Ao extinguir a SECTI, governo do Rio rebaixa a ciência fluminense à condição de apêndice do mercado

A absorção da política de ciência, tecnologia e ensino superior por uma megassecretaria dedicada ao desenvolvimento econômico reduz sua autonomia institucional, enfraquece universidades e centros de pesquisa, amplia a influência empresarial sobre as prioridades científicas e pode representar o primeiro passo para a privatização gradual do sistema público estadual de produção do conhecimento

A decisão do governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, de extinguir a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação como órgão independente e incorporar sua estrutura a uma pasta ampliada de desenvolvimento econômico não representa uma simples mudança de organograma. Publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, a medida cria a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio, Serviços, Ciência, Tecnologia e Inovação e reduz a formulação das políticas científicas, tecnológicas e de ensino superior à condição de uma subsecretaria submetida a uma estrutura administrativa hiperdimensionada.

O governo poderá apresentar a mudança como uma medida de racionalização administrativa, integração de políticas e redução de custos. Entretanto, a extinção de uma secretaria não elimina apenas um gabinete ou alguns cargos. Ela elimina um espaço institucional próprio de representação política, formulação estratégica e disputa pelo orçamento estadual. Ciência, tecnologia e ensino superior deixam de comparecer diretamente à mesa principal do governo e passam a depender da mediação de uma secretaria cuja agenda será inevitavelmente dominada por investimentos privados, incentivos fiscais, atração de empresas, mineração, energia, logística, comércio, serviços e geração imediata de empregos.

A diferença não é meramente simbólica. Em uma estrutura governamental, a posição hierárquica define quem participa das decisões, quem controla os fluxos administrativos, quem estabelece prioridades e quem possui capacidade de defender recursos. Um secretário de Estado pode dialogar diretamente com o governador, com a Secretaria de Fazenda e com a Secretaria de Planejamento. Um subsecretário responde, antes de tudo, ao titular da pasta à qual está subordinado. Com o rebaixamento, as demandas das universidades estaduais, da Faperj, da Faetec, da Fundação Cecierj e das demais instituições científicas terão de disputar espaço com interesses econômicos muito mais próximos dos grupos empresariais e da agenda cotidiana do governo.

Antes da mudança, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação congregava instituições estratégicas como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), a Faperj, a Faetec, a Fundação Cecierj, o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e o Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia. Essas instituições não constituem acessórios de uma política econômica. Elas formam um sistema público de produção de conhecimento, formação profissional, pesquisa básica, pesquisa aplicada, extensão universitária e democratização do acesso à educação.

Ao colocar esse sistema sob o comando de uma secretaria orientada prioritariamente pelos interesses da indústria, do comércio e dos serviços, o governo altera a própria concepção de ciência que deverá orientar as políticas públicas. A tendência será avaliar universidades, centros de pesquisa e programas de formação segundo critérios de retorno econômico imediato, capacidade de atrair investimentos, geração de patentes, contratos empresariais e atendimento às demandas do mercado. Áreas que não ofereçam resultados mercantis rápidos poderão ser apresentadas como pouco produtivas ou como despesas que deveriam ser reduzidas.

Esse enquadramento ameaça sobretudo a pesquisa básica, as Ciências Humanas, as Ciências Sociais, as artes, os estudos ambientais críticos e as investigações voltadas para problemas sociais que não interessam diretamente ao setor empresarial. Pesquisas sobre desigualdade, violência, degradação ambiental, conflitos territoriais, saúde pública, educação, racismo ou impactos socioambientais de grandes empreendimentos dificilmente serão consideradas prioritárias por uma estrutura governamental que interpreta inovação como sinônimo de competitividade empresarial.

Uma política científica séria não pode ser organizada exclusivamente a partir daquilo que as empresas já sabem que desejam. Parte essencial da ciência consiste justamente em produzir conhecimentos cujas aplicações ainda não são conhecidas, questionar modelos econômicos estabelecidos e investigar problemas que o mercado prefere ignorar. Quando a ciência é submetida administrativamente aos setores que poderão ser objeto de suas pesquisas, instala-se uma contradição estrutural: os potenciais investigados passam a influenciar a definição das prioridades dos investigadores.

Da produção de conhecimento à prestação de serviços

A fusão também poderá aprofundar uma tendência já presente nas políticas de ciência e tecnologia: a transformação das universidades públicas em prestadoras de serviços especializados para empresas. Em vez de o Estado financiar pesquisas definidas pela comunidade científica e pelas necessidades sociais, projetos poderão ser crescentemente condicionados à obtenção de parceiros privados, contrapartidas empresariais e metas de inovação comercial.

Nesse modelo, a universidade deixa de ser uma instituição pública relativamente autônoma, dedicada ao ensino, à pesquisa e à extensão, e passa a ser tratada como uma infraestrutura de apoio ao desenvolvimento empresarial. Laboratórios públicos, pesquisadores financiados pelo Estado e estudantes bolsistas podem ser mobilizados para reduzir custos de pesquisa e desenvolvimento de corporações privadas, enquanto os resultados economicamente apropriáveis são direcionados para quem possui capacidade de transformá-los em mercadoria.

