Estudo da WWF mostra que 43 milhões de hectares de floresta tropical foram destruídos entre 2004 e 2017

A avaliação dos dados de satélite de 2004 a 2017 mostra uma perda de floresta tropical que é muito maior do que o tamanho da Alemanha. De acordo com o WWF, cerca de um sexto de todos os alimentos comercializados na União Europeia contribui para o desmatamento nos trópicos

mura tribeMembros da tribo Mura em uma parte desmatada de suas terras tradicionais na Amazônia perto de Humaitá, Amazonas, Brasil, em agosto de 2019. Ueslei Marcelino / Reuters

Segundo cálculos da organização ambientalista WWF, 43 milhões de hectares de floresta tropical foram destruídos nos últimos anos e 24 áreas foram particularmente afetadas. O WWF anunciou na quarta-feira em Berlim que isso se baseia em dados de satélite de 2004 a 2017. A maior perda ocorre na Amazônia no Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Venezuela e Guiana com 18,3 milhões de hectares. Para colocar em perspectiva: a área da Alemanha é de mais de 35,7 milhões de hectares.

O WWF enfatizou que os consumidores na Alemanha também foram parcialmente culpados pelo desmatamento. “Para o cultivo de soja, cacau e carne bovina importados pela União Europeia (UE), as florestas são freqüentemente destruídas. Cerca de um sexto de todos os alimentos comercializados na UE contribuem para o desmatamento nos trópicos ”, disse o comunicado. “Em vez de apenas apontar o dedo para governos e agricultores em pontos críticos de desmatamento, também temos que tocar em nossos próprios narizes”, disse a gerente do programa florestal do WWF Alemanha, Susanne Winter, de acordo com a informação.

Ela explicou que as florestas tropicais são uma precaução para a saúde dos humanos e da natureza. Por exemplo, eles armazenam carbono e são um habitat importante para espécies animais e vegetais. “Precisamos urgentemente parar o desmatamento, caso contrário, a vida como a conhecemos vai parar”, disse Winter.

Os chamados hotspots de desmatamento também incluem florestas em Bornéu (Indonésia, Malásia), Paraguai, Argentina, Madagascar e Sumatra. Quase metade das florestas remanescentes nesses hotspots também estão gravemente fragmentadas, por exemplo, por estradas ou terras aráveis. “Isso torna a floresta mais suscetível à seca e ao fogo e expulsa as espécies animais que vivem lá.”

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Este artigo foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo “Neue Zürcher Zeitung” [Aqui!].

Em sincericídio, Paulo Guedes admite que objetivo do governo Bolsonaro é “tirar o Estado do povo brasileiro”

guedes granadaO dublê de banqueiro e ministro, o Sr. Paulo Guedes, usou hoje a página oficial do Ministério da Economia para dizer com todas as letras que o objetivo do governo Bolsonaro é “tirar o Estado do povo brasileiro” (ver imagem abaixo).

guedes sincero

E para quem será entregue o Estado depois de ser tomado do povo brasileiro? Alguém se arrisca a dizer… banqueiros? latifundiários? especuladores internacionais?

Não é à toa que o governo Bolsonaro só é bom em destruir coisas, pois o objetivo desde o início é esse… tirar o Estado do povo brasileiro.

Ao menos por um momento, temos a sinceridade de Paulo Guedes, o mesmo que quer colocar uma granada no bolso dos servidores públicos.

Micropoluentes e seus impactos sobre o meio ambiente

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Os chamados micropoluentes são substâncias de uso comum no dia a dia, que estão presentes em produtos de limpeza e de higiene pessoal, bem como cremes, medicamentos e cosméticos. Mas o que esse uso acarreta para o planeta? Quando os micropoluentes chegam ao meio ambiente, causam a sua degradação e colocam em risco a Saúde Pública, pois contaminam a água para consumo humano.

Rafael Zarvos, especialista em Gestão de Resíduos Domésticos e fundador da Oceano Resíduos, aponta para a necessidade do descarte ambientalmente adequado dos itens que contém tais substâncias entre seus componentes, tamanho é o prejuízo que causam nas águas.

“Os micropoluentes representam uma ameaça emergente à qualidade de nossas águas, rios, lagos, reservatórios, mares e oceanos, pois não existe tecnologia capaz de remover essas substâncias provenientes dos esgotos sanitários”, explica o especialista .

