Histórias de luta e perseverança para manter o Cerrado vivo

Conflitos fundiários, desmatamento e invasões. Este é o retrato que se esconde atrás das paisagens da savana brasileira, o segundo maior bioma da América do Sul e do Brasil

cerrado

Para retratar a cultura e as histórias dos povos e das comunidades tradicionais do Cerrado, a Rede Cerrado – organização composta por mais de 50 entidades da sociedade civil associadas, que conta com o apoio do WWF-Brasil – lança um álbum online (https://redecerrado.org.br/historiasdocerrado/) com o retrato do segundo maior bioma tanto da América do Sul como do Brasil. Trata-se de uma região com belas paisagens, mas que esconde um passado – não muito distante – repleto de tradições e um presente marcado por conflitos fundiários, invasões, desapropriações ilegais e vidas perdidas.

Apesar de sua grandeza, o Cerrado sofre com a perda da riqueza natural, com suas paisagens sendo transformadas em pastos ou lavouras, e com o avanço do desmatamento – que só no último ano foi de cerca de 13%. E o desmatamento contínuo impacta na quantidade de água produzida, armazenada e distribuída pelo bioma, levando ao desabastecimento de cidades e indústrias e ao desaparecimento de espécies nativas de árvores e animais.

Para retratar o dia a dia deste bioma tão ameaçado, a Rede Cerrado está lançando um álbum de histórias de luta e resistência sob o olhar de mulheres que vivem e amam o bioma. “A plataforma é como um retrato da riqueza natural e social do bioma. Buscamos evidenciar a diversidade dos povos e das comunidades tradicionais que lutam pela sobrevivência do Cerrado e de seus modos de vida”, declara Kátia Favilla, secretária-executiva da Rede Cerrado. O Histórias do Cerrado é um desdobramento do podcast Cerrados, lançado pelas duas organizações em junho do ano passado.

Minas Gerais – A primeira fronteira agrícola

É no Norte de Minas Gerais, nas bordas do Cerrado mineiro – uma região plana, com árvores retorcidas, onde a paisagem começa a ressecar e virar caatinga – que encontramos Célia Xacriabá, que com orgulho retrata as árvores floridas e coloridas, como o seu Ipê rosa com a legenda: “ao amanhecer, o Cerrado”. Antigamente, sua etnia habitava as margens do Rio São Francisco, mas acabou tendo que ir para áreas mais secas, sendo que em 1960 foi dada como extinta. Mas a luta de seu povo, ameaçado de perder suas terras, fez o Governo Federal reconhecer e retornar o nome dos Xacriabás à lista dos povos indígenas. Hoje, eles são considerados a etnia mais populosa de Minas Gerais. Assim como outras comunidades tradicionais do Cerrado, os Xacriabás têm sua história marcada por expulsões, desapropriações ilegais e os investimentos das empresas agrícolas.

Goiás – A medicina das plantas

Muita gente desconhece, mas o Cerrado possui uma riqueza imensurável que vem das plantas e do seu povo. Ele não só alimenta os rios que correm em várias direções, mantendo seis das oito grandes bacias hidrográficas brasileiras – mas também oferece recursos fitoterápicos com sua rica biodiversidade de folhas, raízes e cascas. A medicina popular é resultado da riqueza natural e de conhecimentos seculares, que foram passados de geração em geração. É em Goiás, na comunidade do Cedro, que encontramos as farmácias comunitárias ou caseiras e a D. Lucely Pio, quinta geração de descendentes de escravos que resiste e mantém viva as tradições de seu povo. Graças à conservação de algumas partes do bioma, D. Lucely ainda trabalha com ervas do tempo de seu tataravô. Para ela, a conservação do bioma é fundamental para a continuidade do modo de vida. Apesar de sua luta em preservar o meio ambiente, estima-se que o Cerrado goiano esteja com 90% de sua vegetação nativa alterada, resultado do desmatamento e do avanço do cultivo de monoculturas agrícolas e criação de gado.

Piauí – Terra sem Lei

Conhecida como a “última fronteira agrícola do Cerrado”, o Matopiba – formado por áreas majoritariamente de Cerrado nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – é uma das regiões mais cobiçadas pelos plantadores de soja e tradings internacionais. Localizada no Sul do Piauí, entre os municípios de Bom Jesus e Currais, vive Claudia Regina dos Santos – uma ativista que há mais de 20 anos atua na defesa dos direitos das comunidades rurais e que tem a vida marcada pelos conflitos agrários, contabilizando na sua trajetória cinco ameaças de morte. Trata-se de uma região fortemente atingida pela disseminação do cultivo da soja, desde a década de 70. E que entre 2000 a 2014 saltou de 1 milhão para 3,4 milhões de hectares, um crescimento de 253%. Ou seja, degradação da vegetação nativa do Cerrado e a transformação da paisagem em lavouras. Paralelo ao potencial de produção da região estão também as disputas por terra, falta de documentação e os conflitos socioambientais.

Mato Grosso – O rolo compressor

É no leste de Mato Grosso, na aldeia Namunkurá – na terra indígena São Marcos – que vive Tsitsina Xavante e parte do povo Xavante – autodenomidado A’uwe Uptabi, o mais populoso do estado. Uma área de 188 hectares cercada por árvores altas e escuras, e pelas nascentes das bacias Amazônica e Tocantins-Araguaia, consideradas duas das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul. Apesar das terras indígenas serem demarcadas, isso não garante qualidade de vida e equilíbrio ambiental. Muito pelo contrário. Estamos falando da região que mais produz soja e que tem o maior rebanho de gado de corte no Brasil e, consequentemente, com altas taxas de desmatamento. As áreas do entorno começaram a ter suas águas e animais, que são a base alimentar das aldeias, contaminados pela utilização de fertilizantes e herbicidas das fazendas, além dos sistemas de pulverização que atingem, diretamente, as comunidades indígenas e as populações rurais. O índice de exposição aos agrotóxicos é sete vezes maior no Mato Grosso em comparação com o resto do país, de acordo com dados do Ministério Público do Trabalho, de 2015. A falta de recursos, a ausência de investigação científica e do interesse político são refletidas na saúde da população como nos casos de má formação congênita em bebês nas cidades mais expostas aos defensivos agrícolas.

Maranhão – As florestas de palmeiras

É na região de transição do Cerrado para a floresta Amazônica que estão as palmeiras de babaçu, também chamadas de “mãe de leite”, que há gerações garantem o sustento das comunidades rurais. É lá que encontramos as quebradeiras de coco: mulheres que carregam a centenária tradição do extrativismo sustentável do nordeste brasileiro, como Rosalva Silva – moradora da comunidade rural Palmeirândia, no interior do Cerrado maranhense. Há 90 anos, camponesas que vivem no interior do Pará, Maranhão, Piauí e Tocantins sustentam suas famílias a partir do coco babaçu. Estima-se que 300 mil mulheres estejam neste ofício, sendo a maioria do Maranhão. Mas os conflitos por terras, desde a década de 60, com o leilão de áreas públicas e depois com a chegada do agronegócio mecanizado, restringiu o espaço das famílias locais para terrenos menores e longe das florestas de babaçu, mudando a produção das comunidades tradicionais e transformando as paisagens. Mas a luta desse povo e a presença em conselhos nacionais relacionados ao meio ambiente consolidou cooperativas e ajudou a estruturar políticas públicas e a garantir leis de defesa das palmeiras. É delas que se extrai o alimento (bolo, pudim, biscoito, mingau), adubo, artesanato (casca do coco), moradia (palha para cobrir as casas e fazer paredes) e remédio (ação cicatrizante). “Por isso que a gente traz essa nova proposta de ser humano, de produção, de gerar renda e alimento saudável sob a luz da agroecologia. Tudo isso para ajudar nessa oposição que a gente faz ao Matopiba. Para continuar tendo o coco e a vida de quebradeira”, resume Rosalva.

