Com criação e direção de Leonardo Brant, filme aborda a reciclagem por meio da reutilização de recursos em forma de design, inovação e arte

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Novo estudo mostra: títulos de empresas de energia fóssil são preferidos pelo BCE
Foto: Bernd Hartung / Greenpeace
Berlim. Ativistas do Greenpeace manifestam-se hoje na sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt, contra a política monetária dos bancos centrais, que é prejudicial ao clima. Depois de pousarem com parapentes, eles rolaram uma grande faixa do telhado do prédio de entrada do BCE com as palavras: “Parem de financiar assassinos do clima!”
Ao mesmo tempo , o Greenpeace publica um novo estudo que mostra, usando o exemplo das garantias de empréstimo aceitas para títulos corporativos, que o BCE favorece maciçamente empresas que são particularmente prejudiciais ao clima. A próxima reunião do conselho com a Comissão Executiva e os presidentes dos bancos centrais europeus terá lugar no BCE na quinta-feira, sob a liderança da Presidente do BCE, Christine Lagarde. »Nosso estudo mostra que o BCE está sistematicamente minando a proteção climática. O Conselho Deliberativo deve apresentar rapidamente uma estratégia de política monetária baseada no Acordo do Clima de Paris ”, afirma Mauricio Vargas, especialista financeiro do Greenpeace.
BCE prefere empresas de energia fóssil
O novo estudo “Tornando o Quadro de Garantias do Eurosistema mais ecológico” analisa o quadro para as garantias de empréstimo aceites pelo Banco Central Europeu. É uma publicação conjunta do Greenpeace e da New Economics Foundation (NEF) e de duas universidades da Grã-Bretanha.
O Greenpeace é particularmente crítico quanto ao fato de que títulos de emissores prejudiciais ao clima se beneficiam de descontos mais baixos ao avaliar o risco, enquanto o BCE classifica os setores mais favoráveis ao clima como mais arriscados e lhes dá descontos maiores. Além disso, o BCE aceita um número desproporcionalmente grande de títulos de empresas de energia fóssil. O estudo sugere três maneiras de reduzir a parcela intensiva em carbono e, portanto, os riscos associados à crise climática do quadro de garantias. Enquanto no primeiro cenário apenas os descontos de risco são aumentados de acordo com os danos climáticos, os dois cenários mais rigorosos também excluem empresas particularmente prejudiciais ao clima.
Com o seu poder de controlo e investimento, a política monetária do BCE é o enquadramento da área do euro. Em particular, a forma como lidam com os riscos climáticos é um sinal para o mundo financeiro europeu. Embora o chefe do BCE, Lagarde, tenha chamado a atenção para a conexão entre os riscos climáticos e a estabilidade de preços no ano passado, uma reforma da política monetária ainda está pendente. A nova estratégia de política monetária anunciada para a primavera de 2021 foi adiada até agora. WL

Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo Neues Deutschland [Aqui! ].

Se há algo que não causa espanto é a capacidade aparentemente miraculosa da empresa “Águas do Paraíba” de continuar navegando em mar de almirante, enquanto a maioria de nós pega mar revolto. Mas a matéria abaixo publicada pelo site jornalístico local, o ClickCampos, me faz pensar que sempre há lugar para novidade.
É que como os leitores do Blog do Pedlowski, em plena pandemia e com a maioria das repartições públicas sendo ocupadas por um número restrito de servidores, a conta da água da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes deu um salto de 40%,, muito acima dos7,14% concedidos pelo ex-prefeito Rafael Diniz e mantidos pelo atual, Wladimir Garotinho.
Como diz a nota do “ClickCampos”, desse jeito a Águas do Paraíba, usando a linguagem dos garimpeiros, vai “bamburrar” , mas não será por acaso, mas sim pela contínua gentileza (usemos essa palavra na falta de uma melhor) dos governantes.
Repasse da Prefeitura para Águas do Paraíba aumenta em quase 40% no governo Wladimir

As primeiras atualizações da Prefeitura de Campos no Portal da Transparência trazem dados que acendem o alerta para o contribuinte. Além de não revogar o aumento concedido para a empresa Águas do Paraíba de 7,14%, o Prefeito Wladimir Garotinho já pagou R$ 817.722 para a empresa de água e saneamento do município.
O valor é cerca de 38% mais alto do que o repasse feito pelo ex-prefeito Rafael Diniz no mesmo período em 2020, que foi de R$ 597.366. Cabe destacar que diversos órgãos da Prefeitura de Campos tiveram o seu funcionamento comprometidos em virtude da pandemia do novo coronavírus, o que deveria diminuir o consumo nos primeiros meses do ano.
No mesmo período, misteriosamente a empresa teve uma CPI que a investigaria sendo ‘engavetada’ na Câmara de Campos de maneira inexplicável.
Pelo visto, a empresa que apenas em 2019 teve lucro bruto de R$ 155 milhões na cidade de Campos, deve alcançar resultados ainda melhores em 2021.
Confira abaixo o extrato do pagamento publicado no Portal da Transparência:


Este texto foi inicialmente publicado pelo site jornalístico ClickCampos [Aqui! ].
Símbolo do Brasil reprimarizado, o complexo da carne suplicia animais e maquia seus produtos. Na criação, anabolizantes e beta-agonistas, para abate rápido. Após a morte, “maciez” e “frescor” por meio de choques, produtos químicos e gases

Basta sentir como a faca desliza pelo pedaço de carne, e Jorge já consegue notar se está dura, desidratada ou se tem a consistência natural dos músculos de uma vaca. Jorge, açougueiro que pede para omitir seu sobrenome, poderia fazer essa avaliação com os olhos fechados porque há 40 anos exerce esse trabalho. Cresceu no negócio do pai, no estado de Jalisco, México, e agora tem seu próprio açougue.
A centenas de quilômetros, na Cidade do México, os estudantes de pós-graduação de carnes da Faculdade de Veterinária da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) não usam facas nem olham para as vacas, observam dados estatísticos. Tabelas com valores que medem a força de corte, uma técnica quantitativa para determinar a suavidade de um pedaço de carne. Cruzam essa informação com dados como idade do animal e uso de beta-agonistas, ou seja, medicamentos “promotores do crescimento”.
No centro do país, no Estado de Michoacán, uma família de criadores de gado recebe uma oferta inesperada: pó saborizante para que a carne das suas vacas, seja o corte que for, tenha gosto de fraldinha ou inclusive de outro animal.
No sul, pacotes de conteúdo escuro viajam por via terrestre até a fronteira com a Guatemala. Também são transportados por avião, e às vezes quem leva a carga são veterinários, em aviõezinhos. Deste lado da fronteira, ele é chamado de sal milagroso, do outro lado, chocolate. “Todo o mundo sabe que o clenbuterol vem do México”, diz Chino, um rapaz que transporta vacas nessa zona de fronteira. Substância ilegal em ambos países, o quilo do clenbuterol é traficado a “cerca de 200 mil pesos (aproximadamente 57 mil reais)”. Usa-se um grama por tonelada de alimento. Se usar muito, as vacas morrem.
Essas cenas são algumas das situações que têm a vaca como protagonista, e o que sobra dela, antes de chegar aos açougues e supermercados do México [ou do Brasil].
Eu como carne, pelo menos até agora. Cresci entre vacas, tanto que o nascimento de um bezerro está entre as lembranças mais vívidas da minha infância na Argentina. Durante muitos anos, pensei que as vacas continuavam a ter a mesma vida que na minha infância nos pampas. Há pouco comecei a ouvir falar de currais de engorda, ou feedlot, e depois a ler sobre pecuária intensiva no México, onde vivo há muitos anos.
Comecei a me perguntar sobre como é a vida das vacas que depois chegam a milhões de mesas como a minha. Como é a vida e como é a morte também. O que existe nessa carne que nos vendem empacotada, congelada e em pedaços, em supermercados, mercados e açougues. A carne que chega a milhares de taquerias mexicanas [e restaurantes ou botecos brasileiros]. Esta reportagem é o resultado dessa busca.
I.