Uma solução para esse problema é o descarte correto dos micropoluentes. Para atender essa demanda, Zarvos criou a Oceano Resíduos. A ideia é que as pessoas possam ter em casa uma coleta inteligente que faça a correta destinação dos resíduos domésticos.

“Queremos que as pessoas, cada vez mais, entendam a importância do descarte responsável. Com pequenas atitudes como essa, podemos proteger o meio ambiente e cuidar do nosso futuro”, finaliza Rafael.

Oceano Resíduos | Rafael Zarvos

Zarvos, 44 anos, empresário carioca e defensor do meio ambiente, fundou em junho de 2019 a Oceano Gestão de Resíduos como uma forma de ajudar a população no descarte de lixo poluente de maneira correta e contribuir com a diminuição de agentes poluentes nos mares e rios. A empresa faz a gestão de resíduos e coleta inteligente, responsável pela correta destinação do lixo produzido no dia a dia. O foco é principalmente nos chamados micropoluentes, substâncias de uso comum em nosso dia a dia que constituem uma ameaça emergente à qualidade de águas, rios, lagos, reservatórios, mares e oceanos, uma vez que inexiste tecnologia para remoção destas substâncias provenientes de esgotos sanitários e hospitais, com coleta domiciliar e planos adequados para cada necessidade.

www.oceanoresiduos.com.br

@oceanoresiduos

@rafaelzarvos

Derrama fiscal como ponte entre passado e presente em Campos dos Goytacazes

Image result for wladimir rafaelEm Campos dos Goytacazes, a ponte entre presente (Wladimir Garotinho) e passado (Rafael Diniz) está sendo construída com uma nova derrama 

Ainda me recordo dos primeiros dias do governo de Rafael Diniz (Cidadania) quando muitos de seus eleitores se sentiram enganados ao presenciarem o lançamento de uma verdadeira derrama que elevou os valores de diversos tributos municipais, a começar pelo IPTU e pela famigerada “Taxa de Iluminação Pública”, que enquanto vereador ele prometia extinguir. O que se viu após esse início que salgou as contas foi um governo que se preocupou em extinguir políticas sociais destinadas a proteger os mais pobres, enquanto as ruas ficavam esburacadas e sujas. O resultado desse processo foi uma fragorosa derrota eleitoral na qual o agora ex-prefeito quase perdeu para uma candidata que não possuía qualquer ligação com as oligarquias que historicamente dominam a vida política do município, a professora Natália Soares do PSOL.

Enquanto isso, a tônica da campanha eleitoral  de 2020 foi a necessidade de “gerar dinheiro novo” para retirar as finanças municipais da condição crítica em que se encontra.  Ali o candidato e prefeito eleito, Wladimir Garotinho (PSD), prometia que iria buscar dinheiro em Brasília e na capital fluminense, de modo a criar novas fontes de recursos para viabilizar a retomada do processo de desenvolvimento econômico. Aparentemente, o que o novo prefeito esqueceu foi de informar que entre as novas fontes de dinheiro novo viria da manjada aplicação de majoração de tributos municipais. Esquecimento compreensivo para candidatos, mas que se torna estelionato eleitoral quando aplicado.

Senão vejamos o que já fez o novo prefeito em termos de retomar a derrama como estratégia de geração de receita. Primeiro, ele manteve o curioso aumento de 7,14% das contas de água e esgoto, ganhando em troca a promessa de “caiar” as paredes do Canal Campos-Macaé. Depois disso, veio a elevação de 3% da contribuição dos servidores municipais ao seu fundo de previdência, o Previcampos, inclusive em um momento em que os aposentados estão com salários atrasados.

Agora, o contribuinte campista está se dando conta que pagará um aumento de 4,22% e com uma diminuição do desconto por pagamento em taxa única de 15% para 7%.  Neste caso, noto que não parece ser uma medida inteligente diminuir o bônus pelo pagamento “cheio”, pois isto não só diminuirá a quantidade de contribuintes dispostos a liquidar de uma só vez o imposto, mas como provavelmente aumentará a inadimplência, o que representará perda e não ganho de caixa.

Mas o essencial aqui é que todos esses aumentos ocorrem em um momento de agravamento da pandemia onde há um aumento sensível do número de famílias sem renda. Assim, as medidas de derrama fiscal adotadas não só não fazem sentido financeiro, como tendem a punir aqueles segmentos da população que já estão sem dinheiro sequer para comprar comida, que dirá pagar tributos municipais.

