COP26: Poder da mobilização popular entregará o que os poluidores históricos se esquivam em fazer

cop-26 mobilização

GLASGOW – Pela primeira vez na história, a necessidade de abandonar os combustíveis fósseis foi reconhecida formalmente nas negociações sobre o clima. Isso ocorre após décadas de pressão e liderança de grupos da sociedade civil e das comunidades que estão na linha de frente da crise climática – e dos apelos de instituições relevantes como a Agência Internacional de Energia (IEA) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O Acordo de Glasgow “solicita às partes” que acelerem a transição para sistemas de energia de baixa emissão, incluindo esforços para eliminar a energia a carvão e subsídios “ineficientes” para os combustíveis fósseis. Para os ativistas, isso é um passo significativo, mas não o suficiente.

Há seis anos, a comunidade internacional se comprometeu a limitar o aquecimento global “bem abaixo de 2 °C” e o mais próximo possível de 1,5 °C. Desde então, fomos lembrados a todo instante por secas, incêndios, inundações, ondas de calor e tempestades que um mundo a 1,2 °C já impacta a vida de centenas de milhões de pessoas. Mais uma vez, o movimento pela justiça climática aponta que os poluidores históricos, responsáveis pela crise do clima, se recusam a assumir a liderança na ação climática.

Joseph Sikulu, diretor administrativo da 350.org para o Pacífico:

“A COP26 foi considerada a COP mais excludente de todos os tempos, mas fizemos nossas vozes serem ouvidas. Nós, a sociedade civil, ao lado de negociadores das ilhas do Pacífico e de outros Estados vulneráveis, fomos firmes nas negociações. O lobby dos combustíveis fósseis e a falta de liderança dos poluidores históricos são os principais motivos pelos quais ainda não vemos os bilhões em recursos necessários para nos adaptarmos às mudanças climáticas – nem os fundos para pagar o que foi perdido. É uma luta árdua. É uma luta árdua quando nossos negociadores são superados pela quantidade de lobistas em uma proporção de 12 para 1. É uma luta árdua quando o governo do Reino Unido torna quase impossível e inseguro para a sociedade civil participar das negociações sobre o clima. Mas 1,5 °C não é uma opção. É uma necessidade absoluta, e esse horizonte deve orientar cada decisão tomada por todos os países, instituições internacionais e autoridades locais.”

Cansin Leylim, diretora associada de Campanhas Globais da 350.org:

“A menção aos combustíveis fósseis no acordo de Glasgow é resultado de décadas de mobilizações e campanhas – apesar dos esforços contrários do lobby dos combustíveis fósseis. As coisas estão começando a se mover na direção certa, mas precisamos acelerar. Para isso, o lobby dos combustíveis fósseis deve ser excluído das negociações climáticas da ONU: poluidores do lado de fora, o povo do lado de dentro. As COPs deveriam ser organizadas dessa forma. Precisamos pressionar para desmantelar todas as soluções falsas: os amortecedores, os créditos, as compensações, todas as lacunas que foram criadas nessas decisões. Precisamos exigir a ambição de fazer o que é ditado pela ciência do clima. O desafio agora é garantir que esses compromissos sejam implementados de modo mais amplo e rápido. Hoje, como nas últimas décadas, a verdadeira liderança reside no movimento climático.”

Namrata Chowdhary, chefe de Engajamento Público da 350.org:

“Anúncios significativos foram feitos nesta COP – sobre a eliminação progressiva do carvão, os subsídios aos combustíveis fósseis e a redução do uso de petróleo e gás. Pela primeira vez em 27 anos de negociações, o acordo final da COP menciona inclusive os combustíveis fósseis. É um pequeno passo, mas significativo. Há esperança, e a esperança está nas pessoas, no movimento climático. Na sexta-feira, o poder da mobilização popular brilhou na COP26: a Plenária do Povo demonstrou o quão vivo, forte, diverso, porém unido, é o movimento climático. A COP26 não conseguiu entregar um acordo ambicioso, mas estamos convencidos de que nós, as pessoas, já começamos a mudança de que precisamos. As COPs ocupam só duas das 52 semanas de um ano. Nas outras 50, precisamos agir. E essas semanas começam hoje. Nós do movimento pela justiça climática estamos empenhados em agir de forma coerente com o que pensamos. Somos a única opção, somos nós que mantemos a meta de 1,5 °C viva.”

