Uso de slogan nazista em campanha pela volta ao trabalho provoca repúdio de entidade judaica

bolso libertaUso de slogan nazista para defender volta ao trabalho em meio à pandemia da COVID-19 é mais uma trapalhada do governo Bolsonaro na área diplomática

Há algo intrinsecamente estranho no aparente enamoramento de membros do governo Bolsonaro com a mística nazista. Primeiro foi o ex-secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, que foi corrido do cargo por produzir um vídeo esquisitíssimo onde fazia alusão clara aos postulados de Joseph Goebells, ministro da Propaganda de Adolf Hitler.

Agora veio a alusão sem subterfúgios ao slogan nazista que ficava postado nos pórticos de entrada dos campos de concentração, o famigerado “O trabalho liberta” (ou em alemão “Arbeit macht frei“) em uma campanha publicitária para conclamar a volta ao trabalho em plena pandemia da COVID-19.

A peça publicitária em questão é de gosto ainda mais esquisito quando se lembra que o responsável por ela é o Sr. Fábio Wajngarten que é judeu.  O problema é que não há como Wajngarten não conhecer o uso primário do citado slogan na entrada dos campos de concentração contruídos para exterminar pelo menos 6 milhões de judeus.

Obviamente Wajngarten já a tratou de negar qualquer relação da conclamação feita pelo governo Bolsonaro para a volta ao trabalho com o temário nazista, citando, inclusive, o fato que ele possui descendência judaica .  

O problema é que pelo menos uma instituição importante para a comunidade judaica, o American Jewish Committee (AJW), não aceitou as explicações dadas até agora, e enfaticamente considerou o uso do slogan como algo “profundamente ofensiva” (ver figura abaixo).

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As consequências desse posicionamento do AJW provavelmente não se darão de forma ruidosa. A probabilidade é que a ação do AJW se dê adotando uma postura sóbria e discreta, como é de praxe na ação das organizações que defendem os direitos da comunidade judaica. Agora, que consequências existirão, isso me parece inevitável e não serão brandas.

A pergunta que fica é a seguinte: a quem interessa até no interior do governo Bolsonaro arrumar encrencas diplomáticas da proporção que temos visto? Um dia a confusão é com a China, em outro é com a comunidade judaica.  E tudo isso para atender os interesses de quem? 

American Jewish Commitee exige desculpas públicas de Ernesto Araújo, o chanceler atrapalhado de Bolsonaro

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Ao comparar isolamento social a campos de concentração nazistas, Ernesto Araújo acabou provocando a ira do American Jewish Committee

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tanto aprontou em suas postagens despropositadas que acaba de tomar um “passa moleque” público do poderoso “American Jewish Committee” que em sua página oficial exigiu que o chanceler brasileiro peça desculpas imediatamente por ter comparado as medidas de distanciamento social adotadas para impedir a disseminação do coronavírus aos campos de concentração nazistas (ver figura abaixo).

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Ernesto Araújo já arrumou seguidos atritos com a China, principal parceira comercial do Brasil, também usando a pandemia da COVID-19 como pano de fundo para suas declarações anti-comunistas.

Contudo, agora Araújo entrou em uma seara totalmente nova ao provocar a ira de uma instituição que possui grande alavancagem política dentro da comunidade judaíca, o que pode também resultar em uma tomada do governo de Israel, sabidamente um dos únicos aliados políticos do governo Bolsonaro.

Esse é, sem dúvida alguma, um dos piores momentos da diplomacia brasileira em toda a história da república brasileira. E pensar que o serviço diplomático brasileiro, antes da assunção de Ernesto Araújo, era altamente respeitado por sua capacidade profissional e de condução pragmática dos interesses brasileiros.

Com Araújo na frente do Ministério das Relações Exteriores, tudo isso agora virou cinzas. Resta apenas saber quando ele emitirá o pedido de desculpas exigido pelo American Jewish Comittee. É que nesse caso,  de nada adiantará Ernesto Araújo tentar sair pela tangente.