Petróleo, Porto do Açu e Meio Ambiente, a segunda parte da entrevista de Carlos Rezende ao Portal Viu!

roberto carlão

No último dia 27 divulguei a primeira parte de uma esclarecedora entrevista concedida pelo professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, Carlos Eduardo de Rezende, ao portal de notícias Viu!.

Agora divulgo a segunda parte da entrevista do professor Carlos Rezende ao Viu! onde ele aborda as diferentes facetas envolvendo a exploração do petróleo na bacia de Campos, os danos socioambientais causados pelo Porto do Açu, bem como outras situações de desequilíbrio ambiental ocorrendo na região deltaica do Rio Paraíba do Sul (ver vídeo abaixo).

Considero que, ainda que na primeira parte da sua entrevista ao Viu! Carlos Rezende tenha apresentado aspectos muito interessantes das suas pesquisas no LCA/Uenf, nesta sequência, ele pode explanar com particular maestria questões de alto interesse não apenas para os habitantes do Norte Fluminense, mas de todo o estado.  É que ele foi capaz de explicar de forma didática várias questões que vêm há algum tempo sendo motivos de debates intermináveis.

Espero que esta entrevista com Carlos Rezende seja seguida por outros com pesquisadores de igual perfil no Portal Viu!.  Se isso acontecer, quem sairá ganhando seremos todos nós que vivemos sempre esperando por jornalismo de qualidade que saia do lugar comum das fofocas de colunas sociais que dominam boa parte da mídia corporativa regional. 

Ponto para o Portal Viu!

Portal Viu! entrevista pesquisador da UENF sobre ciência e sociedade

roberto carlãoO jornalista Roberto Barbosa, diretor-executivo do Portal Viu!, entrevista o pesquisador Carlos Eduardo de Rezende

O Portal Viu!, uma plataforma digital de notícias cuja abrange o Norte e Norte Fluminense e a região dos Lagos, acabou de marcar um golaço com a veiculação de uma entrevista com o professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade do Norte Fluminense (Uenf), Carlos Eduardo de Rezende, sobre vários tópicos relevantes, a começar pela participação em publicações científicas qualificadas, a começar pela série que versa sobre a descoberta de um antes desconhecido sistema recifal no delta do Rio Amazonas.

Um dos aspectos relevantes dessa entrevista é mostrar o envolvimento da Uenf, incluindo docentes e estudantes de graduação e pós-graduação, em pesquisas de relevância internacional. Como o próprio Carlos Rezende enfatizou, esse tipo de entrevista é particularmente importante em um contexto histórico onde os investimentos públicos em ciência e tecnologia estão sendo atacados, colocando em risco a existência de um sistema nacional que possa contribuir nos esforços de desenvolvimento e integração econômica de uma forma menos dependente daquela que historicamente marcou as relações do Brasil com os países desenvolvidos.

Abaixo a entrevista do professor Carlos Eduardo Rezende que foi entrevistado pelo jornalista Roberto Barbosa,  diretor-executivo do Viu!

Práticas autoritárias surgem na reta final da campanha eleitoral para a reitoria da UENF

A campanha eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte (Uenf) que vinha transcorrendo em clima relativamente ameno, mas a proximidade do pleito que começa amanhã nos pólos de Ensino de Educação à Distância (EAD) e na próxima 3a. feira nos campi de Campos dos Goytacazes e Macaé para ter esquentado no final. 

Lamentavelmente esse aquecimento se deu da pior maneira com a destruição de uma faixa da chapa AVANÇA UENF (a que leva o número 11) que é composta pelos professores Carlão e Juraci (ver abaixo).

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Considero o ato de destruição dessa faixa altamente lamentável, pois explicita um  grau inesperado de intolerância em uma campanha que, sendo realizada em uma universidade pública, deveria transcorrer de forma civil e democrática desde o início até o final. Mas aparentemente o germe da intolerância que varre o Brasil neste momento aparentemente já inoculou pelo menos um membro da comunidade universitária da UENF.

Como há uma comissão eleitoral responsável pela realização dessas eleições dentro da Uenf, a minha expectativa que haja uma efetiva apuração do responsável ou responsáveis por esse ato autoritário, e que haja a devida punição de quem for eventualmente identificado como tendo atentado contra a democracia universitária. Afinal, se há uma coisa que não podemos tolerar é a supressão dos direitos democráticos em uma universidade que foi criada por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro para garantir o livre e democrático exercício de ideias.

Entrevista especial com Carlos Eduardo Rezende, candidato a reitor da UENF

O Blog do Pedlowski está publicando uma entrevista especial realizada com o Prof. Carlos Eduardo Rezende, candidato a reitor da Universidade Estadual do Norte na chapa formada com o Prof. Juraci Aparecido Sampaio, a Avança UENF: Ciência e Sociedade.
A entrevista aborda uma série de questões, incluindo desde os planos da chapa para o que seriam 4 anos à frente da reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) em um dos momentos mais críticos da história para as universidades públicas brasileiras, mas também aspectos relacionados à críticas que têm sido veiculadas via redes sociais ao que seria um perfil partidário da chapa Avança UENF.

