Cicatrizes da monocultura: Em Rondônia, trabalhadores da soja relatam lesões e abusos em contratada da Cargill

Pelo menos 6 funcionários da Bertolini Ltda, empresa que transporta os grãos da Cargill pelo rio Madeira (RO), relatam problemas de saúde como dedos amputados e perda de visão por conta de acidentes trabalhistas; empresa nega violar legislação trabalhista

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Por Daniel Camargos, de Porto Velho (RO). Fotos: Fernando Martinho | para a Repórter Brasil

Dedos amputados, perda de visão e cirurgias na coluna são algumas das cicatrizes deixadas pela crescente produção de soja no Brasil. Apenas o transporte do grão da Cargill — um dos maiores conglomerados do agronegócio mundial — pelo rio Madeira, em Rondônia, deixa um legado de trabalhadores com lesões graves decorrentes de acidentes trabalhistas e de violações de normas de segurança.

Repórter Brasil ouviu seis funcionários e ex-funcionários da Transportes Bertolini Ltda (TBL), empresa contratada pela Cargill para fazer o transporte da soja pelo rio, que sofreram graves acidentes trabalhistas, na maior parte das vezes após jornadas irregulares de mais de 30 horas sem descanso. Além dos problemas de saúde, os trabalhadores se queixam da exposição à poeira repleta de agrotóxicos do grão e da omissão da empresa. Três deles só conseguiram indenizações após entrarem com ações na Justiça.

Cicatriz da cirurgia de hérnia de disco de James Vasconcelos; mesmo depois da operação, ele segue trabalhando em serviços que exigem esforço da coluna. ‘Se continuar fazendo isso, o problema pode se agravar e até me deixar numa cadeira de rodas’ (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Célio Albuquerque, 56 anos, trabalhava como marinheiro em dois portos de soja movimentando cabos de aço. Ele conta que, após 19 horas seguidas de trabalho, um cabo soltou e atingiu sua cabeça. “Rasgou meu capacete, quebrou meu nariz e acertou meu olho”.

Albuquerque era integrante da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e seis meses antes do acidente enviou para a empresa um relatório, com fotos, mostrando que a estrutura que sustentava o cabo estava avariada. Após o acidente, ele relata ter escutado dos responsáveis da TBL e da Cargill que receberia assistência médica. “As duas pularam fora e consegui fazer a cirurgia só depois de uma liminar determinando que as empresas pagassem, mas acabei perdendo a visão do olho direito”.  

Sem condições de voltar ao trabalho, Albuquerque entrou com um pedido de rescisão indireta, alegando na ação outras violações, como o excesso de jornada de trabalho, pois diz que durante a  jornada de 48 horas não tinha o tempo adequado para descanso. Já se passaram cinco anos e ele nunca recebeu qualquer tipo de reparação por parte da TBL. Nesse período, Albuquerque passou a tratar um câncer no intestino e viu uma filha morrer. “Eu acredito que esse meu sofrimento com a empresa e com a Justiça acelerou o problema [de saúde] que ela tinha”, entende o marinheiro, que também vê ligação entre a dor psicológica e o câncer. “Afetou demais meu estado emocional”.

‘É desumano. Pensar que são empresas no patamar dessas duas [TBL e Cargill]. Olha, escravidão não é só chicote’ Francisco Nascimento Barros, ex-funcionário da TBL

Sem receber as verbas trabalhistas e sem poder trabalhar por causa do câncer, que está em estado avançado e já atingiu o fígado, Albuquerque diz também que ficou quatro meses sem receber o auxílio-doença do INSS. Somente depois de a Repórter Brasil pedir explicação sobre os motivos da suspensão para o órgão é que o pagamento voltou a ser feito. “Você trabalha, se esforça a vida toda e quando precisa é abandonado”, reclama. 

Duas hastes e cinco pinos na coluna

O também marinheiro James Vasconcelos segue trabalhando na TBL mesmo depois de uma cirurgia na coluna devido a uma hérnia de disco. Ele diz que a recomendação médica é para que ele evite carregar peso, mas o funcionário segue movimentando os cabos que prendem as balsas de soja, o que exige esforço de todo o corpo. 

“Se continuar fazendo isso, o problema pode se agravar, levar novamente a uma hérnia ou me deixar numa cadeira de rodas”. Antes da cirurgia, a dor era tanta que o marinheiro não conseguia andar. “Depois da cirurgia, fiquei afastado por seis meses e voltei para a mesma função”. Ele teme pedir demissão e não ter condições de saúde para trabalhar em outra empresa. “E se um dia eu não aguentar mais trabalhar? Tenho duas hastes e cinco pinos na coluna”.

Célio Albuquerque perdeu a visão do olho direito após um acidente com um cabo de aço enquanto carregava uma balsa de soja (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Vasconcelos diz que a recomendação médica é para que ele evite carregar peso, mas ele segue movimentando os cabos que prendem as balsas de soja, o que exige esforço de todo o corpo, inclusive da coluna. “Se continuar nisso, o problema pode se agravar e até  me deixar numa cadeira de rodas”. Trabalhando na TBL há 17 anos, ele relata que é comum ocorrerem desvios de função e longas jornadas de trabalho que não respeitam o período de descanso. “Já passei 48h em cima do píer trabalhando o tempo todo”. 

“Eles [os funcionários] sofrem problemas físicos, psicológicos e até mesmo na convivência familiar. São problemas enormes, sem precedentes. Não tem como mensurar”, afirma a advogada trabalhista Caroline França Ferreira Batista, que representa funcionários e ex-funcionários da TBL.

Acidente com nove mortos

Não é a primeira vez que a TBL foi alvo de denúncias de desrespeito às normas trabalhistas. Em novembro do ano passado, a empresa foi condenada pela Justiça a pagar R$ 10 milhões por dano moral coletivo por conta de um acidente em 2017, que deixou  9 mortos. Além da multa, a Justiça determinou que a empresa deve instruir os empregados quanto às precauções para evitar acidentes de trabalho.

“A cadeia da soja é de alto risco e com grande número de acidentes de trabalho”, afirma a procuradora chefe do MPT em Rondônia e no Acre, Camilla Holanda. Um ano depois do acidente, o órgão apertou o cerco e realizou duas forças-tarefa fiscalizando os portos da região Norte. Foram encontradas mais de 100 infrações trabalhistas, que atingiram 14 das 17 empresas que atuam no rio Madeira, sendo a TBL uma delas.

Além de exportar soja, a Cargill produz óleo de cozinha, maionese e molhos em marcas próprias como Liza, Maria, Pomarola, Elefante e Veleiro (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Procurada, a Transportes Bertolini Ltda (TBL) afirmou, por meio de seu gerente jurídico, Fernando Parisotto, que o ambiente de trabalho da empresa “é absolutamente seguro e que são respeitadas rigorosamente todas as normas de medicina e segurança no trabalho, bem como todos os riscos são controlados”. 

Sobre Albuquerque, a empresa  afirmou que o funcionário não teve seus pedidos atendidos pela Justiça trabalhista e que ação ingressada pelo MPT apontando acúmulo de atividades e jornada exaustiva foi considerada improcedente. Com relação à Vasconcelos, Parisotto respondeu que as atividades executadas no ambiente de trabalho são “compatíveis com as condições físicas e psicológicas de cada empregado”. Disse também que Vasconcelos é marinheiro, mas que executa “atividades burocráticas compatíveis com a recomendação médica”.

A Cargill, contratante da TBL, afirmou que eles não são funcionários da empresa e que “realiza monitoramento constante, avaliando todos os fornecedores”. Leia as respostas na íntegra.

