JB: Que a rapidez na prisão de Garotinho sirva de exemplo

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O país se estarrece diante da rapidez da justiça de Campos dos Goytacazes em prender o ex-governador Anthony Garotinho. A diligente velocidade do Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Ralph Manhães, da 100º Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, em cumprimento da lei em função da suposta irregularidade na Operação Chequinho, é um exemplo a uma pequena parte da magistratura que não tem a mesma agilidade em prender delinquentes em operações de checões. Fundamentalmente contra os supostos delinquentes que o ex-governador Garotinho vinha denunciando em seu programa na Rádio Tupi.

A rapidez estarrece ainda mais diante das corrupções de bilhões que atingem mais de 20 milhões de desempregados, atingem a saúde pública, a segurança e a tranquilidade do pais. Deveria ser feita uma verificação na evolução patrimonial de determinados políticos com a mesma rapidez com que o senhor juiz Ralph Manhães agiu. Políticos que, em menos de 20 anos, transformaram suas certidões de renda de alguns mil reais para alguns milhões de reais. Seria facílimo. Mais fácil ainda contra esses envolvidos nessas corrupções que vêm sendo denunciados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

Esse senhor preso hoje, se cometeu tantos delitos como é acusado, por outro lado não ostenta nenhum tipo de enriquecimento. Seus filhos atuam em empregos modestos, os apartamentos são de comprovada categoria de classe média e não se conhece coleção de joias de sua mulher, nem viagens ao exterior permanentes.

Mas nossa obrigação é acreditar na justiça.

Todos nós torcemos. O país inteiro, fundamentalmente o que sofre, inclusive mais ainda os que foram atingidos por esse tufão não só da facção do ex-governador Sérgio Cabral, como os de corruptos e corruptores. 

Estamos falando daqueles que já estão envolvidos e presos, mas nos envergonhamos quando vimos muitos dessas facções soltos, indo morar em Portugal, outros indo para São Paulo criar redutos de corrupção, que com certeza não vingarão.

Não se entende também porque uma delinquência, tão importante para ser punida com prisão, mereça a domiciliar. Não se discute a sentença, só se aconselha ao Doutor juiz a acompanhar esta prisão domiciliar para que não aconteça o que vem acontecendo com os outros que roubaram bilhões – diferente deste “chequinho” – e que ainda vão para suas luxuosas residências saborear charutos Cohiba cuja unidade, dependendo do calibre, não custa menos R$ 100. Ou ainda alugam apartamentos magníficos em São Paulo, que possuem casas no exterior, mas que só deverão ser presos realmente quando atuarem em “operações chequinhos”.

Que este Excelentíssimo Doutor Juiz também não permita que Garotinho mande comprar drinques em restaurantes sofisticados das suas redondezas, como acontece com delinquentes que, apesar dos bens bloqueados, misteriosamente ainda conseguem manter altíssimo padrão de vida.

Sabe-se que a facção de Sérgio Cabral está comemorando muito a prisão de Garotinho. Afinal, terão paz durante o tempo em que esse senhor estiver fora de seu programa na Rádio Tupi, onde fazia graves denúncias contra este grupo.

FONTE: http://m.jb.com.br/opiniao/noticias/2017/09/13/que-a-rapidez-na-prisao-de-garotinho-sirva-de-exemplo

Mistérios que cercam a prisão domiciliar de Anthony Garotinho

Como uma das maiores pedras cantadas da história da justiça de Campos dos Goytacazes (desconfio inclusive que até os sapos que habitam as margens do Rio Paraíba do Sul logo abaixo do Fórum Maria Teresa Gusmão já sabiam que isso aconteceria), o juiz Ralph Manhães condenou o ex-governador Anthony Garotinho como parte do caso conhecido como “Chequinho”.

Até aí morreu o Neves. O que me surpreende é a decisão de colocá-lo em prisão domiciliar num caso de primeira instância e, surpresa das surpresas, em sua residência no Bairro da Lapa em Campos dos Goytacazes.  E por que digo que surpreende, ao menos a mim. Surpreende pela contradição entre manter Anthony Garotinho proibido de residir em sua casa durante o processo de instrução do processo para agora obrigá-lo a cumprir uma estapafúrdia prisão domiciliar na cidade onde era proibido de adentrar.