Eles são colocados com uma pistola que dispara um chip dentro da orelha das vacas. São implantes de hormônios, utilizados praticamente por todos os criadores de gado do México1, aqueles que possuem três ou quatro animais, e os empresários que criam milhares de vacas por mês.
Os implantes de hormônios fazem com que o animal gere mais quilos de carne com menos quilos de alimento. “Podem melhorar o aumento diário de peso entre 10% e 15%, e ao ser utilizados na etapa de finalização de uma engorda intensiva, obtém-se um aumento de 18%”, segundo artigos científicos.
Os implantes hormonais são vendidos em veterinárias, em teoria apenas com receita, mas na verdade qualquer pessoa pode comprá-los. Alguns dos produtos e marcas: Synavix S (benzoato de estradiol e progesterona, para novilhos); Synovex H (benzoato de estradiol e propionato de testosterona, para vitelas); e Synovex C (estrógeno e progesterona, para bezerros em crescimento). Custam entre 40 e 55 pesos mexicanos por implante por animal, cerca de dez reais. São de uso frequente porque muita gente acredita que são inofensivos, são uma experiência popular e barata para a engorda acelerada.
– Os hormônios implantados nas orelhas ficam na carne? – pergunto para um veterinário. Trata-se de alguém que sabe de composições químicas, com vinte anos de experiência, e que pede para não revelar sua identidade.
– Sim. E os hormônios colocados nos animais são vários – responde quem vamos chamar de Veterinário. E continua: – São estrógenos, progesterona. Normalmente são colocados na orelha quando entram em currais de engorda. Se forem colocados duas vezes, são chamados de reimplantes. Mas isso vai perdendo sua eficácia e nos últimos 30 dias, no final, o que lhe colocam é um beta-agonista, o inominável (clenbuterol), que é ilegal, e também o zilpaterol, que é legal.
“O inominável”, diz o Veterinário, sobre o clenbuterol2. O outro é chamado pelo nome, zilpaterol. Cloridrato de zilpaterol é o componente, Zilmax é a marca comercial mais bem sucedida. Um medicamento vendido em certo segredo3. Basta se aproximar de um grupo de criadores de gado nas redes sociais, onde algumas pessoas oferecem o produto, mas não dão preços nem detalhes de forma aberta, apenas por inbox.
Trata-se de um anabolizante que modifica o metabolismo. Autorizado apenas no México, nos Estados Unidos e na África do Sul. Europa, Ásia e o restante dos países do mundo o proíbem por razões das quais ninguém quer falar aqui. Quem tem coragem de falar dele é uma pessoa que chamaremos de Pecuarista de Michoacán. Alguém com vários campos, empresário de alto nível, mas também que pede não revelar a identidade. Fica evidente: a pecuária no México é um território de véus, medos e silêncios.
“O Zilmax é o primo-irmão do clenbuterol, mas é comum em qualquer lugar”, diz pelo telefone o Pecuarista de Michoacán. Aceita a entrevista porque quer contar o que muitos preferem não dizer. Sua voz mostra uma mistura de raiva e tristeza, mas também a altivez de quem está decidido a manter suas convicções. Não usar zilpaterol nem recorrer a hormônios significa para ele mais tempo, esforço e dinheiro. “Eles, com 8 kg de alimento, fazem 1 kg de carne. Nós precisamos de 11 kg”, diz. “E engordar um animal com pecuária regenerativa leva de 30 a 34 meses desde o nascimento até o sacrifício. Com a pecuária intensiva, eles demoram entre 18 e 20 meses.”
Tempo é dinheiro: com o ingrediente mágico Z, isso significa entre 39 e 100 dólares [R$ 220 a R$ 560] a mais de lucro por cada vaca. Muito dinheiro.
Com o chip de hormônio na orelha, o animal tem fome o tempo todo. Come mais, come muito um alimento que talvez sem essa fome voraz a vaca nem sequer comeria. Em geral, os pecuaristas intensivos dão uma mistura de fezes de frango e de galinha misturados com serragem e os resíduos da criação intensiva desses animais, misturados com grãos, forragem e praticamente o que quer que seja4. Com o zilpaterol, além do mais, vai ganhar mais músculo. A pergunta é qual será o custo para o animal e qual será para o consumidor da sua carne. Por que está proibido quase no mundo inteiro exceto aqui?
Leio 10 artigos científicos em busca de respostas.
O fabricante do Zilmax garante que não há perigo, que “os níveis de resíduos no tecido muscular são apenas de aproximadamente 10% dos valores no tecido hepático, e os resíduos no tecido adiposo essencialmente não são encontrados”. Os cientistas confirmam, parece que o zilpaterol é quase invisível. Devido à sua composição química, graças à sua “ausência” de “cloro no grupo cíclico”, o animal não o absorve em 12 horas, e nas outras 12 horas desaparecerá todo o seu rastro. Os criadores de gado fecham o círculo, deixam de utilizá-lo entre dois e três dias antes de matar a vaca. Assim, mesmo que tenha consumido essa substância por meses – grande parte da sua vida –, a carne do animal em teoria não terá vestígios da substância.
Apenas um artigo aborda a questão das contraindicações ou efeitos adversos: aumento da mortalidade do gado bovino após o uso de zilpaterol e ractopamina (Conasa): “O risco acumulado e a taxa de incidência de morte foi de 75% a 90% maior”. No Youtube, a empresa Lesca oferece kits para controlar se a carne atende aos níveis permitidos de zilpaterol. “Por que?”, se pergunta o Dr. Thomas Nick, apresentador do anúncio. “Porque existe o risco potencial de efeitos cardiovasculares, se for consumido.”
Só isso, poucas vozes. Parece que o zilpaterol, um negócio próspero, é um assunto que ninguém quer examinar em detalhes. Enquanto isso, essa versão do clenbuterol light – ou invisível– continua a drogar as vacas, vistas como máquinas, e talvez essa seja a visão sobre nós também. Não sabemos.
II.