Jornada de 48h sem descanso

O comandante da embarcação Simeão Furtado Passos faz relato semelhante. “Peguei três hérnias de disco trabalhando lá”, conta o ex-funcionário da TBL. A escala de trabalho era de 48h por 48h e Passos afirma que não havia como descansar. “Os camarotes não tinham nem ar condicionado e nem ventilador. Mais de 40 graus”, lembra.  Passos diz que chegou a reivindicar melhorias nos alojamentos, pois era comandante, mas ouviu como resposta do gerente que não era possível. 

Aposentado por invalidez, Marcelo Dias sente dores no joelho e na coluna; e também sofreu alergias com a poeira do agrotóxico da soja (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Outro comandante, também ex-funcionário, Francisco Nascimento Barros, classifica a cabine em que trabalhava como insalubre. “É desumano. Escravidão não é só chicote”. Durante a jornada de 48h, Barros relata que precisava estar disponível o tempo todo. 

Além do descumprimento de leis trabalhistas, os trabalhadores da soja no porto são pressionados pela crescente produção do grão nos últimos anos, que em 2021 deve ter alta de 8,5% em relação à safra de 2020, segundo o IBGE. As exportações também seguem em alta, sendo a Cargill a principal exportadora do grão brasileiro.

‘Tenho sequelas para o resto da vida e me arrependo muito de não ter saído do emprego, pois hoje eu estaria inteiro’, Marcelo Inácio Dias, ex-funcionário da TBL aposentado por invalidez

Os portos do rio Madeira transportam, além da soja plantada em Rondônia, parte dos grãos produzidos no Mato Grosso, que cruzam o Amazonas e o Pará por via fluvial até chegar ao Atlântico, para o mercado internacional. 

Quem navega nos rios da região Norte já se habituou a cruzar com as embarcações puxando filas de balsas de soja. Quase 20% da soja produzida no Brasil corre pelos rios da Amazônia. Levantamento do Diálogo Chino mostra que há 100 portos fluviais industriais privados na Amazônia e que estão em andamento projetos de outros 40, com investimentos de centenas de milhões de dólares, em locais de ecossistema sensíveis.  

A balança comercial das exportações brasileiras do agronegócio somou US$ 100,81 bilhões em 2020, um crescimento de 4% na comparação com 2019. A soja foi o setor que mais contribuiu, com US$ 35,2 bilhões. O setor está imune à crise econômica brasileira agravada pela pandemia. “Plantar em real para colher em dólar”, como costumam dizer os sojeiros. 

José Ulhôa toma vários medicamentos para suportar as dores crônicas; ele ficou com os dedos da mão deformados pelo trabalho no carregamento da soja (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

O marinheiro José Cláudio Manoel Uchôa, que está afastado do trabalho na TBL há 3 anos por problemas de saúde, afirma que os trabalhadores costumam ser contemplados na primeira instância judiciária, mas perdem na segunda. 

“Eles [Cargill e TBL] têm um corpo jurídico muito grande e, Deus me perdoe, mas devem ter influência dentro dos tribunais”, afirma, enquanto mostra os dois dedos da mão deformados pelo trabalho. Ele sente dores recorrentes na coluna e teve que fazer uma cirurgia no joelho. “Escorreguei na embarcação e rompi o menisco e o ligamento do joelho”. Quando começou a trabalhar na TBL, Uchôa afirma que não tinha nenhum problema de saúde. “Agora eu não durmo direito, não tenho sono, fico zanzando pelo meio da casa”, diz. Em casa, um pote preto está lotado de remédios, que ele toma várias vezes ao dia para suportar as dores.

“Tenho sequelas para o resto da vida e me arrependo de não ter saído do emprego, pois hoje eu estaria inteiro”, afirma Marcelo Inácio Dias, ex-funcionário da TBL, aposentado por invalidez. Ele ficou com problemas na coluna mesmo após uma cirurgia, sente dores crônicas no ombro, no joelho e ficou com um dedo da mão imobilizado por causa de um acidente movimentando as balsas. Teve problemas também por conta dos agrotóxicos aplicados aos grãos: “Tem veneno demais. Passei muito tempo com coceira no corpo”. 

Dias lamenta que a TBL e a Cargill não paguem os direitos trabalhistas devidos e que os funcionários precisem pedir judicialmente. “Para eles é pouquinho, mas para a gente é muito. Precisamos desse dinheiro para tentar recomeçar a vida e seguir em frente”. 

Célio Albuquerque mostra relatórios que fez quando era integrante da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). Segundo ele, as empresas ignoraram avisos sobre riscos de acidentes (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)
Simeão Passos afirma que não havia como descansar nas embarcações pois os camarotes não tinham nem nem ventilador e a temperatura chegava a mais de 40 graus (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Durante a jornada de 48h, os funcionários precisavam estar disponível o tempo todo, relata Francisco Nascimento Barros (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)
Remédios, especialmente para dores musculares crônicas, que Uchôa toma ao longo do dia (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

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Esta reportagem foi originalmente publicada pela Repórter Brasil [Aqui!]

Bayer faz show virtual para seus acionistas e críticas às suas práticas ficam ausentes

bayer ceoO chefe da Bayer, Werner Baumann, finalmente promete tempos melhores para os acionistas após seu controverso acordo com a Monsanto. Foto: imago images / sepp spiegl

Por Haidy Damm para o Neues Deutschland

O chefe da Bayer, Werner Baumann, mostrou-se contrito com os acionistas do grupo. Não podemos ficar satisfeitos com o resultado do grupo. Temos o seu apoio e não correspondemos às nossas expectativas no ano passado «, disse ele na terça-feira na assembleia geral anual da maior empresa química e farmacêutica da Alemanha. Como no ano anterior, a Assembleia Geral Anual foi realizada virtualmente devido à pandemia. Dúvidas e críticas tiveram que ser enviadas com antecedência e foram respondidas pelo conselho de administração e conselho fiscal no evento online de um milhão de euros.

Em 2019, os acionistas da Bayer se recusaram a aprovar Baumann como o primeiro CEO em exercício de um grupo DAX. O pano de fundo foi a aquisição da rival americana Monsanto. O preço das ações da Bayer despencou após a aquisição de 66 bilhões de dólares. A Bayer era “apenas uma sombra de si mesma”, disse Ingo Speich, do acionista da Bayer, Deka Investment, na preparação para a Assembleia Geral Anual. A compra da Monsanto foi uma decisão errada que custaria caro à Bayer. “A Monsanto não tornou a Bayer mais à prova de crises, mas a mergulhou ainda mais na crise.”

Cinco anos após a fusão, o preço das ações ainda não se recuperou. No ano passado, a empresa com sede em Leverkusen registrou o maior prejuízo da história da empresa, com menos 10,5 bilhões de euros. Com menos de cerca de um terço, as ações da Bayer ficaram em último lugar no índice líder alemão Dax em 2020. Os números em vermelho escuro se deviam principalmente às provisões para as ações judiciais nos Estados Unidos por câncer causado pelo uso do herbicida glifosato total – uma invenção da Monsanto.

Mas Baumann ainda tem o conselho supervisor por trás dele. Em setembro do ano passado, o conselho de administração aprovou um novo acordo para as ações judiciais relacionadas ao glifosato nos Estados Unidos. No mesmo mês, o comitê estendeu o contrato de Baumann por três anos. Até agora, a empresa química pagou cerca de US$ 9,6 bilhões em acordos nos tribunais norte-americanos. Lidar com ações judiciais futuras continua difícil, e a Bayer gostaria que elas fossem descartadas para sempre. “Contrariamente às nossas expectativas, ainda não conseguimos chegar a um acordo final, apesar do progresso”, lamentou Baumann na Assembleia Geral Anual. Em maio, um tribunal dos EUA na Califórnia quer decidir sobre uma nova proposta de compromisso.