Isso não significa que universidades e empresas não devam cooperar. O problema surge quando a cooperação deixa de ser uma possibilidade regulada pelo interesse público e se converte no critério dominante para definir o que merece ser pesquisado. A partir daí, a relevância científica e social tende a ser substituída pela rentabilidade potencial, e a universidade passa a responder mais rapidamente aos sinais emitidos pelo mercado do que às demandas da população.

O risco de privatização e o avanço do Sistema S

A mudança não privatiza automaticamente as universidades estaduais ou a educação profissional. A autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial das universidades está protegida pelo artigo 207 da Constituição Federal. Seria, portanto, impreciso afirmar que o decreto, isoladamente, extingue essa autonomia ou entrega imediatamente a Uerj, a Uenf ou a Faetec à iniciativa privada.

Entretanto, o rebaixamento institucional poderá criar condições políticas e administrativas para um processo gradual de privatização. Privatizar não significa apenas vender uma universidade. A privatização também pode ocorrer pela terceirização de atividades, pela cobrança crescente de serviços, pela transferência de cursos para organizações privadas, pelo financiamento condicionado a contratos empresariais, pela substituição de servidores efetivos por vínculos precários e pela entrega da formação profissional a entidades empresariais.

Nesse contexto, o Sistema S poderá aparecer como alternativa supostamente mais eficiente, flexível e próxima das necessidades do mercado. O governo poderá argumentar que instituições como Senai, Senac e outras entidades possuem maior capacidade de responder rapidamente às demandas empresariais por qualificação profissional. Com isso, a Faetec e outras estruturas públicas poderão perder recursos, cursos, infraestrutura e centralidade política.

O problema é que o Sistema S é administrado por entidades patronais e organiza sua oferta formativa a partir das necessidades dos setores econômicos que o controlam. Ele pode cumprir funções relevantes de formação profissional, mas não deve substituir uma política pública de educação tecnológica submetida ao controle democrático, à transparência estatal e às necessidades mais amplas da população.

Caso a nova secretaria passe a privilegiar convênios e contratos com essas entidades, o Estado poderá financiar uma estrutura controlada pelo empresariado enquanto enfraquece suas próprias instituições. O dinheiro continuará sendo público, mas as prioridades, os métodos de gestão e parte das decisões serão progressivamente deslocados para organizações privadas. Essa é uma das formas mais recorrentes de privatização contemporânea: não se vende formalmente o patrimônio, mas se esvazia a instituição pública até que a terceirização pareça inevitável.

A fragilização da Faperj e da pesquisa de longo prazo

A Faperj possui uma proteção constitucional importante. A Constituição do Estado do Rio de Janeiro estabelece a destinação anual de 2% da receita tributária estadual, deduzidas as transferências e vinculações legais, para o financiamento da pesquisa científica e tecnológica. Isso impede que a simples reorganização administrativa elimine formalmente sua fonte de recursos.

Contudo, a existência de uma vinculação constitucional não torna a Faperj imune a pressões políticas. A agência poderá sofrer alterações nas prioridades de seus editais, na composição de seus órgãos dirigentes, na distribuição dos recursos entre pesquisa básica e inovação empresarial e na forma de avaliar projetos. O orçamento poderá permanecer formalmente protegido, enquanto sua aplicação passa a ser orientada por interesses econômicos mais estreitos.

Sob uma secretaria dominada por indústria, comércio e serviços, a Faperj poderá ser pressionada a concentrar seus investimentos em startups, incubadoras, empresas de base tecnológica, projetos com potencial de mercado e parcerias público-privadas. Essas áreas são legítimas, mas não podem absorver os recursos necessários à manutenção da pesquisa básica, à formação de pesquisadores e à investigação de problemas sociais, ambientais e culturais.

A produção científica exige continuidade, estabilidade institucional e horizontes de longo prazo. Empresas operam frequentemente com ciclos mais curtos, orientados por rentabilidade, competitividade e retorno sobre investimentos. Quando a lógica empresarial passa a comandar a política científica, projetos estratégicos podem ser interrompidos porque seus resultados não aparecem em um mandato governamental, não geram produtos patenteáveis ou não interessam aos grupos econômicos mais influentes.

Uma secretaria grande demais para pensar a ciência

A nova secretaria nasce com uma quantidade extraordinariamente ampla de atribuições. A estrutura anunciada deverá reunir desenvolvimento econômico, indústria, comércio, serviços, ciência, tecnologia, inovação, transformação digital, cidades inteligentes, economia criativa, mineração, energia, infraestrutura, logística, qualificação profissional, empreendedorismo e captação de investimentos.

Uma secretaria com tantas competências corre o risco de não formular adequadamente nenhuma delas. Na prática, os setores com maior capacidade de mobilizar investimentos, produzir anúncios governamentais e pressionar politicamente tendem a ocupar o centro das decisões. Ciência e educação superior, cujos resultados são mais complexos e normalmente aparecem no médio e no longo prazo, provavelmente serão empurradas para uma posição periférica.

Há ainda um evidente problema de conflito de prioridades. Uma política científica comprometida com o interesse público poderá produzir pesquisas que revelem danos ambientais causados por mineradoras, riscos associados a empreendimentos industriais, efeitos sociais da expansão portuária ou consequências sanitárias de determinadas atividades econômicas. Ao subordinar a área científica à mesma secretaria encarregada de atrair e apoiar esses investimentos, o governo cria uma situação em que a produção independente do conhecimento pode colidir com os objetivos econômicos da pasta.