Bahia – A grilagem e a luta pelo território

Lusineide dos Santos, moradora de Cacimbinha, cidade baiana a 130 KM do núcleo urbano de Formosa do Rio Preto, reconhecida como uma das maiores receitas agrícolas do Brasil, relata como a vida nos vales foi transformada com a chegada das grandes fazendas e os conflitos vividos antes da Justiça decidir a posse da terra da comunidade. Água escassa, erosões nas chapadas e o medo de desenvolver doenças causadas pelos agrotóxicos das lavouras vizinhas são problemas diários da comunidade. Há 40 anos empresas de commodities se instalaram na região e hoje contam com uma área forrada de lavouras, conquistadas com investimentos em maquinários e tecnologia para produção mecanizada. Porém, o crescimento do setor e das fazendas de soja tem sido uma experiência traumática para a comunidade. Irregularidades como compra de títulos forjados, invasões, violação de direitos humanos, expulsão de moradores estão entre os principais conflitos na região, deixando os moradores encurralados por lavouras de monocultura. Além destes problemas, a comunidade não conta com energia elétrica e dependem de placas solares que sempre apresentam problemas. Sem falar das estradas esburacadas – rodeadas de plantações de soja. Ou seja, uma região rica do setor agrícola e uma população extremamente pobre, vivendo no isolamento e à luz de velas.

Distrito Federal – Um polo de articulação

É no Distrito Federal, região predominante dentro do Cerrado, que Ipês e outras árvores nativas resistem florindo. Estamos falando da capital do Brasil onde pesquisadores, indígenas, quilombolas, agricultores e raizeiras se reúnem há mais de duas décadas para promover a tradição, fazer reflexões sobre políticas públicas e debater em defesa da conservação do Cerrado. Este é o foco do Encontro dos Povos. É importante lembrar que o bioma concentra oito das 12 regiões hidrográficas brasileiras que abastecem seis das oito grandes bacias hidrográficas do Brasil. Porém, o avanço da monocultura tem afetado os recursos hídricos em várias regiões, onde dezenas de comunidades presenciaram suas nascentes secarem depois da chegada de plantações de eucalipto, por exemplo. Para conter a devastação ambiental, em 2019, comunidades tradicionais apresentaram uma petição na Câmara dos Deputados para transformar o Cerrado e a Caatinga em patrimônio nacional.

Mato Grosso do Sul – A expansão da monocultura

É na simplicidade e no olhar cuidadoso que Rosane Sampaio, moradora do assentamento de reforma agrária Andalucia, reconhece “que tirar todas as plantas para fazer pasto não é o melhor”. Conhecida como Preta, ela é uma referência no conhecimento de práticas sustentáveis para comunidades rurais de Mato Grosso do Sul e líder do Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado . A população que antes enxergava o mato como algo feio e que o retirava para abertura de pastos, hoje atua com agricultura familiar e conta com técnicas de extrativismo, agroindústria de beneficiamento de frutos nativos (baru, bocaiúva, laranjinha-de-pacu, jaracatiá) e castanhas, por meio de um trabalho de conscientização sobre a importância da preservação. O resultado pode ser apreciado nas geleias, polpas, mel de cumbaru, artesanatos, entre outros. Um bom exemplo que prova que não é preciso desmatar para produzir e gerar renda para a população local.

Tocantins -Experiência e coexistência

Conviver coletivamente há mais de 200 anos: é assim a história da comunidade quilombola Mumbuca. Localizada no Cerrado de Tocantins, fora do eixo das grandes metrópoles, no meio do Jalapão, que a população habita a região de maneira harmônica com o meio ambientes e suas riquezas naturais, como o oásis de águas cristalinas, em pleno clima semiárido. A distância dos centros urbanos fez com que muitas gerações ficassem sem certidão de nascimento, mas para os mumbucas o registro estava na fala. “Temos outra lógica do tempo, temos a lógica dos acontecimentos e não de calendários ocidentais”, declara Ana Mumbuca. Para ela, a matriz que orienta seu pensamento vem de lógicas africanas e indígenas, mais conectada a fatos e passagens. Os anos são identificados como “o tempo da grande chuva de granizo” ou “a época em que a lagoa Bilau secou”. E com a sabedoria ancestral, a comunidade desenvolveu sistemas agrícolas e aprendeu a manejar o solo arenoso, as chamadas Roças de Esgoto ou de Rego, de maneira integrada e equilibrada com o bioma, seja na colheita de frutos ou na criação de animais.

São Paulo – A menor porção que há

A região que habita a menor área da savana brasileira já viveu tempos bem diferentes. A capital paulista um dia foi Cerrado. Ela era um ponto de encontro de matas e campos, com várzeas dos rios Tietê e Tamanduateí, ainda na época que as terras eram dos Tupiniquins. Registros apontam que no início do século XX a região tinha 18,2% do território coberto pelo bioma e 100 anos depois menos de 1%. O Cerrado paulista era considerado como um ‘mato qualquer’ e demorou para entrar na agenda de conservação ambiental. Hoje temos apenas mini áreas fragmentadas, ilhas de vegetação frágeis – que não conseguem garantir a perpetuação das espécies endêmicas. E que, sozinhas, não permitem a continuação do ciclo de abastecimento de água. Resistentes ao tempo alguns símbolos como a Cidade da Universidade de São Paulo (USP) – com uma parte alta do terreno com espécies raras do Cerrado – e a área de reserva no bairro do Jaraguá – fechado para a população. Sem falar dos imponentes pés de Ipê, Murici e Araçá.

Paraná – A Savana mais ao Sul

Uma região bastante devastada. O Cerrado no Paraná ocupava cerca de 1% do território do estado, mas hoje estima-se que restem apenas 0,24% da área, sendo que quase a metade está dentro de unidades de conservação. A degradação do bioma é resultado do desmatamento para a agricultura, pecuária e a silvicultura, além da ausência de políticas públicas de proteção ambiental. As principais áreas remanescentes são o Parque Estadual do Cerrado, no norte do Estado, que ainda abriga lobos guarás, tamanduás bandeiras e árvores características do bioma, e a Área de Proteção Ambiental (APA) Escarpa Devoniana com uma paisagem marcante, que une os pinheiros dos campos gerais e os arbustos retorcidos do Cerrado. Outro conflito na região envolve ruralistas e ambientalistas sobre o mapeamento e a utilização da APA, além de uma mineradora que alega que a área não deve ser vista como unidade de conservação.