Eu havia entendido, por exemplo, que haveria um ganho de receita ao se diminuir os chamados cargos de DAS, mas observadores atentos das publicações do Diário Oficial do Município vem notando e anotando a nomeação de centenas de pessoas para ocupar posições na nova gestão municipal, o que contradiz frontalmente as promessas de campanha, ampliando a sensação de estelionato eleitoral antes que se chegue a 40 dias de uma gestão que promete ser difícil para uma liderança emergente como é Wladimir Garotinho.

O fato que está explícito é que em vez de se ver a vinda de dinheiro de fora (coisa que já se sabia era difícil pelo contexto de fortes restrições no estado e na federação), o que está se fazendo é onerar o contribuinte municipal, sem que haja qualquer garantia que isso vá melhorar as condições de funcionamento das unidades de saúde municipal e das nossas escolas. Se isso se confirmar, eu diria que a desilusão que já grassa forte em segmentos do funcionalismo municipal vai se estender rapidamente para os setores populares que elegeram Wladimir Garotinho para fazer um governo realmente diferente daquele realizado por Rafael Diniz. Mas com a ponte entre o passado e o presente sendo feita por meio de uma derrama fiscal, isto vai ficar cada vez mais difícil de ser cumprido. A ver!

Novo título verde da Amaggi levanta questões sobre compromisso com o fim do desmatamento

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O trader de commodities brasileiro Grupo Amaggi lançou recentemente um título verde para expandir sua presença no mercado de soja do país. O título verde de US $ 750 milhões da empresa alocará dois terços dos recursos para novos esquemas, como iniciativas de energia limpa, e o restante para refinanciar dívidas para projetos que incluem a compra e processamento de soja certificada. O Grupo Amaggi, de propriedade privada, é um grande exportador de soja do Brasil. Seu CEO é Blairo Maggi, ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do ex-presidente Michel Temer. Os críticos dizem que suas ações como empresário e funcionário do governo levaram à perda generalizada de florestas no Brasil.

Embora o título verde seja um sinal de progresso na construção de políticas que levem à sustentabilidade ambiental, a Amaggi ainda não concordou com uma data limite de 2020 para o desmatamento no Cerrado. No final do ano passado, os signatários do Manifesto do  Cerrado , que inclui 160 empresas e investidores que têm exposição ao mercado de soja, pediram aos principais comerciantes de soja que concordassem com a data limite de 2020 para a compra de soja no bioma Cerrado. Os investidores e as empresas também pressionaram os comerciantes a implementarem um sistema vigoroso de rastreabilidade e monitoramento, baseado nos   princípios da Accountability Framework Initiative (AFI), para mostrar a aderência à data limite.

Ao não concordar com uma data limite, a Amaggi corre o risco de ver reduzido o interesse dos investidores em seu título verde recém-lançado. A Amaggi tem o compromisso de desmatamento zero, mas não cobre o desmatamento legal e seu sistema de implementação é considerado insuficiente para mitigar totalmente os riscos. A Amaggi, que comercializa por conta própria e como parte de joint ventures como Amaggi LD (uma JV com Louis Dreyfus e Zen-Noh), é uma grande compradora de soja dos desmatadores SLC Agrícola e BrasilAgro. Durante o verão de 2020, a Amaggi viu 4.203 incêndios em suas regiões de abastecimento, um ligeiro aumento em relação ao mesmo período de 2019, de acordo com a Chain Reaction Research.

As ONGs e os investidores provavelmente questionarão o quanto a empresa melhorará sua sustentabilidade com este novo título verde e se ela se comprometerá a estar totalmente livre do desmatamento. Finnwatch, uma ONG finlandesadivulgou um relatório no final de janeiro alertando sobre a exposição ao risco de desmatamento para investidores e empresas na Escandinávia que fazem negócios com Denofa , uma exportadora de soja de propriedade da Amaggi, observando a falta de eficácia geral em conter o desmatamento no Brasil . Outros comerciantes viram reações de compradores devido a preocupações com o desmatamento. A Nestlé cortou as compras da Cargill em 2019, enquanto a Grieg Seafood disse no ano passado, que não usaria os recursos de seu título verde para comprar soja da Cargill. Os fornecedores brasileiros de soja para a indústria de salmão, CJ Selecta, Caramuru e Imcopa,  anunciaram  compromissos com a data limite de agosto de 2020 para evitar que o desmatamento entre em suas cadeias de abastecimento, pressionando os principais comerciantes do Brasil – Amaggi, LDC, ADM , Bunge, Cargill, Viterra e COFCO.