Ainda que a prisão renda boas manchetes e certamente algumas talagadas de whisky paraguaio entre os seus muitos inimigos e ex-amigos, esse desfecho da Operação Chequinho parece mais um daqueles onde passada a marola causada pela expedição de uma sentença, no mínimo, meio esquisita se suceda um também esperado e óbvio habeas corpus.

Enquanto isso, o jovem prefeito Rafael Diniz continua livre, leve e solto para rogar pragas contra o “governo anterior” enquanto a cidade de Campos dos Goytacazes espera que ele comece mostrar algum tipo de reação objetiva à crise financeira que não dá sinais de querer arrefecer. 

E como já bem levantou a bola o blogueiro Douglas da Mata, agora que Anthony Garotinho está temporariamente sob uma draconiana prisão domiciliar é de se esperar que o jovem prefeito Rafael Diniz finalmente comece a governar de acordo com o que prometeu [1]. Mas será que vai? Tenho minhas dúvidas.


[1] http://planicielamacenta.blogspot.com.br/2017/09/xiii-acabou-desculpa.html

Face à oposição legitima ao estelionato eleitoral, o recurso é culpar quem foi derrotado de forma acachapante?

Ouvi esta manhã as declarações do jovem prefeito Rafael Diniz no programa matinal da Rádio Educativa.  Entre uma resposta e outra, ouvi de diversas formas a imputação de ações de cunho pouco republicanas que estariam sendo praticadas pelos que “perderam a boquinha” ou aos que gastaram de forma irresponsável. Certamente o jovem prefeito estava se referindo, ainda que de forma subliminar, aos membros do grupo político do ex-governador Anthony Garotinho.

Ainda que seja uma tática compreensível por um governante em dificuldades, será que a opção de tentar se isentar de suas próprias responsabilidades é realmente compatível com quem diz “conversar olhando nos olhos”?  Obviamente me parece que aí surge uma contradição insolúvel. É que quem quer conversar olhando nos olhos do interlocutor (no caso espero que sejam seus muitos eleitores) não se exime das responsabilidades por atos já cometidos nos oito meses de governo.

Por exemplo, quando o jovem prefeito fala em corte de gastos, ele deveria ser mais franco e dizer que os principais alvos de seus cortes foram até agora os investimentos em programas sociais voltados para a mitigação da pobreza. Sim, porque gastar com comida, casa e transporte para os mais pobres deveria fazer parte da agenda de investimentos de qualquer governo minimamente antenado com a real situação em que vive a maioria dos seus próprios eleitores.

Mas tudo bem, para deixar o que disse acima mais claro, pergunto quem foi que cortou os investimentos feitos nos seguintes itens:

  1. Restaurante Popular.
  2. Passagem Social.
  3. Cheque Cidadão.
  4. Moradias de interesse social.

Foi o jovem prefeito Rafael Diniz ou foi alguma entidade invisível que lhe faz oposição? Como todos sabem foi o prefeito, premido pela aplicação da mesma “moral de tesouraria” que vem sendo aplicada por Michel Temer e Luiz Fernando Pezão. Essa moral de tesouraria que pune os mais pobres, e deixa os mais ricos flanando alegremente em suas mansões nababescas e trafegando em seus carrões importados pelas ruas cada vez mais esburacadas da cidade real.

E o que foi feita contra os programas sociais tem nome: estelionato eleitoral. É que quem ainda se lembra da propaganda eleitoral sabe que o prometido foi melhorar esses programas e não extingui-los em nome do equilíbrio das contas.

E pior, com esse estelionato eleitoral, o jovem prefeito e seus menudos neoliberais estão dilapidando tão rapidamente o seu grande capital eleitoral que não me surpreenderei se em breve não tivermos uma marcha pelas ruas do bairro da Lapa pedindo que Anthony Garotinho indique logo quem será o próximo prefeito. Se isso acontecer, não adiantará culpar um político que acima de tudo sabe que praticar estelionatos eleitorais é sempre o caminho mais rápido para a obscuridade. É que Rafael Diniz só terá a si mesmo para culpar. Afinal, quem se elege prometendo uma coisa e fazendo outra, nunca termine bem.  Simples assim!