Sobre a Rede Cerrado

Composta por mais de 50 entidades da sociedade civil associadas, a Rede Cerrado trabalha para a promoção da sustentabilidade, em defesa da conservação do Cerrado e dos seus povos. Indiretamente, a Rede Cerrado congrega mais de 300 organizações que se identificam com a causa socioambiental do bioma.

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira e sem fins lucrativos que trabalha para mudar a atual trajetória de degradação ambiental e promover um futuro em que sociedade e natureza vivam em harmonia. Criada em 1996, atua em todo Brasil e integra a Rede WWF. Apoie nosso trabalho em wwf.org.br/doe

Consulado Geral de Cuba emite nota negando existência do “tour da vacina”, mas site jornalístico de Cuiabá mantém notícia

Homem de máscara protetora diante de muro grafitado

A controvérsia criada por uma postagem do site jornalístico “O Documento” sobre um possível “tour da vacina” que estaria sendo organizado por empresários de Cuiabá (MT) levou ao Consulado Geral de Cuba em São Paulo a emitir uma nota onde desmente de forma firme a mera possibilidade de que o noticiado seja verdade, ressaltando que inexiste qualquer tratativa no sentido de aplicar a vacina Sputnik V nesse grupo de brasileiros bem aquinhoados financeiramente (ver imagem abaixo).

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Por sua vez , o pessoal do “O Documento” emitiu uma nota sobre a repercussão do texto sobre o “tour da vacina”, onde basicamente se reafirma que o informado se trataria de “um furo jornalístico”, mantendo assim o teor do que foi informado, a despeito da negativa do Consulado Geral de Cuba.

Com a publicidade que o caso acabou tendo, o mais provável é que se algo estava sendo realmente planejado para realizar um “tour da vacina” em Cuba, todo essa cobertura serviu para enterrar a chance de que o planejado virasse realidade.

A pandemia da COVID-19 no Brasil: o próximo, por favor

 Com mais de 1.800 mortes por corona por dia, o Brasil tem seu quarto ministro da saúde desde o início da pandemia. É provável que pouca coisa mude.

Virus Outbreak Brazil

Os mortos precisam de espaço: Cemitério em São Paulo, BrasilFoto: Andre Penner / dpa

BERLIN taz |  Queiroga tem tudo para fazer um bom trabalho, disse o presidente Jair Bolsonaro em discurso na noite de segunda-feira (15/03). O que se queria dizer era o recém-nomeado Ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga. O cardiologista é o quarto ministro da saúde desde o início da pandemia e assume o cargo na fase mais dramática.

Com uma média de 1.855 mortes por dia e um total de 280.000 mortes corona, o Brasil está mergulhando cada vez mais na catástrofe corona. Em muitos estados, o sistema de saúde está à beira do colapso. O maior país da América Latina está avançando lentamente com a vacinação.

Muitos culpam o predecessor de Queiroga pelo caos. O general 3 estrelas Eduardo Pazuello, que os críticos também chamam de Pesadello, chefiou o ministério por 10 meses – sem experiência anterior na área de saúde. Como seu chefe Bolsonaro, Pazuello teimosamente minimizou a pandemia e confiou em uma droga ineficaz contra a malária na luta contra o Corona.

Mesmo durante a campanha de vacinação, o suposto especialista em logística cambaleou de uma avaria para a outra. Particularmente constrangedor: seu ministério confundiu os estados do Amazonas e Amapá e mandou vacinas erradas para o norte do país.

Como o suprimento de oxigênio nos hospitais da região amazônica entrou em colapso em janeiro , há até uma investigação contra Pazuello. Ele afirma ter cumprido as decisões do presidente: “É simples: um dá ordens e o outro obedece”, disse ele em outubro.

O novo ministro da Saúde, Queiroga, se pronuncia contra o uso de medicamentos polêmicos e é descrito como um bom negociador. Ele também não acredita em bloqueios e muitos criticam sua proximidade com os filhos do presidente.

Antes de Pazuello, um ministro da saúde havia sido demitido por Bolsonaro por tentar seguir as recomendações da OMS. Outro porque havia se manifestado contra o uso do remédio para malária.

Na segunda-feira, o renomado cardiologista Ludhmila Hajjar recusou a indicação para ministro da Saúde. O motivo: você acredita na ciência. Diz-se que Bolsonaro disse a ela em uma reunião: “Você não vai me foder com um bloqueio no Nordeste e, assim, impedir minha eleição, vai?”

A mudança no Ministério da Saúde provavelmente se deve à pressão do influente bloco de centro-direita. Especialmente depois que o popular ex-presidente Lula pôde concorrer às eleições de 2022 na semana passada , Bolsonaro e seus parceiros estratégicos perceberam que o curso catastrófico da coroa poderia cair sobre seus pés. O adversário da vacinação, Bolsonaro, recentemente se pronunciou a favor da vacinação e moderou um pouco seu tom.

Mas para sua reeleição em 2022, Bolsonaro depende do núcleo duro de seus apoiadores – e eles só se manifestaram novamente no domingo, sem máscaras e sem o devido distanciamento, contra as restrições impostas para conter a disseminação do coronavírus.

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Este texto foi inicialmente publicado em alemão e publicado pelo jornal Taz.de [Aqui!].

Devorando a Amazônia: a atração dos chineses por carne bovina impulsiona as exportações do Brasil

As vendas cresceram 76% no ano passado e não mostram sinais de desaceleração, alimentando a crise ambiental na Amazônia e no Cerrado

boi 1O Brasil é de longe o maior exportador de carne bovina para a China – em detrimento da floresta amazônica. Foto: Paulo Santos / Reuters

Por Dom Phillips no Rio de Janeiro e Michael Standaert em Shenzhen, para o “The Guardian”

Durante o jantar em uma churrascaria movimentada em Shenzhen, Lei Yong e Zhao Xu, dois empresários na casa dos 40 anos, refletiram sobre como o consumo de carne na China mudou drasticamente em suas vidas, especialmente nos últimos 10 a 15 anos.

“Talvez 20 anos atrás, as pessoas em vilarejos e cidades menores não comiam muita carne, mas as das grandes cidades sim”, diz Zhao, referindo-se à movimentada megacidade em que ele e Lei estão criando suas famílias. “Agora, as pessoas nas cidades maiores estão mais preocupadas com a saúde e estão comendo mais vegetais, mas as das cidades menores têm mais dinheiro. Agora eles estão realmente comendo muito mais carne. Eles acham que ser rico significa comer mais carne. ”

A demanda voraz da China ajudou as vendas de carne bovina brasileira a níveis recordes – mas o boom tem um alto custo ambiental .

A economia do Brasil foi duramente atingida pela pandemia do coronavírus e mais de dois milhões de pessoas perderam seus empregos. Mas a agricultura continua a florescer, e o país é o maior exportador de carne bovina do mundo.

