Feira de Ciências para ampliar a resistência em defesa da Uenf

No dia 11 de Março uma feira de ciências será realizada no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense como processo do calendário de atividades de resistência  contra a tentativa de desmanche que está sendo imposto pelo (des) governo Pezão.

O objetivo desta atividade é possibilitar que a população de Campos dos Goytacazes e municípios vizinhos para que conheçam as múltiplas atividades que a Uenf realiza em prol do desenvolvimento regional, e que hoje estão sob grave risco de interrupção por causa da falta de custeio por parte do (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão.

Abaixo o cartaz que foi criado para difundir esta atividade.  Ajude a divulgar e venha a Uenf participar de sua defesa!

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Campos sob nova direção? Leia o Planicie Lamacenta e tire suas conclusões

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Muitos podem não concordar com o estilo, digamos, abrasivo que o blogueiro Douglas da Mata utiliza para refletir sobre a nossa realidade política, econômica e social. Eu mesmo já fui alvo de sua pena pesada uns tempos atrás. Mas nem isso me fez deixar de admirar o estilo e a contundência. Aliás, num mundo em que a maioria se contenta com apresentar uma fachada politicamente correta para esconder as reais intenções, considero indispensável que tenhamos quem fale as coisas do jeito que elas são, ainda que com excesso de “pimenta”.

Nesse momento, venho acompanhando como leitor as várias reflexões que o Douglas da Mata vem fazendo sobre os caminhos (ou seriam descaminhos?) que estão sendo trilhados pelo jovem prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz, no início de um mandato que deveria representar uma mudança qualitativa na forma de govenar a nossa cidade.

Por essa razão, e com a forte possibilidade de tomar uma sarrafada do Douglas da Mata que não é muito chegado em propaganda alheia para o seu blog, recomendo que quem não se contentar em ser iludido com uma cobertura midiática e blogueira que aparentemente quer nos convencer que agora vivemos, como num passe de mágica, numa cidade despossuída de problemas, que acessem e leiam o Planície Lamacenta sem medo ou preconceito.

Aliás, o prefeito Rafael Diniz e sua equipe deveriam ser os primeiros a fazerem isso. Quem sabe deixem de continuar cometendo alguns dos erros básicos que já cometeram.

Para ler o Planície Lamacenta, basta clicar  (Aqui!)

 

Vamos salvar a Universidade do Terceiro Milênio

Por Isaac Roitman,  professor emérito da UnB, escreve artigo para o Jornal da Ciência

A Universidade do Terceiro Milênio como foi chamada por Darcy Ribeiro, que a concebeu, foi criada em 1993 como uma universidade experimental para introduzir inovações no ensino superior brasileiro em um ambiente interdisciplinar, com um corpo docente composto 100% por doutores com dedicação exclusiva. Esta universidade foi instalada na cidade de Campos dos Goytacazes, Norte do Estado do Rio de Janeiro tendo como uma das suas finalidades promover transformações sociais através da interiorização do ensino público de qualidade. Alguns frutos dessa experiência rapidamente foram colhidos. A Universidade do Norte Fluminense Darcy Ribeiro foi considerada pelo MEC entre 2007 e 2010 como uma das 15 melhores universidades brasileiras, com base no Índice Geral dos Cursos (IGC). No IGC/2011, divulgado em 2012, ela foi considerada a melhor universidade do estado do Rio de Janeiro e a 11º melhor do país. Em 2003 e em 2009 ela ganhou o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, conferido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

As dificuldades da UENF surgiram em outubro de 2015 com a interrupção do repasse de recursos orçamentários que acarretou no não pagamento de energia, segurança patrimonial, serviços de limpeza e manutenção, e telefonia. Estes problemas persistem até hoje e a cada dia está sendo agravado gerando insegurança em toda comunidade acadêmica. Em março de 2016 o Conselho Universitário da instituição afirmou que se os problemas persistirem o fechamento seria inevitável. Em agosto de 2016 a UENF tinha cerca de R$ 17 milhões em dívidas acumuladas e hoje ultrapassam os R$ 55 milhões de reais. A atual situação é catastrófica com atraso e parcelamento no pagamento de professores e servidores. Os salários de novembro de 2016 estão sendo parcelados em janeiro de 2017. Ninguém sabe quando serão pagos os salários de dezembro de 2016, o 13º salário e o salário de janeiro de 2017. A comunidade acadêmica sente-se humilhada, ultrajada e moralmente abalada. Servidores docentes e técnicos estão com dificuldades para manterem suas famílias e até mesmo chegar ao seu trabalho. Mesmo diante de tantas dificuldades a comunidade acadêmica continuou atuando até o final de 2016, porém há uma séria dificuldade para retornar as atividades em 2017 caso não haja uma normalização dos pagamentos de salários.

