Deputado desmente desmentido e expõe descontrole político do governo Bolsonaro

wagner bolsonaro

O deputado federal Capitão Wagner (PROS-CE) e o presidente Jair Bolsonaro em um tempo em que não existiam ainda os desmentidos dos desmentidos.

A greve nacional da educação que deverá ocorrer ao longo do dia de hoje é um primeiro teste para a disposição de enfrentamento de segmentos críticos às políticas ultraneoliberais e de caráter regressivo que estão sendo aplicadas pelo governo Bolsonaro.  

Antes de que se saiba o alcance e a amplitude do movimento, uma coisa que já ficou evidente é que há um grave problema de coordenação política entre os que hoje comandam o executivo federal e sua própria base partidária dentro do congresso nacional.

Uma prova disso é o depoimento mostrado no vídeo abaixo com o depoimento do deputado federal Capitão Wagner (PROS-CE), um apoiador declarado do presidente Jair Bolsonaro, sobre a reunião convocada com líderes partidários para agilizar a votação de interesse do governo federal e onde teria sido comunicado um recuo, imediatamente negado, de que os cortes nas universidades e institutos federais  teria sido suspenso.

Como não há razão para duvidar das palavras de um membro da base do próprio governo, o que esse depoimento mostra é um descontrole político dentro dos altos escalões do governo federal, na medida em que fica evidente que o presidente Jair Bolsonaro pode não ser quem efetivamente tem o controle final das decisões que estão sendo aplicadas pelos seus próprios ministros.

Há quem veja nesse movimento de anunciar a suspensão dos cortes orçamentários no MEC para depois desmenti-los como uma tática de gerar confusão e diminuir o tamanho da mobilização que deverá ocorrer. Eu já acho que se trata de um descontrole dentro dos agentes tomadores de decisão.

E se o motivo do anúncio era desmobilizar, o desmentido do desmentido que aparece no vídeo deverá gerar ainda mais instabilidade político dentro do congresso nacional e aprofundar as dificuldades já notadas na aprovação de medidas de interesse do governo Bolsonaro. Em outras palavras, tentaram apagar o incêndio com gasolina e podem acabar aumentando o seu alcance.

Cortes na ciência e tecnologia vão agravar fuga de cérebros

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Intencional ou não, um dos primeiros efeitos que os cortes draconianos que foram executados pelo ministro Abraham Weintraub, aquele que possui dificuldades extremas com o cálculo de porcentagens, no sistema nacional de pós-graduação será acelerar um processo que historicamente drena recursos humanos do Brasil que é conhecido pela alcunha de “fuga de cérebros”. 

Esse processo não é de hoje, mas será aprofundado por uma opção de retirar investimentos da ciência e tecnologia para encher os cofres dos grandes agentes internacionais e nacionais que fazem a festa com dinheiro público a partir da especulação financeira.

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Eu já vinha sendo procurado por jovens pesquisadores interessados em sair do Brasil para procurar oportunidades de treinamento em nível de pós-graduação em centros como Canadá e Austrália.  Essas conversas geralmente revolviam em torno da necessidade de manter ou aprofundar treinamentos iniciados no Brasil em países onde há maior estabilidade no aporte de verbas.  Como realizei no meu doutorado e meu pós-doutorado nos EUA, quem me procurou estava buscando informações sobre como não só acessar programas em universidades estrangeiras, mas também sobreviver ao duro teste que é viver fora do Brasil enquanto se estuda e faz pesquisas.

O que os presentes cortes drásticos feitos pelo governo Bolsonaro acabarão causando, em um sistema que objetivamente se tornou um dos mais promissores do mundo ao longo das últimas décadas onde houve uma certa melhora no aporte de recursos, será acelerar um processo que sempre existiu.  Uma das razões para isso é que muitos desses jovens pesquisadores (e até alguns assim não tão jovens) já alcançaram algum tipo de expertise científica que será facilmente assimilada em países que estão realizando o percurso oposto ao do Brasil e realizando investimentos pesados em ciência e tecnologia.

Um exemplo é a União Europeia que apenas na iniciativa conhecida como “Horizon 
Europe” irá investir algo em torno de R$ 500 bilhões entre 2021 e 2027.  Esse montante ainda será acrescido de investimentos feitos pelos próprios países europeus, a começar pela Alemanha que está planejamento investimentos de R$ 800 bilhões em suas universidades e institutos de pesquisa entre 2021 e 2030.

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Com  o “Horizon Europe”, a União Europeia irá investir R$ 500 bilhões no desenvolvimento científico e tecnológico apenas entre 2021 e 2027.

Como estive recentemente na Finlândia pude constatar que também naquele país estão sendo realizados investimentos massivos nas universidades, os quais estão permitindo a atração de excelentes quadros científicos de todas as partes do mundo para fortalecer a capacidade de produção em todas as áreas de conhecimento. Um modelo que, aliás, a China já vem executando há alguns. 