O Brasil forneceu 43% das importações de carne da China em 2020, calculou a consultoria Safras & Mercado usando dados do governo, com as exportações de carne bovina ao país crescendo 76% no ano passado em comparação com 2019.

“Houve esse boom”, diz Thiago de Carvalho, professor de agronegócio da Universidade de São Paulo, destacando a qualidade da carne bovina brasileira e seu baixo preço depois que a moeda brasileira, o real, despencou no ano passado. “A carne brasileira está [entre] as mais baratas do mundo.”

As vendas devem subir ainda mais este ano , à medida que a indústria suína da China luta para se recuperar da doença mortal da peste suína africana .

“A necessidade da China de comprar carne no ano passado foi impressionante”, diz Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, que se traduz em Colheitas e Mercado. “O Brasil é mais do que capaz de fornecer o que os chineses precisam.”

Embora os chineses comam menos carne per capita do que os americanos, o consumo aumentou nas últimas décadas , à medida que a economia cresce. Tradicionalmente, a carne favorita da China é a carne de porco, mas em 2018 e 2019 mais da metade dos 440 milhões de porcos do país foram mortos pela peste suína africana ou abatidos para diminuir sua disseminação. As importações de carne bovina aumentaram enquanto a China buscava substituir a proteína.

Pesquisas com consumidores também mostram que mais chineses estão se voltando para a carne bovina. Uma pesquisa com consumidores chineses abastados pela empresa de marketing Meat & Livestock Australia descobriu que um terço havia comido mais carne durante o ano passado.

boi 2As exportações brasileiras de carne bovina para a China aumentaram impressionantes 76% em 2020 em relação ao ano anterior. Fotografia: VCG / Getty

Quase 70% das importações de carne brasileiras da China vieram do Cerrado, a vasta região de savana tropical, e da Amazônia em 2017, de acordo com a Trase (Transparência para Economias Sustentáveis), uma rede europeia que monitora cadeias de abastecimento. Cerca de metade do Cerrado e cerca de 20% da Amazônia brasileira foram desmatados – com um impacto devastador no aquecimento global, pois ambos são importantes sumidouros de carbono .

“A Amazônia forneceu cerca de um quinto das importações da China, mas na verdade é a metade do risco de desmatamento”, diz Erasmus zu Ermgassen, pesquisador da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, e um dos autores de um estudo sobre o impacto das exportações de carne bovina.

“As exportações estão se expandindo para a Amazônia”, diz Zu Ermgassen. “Quando você aumenta a demanda no sistema agrícola brasileiro, você está empurrando a agricultura mais para dentro da floresta.”

Desde 2019, a China licenciou 22 frigoríficos brasileiros para exportação – 14 deles na Amazônia, enquanto quatro estão no extenso estado do Pará, que possui o quinto maior rebanho bovino do Brasil.

Isso teve um grande impacto no preço da carne, diz Maurício Fraga Filho, pecuarista e presidente da associação de pecuaristas do Pará.

Sob o presidente populista de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, que assumiu o cargo em janeiro de 2019, o desmatamento na Amazônia atingiu seu pico em 12 anos . Investidores e grandes empresas brasileiras têm pressionado o governo brasileiro a agir, e fazendeiros como Fraga Filho estão preocupados com potenciais boicotes.

O aumento da demanda nas fazendas do Brasil está empurrando a agricultura ainda mais para dentro da floresta. Foto: Bruno Kelly / Reuters

“Essa é uma grande preocupação”, diz Fraga Filho. “O mercado não deve barrar produtos da Amazônia. Isso será o caos. ”

Ele diz que mais esforços devem ser feitos para ajudar os agricultores a resolver problemas legais, como terras embargadas devido a infrações ambientais, permitindo-lhes fornecer legalmente às empresas de carne. Isso os impediria de vender para um mercado negro que “existe e sempre existiu”, diz Fraga Filho. “Hoje não é mais preciso desmatar.”

Os três maiores exportadores de carne bovina do Brasil – JBS, Marfrig e Minerva – administraram 72% das exportações de carne bovina do Brasil de 2015-17, de acordo com a Trase. Todos os três gastaram muito desenvolvendo sistemas para monitorar seus “fornecedores diretos” – agricultores como Fraga Filho, que vendem para frigoríficos – por infrações ambientais. Mas eles têm sido incapazes de monitorar seus “fornecedores indiretos” – fazendas que criam ou criam gado que abastecem os “fornecedores diretos”.

No ano passado, JBS e Marfrig prometeram monitoramento completo de sua cadeia de suprimentos até 2025 e o Minerva está testando um sistema de controle de seus fornecedores.

Embora a China ainda não tenha mostrado preocupação com a conexão entre as importações de carne bovina brasileira e o desmatamento na Amazônia, há pelo menos sinais de que seu governo quer cortar o consumo de carne , o que melhoraria a saúde pública e reduziria as emissões de carbono. Em setembro passado, o presidente Xi Jinping surpreendeu muitos quando disse que a China pretendia se tornar neutra em carbono até 2060 .

Mas enquanto o mercado para alternativas baseadas em plantas está crescendo , desmamar as pessoas da carne – e a sensação de riqueza que ela traz – pode ser mais difícil do que ele espera.

  • Dom Phillips é bolsista da Fundação Alicia Patterson em 2021

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Empresários cuiabanos adotam slogan da ultra direita e organizam tour para Cuba atrás da Sputnik V

bolso cuba

O slogan “Vai para Cuba” marcou e continua marcando as manifestações públicas que têm sido realizadas desde 2013 e que são normalmente dirigidas a pessoas que possuem posicionamentos políticos identificados com a esquerda. Obviamente, esse slogan tem não apenas um significado hostil para aqueles que lutam por justiça social no Brasil, mas também é claramente marcado pela xenofobia contra o povo cubano.

Eis que agora em meio ao colapso sanitário criado pela combinação da dispersão acelerada do Sars-Cov-2 e a falta de um programa de vacinação em massa no Brasil, um grupo de “empresários, profissionais liberais e autônomos” que vivem na cidade de Cuiabá resolveram adotar o lema e organizar uma espécie de “tour da vacina” em Cuba no qual deverá gastar algo em 3,6 milhões, incluindo uma doação de R$ 1 milhão para o governo cubano (ver imagem abaixo).

vaiparacuba

Essa situação além de demonstrar que a ojeriza a Cuba é boa apenas para organizar o ódio ideológico dentro do Brasil, pois na hora que o calo realmente apertou, os membros da elite e daqueles que a servem diretamente, não apresentam nenhuma hesitação em colocar a mão no bolso para ir até a ilha caribenha onde existe um governo que está cuidando corretamente da sua população e, de quebra, ainda consegue auferir recursos vendendo serviços para estrangeiros que foram deixados na mão por seus próprios governos, como é o caso do Brasil neste momento.

Enquanto isso, milhões de brasileiros pobres continuarão seu confronto injusto e desigual com um vírus que está mostrando uma alta capacidade de causar mortes e sequelas graves ao não poderem tomar o rumo de Cuba. Simples, mas ainda assim trágico e revelador do país em que vivemos.