Como as políticas atuais de desmatamento dos principais comerciantes de soja podem ser insuficientes para mitigar totalmente o risco de desmatamento, eles podem enfrentar risco de receita, risco de financiamento e risco de reputação. A probabilidade de regulamentações e leis mais rígidas no Reino Unido e na UE pode trazer riscos de acesso ao mercado para os comerciantes. A possibilidade do acordo comercial UE-Mercosul desmoronar por  questões climáticas pode exacerbar os riscos. Dada a influência dos comerciantes no mercado, eles têm sido alvo de campanhas de ONGs, investidores ativistas e empresas de bens de consumo. Com os comerciantes altamente ativos no Cerrado e seus volumes de exportação de soja aumentando, um acordo com uma data limite para 2020 poderia trazer mudanças em grande escala e enviar fortes sinais aos fornecedores para interromper o desmatamento. Até que isso aconteça, os críticos provavelmente olharão para ações como o título verde da Amaggi com suspeita.

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Este texto foi originalmente escrito em inglês pela Chain Reaction Research [Aqui!].

Com praias, bares e restaurantes abertos, Rio é a cidade onde se mais morre por COVID-19 no Brasil

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Ainda que haja boa vontade, é muito difícil entender a liberalidade da prefeitura do Rio – com praias, áreas de lazer, shopping centers, bares e restaurantes abertos – e o número de mortes por COVID-19 na cidade. O Rio, de acordo com levantamento de O GLOBO, é a cidade onde mais se morre em decorrência da doença no Brasil. A realidade frouxa do enfrentamento das aglomerações e a triste liderança no ranking nacional de mortes merecem uma reflexão, a despeito de o prefeito Eduardo Paes afirmar que se segue, sem hesitar, a orientação científica.

Nesta quinta-feira foram confirmadas 106 novas mortes da doença, alcançando o triste número de 17.535 vidas perdidas desde março de 2020. Apesar de ter quase o dobro de população, a vizinha São Paulo, líder até então de óbitos acumulados, confirmou 17.523 mortes pelo coronavírus até hoje.

A chegada do Rio no topo deste triste ranking, entretanto, já era esperada. O GLOBO mostrou no início do ano que , desde setembro, a cidade do Rio estava no topo do ranking de mortes por COVID-19 entre municípios do país. Há algumas semanas, Manaus, que vive um colapso na saúde, ultrapassou o Rio em mortes confirmadas em um intervalo de duas semanas. Entretanto, a capital fluminense continuou em um patamar de novas mortes bem acima da capital paulistana.

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Este texto foi originalmente publicado pelo site “Agenda do Poder” [Aqui!].

Ao danificar vasos sanguíneos, cloroquina pode piorar COVID-19, sugere estudo

Ensaios in vitro mostraram que substância causa disfunção nas células endoteliais, presentes nos vasos, o que prejudica circulação sanguínea e órgãos como coração e pulmões. Conclusão de pesquisador é de que efeito colateral agrava uma das principais condições de mortalidade da doença provocada pelo novo coronavírus, anulando potenciais benefícios

Pesquisa constatou que cloroquina causou stresse oxidativo e danos em células endoteliais, presentes nos vasos sanguíneos, o que pode potencializar tromboses causadas pelo novo coronavírus. Foto: Daniel Foster/Flickr, 2018.Pesquisa constatou que cloroquina causou estresse oxidativo e danos em células endoteliais, presentes nos vasos sanguíneos, o que pode potencializar tromboses causadas pelo novo coronavírus. Foto: Daniel Foster/Flickr, 2018.

Por João Cubas para o Ciência UFPR

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) concluiu que a cloroquina provoca danos em células endoteliais, presentes em todos os vasos sanguíneos do corpo humano. Os resultados estão no artigo “Chloroquine may induce endothelial injury through lysosomal dysfunction and oxidative stress“, publicado na revista Toxicology and Applied Pharmacology.