Mais obscuro ainda é o território ilegal no qual trafega o “inominável”.
Ele é bem conhecido pelo Chino, o rapaz que transporta vacas na fronteira México-Guatemala. Diz que o clenbuterol é usado para engordar o gado. Que é traficado com as mesmas lógicas da cocaína e de outras substâncias, que é vendido a preços inacreditáveis.
Chino tem os braços fortes de quem trabalhou a vida inteira. É robusto, grande, forte. Um cara curtido, desses que dão a impressão de andar pela vida sem sentir intranquilidades. No entanto, aceita falar do assunto apenas por alguns poucos minutos. Outra vez o medo ronda.
Quando recebem alimento com clenbuterol, conta, “as vacas ficam loucas, nervosas, trancadas”. Seu jeito de rapaz durão se transforma em um gesto de pena. Viu violência, cresceu em regiões de pandillas (quadrilhas), e mesmo assim a questão das vacas com clenbuterol o afeta. O assunto o entristece de forma diferente. Faz com que se lembre dos golpes, dos choques elétricos, dos maus tratos associados a um animal que está fora de si.
No celular, guarda alguns vídeos feitos há poucos meses. São vacas drogadas com chocolate, como o clenbuterol é chamado na Guatemala, por conta da cor que a substância tem. Ele me mostra apenas dois deles: “Você não gosta de ver coisas feias”, comenta.
O clenbuterol provoca um efeito parecido ao da adrenalina. Em um intervalo de apenas 15 a 45 minutos, aumenta a frequência cardíaca, a pressão sanguínea, dilata os brônquios e acelera o metabolismo. Tanto altera que pode provocar morte instantânea ou manqueira em bovinos. Nos cavalos, atrasa o parto, em outros mamíferos, como cachorros, a substância passa ao feto, e em ratos causa fraturas de ossos, efeitos cardiovasculares, imunossupressão e problemas de aprendizagem e de memória. É perigoso para o animal e também para o ser humano que consome carne que contenha a substância: ela persiste, de forma residual, mesmo quando a carne é cozida. A prova reside na urina de muitos jogadores de futebol mexicanos.
Foi um grande escândalo em 2011: cinco integrantes da seleção mexicana deram positivo em um controle de doping durante os jogos da Copa Ouro, disputada nos Estados Unidos. Foram suspensos, houve entrevistas coletivas, desmentidos e exames da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). Depois foi comprovado que os drogados não eram eles, mas sim as vacas que haviam comido. O anabolizante que aparecia na urina tinha como origem a carne premium que era parte das suas dietas de alto rendimento.
O escândalo foi maior, porque no México o clenbuterol estava proibido havia nove anos.
Dois anos depois, um estudo oficial mostrou que o problema continuava: em 582 animais já abatidos, mas ainda sem serem cortados, “foram detectados resíduos de clenbuterol em 26.2%”.
Desde 2018, o clenbuterol está entre as 32 substâncias proibidas de acordo com a Lei de Saúde Animal e seu uso está sujeito a multas econômicas e a até oito anos de prisão. Mesmo assim, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, reconhece que a engorda artificial e o uso de substâncias na pecuária intensiva persistem. “Estamos mal nesse assunto”, disse em 11 de setembro de 2020.
As leis mexicanas têm brechas. Por exemplo, estabelecem um “Programa de Fornecedor Confiável” – ou seja, livre de clenbuterol – que não é obrigatório, mas sim voluntário. Então, os matadouros decidem se acatá-lo ou não, e se supõe que o Estado faça supervisões. Mas entre 2011 e 2017, em todo o país, houve apenas 185 inspeções, uma média de 26 visitas a abatedouros e fazendas por ano, ou uma inspeção a cada 15 dias, como revela uma investigação da jornalista Beatriz Pereyra.
Volto a conversar então com Jorge, o açougueiro. Nossa conversa é por telefone. Ele está em Jalisco, região de gado onde em anos recentes foram detectados muitos casos do uso ilegal de anabolizantes.
– É possível identificar se na carne há clenbuterol?
– Sim. A carne fica mais musculosa e desidratada, definitivamente. No momento em que você corta, ela fica pegajosa, como um chiclete.
– Seus fornecedores dão certificado de que não há clenbuterol nem substâncias tóxicas no produto?
– Não. Eles nos dão um documento com a procedência da carne. A maior parte dos abatedouros (legais) pertencem ao governo, então acho que se estou comprando em um lugar regulado pelo governo deveríamos entender que a carne tem certificação.
Jorge se irrita um pouco. A dúvida o ofende porque ele faz seu abastecimento pelas vias legais, mais caras e com menor margem de lucro. Mesmo assim, não possui certezas. O açougueiro sente o clenbuterol ao passar a faca porque já fez isso milhares de vezes, mas também porque se nota no corpo quase completo da vaca morta. Quem habita nesses mundos de matadouros diz que a carne de um animal engordado com anabolizantes fica vermelha, tensa, musculosa. Se vê a olho nu.
III.
María de la Salud Rubio é doutora em carnes. Fala rapidamente e com absoluta precisão, sem perder o fio dos seus comentários e sem deixar de observar nem por um instante – e sem perder nem uma palavra – o que dizem seus interlocutores. Cita estudos e muitos dados sem ser enfadonha. É evidente sua paixão pelo trabalho, que também transcorre sem pausa nem respiro. Agenda impossível: aulas, conferências e o avanço de suas investigações: inocuidade alimentar, carne in vitro e tropical meat, sua hipótese sobre vacas que viveram em pastagem e têm poucos dias de engorda.
A especialista em carnes nasceu em Córdoba, Andaluzia, e como marca de origem sua fala é forte e sem rodeios, sem diplomacia, frontal. “Estudei veterinária, mas não queria estar na clínica, não queria cuidar de cachorrinhos, não era a minha vida”, diz. Escolheu a especialidade menos comum, tecnologia de alimentos. “Mas não para que as pessoas comam carne, mas sim porque gosto de ciência”, esclarece. “Não vou convencer, ou deixar de convencer, alguém a comer carne. Cada um que faça o que quiser.”