O fomento à pesquisa está totalmente interrompido, pois a Fundação de Amparo à Pesquisa Carlos Chagas Filho (Faperj) também sofre com dificuldades de repasse de verbas. Muitos estudantes perderam bolsas de estudos e os que não perderam vem recebendo os valores financeiros relativos às suas bolsas de maneira precária e sem calendário definido. Essa triste conjuntura gera sérios desdobramentos que transcendem as fronteiras estaduais. Um dos projetos na área de meio ambiente conduzidos por pesquisadores da UENF em colaboração com um grupo do Instituto Marx Planck da Alemanha, está comprometido pela falta de aporte de recursos já aprovados pela Faperj o que tem forçado os pesquisadores a tirarem recursos do próprio bolso para pequenas despesas. No entanto, para as grandes despesas essa solução doméstica é inviável. O projeto será interrompido e a credibilidade dos pesquisadores e da instituição irão pelo ralo abaixo. Outras situações semelhantes poderiam ser relatadas.  A própria segurança da universidade está comprometida. No período entre o Natal e o Ano Novo os prédios da UENF foram invadidos, roubados e vandalizados.

A Universidade do Terceiro Milênio está neste momento como um prisioneiro que seus últimos passos no corredor da morte. Temos que salvá-la. Não podemos ficar calados. É fundamental que a comunidade acadêmica e toda a sociedade brasileira se mobilizem para que a UENF atravesse sem sequelas essa tempestade de insensatez que ocorre no Brasil. A saúde financeira da UENF deve ser prontamente reestabelecida para que ela possa continuar com sua nobre e virtuosa missão. A sociedade campista e do Rio de Janeiro e de todo o país deve pressionar os governantes para que não morra o sonho de Darcy Ribeiro.  Segundo ele, “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. Vamos todos combater esse projeto. É também pertinente lembrar outro pensamento desse grande brasileiro: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.” Vamos à luta pois a causa é virtuosa. Lembremos também o pensamento de outro grande brasileiro, Oswaldo Cruz: “Não esmorecer para não desmerecer.”

* Professor emérito e coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022 O Brasil que queremos. Foi diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF (1995-1996).

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/20-vamos-salvar-a-universidade-do-terceiro-milenio/

Cratera iniciada no governo Rosinha continua crescendo no de Rafael Diniz

Eu não me iludo com propagandas eleitorais que prometem transformar trevas em luz da noite para o dia.  Mesmo assim tenho que aproveitar de um caso prático para mostrar como a propaganda eleitoral sempre sofre quando o candidato ganha e assuma as responsabilidades de quem antes ele criticava.

O caso mostrado abaixo é o de um buraco que começou diminuto e agora se expande de forma rápida em frente do Número 25 da Avenida Sete de Setembro em Campos dos Goytacazes, antes governada por Rosinha Garotinho (PR) e hoje sob o comando de Rafael Diniz (PPS).

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Como moro próximo da cratera, posso afiançar que ela começou modesta, mas que avanla a olhos vistos desde então. A causa provável é o pesado trânsito de caminhões que passam por essa avenida que antes era bucólica e hoje representa um grave risco para os moradores do seu entorno.

Como temos um novo alcaide e seus indicados para postos relativos à mobilidade urbana são pessoas gabaritadas, a minha expectativa é que o buraco seja fechado antes que um caminhão carregado de produtos perigosos caia dentro dele. É que morando por perto, eu seria uma das vítimas potenciais de um desastre incalculável.

Com a palavra, o jovem alcaide de Campos dos Goytacazes. Vamos lá prefeito, essa cratera agora é seu problema!

As lições que tirei da minha recente odisséia nas ruas alagadas de Campos

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Ontem (14/12) dirigi por quase 4 horas no emaranhado de ruas alagadas e secas que se formou após uma chuva intensa que durou pouco mais de 40 minutos. Essa duração se deveu à necessidade de sair do campus Leonel Brizola, ir até o Fórum de Campos e de lá para o Shopping Estrada, para então retornar à região central da cidade.