O esgotamento emocional causado pela pandemia da COVID-19 se tornou galopante na comunidade científica

burnoutTrabalho remoto, atrasos em pesquisas e obrigações de cuidar de crianças estão afetando os cientistas, causando estresse e ansiedade.

Por Virginia Gewin para a Nature

Em sua essência, o burnout é causado por um trabalho que exige um esforço físico, cognitivo ou emocional contínuo e de longo prazo.

Os indicadores da síndrome aumentaram acentuadamente em algumas instituições de ensino superior no ano passado, de acordo com pesquisas nos Estados Unidos e na Europa. Em uma pesquisa com 1.122 membros do corpo docente dos EUA que se concentrou nos efeitos da pandemia, quase 70% dos entrevistados disseram que se sentiram estressados ​​em 2020, mais que o dobro do número em 2019 (32%). A pesquisa, conduzida em outubro passado pelo The Chronicle of Higher Educatione pela empresa de serviços financeiros Fidelity Investments em Boston (EUA), Massachusetts, também descobriu que mais de dois terços dos entrevistados se sentiam cansados, em comparação com menos de um terço em 2019. Durante 2020, 35% ficaram com raiva, enquanto apenas 12% disseram isso em 2019. Os resultados foram divulgados no mês passado.

Mais da metade das pessoas entrevistadas disse que estava pensando seriamente em mudar de carreira ou se aposentar mais cedo. Os efeitos emocionais e outros efeitos do esgotamento relacionado à pandemia foram piores para os professores do sexo feminino: 75% das mulheres relataram sentir-se estressadas, em comparação com 59% dos homens. Em contraste, em 2019, esse número era de 34% para as mulheres entrevistadas. Cerca de oito em cada dez mulheres também indicaram que sua carga de trabalho aumentou como resultado da pandemia, em comparação com sete em cada dez homens. Quase três quartos dos professores do sexo feminino relataram que seu equilíbrio entre vida profissional e pessoal se deteriorou em 2020, em comparação com pouco menos de dois terços dos homens entrevistados.

Uma pesquisa semelhante na Europa oferece um panorama igualmente sombrio, mostrando um aumento drástico nas taxas de estresse e preocupações com a saúde mental na força de trabalho científica acadêmica. Agourentamente, o pedágio da pandemia agora também inclui incerteza desenfreada de carreira.

Enquanto as universidades lutam com as consequências econômicas de fechamentos repetidos, o esgotamento entre os pesquisadores acadêmicos provavelmente continuará por algum tempo em meio a demissões ou congelamento de contratações, dizem pesquisadores do ensino superior. Não existem soluções rápidas ou fáceis para o burnout, especialmente sem um fim à vista para suas causas estruturais subjacentes; os cientistas acadêmicos muitas vezes são deixados para lidar com o melhor que podem (consulte ‘Gerenciando o esgotamento’).

Gerenciando o “Burnout”

Pesquisadores acadêmicos que estão experimentando sintomas de esgotamento em conexão com a pandemia podem tomar algumas medidas para se sentirem melhor. Aqui estão algumas sugestões para atenuar o sofrimento.

Não internalize o esgotamento como um fracasso

Burnout é consequência de um sistema que espera que as pessoas trabalhem muitas horas e sacrifiquem suas vidas pessoais. Esse mesmo sistema costuma enviar a mensagem de que uma semana de trabalho de 40 horas não é suficiente, diz a psicóloga clínica Desiree Dickerson, que trabalha como consultora acadêmica de saúde mental em Valência, Espanha. Muitas vezes, diz Dickerson, os acadêmicos internalizam o burnout como um fracasso. “Isso é impreciso e prejudicial”, diz ela. Além de focar nos pilares da saúde mental – sono, boa nutrição, exercícios, socialização de forma segura – Dickerson incentiva os acadêmicos a encontrarem um fórum por meio do qual possam expressar a dor, a perda, a incerteza, a preocupação e o medo que tantos estão sentindo-me. “[Academia] é uma ultramaratona, não um sprint. Você tem que se controlar ”, diz ela.

Crie maneiras de se livrar do estresse

A chave para períodos de recuperação eficazes é fazer atividades que lhe dêem uma sensação de distanciamento – ler ficção, cozinhar ou sair para uma corrida, diz Rajvinder Samra, professor sênior de saúde na Open University em Milton Keynes, Reino Unido. “Se você está usando a mídia social para conversar com amigos ou família e traz à tona coisas estressantes, isso não é desapego”, observa ela.

Priorize e normalize conversas sobre saúde mental

A pandemia tornou as conversas sobre saúde mental a norma. “Manter nossa saúde mental e dedicar-nos ao autocuidado deve ser uma prioridade de uma forma que não reconhecemos totalmente no passado”, disse Lisa Jaremka, diretora do Laboratório de Relações Próximas e Saúde da Universidade de Delaware em Newark. “Duas ou três vezes por semestre, converso com os alunos sobre folgas e os incentivo a fazer isso”, diz ela. “Eu compartilhei abertamente que fui a um terapeuta muitas vezes na minha vida e como utilizar recursos de saúde mental, se necessário.”

Lute contra o isolamento

A bioinformática Emma Bell – que se identifica como uma pessoa de uma minoria de gênero, uma pessoa de cor, queer, um imigrante e uma acadêmica de primeira geração – tem lutado contra o esgotamento relacionado à pandemia durante seu pós-doutorado no Princess Margaret Cancer Centre, em Toronto, Canadá. Quando a pandemia atingiu o Canadá em março de 2020, Bell morou em Toronto por apenas um ano e perdeu importantes fontes de apoio, incluindo um clube de bioinformática para mulheres e membros de identidades de gênero marginalizadas que vacilavam em um ambiente digital. Bell marcou uma reunião semanal com outro pós-doutorado do grupo para fornecer estrutura e apoio de colegas, e para levantar o ânimo. Mas Bell diz que eles lidaram melhor com o estresse e a incerteza comprando um novo filhote. “Fiz questão de ter animais em meu apartamento para lutar contra o isolamento”, diz Bell.

Campo minado de meio de carreira

Uma pesquisa europeia de autores de periódicos e livros acadêmicos pela De Gruyter, uma editora acadêmica em Berlim, descobriu que os pesquisadores em meio de carreira, principalmente mulheres, foram os mais atingidos pelo estresse relacionado ao trabalho. De acordo com seu relatório de dezembro de 2020, Locked Down, Burned Out : “Para muitos acadêmicos, a pandemia foi, e continua sendo, uma época de grande estresse, insegurança e pressão”.

Equilíbrio trabalho-vida: quebrar ou queimar

Os pesquisadores estão cada vez mais ocupados à medida que a pandemia continua, diz Deirdre Watchorn, gerente sênior da equipe de análises e percepções de De Gruyter. A editora conduziu duas pesquisas: uma em maio passado, envolvendo 3.214 entrevistados de 103 países, e outra em outubro passado, na qual 1.100 pessoas responderam de 78 países. “Uma das maiores mudanças foi quantas horas as pessoas trabalhavam diariamente”, diz Watchorn: as horas da maioria das pessoas aumentaram, em grande parte devido à transição global para o aprendizado digital. A necessidade de acadêmicos ministrarem ensino online pode quase triplicar o tempo de preparação para uma palestra de uma hora, diz Liz Morrish, que pesquisa políticas de ensino superior como bolsista visitante na York St John University em York, Reino Unido. Isso deixa menos tempo para pesquisa.