Esse conflito poderá se manifestar na escolha dos dirigentes, na definição dos editais, na distribuição de bolsas e na seleção das áreas consideradas estratégicas. Não será necessário censurar diretamente pesquisadores. Bastará financiar abundantemente os temas convenientes e deixar sem recursos aqueles capazes de gerar resultados politicamente incômodos.

A falsa integração entre ciência e mercado

A aproximação entre ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico costuma ser apresentada como um objetivo incontestável. Mas ciência e mercado não são sinônimos, assim como inovação não pode ser reduzida à criação de produtos comercializáveis. O conhecimento científico também é indispensável para melhorar políticas públicas, proteger ecossistemas, combater epidemias, compreender desigualdades, planejar cidades, formar professores e ampliar direitos sociais.

Uma integração equilibrada exigiria fortalecer a secretaria científica, ampliar sua capacidade de coordenação e criar mecanismos permanentes de diálogo com os demais setores do governo. O que foi feito segue o caminho inverso: extinguiu-se a instância própria e subordinou-se a ciência a uma agenda econômica muito mais ampla.

O nome da nova secretaria tenta produzir a aparência de que todas as áreas possuem o mesmo peso. Mas a ordem institucional não é definida pela quantidade de palavras incluídas na placa do órgão. Ela é definida pela hierarquia administrativa, pelo controle orçamentário, pelo acesso ao governador e pela capacidade de estabelecer prioridades. Ciência, tecnologia e inovação aparecem no final de uma longa denominação porque também correm o risco de ficar no final da fila das decisões governamentais.

O início de um processo que precisa ser enfrentado

O decreto publicado em 6 de agosto não deve ser analisado apenas pelo que determina imediatamente, mas pelas mudanças que poderá facilitar. Ele abre caminho para o esvaziamento político das universidades estaduais, para o enfraquecimento da educação profissional pública, para a reorientação empresarial da Faperj e para a transferência gradual de atividades educacionais ao Sistema S e a outras organizações privadas.

A defesa da autonomia universitária não pode limitar-se à autonomia formal inscrita na Constituição. Uma universidade sem recursos, submetida a contingenciamentos, pressionada a vender serviços e obrigada a buscar patrocinadores para manter seus laboratórios poderá continuar sendo chamada de autônoma, mas terá perdido grande parte de sua capacidade de decidir livremente o que ensinar, pesquisar e oferecer à sociedade.

A comunidade científica, as universidades, os sindicatos, as entidades estudantis e a Assembleia Legislativa precisam exigir transparência sobre a nova estrutura, a vinculação das instituições, o controle dos fundos, a composição dos órgãos decisórios e a destinação dos recursos. Também será necessário acompanhar qualquer tentativa de transferir cursos, equipamentos, prédios, laboratórios ou funções públicas a entidades privadas.

Ao extinguir uma secretaria própria, o governo em exercício emitiu uma mensagem inequívoca sobre suas prioridades. Ciência e tecnologia deixaram de ser tratadas como políticas de Estado e passaram a ser concebidas como instrumentos auxiliares da atividade empresarial. O perigo maior não está apenas na criação de uma secretaria com um nome quase interminável. Está na tentativa de reduzir o conhecimento público, a educação superior e a formação tecnológica à condição de fornecedores subordinados de mão de obra, serviços e inovações para o mercado.

O Rio de Janeiro não precisa de menos capacidade pública de produzir conhecimento. Precisa exatamente do contrário: universidades fortalecidas, financiamento estável, pesquisa independente e uma política científica capaz de enfrentar os problemas econômicos, sociais e ambientais do estado sem pedir autorização aos mesmos setores que frequentemente contribuem para produzi-los.

O que teria a dizer o Chatgpt sobre os perigos e limites da criação de uma corregedoria setorial na Uenf?

Abre o pano….

Em uma das minhas idas ao Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) enquanto estudante de graduação da instituição pude ver em ação o lendário reitor Pedro Calmon que, ao se insurgir contra uma tentativa de invasão policial da Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1968, proferiu a célebre frase: “policial só entra na universidade se fizer vestibular”.  Aliás, como estudante da UFRJ durante os anos finais da ditadura empresarial-militar instalada pelo golpe de 1964 tive que conviver com a realidade óbvia de que alguns dos meus colegas de sala eram policiais infiltrados. Nós que éramos civis e insurgentes costumávamos nos divertir para saber quem eles eram, sempre sabendo que haviam os que eram propositalmente identificáveis, enquanto haviam os de infiltração profundo. O risco com esses últimos é que se juntassem em nossos esforços em prol da derrubada da ditadura para promover atos de sabotagem ou simplesmente de deduragem, o que implicava a ida para a tristemente célebre delegacia da Polícia Federal na Praça Mauá onde os sopapos eram certos.

Pois bem, 35 anos após a minha saída do campus da Ilha do Fundão para ganhar o mundo, essas lembranças do tempo em que reitores reagiam às invasões dos campi universitários por forças policiais me fazem olhar com profunda desconfiança para um ato cometido pela reitora da universidade onde atuo desde janeiro de 1998, a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). 

