados e também validados no Espírito Santo, que é o estado mais avançado nesse processo. Minas Gerais, por outro lado, não possui dados disponíveis sobre a validação do CAR.

A análise e validação dos cadastros, que são autodeclaratórios, é de responsabilidade dos órgãos estaduais, que enfrentam limitações de pessoal e estrutura que comprometem a celeridade do processo, segundo o relatório do OCF. Isso impede a implantação de Programas de Regularização Ambiental (PRA), o instrumento legal que inicia a efetiva adequação de uma propriedade rural ao Código. Apenas 18 estados regulamentaram seus PRAs e, mesmo assim, várias de suas regras são de baixa qualidade técnica, o que inviabiliza sua operação ou leva a processos judiciais devido ao fato de reduzirem a proteção prevista no Código Florestal.

Além do baixo número de inscrições analisadas e validadas, cerca de 30% dos cadastros têm problemas de sobreposição com outras propriedades ou terras públicas. No Pará, por exemplo, foram cancelados mais de 4 mil cadastros em 2020. O estado possui 111.523 cadastros analisados e 1.449 cadastros validados.

Segundo o relatório do OCF, a área em que se aplica o CAR (área cadastrável) para imóveis rurais ocupa mais de 507 milhões de hectares no país. Com a exclusão das sobreposições, estima-se que cerca de 30% do total de 507 milhões de hectares da área rural do país ainda não foram cadastrados. Essas áreas, conhecidas como vazios do CAR, chegam a ocupar mais de 60% da área cadastrável no estado de Roraima e mais de 50% na Bahia. Oito estados têm mais de 40% de vazios do CAR em sua área cadastrável.

O relatório também trouxe a estimativa de déficit de vegetação nativa, ou seja, a área que precisa ser restaurada. São 2,3 milhões de hectares em Áreas de Preservação Permanente (APP) e 12,8 milhões de hectares em Reserva Legal (RL). Os grandes imóveis rurais são responsáveis por cerca de metade do déficit de APP e 65% do déficit de RL no país. São 345,5 mil hectares em imóveis pequenos e 8,2 milhões de hectares de déficit de RL e 1,1 milhão de hectares de déficit de APP em imóveis grandes.

Atraso na validação do CAR compromete fiscalização ambiental

O relatório do OCF aponta também que é baixo o número de ações judiciais relacionadas ao Código Florestal e ao desmatamento, indicando que o atraso na validação do CAR impede que órgãos de comando e controle usem adequadamente essa ferramenta em operações de monitoramento e fiscalização. Segundo o relatório, em 2018, apenas 13% das ações judiciais impetradas no Brasil estavam relacionadas ao meio ambiente, e os dados disponíveis não permitem uma separação entre ações para o combate ao desmatamento e outras. Nesse mesmo ano, em toda a região Norte, onde está localizada a Floresta Amazônica, apenas 6% das ações movidas pelo Ministério Público Estadual versavam sobre questões ambientais. No Pará, estado com maior índice de desmatamento em 2019, apenas 214 processos se relacionavam ao meio ambiente.

Segundo o relatório do OCF, “Esse cenário permissivo do descumprimento do Código Florestal contamina negativamente a sociedade brasileira e desacredita o país internacionalmente, trazendo prejuízos ao desenvolvimento sustentável do Brasil. As perdas decorrentes da não implantação do Código Florestal são econômicas, ambientais e sociais. Elas são diretamente responsáveis pela redução da biodiversidade, pelo desequilíbrio de ecossistemas, pelo desabastecimento hídrico, pelo aumento dos problemas de saúde, pela baixa produtividade agrícola e pela insegurança alimentar.”

De acordo com o mais recente levantamento do Mapbiomas, 78,3% da área de desmatamento no Cerrado – bioma responsável pela maior parte das exportações de commodities agrícolas do país – ocorreu dentro de propriedades privadas.