A pesquisa foi conduzida durante o doutorado de Paulo Cézar Gregório, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR, sob a orientação da professora Andréa Emília Marques Stinghen, do Departamento de Patologia Básica e do professor Fellype de Carvalho Barreto​, do Departamento de Medicina Interna da UFPR.

Para chegar a essa comprovação, o pesquisador trabalhou com linhagens de células endoteliais humanas extraídas de vasos sanguíneos, que foram cultivadas na presença de cloroquina, em concentrações incapazes de causar sua morte celular, por até 72 horas.

Observou-se que, durante esse período, a célula induziu significativamente o acúmulo de organelas ácidas, aumentou os níveis de radicais livres e diminuiu a produção de óxido nítrico, levando ao estresse oxidativo e dano celular. Este processo, chamado de disfunção endotelial, pode resultar no funcionamento incorreto ou até na morte da célula.

“Ela para de produzir substâncias que a protegem e passa a produzir em excesso substâncias tóxicas”, resume a professora Andrea. Ainda de acordo com a hipótese do estudo, a disfunção endotelial pode afetar a circulação sanguínea, e por consequência, órgãos como coração, rins e pulmões.

Lesões celulares podem contribuir para maus resultados do uso da cloroquina contra a COVID-19

O comportamento das células cultivadas em laboratório é semelhante a de células endoteliais infectadas pelo vírus Sars-Cov-2. Por isso, os pesquisadores concluem que a lesão nas células pode contribuir com o fracasso da cloroquina como terapia para o tratamento da COVID-19. Embora haja diminuição da replicação viral in vitro, o uso da substância traz reações adversas.

“Se por um lado, a cloroquina pode diminuir a replicação viral, por outro promove uma citotoxicidade que pode potencializar a infecção viral”, enfatiza Gregório.

Efeitos de diferentes concentrações de cloroquina nas células endoteliais: nas doses maiores, substância reduz viabilidade celular. Nas menores, causa estresse oxidativo e cria condições para a formação de trombos. Ilustração: Aspec/UFPR
Efeitos de diferentes concentrações de cloroquina nas células endoteliais: nas doses maiores, substância reduz viabilidade celular. Nas menores, causa estresse oxidativo e cria condições para a formação de trombos. Ilustração: Aspec/UFPR

Outras pesquisas já comprovam que a alta mortalidade nos casos graves de covid-19 é relacionada à micro ou macrotrombose, ou seja, à lesão celular endotelial. Por isso, os resultados do estudo são importantes para endossar a comprovação clínica, conforme explica Stinghen: “Já está provado que a covid causa muitos problemas de coagulação e de circulação. Com isso, conseguimos ligar esses efeitos que observamos nas células, aos que os pacientes apresentam clinicamente”.

Prescrição tradicional da cloroquina contra doenças graves considera custo e benefício

A cloroquina já é utilizada há muitos anos para o tratamento de malária e doenças autoimunes, como o lúpus. Sobre o uso já consolidado, Gregório enfatiza que, ao utilizar qualquer medicamento, deve-se pesar os riscos e benefícios, pois não existe medicamento sem efeitos adversos. “É preferível controlar doenças graves em troca dos efeitos colaterais da cloroquina. Assim é com toda terapia comprovada para alguma doença. Os benefícios têm que superar os riscos”, avalia.

Gregório foi bolsista Capes (Doutorado Sanduíche) entre 2016 e 2020 e realizou parte se seus estudos na Universidad Autónoma de Madrid e na Fundación Jiménez Díaz, na Espanha. O projeto também contou com bolsistas de Iniciação Científica e recebeu verbas do Edital de Apoio de Atividades de Pesquisa da UFPR.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo Ciência UFPR [Aqui!  ].

Pesquisa IBOPE: brasileiros se preocupam muito com a questão ambiental

 Levantamento mostra ainda que consumidores e eleitores já fazem escolhas cada vez mais coerentes com seus valores ambientais

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Quatro em cada cinco brasileiros acham que as queimadas na Amazônia prejudicam a imagem do Brasil no exterior e 78% entendem que elas podem prejudicar também as relações comerciais com outros países. Para 77% dos brasileiros, proteger o meio ambiente é mais importante, ainda que isso signifique menos crescimento econômico. Entre os brasileiros, é praticamente uma unanimidade que o aquecimento global está acontecendo (92%) e já pode prejudicar – e muito – a atual geração (72%). E a relação entre queimadas e clima é percebida por quase todos os brasileiros: 90% concordam que as queimadas na Amazônia são uma ameaça para o clima e o meio ambiente do planeta e 92% acreditam que elas prejudicam a qualidade de vida da população.