Uma viagem que deveria durar pouco mais de 30 minutos se tornou numa odisséia incrível, onde tive que usar os meus melhores conhecimentos sobre o espaço urbano de Campos dos Goytacazes, de modo a escapar das ruas alagadas que impediam o acesso de carros. 

Uma coisa que me pareceu incrível foi verificar que em áreas pequenas existiam ruas totalmente inundadas bem ao lado de outras que estavam apenas molhadas e com o trânsito fluindo tranquilamente.  Além disso, boa parte das artérias principais da cidade ficaram literalmente paralisadas já que boa parte das inundações se deu em áreas importantes de passagem. Assim, o enrosco se tornou inevitável.

O que isso tudo me mostra é que o trabalho realizado ao longo dos últimos anos pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes para melhorar a coleta de águas de chuvas e impedir alagamentos não seguiu um plano muito racional. Além disso, fiquei com dúvidas sobre a qualidade do que foi feita, pois áreas que foram alteradas recentemente também colapsaram.

O que esse olhar por de dentro do caos me mostra é que continuamos muito mal em termos da infraestrutura urbana e sem nenhuma condição real de responder às prometidas alterações no comportamento climático da Terra.  É que uma das previsões para as chamadas mudanças climáticas é justamente o estabelecimento de um padrão de chuvas que combina intensidade com episódios ocorrendo em um tempo muito curto.  Em outras palavras, o que ocorreu ontem vai se tornar cada vez comum.

Ah, sim, a ausência de uma polícia de trânsito e a falência do sistema de sinalização tornaram a vida de todos que dirigiam um verdadeiro inferno. E aqui já não se trata mais de despreparo da infraesturura urbana, mas de omissão do poder público.  

Agora resta saber como a futura administração municipal vai entender o que ocorreu ontem e se serão tomadas medidas estratégicas e de longo alcance para impedir as repetições “ad infinitum” do que aconteceu ontem.  A ver! 

Semana Unificada da Consciência Negra

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PROGRAMAÇÃO

DIA 21 DE NOVEMBRO (segunda-feira)

16h. CORTEJO –  do Rio Paraíba na Beira Rio à Praça São Salvador.

17h. PELOURINHO/Pça São Salvador: Ato de denúncias no Pelourinho, com uma performance do “Coletivo Artístico Saravá”;  leitura de manchetes do Monitor Campista, fragmento de poemas e canto.

Coordenação: “Coletivo Artístico Saravá”.

DIA 22 DE NOVEMBRO (terça-feira)

11h20min às 12h.: Sessões de vídeos com debates

Local: Salas do Ensino Médio/IFF (Instituto Federal Fluminense) Auditório Miguel Ramalho

Público: Estudantes do Ensino Médio e demais participantes

Temática: Intolerância Religiosa e Maioridade Penal.

Coordenação: Alissan Silva

14h20min às 16h: Sessões de vídeos com debates

Local: Salas do Ensino Médio do IFF (Instituto Federal Fluminense Auditório Miguel Ramalho

Público: Estudantes do Ensino Médio e demais participantes

Temática: Intolerância Religiosa e Maioridade Penal.

Coordenação: Alissan Silva e Sérgio Risso

14h às 17h: Oficina Cozinha dos Quilombos de Campos dos Goytacazes Sabores, Territórios e Memórias.

Público: 20 (vinte) pessoas no máximo

Local: IFF SALA REFEITÓRIO DA OCUPAÇÃO (ANTIGA CIETEC BLOCO B)

Coordenação: Fabiano Seixas e Tamires Freitas

17h.: Encontro de Jongueiros e Grupos Culturais de Campos e Região

Local: Concha Acústica do IFF

Coordenação: Todas as entidades e instituições envolvidas

DIA 23 DE NOVEMBRO (quarta-feira)

RODA DE CONVERSA

14h30min. Abertura com Contação de Estórias por Carmem Eugênia Sampaio

15h: Roda de Conversa/Tema:– “A importância dos coletivos negros na afirmação das identidades e fortalecimento da autoestima”.