Além das demandas de ensino online, diz Watchorn, os entrevistados identificaram dois outros impedimentos para conduzir pesquisas acadêmicas como normais: redes profissionais interrompidas e trabalhar em casa, muitas vezes enquanto cuidam de crianças. Os pesquisadores acadêmicos sentem que suas carreiras estão suspensas e as colaborações de longo prazo estão sofrendo como resultado das interrupções da rede e da incapacidade de trabalhar juntos pessoalmente. “Vimos o uso relatado do Twitter aumentar como resultado da pandemia e de pessoas tentando encontrar colaboradores”, diz Watchorn.

Efeito de empilhamento

Thomas Kannampallil, que estuda a tomada de decisões clínicas na Escola de Medicina da Universidade de Washington em St Louis, Missouri, conduziu três pesquisas com médicos estagiários em meados de 2020 para determinar se o esgotamento foi agravado pela exposição a pessoas que foram hospitalizadas com COVID- 19 Na primeira pesquisa, envolvendo 393 trainees trabalhando em dois hospitais dos EUA em abril do ano passado, ele e seus colegas descobriram que aqueles que estavam envolvidos nas respostas médicas de linha de frente à pandemia experimentaram mais estresse e esgotamento do que aqueles que não cuidavam de pessoas com COVID-19 (T.Kannampallil et al . PLoS ONE 15 , e0237301; 2020).

Kannampallil diz que maiores estressores relacionados ao trabalho afetam a habilidade de dissociar do trabalho, resultando em uma menor probabilidade de se envolver em atividades como exercícios, sono e autocuidado que ajudam na recuperação. A carga de trabalho mais pesada, junto com menos capacidade de recuperação, produz um ciclo vicioso, diz Kannampallil. “Você está emocionalmente exausto, mas desconectado, o que cria uma incapacidade de se recuperar e leva a um ‘efeito de empilhamento’”, diz ele.

Um problema inerente

Mesmo antes da pandemia, muitos pesquisadores na academia lutavam com problemas de saúde mental. Desiree Dickerson, uma consultora acadêmica de saúde mental em Valência, Espanha, diz que o burnout é um problema inerente ao sistema acadêmico: por causa de como ele define excelência de forma restrita e como categoriza e recompensa o sucesso. “Precisamos recompensar e valorizar as coisas certas”, diz ela. 

Desiree Dickerson fazendo turismo local em Alcalà de la Jovada.A consultora de saúde mental Desiree Dickerson diz que o burnout é inerente ao sistema acadêmico. Crédito: Vicent Botella Soler

Lisa Jaremka, diretora do Laboratório de Relações Próximas e Saúde da Universidade de Delaware em Newark, diz que as pressões que levam ao esgotamento são institucionais e que as estruturas acadêmicas devem mudar. Os que estão no poder, incluindo administradores universitários, membros de comitês de contratação e presidentes de departamento, precisam mudar as expectativas e definir novas, diz Jaremka.

No entanto, as evidências de liderança empática no nível institucional são escassas, diz Richard Watermeyer, um pesquisador de ensino superior da Universidade de Bristol, no Reino Unido, que tem conduzido pesquisas para monitorar os impactos da pandemia na academia. O conselho performativo dos empregadores para cuidar de si mesmo ou sair um dia da semana sem reuniões para pôr em dia o trabalho é muito superficial, diz ele. Tal conselho não reduz a alocação de trabalho, ele destaca.

E embora muitos financiadores tenham concedido prorrogações para ajudar a aliviar as pressões de prazos, geralmente não há dinheiro extra, acrescenta Srinivas. No lado positivo, no entanto, a pandemia trouxe uma maior aceitação institucional de horários de trabalho flexíveis e proporcionou mais oportunidades para escrever ou passar tempo com a família, diz ela.

Morrish não está otimista quanto à redução das cargas de trabalho em breve. “Todas as universidades estarão sob aperto financeiro, o que significa menos professores e mais carga de trabalho”, diz ela. As demissões estão em andamento desde o ano passado em muitas instituições, incluindo relatos de 17.000 cortes de empregos na Austrália, além de demissões nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

Para pesquisadores acadêmicos que têm o benefício de representação sindical em suas instituições, Morrish recomenda filiar-se a um sindicato e participar de reuniões. Para outros cientistas, diz ela, é importante revisar os contratos. “Fique atento, conheça seu contrato e certifique-se de que a instituição não atropele você.” Samra aconselha que os cientistas acadêmicos atualizem seus currículos com novos conjuntos de habilidades que tiveram de aprender como consequência das mudanças relacionadas à pandemia. “Reconheça e obtenha crédito pelas habilidades que você está desenvolvendo”, diz ela – isso pode levar a melhores perspectivas de emprego no futuro.

Watermeyer acredita que os pesquisadores em início de carreira, em particular, precisam tomar decisões claras agora sobre suas perspectivas futuras de carreira na academia. “A precariedade”, ele avisa, “tende a aumentar”.

Nature 591 , 489-491 (2021)

 
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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pela revista Nature [Aqui!].

‘Bolsonaro não sabe que a Terra é redonda’: como Lula pode reconquistar o Brasil

O tratamento incorreto da pandemia apenas fortaleceu a posição do ex-presidente – e agora ele está livre para concorrer novamente

lula vacinaLula da Silva recebe vacina contra coronavírus em São Bernardo do Campo no último sábado. Fotografia: Reuters

Por Andre Pagliarini para o jornal “The Guardian”

Na quarta-feira, 10 de março, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso de retorno empolgante na sede do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo, um centro industrial na região metropolitana de São Paulo de onde Lula emergiu como uma figura nacional no 1970s. No dia anterior, em uma reviravolta chocante que surpreendeu até mesmo aqueles que estavam convencidos de sua inocência, um juiz do Supremo Tribunal anulou as condenações criminais contra Lula, tornando-o elegível para um terceiro mandato no ano que vem.

A decisão a favor de Lula teria sido uma grande história, mesmo se sua popularidade tivesse diminuído desde que deixou o cargo em 2011. Mas as pesquisas recentes mostram que ele continua surpreendentemente eleito, à frente do titular da extrema direita, Jair Bolsonaro, que venceu as eleições de 2018. Outras pesquisas apontam para uma disputa mais acirrada, o que ainda é notável visto que Lula nem começou a fazer campanha. Lula também liderou as pesquisas há três anos, mas foi impedido de concorrer por um infame juiz que ingressou no governo Bolsonaro. Por sua vez, Bolsonaro, capitão aposentado do exército que serviu sem distinção no Congresso por 27 anos, presidiu uma catástrofe absoluta. Se a maior nação da América Latina já foi tida como modelo para saber como equilibrar o crescimento econômico com a redução dramática da pobreza, sua liderança atual parece perfeitamente satisfeita em ser um pária global (o ministro das Relações Exteriores disse literalmente em outubro passado).