O que fez a Magnifica Reitora Rosana Rodrigues?  Ela fez publicar nesta 4a. feira (25/6) a Portaria Reitoria 409 de 23 de junho de 2025 onde ela cria  a Unidade de Corregedoria Setorial da Uenf e coloca como cereja do bolo um policial civil para ocupar a posição de corregedor.

Diante de um fato que me pareceu simplesmente acintoso aos cânones que deram origem ao projeto Iluminista de Universidade, resolvi fazer algo que a atual administração da Uenf certamente apreciará, dados os compromissos manifestos com o uso da inovação tecnológica como ponto de partida para os novos rumos que pretendem dar à instituição criada por Darcy Ribeiro. Eu resolvi fazer duas perguntas à Inteligência Artificial popularmente conhecida como ChatGPT.

A primeira pergunta foi a seguinte:

Boa noite. dados os canones que deram base ao projeto iluminista de universidade, o que você me diria se uma reitora de universidade pública criasse uma corregedoria interna e colocasse um policial para ser o corregedor?

A resposta rápida e rasteira do Chatgpt veio na seguinte forma:

Boa noite! Essa é uma pergunta que toca em questões muito importantes sobre os princípios que sustentam a universidade pública, especialmente à luz do projeto iluminista que fundamentou a ideia moderna de universidade.

1. Os cânones iluministas e o projeto de universidade

O projeto iluminista de universidade, especialmente desde Humboldt (séc. XIX), é baseado em alguns pilares:

  • Autonomia universitária: A universidade deve ser independente de pressões externas, seja do Estado, da Igreja ou de interesses econômicos.

  • Liberdade de pensamento e de cátedra: O livre debate de ideias, mesmo (e especialmente) as mais críticas, é essencial para a produção de conhecimento.

  • Universalismo e razão: O conhecimento deve ser guiado por critérios racionais e universais, sem interferências arbitrárias de autoridade.

  • Formação crítica e emancipatória: A universidade forma sujeitos capazes de pensar criticamente e agir com base em princípios éticos e racionais.

2. Corregedoria com policial como corregedor

Diante disso, a criação de uma corregedoria interna em si não é necessariamente um problema — muitas universidades já têm ou precisam de mecanismos internos para apurar irregularidades. O ponto mais sensível é a nomeação de um policial como corregedor, o que levanta questões sérias:

Problemas potenciais:

  • Conflito com a autonomia universitária: A presença de um agente do Estado com formação policial pode ser percebida como um vetor de controle externo, o que contraria o princípio da autonomia universitária.

  • Risco à liberdade acadêmica: Mesmo que o policial esteja formalmente desarmado e afastado de funções operacionais, seu papel simbólico e sua formação podem gerar um ambiente de intimidação e autocensura.

  • Deslocamento da lógica acadêmica para a lógica policial: A universidade opera com base no diálogo, no contraditório e na pluralidade. A lógica policial, centrada na disciplina, ordem e punição, pode ser incompatível com a cultura universitária.

  • Desconfiança institucional: Professores, estudantes e técnicos podem ver essa medida como uma forma de vigilância, especialmente se houver um histórico de conflitos ou repressão.

3. O que isso revela?

Essa decisão pode estar relacionada a uma tendência de militarização da gestão pública, algo que vem sendo observado em vários contextos no Brasil. Também pode indicar uma resposta autoritária a conflitos internos, o que é perigoso para a saúde democrática da universidade.

4. Considerações finais

Se olharmos pela lente iluminista, essa medida seria altamente questionável. Um projeto de universidade fiel a esses princípios buscaria resolver conflitos e promover a ética institucional por meios que reforcem a democracia interna, o debate público, a mediação de conflitos e o respeito aos direitos fundamentais — não pela imposição de figuras associadas à repressão estatal.

Após obter essa resposta do ChatGPT, resolvi fazer a minha segunda pergunta que foi a seguinte:

À luz do que você me respondeu, o que deveriam fazer os docentes dessa universidade?

A segunda resposta do ChatGPT na seguinte forma:

À luz dos princípios iluministas que fundam o ideal de universidade pública, crítica e autônoma, os docentes — como parte fundamental da vida universitária e responsáveis pela defesa da liberdade acadêmica — não apenas podem, como devem se mobilizar diante de uma medida como a nomeação de um policial como corregedor. Isso porque essa decisão toca diretamente nos fundamentos éticos e políticos da instituição universitária.

O que os docentes deveriam fazer:


1. Deliberar coletivamente

  • Convocar reuniões departamentais, conselhos de centros e assembleias docentes para discutir o tema com seriedade.

  • Formular uma posição coletiva, com base em princípios institucionais, acadêmicos e democráticos.

2. Buscar os canais institucionais

  • Levar o debate ao Conselho Universitário (CONSUNI), se houver, ou à instância máxima deliberativa da universidade.

  • Exigir transparência nos critérios da nomeação, detalhamento das atribuições da corregedoria e do corregedor, e prestação de contas da reitoria.

3. Formar comissões independentes

  • Criar um grupo de trabalho interdisciplinar para avaliar os riscos institucionais e legais dessa medida.

  • Consultar juristas, especialistas em educação superior e ética institucional para embasar argumentos críticos.

4. Dialogar com a comunidade universitária

  • Promover debates públicos, rodas de conversa, seminários ou cartas abertas envolvendo estudantes, técnicos e professores.