María de la Salud Rubio fez seu doutorado no Texas, terra de vaqueiros nos Estados Unidos. Agora, com várias décadas de experiência, cerca de 100 teses sob sua direção, 200 conferências realizadas e nível II do Sistema Nacional de Pesquisadores, é parte do Centro de Ensino Prático, Pesquisa e Produção em Saúde Animal da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), a mais importante do país. Sua vida reside em laboratórios, fórmulas, gráficos de proteínas e mundos codificados e incompreensíveis para outros mortais.
Estuda vacas, camarões, porcos, cordeiros e ovinos. Analisa seus músculos, morfologia, desenvolvimento em ambientes diversos e o impacto que têm. Sua interação com micro-organismos, mas especialmente com bactérias como a Salmonella. É capaz de analisar 1.165 filés para escrever um artigo sobre padrões de avaliação da cor em carnes de bovinos.
“O que você vê aí é a proteína. É como uma casquinha de sorvete. São tecidos conectivos, a estrutura do músculo”, explica, emocionada, frente a uma imagem em preto e branco que parece um desenho, mas que se trata da ampliação de uma imagem microscópica. Todo esse universo é visto pela doutora onde outros como nós vemos apenas linhas.
Duas vezes por semana ela dá aulas de Ciência da Carne na Faculdade de Veterinária da Unam. A convite seu, faço um trimestre como ouvinte, porque quero tentar entender o assunto. As aulas ocupam manhãs inteiras por zoom. Hoje a doutora apresenta fotografias de seis pedaços de carne e pede aos alunos que analisem a cor de cada um deles porque, com base na cor, é possível deduzir o grau de stress do animal. Se tinha um temperamento mais complicado, se era novilho ou terneira, se estava nervoso ou assustado.
Um pedaço de carne pode ser analisado também com técnicas que dão informações quantitativas: sua firmeza. Para medi-la é usado um aparelho que parece uma furadeira acoplada a uma mesa. A máquina perfura o pedaço de carne e a partir desse instante, com o cruzamento de dados de força e resistência, elabora um parâmetro de gordura intramuscular. Um parâmetro que pode nos dizer sobre se o animal viveu drogado ou não: aquele que consumiu zilpaterol tem 6,77% de gordura. O que não consumiu, 10,08%. “O zilpaterol dá musculatura, mas gera dureza”, menciona a doutora. “Então, depois isso se une ao uso de…” -ela faz silêncio, e seus alunos completam. “Amaciantes.”
Aparece assim outra cena de intervenção sobre as vacas criadas para ser carne: adulterá-las depois de mortas.
As pessoas gostam de carne macia. E para que isso aconteça há duas opções: esperar que o cadáver amadureça – mínimo 24 horas, ideal 14 dias, diz a especialista – ou acrescentar à carne substâncias (que não gostaríamos de ver em um bife). Três técnicas são utilizadas para o amaciamento da carne. A “mecânica”, com máquinas que atravessam a carne com facas que são como alfinetes grandes e que deixam a superfície do músculo raspada5. “Estimulação elétrica”, que são correntes aplicadas sobre o corpo completo da vaca recém-morta, para romper as fibras musculares6. E a “marinada química ou enzimática7”, que é acrescentar substâncias de diversas maneiras, mas especialmente através de injeções.
“É uma forma muito bonita de dizer ‘vamos cometer uma fraude’”, resume Rubio. Porque as injeções não só amolecem a carne, mas também aumentam seu volume e peso. Uma prática já conhecida em frangos que se estendeu às carnes vermelhas. “Um pedaço de carne com injeção, por exemplo, cresce aproximadamente 30%. E assim um contrafilé de 400 gramas pode chegar facilmente a 650 gramas”, explica, bastante insatisfeito, o Pecuarista de Michoacán.
Jorge, o açougueiro, recorda: “Uma vez uma pessoa me ofereceu carne e quando notei que me dava mais barata do que os outros perguntei se tinha injeção. E me disse: ‘Claro que sim! Se não, não poderia te dar a esse preço’. Era pelo menos 15% mais barata do que pode custar normalmente. E me disse que sua carne incluía 30% de água, mas também não dá para saber, talvez tenha 40%, ou até 50%. E nem sei se é água potável ou outra coisa”.
O que é injetado nas carnes já em pedaços no México? Soluções de água com sais de sódio e potássio, di e trifosfatos e ácidos (lactatos acético e cítrico). É preocupante o acréscimo de soluções salinas em um país em que pelo menos 25,5% da sua população adulta padece hipertensão arterial. Mas também onde a água não potável é um problema de saúde pública, preocupa que “os métodos de marinada possam representar um risco para a saúde pública por conta da internalização de patógenos superficiais no interior da carne (…). Há informações sobre surtos de E. Coli O157:H7 ou Salmonella spp. associados à carne de vaca marinada”, segundo o último artigo publicado por Rubio.
A injeção leva ao interior da carne os micróbios que podem estar em sua superfície exterior ou em superfícies com as quais entra em contato. Algo que no México pode ser desde um recipiente de plástico até a cidade inteira, porque é comum ver caminhonetes que transportam carnes ao ar livre sem isolamento nem cadeia de refrigeração.
Agora voltemos a olhar para o filé de carne na vitrine do supermercado: brilhante, vermelho, lisinho. Primeiro foi uma vaca com hormônios para que comesse sem parar (alimentada com lixo misturado). Depois uma vaca drogada para ganhar mais quilos em menos tempo e, além do mais, mais músculo do que gordura. Depois, já morta, foi amaciada com perfurações ou intervenções elétricas. E no final também inflada com algo que dizem ser sais, apesar de não sabermos bem o que é nem quanto lhe puseram.
IV.