Ilan Zugman, diretor administrativo da 350.org para a América Latina:

“A COP26 confirmou a força da sociedade civil e a falta de vontade política de muitos dos países mais ricos em contribuir de fato para a justiça climática. Além do marco da menção à limitação dos combustíveis fósseis, o movimento climático conquistou demandas como a questão das perdas e danos e o financiamento da adaptação climática dos países pobres, colocando esses pontos no centro das discussões globais. Mas os governos não avançaram como deveriam nesses aspectos e inclusive incluíram pontos potencialmente perigosos na questão dos mercados de carbono, o que pode acabar agravando a situação dos povos indígenas. As comunidades mais afetadas pela crise climática e que menos contribuíram para o aquecimento global serão, mais uma vez, aquelas que vão seguir pressionando por uma transição justa em nível global”.

Estudo mostra que a onça-parda está de volta no município do Rio de Janeiro

Os grandes felinos perambulam pelos restos da floresta no Pão de Açúcar há anos

onça-pardaCaptura na armadilha fotográfica: Um puma (Puma concolor) no Parque Estadual do Desengano, uma área protegida no norte do Rio de Janeiro. Foto: AFP / Inea / Samir Mansur

Por Norbert Suchanek para o Neues Deutschland

A onça-parda (também conhecida como puma) é a segunda maior espécie de felino selvagem nas Américas do Norte e do Sul, depois da onça-pintada . No Brasil está na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção. Na área urbana do Rio de Janeiro, o poderoso felino é considerado extinto desde a década de 1930. Mas os pesquisadores agora refutaram essa suposição. Sem serem notados pelas autoridades e pelo público, as onças-pardas obviamente estão morando novamente no Pão de Açúcar há anos.

O felino de cor castanho claro a castanho-avermelhado escuro, também conhecido como Puma, pode atingir dimensões de até 2,3 metros e peso corporal superior a 70 kg. Apesar de seu tamanho, os biólogos os classificam como pequenos felinos. Há quase exatamente um ano, por acaso, uma câmera de vigilância filmou um desses grandes felinos rondando o parque paisagístico criado pelo arquiteto de jardins Roberto Burle Marx na zona oeste do Rio de Janeiro. Isso causou rebuliço entre os especialistas em predadores da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ). Durante anos, eles estiveram na trilha das supostamente extintas onças-pardas da região.

O animal filmado no parque foi apenas uma rara coincidência e apenas em trânsito? Os biólogos seguiram a trilha da onça-parda. Eles percorreram as reservas naturais e remanescentes florestais na área urbana e montaram várias armadilhas fotográficas. E seus esforços valeram a pena. “Nossos dados confirmam que a  onça-parda no Rio de Janeiro não foi exterminada e repovoou a cidade”, relata a equipe de pesquisa em estudo publicado recentemente na revista científica “Check List” (DOI: 10.15560 / 17.5.1353).

“Pudemos mostrar que o felino filmado no Parque Burle-Marx não foi um incidente isolado”, diz o biólogo Jorge Antônio Lourenço Pontes, um dos autores do estudo. As pegadas e arranhões inconfundíveis dos animais nas árvores comprovaram sua presença em pelo menos três pontos da região metropolitana do Rio: nas duas cordilheiras urbanas florestadas parcialmente protegidas Gericinó-Mendanha e Pedra Branca e nas proximidades do Parque Paisagístico Burle Marx, na Reserva Biológica de Guaratiba, localizada na região litorânea, onde ainda existem grandes áreas intactas de manguezais. Pontes já havia registrado uma pista de onças vagando por ali em 2007.

registros de onça-pardaMapa de registros da Onça-parda no município do Rio de Janeiro: 1 e 2 = RBE Guaratiba (2007 e 2008); 3 = PE Mendanha e PNM Serra do Mendanha (2008); 4 = RPPN Bicho Preguiça (2018 e 2020); 5 = Propriedade Roberto Burle Marx, Barra de Guaratiba, contígua a PE Pedra Branca (2020). Os mapas de inserção mostram a localização do estado do Rio de Janeiro no sudeste do Brasil.

Em suas investigações mais recentes em áreas protegidas e áreas naturais do Rio, os pesquisadores também descobriram outra grande espécie de mamífero que aqui foi considerada extinta e fala também pela volta dos grandes felinos: os queixadas. Esse porco selvagem, que pesa até 30 quilos, é uma das presas prediletas do puma.

No entanto, os pesquisadores ainda não sabem dizer quantas onças-pardas vagam pelo Rio de Janeiro. Qualquer número, segundo Pontes, seria apenas um tiro no escuro. “A onça-parda é um animal muito tímido, até achar a pegada é difícil.” Só quando o chão é macio e lamacento é que as pegadas ficam por algum tempo. Os pesquisadores, portanto, encontraram rastros de onças-pardas, principalmente na maré baixa em áreas de mangue ou após chuvas na floresta.

Os biólogos da Universidade do Rio garantem que os gatos ásperos não representam uma ameaça para o homem. “O puma é muito tímido: sua tendência natural é fugir quando vê alguém.”