Desde o modo como lida com o meio ambiente e a pandemia, para citar algumas questões importantes, Bolsonaro se mostrou imune à razão. Por isso, Lula parecia tão decidido a reafirmar a primazia dos fatos no discurso político de seu país em seu discurso na semana passada. “É sempre importante reiterar sempre que possível”, declarou ele, “o planeta é redondo … e Bolsonaro não sabe disso”. Ele descreveu todas as medidas que teria tomado se estivesse no cargo quando a pandemia o atingiu, cada medida mais sensata que a anterior. O Bolsonaro continua a minimizar o vírus, mesmo enquanto observadores internacionais temem que o Brasil se torne um centro de disseminação de novas variantes.

Embora não esteja claro se Lula vai realmente concorrer novamente no ano que vem, o simples fato de que ele pode mudou o terreno político do Brasil. Tanto o atual presidente da Câmara, eleito para sua posição de influência com o apoio de Bolsonaro, quanto o anterior, uma figura de centro-direita cujo partido sugeriu que poderia endossar Bolsonaro em 2022, sinalizou uma abertura para a reabilitação de Lula. Esta é uma reversão impressionante em relação a apenas três anos atrás, quando a sociedade brasileira se viu nas garras de uma onda reacionária que responsabilizava os progressistas por todos os males sociais, reais ou imaginários. O reconhecimento que Lula recebeu da esquerda e da direita nos últimos dias pode ser atribuído à sua capacidade de vender uma mensagem conciliatória, enraizada não no confronto ideológico, mas na recuperação dos valores republicanos básicos que Bolsonaro abertamente desdenha.

Um obstáculo flagrante permanece no caminho caso Lula volte a assumir a presidência: as forças do mercado internacional. Conforme noticiado na Bloomberg , a renovada elegibilidade política de Lula “fez com que as ações e a moeda craterassem, aprofundando alguns dos piores desempenhos deste ano”. Em outro lugar, os investidores disseram à Reuters que “a perspectiva de Bolsonaro concorrer contra Lula coloca dois candidatos ‘populistas’ um contra o outro, esvaziando o centro, que é mais fértil para as reformas econômicas de que o Brasil precisa desesperadamente”. Em meio ao aperto de mão dos observadores mais sintonizados com os desejos estreitos dos investidores privados, vale a pena lembrar as diferenças óbvias entre o titular e o candidato a desafiante que, sem sucesso, concorreu à presidência três vezes antes de finalmente rompê-lo em 2002.

Sob o Partido dos Trabalhadores de Lula, o governo federal brasileiro implementou uma enxurrada de políticas federais inovadoras que transformaram a vida de milhões de brasileiros. A pobreza despencou, enquanto o número de graduados aumentou. Bolsonaro, por sua vez, lamenta sua incapacidade de fazer qualquer coisa, ansiando pelos dias de regime militar. Ele demonstra uma atitude irreverente em relação ao bem-estar de qualquer pessoa que não seja parente de sangue. O fato de ele ter conquistado a presidência em 2018 é uma prova não do apelo de sua agenda, mas da erosão da civilidade básica no Brasil. Essa é a comparação a ter em mente à medida que as manchetes aparecem nos próximos meses – e com certeza farão – alertando os investidores para a agenda econômica supostamente preocupante de Lula e seu partido, o mesmo “bando horrível” que uma vez levantou 28 milhões de pessoas saíram da pobreza.

Também houve algumas reclamações de militares aposentados sobre a impropriedade de Lula ser elegível para um cargo público. Para seu grande crédito, no entanto, o vice-presidente Hamilton Mourão, um general aposentado, jogou água fria em qualquer conversa sobre conspiração, dizendo que as pessoas têm todo o direito de votar no ex-presidente. É altamente improvável que uma trágica história de intervenção militar se repita. O retorno de Lula à cena também deixou a centro-direita em desordem. Por exemplo, João Doria, um ex-empresário que cavalgou a cauda do casaco de Bolsonaro até a mansão do governador de São Paulo em 2018, anunciou ele pode não exercer a presidência, afinal, reconhecendo o perigo de dividir o voto da direita. A ação de Doria é uma admissão tácita da capacidade do ex-presidente de atrair o amplo centro da política brasileira.

Como em 2002, quando Lula prometeu uma alternativa social-democrata plausível às privações do neoliberalismo, seu momento pode novamente se provar impecável. Há um ciclo de feedback a seu favor – os números das pesquisas indicam que Lula se sai melhor contra o Bolsonaro entre figuras da oposição, fortalecendo assim sua posição como líder da oposição e levando a números mais altos nas pesquisas à medida que outros eleitores anti-Bolsonaro acorrem ao seu lado. Percebendo esse ímpeto, até mesmo figuras de centro-direita notaram a capacidade de Lula de construir pontes, uma crítica à incapacidade de Bolsonaro de fazê-lo. Talvez seja um sinal de que o establishment que antes apostou no Bolsonaro para manter o Partido dos Trabalhadores de Lula acuado em 2018 esteja chegando, aos trancos, à conclusão de que não vale mais a pena levar o país à beira do colapso.

*Andre Pagliarini é professor de história e estudos latino-americanos no Dartmouth College

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Falta de vacinas e cronograma “para inglês ver” geram caos na vacinação da COVID-19 em Campos dos Goytacazes

Enquanto espero pacientemente pela minha vez de ser vacinado em algum momento de abril ou quiçá maio, estou como plateia de um caos impressionante nas filas organizadas (ou seria desorganizadas?) pelo governo de Wladimir Garotinho para que idosos (e alguns membros de corporações bem organizadas) possam receber a sua dose de uma das vacinações contra a COVID-19 (ver imagens abaixo).

A primeira coisa que salta aos olhos é que o cronograma oficial de vacinação (ver abaixo) é do tipo “para inglês ver”, visto que as filas estão mostrando algo que nem é culpa da gestão municipal, mas do governo federal, que vem a ser o fato básico de que o número de vacinas disponibilizadas é muito aquém do total de pessoas habilitadas e interessadas em serem vacinadas.

CRONOGRAMA

Além disso, é de pouca ou nenhuma utilidade tentar avançar nos grupos etários habilitados a serem vacinados, sem que se conclua a vacinação daquelas pessoas que já receberam a primeira dose. É que, até onde eu sei, no caso da “Coronavac”, o tempo entre a 1a. e a 2a. dose é de 30 dias, coisa que já está ocorrendo para um certo número de pessoas, as quais agora estão correndo o risco de não serem vacinadas no prazo que a fabricante chinesa Sinovac considera a ideal para que a eficácia da sua vacina.

Então, o que me parece mais lógica é concluir a vacinação das pessoas que já estão chegando no tempo limite para receberem a segunda dose da Coronavac, antes que se convoquem outras pessoas.  Já as vacinas da Astrazeneca/Oxford poderiam ser alocadas de uma forma racional que não gere filas intermináveis e que estão servindo mais como “super spreaders” de COVID-19 do que qualquer outra coisa.  Isto sem falar na exposição de pessoas idosas à condições de espera que se aproximam do vexatório.