Olho para os pedaços de carne por um tempo e admito meu fracasso: não sou capaz de distinguir se a cor indica alguma coisa, se a carne é dura por conta de anabolizantes ou se foi amaciada. Apenas talvez veja as listrinhas deixadas pelos amaciadores mecânicos. Sou capaz apenas de saber que o selo “TIF” [SIF, de Serviço de Inspeção Federal”, no Brasil] indica proveniência de um abatedouro fiscalizado. Entre os congelados do supermercado – que são muitos – não dá para notar nada.
“Tem que haver uma maneira de saber o que essas carnes têm.” Vou dormir com essa ideia. Acordo no meio da noite, de manhã tenho o mesmo pensamento. “Alguma forma de vê-la com microscópio, ou de analisá-la quimicamente”, digo a mim mesma. Entro em contato com 18 laboratórios por telefone e envio outros tantos e-mails. Alguns me respondem, outros guardam silêncio. A filial de uma grande empresa internacional que possui as preparações me responde de forma lacônica: “Não, não fazemos”, quando solicito a busca de resíduos de anabolizantes, clenbuterol, beta-agonistas e soluções salinas.
Por fim, apenas 2 dos 18 laboratórios credenciados na Cidade do México para ensaios em assuntos alimentícios, na categoria “casos especiais”, responderam que poderiam realizar o estudo.
A empresa privada Onesite Laboratories, onde a análise de cada mostra custa 2.441,80 pesos, só para busca de clenbuterol e sódio (R$ 750). A outra, a estatal Centro Nacional de Serviços de Constatação em Saúde Animal (Cenapa), que depende da Secretaria de Agricultura, faz a busca de tudo, mas a análise é mais cara: 3.863 pesos por mostra (R$ 1200). Assim, analisar dez pedacinhos de carne, para ter um mínimo panorama, pode custar entre 1.200 e 1.900 dólares. E realizar uma verdadeira mostra representativa de cerca de 100 análises custaria pelo menos ao redor de 20 mil dólares (R$ 112 mil).
Sem muita esperança, busco o Estado. Nos 463 abatedouros certificados TIF que ostenta em 2021. O Serviço Nacional Sanitário, de Inocuidade e Qualidade Alimentar (Senasica) faz inspeções, mas os resultados vêm dos próprios matadouros. Ou seja, quem faz as provas e concentra resultados é o próprio abatedouro porque os proprietários da informação são os matadouros, é o que me explica por telefone uma funcionária do Senasica. Na área específica de estabelecimentos TIF me atendem de forma amável e confirmam que talvez tenham informação, mas que ela não é pública, nem pode ser difundida. Se eu quiser saber exatamente o que há nesse bife, terei que pedir informação através de leis de transparência.
Identidades encobertas, secretismo, terror: falar da indústria da carne é quase tão obscuro como falar de narcotráfico.
Há dados que, sim, existem: no México são mortas 8,2 milhões de vacas a cada ano; [no Brasil, 32,4 milhões, em 2019] México comemos cerca de 69 quilos de carne -de distintos animais- por ano.
Uma carne que vai ficando mais turva a cada dia que passa.
“Agora vieram me oferecer um saborizante8. Porque o soro que injetam pode ser amaciante e saborizante. O que me ofereceram foi sabor fraldinha, carne de vaca e frango”, diz o Pecuarista de Michoacán. Ou seja, carne adulterada para que tenha gosto de carne. Vaca com gosto de frango. Frango com gosto de vaca. Vaca com sabor (artificial) de vaca.
Ou será que o sabor é uma lembrança de um passado que já não existe?
A Real Academia Española (principal dicionário do idioma), em suas primeira e segunda acepções, define carne como “parte muscular do corpo humano ou animal” e “carne comestível de vaca, terneira, porco, carneiro etc., e de forma muito destacada aquela que é vendida para o abastecimento comum das pessoas”. Isso que nos vendem, isso que comemos, talvez já escape a esse conceito.
Hoje é a última aula do curso de Ciências da Carne. Estuda-se o uso de antioxidantes, formas de melhorar a conservação. Há uma lista extensa de substâncias naturais possíveis para uso, que vão da pimenta ao tomilho, entre outras. Mas também são utilizados gases, explica a doutora Rubio. Na indústria, no momento em que as carnes são embaladas, eles são disparados sobre elas, que imediatamente são empacotadas depois com um filme plástico por cima. Vários tipos de gases são utilizados, “mas esse, sim, é um problema”, diz a especialista. “O monóxido de carbono9. Torna-se perigoso porque reage com a mioglobina. Adere, de forma irreversível, ao ferro, em vez do oxigênio, e fica dessa cor mesmo que esteja podre.”
A imagem é atroz (assim como o escândalo sobre esse assunto no Brasil, que envolve a gigante JBS). Um disparo de gás fará com que a carne escura, em processo de putrefação, fique vermelha e brilhante. Não só por um momento, mas para sempre. Um pouco de gás que dará aos bifes brilho luminoso nas geladeiras dos supermercados. A maquiagem final.
1O Brasil adota atitude hipócrita diante dos hormônios anabolizantes para o gado. A legislação os proíbe, desde 1986. Pesam para isso a proibição do mercado europeu (cobiçado pelos produtores brasileiros) e o fato de tais produtos serem mais eficazes quando aplicados no gado em confinamento (condição minoritária no país). Ainda assim, a proibição legal é burlada abertamente. Hormônios vetados, como o VI-Gain (norte-americano) são vendidos sem disfarces em sites como o Mercado Livre. Lá, é possível obter dezenas de indicações de produtos e respectivos vendedores, quando se faz uma busca com os termos “hormônio proibido”.
2Proibido também no Brasil. Porém, segundo o site da Comissão Pastoral da Terra em Rondônia, “Para conseguir o produto é fácil: Vende-se legalmente em qualquer casa de produtos veterinários, apesar que o único uso autorizado seja para tratar de problemas respiratórios dos cavalos. Interessados em obtê-lo ainda mais facilmente encontrarão dezenas de ofertas no Mercado Livre.
3Vendido sem qualquer restrição no Brasil. Apresentado, em vídeo publicado no canal da MSD Saúde Animal, no YouTube, como “um novo horizonte para a pecuária brasileira”
4 Devido inclusive às suspeitas de que pode provocar a chamada “doença da vaca louca”, o uso de fezes de aves na alimentação do gado é proibido no Brasil. Ainda assim, a legislação é burlada com frequência e facilidade, como mostram dezenas de matérias jornalísticas.
5Realizada no Brasil por meio de diferentes métodos para suspensão da carcaça dos animais mortos, em câmaras frias.
6Fartamente utilizada no Brasil, como mostra texto do site BeefPoint, segundo o qual “a estimulação elétrica é mais apropriada para carcaças de animais jovens não alimentados com dietas de alta energia, ou que necessitam de inerente maciez”.
7Amplamente empregada no Brasil, sob os nomes de “tenderização” ou “maturação. Veja, por exemplo, este artigo.
8Também saborização é muito comum no Brasil, como mostra este texto jornalístico, patrocinado, aliás, por uma empresa especializada na venda de sabores.
9Também no Brasil, segundo o site BeefPoint, “o monóxido de carbono (CO) é amplamente utilizado na indústria de carnes, devido às ligações gasosas com o pigmento responsável pela cor da carne, a proteína mioglobina, produzindo um aspecto vermelho brilhante nos músculos embalados. Além disso, a mioglobina pode se ligar a diferentes substâncias, incluindo gases, para criar uma variedade grande de cores.
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Este texto foi inicialmente publicado pelo site “Outras Palavras” [Aqui!].