A ocorrência da segunda maior espécie de felino selvagem da América Latina na cidade, no Pão de Açúcar, ressalta a importância da preservação dos vestígios de Mata Atlântica na metrópole e a necessidade de manutenção e ampliação de corredores entre os fragmentos florestais maiores, destacam os pesquisadores. A proteção de áreas naturais menores, ainda intactas, como a floresta Camboatá na área urbana, é particularmente importante, pois podem servir como escalas para as onças.

Foi justamente essa floresta de Camboatá de 160 hectares, no distrito de Deodoro, que deveria ter sido desmatada este ano para dar lugar a um autódromo de Fórmula 1. Mas as alegações de corrupção contra o então prefeito Marcelo Crivella e sua reeleição perdida salvaram esta ilha de floresta tropical no meio do município do Rio de Janeiro – por enquanto. No início deste ano, o novo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, se manifestou claramente contra um autódromo em Deodoro e apoiou a ideia de colocar a floresta do Camboatá sob proteção da natureza. No entanto, isso não significa que a sobrevivência e a expansão dos Pumas do Rio de Janeiro estejam garantidas com ele. O prefeito, que já trouxe os Jogos Olímpicos de 2016 econômica e socialmente catastróficos para a metrópole e ampliou rodovias urbanas e derrubou e desmembrou áreas naturais para esse fim, considera possível um novo autódromo na área urbana, mas não em Deodoro. Paes prefere o bairro de Guaratiba para “seu” circuito de Fórmula 1. Mas lá também está um dos três habitats identificados da onça-parda no Rio de Janeiro.

A principal ameaça aos pumas, porém, vem das milícias cariocas. Durante anos, eles exploraram a carência de moradias na metrópole causada pela disparada dos preços dos imóveis e pela retirada ilegal de blocos inteiros de apartamentos do chão sob os olhos da polícia e das autoridades ambientais. O restante das áreas protegidas de floresta tropical da cidade são particularmente afetadas. De acordo com a secretaria de Meio Ambiente do município, as milícias desmataram cerca de 500 hectares de floresta no Rio entre 2017 e 2020 para a construção ilegal de moradias. Quase metade deles está nos três bairros da zona oeste de Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba apenas.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Ciência impaciente e a “quantofrenia acadêmica”: um olhar a partir das trincheiras

Ciência e cientistas vivem tempos difíceis. Dialogar, entender melhor e transformar o atual cenário são compromissos que precisamos assumir.

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Com este propósito, convido a todos para participar da live “Como superar a ciência impaciente e a quantofrenia acadêmica? Uma proposta para avaliação científica mais humana e responsável.” que acontecerá dia 16 de novembro de 2021, 16h no link https://youtu.be/1lrHeCSkz7U.

Essa iniciativa é realizada pelo professor do professor Marcus F. Oliveira, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, e avalio que merece ser acompanhada por todos os que se preocupam com a predominância da noção da quantidade sobre a qualidade das publicações científicas, e dos desequilíbrios que isto causa na alocação de verbas públicas para a ciência brasileira e mundial.

Dossiê Contra o Pacote do Veneno tem lançamento nos Armazéns do Campo de todo o Brasil 

A série de lançamentos faz parte da campanha “Semeando Saberes e Sabores”, em que livros da editora Expressão Popular formam um kit com sementes agroecológicas da BioNatur

Imagem da Capa do livro_Foto_Expressão Popular

Por Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

A partir do próximo dia 12 de novembro, os Armazéns do Campo de todo o Brasil iniciam uma série de lançamentos de um kit que tem tudo a ver com o objetivo das lojas. É o livro Dossiê contra o Pacote do Veneno e Pela Vida, acompanhado de sementes agroecológicas da cooperativa BioNatur. 

Este é o kit abre-alas da campanha Semeando Saberes e Sabores, criada com o objetivo de promover a difusão de conhecimento, o debate e a ação diante da grave crise ambiental pela qual o mundo atravessa – ainda mais grave no Brasil, com o governo Bolsonaro. A cada dois meses será lançado um novo kit, sempre com sementes agroecológicas e obras relacionadas à questão ambiental. 

A campanha é formada pela Expressão Popular, Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Bionatur, Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis” do  Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Campanha Periferia Viva e pelos próprios Armazéns do Campo – que integram a rede de lojas do MST, atualmente formada por 33 unidades espalhadas por todas as regiões do país. 

Conheça o kit 

O “Dossiê contra o Pacote de Veneno e Pela Vida” compila pesquisas e posicionamentos de dezenas de organizações brasileiras contra o projeto de lei conhecido como “Pacote do Veneno” (PL n.º 6.229/2002), para flexibilizar ainda mais o marco regulatório de agrotóxicos. A publicação também apresenta a Política Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos (PNARA) (n.º 6.670/20160), que elenca alternativas ao uso dos químicos na produção de alimentos.