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Essas são algumas conclusões da pesquisa IBOPE Inteligência encomendada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade – ITS Rio em parceria com o Programa de Comunicação de Mudança Climática da Universidade de Yale (Yale Program on Climate Change Communication) com brasileiros de todas as regiões, classes e níveis de escolaridade, refletindo o perfil da população brasileira acima dos 18 anos. Ela mostrou percepções e opiniões da sociedade, que de forma geral vão no sentido contrário a algumas das políticas ambientais do país.

A pesquisa traz também um recado importante para políticos e empresários: quase metade dos brasileiros (42%) declarou já ter votado em algum político em razão de suas propostas para defesa do meio ambiente e mais da metade (59%) deixou de comprar ou usar algum produto que prejudique o meio ambiente.

“A atual política ambiental do Brasil nos isola no cenário internacional e pode nos custar empregos e atrasar nossa recuperação pós-COVID. O Brasil caminha na direção contrária do que esperam os investidores e líderes internacionais, bem no momento em que o mundo se realinha para combater o problema das mudanças climáticas”, analisa Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Quando perguntados sobre quem pode contribuir para resolver o problema das mudanças climáticas, os governos e as empresas foram os mais citados, por 35% e 32% dos entrevistados, respectivamente. “O entendimento dos brasileiros reflete o que desejam consumidores e investidores. As empresas devem buscar desempenhar um papel mais estratégico no desenvolvimento sustentável. Várias corporações já se uniram nesse esforço, mas precisamos avançar mais se quisermos permanecer relevantes nas cadeias econômicas globais”, completa Marcello Brito, representante da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento que reúne mais de 270 organizações do setor privado, financeiro, sociedade civil e academia.

A ação humana é vista como a principal causa das queimadas na Amazônia para 77% dos brasileiros. Na questão sobre quem causa as queimadas, os entrevistados podiam apontar mais que um responsável. Os mais citados foram madeireiros (76%), agricultores (49%), pecuaristas (48%) e garimpeiros (41%). Mesmo quando se considera apenas o indicado em primeiro lugar, estes atores continuam sendo os mais citados. Perguntados sobre de quem é a responsabilidade em contribuir para resolver o problema, mais da metade da população (54%) entende que a responsabilidade é do governo.

Segundo Anthony Leiserowitz, diretor do Yale Program on Climate Change Communication, há semelhanças e diferenças entre o Brasil e os Estados Unidos: “Os resultados são fascinantes – eles nos ajudam a entender a opinião pública brasileira e fornecem um contraste muito interessante com a opinião pública nos Estados Unidos. Por exemplo, 92% dos brasileiros entendem que o aquecimento global está acontecendo. Nos Estados Unidos, esse percentual é de apenas 73%. Da mesma forma, 78% dos brasileiros dizem que o aquecimento global é uma questão muito importante, em comparação com apenas 37% dos americanos. Ao mesmo tempo, também vemos padrões semelhantes entre os dois países. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os jovens, aqueles que se declaram mais à esquerda no espectro político, com ensino superior e as mulheres, afirmam conhecer mais e estar mais preocupados com as mudanças climáticas, o desmatamento e o meio ambiente do que os entrevistados mais velhos, que se declaram mais à direita politicamente, com menor grau de instrução e homens. Esperamos que esses resultados sejam úteis para muitos atores no Brasil, como funcionários do governo, líderes empresariais e organizações da sociedade civil.”

Para Rosi Rosendo, diretora de contas na área de Opinião Pública, Política e Comunicação do IBOPE Inteligência, “Os resultados da pesquisa apontam para uma grande preocupação da população brasileira em relação ao meio ambiente, pauta que tem tomado conta dos noticiários nos últimos anos, principalmente em função das queimadas que ocorreram na Amazônia em 2019 e no Pantanal e no Cerrado no segundo semestre de 2020, ambos acontecimentos tiveram forte repercussão internacional. As queimadas foram percebidas pelos brasileiros como acontecimentos que prejudicam a imagem do Brasil no exterior e que podem até impactar negativamente a relação comercial com outros países. No entanto, ainda que a população considere importante a preservação do meio ambiente, há muito que se avançar em termos de educação e disseminação de conhecimento sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global, já que apenas um em cada cinco brasileiros declarou saber muito sobre o assunto, resultados que devem ser levados em conta tanto pelo governo quanto pelas empresas em ações de preservação do meio ambiente”, acrescenta Rosendo.