Sobre o Código Florestal – O Código Florestal brasileiro (Lei 12.651, de 25 de maio de 2012)

é a principal norma para o uso da terra e a conservação de florestas e outras formas de vegetação em terras privadas. Ele exige, por exemplo, que todos os agricultores conservem a vegetação natural de sua posse ou propriedade rural (com percentual de proteção variando entre 80% e 20%), além de proteger matas ciliares e topos de morros. A lei florestal pode ajudar a conservar mais de 162 milhões de hectares de vegetação nativa no Brasil, sequestrando cerca de 100 GtCO2, o que é crucial para que o país possa cumprir o compromisso assumido no âmbito do Acordo de Paris. Vale destacar que a maior parte das reduções nas emissões deveria resultar da contenção do desmatamento ilegal e da restauração de 12 milhões de hectares de florestas, ambas medidas necessárias para o cumprimento do Código Florestal, o que colocaria o setor agropecuário brasileiro na vanguarda da sustentabilidade mundial.

Além de poder levar a uma redução drástica do desmatamento, a implementação do Código Florestal também contribuirá para diminuir a violência no campo e promover a restauração de pouco mais de 15 milhões de hectares (cerca de 150 mil km2) – de déficits de vegetação natural. O Código Florestal tem o potencial de garantir a segurança hídrica e a sustentabilidade da produção agrícola, bem como reduzir os riscos jurídicos e ambientais para investidores, comerciantes e outros atores. Isso trará importantes benefícios sociais, ambientais e econômicos para o agronegócio, setor que responde por 21,4% do PIB brasileiro.

Sobre o Observatório do Código Florestal
O Observatório do Código Florestal foi criado em maio de 2013 para promover o controle social da implantação da Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012 (Código Florestal brasileiro) e garantir integridade ambiental, social e econômica às florestas em áreas privadas. Atualmente a rede é composta de 36 organizações da sociedade civil, que se juntaram pelo objetivo comum de proteção, restauração e uso sustentável das florestas.

Clima extremo no Brasil: tempestade causa devastação no sul da Bahia e em Minas Gerais

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O sul da Bahia e o nordeste de Minas Gerais estão sofrendo com os efeitos das fortes chuvas que atingiram a região nos últimos dias. Pelo menos sete mortes foram confirmadas nos dois estados, além de 175 feridos. De acordo com o governo baiano, quase 70 mil pessoas foram afetadas por enchentes e deslizamentos de terra. EstadãoFolha, g1O Globo e UOL, entre outros veículos, repercutiram os efeitos da tempestade.

A situação é particularmente desastrosa nos sul e extremo-sul da Bahia. O volume acumulado de chuvas chegou a superar os 450 mm em um período de 24 horas na última 5ª feira (9/12). De acordo com o governo do estado, 25 municípios decretaram situação de emergência. Muitos povoados e áreas rurais ficaram ilhados por conta do acúmulo de água, dificultando o resgate de feridos. Cerca de dez mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas. Em Minas Gerais, as chuvas atingiram ao menos 28 municípios, deixando 2 mil pessoas desabrigadas.

Na BBC Brasil, o climatologista Francisco Eliseu Aquino (UFRGS) explicou as fortes chuvas como resultado da combinação de dois fenômenos. Primeiro, a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) a partir de 5 de dezembro, que levou umidade da região amazônica para os litorais de Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. E, segundo, o surgimento de uma área de baixa pressão no Atlântico, próximo à região costeira, que evoluiu para um sistema de depressão subtropical, batizada de Ubá.

A ZCAS é um fenômeno comum na região nessa época do ano; já a depressão subtropical é atípica, com condições para se tornar uma tempestade tropical. “As mudanças na circulação geral da atmosfera sugerem para nós que o oceano mais quente na costa do Brasil poderia formar com mais frequência áreas de baixa pressão como essa, levando à depressão subtropical”, assinalou Aquino.

A MetSul também explicou como a Ubá se formou, destacando que a tempestade foi um dos maiores ciclones do mundo registrados no último final de semana. De acordo com os meteorologistas, a tempestade subtropical deve se distanciar da costa, em direção ao Atlântico Sul.

Em tempo

Enquanto a chuva inunda o sul da Bahia, a região Sul do Brasil encara uma escassez hídrica que deve perdurar por mais alguns meses. O Valor destacou análise do INMET apontando para os efeitos do La Niña nos níveis de precipitação até fevereiro no Brasil. O estado mais afetado pela estiagem é o Rio Grande do Sul, que já enfrenta uma situação delicada, com perdas na produção agrícola em decorrência da falta de chuvas.

ClimaInfo, 13 de dezembro de 2021.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo ClimaInfo [Aqui! ].