É uma produção da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, em parceria com a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e com apoio do Instituto Ibirapitanga e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

As sementes agroecológicas são de Cenoura BRS Paranoá, produzida em assentamentos da Reforma Agrária, e de Árvore Sabiá ou Sansão do Campo. A proposta de unir a leitura ao plantio se soma principalmente ao Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, lançado pelo MST em 2019 com a meta de plantar 100 milhões de árvores em 10 anos. 

O kit é vendido nas lojas do Armazém do Campo e também pelo site da editora

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Confira o calendário de lançamentos: 

12 de novembro, às 18h | Rio de Janeiro (RJ) 

– Convidado: pesquisador Luiz Cláudio Meireles (FIOCRUZ). 

– Com Roda de Samba “Samba do Armazém”, com Flávia Feitosa, Leo Viana, Ari Miranda, Alex Faria, Alcides Lira, Guto Lara. 

– Local: Armazém do Campo RJ, Av. Mem de Sá, 135 – Centro. 

12 de novembro, às 19h | Porto Alegre (RS)

– Convidado: Leonardo Melgarejo, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).  

– Local: Armazém do Campo de Porto Alegre, R. José do Patrocínio, 888 – Cidade Baixa. Com transmissão pela da Rede Soberania e Brasil de Fato RJ.

16 de novembro, às 14h | Londrina (PR)  

– Convidada: Naiara Bittencourt da Terra de Direitos e da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

– Biblioteca Pública de Londrina, Av. Rio de Janeiro, 413, Centro. A venda do kit será na sede do Armazém do Campo Londrina, na Rua Piauí, 95, loja 2. 

09 de dezembro, às 19h | Cascavel (PR)

Local: R. Xavantes, 556 Fundos – Santa Cruz. 

Também estão previstos lançamentos em Piraquara e Maringá (PR), São Luís (MA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), São Paulo (SP), com data e local a confirmar. 

Santos, no litoral de SP, será a primeira cidade do mundo a instituir a cultura oceânica na rede pública de ensino

Pareceria entre Unifesp e poderes legislativo e executivo da cidade servirá de exemplo ao planeta no atendimento de uma das metas da Década do Oceano

cultura oceanica

Santos, na Baixada Santista, litoral de São Paulo, será a primeira cidade do mundo a instituir a cultura oceânica na rede pública de ensino. O pioneirismo, confirmado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), começa a se transformar realidade a partir desta sexta, 12 quando será sancionada a Lei da Cultura Oceânica. A conquista de uma legislação especial para o tema é fruto da parceria entre os poderes executivo e legislativo da cidade e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus Baixada Santista. A cultura oceânica faz parte das metas instituídas na Década do Oceano e o Brasil, através da cidade de Santos, dá exemplo para todo o planeta.

Esse marco é resultado da parceria entre Prefeitura de Santos e Unifesp no projeto do Programa de Políticas Públicas da FAPESP. Desde a criação do projeto, o objetivo foi que, juntas, universidade e poder público pensassem em como integrar efetivamente a ciência com os demais setores da sociedade.

“Foi por meio desse projeto que a Unifesp desenvolveu diversas ações e pesquisas que embasaram a necessidade, bem como um formato de inclusão da cultura oceânica no currículo escolar. A universidade desenvolveu a pesquisa junto com o poder público, que agora transforma esse resultado em políticas públicas”, destaca Ronaldo Christofoletti, professor do Departamento de Ciências do Mar da Unifesp, coordenador do Programa Maré de Ciência e coordenador do Communications Advisory Goup for the UN Ocean Decade da UNESCO.

A inserção da cultura oceânica no currículo escolar da educação formal torna obrigatório o tema, o que, como diz Christofoletti, “representa ensinar aos alunos o papel do oceano em nossas vidas e a influência das nossas ações no oceano”.

“Essa transmissão de conteúdo é fundamental para formarmos cidadãos com conhecimento sobre o tema, de modo que se tornem adultos conscientes e apliquem esse valioso conhecimento adquirido em suas vidas pessoal e profissional. Essa é a mudança desejável para que o mundo consiga alcançar o desenvolvimento sustentável, são mudanças de comportamento e, para isso, é preciso conhecimento, algo que será garantido com a lei hoje sancionada em Santos, que passa a valer para essa e para as próximas gerações”, destaca o professor da Unifesp.

A partir da lei, será constituída uma estrutura na Secretaria de Educação de Santos, que vai trabalhar a inserção do tema no currículo escolar de uma forma transversal, ou seja, envolvendo não apenas ciências, como também outras disciplinas.