Os apoiadores do governo Bolsonaro poderão dar de ombros e dizer que o aeroporto será o melhor caminho para aqueles que não quiserem “amar” o Brasil que está sendo montado pelo “mito”.  O problema é que ao perdermos quadros científicos, aumentaremos ainda mais a nossa dependência em todo tipo de produto, a começar, por exemplo, por vacinas e remédios contra doenças tropicais.  Cito aqui o caso da pesquisadora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Letícia Takahashi ,que anunciou a sua desistência do seu programa de doutoramento cujo foco seria a continuidade de suas pesquisas sobre a Leishmaniose, doença transmitida por mosquitos, que cresceu quase 53% nos últimos 26 anos no Brasil e que pode ser fatal. Não ficarei surpreso se alguma universidade estrangeira vier ao nosso país para recrutá-la, pagando muito mais do que os minguados R$2.200,00 que ela receberia na forma de uma bolsa de pesquisas da CAPES.

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Leticia Takahashi, pesquisadora que teve que interromper o doutorado por falta de bolsa. Arquivo pessoal

Assim é preciso que fique claro que se centenas ou até milhares de pesquisadores decidirem sair do Brasil em busca de condições de trabalho, os culpados serão não apenas os membros do governo Bolsonaro que engendraram os cortes operados no sistema nacional de ciência e tecnologia, mas também aqueles que podendo pressionar para que isso não ocorresse estão se omitindo. Um desses personagens omissos é o ministro da Ciência e Tecnologia, o auto intitulado astronauta Marcos Pontes, que está assistindo a tudo o que está sendo com cara de paisagem.  Se é para se comportar assim, melhor seria ele voltar a anunciar travesseiros feitos como se fossem da NASA, mas que não o são.

Abraham Weintraub dá mais uma mostra pública de incapacidade matemática

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No dia 05 de Maio mostrei aqui um equívoco grave do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que festejou um custo fictício de R$ 500 mil para um exame nacional que, na realidade, custará R$ 500 milhões. Disse naquela ocasião que se não estivéssemos tempos, digamos, tão bagunçados, Weintraub seria sumariamente demitido.

Mas se houvesse quem pudesse pensar que Abraham Weintraub se tornaria mais cuidadoso com seus manuseios públicos de cálculos matemáticos triviais, a pessoa que operou um ajuste draconiano no orçamento de universidades e institutos federais, hoje ele provou o contrário e de forma igualmente bisonha. É que ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, usou bombons para explicar o congelamento  médio de 28,46% do orçamento das universidades públicas do país (ver vídeo abaixo).  

 

E qual é o problema aqui? É que o corte feito equivale a 28,5 e não 3,5 bombons! Ainda que em comparação com o erro anterior, a ordem de grandeza do erro tenha caído duas vezes, há que lembrar que Weintraub possui um curso de graduação em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (USP), o que torna esse tipo de erro algo inexplicável, para não dizer surreal.

A única explicação que não seja a de pura falta de letramento matemático por parte de Weintraub é que ele estava de gozação com a cara de quem assiste as transmissões que o presidente Jair Bolsonaro faz pelas redes sociais.

Em qualquer uma das opções acima, o caso é grave e torna ainda mais inexplicável a indicação e agora a permanência num dos cargos mais estratégicos da república brasileira.

Governo Bolsonaro aprofunda ataque à ciência brasileira

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Abraham Weintraub e Jair Bolsonaro, os arautos da destruição da ciência brasileira.

Gosto sempre de lembrar que no dia 11 de janeiro de 2019 concedi uma entrevista ao jornal português “Diário de Notícias” onde declarei que a ciência brasileira estava sob ataque ideológico do governo Bolsonaro.  De lá para cá, os ataques contra a ciência nacional foram paulatinamente se intensificando, primeiro sob a batuta de Ricardo Vélez Rodriguez e mais recentemente pelas mãos de Abraham Weintraub.

A primeira grande evidência de que o ataque inicialmente no campo da ideologia havia mudado de patamar passando para a área financeira foi o corte médio de 40% do orçamento de universidades e institutos federais. Tal ação ameaça inviabilizar o funcionamento das instituições federais de ensino em meados de agosto, justamente quando deverá (ou deveria) começar o segundo semestre acadêmico de 2019.

Mas usando uma tática brutal que se assemelha à “blitzkrieg” utilizada pelo exército alemão no início da Segunda Guerra Mundial, hoje o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), o Sr. Anderson Ribeiro Correia, fez chegar às universidades brasileiras a informação de que foram sustadas bolsas em cinco programas ( i.e., Programa de Demanda Social (DS);  Programa de Excelência Acadêmica (PROEX);  Programa de Suporte à Pós-Graduação de Ins tuições Comunitárias de Ensino Superior (PROSUC);  Programa de Suporte à Pós-Graduação de Ins tuições de Ensino Par culares (PROSUP); e  Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD/CAPES), no que implica num processo de asfixia financeira que deverá atingir todas as áreas do conhecimento, impedindo a continuidade de centenas de projetos de pesquisa e comprometendo a sobrevivência do ainda jovem sistema nacional de ciência e tecnologia (ver ofício abaixo).