Fabro Steibel, diretor do ITS, explica que novas rodadas da pesquisa serão realizadas e que o objetivo é medir a percepção do brasileiro sobre o clima ao longo dos anos. “Nós percebemos que há pesquisas sobre a percepção de clima, mas elas não têm continuidade. Dando continuidade, poderemos acompanhar se haverá evolução da preocupação”.

“Mudanças Climáticas: a Percepção dos Brasileiros” é uma pesquisa quantitativa realizada pelo IBOPE Inteligência com uma amostra de 2.600 entrevistas, representativa da população brasileira com 18 anos ou mais em todas as regiões do Brasil. O período de campo foi de 24 de setembro a 16 de outubro de 2020, após o qual o ITS se dedicou à análise dos dados em conjunto com os seus parceiros. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para o total da amostra, considerando-se um nível de confiança de 95%. Saiba mais em: https://www.percepcaoclimatica.com.br/

Sobre o Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS Rio)

O ITS Rio é uma associação civil sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento de pesquisas e projetos sobre o impacto social, jurídico, cultural e político das tecnologias de informação e comunicação. Com ampla atuação internacional, derivada da experiência e trabalho em sua área específica acumulada por mais de 10 anos por parte dos seus fundadores, o ITS é organizado no modelo de think tank independente. O ITS realiza pesquisas orientadas ao atendimento do interesse público e que gerem reflexões e propostas que avancem o diálogo democrático, a proteção dos direitos humanos e proporcionem impactos relevantes na formação e execução de políticas públicas e práticas privadas. Formado por professores e pesquisadores de diversas instituições como UERJ, PUC-Rio, FGV, IBMEC, ESPM, MIT Media Lab, dentre outras, o ITS conta com uma rede de parceiros nacionais e internacionais. Mais informações: https://itsrio.org

Yale Program on Climate Change Communication

Pesquisa conhecimento, atitudes, preferências políticas e comportamentos públicos em todo o mundo e desenvolve estratégias de comunicação para engajar diferentes públicos na ciência e nas soluções de mudanças climáticas.

Mais informações: https://climatecommunication.yale.edu/

Pesquisadores dinamarqueses alertam que a elevação do nível do mar poderá ser pior do que se temia

A equipe dinamarquesa prevê um possível aumento de 1,35 m até 2100 e destaca problemas com a modelagem anterior

Uma menina e uma mulher caminham pela água no porto de Kali Adem, ao norte de Jacarta, na IndonésiaUma mulher e uma criança caminham pela água no porto de Kali Adem, ao norte de Jacarta, onde os efeitos da elevação do nível do mar já são sentidos. Fotografia: Willy Kurniawan / Reuters

Por Karen McVeigh para o “The Guardian”

A elevação do nível do mar provavelmente será mais rápida e maior do que se pensava, de acordo com pesquisadores que afirmam que as previsões recentes são inconsistentes com os dados históricos.

Em sua avaliação mais recente, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas disse que o nível do mar dificilmente aumentará além de 1,1 metro (3,6 pés) até 2100 .

Mas pesquisadores do clima do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhague acreditam que os níveis podem aumentar até 1,35 metros até 2100, no pior cenário de aquecimento. Quando eles usaram dados históricos sobre a elevação do nível do mar para validar vários modelos nos quais o IPCC fez sua avaliação, eles encontraram uma discrepância de cerca de 25 cm, eles disseram em um artigo publicado na revista Ocean Science .

Os pesquisadores disseram que os modelos usados ​​pelo IPCC não eram sensíveis o suficiente, com base no que eles descreveram como um teste de “verificação da realidade”.

“Não é uma boa notícia acreditarmos que as previsões anteriores são muito baixas”, disse o cientista da mudança climática, Aslak Grinsted, coautor e professor associado do Instituto Niels Bohr.