Contudo, ressalta Christofoletti, “a ideia é ajudar os professores nas bases, nas escolas, a encontrarem os caminhos para ligar suas realidades locais, daquele território escolar, que se difere em cada instituição de ensino, identificando problemas de suas realidades e comunidade correlacionados à cultura oceânica e as trabalhando por meio de projetos interdisciplinares, de modo que os alunos aprendam ativamente, construam conhecimento e apliquem de fato essa meta global que é acultura oceânica”.

Para Francesca Santoro, coordenadora do Programa de Cultura Oceânica da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, a assinatura da lei, de autoria do vereador Marcos Libório, é um momento especial. “Ela ocorre no momento ideal, em que toda a sociedade discute na COP 26 em Glasgow o que precisamos fazer, e a cultura oceânica é uma ferramenta fundamental”, afirma Santoro, em vídeo gravado na Itália e que será exibido durante a solenidade da assinatura da lei.

Também por vídeo, o coordenador do Programa de Ciências Naturais da UNESCO Brasil, Fábio Eon, destaca a parceria entre a Unifesp e os poderes legislativo e executivo de Santos “para a criação da pioneira legislação, um exemplo de ação conjunta com ciência como base para a tomada de decisão”.

A iniciativa também tem o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) que, por meio do Secretário de Pesquisa e Formação Científica do ministério, Marcelo Morales, destaca ações de cultura oceânica e ciência na escola como essa, “importantes para trazer soluções para a promoção da ciência e o uso sustentável do oceano”.

Serviço:

Sanção da Lei Cultura Oceânica

Local: Prefeitura de Santos

Horário: 18h

Participantes por vídeo:

– Francesca Santoro, coordenadora do Programa de Cultura Oceânica da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO

– Fábio Eon, coordenador do Programa de Ciência Naturais da UNESCO Brasil, a parceria a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

– Marcelo Morales, Secretário de Pesquisa e Formação Científica do MCTI

Sem freios no desmatamento: DETER – 2021 registra o pior outubro da série histórica

Enquanto governo tenta passar uma maquiagem verde para inglês ver na COP 26, dados comprovam o descontrole do desmatamento na Amazônia

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 São Paulo, 12 de novembro de 2021 – Dados do sistema DETER-B, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, apontam para uma área desmatada na Amazônia de 877 km². Os dados contemplam todo o mês de outubro e comprovam um recorde para o mês na série histórica do Deter – B que iniciou em 2016. Ao mesmo tempo em que o Brasil tenta limpar sua imagem durante a COP de Clima, assinando declarações e assumindo compromissos, essa notícia chega para evidenciar como a Amazônia segue sob constante abandono do governo Bolsonaro.

“Enquanto o governo federal tenta vender o Brasil como potência verde na COP 26, a verdade é que o desmatamento em outubro bateu mais um recorde e vem sendo impulsionado pela política antiambiental do presidente, do ministério do meio ambiente com apoio de parte do congresso nacional. Assinar ou endossar os diferentes planos e acordos não muda a realidade do chão da floresta, o desmatamento e queimadas continuam fora de controle e a violência contra os povos indígenas e população tradicional só aumenta”, declara Rômulo Batista, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace.

Os alertas de desmatamento em outubro se concentraram nos estados do Pará 501 km² (57% do total), Amazonas 116 km² (13% do total) e Mato Grosso 105 km² (12% do total). Estimativas do Observatório do Clima apontam que a maior parte (46%) dos gases estufa emitidos pelo Brasil são provenientes do desmatamento. Os dados de 2020 mostram que o Brasil continua, desde 2010, a ampliar suas emissões. No ano passado, em plena pandemia, o aumento das emissões de gases de efeito estufa no Brasil foi de 9,5%; no restante do mundo, houve redução de cerca de 7%.

“Enquanto o ministro do meio ambiente passeia na COP 26, exaltando que o futuro verde já começou no Brasil, tecendo elogio ao agronegócio brasileiro, o desmatamento continua sem parar na Amazônia e em nenhum momento dessa COP o governo apresentou a verdade que é justamente essa agropecuária “verde” a responsável direta por 73% das emissões de gases do efeito estufa no país e principal motor do desmatamento na amazônia e outros biomas no Brasil ” conclui Rômulo.

Nota de apoio a Txai Suruí

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Depois de um discurso expressivo em Glasgow, com enorme repercussão mundial, Txai Suruí, 24 anos, única brasileira e indígena a falar na abertura da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, vem sofrendo ataques de extremistas imbuídos de discursos de ódio e preconceitos racistas e misóginos.

O IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, vem por meio desta nota declarar apoio absoluto a essa jovem liderança representante dos povos indígenas da Amazônia, que vem trilhando um caminho corajoso e significativo na luta pelos direitos dos povos originários.