Local: Auditório 4 do Centro de Convenções da UENF

Coletivo Artístico Saravá – IFF: Barbara Melo

Coletivo Negro Geneci Maria da Penha (IFF): Laura de Almeida

Coletivo Negro José do Patrocínio (UENF): Jessica Oliveira

 Coletivo Negro Mercedes Batista (UFF): Lia Keller

Mediadora: Manuelli Ramos (Assessoria Direitos Humanos e MNU)

Coordenação: Clareth Reis (NEABI/UENF)

 RODA DE SAMBA

17h. Programação Cultural: Samba de Roda

Coordenação: Totinho Capoeira e Mestre Peixinho

Local: Centro de Convenções da UENF

MESA REDONDA

18:30min às 21h – “Olhares África –Brasil”

Local: Auditório 4 do Centro de Convenções/UENF

Componentes: Vera Lúcia Vasconcelos (ISEPAM/FAETEC)

                           Sérgio Arruda de Moura (UENF)

                           Dayane  Altoé (NEABI/IFF)

                           Carmem Eugênia Sampaio (PMCG)

DIA 24 DE NOVEMBRO (quinta-feira)

IFF – Sessão de vídeos (repetição da programação da terça)

18h às 21h: Roda de Conversa: “Mulher Negra, corpo, arte e identidade”.

Lúcia Talabi (PMCG)

Alissan Silva (NEABI/IFF)

Clareth Reis (NEABI/UENF)

Intervenções artísticas:

Luize Mendes Dias e Michele Pereira (Banda Auá)

Daiane Gomes (coletivo negro musical – banda KB\i/DE)

Local: IFF auditório Miguel Ramalho

DIA 25 DE NOVEMBRO (sexta-feira)

18h às 22h. – SARAUVÁ (Sarau com microfone aberto, poesia, musica, dança, etc.)

Local: concha acústica IFF

Organização:

NEABI/IFF

NEABI/UENF

 MNU

SMECE/ PMCG

ISEPAM/FAETEC

COLETIVO ARTÍSTICO SARAVÁ

COLETIVO ARTÍSTICO SARAVÁ

COLETIVO NEGRO GENECI MARIA DA PENHA

COLETIVO NEGRO JOSÉ DO PATROCÍNIO

Cuidado ao celebrar. A grotesca remoção hospitalar de Anthony Garotinho serve a interesses obscurantistas

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Não tenho nenhuma simpatia pelo tipo de política praticada pelo senhor Anthony Garotinho, e durante seus anos no Palácio Guanabara fui um crítico ferrenho de suas práticas, o mesmo tendo acontecido quando sua esposa, Rosinha Garotinho, foi governadora.  

Agora, se alguém acha que estou celebrando a forma despudorada como ele foi retirado do Hospital Souza Aguiar, se engana rendondamente. Além de se colocar sua vida em risco ao ser removido, quando estava sendo monitorado por problemas cardíacos que são de conhecimento geral, a colocação de membros da mídia corporativa para transmitir o espetáculo que foi meticulosamente preparado deve ser motivo de completo repúdio por quem deseja que haja um avanço nas práticas policiais no Brasil.

É que se fazem isso com uma personalidade política conhecida como Anthony Garotinho, o que dizer do que continuará a ser feito contra cidadãos pobres que sejam apanhados em alguma viela escura no meio da noite?

É importante notar que tenho lido uma série de manifestações de juristas que afirmam categoricamente que a prisão preventiva imposta a Anthony Garotinho não possui a devida base legal, e que se dá ao arrepio das chamadas garantias individuais que estão asseguradas na Constituição Federal do Brasil de 1988.  Sendo portanto, arbitrária e ilegal (Aqui!).

Noto ainda que o uso amplo, geral e irrestrito que se está fazendo da chamada “prisão preventiva” é outra escrecência jurídica, já que, novamente, os crimes pelos quais Anthony Garotinho está sendo acusado raramente implicam na decretação do encarceramento sem que tenha ocorrido o devido julgamento com decisão de pena de prisão.

Ainda que no plano municipal, a tentação de muitos que se dizem democratas e até de esquerda seja aplaudir as medidas que estão sendo tomadas contra Anthony Garotinho, eu chamaria a atenção de que hoje pode ser o ex-governador, mas amanhã podem ser militantes de partidos de esquerda e movimentos sociais.  É que não faltarão oportunistas e apoiadores do estado de exceção para equalizar o político impopular e de práticas duvidosas ao militante que quer mudar a sociedade brasileira. Basta ver o que já está sendo feito contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Goiás e no Paraná. 