  • Tornar a discussão acessível a toda a comunidade, explicando por que a presença de um policial nesse cargo pode comprometer a liberdade e a segurança institucional.

5. Se necessário, acionar órgãos externos

  • Se houver indícios de abuso de poder ou violação da autonomia, considerar representar ao Ministério Público Federal, à Defensoria Pública, à OAB ou a órgãos de controle como a CGU ou o MEC.

  • Em casos extremos, recorrer a instâncias internacionais, como relatorias da ONU ou OEA ligadas à liberdade acadêmica.

6. Defender princípios, não pessoas

  • O foco deve estar na defesa de valores institucionais, não em ataques pessoais à reitora ou ao corregedor.

  • Isso fortalece a legitimidade da ação docente e impede a distorção do debate como sendo “ideológico” ou “corporativista”.


Fundamentação ética da reação

A universidade, como instituição moderna, nasceu da luta contra o dogma, o autoritarismo e a tutela sobre o pensamento. Quando qualquer medida ameaça esse fundamento — mesmo que venha de dentro —, os docentes têm não apenas o direito, mas o dever de reagir.

Essa defesa não é corporativa; é republicana. Proteger a autonomia e a liberdade da universidade é proteger a sociedade contra o autoritarismo e o obscurantismo.

Se quiser, posso ajudar você a elaborar:

  • Um manifesto dos docentes;

  • Uma minuta de moção para conselhos;

  • Um parecer técnico-jurídico sobre a medida;

  • Uma carta aberta à comunidade.

Eu acabei dispensando a ajuda do ChatGPT na preparação dos documentos e agradeci pela ajuda da simpática IA.  A resposta ao meu agradecimento foi a seguinte:

Fico muito feliz em saber que pude ajudar. Se surgir qualquer outra questão, estarei por aqui.

Boa noite e força na defesa da universidade pública! ✊📚

Fecha o pano!

Governador Witzel e o desejo incontido de violar a autonomia das universidades estaduais do Rio de Janeiro

wilson witzel

Seguindo o “modelo Bolsonaro”, o governador Wilson Witzel asfixia financeiramente as universidades estaduais do Rio de Janeiro e tenta interferir na autonomia universitária que é uma garantia constitucional.

A imagem abaixo mostra uma matéria publicada pelo jornal “O GLOBO” mostrando a insistência do governador Wilson Witzel, o mesmo que acaba de ser flagrado com uma inserção não corroborada pela realidade de um título de doutor na Harvard University em seu CV Lattes, em interferir no sistema democrático de escolha dos reitores das universidades estaduais do Rio de Janeiro.

eleições witzel

Segundo o governador Witzel, a atual forma de eleição (que consta da Constituição do Estado do Rio de Janeiro) seria uma forma de “ditadura” porque a partir dela apenas se “chancela decisão da comunidade acadêmica”. 

Permita-me o governador corrigi-lo, mas o nome disso que ele chama de “ditadura” é, na verdade, democracia.  Ainda que uma forma de democracia ainda precária, já que no caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o sistema de ponderação dos votos dá aos docentes o peso de 70% na ponderação final do valor dos votos, o que considero um tratamento injusto à participação de servidores e estudantes. Apesar de muitos alegarem que esta é uma decisão da LDB, considero que dada a autonomia garantida tanto na Constituição Federal como na Estadual, haveria que, pelo menos, se dar um peso paritário na ponderação dos votos.

Mas essa tentativa de alterar a forma de escolha de reitores não é o primeiro ataque desenvolvido pelo governo Witzel contra as universidades estaduais, pois um dos primeiros atos do governador foi cortar 30% do orçamento das chamadas “despesas operacionais“. Ainda que posteriormente tenha sido dito que o corte não mais ocorreria, a Uenf continua até hoje recebendo uma fração irrisória do orçamento aprovado pela Alerj para 2019.

E mais recentemente, graças ao jornalista Ancelmo Gois, soubemos que desde meados de março, as universidades estão sob um processo de censura velada, pois foi determinado aos reitores das três instituições existentes no Rio de Janeiro (Uenf, Uerj e Uezo) que ” obrigatoriamente que todas as solicitações da mídia sejam compartilhadas com a Secretaria de Ciência e Tecnologia”, “antes de serem apresentadas à imprensa“.

censura ies rj

Em minha opinião todos esses movimentos explicitam uma vontade incontida de asfixiar a democracia interna das universidades estaduais do Rio de Janeiro, ao controlar não apenas o tipo de informação que pode ser compartilhado, mas, principalmente, por tentar interferir em processos democráticos que até o presente momento não resultaram em nada muito diferente do que se espera deles, qual seja, eleger e fazer colocar na cadeira de reitor os escolhidos pela comunidade universitária.

A liberdade de expressão e de escolha de dirigentes não é nenhum favor que se faz às universidades, mas condição “sine qua non” para que elas melhor executem suas tarefas estratégicas em prol do desenvolvimento científico e tecnológico do Rio de Janeiro. Nesse sentido, melhor faria o governador Witzel se determinasse ao seu secretário estadual de Fazenda para que entregasse sem maiores embaraços o orçamento aprovado pela Alerj às direções democraticamente eleitas nas nossas 3 universidades. É que todas elas vem demonstrando que dinheiro investido em ensino superior público sempre traz ganhos multiplicadores. Ao tentar interferir na autonomia das universidades, lamentavelmente, o sinal que se dá é o exatamente oposto ao que se deveria dar, especialmente em um momento em que o Rio de Janeiro tanto precisa de saídas criativas para a crise estrutural que abala a sua economia.