O processo em curso contra Anthony Garotinho por causa da “Operação Chequinho” e suas muitas curiosidades

Tendo acompanhado com alguma curiosidade as idas e vindas do processo que corre na justiça de Campos dos Goytacazes envolvendo o ex-governador Anthony Garotinho em função de sua suposta participação no esquema da captura ilícita de votos connhecido como “Operação Chequinho”.

Uma das facetas curiosas que tem me deixado intrigado é o uso do chamado advogado dativo para representar Anthony Garotinho nas idas e vindas de suas representações legais ao longo do processo. Como desconhecia a definição precisa do que viria a ser um advogado dativo,  fiz como qualquer mortal faz nos dias de hoje e fui ao Google procurar uma explicação que me fosse esclarecedora, e lá encontrei a seguinte: 

O termo “dativo” é utilizado para designar defensor (advogado) nomeado pelo juiz para fazer a defesa de um réu em processo criminal ou de um requerido em processo civil, quando a pessoa não tem condições de contratar ou constituir um defensor. O defensor dativo também pode ser denominado defensor “ad hoc”. 

Ao que me parece, o essencial para o uso do advogado dativo seria a incapacidade de um dado réu de contratar ou constituir um defensor. Então, alguém me explique por que o juiz Ralph Manhães já indicou dois advogados dativos para Anthony Garotinho, sendo que o ônus financeiro para o réu, no caso do segundo dativo, estaria em torno de R$ 130.000,00!

A coisa fica ainda mais curiosa quando circulam informações que o segundo advogado dativo entregou a defesa do ex-governador Anthony Garotinho sem se consultar com o seu “cliente”.  Eu digo curiosa porque se o custo por representar Anthony Garotinho for mesmo de R$ 130.000,00, o mínimo que se esperaria seria um encontro entre o representado e o representante. Ou não?

Para deixar a coisa ainda mais curiosa (a este ponto eu diria que este processo chegou às raias do curiosíssimo!) , o advogado dativo teria entregue a sua onerosa peça quando Anthony Garotinho já havia constituído outro advogado. Aí me pergunto, como é que o pessoal do cartório onde o processo está depositado não notou essa situação bastante singular e acatou a peça apostada por um advogado que não possuía o direito legal de representar um réu que não quiz ser representado por ele.

Como fui informado que o juiz Ralph Manhães voltará de férias na próxima semana, vou ficar aguardando para ver se teremos outras curiosidades acontecendo num processo já tão cheio delas. 

Mas a despeito do que possa acontecer, a pergunta que não me sai da cabeça é a seguinte: como ficaria um cidadão comum, e não uma personalidade política extremamente articulada como Anthony Garotinho, se fosse enredado numa teia tão extensa de curiosidades? Ia pedir ajuda a quem? A um advogado dativo indicado pelo juiz? 

Rafael Diniz e sua moral de Shylock estão na raiz do profundo desencanto que grassa nas ruas de Campos dos Goytacazes

Enquanto o jovem prefeito Rafael Diniz segue aplicando na sua gestão o que o professor de economia da Universidade do Rio de Janeiro Bruno Sobral rotula de “Moral de Tesouraria” {[1], as conversas que venho tendo nas ruas mostram que há um profundo desencanto crescendo dentre os segmentos mais pobres da população que caíram na propaganda de que este seria o governo da mudança.

Esse desencanto, ao contrário do que possa querer imputar o alto clero do governo Diniz, não é motivado por questões difíceis de serem entendidas ou, menos ainda, por mera agitação política do grupo político do ex-governador Anthony Garotinho.

Ao conversar com pessoas que ninguém para arguir opiniões sobre a qualidade da gestão governamental por estarem em funções mais basilares da estrutura laboral, o que tenho ouvido é que o pouco que foi mudado foi para prejudicar os pobres. Obviamente os dois primeiros exemplos lembrados são o fechamento de Restaurante Popular e o encarecimento da passagem de ônibus.

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Mas um item que também tem sido lembrado se refere ao oferecimento de cargos comissionados a parentes de vereadores e de membros do executivo municipal, o que é visto como uma continuidade de práticas que se prometeu seriam extintas.  Aliás, dois nomes de vereadores que aparecem na boca dos que conversam comigo como péssimos exemplos neste quesito são Marcão Gomes (REDE) e Cláudio Andrade (PSDC).