Nas últimas décadas, o Brasil acumulou experiência significativa no uso de políticas de proteção às florestas tropicais. Mais notavelmente, o país projetou e implementou vários esforços eficazes para combater o desmatamento por corte raso na Amazônia brasileira. [1] Isso foi motivado pela necessidade urgente de conter a perda de floresta tropical no país, que estava entre as mais altas do mundo no início dos anos 2000. [2] O desmatamento, entretanto, não é o único tipo de dano ambiental que afeta a Amazônia brasileira. A degradação florestal, fenômeno caracterizado pela perda gradativa da vegetação, surge como uma ameaça cada vez mais relevante para a região. [3] , [4]Embora a degradação possa parecer menos destrutiva do que o desmatamento, o combate à degradação deve ser uma prioridade da agenda da política de conservação do Brasil. Afinal, conter a perda de floresta em um estágio anterior aumenta a capacidade de conservar a vegetação nativa no longo prazo.
Hoje, em parte porque a degradação continua sendo um fenômeno relativamente desconhecido, raramente é priorizada em ações políticas destinadas a proteger a vegetação nativa. Um melhor entendimento da degradação na Amazônia, e particularmente de sua relação empírica com o desmatamento por corte raso, é um insumo fundamental no processo de tomada de decisão para alocar recursos escassos para a implementação de políticas públicas. Com ele, o Brasil poderia direcionar seus esforços de forma mais eficiente e fornecer uma resposta mais oportuna à degradação.
Para ampliar a compreensão desse fenômeno, pesquisadores da Climate Policy Initiative / Pontifícia Universidade Católica (CPI / PUC-Rio) caracterizaram empiricamente a dinâmica da degradação e sua relação com o desmatamento na Amazônia brasileira. Este Insight fornece uma breve introdução ao tópico da degradação tropical, um resumo dos principais resultados e orientações para pesquisas e políticas futuras. A análise reforça a relevância recente da degradação na Amazônia brasileira e constata que existe uma relação estreita entre degradação e desmatamento. Os resultados indicam que essa relação varia significativamente entre as categorias de posse da terra, enfatizando a necessidade de adaptar a política de conservação para abordar diferentes estruturas de governança com base na posse.
O que é degradação da floresta?
Este projeto define degradação florestal como a perda parcial da biomassa florestal. A Figura 1 fornece uma visão simplificada desse processo. Começando com uma floresta intacta, a degradação mina a integridade da cobertura florestal por meio da perda gradual de vegetação ao longo do tempo. Embora uma floresta degradada ainda retenha vegetação primária, ela não tem a mesma estrutura florestal, resiliência e funções como uma floresta intacta. [5] À medida que a degradação progride, a perda de biomassa florestal se aproxima do desmatamento por corte raso, no qual há remoção completa (ou quase completa) de toda a cobertura vegetal.
Figura 1. Degradação florestal e desmatamento por corte raso
O processo representado na Figura 1, no qual uma floresta não perturbada passa por vários estágios de degradação culminando em desmatamento raso, é apenas um dos caminhos possíveis para uma área degradada. A degradação pode ocorrer mais ou menos gradualmente ao longo do tempo, dependendo do tipo de atividade que a causa. Além disso, a degradação não leva necessariamente ao desmatamento por corte raso – uma área degradada pode ser mantida intencionalmente com apenas um remanescente parcial de vegetação primária, ou pode sofrer regeneração e conter uma mistura de remanescentes primários e vegetação secundária.
Degradação da Amazônia brasileira
Causas Primárias
As práticas mais comumente associadas à degradação tropical no Brasil são a extração seletiva de madeira e os incêndios florestais. A extração seletiva envolve o corte de espécies específicas de árvores, normalmente selecionadas com base no valor comercial de sua madeira. Além da perda de biomassa com a própria extração de árvores, a floresta ao redor das árvores derrubadas também é comprometida pela abertura de estradas de acesso e pátios de armazenamento e pelos danos causados pela queda de árvores na vegetação próxima. Para minimizar esse efeito colateral, as atividades madeireiras legais devem obedecer a um plano de manejo.
Os incêndios, por outro lado, geralmente destroem primeiro as plantas mais frágeis e, após repetidos ciclos de queima no mesmo local, avançam para plantas mais resistentes. Devido à alta umidade, as florestas tropicais não queimam facilmente ou imediatamente. No primeiro contato, os incêndios consomem a vegetação mais frágil e comprometem a resiliência das plantas remanescentes, que se tornam mais vulneráveis aos incêndios subsequentes.
A análise da CPI / PUC-Rio usa dados do DEGRAD, um sistema desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que usa imagens de satélite para compilar mapas anuais de áreas degradadas em toda a Amazônia brasileira de 2007 a 2016. O DEGRAD não categoriza de forma consistente o tipo ou estágio de degradação, portanto, a análise empírica atualmente não cobre tal classificação.
Características Gerais
A degradação florestal é um fenômeno em grande escala na Amazônia, normalmente afetando uma área muito maior do que o desmatamento por corte raso. Entre 2007 e 2016, uma média de 11.000 km 2 de floresta foram degradados a cada ano. Isso é o dobro da média anual de áreas desmatadas no mesmo período. Enquanto o desmatamento avançou em um ritmo relativamente estável durante o período de amostra, a degradação variou consideravelmente ao longo do tempo, especialmente de 2009 a 2016. A área degradada total por ano variou de um mínimo de 2.700 km² em 2014 a um pico de 23.700 km² em 2016.
Espacialmente, a degradação florestal está geograficamente concentrada ao longo do Arco do Desmatamento , que historicamente também contém a maior parte das áreas desmatadas da Amazônia. [6] Em média, os estados de Mato Grosso e Pará somados respondem por 75% das áreas degradadas e 64% das áreas desmatadas por ano na Amazônia. Apesar da concentração regional do fenômeno, a degradação apresenta baixo índice de recorrência local ao longo dos anos . Uma determinada área é classificada como degradada, em média, apenas uma vez no período amostral.
Além disso, parece haver relativamente pouca conversão de degradação em desmatamento na Amazônia como um todo durante o período em avaliação. Em média, apenas 9% das áreas degradadas são desmatadas em até três anos, que é o tempo médio decorrido entre a ocorrência desses dois eventos. Isso, entretanto, não significa que não exista uma relação estreita entre degradação e desmatamento. Como esse número é uma média para toda a Amazônia, ele pode ocultar diferenças importantes em como as partes interessadas interagem com a floresta em regiões específicas.A posse da terra desempenha um papel potencialmente central nisso. No Brasil, a posse é um fator determinante das regras que regem o uso da terra local, incluindo a proteção e conversão da vegetação nativa. A estrutura de governança baseada na posse pode, portanto, afetar as decisões de uso da terra e, portanto, os padrões de conversão florestal local. Isso exige uma melhor compreensão da relação entre degradação e desmatamento nas diferentes categorias de posse da terra.
Degradação e desmatamento por categoria de terreno
Observando como a degradação e o desmatamento se relacionam em diferentes categorias de posse da terra, o estudo visa explorar se a estrutura de governança influencia as interações dos atores locais com a floresta. A análise considera sete categorias: pequenas propriedades privadas, médias ou grandes propriedades privadas, territórios protegidos (áreas protegidas e terras indígenas), assentamentos rurais, terras públicas não designadas, terras não identificadas (para as quais não há informações de posse) e outros (restantes categorias).