Para Harald Ebner, membro do Bundestag pelo Partido Verde, isso não se encaixa. A Bayer afirma, por um lado, que o glifosato é inofensivo e está apresentando pedidos de aprovação na UE; por outro lado, o grupo concorda com pedidos de indenização. “Não vejo nenhum realinhamento aqui”, disse Ebner na terça-feira nos eventos de protesto – também virtuais – na Assembleia Geral Anual da Bayer.

Jan Pehrke da “Coordenação contra os Riscos da Bayer” também criticou em sua posição na Assembleia Geral Anual. “A empresa tenta resolver o problema: ela quer vender glifosato para fins lucrativos, mas não quer ser responsável pelas consequências inevitáveis ​​para a saúde. O resultado traz consigo: a Bayer está fazendo todo o possível para manter as reclamações de futuros pacientes com câncer o melhor possível. “

O glifosato não é, de forma alguma, o único ponto de discórdia em relação aos agrotóxicos produzidos pela Bayer. Baumann está satisfeito por a Bayer ter recebido outra aprovação de cinco anos para o  Dicamba. Em julho do ano passado, o Brasil já havia aprovado o agrotóxico, que é pulverizado sobre soja e algodão geneticamente modificados, mesmo que ainda seja classificado como “muito perigoso para o meio ambiente”. Os EUA seguiram em outubro. Mas a venda de Dicamba foi legalmente proibida na Alemanha em junho de 2020 devido a ações judiciais. Um tribunal de São Francisco confirmou que a Agência Ambiental dos Estados Unidos (EPA) tinha cometido erros na licença originalmente concedida em 2018 e retirou o registro do Dicamba. A venda e o uso foram proibidos porque os riscos associados ao Dicamba foram subestimados.

O planejado Acordo do  União Européia com o Mercosul, que incluí países como Argentina, Brasil e Uruguai deve trazer mais lucros ao grupo no setor agrícola, que só conseguiu aumentar as vendas em 1% no ano passado. O acordo comercial que a UE concluiu, mas ainda não assinou com o Mercosul, tornaria mais barata a importação de agrotóxicos para os países membros. “Também está promovendo um modelo agrícola que depende do consumo de grandes quantidades de agrotóxicos”, crítica uma aliança internacional de 450 organizações não-governamentais da Europa e América Latina. Os fabricantes alemães de agrotóxicos, como Bayer e BASF, que já exportam venenos agrícolas para esta região, incluindo aqueles que não são permitidos na UE devido à sua periculosidade. Apesar dos enormes riscos à saúde, os agrotóxicos fazem parte da estratégia de exportação da Bayer, inclusive por meio do acordo comercial da Ue com o Mercosul, critica Bettina Müller, da rede Powershift. »A Bayer nega a conexão entre os efeitos na saúde e está fazendo um grande trabalho de lobby em nível governamental. Isso nos mostra como eles são indiferentes às consequências  dos agrotóxicos sobre as populações locais.”

Um estudo recente da Fundação Rosa Luxemburgo e outras organizações não-governamentais confirma que a Bayer, como a BASF, continua a comercializar ingredientes ativos de agrotóxicos que são proibidos na UE em muitos países. No passado, a Bayer desenvolveu e comercializou um total de 22 ingredientes ativos de agrotóxicos extremamente ou altamente tóxicos. Alguns desses ingredientes ativos continuariam a ser comercializados pela Bayer em seus próprios produtos  no sul global, como no Brasil, África do Sul e México.

Baumann também vê perspectivas na agricultura em particular. Os preços do milho e da soja estão subindo drasticamente, então os agricultores devem estar preparados para gastar mais dinheiro também com as sementes da Bayer. Baumann falou de um início de ano provavelmente bem-sucedido. “No negócio agrícola em particular, vemos um ambiente de mercado cada vez mais positivo para nós.”

Os investidores também avaliam como positiva a estratégia da divisão farmacêutica na área de terapia gênica e celular, que a Bayer fortaleceu recentemente com aquisições. Embora o grupo tenha registrado queda nas vendas nesse setor, Baumann falou de uma “mudança profunda”, até mesmo uma revolução orgânica, na qual a Bayer estava “excelentemente posicionada”. “Nossa oportunidade especial reside no fato de que tecnologias fundamentais como edição de genoma ou pesquisa de microbioma irão gerar inovações em todas as áreas de negócios.” Nesse contexto, o político verde Ebner criticou o lobby da Bayer, especialmente no nível da UE, para a aprovação de novos processos de engenharia genética. Neste método de biologia molecular, o DNA é especificamente cortado e modificado. Há uma disputa na UE sobre se este método deve ser classificado como engenharia genética e, portanto, identificado. Se os proponentes se safarem, “toda a nossa liberdade de escolha é restrita”, disse Ebner.

Embora a Bayer desempenhe apenas um papel subordinado no desenvolvimento de uma vacina contra a COVID-19, a divisão farmacêutica do Grupo cresceu especialmente no setor de saúde ao consumidor. “Nossas vendas na categoria de suplementos alimentares aumentaram 23% no ano passado”, explicou Baumann. Esses suplementos dietéticos estão crescendo, especialmente na crise causada pelo coronavírus.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland [Aqui! ].

Pinacoteca de São Paulo inaugura exposição sobre personalidades negras invisibilizadas na história do Brasil

A Pinacoteca de São P

Pela primeira vez, a exposição Enciclopédia negra torna pública as 103 obras realizadas por artistas contemporâneos para um livro homônimo de autoria dos pesquisadores Flávio Gomes e Lilia M. Schwarcz e do artista Jaime Lauriano

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Zumbi (PE-AL) pelo artista Arjan Martins. Crédito da imagem: reprodução de Filipe Berndt
 
A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, reitera o compromisso com a visibilidade e a pluralidade de histórias e movimentos que se propõe a contar por meio da arte e inaugura Enciclopédia negra. Pela primeira vez, a exposição torna pública as 103 obras realizadas por artistas contemporâneos para um livro homônimo de autoria dos pesquisadores Flávio Gomes e Lilia M. Schwarcz e do artista Jaime Lauriano, publicado em março de 2021 pela Companhia das Letras. A mostra é um desdobramento da publicação e também se conecta com a nova apresentação da coleção do museu que se apoia em questionamentos contemporâneos e reverbera narrativas mais inclusivas e diversas.

No livro, estão reunidas as biografias de mais de 550 personalidades negras, em 416 verbetes individuais e coletivos. Muitos desses personagens tiveram as suas imagens e histórias de vida apagadas ou nunca registradas. Para interromper essa invisibilidade, 36 artistas contemporâneos foram convidados a produzir retratos dos biografados. São eles: Amilton Santos, Antonio Obá, Andressa Monique, Arjan Martins, Ayrson Heráclito, Bruno Baptistelli, Castiel Vitorino, Dalton Paula, Daniel Lima, Desali, Elian Almeida, Hariel Revignet, Heloisa Hariadne, Igi Ayedun, Jackeline Romio, Jaime Lauriano, Juliana dos Santos, Kerolayne Kemblim, Kika Carvalho, Lidia Lisboa, Marcelo D’Salete, Mariana Rodrigues, Micaela Cyrino,Michel Cena, Moisés Patricio, Mônica Ventura, Mulambö, Nadia Taquary, Nathalia Ferreira, Oga Mendonça, Panmela Castro, Rebeca Carapiá, Renata Felinto, Rodrigo Bueno, Sonia Gomes e Tiago Sant’Ana.

A exposição Enciclopédia negra apresenta todos os 103 trabalhos inéditos, sendo que alguns deles já fizeram parte do caderno de imagens do livro. As obras especialmente produzidas para o projeto foram doadas ao museu pelos artistas e integrarão a coleção da Pinacoteca de São Paulo, criando uma importante intervenção no que diz respeito à busca por maior representatividade.