Outra coisa interessante é que não vejo propriamente saudade do governo anterior, de Rosinha Garotinho. A questão, que me parece ser mais grave para Rafael Diniz, é o fato de que ele está sendo visto como um prefeito que está atacando os pobres apenas para destruir o legado de Anthony Garotinho, enquanto aos ricos está sendo dado o que há de melhor.

Um problema que surge em todas as conversas que tenho mantido é a disposição de não votar em mais ninguém visto o descompasso monumental que está sendo visto entre as promessas eleitorais de Rafael Diniz e sua prática de governo. Aí os exemplos que são citados se referem também ao restaurante popular e à passagem de ônibus. Um dos meus interlocutores e que votou em Rafael Diniz me lembrou do fato de que na campanha o candidato “da mudança” prometeu não apenas não extinguir o restaurante popular e a passagem social, mas também que iria ampliar ambos os programas. Para ele aquele que falava em ampliar para melhorar, agora só faz cortar do pouco que era destinado aos pobres.

Em contrapartida ao argumento corrente “de que todos são iguais”, venho tentando mostrar que lembrar aos eleitos o tamanho da distância existente entre as promessas e o que de fato está sendo feito é a única forma de melhorarmos o próprio processo de escolha de que vai nos governar.

Reconheço que o tamanho da minha amostra ainda é pequeno, mas irei continuar tendo minhas conversas com os “invisíveis” que só são lembrados na hora de capturar seus votos.  E farei isto por um motivo simples: os “invisíveis” compõe a imensa maioria da nossa população e são quem efetivamente resultados eleitorais. Assim, a opinião deles é importante, ao menos para quem realmente deseja que vivamos um real processo de mudança na forma de governar não apenas Campos dos Goytacazes, mas o Brasil como um todo.

Apesar da ressalva do parágrafo anterior, eu não hesito dizer que após apenas pouco mais de sete meses de governo, se Rafael Diniz mantiver sua atual trajetória de governar como fiscal de tesouraria, ele não irá ter qualquer futuro político se depender da população de Campos dos Goytacazes.  E se isso acontecer, só terá a si mesmo para culpar.

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[1] Moral de tesouraria seria aquela que no processo de entender as razões da crise financeira do estado não se consegue ir além da aparência do problema refletida em uma soma dos desequilíbrios entre gastos e receitas. Com isso, se perde a oportunidade de analisar os aspectos estruturais da mesma, insistindo-se assim só na realização de cortes em áreas que se acredita serem as culpadas pelo desequilíbrio.  Para quem conhece a obra de William Shakespeare, um exemplo direto da “Moral de Tesouraria” é encontrada na pela “O Mercador de Veneza”, e mais diretamente no personagem Shylock.

Se a política de Garotinho é manter o pobre na pobreza, qual é a política de Índio da Costa?

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O deputado federal licenciado Índio da Costa (PSD) veio a Campos dos Goytacazes e fez um pequeno giro que incluiu até o campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), mas passou também pelo gabinete do jovem prefeito Rafael Diniz (PPS), e teve ainda tempo para conceder uma longa entrevista ao jornal Folha da Manhã [Aqui!].

Nessa entrevista entre tantas obviedades e contradições, Índio da Costa jogou para a torcida que odeia de morte o ex- governador Anthony Garotinho soltando a frase de efeito “A política de Garotinho é manter o pobre na pobreza“. 

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Não vou me dar ao trabalho de retrucar a crítica do deputado licenciado (licenciou-se para pegar uma boquinha de sectetário no governo de Marcelo Crivella onde faz par com a também deputada licenciada Clarissa Garotinho) a Anthony Garotinho, pois o ex-governador sabe se  defender bem sozinho.

A minha questão é com o próprio Índio da Costa, exatamente no tocante às políticas que ele sempre defendeu. Quem buscar a biografia que Índio da Costa possui no Wikipedia [Aqui!], verá que ele foi um dos menudos de Cesar Maia pelas mãos de quem entrou na política, tendo sempre pertencido a partidos de direita cujos políticas sempre foram orientadas para negar que os pobres tivessem qualquer chance de melhoria nas suas vidas (PFL, PTB, PFL, DEM e finalmente o PSD de Gilberto Kassab). Além disso, por detrás, da conversa mole de político moderno e comprometido com a modernização do Estado, o que se tem é um político cujas  propostas apontam sempre para a ampliação da privatização do serviço público e o favorecimento de gastos com empresas privadas. Para entender isso basta ler as propostas de Índio da Costa na campanha em que ele perdeu a eleição para Marcelo Crivella em 2016 [Aqui!].