Colegiado da UFF Campos lança manifesto em defesa da autonomia universitária após “desastrosa atuação” do TRE/RJ

O Colegiado do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes acaba de lançar um manifesto sobre os acontecimentos ocorridos após o dia 13/09/2018, quando  fiscais do Tribunal Regional Eleitoral, adentraram o campus da instituição à guisa de reprimir propaganda eleitoral irregular.

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Entre outras coisas o documento aponta que a “forma autoritária através da qual se desempenhou sua atuação exibe, infelizmente, um padrão de tratamento conferido às instituições de ensino, pesquisa e extensão, no atual momento, que parecem estranhas à democracia, à legalidade, às garantias de liberdades previstas oficialmente, bem como a autonomia universitária como um todo.”

O documento salienta ainda que “a referida e desastrosa atuação pareceu longe de uma etiqueta justa e condizente com a função e importância de órgãos ligados à fiscalização por parte do Poder Público – estes, sem dúvida, considerados instituições fundamentais para o exercício pleno da democracia e da garantia de direitos. Tal ação, até onde nos chegam as notícias, parece estar encontrando reverberações em outras Instituições de Ensino Superior de Campos e região, o que nos faz pensar que não se trata, apenas, de uma controvérsia local e sim de um processo maior e mais amplo, que está colocando em xeque a autonomia universitária no país como um todo.

O Colegiado da UFF Campos conclui o documento conclamando “não apenas a comunidade acadêmica da UFF-Campos, mas a UFF como um todo, juntamente com todas as Instituições de Ensino Superior, como também, é claro, a sociedade campista e do norte-fluminense, para unirmos forças e resistirmos juntos neste momento tão sensível pelo qual passa a Universidade Pública.”

Quem desejar ler o documento em sua íntegra, basta clicar [Aqui!]

Universidades também sob ataque em Portugal, mas com dirigentes com disposição para defendê-las

Estando para um período sabático na Universidade de Lisboa, não pude perder a oportunidade de assistir à aula inaugural para o ano acadêmico de 2018/2019. Apesar do grande momento do dia ter sido reservado para a última aula dada na universidade pelo presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que está se aposentando compulsoriamente por estar completando 70 anos, o principal político do dia coube ao reitor da Universidade de Lisboa, o professor António Cruz Serra.

cruz serra

Para trocar em miúdos o pronunciamento que o reitor deu para uma plateia que reuniu altas autoridades do governo federal português e membros do corpo diplomático que atua na capital portuguesa expressou uma dura crítica à forma com que o ensino superior está sendo tratado em Portugal.

O reitor começou criticando a política de interiorização adotada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), manifestamente pouco avisada”, que implicou na diminuição de vagas nas universidades públicas de Lisboa e do Porto, sem que tenha alcançado um crescimento mínimo nas universidades do interior e das ilhas, o que teria resultado numa aritmética desequilibrada, com 1.066 vagas retiradas às universidades e politécnicos das duas maiores cidades portuguesas, e um ganho de apenas 98 novos alunos distribuídos pelas 31 instituições das áreas (Algarve, ilhas, interior, Coimbra, Aveiro e Minho) que deveriam ser beneficiadas pela política do MCTES. O resultado, segundo António Cruz Serra, será o aumento da procura de jovens talentosos por vagas em universidades privadas.

Outra área sensível que foi abordada pelo reitor foi o que ele considera um ataque planejado contra a autonomia universitária das universidades públicas, e que se traduz na asfixia financeira e a intervenção no processo de recrutamento de pessoal, o qual impede que o recrutamento de profissionais seja feito com base no mérito. Nesse sentido, o reitor criticou “muitas medidas legislativas recentemente tomadas em total desconsideração pela autonomia universitária”, começando por aquela de que resulta “a contratação sem concurso do seu pessoal docente e investigador”. Tudo isso resultaria numa inaceitável precarização das condições de funcionamento da Universidade de Lisboa, e a criação de barreiras para que a instituição possa cumprir suas obrigações estratégicas para com o desenvolvimento nacional português.

O reitor António Cruz Serra também apontou para a necessidade de se repensar o sistema de avaliação das universidades públicas, considerado por ele como sendo muito rígido. O problema seria que o atual sistema de avaliação possui elementos que não tem a ver necessariamente com a mensuração da qualidade do ensino, e que podem contribuir para o enfraquecimento da capacidade das universidades formarem profissionais com as devidas competências que suas carreiras demandam. Sobre esse aspecto, veja o que diz o reitor da Universidade de Lisboa no vídeo abaixo.

Em uma crítica ao processo de “Hollywoodização” de Lisboa enquanto centro turístico internacional, o reitor analisou os impactos que estão ocorrendo na vida dos estudantes em função do forte encarecimento de aluguéis. Para contrapor a isso, a Universidade de Lisboa estaria tomando providências para um aumento na oferta de alojamentos estudantis, com a construção de novas unidades e a renovação de outras já existentes.  No quesito de ampliação de instrumentos acadêmicos já existentes, o reitor foi particularmente aplaudido quando anunciou a ampliação de bibliotecas, segundo ele com recursos próprios da instituição.