Diferente da organização alfabética da publicação, a mostra está dividida em 6 núcleos temáticos: Rebeldes; Personagens atlânticos; Protagonistas negras; Artes e ofícios; Projetos de liberdade; e Religiosidades e ancestralidades. Esses núcleos misturam biografias de tempos históricos diversos, nas quais ressaltam aspectos em comum. Há registros de quem liderou movimentos de resistência; negociou condições de emprego e de vida; das mulheres que tiveram de ser separadas de seus filhos; das que, com seu trabalho, conseguiram comprar as alforrias; dos mestres curandeiros, dos professores, advogados, artistas, entre outros.

Sinergia com a coleção

Além dos núcleos temáticos, Enciclopédia negra se integra a nova apresentação da coleção da Pinacoteca. O visitante poderá conferir 10 obras em cartaz na exposição Pinacoteca: Acervo que dialogam com as questões abordadas na mostra temporária. Isso ocorre em obras de nomes como Arthur Timóteo da Costa e Heitor dos Prazeres, fundamentais para o repertório da Enciclopédia.

Para as salas da mostra temporária também foram deslocadas três obras que já eram do acervo: Estudos para imolação, de Sidney Amaral; uma obra sem título do Mestre Didi; e Objeto emblemático 4, de Rubem Valentim. Há ainda o caso de Baiana, famosa pintura com autoria desconhecida do Museu Paulista da Universidade de São Paulo em comodato com a Pinacoteca.

Revisar narrativas consolidadas na história social e institucional, no que se refere a representatividade de gênero e raça, tem sido uma das principais missões da Pinacoteca atualmente. Na nova apresentação do acervo, por exemplo, o número de obras de artistas negros mais do que triplicou se comparado com a exposição anterior. Antes eram 7 e agora são 26. A chegada da Enciclopédia negra gera um grande aporte nesse processo, que passará de 26 para 129 obras.

Patrocínio

A exposição Enciclopédia negra tem patrocínio de Vivo (Cota Platinum), BNY Mellon (Cota Ouro), Mattos Filho (Cota Prata), Allergan (Cota Prata) e Havaianas (Cota Bronze). A mostra ocupa 3 salas no segundo andar da Pina Luz e segue até novembro de 2021.

O projeto Enciclopédia negra é uma parceria com a Companhia das Letras e conta com o apoio do Instituto Ibirapitanga e com a colaboração do Instituto Soma Cidadania Criativa.

Exposição Enciclopédia negra

Período: De 01.05.21 a 08.11.21

Curadoria: equipe do projeto Enciclopédia negra e da Pinacoteca de São Paulo

Pinacoteca de São Paulo

De quarta a segunda, das 11h às 19h

Ingressos com horário marcado e vendas apenas pelo site http://www.pinacoteca.org.br

Edifício Pina Luz

Praça da Luz 2, São Paulo, SP

Livro:

Enciclopédia negra, de Flávio Gomes, Jaime Lauriano e Lilia M. Schwarcz

Páginas: 789/Preço: R﹩89,90

OBS: livro também será vendido na loja do museu.

Justiça Federal multa Cedae em R$ 20 milhões por poluir mar da Barra da Tijuca (RJ)

Companhia descumpriu acordo judicial com MPF celebrado em 2009

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 A 15ª Vara Cível da Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) ao pagamento de multa de R$ 20 milhões, em decorrência do descumprimento de acordo judicial celebrado com o Ministério Público Federal (MPF) em ação civil pública proposta em 1996. O descumprimento refere-se ao lançamento de esgoto doméstico no mar, sem tratamento, através do Emissário Submarino da Barra da Tijuca.
 
Em 1996, o MPF/RJ celebrou acordo com a empresa nos autos de ação civil pública ajuizada por associações de moradores em face da Cedae. O acordo, renovado mediante termo aditivo assinado em 2009, exigia que a companhia estadual promovesse o tratamento preliminar e primário do esgoto coletado na região da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, antes de lança-lo ao mar.
 
De acordo com apuração do MPF, contudo, a Cedae, ao menos desde 2012, vem lançando esgoto não tratado através do emissário da Barra, em descumprimento à legislação ambiental e ao acordo judicial celebrado.
 
A conduta da empresa já é objeto de ação penal ajuizada pelo MPF/RJ em 2019. Além disso, durante dois anos, o MPF, em conjunto com promotores do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente  (Gaema), do Ministério Público Estadual, negociou um termo de ajustamento de conduta com a Cedae visando corrigir a ilegalidade. Os dirigentes da empresa, contudo, recusaram-se ao final assinar o documento acordado. O MPF, então, requereu em juízo a aplicação da multa de R$ 20 milhões, prevista no acordo judicial celebrado em 2009.
 
Segundo a juíza Federal Carmen Silvia Lima de Arruda, da 15ª Vara Federal, responsável pela decisão, “como bem ressaltado pelo MPF, o fato de o emissário estar operando não significa que a execução do ajuste tenha sido totalmente cumprido, pois o emissário não trata o esgoto, apenas promove o despejo em áreas suficientemente distantes da zona de banho, de sorte que a eficiência do emissário, ao contrário do que quer fazer crer a Cedae, depende sim da qualidade do tratamento primário do esgoto, na forma como restou estabelecida na transação”.
 
Para o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, responsável pela ação, “a Justiça Federal reconheceu que a Cedae não tem o direito de continuar poluindo o mar, despejando todo o esgoto doméstico produzido na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá através do Emissário Submarino, sem nenhum tipo de tratamento preliminar ou primário”.
 
Além de impor a multa à Cedae, a Justiça também determinou a intimação do Governo do Estado, da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro – Agenersa e do BNDES para tomarem ciência da decisão, tendo em vista o atual processo de concessão do serviço de tratamento do esgoto à iniciativa privada.
 
 Referência: ACP 0776773-81.1900.4.02.5101/RJ
 

Antibióticos e os alimentos que comemos

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Por Roberto Kolter para o blog “Small Things Considered”

Quando se trata dos animais que os humanos criam para comer, uma rápida olhada em seus números mostra-se preocupante. Em todo o mundo, existem cerca de 650 milhões de porcos, 1 bilhão de cabeças de gado e 26 bilhões de galinhas. Esses números não podem ser alcançados por práticas tradicionais de criação de animais que usam extensas áreas de superfície. Em vez disso, a maioria desses animais é cultivada em densidades populacionais muito altas, o que é denominado produção intensiva. Além do fato de que a maioria desses animais acabará como comida, há mais uma coisa que eles têm em comum. A única maneira de tal criação intensiva de animais ser possível é através do uso de antibióticos. Não é surpresa que cerca de 70% da produção total mundial de antibióticos seja usada na pecuária e na agricultura. Isso é aproximadamente 70 bilhões de gramas dos 100 bilhões de gramas estimados (ou seja, 100.000 toneladas) de antibióticos produzidos anualmente em todo o mundo.

galinhas

Figura 1. Produção intensiva de frangos. Fonte

Existem três maneiras pelas quais os antibióticos ajudam na criação intensiva de animais: terapeuticamente, profilaticamente e como promotores de crescimento. Usar um antibiótico para tratar um indivíduo doente faz sentido. Mas, uma vez que tantos animais ficariam doentes nas condições de crescimento usadas, há um uso profilático generalizado para evitar que eles se infectem. E, por último, há o uso de doses subterapêuticas de antibióticos para promover o crescimento animal. Este último uso é particularmente problemático em termos de disseminação da resistência, de modo que a prática está agora sob vigilância em muitos países com vários graus de sucesso. O problema é que é difícil traçar o limite entre a profilaxia e a promoção do crescimento. Como consequência, o uso mundial de antibióticos na criação de animais continua a aumentar, apesar dos esforços e da legislação promissora. Como a maioria dos antibióticos fornecidos aos animais não são absorvidos e são degradados lentamente, a maioria deles acaba no solo e nos efluentes. Hoje, é difícil encontrar ambientes puros que não contenham antibióticos produzidos industrialmente. Além dos problemas óbvios relacionados à disseminação da resistência, o uso massivo de antibióticos está ajudando a alimentar o aumento de muitas das “doenças da modernidade”, por exemplo, obesidade, asma, alergias, diabetes e certas formas de câncer, como foi convincentemente argumentado por Martin Blaser em Micróbios ausentes . Como entramos nessa bagunça? Um breve exame da história do desenvolvimento e uso de antibióticos fornece uma resposta a essa pergunta.