Um elemento final é que dada a fragilidade jurídica que cerca a prisão de Anthony Garotinho é bem provável que ele consiga sua liberdade mais cedo ou mais tarde, talvez mais cedo do que tarde. E quando ele sair, o mais certo é que sua metralhadora giratória e o arcabouço documental que ele aparenta ter amealhado venham a ser usados para atingir duramente quem hoje celebra sua prisão. A ver!

PEC 241 e o engano de quem promete algo aqui e vota outra acolá

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Como preâmbulo quero observar que só pode estar no auto-engano ou no engano puro e simples quem dissemina a visão de que a simples eleição de um novo operador  pode mudar as relações de compadrio que vigoram na vida política brasileira. Essa impossibilidade se dá primariamente porque a imensa maioria dos partidos opera com base no princípio do “toma lá dá cá” e muitos muitos agentes que ocupam quase ad eternum a máquina pública sabem perfeitamente disso. 

Tanto o que eu disse é verdade que no caso da prefeitura de Campos dos Goytacazes existem personagens que estão ocupando cargos desde que o avô do prefeito eleito ainda reinava soberano na política local. E tenho certeza que já em Janeiro teremos várias figurinhas carimbadas novamente sentando em cadeiras para as quais a única habilitação que possuem é a capacidade de transmutação de lealdades.

E não adiantará nada os aliados de primeira hora do prefeito eleito franzirem a testa para esboçar sinais de reclamo.  É que se não houver a possibilidade de se permitir a adesão dos camaleões que vão passar da cor rosa para a verde, o novo alcaide não conseguirá uma semana de paz sequer para dizer a que veio.

Mas já que o tópico desta postagem é engano, eu vou ficar esperando para ver como o prefeito eleito dará conta de manter os programas sociais que têm impedido a cidade de explodir em conflito aberto com a implementação dos termos da PEC 241 cuja aprovação contou com a votação total do seu partido, o Partido Popular e Socialista (sic!). É que diante não apenas da pesada dívida que está sendo deixada para ele, e com os novos limites de gastos em áreas como saúde e educação, os cortes orçamentários serão inevitáveis e atingirão exatamente os mais pobres.

Esse “conundrum” (i.e, enigma) é que o prefeito eleito terá de resolver. É que não vai ter como continuar atendendo os pobres sem romper com as determinações que o seu partido ajudou a aprovar na PEC 241. E não vai adiantar nada a classe média reacionária apoiar o fim da passagem a R$ 1,00, a extinção do Cheque Cidadão ou o fim do Morar Feliz. É que esse apoio da minoria que se julga privilegiada terá como contrapartida a ira contida da maioria pobre. E haja concertina para colocar nos muros dos condomínios fechados e prédios nababescos que enfeitam as áreas mais abastadas desta pobre cidade rica.

Para a direita, a voz das urnas só é boa quando seus partidos ganham

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Não é preciso ir longe para dizer que desacredito completamente nas eleições burguesas como um instrumento de validação da vontade da maioria pobre da população brasileira.  Um sistema eleitoral como o nosso, onde quem tem dinheiro carrega chances muito maiores do que os que não tem não pode construir governos que estejam efetivamente antenados com a realidade da maioria. Esse é claramente um sistema voltado para manter os privilégios de uma minoria que é privilegiada desde que os portugueses encostaram as suas naus na costa brasileira. O famoso pessoal do 1% dos mais ricos que adora passear na Europa, mas quer nosso povo vivendo eternamente em favelas e guetos.

Mas de vez em quando são eleitos determinados partidos que se afastam um pouco da cartilha que defendem apenas os interesses daquele 1% que fica com quase toda a riqueza gerada pelo trabalho da maioria. Quando isso acontece normalmente a culpa é dos mais pobres que se deixaram levar por promessas populistas e vantagens passageiras. No caso de Campos dos Goytacazes, essas “vantagens” (que na verdade são medidas meramente paliativas voltadas para suavizar o profundo social criado pela concentração da renda) incluem a passagem a R$ 1,00 e o Cheque Cidadão. Nestes momentos em que os partidos do 1% perdem, as eleições são apontadas como viciadas e controladas por populistas que as usam com propósitos sempre escusos. E o pobre, coitado do pobre, é um ser vil e venal, incapaz de ver o que se passa diante de seu nariz.