Além disso,  Índio da Costa teve uma trágica participação na chapa que o tucano José Serra montou para tentar derrotar a então candidata Dilma Rousseff em 2010. Durante a campanha, ele soltou várias pérolas que demonstraram de forma cabal o seu pouco preparo para o cargo que postulava. Depois da derrota acachapante, muitos apoiadores de Serra culparam a participação medíocra de Índio da Costa como um dos fatores causadores da derrota.

indio serra

Assim, antes que alguém se sinta a aplaudir o besteirol de Índio da Costa só porque ele fez críticas a Anthony Garotinho, é preciso que se lembre que o partido dele, o PSD, tem votado de forma sistemática contra os interesses dos trabalhadores. sendo um dos partidos mais consistentes nos votos dados para aprovar as contra-reformas de caráter socialmente regressivas que o presidente “de facto” Michel Temer vem enviando a toque de caixa para serem aprovadas pelo congresso nacional.

E baseado nisso é que eu devolvo a bola para Índio da Costa: se a política de Garotinho é manter o pobre na pobreza, qual então é a sua? A favor dos pobres?

Os inúteis enterros prematuros de Anthony Garotinho

garotinho

Desde que cheguei em Campos dos Goytacazes no final de 1997 já assisti a vários anúncios fúnebres (alguns com direito a caixão em praça pública) da carreira política de Anthony Garotinho (no vídeo abaixo um que ocorreu em Outubro de 2007).

Entretanto, como uma verdadeira fênix da política,  Garotinho teima em renascer das cinzas para frustrar seus muitos desafetos. Para mim, o problema é que para começo de conversa, Garotinho nunca morreu de verdade, apenas se transformou.  Além disso, como ele se apoia na inabalável segregação econômica que existe na sociedade brasileira para fazer seu tipo peculiar de política, é quase certo que dificilmente desaparecerá da cena política enquanto um elemento relevante.

Entretanto, há outro aspecto que envolve os anúncios fúnebres em torno da carreira política de Anthony Garotinho, qual seja, a necessidade de seus adversários de manterem uma disputa política direta com ele, na esperança de desviar a atenção dos erros e desvios que estão cometendo. Na prática, como Garotinho é uma figura no mínimo polêmica, ele é um alvo fácil para quem precisa cobrir seus próprios rastros ou, ainda, negar relações diretas que passaram do amor ao ódio, alguns de formas repetidas. Mas essa tática está mais do que manjada e acabo servindo, quando muito, para reforçar a moral combalida das hostes inimigas que Anthony Garotinho amealhou ao longo do tempo.

Além disso, a caçada empreendida a Garotinho também tem elementos comerciais, já que em ele sendo noticia, aumenta a chance de que as pessoas parem para ver o que está acontecendo. Isto não é apenas verdade na cidade de Campos dos Goytacazes onde ele é tanto visto como um novo Messias por uns ou a encarnação do Demônio por outros.  Esse uso comercial dos sentimentos diversos que cercam a figura do político que começou a carreira nos palcos campista é algo que já foi captado pelas Organizações Globo que vivem tentando acertar uma inexistente bala de prata na carreira de Garotinho, ainda que saiba que bala de prata só mesmo em filme de lobisomem. Mas em Campos dos Goytacazes isso é aquele segredo de polichinelo que qualquer foca de redação já chega sabendo.

Qual é o moral da história então? Para aqueles que realmente queiram superar os métodos políticos de Anthony Garotinho e seu grupo político (sim ele tem um grupo, o qual não é desprezível em termos de política fluminense), a receita há que ultrapassar a simples demonização e a aplicação das táticas de “lawfare” que estão sendo empregadas desde 1999 quando ele chegou ao Palácio Guanabara.  Para os que se acreditam de esquerda, a questão é saber por onde começar o processo de construção de um modelo de organização política autônoma que parece ser o único antídoto efetivo contra as práticas de Anthony Garotinho.  Ah, sim, há que se abraçar a  defesa dos mais pobres e dos seus parcos direitos. Sem isso, não adiantará ficar se aliando às muitas viúvas que Garotinho amealhou ao longo da sua razoavelmente vitoriosa trajetória política.