Demorou mais de uma dúzia de anos desde a descoberta da penicilina por Fleming em 1928 até o primeiro uso clínico bem-sucedido da penicilina no início dos anos 1940. O tempo todo, apenas pequenas quantidades do antibiótico puderam ser obtidas. Em 1942, quando 0,3 grama salvou a vida de Anne Miller, apenas alguns gramas estavam disponíveis em todo o mundo. Mas o mundo mudou dramaticamente nos anos que se seguiram, desde a devastação econômica da Grande Depressão até o horror generalizado da Segunda Guerra Mundial. Como foi o caso em todas as guerras anteriores, mais soldados morreram de infecções durante aquela guerra do que qualquer outra coisa. Uma vez que o notável poder curativo da penicilina foi reconhecido, a ideia de que as infecções de feridas não precisavam mais ceifar tantas vidas se consolidou e justificou o aumento maciço da produção da “droga milagrosa da guerra”. A mentalidade de guerra colocou de lado quaisquer considerações ecológicas e a economia de guerra permitiu uma enorme infusão de fundos para alcançar a expansão. De alguns gramas em 1942, a produção disparou para 4.000 kg por mês no final da guerra. Nesse processo, a indústria farmacêutica se tornou um grande negócio. Com essa grande capacidade de produção, crescia a necessidade de novos mercados de massa, além do tratamento de infecções. O acaso teria um grande papel na descoberta de um novo mercado para os antibióticos. além do tratamento de infecções. O acaso teria um grande papel na descoberta de um novo mercado para os antibióticos. além do tratamento de infecções. O acaso teria um grande papel na descoberta de um novo mercado para os antibióticos.

Fig.2.FoodAntibiotics

Figura 2. Propaganda da penicilina durante a Segunda Guerra Mundial. Fonte A , Fonte B

Após a descoberta da estreptomicina por Albert Schatz e Selman Waksman em 1943, uma infinidade de empresas farmacêuticas começou a descobrir novos antibióticos a partir de bactérias do solo. Cientistas do Lederle Laboratories of American Cyanamid descobriram uma vez essa bactéria, que formou colônias douradas e produziu um antibiótico dourado. Eles o chamaram de Streptomyces aureofaciens(o fabricante de ouro), aludindo à esperança de que isso possa trazer ouro de verdade para a empresa. O antibiótico, a primeira das tetraciclinas descobertas, foi batizado de aureomicina. Ao mesmo tempo, em Lederle, Thomas Jukes e Robert Stokstad estavam envolvidos em tentativas de encontrar uma cura para a anemia perniciosa (agora conhecida por ser causada por uma deficiência de vitamina B12). Eles desenvolveram um sistema de modelo animal para a doença usando galinhas recém-nascidas e mantendo-as em uma dieta de fome. Essas galinhas poderiam ser resgatadas por extratos de fígado e a atividade de resgate foi mais tarde demonstrada ser devida à vitamina B12. Em busca de fontes de atividades semelhantes, eles também alimentaram as galinhas com os resíduos que sobraram fermentações de S. aureofacien.  No dia de Natal de 1948, como seu técnico estava em casa para o feriado, Jukes entrou para ver como estavam suas galinhas. As sobras da fermentação de S. aureofaciens resgataram as galinhas da morte certa. O mais impressionante é que essas galinhas eram muito maiores e mais gordas do que o grupo de controle. Logo depois disso, Jukes mostrou que a promoção do crescimento se devia às pequenas quantidades de aureomicina na ração. Assim, por acaso nasceu a prática de usar doses subclínicas de antibióticos para promover o crescimento animal.

Em 9 de abril de 1950, os cientistas do laboratório Lederle anunciaram seus resultados na reunião anual da American Chemical Society. Aqui estão algumas das declarações do artigo do New York Times cobrindo o anúncio, intitulado ‘Droga Maravilha’ Aureomicina encontrada para estimular o crescimento de 50%.

“Acredita-se que a descoberta do novo papel da aureomicina, descrita no anúncio como ‘espetacular’, tem um enorme significado de longo prazo para a sobrevivência da raça humana em um mundo de recursos cada vez menores e populações em expansão.”

“Cinco libras de um produto não purificado, vendido a 30 a 40 centavos de dólar a libra, quando adicionado a uma tonelada de ração animal, afirma o relatório, ‘aumentou a taxa de crescimento dos suínos em até 50 por cento.’ Resultados semelhantes foram obtidos em galinhas e perus. “

“Investigações clínicas em humanos, para verificar a possibilidade de que os poderes nutricionais até então insuspeitados da aureomicina também possam ajudar no crescimento de crianças desnutridas e subdimensionadas, além de estender o suprimento mundial de carne e diminuir seu custo, estão em andamento, afirma o relatório. . “

E, finalmente, “Nenhum efeito colateral indesejável foi observado.”

A corrida para produzir mais proteína animal e mais barata acabava de receber um grande impulso, que levaria os humanos a um consumo cada vez maior. Isso estava de acordo com a mentalidade da época, com pouca ou nenhuma consideração pelas possíveis consequências ecológicas. Avance até os dias de hoje e parece não haver fim à vista para o aumento contínuo na tonelagem de antibióticos produzidos e usados ​​anualmente, apesar de tantas tentativas mundiais de desacelerar as coisas.

Fig.3.FoodAntibiotics

Figura 3. Manchete da primeira página do New Times anunciando aureomicina como um promotor de crescimento animal. Fonte

Apesar da perspectiva sombria, acho que há motivos para nos sentirmos pelo menos um pouco otimistas em relação ao futuro. A mentalidade do mundo mudou drasticamente para incluir as implicações ecológicas das práticas de produção de alimentos. Para muitas pessoas, a mudança climática está agora na frente e no centro como uma questão chave. Eles estão, portanto, se tornando cada vez mais cientes dos custos ocultos (o que os economistas chamam de ‘ externalidades negativas) dos alimentos que consomem. Mesmo assim, a demanda por proteína animal barata continua crescendo e os produtores, para se manterem competitivos, devem manter o fornecimento por meio de práticas intensivas. A solução, ao que parece, não será apenas por meio de medidas legislativas. Não, as fontes que fornecem proteína barata que os consumidores desejam consumir precisam ser substituídas de animais por vegetais e fungos. E é aí que vejo motivos para estar otimista. Começando com a Impossible Foods de Pat Brown e continuando com um grande número de novas empresas, há uma clara mudança em direção à produção de fontes alternativas de proteína muito saborosas que podem algum dia reduzir a carga no planeta atualmente causada pela produção intensiva de proteína animal. Uma vez que os micróbios, sem dúvida, estarão envolvidos, espero estar falando sobre o progresso nessa área em um futuro próximo.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo blog “Small Things Considered” [Aqui!].

Anistia Internacional reúne mais de 57 mil assinaturas para exigir que a JBS pare de comprar gado ilegal da Amazônia

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Com índices de desmatamento batendo recordes sucessivos e quando os olhos do mundo se voltam cada vez mais para a Amazônia brasileira, nesta quarta-feira, 28 de abril, a Anistia Internacional promove ações de pressão no Brasil e em outros países onde o movimento atua, para exigir que a JBS pare de comprar gado bovino que tenha pastado ilegalmente em área protegidas na floresta amazônica.