A Figura 2 mostra a distribuição anual do desmatamento e degradação entre as categorias. Para o desmatamento, a distribuição permanece bastante estável ao longo do tempo, com participações semelhantes de perda florestal ocorrendo todos os anos em propriedades privadas (principalmente de médio ou grande porte), assentamentos rurais e terras públicas não designadas. A degradação, por outro lado, varia significativamente entre categorias e anos. Grande parte da degradação ocorre em propriedades privadas de médio ou grande porte e, em menor escala, em terras não identificadas. A menor participação de pequenas propriedades privadas e assentamentos rurais, bem como a maior participação de territórios protegidos contrastam com o padrão observado para o desmatamento.
Figura 3. Relação entre degradação e desmatamento por categoria de posse da terra, 2007-201

Nota: Para cada categoria de posse da terra, o gráfico mostra a parcela da área degradada em cada ano que foi seguido pelo desmatamento em três anos. A análise considera o desmatamento ocorrendo no mesmo local que a degradação (conversão da degradação em desmatamento) e em suas proximidades (desmatamento próximo à degradação).
Fonte: CPI / PUC-Rio com dados do DEGRAD / INPE, PRODES / INPE , Atlas Agropecuário / IMAFLORA e Cadastro Nacional de Florestas Públicas / Serviço Florestal Brasileiro, 2021
O desmatamento segue sistematicamente a degradação em alguma das categorias de posse da terra? A Figura 3 sugere que sim. Embora a conversão local da degradação em desmatamento permaneça baixa ou moderada em todas as categorias de posse, os dados apontam para um desmatamento significativo ocorrendo perto de áreas degradadas dentro de três anos do evento de degradação. Nesse sentido, a degradação em um determinado local pode nem sempre ser um precursor do desmatamento local, mas pode servir como um indicador de que o desmatamento ocorrerá em breve naquela região .
Como mostra a Figura 3, a relação entre degradação e desmatamento varia entre as categorias de posse da terra. Embora seja impossível determinar as razões para essas diferenças a partir dos dados usados no estudo, a análise levanta algumas interpretações prováveis. Existem três padrões principais. Em primeiro lugar, a conversão da degradação em desmatamento é consistentemente baixa dentro dos territórios protegidos, mesmo quando se contabiliza o desmatamento que ocorre nas proximidades de áreas degradadas. Considerando que crimes ambientais cometidos em territórios protegidos estão sujeitos a penas mais severas, as baixas taxas de conversão podem ser explicadas pelo fato de que remover mais vegetação em áreas degradadas, o que acarreta maior risco de detecção pelas autoridades ambientais, simplesmente não vale a pena. .
Em segundo lugar, a degradação parece ser seguida pelo desmatamento nas proximidades em pequenas propriedades privadas e assentamentos rurais. Nessas categorias, mesmo a conversão local de degradação para desmatamento é relativamente alta. Esse padrão provavelmente está relacionado ao alto custo de derrubar a vegetação em uma floresta tropical. Para pequenos proprietários e assentados, que normalmente têm acesso limitado a financiamento, a degradação pode ser uma maneira de remover a cobertura florestal aos poucos e a um custo menor.
Terceiro, propriedades privadas de médio e grande porte, áreas públicas não designadas e áreas não identificadas parecem estar em algum lugar entre os dois padrões anteriores. A conversão local da degradação em desmatamento é baixa, mas parece haver uma porção moderada de áreas degradadas que são seguidas por desmatamento nas proximidades. Essas categorias são menos homogêneas do que as anteriores, portanto, esse padrão provavelmente abrange uma variedade de perfis de degradação e desmatamento.
Finalmente, a evidência sugere que a parcela da degradação seguida pelo desmatamento local ou próximo cresceu nos anos finais da amostra em todas as categorias de posse da terra. Isso pode apontar para a degradação como um precursor cada vez mais relevante para – e, portanto, um importante indicador antecedente do – desmatamento.
Próximas Etapas para Pesquisa e Política Pública
A degradação florestal parece estar intimamente relacionada ao desmatamento na Amazônia brasileira e, para determinadas categorias de posse da terra, parece ser um precursor do desmatamento. A degradação pode, portanto, ser usada como um indicador de dano ambiental iminente e ajudar a direcionar os esforços da política de conservação. Por outro lado, para os casos em que a degradação não se transforma em desmatamento, é importante entender por que a degradação dos ativos ambientais está acontecendo se a terra não está sendo posteriormente utilizada para a produção.
Nesse cenário, as políticas públicas devem adaptar as abordagens para abordar as várias práticas de conversão florestal encontradas nas diferentes categorias de posse da terra. A pesquisa, por sua vez, deve apoiar o desenho e a implementação de políticas públicas, avançando no entendimento de como as estruturas de governança baseadas na posse influenciam os padrões de degradação e subseqüente desmatamento. Este estudo oferece uma primeira visão de como os formuladores de políticas podem compreender a degradação e usar esse conhecimento para aprimorar sua capacidade de combater a perda florestal em suas várias formas.
Dados
A análise explora um conjunto de dados rico e espacialmente explícito (raster) criado a partir de uma variedade de fontes disponíveis publicamente. As variáveis-chave e suas fontes são: áreas degradadas do DEGRAD / INPE; áreas desmatadas do PRODES / INPE; e categorias fundiárias do Atlas Agropecuário / IMAFLORA e Cadastro Nacional de Florestas Públicas / Serviço Florestal Brasileiro.
Nota Metodológica
A análise visa caracterizar empiricamente a degradação florestal na Amazônia brasileira e investigar sua relação com o desmatamento por corte raso entre 2007 e 2018. A amostra espacial inclui áreas de floresta tropical no bioma Amazônia brasileira que foram degradadas e / ou desmatadas durante o período da amostra. Um banco de dados raster foi compilado com resolução de 30 metros para incluir dados georreferenciados sobre degradação e desmatamento ao longo do tempo, bem como sobre categorias de posse de terra para todo o bioma Amazônia. O estudo relaciona eventos de degradação e desmatamento ocorridos no mesmo local ou nas proximidades e estratifica os resultados por categoria de posse da terra. Devido ao grande número de observações no banco de dados (quase 2 bilhões), a amostragem aleatória foi usada para construir o conjunto de dados para análise (contendo 2.
[1] Para um resumo das avaliações das políticas de conservação, consulte: Gandour, Clarissa. Por que proteger a Amazônia é importante? Climate Policy Initiative, 2019. bit.ly/3v0ow7N
[2] Hansen, Matthew C. et al. “Desmatamento de floresta tropical úmida de 2000 a 2005 quantificado por meio de dados multitemporais e multirresolução de sensoriamento remoto”. Proceedings of the National Academy of Sciences 105, nº 27 (2008): 9439–9444.
[3] Rappaport, Danielle I. et al. “Quantificando mudanças de longo prazo nos estoques de carbono e estrutura florestal da degradação da floresta amazônica”. Cartas de Pesquisa Ambiental 13, nº 6 (2018): 065013.
[4] Matricardi, Eraldo AT et al. “A degradação florestal de longo prazo supera o desmatamento na Amazônia brasileira”. Science 369, nº 6509 (2020): 1378-1382.
[5] Longo, Marcos et al. “Variabilidade da biomassa acima do solo em florestas intactas e degradadas na Amazônia brasileira”. Global Biogeochemical Cycles 30, nº 11 (2016): 1639-1660.
[6] O Arco do Desmatamento se refere a uma ampla região do Bioma Amazônia que se estende do oeste do Maranhão e sul do Pará em direção ao oeste, passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre.

Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela Climate Policy Initiative [Aqui! ].
A mídia internacional repercutiu rápida e amplamente a anulação pelo ministro Edson Fachin das condenações do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no âmbito da chamada Operação Lava Jato. Essa repercussão tem a ver com a estatura política que Lula ainda possui em nível global.
Aliás, para entendermos as implicações mais abrangentes do que foi decidido hoje há que se ler o que a mídia internacional está escrevendo, pois se dependermos da mídia corporativa brasileira o que teremos será um misto de lamentação com inconformismo em relação ao que sempre me pareceu óbvio, qual seja, a falta de sustentação das condenações de Lula.
Abaixo uma série de imagens de veículos de imprensa de todo o mundo que já repercutiram a anulação das condenações do ex-presidente Lula.