Ao prefeito com carinho: menos chororô e mais ação, por favor

amchoro

Não sei se é a falta do meu salário desde Abril que está me deixando menos paciente, mas o chororô que emana das bandas da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes não anda me comovendo muito e, tampouco, a fábula da “herança maldita”.

É preciso lembrar que não apenas o prefeito Rafael Diniz e parte de sua bancada de apoio na Câmara Municipal ofereceram cerrada oposição parlamentar ao governo da prefeita Rosinha Garotinho (como aliás deve fazer quem não pertence à bancada governamental), oferecendo inclusive várias denúncias no Ministério Público contra atos que consideravam ilegais. E vamos reconhecer, o segundo mandato de Rosinha Garotinho foi muito fraco, provavelmente por causa da falta de milho para se fazer pipoca. Ai, para muitos, acabou o amor.

O problema é que agora como governo, composto majoritariamente por quem prometeu uma nova  forma de governar a cidade de Campos, não é possível argumentar que não se tinha noção do tamanho do problema. É que se for assim, com isso se passa um auto atestado de incompetência, pois como vereador de oposição, o prefeito teria que saber o que o esperava. Se não sabia, fica evidente que não cumpriu corretamente o seu papel de fiscalizar os atos do governo que o antecedeu. E se sabia está se fazendo de bobo e fugindo de suas próprias responsabilidades.

Mas esqueçamos as formalidades dos cargos e vamos ao que interessa. É que até o mais ingênuo dos campistas sabia que haveria grande dificuldade financeira ao se entrar no governo. Então o mais óbvio é que não fossem feitas promessas eleitorais que seriam o primeiro alvo da tesoura em nome de um austeridade fiscal para lá de seletiva, vide o corte drástico nas políticas sociais voltadas para os segmentos mais pobres da população.  Assim, se já sabiam que iam cortar o cheque cidadão, fechar o restaurante popular e aumentar o valor da passagem de ônibus, que não tivessem prometido o contrário. É que como bem já disse Antoine de Saint-Exupéry,  “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Ou, no caso em tela, por aquilo que foi prometido e não cumprido.

De quebra, o fato é que até agora o que se assistiu na gestão Rafael Diniz foi a sucessão de uma série de improvisações e do uso repetido da cantilena anti Garotinho.  Se isso não for mudado rapidamente, os primeiros seis meses vão parecer os melhores de um governo que está se preparando para ser um completo desastre.

Finalmente, há que se lembrar que existe uma linha muito fina separando a herança da co-participação, inclusive com penalidades legais para quem passa de um ponto para o outro.  Enfim,  esse é apenas um dos custos de sair de estilingue para vidraça. 

Futuro vendido e presente sem lenço, sem documento?

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Quanto mais eu tento entender as querelas em que o jovem prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz, e seus correligionários se metem, menos eu entendo as opções que estão sendo feitas para finalmente iniciar a nova (?) administração municipal.

Vejamos, por exemplo, o caso conhecido como “Venda do futuro” que se tratou da entrega de receitas futuras oriundas dos royalties do petróleo e das participações espeicais.  Ainda que se saiba que essa operação não foi exclusiva da administração liderada pelo grupo político do ex-governador Anthony Garotinho,  não há como deixar de considerá-la como um tapa buraco caro, e que efetivamente deveria ter sido tratado como mais cuidado.

Mas isso isenta a atual administração de ter errado em disputar na justiça os termos do pagamento, e agora estar diante da necessidade de desembolsas os juros devidos pelo atraso no pagamento do que estava contratado? Não teria sido mais fácil pagar as “prestações” devidas para então levar a pendenga para a justiça?

Além do mais, de que adianta o anúncio de que a Câmara de Vereadores vai levar o caso para a justiça? Para perder também? É que quem já leu a peça montada pela assessoria jurídica da Caixa Econômica Federal (Aqui!), a instituição financeira está muito bem calçada em sua disputa com a Prefeitura de Campos.