Entre as avenidas e ruas de São Paulo, um caminhão estilizado contendo réplicas de gado bovino vai circular com mensagens como “Comprar gado ilegal é financiar a violação de direitos humanos na Amazônia” e seguirá em direção à sede da empresa, na Av. Marginal Direita do Tietê, nº 500. Eletronicamente serão entregues, 57.471 assinaturas de pessoas de 84 países da petição “Diga à JBS para não comprar gado ilegal da Amazônia”, à diretoria da empresa. Neste 28 de abril será realizada a Assembleia Anual de Acionistas da empresa e a Anistia Internacional escolheu esse dia para chamar a atenção investidores da JBS para as violações de direitos humanos que a atividade da empresa, se não devidamente monitorada, pode contribuir.Ação JBS Paulista 3 Miguel CastañoAnistia Internacional Brasil

Na terça-feira, 27 de abril, às 17h, a Anistia Internacional vai se reunir remotamente com Marcio Nappo, Diretor de Sustentabilidade da JBS e Alexandre Kavati, da área de monitoramento de fornecedores da empresa, para marcar também essa entrega das adesões à petição e cobrar da empresa quais as ações estão sendo realizadas e previstas para a proteção e garantia dos direitos humanos na sua cadeia direta e indireta de fornecimento.

“A conservação da Amazônia passa também pela proteção das populações que habitam a região. Exigimos o fim das violações de direitos humanos de brasileiros e brasileiras que vivem lá. Como sociedade civil organizada, a Anistia Internacional se une as mais de 57 mil pessoas no mundo para cobrar medidas efetivas da JBS para que informações sobre sua cadeia de fornecimento sejam transparentes e que seus negócios não ponham em risco nenhum indígena ou morador dessas áreas protegidas”, afirma Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil.

Direcionada ao CEO da JBS, a petição, lançada em julho de 2020, exige que a empresa implemente um sistema de monitoramento eficaz, incluindo seus fornecedores indiretos, até o final de 2020; a JBS deve corrigir, por si mesma ou em cooperação com seus fornecedores, os abusos e violações de direitos humanos sofridos por povos indígenas e moradores de áreas protegidas e ainda deve compensar, em cooperação com seus fornecedores, as comunidades indígenas e das reservas por danos ambientais causados pela pecuária comercial ilegal em suas áreas protegidas. As medidas, no entanto, não foram adotadas.

“A JBS precisa assumir um compromisso público em parceria com seus fornecedores, para indenizar indígenas e moradores das áreas protegidas onde houve criação de gado ilegal. A criação de gado ilegal favorece outras práticas também associadas às violações de direitos humanos como a grilagem, a invasão de terras e o desmatamento. Os olhos do mundo estão voltados para a Amazônia e a Anistia Internacional também chama atenção para as pessoas que vivem sob ameaças constantes, nesses territórios”, aponta Jurema.

O relatório

A Anistia Internacional lançou a petição junto com o relatório Da Floresta à Fazenda , que denunciou a presença de gado criado de forma ilegal em áreas protegidas da floresta amazônica brasileira na cadeia de fornecimento da maior produtora de carne bovina do mundo.

O relatório revelou que, em 2019, a empresa comprou gado criado em fazendas ilegais no estado amazônico de Rondônia. Localizadas em áreas protegidas, essas fazendas operavam ilegalmente na terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau e nas Reservas Extrativistas do Rio Jacy-Paraná e Rio Ouro Preto.

“Apresentamos neste documento uma associação entre destruição da floresta, a criação de gado e violações de direitos humanos que precisa parar urgentemente”, aponta Jurema.

Horas após a divulgação do documento, o Ministério Público Federal em Rondônia anunciou que iniciaria uma investigação sobre as conclusões da Anistia Internacional sobre a JBS. Alguns dias depois, um ex-auditor que monitorava a cadeia de suprimentos da JBS acusou a empresa de alegar falsamente que suas operações na Amazônia brasileira são livres de desmatamento. Em 28 de julho, a principal casa de investimentos europeia Nordea Asset Management retirou a JBS de seu portfólio por causa de ligações com desmatamento na Amazônia.

Ao não monitorar efetivamente a entrada de gado bovino em sua cadeia indireta de fornecimento, a JBS falhou na adoção de um processo adequado de devida diligência como estabelecido nos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos . De acordo com os Princípios Orientadores da ONU, a JBS contribui para abusos de direitos humanos dos povos indígenas e comunidades tradicionais residentes em reservas extrativistas ao participar nos incentivos econômicos para o gado bovino criado ilegalmente em áreas protegidas, afirmou, à época, a Anistia Internacional.

Em 23 de setembro de 2020, a JBS anunciou que iria introduzir um novo sistema para monitorar seus fornecedores de gado, incluindo seus fornecedores indiretos, até 2025. A Anistia Internacional considera esse cronograma muito distante. Em novo anúncio, em 23 de março de 2021, a JBS estabeleceu um “compromisso de atingir as emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) até 2040”, incluindo uma promessa de “atingir o desmatamento zero em sua cadeia de fornecimento global até 2035”.

“Desde 2009 a JBS está ciente dos riscos de que o gado pastado ilegalmente em áreas protegidas pode entrar em sua cadeia de abastecimento, e já se comprometeu a monitorar seus fornecedores indiretos até 2011, o que não ocorreu como mostra o relatório da Anistia Internacional. A Anistia Internacional reafirma que a JBS deveria ter implementado a devida diligência e medidas preventivas até o final de 2020. Os compromissos assumidos pela empresa precisam ser efetivos na prática e devem ser percebidos por quem vive na Amazônia”, aponta Jurema.

Está tudo conectado

A Amazônia brasileira tem ganhado destaque mundo afora nos últimos anos, mas não pela riqueza da sua biodiversidade, e sim por uma mistura preocupante: desmatamento, queimadas e atividade pecuária. Está tudo conectado, como a Anistia Internacional vem alertando desde 2019.

O relatório “Da Floresta à Fazenda” é o terceiro trabalho de um diagnóstico que a Anistia Internacional desenvolve na Amazônia brasileira desde o começo de 2019. E dá continuidade à pesquisa anterior realizada pela Anistia Internacional, em áreas protegidas da Amazônia, alertando para o risco iminente de conflitos e desmatamento documentando violência contra povos indígenas expondo a pecuária bovina como o principal fator que impulsiona a nova onda de desmatamento da floresta.

As queimadas na maior floresta tropical do mundo, que em 2019 mobilizaram políticos e artistas estrangeiros a exigir a proteção da Amazônia, foram só o começo de uma equação que gera prejuízo ambiental e social. A maioria desses incêndios faz parte de um processo mais amplo pelo qual a floresta amazônica é convertida ilegalmente em áreas de pastagem de gado, apontou o relatório Cercar e trazer o boi: pecuária bovina ilegal na Amazônia” .

Além das queimadas, o desmatamento, que acumula recordes contínuos nos últimos anos, abre caminho para violações de direitos humanos como a grilagem e a invasão de terras, que são executadas com métodos violentos e ameaças de morte.

“A Anistia Internacional reforça que está tudo conectado: queimadas, desmatamento e a atividade pecuária na Amazônia. Todas essas ações geram graves violações de direitos humanos que precisam parar urgentemente. É obrigação dos governos estaduais e federal investir em fiscalização e incentivar a proteção da floresta. E empresas que atuam na região, como a JBS, também devem se unir para exercer suas atividades de forma econômica, social e ambientalmente seguras”, explica Jurema.