O fato não é um caso isolado, infelizmente, e as constantes ameaças e violências contra os povos da floresta mostram a importância da atuação das instituições que trabalham integradas na região.

Txai Suruí é do povo Paiter Suruí e fundadora do Movimento da Juventude Indígena no estado. Estudante de Direito, trabalha no departamento jurídico da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé.

O projeto Conectando Terras Indígenas da Associação Kanindé, parceira do IPÊ por meio do projeto LIRA, contribui para a conservação de 2.694.827 hectares de floresta e o fortalecimento de cinco associações indígenas e uma extrativista para atuarem no desenvolvimento sustentável de seus territórios.

O LIRA agrega essa rede de apoio e segue na tentativa de um mundo de compreensão mútua, inclusão, reconhecimento de direitos e cuidado com as formas de vida no planeta.

Leia o discurso de Txai Suruí na abertura da COP26:

Meu nome é Txai Suruí, eu tenho só 24, mas meu povo vive há pelo menos 6 mil anos na floresta Amazônica. Meu pai, o grande cacique Almir Suruí me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as árvores.

Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo.

Uma companheira disse: vamos continuar pensando que com pomadas e analgésicos os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanhã a ferida será maior e mais profunda?

Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais.

Não é 2030 ou 2050, é agora!

Enquanto vocês estão fechando os olhos para a realidade, o guardião da floresta Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo de infância, foi assassinado por proteger a natureza.

Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Nós temos ideias para adiar o fim do mundo.

Vamos frear as emissões de promessas mentirosas e irresponsáveis; vamos acabar com a poluição das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis.

É necessário sempre acreditar que o sonho é possível.

Que a nossa utopia seja um futuro na Terra.

Obrigada!

87% dos pais e responsáveis acreditam que a tecnologia contribuiu na aprendizagem na pandemia, mas 51% dos alunos não têm computador ou notebook com acesso à internet

  • Estudo foi encomendado por Itaú Social, Fundação Lemann e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e realizado pelo Datafolha entre agosto e setembro de 2021, com 1.301 responsáveis por crianças e adolescentes da rede pública, de todas as regiões do país;
  • Para um terço dos entrevistados (32%), a possibilidade de estudar em qualquer lugar, que as ferramentas tecnológicas trouxeram, deveria ser mantida no futuro;
  • A maioria reconhece a importância de as atividades remotas estarem articuladas com as presenciais na preparação para o futuro dos alunos (60%) e/ou no desenvolvimento socioemocional (52%);
  • No entanto, o acesso à internet de banda larga é um desafio nas diferentes partes do país – principalmente na Região Norte e no meio rural – e a falta de equipamentos adequados ainda é uma realidade da maioria dos alunos

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São Paulo, novembro de 2021 – Com a pandemia, a articulação entre educação e tecnologia é vista por muitos como uma parceria sem volta, que tem garantido aprendizado e acesso ao ensino e pode ser uma via para recuperação de aprendizagem a partir de agora. Esta é a visão de muitos pais e responsáveis ouvidos na pesquisa “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”, encomendada pelo Itaú Social, Fundação Lemann e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e realizada pelo Datafolha, que mostra que a maior parte deles (87%) acreditam que o uso da tecnologia foi positivo no desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes, na pandemia. Esse número aumenta de acordo com a evolução de cada ciclo escolar, sendo maior (91%) entre aqueles que respondem por adolescentes cursando o Ensino Médio.

Os pais e responsáveis de estudantes de escolas públicas também destacaram a importância das atividades remotas estarem articuladas com as presenciais, por diferentes motivos como: “preparar os alunos para o futuro (60%)”, “estimular a curiosidade (60%)”, “garantir o aprendizado previsto para o ano (53%)” e “promover o desenvolvimento socioemocional (52%)”. Um legado que o uso das ferramentas tecnológicas trouxe e que, segundo eles, deveria ser mantido no futuro é o da “opção de poder estudar remotamente em qualquer lugar (32%)” e da “possibilidade de tirar dúvidas com os professores por meio de plataformas digitais (24%)”.

Acesso à conectividade e equipamentos ainda é um desafio 

Os benefícios do uso da tecnologia esbarram nos problemas de conectividade e de acesso a equipamentos. Houve um leve crescimento no número de alunos com computador desde o início da pandemia, de 42% para 49%, contudo, a maior parte (51%) segue sem acesso à computador ou notebook com internet para estudar. O equipamento mais usado é o celular (85%), porém, sabe-se que o aparelho limita as possibilidades de aprendizado do aluno. Mais de um terço (34%) dos estudantes que utilizam o aparelho para fazer as atividades o dividem com outras pessoas, segundo seus responsáveis. Para 27% dos estudantes, a escola é o principal local onde se tem acesso a computadores.