Finalmente, há que se ressaltar que o principal neste momento seria o prefeito Wladimir Garotinho se somar a todos os prefeitos e governadores que estão na linha de frente para fazer o que o governo federal não está fazendo direito que é garantir a aquisição de um número mais significativo de vacinas.

 

As secas na Europa são mais extremas do que nunca

Falhas na colheita, florestas e rios secos: a Europa experimentou várias ondas de calor violentas nos últimos anos. Um estudo agora mostra como as secas foram ruins em comparação histórica.

Agriculture

Campo na Saxônia (em abril de 2020)Foto: Florian Gaertner / Photothek / Getty Images

Desde 2015, a Europa passou por uma série de verões de seca, alguns dos quais com graves consequências para a natureza. A agricultura sofreu e as florestas também, em alguns lugares até a água tornou-se escassa. Um novo estudo agora sugere que é uma seca de proporções históricas que vivemos nos últimos anos. As secas foram muito mais severas do que nos 2100 anos anteriores, escrevem pesquisadores na revista Nature Geoscience . E esse período extraordinário de seca se deve às mudanças climáticas causadas pelo homem.

Tendência seca. Índice de seca na Europa Central (junho a agosto) de 75 aC Para 2018 DCgrafico seca

* Valores acima de 0 = úmido, valores abaixo de 0 = seco. Fonte: Nature

Para a investigação, os cientistas não olharam apenas os dados meteorológicos nos arquivos. Eles usaram um método específico para analisar os anéis das árvores e, assim, criaram um enorme conjunto de dados que retrata as condições hidroclimáticas na Europa Central desde a época romana até o presente.

A Europa experimentou ondas de calor extremas no verão e secas por volta de 2003, 2015 e 2018. As consequências também fizeram com que o número de mortes por calor disparasse, escreveram os cientistas. Na verdade, um estudo, cujos resultados foram publicados na revista »The Lancet« , descobriu que só na Alemanha em 2018 cerca de 20.200 mortes entre pessoas com mais de 65 anos estavam relacionadas ao calor.

Para esta classificação, Büntgen e seus colegas fizeram mais de 27.000 medições em anéis de árvores de 147 carvalhos, que cobriram um período de 2100 anos (75 aC a 2018). As amostras vieram, entre outras coisas, de vestígios arqueológicos e materiais de construção históricos, mas também de árvores vivas da atual República Tcheca e de partes do sudeste da Baviera.

Arquivo exato do hidroclima

Os pesquisadores então extraíram e analisaram os isótopos estáveis ​​de carbono e oxigênio de cada um dos anéis das árvores. Embora as medições normais dos anéis das árvores sejam limitadas à largura dos anéis e à densidade da madeira, os isótopos estáveis ​​examinados aqui refletem as condições físicas e as reações das árvores a eles. »Os valores de carbono dependem da atividade fotossintética, os valores de oxigênio são influenciados pela água da nascente.

Os dois valores juntos estão intimamente relacionados com as condições da estação de cultivo «, explica o co-autor Paolo Cherubini. Desta forma, os isótopos estáveis ​​dos anéis anuais resultariam em um arquivo muito mais preciso para reconstruir as condições hidroclimas em áreas temperadas, onde os estudos convencionais com anéis anuais muitas vezes falham, acrescenta Jan Esper da Universidade de Mainz.

Na reconstrução, os dados do isótopo do anel de árvore mostraram que, por um lado, havia verões muito úmidos na Europa, por volta de 200, 720 e 1100 DC. Mas também havia verões muito secos, como em 40, 590, 950 e 1510 DC. , o continente tornou-se gradualmente mais seco nos últimos dois milênios.

No entanto, as amostras de 2015 a 2018 revelaram que as condições de seca do verão passado foram muito mais severas do que nos 2100 anos anteriores. “Após séculos de declínio lento e significativo, vimos uma queda drástica, que é particularmente alarmante para a agricultura e a silvicultura”, comenta o co-autor Mirek Trnka. “A morte sem precedentes de florestas em grandes partes da Europa Central confirma nossos resultados.”

Os pesquisadores atribuem o aumento observado em verões excepcionalmente secos ao aquecimento global causado pelo homem e às mudanças associadas na posição da corrente de jato polar. Esta é uma das duas principais faixas de vento que equilibram o gradiente de temperatura entre os pólos e o equador e exercem uma grande influência em nosso clima.

Condições extremas estão se tornando mais comuns

Na verdade, outro estudo internacional mostrou que as ondas da corrente de jato polar (leia mais sobre a corrente de jato aqui ) estagnaram durante o quente verão de 2018 . “As mudanças climáticas não significam que em todos os lugares ficará mais seco: em alguns lugares pode ser mais úmido ou mais frio, mas as condições extremas estão se tornando mais frequentes, o que pode ser devastador para a agricultura, os ecossistemas e a sociedade como um todo”, prevê Ulf Büntgen.

A última apresentação dos dados climáticos do Serviço Meteorológico Alemão (DWD) se encaixa nisto: embora os dados no estudo atual durem apenas até 2018, o DWD anunciou há poucos dias que 2020 foi o segundo mais quente desde o início dos registros meteorológicos Na Alemanha. Os picos de verão acima de 40 graus Celsius, como em 2019, não se materializaram, mas principalmente no período de abril a setembro, que é particularmente importante para o crescimento das plantas, a seca dominou o clima.

joe / dpa

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pela revista Die Spiegel [Aqui!].

Freio na boiada: TCU determina análise da privatização das Flonas de Canela e São Francisco de Paula no RS

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Com base no Processo 038.019/2020-51, que teve como relator o ministro Vital do Rêgo,  o Tribunal de Contas da União (TCU) terminou a análise da primeira etapa da concessão de serviços  (i.e., entrega pra a iniciativa privada) nas Florestas Nacionais (Flonas) de Canela e de São Francisco de Paula, localizadas no estado do Rio Grande do Sul. Na prática, o TCU acaba de colocar um freio no “passa boiada” do ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

É importante lembrar que a partir desse processo de privatização que será conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os serviços de apoio à visitação, ao turismo ecológico, à interpretação ambiental e à recreação em contato com a natureza dessas duas Flonas passarão para a iniciativa privada. 

O TCU analisou os estudos de viabilidade econômico-financeira (EVEFs) do processo de privatização, e já foram identificadas inconsistências nos cálculos de receitas e de custos de obras, o que amplia os riscos de que os futuros concessionários não consigam viabilizar os empreendimentos. 

A partir do que foi observado nas análises feitas nos editais de privatização, o TCU determinou ao Ministério do Meio Ambiente, ao ICMBio e à Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimento, ajustes no edital, de modo a impedir futuros danos a essas duas importantes unidades de conservação que resguardam não apenas áreas de alto valor estético e cultural, mas também de alta importância ecológica para o estado do Rio Grande do Sul.

Como existe um amplo processo de privatização das unidades de conservação em âmbito federal, eu não me surpreenderei nenhum pouco se o TCU voltar a colocar freios nas tentativas de Ricardo Salles de passar a boiada. A ver!