Serviço

Ação #GadoIlegalNÃO

Dia: 28 de abril março de 2021

Hora: Das 08h30 às 16h30

Itinerário: Sede JBS (Av. Marginal Direita do Tietê, 500 – Vila Jaguara), Av. Paulista, Pacaembu, Largo do Batata – Pinheiros, Av. Faria Lima, Av. Paulista, Ibirapuera, Sede JSB

Europeus querem diplomacia climática com a China, indica pesquisa

climate diplomacyUma tela mostra imagens de notícias do presidente chinês Xi Jinping participando de uma cúpula em vídeo sobre mudança climática com a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron, em uma rua comercial de Pequim na sexta-feira, © REUTERS

O público em seis países europeus quer que seus governos priorizem a mudança climática nas relações com a China, indica uma nova pesquisa do Instituto YouGov. A pesquisa foi encomendada pelo think tank E3G e foi realizada na Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Polônia e Reino Unido em abril de 2021.

Em média, nos seis países pesquisados, 7 em cada 10 (72%) pessoas acreditam que abordar a mudança climática deveria ser uma prioridade muito ou bastante alta na política externa de seu país em relação à China.

Mesmo nos países em que foram identificadas opiniões predominantemente negativas sobre a China (Alemanha, Dinamarca, França e Reino Unido), o público sente que a mudança climática deveria ser uma alta prioridade para o envolvimento de seu país com o gigante asiático.

No total, mais pessoas indicaram que a mudança climática é uma prioridade muito alta (40%) do que aqueles que veem a criação de novos acordos comerciais como uma prioridade muito alta (18%). 
 
A pesquisa chega em um momento em que a cooperação sobre o clima com a China – maior emissor do mundo com uma participação de 27% nas emissões globais – é percebida como estando encolhendo.
 
“Esta pesquisa fornece provas claras de que, apesar das tensões emergentes entre a União Europeia e a China, a maioria dos europeus acredita que o clima deve ser uma das prioridades na agenda de política externa com a China, juntamente com as preocupações sobre direitos humanos e o desenvolvimento de uma resposta global à COVID-19”, afirmou Nick Mabey, Chefe Executivo do E3G.

“Embora o público europeu pense que a diplomacia climática com a China é importante, eles também esperam que a China produza mais para cumprir suas ambiciosas metas climáticas” diz Byford Tsang, Assessor Sênior de política do E3G. “A União Européia, os Estados-Membros e o governo do Reino Unido devem continuar engajados com a China na implementação de ações climáticas de curto prazo, incluindo uma moratória sobre a construção de usinas elétricas a carvão no país e no exterior”.

Relação China-EUA

A China foi o primeiro país, após os Estados Unidos, a falar durante a Cúpula de Líderes Climáticos convocada pelo presidente Joe Biden. Embora nenhuma nova meta formal tenha sido anunciada, Xi Jinping disse que a China “limitaria estritamente o aumento do consumo de carvão no 14º período do plano quinquenal e o reduziria gradualmente no 15º período do plano quinquenal”.

Dias antes, em 18 de abril, EUA e China divulgaram uma declaração conjunta sobre suas metas climáticas. Nela, a China concorda em trabalhar metas mais ambiciosas nesta década e em entregar planos de descarbonização de longo prazo em linha com a neutralidade de carbono líquido zero na COP26, que será realizada em novembro, na Escócia.

Os resultados da pesquisa realizada com os europeus estão alinhados com os dados de outra pesquisa de opinião , feita nos EUA, em dezembro do ano passado pelo Asia Society Policy Institute. O estudo indicou que a maioria dos americanos apoia a cooperação com a China para enfrentar a mudança climática e reduzir as emissões.

Movimento Setorial da Moda diz Não ao PL PL do Veneno e cria abaixo-assinado para pressionar o congresso nacional

abaixo assinado

Em meio ao pior momento da pandemia do Coronavírus no Brasil, a bancada ruralista vê oportunidade de aprovar o PL 6299/02. Conhecido como PL do Veneno, sua proposta é flexibilizar o processo de aprovação de novos agrotóxicos, mudar critérios de avaliação, banir o termo “agrotóxico” e encontrar brechas para liberar produtos que a atual legislação proíbe. 

Proposto pela frente parlamentar formada por empresários do agronegócio, o PL impacta diretamente a vida da população, mas foi construído de forma unilateral, sem qualquer diálogo com a sociedade. Os principais argumentos em favor do PL já foram rebatidos por uma série de especialistas. A Anvisaa Comissão de Direitos Humanosa Abrascoa Fiocruz e uma série de entidades já se posicionaram contra a aprovação do projeto. 

O que o PL 6299/02 tem a ver com a moda? 

O Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do planeta e o algodão é a quarta cultura que mais consome agrotóxicos, sendo responsável por aproximadamente 10% do volume total de pesticidas utilizado no país. Entre os agrotóxicos mais utilizados está o glifosato, que pode causar diversos efeitos na saúde, como aborto espontâneo e câncer. 

O Brasil é também um grande exportador de celulose solúvel, matéria-prima para a produção de viscose. As culturas de eucalipto e algodão utilizam de 7 a 10 tipos dos agrotóxicos mais vendidos no Brasil, respectivamente. Entre os mais utilizados está o acefato, na 4º posição, com alto potencial carcinogênico e o Imidacloprido, na 7ª posição, considerado um dos mais fatais para abelhas, polinizadoras importantes, o que gera preocupação tanto do ponto de vista econômico, quanto socioambiental. 

Mas o uso de agrotóxicos não impacta apenas as comunidades próximas. A exposição cumulativa aos agrotóxicos deve ser considerada visto que alguns compostos amplamente utilizados podem permanecer presentes em organismos, água e solo por muitos anos.

Alerta para a moda! O que acontecerá se o PL for aprovado

Desinforma o consumidor: ao retirar as sinalizações de perigo das embalagens, alterando o nome dos produtos para “defensivos agrícolas” ou “produtos fitossanitários” no lugar de “agrotóxicos”, o PL demonstra uma tentativa de apresentar os agrotóxicos como produtos benéficos, e não tóxicos.

Riscos reais à saúde de trabalhadoras e trabalhadores: em 2018um estudo feito com mulheres expostas ao glifosato em Uruçuí, no sul do Piauí, região de cultivo de soja, milho e algodão, estimou que uma em cada quatro grávidas da cidade sofreu aborto espontâneo e que 83% das mães tenham o leite materno contaminado.
Ameaça a exportação do algodão brasileiro: a Europa e Estados Unidos caminham em um movimento de redução de agrotóxicos, sendo que produtos proibidos lá são os mais vendidos por aqui. Em curto prazo, a mudança deve afetar o próprio negócio de exportação das commodities brasileiras, como enfatizou a pesquisadora da Universidade de São Paulo – USP, Larissa Bombardi, durante o Ciclo de Debates Sobre Agrotóxicos, da Assembléia Legislativa de São Paulo, ocorrido no dia 05/05/2021, a aprovação do PL 6299/02 como estratégia de negócio é um “tiro no pé”.

Apoiados em fontes e dados irrefutáveis, nos posicionamos contra o PL 6299/02 e em favor de uma Moda Sem Veneno. Somos designers, empresárias, professoras, cientistas, estilistas, criadoras, comunicadoras, ativistas, militantes, jornalistas, consumidoras, costureiras, pesquisadoras, etc. Somos pessoas a favor da ciência e da tecnologia como ferramentas de promoção da vida. 

As petições demonstram a preocupação da sociedade e são utilizadas para pressionar congressistas a votarem contra a aprovação do PL. O grupo organizador irá entregar as assinaturas formalmente à Frente Parlamentar Ambientalista. Assine e compartilhe este abaixo-assinado e junte-se à luta de diversas organizações e indivíduos contra a aprovação do PL do Veneno. 