“Se você deixar ele [o aluno] só com o celular, realmente, quando você vai ver ele está assistindo outra coisa… Então, eu acho que é complicado”, disse uma entrevistada da etapa qualitativa da pesquisa, realizada pela Rede Conhecimento Social.

“Apesar dos esforços de gestores públicos e dos pais para oferecer internet e computadores aos estudantes durante a pandemia, a situação ainda é grave. Não podemos aceitar que um quarto das escolas não tenha acesso à internet e que a maioria dos alunos não tenha computador para estudar. Muitos dependem da escola para utilizar a tecnologia e ter acesso ao mundo digital. Quando olhamos para as classes mais baixas, os números são ainda piores. O Brasil precisa investir urgentemente em conectar suas escolas e equipar seus alunos para que estar no mundo digital seja um direito de todos”, diz

Cristieni Castilhos, gerente de Conectividade na Fundação Lemann.

“A necessidade de incluir os estudantes digitalmente é uma demanda antiga, que ficou mais evidenciada durante a pandemia. Ampliar o acesso à internet e promover o letramento digital são os primeiros passos de uma transformação que envolva a todos. Mesmo com a reabertura das escolas, as ferramentas utilizadas durante o ensino remoto continuarão apoiando as aulas e proporcionando novas interações entre estudantes e professores. A implementação de políticas públicas neste sentido deve ser urgente e permanente. Este é, aliás, um direito firmado na legislação por meio da Lei 14.109, de 2020, que estabelece como meta que todas as escolas públicas estejam conectadas à internet de alta velocidade até 2024”, afirma Angela Dannemann, superintendente do Itaú Social.

Apenas 66% das famílias têm acesso a banda larga no país, de acordo com a pesquisa, sendo que a Região Norte registra o menor índice de acesso (47%, contra 75% na Região Sul). Os números também mostram a desigualdade nos meios urbano (68%) e rural (37%) e entre estudantes de diferentes raças – 75% para brancos e 61% para alunos negros.

“Nem todo mundo tem uma boa internet em casa, nem um celular ou computador. É difícil estudar assim. Esses dias veio uma mãe pedir: ‘Você me empresta o wi-fi para o meu filho fazer a tarefa?’”, afirmou uma entrevistada.

A pesquisa

Estes são dados levantados pela sétima onda da pesquisa “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”. As entrevistas foram realizadas entre os dias 13 de agosto e 16 de setembro de 2021, com abordagem telefônica, com 1.301 responsáveis que responderam por um total de 1.846 crianças e adolescentes com idades entre 6 e 18 anos da rede pública, em todas as regiões do país. A etapa qualitativa foi realizada pela Rede Conhecimento Social, entre 26 e 28 de julho, por meio de Grupos de Discussão (GDs) on-line, realizados por plataforma digital.

Mais de 300 milhões de pessoas devem sofrer com a insegurança alimentar até 2050, aponta estudo

Novo relatório da Visão Mundial mostra como as mudanças climáticas afeta a produção de alimentos e o acesso das pessoas a nutrientes; entidade aponta que se negociações da COP26 fracassarem, crianças serão as mais afetadas

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São Paulo, novembro de 2021. Um novo relatório divulgado nesta quarta-feira (10) pela Visão Mundial – ONG humanitária de proteção da infância e da adolescência – aponta que 26% das crianças em todo o mundo sofreram de má-nutrição em 2020 e que a situação pode piorar se o quadro atual de mudanças climáticas não for revertido. De acordo com o estudo, o número de pessoas que enfrentam crises de fome aumentou de forma constante nos últimos cinco anos pela primeira vez em décadas. Se a mesma trajetória dos últimos for mantida, a entidade prevê que mais de 300 milhões de pessoas enfrentarão a insegurança alimentar até 2030.

O documento foi publicado faltando poucos dias para o encerramento da COP26, como forma de alertar líderes globais sobre as consequências desastrosas que um fracasso nas negociações em Glasgow pode ter sobre populações de todo o planeta. Intitulado Mudança Climática, Fome e Futuros das Crianças”, o relatório estuda a ligação entre as alterações no clima e o risco de fome nas populações, em especial as consequências a longo prazo na desnutrição de crianças.

“Crianças em todo o mundo têm relatado que experimentam o impacto devastador das mudanças climáticas todos os dias – e seus avisos devem ser ouvidos em alto e bom som pelos líderes da COP26”, diz o CEO e presidente internacional da Visão Mundial, Andrew Morley.