As técnicas de estímulo à biodegradação, que é a capacidade de microrganismos (principalmente bactérias e fungos) a degradarem/transformarem materiais e/ou rejeitos, normalmente prejudiciais ao ambiente, vêm cada vez mais se tornando importante na área ambiental. Isso se dá devido aos altos custos dos processos normalmente aplicados, combinados às ações que não apresentam total eficácia, mas que são comumente empregados por empresas e instituições de controle ambiental.
Dentro dos principais materiais tidos nocivos ao ambiente, se apresentam os combustíveis fósseis e seus resíduos, os quais são compostos de moléculas complexas e de difícil degradação. Diante dessa problemática, um estudo desenvolvido pelo Departamento de Ciências Farmacêuticas do campus Diadema da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e publicado no periódico Marine Pollution Bulletin, buscou investigar microrganismos capazes de biodegradarem ou metabolizarem essas moléculas presentes na composição de combustíveis.
A pesquisa envolveu a parceria entre o grupo de pesquisas BioMicro, da Unifesp, coordenado pela professora Suzan Pantaroto de Vasconcellos, e outros grupos de trabalho do campus da Baixada Santista da Unifesp, com os professores Rodrigo Choueri, Flavia Talarico Saia e Augusto Cesar, de modo que fosse possível realizar coletas em pontos estratégicos dessa região litorânea.
Santos abriga o maior Porto da América Latina e Cubatão um dos complexos industriais mais importantes do país, compondo assim ambiente propício à obtenção de amostras de água estuarina potencialmente contaminadas por combustíveis em elevadas concentrações, permitindo assim a coleta, isolamento e avaliação de bactérias potencialmente adaptadas ao ambiente e às condições locais, tanto em termos metabólicos, quanto de aplicação como agentes biocatalistas em áreas acometidas por tais contaminantes”, explica Vitor Ferrari, autor principal do estudo.
A coleta foi realizada em três pontos distintos visando analisar se o entorno interferiria ou não no potencial das bactérias a realizar as atividades de biodegradação almejadas.
Achados do estudo
Após a fase de coleta, todo o material foi encaminhado ao Laboratório Multidisciplinar em Saúde e Meio Ambiente (LABMSMA), localizado na Unifesp campus Diadema. Ali, ocorreram o processamento das amostras e cultivos microbianos sob diferentes condições reacionais, de maneira a propiciar o isolamento de bactérias, as análises de biodegradação, utilizando moléculas específicas que servem como indicadoras da contaminação por combustíveis, além da caracterização das bactérias de interesse ao estudo. Para a análise de identificação bacteriana, o grupo novamente contou com mais parcerias (professores Ana Gales e Rodrigo Cayô), e colegas do laboratório Alerta, especialmente desenvolvido para projetos de pesquisa de investigação de mecanismos moleculares de resistência bacteriana a antimicrobianos, localizado no campus São Paulo da Unifesp.
“Dessa forma, a partir do material coletado, foi possível isolar 42 bactérias. Essas evidências nos fizeram observar que a região do litoral da Baixada Santista encontra-se contaminada por resíduos de combustíveis, devido às intensas atividades industriais e portuárias, uma vez que mesmo amostras coletadas em ambientes tidos como pristinos (não contaminados), permitiram a recuperação de microrganismos degradadores de hidrocarbonetos”, revela o pesquisador.
“Cinco bactérias de diferentes espécies apresentaram eficiência elevada na biodegradação de hidrocarbonetos, sendo que após apenas 48 horas apresentaram taxas de degradação acima de 80% frente aos contaminantes avaliados. Trata-se de um resultado importante e que pode mostrar possíveis caminhos para uma eventual e necessária biodegradação desses compostos que contaminam o nosso litoral, principalmente em razão de petróleo bruto, ocasionado pela intensa movimentação marítima”, conclui Ferrari.

Em um desdobramento inesperado, mas que deverá agitar ainda mais uma situação política que já se encontrava em forte ebulição por causa da crise econômica e sanitária que assola o Brasil neste momento, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), objetivamente reduziu a pó todos os processos criados pela chamada “Operação Lava Jato” de Curitiba contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva que, com isso, passa a ter a possibilidade de novamente se candidatar a cargos eletivos.
Em sua decisão, o ministro Fachin declarou a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar quatro processos que envolvem Lula –o do triplex, o do sítio de Atibaia, o de compra de um terreno para o Instituto Lula e o de doações para o mesmo instituto. Em sua decisão, Fachin afirmou que “como corolário da incompetência” da 13ª Vara Federal de Curitib, ele declarava a “nulidade” dos atos decisórios, inclusive do recebimento das denúncias contra Lula.
Em sua decisão, o ministro Luiz Eduardo Fachin afirma que os autos dos quatro processos devem ser remetidos para a
Justiça do Distrito Federal. E que caberá ao “juízo competente decidir acerca da possibilidade da convalidação dos atos instrutórios”, ou seja, de depoimentos e de coleta de provas.
Leia o trecho da decisão publicada no site do STF:
“Ante o exposto, com fundamento no art. 192, caput , do RISTF e no art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal, concedo a ordem de habeas corpus para declarar a incompetência da 13ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Curitiba para o processo e julgamento das Ações Penais n.5046512-94.2016.4.04.7000/PR (Triplex do Guarujá), 5021365-32.2017.4.04.7000/PR (Sítio de Atibaia), 5063130-17.2018.4.04.7000/PR (sede do Instituto Lula) e 5044305-83.2020.4.04.7000/PR (doações ao Instituto Lula), determinando a remessa dos respectivos autos à Seção Judiciária do Distrito Federal. Declaro, como corolário e por força do disposto no art. 567 do Código de Processo Penal, a nulidade apenas dos atos decisórios praticados nas respectivas ações penais, inclusive os recebimentos das denúncias, devendo o juízo competente decidir acerca da possibilidade da convalidação dos atos instrutórios. Considerada a extensão das nulidades ora reconhecidas, com fundamento no art. 21, IX, do RISTF, declaro a perda do objeto das pretensões deduzidas nos habeas corpus 164.493, 165.973, 190.943, 192.045, 193.433, 198.041, 178.596, 184.496, 174.988, 180.985, bem como nas Reclamações 43.806, 45.948, 43.969 e 45.325. Junte-se cópia desta decisão nos autos dos processos relacionados, arquivando-os. Comunique-se a Presidência do Supremo Tribunal Federal, perante a qual tramita o ARE 1.311.925. Publique-se. Intime-se. Brasília, 8 de março de 2021.”
Quem desejar ler a íntegra da decisão do ministro Edson Fachin, basta clicar [Aqui!].


Uma comitiva representando o governo do Brasil, composta por membros de ministérios e parlamentares saiu em direção a Israel com missão pouco clara. Entretanto, as imagens deixam claríssima a situação esdrúxula que o nosso país vive nesse momento.

Como pode ser ver, enquanto no Brasil nenhum dos membros da comitiva portava uma máscara facial, ao chegar em Israel todos a portavam, obviamente sob demanda das autoridades israelenses que colocaram aquele país na condição de primeiro lugar em termos de vacinação contra a COVID-19 entre todas as nações do planeta.
Mas vexame mesmo passou o ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo, que foi obrigado a colocar uma máscara ao se aproximar do chanceler israelense Gabi Ashkenazi, em Jerusalém, no momento das fotografias protocolares.
Por essas e outras é que o Brasil está nesse momento em completo descrédito internacional, e cada vez mais isolado em um momento crucial da nossa história. E, pior, os que não portam máscaras e incentivam outras a não usá-las em território brasileiro são os mesmos que mansamente fazem isso no exterior.
Finalmente, não é coincidência nenhuma que Israel já esteja próximo de debelar a pandemia da COVID-19, enquanto o Brasil acumula novos casos de infecção e empilha cadáveres em containers nas portas de seus hospitais colapsados.