Referências e mais informações sobre o PL 6299/02, acesse: 

Relatório: Fios da Moda: Perspectivas Sistêmica Para a Circularidade;
Dossiê: Impactos dos Agrotóxicos na Saúde;
Publicação :Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia;
Reportagem: Bancada Ruralista retoma PL do Veneno;
Reportagem : Um Aborto a Cada 4 Grávidas;
Entrevista: Glifosato: um provável carcinógeno aprovado no Brasil. 

Articulação : Modefica, Fashion Revolution, Rio Ethical Fashion 

Organizações que apoiam esta petição: 

  • Regenerate Fashion
  • Voice176
  • Design Ativista
  • Mídia Ninja
  • Brasil Eco Fashion Week 
  • Marcha das Margaridas
  • Banco de Tecido
  • Flavia Aranha
  • CNTRV CUT
  • Textile Exchange
  • Think Blue
  • Puxadinho
  • Comas
  • ReRoupa
  • Cooperativa Justa Trama
  • Georgia Halal
  • Joaquina Brasil
  • Jorge Feitosa

Nomes dos parlamentares a serem pressionados :

  • Arthur Lira (PP/AL), líder na Câmara e membro da FPA; (dep.arthurlira@camara.leg.br);
  • Deputado Federal Sérgio Souza, presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) (eleito em 3/02/2021); (dep.sergiosouza@camara.leg.br);
  • 280 membros da FPA;
  • Ministra da Agricultura Tereza Cristina (mais de mil agrotóxicos aprovados na gestão – recorde); (agenda.gm@agricultura.gov.br); 
  • Dep. Luiz Nishimori (PR-PR) (favorável) – (dep.luiznishimori@camara.leg.br); 
  • Luis Carlos Heinze (PP-RS): (sen.luiscarlosheinze@senado.leg.br);
  • Alceu Moreira (MDB-RS): (dep.alceumoreira@camara.leg.br);
  • Celso Maldaner (MDB-SC): (dep.celsomaldaner@camara.leg.br); 
  • Zé Silva (SD-MG): (dep.zesilva@camara.leg.br)

Quem desejar aderir ao abaixo-assinado promovido pelo Setor da Moda, basta clicar [Aqui!].

Além de ultraneoliberal, Paulo Guedes agora se revela ser anti-ciência

paulo guedes

Reprodução/TV Globo. Paulo Guedes, ministro da Saúde, sendo vacinado com a CoronaVac

O dublê de banqueiro e ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, vinha mantendo uma fachada de não ser anti-ciência como o presidente Jair Bolsonaro.  Em diferentes ocasiões, Guedes destoou de Bolsonaro ao ligar a realização de uma campanha de vacinação em massa à retomada da economia. Com isso, o banqueiro/ministro se manteve em uma posição que o mantinha relativamente a salvo das críticas dirigidas contra as posturas anti-científicas do presidente da república, enquanto seguia aplicando seu receituário ultraneoliberal que está reconduzindo à miséria extrema milhões de famílias brasileiras (ver vídeo abaixo).

Erro
Este vídeo não existe

 Mas sabe-se lá por quê, Paulo Guedes decidiu tirar a máscara, e em uma reunião do Conselho de Saúde Complementar, que estava sendo gravada,  decidiu afirmar que o “chinês inventou o vírus”, mas que a “vacina chinesa” é menos efetiva que a dos americanos.  Com isso, Guedes se alinhou completamente ao negacionismo e ao discurso anti-ciência de Jair Bolsonaro. 

É preciso lembrar que uma delegação organizada pela Organização Mundial da Saúde, que inspecionou inclusive o mercado onde o Sars-Cov-2 primeiro apareceu em Wuhan, e não concluiu que fosse possível ligar o surgimento da pandemia a algum tipo de manipulação realizada em laboratório. Além disso, a maioria da comunidade científica tem rejeitado a tese da produção artificial do novo coronavírus, na medida em que esta família de vírus está presente em populações de animais, especialmente de morcegos (estes sendo considerados como os mais prováveis hospedeiros originais do Sars-Cov-2) e pangolins. 

Além disso, já é sabido que a instalação de megafazendas industriais na China tem possibilitado o ambiente ideal para que haja o surgimento de novas variantes de coronavírus que têm logrado desenvolver a capacidade de infectar sres humanos.  São essas fazendas e a destruição dos habitats naturais de morcegos e pangolins que estão mais provavelmente por detrás da atual pandemia.

Nesse sentido,  as razões para Paulo Guedes aderir à tese do “vírus chinês” podem estar mais ligadas às suas necessidades pragmáticas para se manter à frente do Ministério da Economia, para continuar aplicando sua receita ultraneoliberal, do que uma crença propriamente dita de que isto seja verdade e não apenas mais uma teoria da conspiração dos negacionistas com quem convive no governo Bolsonaro.

Entretanto, com essa adesão Paulo Guedes também mostra que, além de ser ultraneoliberal, ele também é anti-ciência, o que, aliás, não tem nada de incoerente. Aliás, muito pelo contrário.

Anvisa: que os critérios das vacinas sejam usados para os agrotóxicos

agrotoxicos

No dia de ontem, a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu de forma unânime o uso da vacina Sputnik V , produzido pelo Instituto Gamaleya, e impediu um esforço importante para aumentar a quantidade de imunizantes disponíveis para os brasileiros. O curioso é que a Sputnik V já está sendo usada de forma ampla em diversos países do mundo, incluindo a Argentina que agora está produzindo internamente a vacina  russa. Mas é preciso lembrar que outros países com grande contingente populacional como o Paquistão e o Vietnã também estão fazendo uso da Sputnik V, sem que haja qualquer notícia de efeitos colaterais ou de baixa eficácia contra o Sars-Cov-2.

As razões levantadas pela diretoria da Anvisa são em sua maioria de natureza burocrática, causando uma reação natural dos fabricantes da Sputnik alegue que, na prática, a proibição tem um caráter político, visto que os EUA já se manifestaram claramente contra o uso da Sputnik V pelo Brasil.

Mas deixando de lado as suspeitas em torno das razões pelas quais a Sputnik V está tendo seu uso dificultado, eu me deteria na outra face desta moeda: é que a mesma Anvisa que utiliza argumentos essencialmente burocráticos para impedir que os brasileiros tenham acesso à Sputnik, liberou 1.172 agrotóxicos apenas desde o início do  governo Bolsonaro. E não custa nada lembrar que em torno dos 30% dos agrotóxicos liberados pela Anvisa estão banidos na União Europeia por ter sido apontados como causadores de uma ampla gama de impactos à saúde humana (diferentes tipos de câncer, alterações no funcionamento do sistema glandular, alterações cromossômicas, malformação de fetos, enfermidades do sistema nervoso humano, etc).

De quebra, a Anvisa fragilizou o sistema de avaliação da toxicidade humana dos agrotóxicos e aumentou o grau de tolerância para a quantidade de resíduos presentes nos alimentos e na água de consumo. Com isso, a Anvisa contribuiu para que os brasileiros estão mais expostos às consequências devastadoras de substâncias altamente tóxicos e perigosas que ela mesmo liberou.

Com isso, a minha conclusão é que precisamos cobrar da Anvisa que seus técnicos e diretores usem os mesmos critérios aplicados na aprovação de vacinas contra a COVID-19 na hora em que são avaliados os venenos agrícolas que outros países já decidiram banir em nome da segurança e da saúde dos seus habitantes.

Em suma: que as estritas regras para a liberação das vacinas que irão proteger os brasileiros da COVID-19 também sejam aplicados na hora de liberar agrotóxicos altamente tóxicos que em um futuro não muito distante se provarão ser um flagelo inclemente para a saúde dos brasileiros.