Trocando em miúdos tudo o que foi dito, o que transparece é que a precarização das universidades públicas não é um mérito único do Brasil, e que este processo possui um alcance internacional, especialmente naqueles países que estão mais na periferia do Capitalismo. Entretanto, diferente do Brasil e da maioria dos reitores brasileiros, o que assisti ontem foi ao pronunciamento de um reitor que se posiciona como o líder que a conjuntura demanda, e não como um passivo agente do estado que, quando muito, se resigna a tocar as coisas do jeito que é possível.

Voltando à aula magna do presidente de Portugal, ela transcorreu de forma a dar-lhe o final de carreira merecido a quem passou a vida labutando dentro de uma universidade pública. Isto, entretanto, não o poupou de ser cobrado pela imposição de taxas escolares (aqui chamadas de “propinas”) que os estudantes consideram caras e inadequadas para uma universidade pública (ver imagem abaixo).

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Como professor de uma universidade pública brasileira que agoniza pelas mãos de um (des) governo que afundou o Rio de Janeiro numa crise agônica, não posso deixar de notar similaridades entre os problemas que acontecem na Universidade de Lisboa e na Uenf. Entretanto, a diferença crucial parece ser que os dirigentes aqui, ou pelo menos o reitor, se coloca como um agente da universidade nas tratativas com o Estado, e não o contrário. E mais ainda, sem medo de emitir suas opiniões publicamente e na frente de quem formula as políticas criticadas. Isso convenhamos, já é uma grande diferença em relação ao que temos no Brasil e, em especial, nas universidades estaduais do Rio de Janeiro. Aliás, uma monumental diferença. 

Por míseros 470 panfletos chutaram a autonomia universitária

Vejo que agora que a estrepitosa operação realizada pela justiça eleitoral no Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ISER) da UFF/Campos resultou na apreensão de 470 panfletos de duas candidatas de um partido de esquerda [1], os quais estavam trancados num armário e não à visto do público. 

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Diante do tamanho do estardalhaço cometido no interior de um campus universitário para colher um resultado tão pífio, só posso concordar com o professor Roberto Moraes que afirmou em seu blog que “o caso da ação na UFF-Campos é parte do esforço em silenciar a democracia” [2].

É que já existem notícias dando conta que comunidades inteiras estão sendo tuteladas pelo narcotráfico e pelas milícias não apenas no seu direito de ir e vir, mas de escolher livremente seus candidatos.  Mas contra as organizações criminosas não se vê o chute na porta ou a ação ostensiva de se retirar adesivos que estivessem sendo usados por quem quer que seja. 

Além disso, não fosse o Rio de Janeiro um dos estados da federação com altíssimos casos de assassinatos de candidatos, eu até poderia entender a ida a um campus universitário para recolher 470 panfletos estocados em um armário em sala fechada.

A minha expectativa é que esse episódio sirva para ilustrar aos membros da comunidade universitária da UFF/Campos a importância de se defender a democracia e, por extensão, a autonomia universitária. É que estamos mais claro do que nunca que, nestas eleições, ambas estão sob cerrado cerco de quem quer que voltemos a ser uma mera colônia de exploração das potências capitalistas centrais.


[1] http://www.ururau.com.br/noticias/cidades/fiscalizacao-do-tre-rj-no-campus-uff-de-campos-gera-polemica-nas-redes-sociais/19771/

[2] http://www.robertomoraes.com.br/2018/09/o-caso-da-acao-na-uff-campos-e-parte-do.html

Por um punhado de panfletos, autonomia universitária sofreu pé na porta na UFF Campos

A noite de ontem (13/09) foi das mais agitadas no campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos dos Goytacazes, graças a uma denúncia anônima (ver extrato abaixo) de que panfletos de campanha estariam estocados no diretório acadêmico que serve de espaço para todos os estudantes dos diversos cursos que funcionam nas dependências do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ISER) (ver imagem abaixo).

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Pois bem, a partir de narrativas que me chegaram, a situação acabou beirando o caos com ameaças de prisão aos professores Roberto Rosendo (diretor da unidade) e ao respeitadíssimo professor e membro da Academia Campista de Letras, Hélio de Freitas Coelho. O primeiro por se recusar a permitir a entrada sem mandado nas dependências do diretório acadêmico sem o devido mandado, e o segundo por se mostrar solidária à defesa da autonomia universitária que era defendida pelo diretor.

Apesar de todas os objeções feitas, o informe que eu recebi aponta que a porta do diretório acadêmico foi arrombada por um fiscal do TRE (que aparentemente era um policial militar) que, finalmente, pode encontrar um punhado de adesivos e panfletos trancados num armário, em uma apreensão que efetivamente não compensou nem a tensão gerada ou, tampouco, a violação flagrante da autonomia universitária que ali foi cometida.

O mais curioso sobre este acontecimento que já está circulando nacionalmente nas redes sociais [1], é que procurei nos principais veículos da mídia corporativa de Campos e também na mídia alternativa e nada encontrei sobre ele.  Se eu não tivesse recebido imagens e depoimentos do fato, eu ficaria até em dúvida se o mesmo teria realmente acontecido.  E me pergunto, por que este véu de silêncio?