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Há que ficar claro que pós-graduandos representam não apenas a mão-de-obra essencial para que o sistema nacional de ciência e tecnologia funcione em suas estruturas fundantes que são as universidades, mas são também a garantia de que haverá continuidade na formação de pessoal de alta qualificação, um elemento estratégico para que qualquer país enfrente os desafios científicos e econômicos deste início do Sèculo XXI. Apenas para exemplificar como a atitude tomada pela CAPES vai no sentido contrário do que está sendo feito em outros países, o governo da Alemanha anunciou no dia 03 de maio um aumento de investimentos em suas universidades e institutos de pesquisa científica na ordem de 160 bilhões (algo em torno de 800 bilhões de reais) de euros apenas para o período 2021-2030. 

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É preciso que fique claro que o movimento de asfixiar universidades e reduzir o investimento na formação de quadros científicos não é um ponto fora da linha. Como já afirmei anteriormente, o deinvestimento em universidades e no sistema de pós-graduação faz parte de um projeto de abandono de qualquer perspectiva de desenvolvimento autônomo que objetivamente ampliará a dependência da economia brasileira dos países centrais, a começar pelos EUA de Donald Trump.

Em meio a essa avalanche de ataques friso que a comunidade científica brasileira está sendo forçada a sair de dentro dos muros universitários e ir para as ruas onde se dará a disputa pelo modelo de país que queremos ser.  Como estou calejado por anos de duros enfrentamentos com os governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, a boa notícia que tenho para aqueles que agora irão começar seu noviciado de lutas fora de laboratórios de pesquisa é que a maioria da população brasileira, especialmente os seus segmentos mais proletarizados, não apenas entendem a importância das universidades, mas como não se furtam a apoiar as ações em suas defesas.

Por outro lado, o despreparo intelectual dos que lideram os ataques às instituições federais de ensino, a começar pelo ministro (sic!) Abraham “Kafta” Weintraub, são um elemento a mais a ser utilizado para derrotar o projeto de desmonte da ciência brasileira do governo Bolsonaro.  Entender essa particularidade será fundamental não apenas para organizar as ações de sensibilização da população, mas também para colocar o debate na arena onde a ciência tem o seu forte que é no uso racional e lógico do conhecimento.

Às ruas pesquisadores, a hora de defender o futuro da ciência brasileira é essa!

 

Os ministros de Bolsonaro e o (auto) elogio à ignorância

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Abraham Weintraub: entre Franz Kafka e a Kafta, o elogio à própria ignorância do ministro da Educação do governo Bolsonaro

As trapalhadas de diversos ministros do governo Bolsonaro não escondem ou, tampouco, mudam o perfil autoritário dos mesmos, apenas o reforça. Entretanto, mesmo para os padrões brasileiros que não são assim tão altos quando se trata de definir quem pode ser ministro, convenhamos que a atual safra é de uma qualidade intelectual sofrível.

Entre a apologia aos venenos agrícolas de Tereza Cristina ao Jesus na goiabeira de Damares Alves, já tivemos que ouvir Vélez-Rodriguez dizendo que todos os brasileiros são canibais, sem falar no “conge” de Sérgio Moro.

Mas, convenhamos, que dentre tantas provas de incapacidade de relacionar sua própria capacidade à realidade, destacam-se Abraham Weintraub e Ricardo Salles. O primeiro, com um currículo acadêmico que não o habilitaria em condições normais a ser docente de uma universidade federal, e o segundo com sua capacidade explícita de entender qual ministério dirige (apesar de estar no Meio Ambiente, acha que está na Agricultura).

Ainda que Weintraub e Salles nos rendam momentos hilários como a confusão feita ontem em audiência no Senado por Weintraub entre o escritor theco Franz Kafka e o prato árabe Kafta, a verdade é que esses dois ministros (ministros?) são personagens que possuem em comum a dificuldade de se autoavaliar, sempre se apresentando como muito mais importantes do que jamais conseguirão ser.

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O problema é que estando à frente de pastas estratégicas como a da Educação e do Meio Ambiente, Weintraub e Salles possuem a capacidade ímpar de causar danos que requisitarão décadas para ser corrigidos em um momento no qual há muito pouco espaço para o erro.  Por isso, mesmo que esses dois personagens sejam matéria prima de primeira qualidade para a sátira política, o fato é que precisam ser levados muito a sério, particularmente por aqueles que entendem a gravidade das consequências que o desmanche que estão realizando seja levado a cabo em sua plenitude.