Figura: os dez países que mais poluem (esquerda) em comparação com os dez países com mais pessoas em situação aguda de insegurança alimentar (Fonte: Banco Mundial) – Divulgação

“Ouvimos histórias de partir o coração, de que a água está se tornando escassa e os meios de subsistência das famílias destruídos por tempestades, enchentes e secas recorrentes, que podem levar à fome e à desnutrição com riscos para a vida. As crianças muitas vezes não têm escolha a não ser abandonar a escola e são forçadas a trabalhar ou se casar por seus pais, que lutam para sobreviver”, completa.

Segundo o estudo, enquanto os países economicamente mais ricos produzem a grande maioria das emissões de gases de efeito estufa, os eventos climáticos extremos impactam, desproporcionalmente, os países de baixa renda de maneira mais aguda. 

Em 2018, Madagascar contribuiu com apenas 0,06% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas está enfrentando o que poderia ser o primeiro quadro de fome na história moderna causado pelas mudanças climáticas, com a insegurança alimentar afetando um total estimado de 1,14 milhão de pessoas.

Para comunidades em países em desenvolvimento, em especial na África e na América Latina, uma alta dependência da produção agrícola local se traduz um alto risco de devastação devido a eventos meteorológicos extremos. “Uma colheita que não dê certo pode ter resultados imediatos e consequências no comércio local, além de danos a longo prazo, limitando o acesso a alimentos nutritivos”, alerta i relatório, elaborado a partir de estatísticas de entidades como o Programa Alimentar Mundial e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Em comparação com 2019, houve um acréscimo de pessoas afetadas pela fome, em 2020, de 46 milhões África, 57 milhões na Ásia e cerca de 14 milhões na América Latina e Caribe. “Quase uma em cada três pessoas no mundo (2,37 bilhões) não teve acesso a alimentos adequados em 2020 – um aumento de quase 320 milhões de pessoas em apenas um ano”, revela o documento da Visão Mundial.

“Conflitos, COVID-19 e mudança climática estão interagindo para criar novos e agravantes focos de fome e estão revertendo os ganhos que as famílias tiveram para escapar da pobreza”, explica o diretor de Advocacy e Relações Institucionais da Visão Mundial, Welinton Pereira.

Economia de água no banheiro, dicas importantes

Harpic reúne 5 dicas para economia de água no banheiro. Pequenas atitudes podem criar uma rotina mais sustentável e gerar impactos positivos ao meio ambiente

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O banheiro é um dos cômodos mais importantes e visitados em uma casa diariamente, por isso, há sempre um grande esforço para mantê-lo limpo e confortável. Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em outubro de 2011 os índices dos reservatórios que abastecem as cidades estavam em cerca de 66,9% de suas capacidades totais. Se comparado com os dias atuais, seguindo o mesmo mês analisado, o número cai para 37,7%, o que resulta numa preocupação ainda maior em relação ao abastecimento deste importante recurso natural.

Uma das problemáticas ligadas à limpeza e utilização do banheiro é o consumo da água, visto que artigos como bacia sanitária, lavatório e chuveiro consomem bastante o recurso. A questão se torna ainda mais importante no contexto atual, em que tanto se discute sobre uma iminente crise hídrica no Brasil.

Pensando nisso, Harpic, marca especialista em cuidados sanitários da Reckitt Hygiene Comercial, que tem como missão apoiar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 da ONU, de Água Potável e Saneamento, preparou dicas para te ajudar a economizar água e sem deixar de realizar a limpeza necessária no banheiro. Algumas medidas simples podem fazer toda diferença na economia e uso consciente. Atualmente a média de consumo de água diária por pessoa recomendada pela Organização das Nações Unidas é de 110 litros/dia***. Porém, no Brasil, estima-se que o consumo diário, pode chegar há mais de 200 litros/dia*** por pessoa. Confira as dicas:

Não utilize o vaso sanitário como lixeira

Fazer o descarte de lixo no vaso sanitário não é uma boa ideia e pode corroborar para o desperdício de água, já que você precisará de muito mais água para se livrar desse lixo por meio da descarga. Além disso, à longo prazo sua tubulação corre o risco de entupir, gerando manutenções.

Escolha a descarga corretamente

Cada vez que a descarga é acionada, dependendo do sistema, é liberado uma média de 10 a 14 litros de água. Para garantir economia de água a longo prazo, escolha sistemas de descarga com acionamento duplo, que libera diferentes quantidades de água para diferentes tipos de dejetos.

Fonte: AEC Web

Fique de olho nos vazamentos

Mesmo os pequenos vazamentos, podem gerar uma grande perda e desperdício de água, por isso, fique sempre de olho nos sinais: fluxo de água da descarga fraco, paredes com manchas, bolhas ou descascando etc. Ao notar algum desses sinais, busque entender o problema.

Reutilize água para lavar seu banheiro

Crie o hábito de recolher água de sua máquina de lavar ou da chuva para lavar o banheiro, isso pode te ajudar a economizar na conta de água.