Por fim, a minha solidariedade aos professores Roberto Rosendo e Hélio Coelho que souberam honrar os cargos públicos que possuem, mesmo em face da ameaça de prisão. E deixo aqui o meu sincero desejo de que a comunidade da UFF Campos use este episódio para amadurecer o necessário debate acerca da necessidade de defender a frágil democracia brasileira.


[1] https://www.revistaforum.com.br/policial-arromba-centro-academico-em-campos-o-mandado-sou-eu-denuncia-lindbergh-farias/

Conselho Universitário da UFRJ emite moção de repúdio contra Mendonça Filho

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Numa resposta direta à ameaça do ministro da Educação e Cultura, Mendonça Filho, de tentar sufocar a liberdade de Cátedra e a autonomia universitária na Universidade de Brasília (UnB), o Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aprovou no dia de ontem (22/02) uma moção de repúdio esta clara tentativa de intimidação (ver moção abaixo).

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O interessante é que tenho recebido informações de que em outras universidades públicas está ocorrendo um movimento de criar disciplinas com o mesmo conteúdo daquela que Mendonça Filho está tentando criminalizar na UnB. 

Se isso realmente acontecer, vamos ver como procederá o ministro e seu chefe, o presidente “de facto” Michel Temer. Será que também vão enviar as tropas do exército para resolver essa situação? A ver!

Lembrando do dia em que Leonel Brizola visitou a Uenf para defender a autonomia universitária

Em tempos difíceis como o que atravessam as universidades estaduais sob o tacão impiedoso do (des) governo Pezão é bom sempre recorrer a determinados momentos em que personagens se fizeram presentes do lado certo da História. Esse foi o caso da visita que um dos fundadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o ex- governador Leonel Brizola, fez ao campus que ainda levava o nome de Darcy Ribeiro no dia 01 de Junho de 2001.

A situação era igualmente marcada por uma greve que era realizada para forçar o então governador Anthony Garotinho a cumprir o compromisso de dar a personalidade jurídica que livraria a Uenf de uma relação insustentável com a Fundação Estadual Norte Fluminense (Fenorte) sua então mantenedora.

Naquele dia Leonel Brizola se colocou ao lado da comunidade universitária uenfiana apoiou entusiasticamente a autonomia universitária da Uenf. Aos presentes ainda instou a que continuassem a sua luta pela consolidação da Universidade do Terceiro Milênio que ele e Darcy Ribeiro tinham dado sua contribuição decisiva para instalar em Campos dos Goytacazes.

Interessante lembrar que após a conquista da autonomia, a Uenf teve o nome de Darcy Ribeiro acrescido ao seu nome, e o campus  passou, com toda justiça ao papel que cumpriu na sua construção da instituição, a ser chamado de Leonel Brizola.

Por esta visita e a defesa que fez da Uenf sempre lembrarei Leonel Brizola  de forma positiva, em que pesem  as  minhas diferenças políticas com ele.

Abaixo imagens daquela visita histórica.

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Depois de militarizar o campus e privatizar o bandejão, reitoria da UENF agora quer SEPLAG processando inquéritos da UENF

Tomás de Torquemada

Depois de militarizar o policiamento sem a devida discussão e fazer o mesmo com o processo de privatização do bandejão, a reitoria da UENF está circulando uma minuta de manual de sindicância que me parece ter sido escrito por alguém, bem ao gosto das últimas discussões desta lista, do inquisidor espanhol Tomás de Torquemada.

 Estou enviando a minuta em anexo, pois acho que todos deveriam lê-la antes que vire lei. É que entre outras pérolas temos os passos da inquisição (quer dizer sindicância), onde não se fala mais em oitiva, mas em “servidor suspeito” e em “interrogatório”! Só falta de citar a instalação de câmaras de tortura!

 Mas o pior está reservado para a fase do inquérito administrativo que não mais ocorrerá dentro da UENF, mas ficará a cargo da SEPLAG!! O interessante é perguntar aqui é quem ficará responsável pelas idas e vindas dos infelizes servidores e estudantes que forem considerados culpados na sindicância/inquisição. Será que eles terão também pagar pelas idas e vindas ao Rio de Janeiro, como terão de pagar pelas cópias do processo?

 E como fica a autonomia universitária que conquistamos depois de uma dura luta contra o governo do Rio de Janeiro? É que depois de entregar o campus à PM, o bandejão à iniciativa privada, agora a reitoria quer entregar a decisão de inquéritos à SEPLAG!

 Nunca é demais dizer que tudo isto está vindo na esteira de uma greve histórica onde a reitoria da UENF se mostrou tão incompetente para tratar da defesa de nossos interesses quanto submissa ao que dizia, surpresa das surpresas?!, a SEPLAG!

 Para mim não há dúvida sobre a intenção dessa minuta: reprimir e aumentar o nível de punições, mas não necessariamente naquelas áreas e sobre aqueles que realmente merecem passar por processos. A ver!

 Abaixo a minuta que está sendo circulada pela reitoria nos conselho de centro da UENF.

Sindicância 1 Sindicância 2 Sindicância 3 Sindicância 4