E que ninguém se engane: o auto elogio à ignorância é apenas reflexo de problemas bem mais graves no tocante à capacidade de conviver com o diferente e entender do que se realmente trata experimentar a vida em sua sociedade democrática. Bom, pelo menos essa lição podemos tirar da passagem, ao mesmo tempo, de tantas figuras nada pitorescas por postos de comando no Brasil.

Por fim, há que se refletir sobre a razão da escolha de personagens tão explicitamente ignorantes para a direção de pastas fundamentais para a formulação de políticas que ajudem a tirar o Brasil do buraco em que está. Para mim a razão é bem simples: quem de fato dirige esse governo (e não falo aqui do  presidente Jair Bolsonaro) não quer tirar o Brasil das profundezas em que está. Aliás, muito pelo contrário, quando mais fundo estivermos, melhor será para eles. E, por isso, essa hegemonia de ignorantes em postos chaves. Simples mas, mesmo assim, trágico.

Jair Bolsonaro: rejeitado fora, sob pressão dentro

Estudantes do Colégio Pedro II protestam contra Jair Bolsonaro por causa de ajuste draconiano no orçamento da educação federal.

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O presidente Jair Bolsonaro teve hoje uma espécie de aperitivo dos inevitáveis protestos que ocorrerão em diferentes partes do Brasil por causa do ajuste orçamentário draconiano que seu governo está realizando contra a educação pública em nível federal.  

Esse aperitivo foi servido por estudantes do Colégio Pedro II  que foram protestar contra os cortes realizados contra o orçamento daquela instituição centenária durante celebrações dos 170 anos do Colégio Militar do Rio de  Janeiro (ver imagens abaixo).

Como está marcada uma paralisação nacional da Educação para o dia 15 de Maio, o “aperitivo” servido hoje pelos estudantes e muitos pais do Colégio Pedro II (e também de outras instituições federais de ensino), o mais provável é que cada vez mais o presidente Jair Bolsonaro tenha dificuldades para circular pelas ruas e participar de eventos públicos.

Tudo indica que os cortes realizados por Abraham Weintraub, o ministro que não sabe diferenciar  500 mil de 500 milhões, ainda vão causar muita dor de cabeça a Jair Bolsonaro. É que, como esperado, a asfixia financeira de instituições altamente qualificadas não irá ocorrer sem fortes resistências.

Ajuste orçamentário nas universidades e institutos federais deverá ampliar o desemprego e a recessão

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O corte anunciado de cerca de R$ 2,2 bilhões no orçamento de 2019 de universidades e institutos federais deverá causar fortes atrapalhos não apenas no interior das instituições ou só capacidade de produção científica brasileira.  Algo que ainda não foi apontado até aqui será o feito que esse ajuste terá sobre um número incalculável de empresas que prestam serviços ou vendem insumos e equipamentos para o sistema federal de ensino.

É que confrontados com o encurtamento do orçamento, as direções das instituições certamente terão que cortar na própria carne, começando pelos serviços básicos de limpeza e segurança, mas chegando naquelas empresas que aportam insumos e equipamentos utilizados não apenas para a pesquisa, mas também para o funcionamento de serviços hospitalares, por exemplo. Com isso, não sofrerão apenas as empresas que prestam serviços ou vendem produtos para o sistema federal de ensino, mas, principalmente, a população brasileira.

Com o encurtamento orçamentário teremos então inevitavelmente fechamentos de empresas e demissões como subprodutos do ataque que está sendo desferido pelo governo federal contra o sistema federal de ensino.

Interessante notar que, ao contrário das fake news divulgadas para dar sustentação a este ataque inédito às instituições federais de ensino, o controle orçamentário realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e também por outros órgãos de controle, o sistema federal já é fortemente monitorado, havendo pouco espaço para estripulias com o dinheiro público.  

Entretanto, sabemos que a real motivação não é nem ampliar o investimento em educação básica, já que esse segmento também sofreu cortes, ou tampouco melhorar a gestão de recursos públicos pelo sistema federal de ensino. O que está em jogo é pura e simplesmente a destruição pura e simples de um patrimônio que levou várias gerações para começar a dar frutos.  Agora, só faltará salgar a terra arrasada em que querem transformar nossas universidades e institutos federais para que ali nunca mais brote nada. Tal como fez o Império Romano em Cartago no ano 146 antes de Cristo (a.C.).  

Por último, há que se apontar que muitas cidades que possuem instalações de universidades e institutos federais são hoje diretamente dependentes da capacidade dessas instituições de empregar e dinamizar a economia municipal. Especialmente nas cidades localizadas no interior é que os efeitos colaterais do ajuste feito pela dupla Bolsonaro/Weintraub deverão resultar em repercussões mais dramáticas.