Rafael Diniz e sua moral de Shylock estão na raiz do profundo desencanto que grassa nas ruas de Campos dos Goytacazes

Enquanto o jovem prefeito Rafael Diniz segue aplicando na sua gestão o que o professor de economia da Universidade do Rio de Janeiro Bruno Sobral rotula de “Moral de Tesouraria” {[1], as conversas que venho tendo nas ruas mostram que há um profundo desencanto crescendo dentre os segmentos mais pobres da população que caíram na propaganda de que este seria o governo da mudança.

Esse desencanto, ao contrário do que possa querer imputar o alto clero do governo Diniz, não é motivado por questões difíceis de serem entendidas ou, menos ainda, por mera agitação política do grupo político do ex-governador Anthony Garotinho.

Ao conversar com pessoas que ninguém para arguir opiniões sobre a qualidade da gestão governamental por estarem em funções mais basilares da estrutura laboral, o que tenho ouvido é que o pouco que foi mudado foi para prejudicar os pobres. Obviamente os dois primeiros exemplos lembrados são o fechamento de Restaurante Popular e o encarecimento da passagem de ônibus.

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Mas um item que também tem sido lembrado se refere ao oferecimento de cargos comissionados a parentes de vereadores e de membros do executivo municipal, o que é visto como uma continuidade de práticas que se prometeu seriam extintas.  Aliás, dois nomes de vereadores que aparecem na boca dos que conversam comigo como péssimos exemplos neste quesito são Marcão Gomes (REDE) e Cláudio Andrade (PSDC).

Outra coisa interessante é que não vejo propriamente saudade do governo anterior, de Rosinha Garotinho. A questão, que me parece ser mais grave para Rafael Diniz, é o fato de que ele está sendo visto como um prefeito que está atacando os pobres apenas para destruir o legado de Anthony Garotinho, enquanto aos ricos está sendo dado o que há de melhor.

Um problema que surge em todas as conversas que tenho mantido é a disposição de não votar em mais ninguém visto o descompasso monumental que está sendo visto entre as promessas eleitorais de Rafael Diniz e sua prática de governo. Aí os exemplos que são citados se referem também ao restaurante popular e à passagem de ônibus. Um dos meus interlocutores e que votou em Rafael Diniz me lembrou do fato de que na campanha o candidato “da mudança” prometeu não apenas não extinguir o restaurante popular e a passagem social, mas também que iria ampliar ambos os programas. Para ele aquele que falava em ampliar para melhorar, agora só faz cortar do pouco que era destinado aos pobres.

Em contrapartida ao argumento corrente “de que todos são iguais”, venho tentando mostrar que lembrar aos eleitos o tamanho da distância existente entre as promessas e o que de fato está sendo feito é a única forma de melhorarmos o próprio processo de escolha de que vai nos governar.

Reconheço que o tamanho da minha amostra ainda é pequeno, mas irei continuar tendo minhas conversas com os “invisíveis” que só são lembrados na hora de capturar seus votos.  E farei isto por um motivo simples: os “invisíveis” compõe a imensa maioria da nossa população e são quem efetivamente resultados eleitorais. Assim, a opinião deles é importante, ao menos para quem realmente deseja que vivamos um real processo de mudança na forma de governar não apenas Campos dos Goytacazes, mas o Brasil como um todo.

Apesar da ressalva do parágrafo anterior, eu não hesito dizer que após apenas pouco mais de sete meses de governo, se Rafael Diniz mantiver sua atual trajetória de governar como fiscal de tesouraria, ele não irá ter qualquer futuro político se depender da população de Campos dos Goytacazes.  E se isso acontecer, só terá a si mesmo para culpar.

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[1] Moral de tesouraria seria aquela que no processo de entender as razões da crise financeira do estado não se consegue ir além da aparência do problema refletida em uma soma dos desequilíbrios entre gastos e receitas. Com isso, se perde a oportunidade de analisar os aspectos estruturais da mesma, insistindo-se assim só na realização de cortes em áreas que se acredita serem as culpadas pelo desequilíbrio.  Para quem conhece a obra de William Shakespeare, um exemplo direto da “Moral de Tesouraria” é encontrada na pela “O Mercador de Veneza”, e mais diretamente no personagem Shylock.

5 pensamentos sobre “Rafael Diniz e sua moral de Shylock estão na raiz do profundo desencanto que grassa nas ruas de Campos dos Goytacazes

  1. Rosangela Martinez disse:

    Este rapaz me parece apenas com essência neoliberal tão forte que o torna alguém com uma essência nada saudável. Sensação de desequilíbrio e incompetência extrema, além Dexter um Olhar e uma fala impregnados de mentira e maldade.

    • Marco Antônio disse:

      Boa tarde Rosângela, não acredite nesta estória de incompetência… o que há é canalhice e maldade mesmo. E não devemos nos esquecer que tudo é feito com o consentimento dos invisíveis. Quem cala consente…

  2. Marco Antônio disse:

    Professor Marcos isto é a democracia brasileira: “os “invisíveis” que só são lembrados na hora de capturar seus votos.”. Nossa tão celebrada democracia é apenas isso, ou melhor, só se resume a isto, o momento do invisível entrar na cabine e apertar botões. Na cidade onde moro (São Gonçalo) também converso com as pessoas, sempre que tenho a oportunidade, sobre a situação caótica da mesma, aqui já surgiu mais um escândalo, agora com a descoberta da nomeação de parentes do prefeito. Aja disposição e paciência para conversar com os invisíveis, que teimosamente insistem em continuar invisíveis… e colher os frutos podres de suas escolhas irracionais…
    p.s. os judeus estão só de passagem pelo blog ou vieram para ficar? Exemplos é que não irão faltar… tanto para o bem quanto para o mal.

  3. […] pouco tempo abordei neste blog [1] a participação do economista e professor da Universidade do Estadual do Rio de Janeiro, Bruno […]

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