Entretanto, quando ganham os partidos que, por exemplo, apoiaram o golpe de estado que apeou a presidente Dilma Rousseff ilegalmente do poder, o que se vê é que as eleições mudaram magicamente a condição política do país e das cidades. Aí a população pobre é repentinamente formada por sábios e críticos, capazes de discernir propostas e candidatos. Esse fenômeno de conversão do pobre vendilhão em sábio democrático está presente aqui mesmo em Campos dos Goytacazes com a vitória de Rafael Diniz do  Partido Popular e Socialista (sic!) que foi um dos mais ativos organizadores do golpe de estado “light” contra Dilma Rousseff.  Agora, os antes manipulados pelas benesses populistas estão sendo transformados em iluminados defensores da democracia.

Qual é a lição que eu tiro dessa repentina aclamação do voto dos pobres em candidatos da direita? Que a voz das urnas só é boa quando eles ganham. Mas, me perdoem os mais entusiasmados, vamos ver como a coisa fica quando em nome da governabilidade que só serve aos membros do 1% forem cortados os programas sociais que tem melhorado a vida dos mais pobres.  E não tenho dúvidas, esses programas serão cortados em Campos dos Goytacazes,  como já estão sendo cortados em nível federal. A ver!

 

 

Anthony Garotinho: derrotado, mas longe de ser terminado

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No dia 19 de Setembro, escrevi uma postagem onde comentava que as coisas não andavam nada fáceis para Anthony Garotinho na eleição para prefeito de Campos dos Goytacazes (Aqui!). Ontem, minha avaliação se confirmou com a vitória em primeiro turno do candidato Rafael Diniz do PPS.

Reconheço que minha percepção de dificuldade não me possibilitou ver que a derrota já ocorreria em primeiro turno, mas ela veio de forma avassaladora. Para mim, vários fatores contaram para essa derrota, a começar pelo desgaste de se estar no comando de uma prefeitura por 8 anos, sem que tivesse sido aberto um horizonte de mudanças. Aliás, muito pelo contrário. Além disso, a impossibilidade de que o próprio Garotinho pudesse ser candidato, a opção recaiu sobre um personagem que quando foi chamado a ocupar o posto de frente não mostrou o molejo necessário para ganhar a eleição. Por fim, a marcação cerrada da justiça eleitoral e a ação da Polícia Federal completaram o serviço.

Agora, sei que muitos desafetos de Anthony Garotinho estão festejando a sua derrota no dia de hoje. E, convenhamos, festejam com justiça porque derrotá-lo em Campos dos Goytacazes não é uma tarefa fácil. Mas que depois dos festejos ninguém se dê ao trabalho de desfilar com um caixão em praça pública para marcar o fim de sua influência local. É que além de outros já terem feito isso antes para depois aderir ao seu grupo, um simples olhar para os vereadores eleitos mostrará que Garotinho atuou com um claro Plano B nessas eleições. Se perdesse a Prefeitura, não poderia perder a Câmara de Vereadores. E isso ele conseguiu. Além disso, apesar de haver quem ache que aquela costumeira distribuição de afagos poderá melhorar a correlação, há que se lembrar que 2017 será um ano especialmente difícil para as finanças municipais. E mais do que ninguém, Anthony Garotinho saberá trabalhar essa realidade de vacas magras para, digamos, segurar o rebanho.

Além disso, basta dar uma olhada nos prefeitos eleitos em outros municípios para verificar que Anthony Garotinho não atuou apenas pensando em Campos dos Goytacazes, e a vitória de seu candidato em Itaperuna está aí para provar isso de forma clara. É esse olhar para além de Campos dos Goytacazes, que chega até a aliança com Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, que mostra que apesar de ter tomado um torpedo na proa, não é ainda dessa vez que o encouraçado de Garotinho vai afundar.

Mais do que ninguém o prefeito eleito de Campos dos Goytacazes vai ter que se lembrar de rapidamente de que agora passou de estilingue para vidraça. E, pior, que na condição de vidraça, o principal estilingue que terá apontado contra ele será o de Anthony Garotinho. Como antecipo que, em nome da governabilidade, a coalizão vencedora vai começar um processo de cortes de custos que atingirá basicamente os programas sociais da Prefeitura, vamos como fica essa passagem de estilingue para vidraça. Enfim, que o novo prefeito festeje bastante até 31 de Dezembro, pois a partir de 01 de Janeiro vem chumbo quente por ai.