Aliás, em vez de embrenhar numa disputa inglória, por que a Câmara de Vereadores não se debruçou ainda para estabelecer fóruns de discussão sobre como dinamizar a economia local que apontem caminhos alternativos à dependência dos royalties e da decadente economia sucro-alcooleira? Talvez aí estaríamos aproveitando melhor a energia que está sendo demonstrada num combate inútil com o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho. Mesmo porque até agora Garotinho vem nadando de braçadas na piscina de lama que montaram para afogá-lo.

Ah,sim.  Uma conhecida me pediu que uma hora dessas eu enviasse um recado ao prefeito Rafael Diniz e, aproveito desta postagem para enviá-la:  que ele passe menos tempo no Sangue Bom, e que faça mais visitas aos bairros periféricos onde os mais pobres lutam para sobreviver todos os dias. Eu não entendi bem o conteúdo, mas ela me disse que o prefeito entenderia, e que ele deveria saber o que andam pensando os seus concidadãos mais pobres, e que agora terão de pagar mais pela passagem de transporte público, para se alimentar, e para se virar sem a merreca fornecida pelo cheque cidadão.

De toda forma, resta a questão: já que o futuro foi vendido também vamos ter que encarar um presente sem lenço, sem documento? A ver!

O espectro de Anthony Garotinho paira sobre a Prefeitura de Campos

pmcg

No primeiro parágrafo do “Manifesto Comunista” publicado inicialmente em 1848 , Karl Marx inseriu uma afirmação que assombra os governos burgueses até os dias de hoje. Ali Marx estipulou que  “um espectro está assombrando a Europa-  o espectro do comunismo. Todas as forças da Velha Europa formaram uma santa aliança para exorcizar este espectro:  o Papa, o Czar, Metternish, Guizot, os Radicais Franceses e os espiões da Polícia Alemã”.  

Pois bem, em pleno Século XXI e em uma região bem distante da Europa, outro espectro parece assombrar a quem deveria estar se sentindo exorcizado após uma impressionante vitória eleitoral. Falo aqui do espectro de Anthony Garotinho, que parece pairar onipresente sobre os corações e mentes de seus adversários na planície onde um dia os Goytacazes correram livres.

Essa impressão me é passada desde declarações estilo “Macho man” do jovem prefeito Rafael Diniz (PPS), em declarações do presidente da Câmara de Vereadores, o vereador Marcão (Rede). e também nos inúmeros anúncios fúnebres escritos pelos inimigos acumulados por Anthony Garotinho na mídia local, seja na blogosfera ou na corporativa.

Enquanto isso, usando bem o papel auto-designado de espectro, Anthony Garotinho nada de braçadas nas refregas que ele escolhe para participar, dando até a impressão que está se divirtindo às custas dos seus adversários, muitos dos quais ex-membros de sua “entourage”.  Nesses embates Garotinho tem demonstrado que vive e vê à frente dos seus muitos adversários e, ao contrário do que se anuncia, está vivíssimo e pronto para continuar assombrando.

Eu sei que se conselho fosse bom não se dava, mas se vendia (e olha que com 3 meses de salários atrasados eu ando precisando muito!). Mas vamos lá.  Me parece que a  forma  mais simples de erradicar definitivamente o espectro de Garotinho é algo muito simples: que o prefeito comece a governar para a maioria da população e não para os que já tem tudo; que a Câmara de Vereadores exerça seu papel constitucional, e que a mídia cumpra o seu papel de reportar fatos que sejam relevantes para a nossa sociedade em vez de tentar fazer o papel de exorcista. E com um detalhe básico: que todos usem pelo menos 50% da energia que Garotinho emprega para fazer o seu tipo peculiar de politica.

Ou é isso ou não vai adiantar espernear porque Garotinho vai continuar a reinar de forma imperial sobre a política local. E com certeza, a próxima eleição para a Prefeitura de Campos dos Goytacazes vai ser levada de barbada por quem quer que seja que ele escolha para ser eleito.  Por último, um humilde lembrete aos militantes dos partidos de esquerda que estão asssitindo a esse embate do lado de fora do gramado: a hora de fincar bases e romper o status quo reinante é essa.  A ver!