“Os modelos usados ​​para basear as previsões do aumento do nível do mar no momento não são sensíveis o suficiente”, disse ele. “Para ser mais claro, eles não atingem o alvo quando os comparamos com a taxa de aumento do nível do mar que vemos quando comparamos cenários futuros com observações voltando no tempo.”

No entanto, ele esperava que seu método de teste pudesse ser usado para restringir os modelos, torná-los mais confiáveis ​​e reduzir a incerteza. Ele disse que o artigo foi enviado aos cientistas do nível do mar do IPCC.

As previsões de aumento usadas pelo IPCC são baseadas em um “quebra-cabeça” de modelos para mantos de gelo, geleiras e expansão térmica ou aquecimento do mar. Quanto mais a temperatura subir, mais alto será o nível do mar.

Mas, disse Grinsted, às vezes apenas uma quantidade limitada de dados estava disponível para os modelos serem testados. Praticamente não havia dados sobre a taxa de derretimento da Antártica antes das observações de satélite na década de 1990, disse ele. Grinsted descobriu que, embora os dados individuais, quando testados para trás no tempo, de 1850 a 2017, refletissem o aumento real do nível do mar, quando os dados foram combinados as previsões eram muito conservadoras.

“Temos melhores dados históricos para o aumento do nível do mar no total, o que, em princípio, permite um teste do quebra-cabeça combinado de modelos”, disse Grinsted.

A equipe de pesquisa do Instituto Niels Bohr espera que seu método para validar cenários futuros olhando para o passado possa ganhar uma base em como a elevação do nível do mar será analisada.

Jens Hesselbjerg Christensen, professor da seção de gelo, clima e geofísica do Instituto e coautor do artigo, disse: “Esperamos que essa nova métrica de comparação seja adotada e possa se tornar uma ferramenta que possamos aplicar na comparação de modelos diferentes”.

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian”  [Aqui!].

Na posse de Lira e Pacheco, governo Bolsonaro declara guerra ao Brasil

Arthur Lira (à dir.), Rodrigo Pacheco (centro) e Jair Bolsonaro (à esq.) participam da sessão de abertura do ano legislativo, no Plenário do Congresso Nacional, em Brasília - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Na posse de seus aliados Rodrigo Pacheco (DEM/MG) como presidente do Senado Federal e Arthur Lira (PP/AL) como presidente da Câmara de Deputados, o presidente Jair Bolsonaro entregou um pacote de projetos que representam uma declaração de guerra aos trabalhadores brasileiros e aos povos indígenas.  No pacote estão incluídos temas explosivos como a privatização da Eletrobras, a permissão para atividades de mineração em terras indígenas e o homeschooling, mas também houve espaço para apresentar as PEC 32/2020 da Reforma Administrativa que deverá destroçar as carreiras dos servidores públicos, e precarizar ainda mais a qualidade dos serviços prestados aos mais pobres.

Enquanto isso, a direção do PT aparentemente operou para que a deputada Marília Arraes (PT/PE) agisse para inviabilizar a eleição para a mesa diretora da Câmara de Deputados do deputado João Daniel (PT/SE) por ele ser mais ligado à esquerda do próprio partido. Essa rasteira realizada contra João Daniel permite antever qual será o papel do PT nos duros embates que terão de ser de travados nas ruas e no parlamento para impedir que a agenda de destruição do governo Bolsonaro tenha êxito. Em suma: não se poderá contar com a maioria do PT para este combate, pois a opção feita está claramente em conviver pacificamente com um governo que está agindo para desmontar o Estado brasileiro para beneficiar principalmente o grande capital multinacional, a começar pelos grandes bancos que hoje se refastelam com a dívida pública brasileira.

O momento que vivemos é certamente um dos mais complexos da história recente do Brasil, pois o êxito da agenda do governo Bolsonaro tornará o Brasil uma economia cada vez mais dependente do setor primário que não gera empregos e serve apenas para concentrar ainda mais a riqueza, enquanto se produz efeitos devastadores sobre a Natureza e os povos tradicionais.

A opção como sempre será sair às ruas para mobilizar a classe trabalhadora e a juventude. O problema é que com o avanço da pandemia e o surgimento de variantes ainda mais contagiantes do SARS-COV-2, isto implicará em desafios ainda maiores para se gerar o nível de mobilização que será capaz de impedir a aprovação desse pacote que equivale a uma verdadeira declaração de guerra ao Brasil e aos segmentos mais pobres da nossa população.