Abaixo as respostas oferecidas pelo Prof. Carlos Rezende às questões que lhe foram remetidas pelo Blog do Pedlowski.

Foto com Juraci

Juraci Sampaio (à esquerda) e Carlos Eduardo de Rezende (à direita) compõe a chapa Avança UENF: Ciência e Sociedade que concorrerá nas eleições à reitoria da Uenf que ocorrerão no início de Setembro.
Blog do Pedlowski (BP): O senhor é normalmente apresentado como um dos fundadores da Uenf. Poderia descrever aos leitores do blog aspectos que considera relevantes de sua trajetória dentro da universidade?
Carlos Eduardo Rezende (CER): Este é um assunto que carrega uma série de excelentes memórias na minha trajetória institucional. Eu estava, assim como muitos outros colegas da UFRJ, realizando parte do meu doutorado na Universidade de Washington (University of Washington) na Escola de Oceanografia (School of Oceanography) na cidade de Seattle em um grupo de referência internacional na área que escolhi para minha vida acadêmica. Naquele momento eu estava muito preocupado com o que faria após terminar o doutorado. Ainda em Seattle, me inscrevi para vagas de recém-doutor e ainda no exterior soube que havia sido selecionado para a vaga. No entanto, ao retornar ao país e conversando com meu orientador de doutorado, Prof. Wolfgang Christian Pfeiffer, me foi apresentada a proposta da Universidade Estadual do Norte Fluminense, que posteriormente teve o nome do seu mentor somado, isto é, Darcy Ribeiro. Obviamente escolhi participar de um projeto que me oferecia um horizonte temporal maior e aqui estou desde então e onde construí minha trajetória acadêmica passando por inúmeras experiências no plano pessoal e profissional.
Na UENF, posso afirmar, participei de todas as suas etapas, tendo o prazer de conviver de perto com pessoas de grande prestígio político (ex. Leonel Brizola e Darcy Ribeiro) e inúmeros pesquisadores renomados que vieram logo no primeiro momento para consolidar grupos nos diferentes centros de pesquisa. Inclusive, tenho o orgulho, neste exato momento, em que me candidato ao cargo de Reitor da Instituição, de obter apoio de alguns destes renomados pesquisadores e estes depoimentos estão disponíveis no canal YouTube da nossa chapa Avança UENF (https://www.youtube.com/results?search_query=avancauenf).
Nestes 26 anos da história institucional, desempenhei inúmeras funções tais como chefe de Laboratório, Diretor de Centro, Vice-Reitor e Pró-Reitor de Graduação, participei de todos os conselhos e colegiados da UENF, comissões para enquadramento funcional de servidores técnicos e docentes. Um ponto importante dentro da minha trajetória institucional é que nunca me omiti politicamente tendo participado ativamente das grandes conquistas da instituição como, por exemplo, a nossa tão desejada autonomia administrativa e recentemente na luta pelos duodécimos como membro do Conselho Universitário e Tesoureiro da Associação de Docentes, tendo inclusive divergido da atual administração em relação ao fracionamento que foi aprovado na ALERJ. Aliás, gostaria de dizer que estive entre os fundadores da ADUENF e metade do meu tempo colaborei com nossa associação sem o menor comprometimento com meu desempenho funcional no plano acadêmico e de pesquisa.
No Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) pude convidar incialmente profissionais para compor o quadro docente e técnico do laboratório que posteriormente fizeram concursos e vários permanecem até hoje. Ainda no LCA coordenei importantes projetos para o país como o Programa Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva que estabeleceu o limite de 200 milhas do nosso país, resguardando nossa soberania e riquezas naturais; membro da Comissão de Ciências do Mar do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação; participei em programas Nacionais tais como os Institutos do Milênio e Nacional de Ciência e Tecnologia; participo de iniciativas internacionais como Future Earth Coasts como coordenador para América do Sul; cooperação por aproximadamente 20 anos com a PETROBRAS e outras empresas do setor privado e Organizações Não Governamentais. Todas estas interações possibilitaram consolidar um laboratório com uma excelente central analítica que coloca o LCA com reconhecimento Nacional e Internacional. Na UENF fui o responsável por 10 anos do primeiro programa de cooperação internacional de mobilidade estudantil para alunos de graduação que envolveu alunos do Centro de Biociências e Biotecnologia e Ciências do Homem, antes do Programa Ciência sem Fronteiras. Em síntese, seriam estes alguns destaques que poderia oferecer aos leitores e dizer que me sinto muito feliz morando em Campos dos Goytacazes onde também consolidei minha família com minha esposa, duas filhas e um filho, três netos e uma neta, um genro e uma nora campistas, constituindo assim um profundo laço com a cidade e toda região Norte Fluminense.

Carlao e Brizola

Carlos Eduardo de Rezende em companhia do governador Leonel Brizola em cujo mandato foi construída a Uenf.
(BP): Por que decidir compor uma chapa para concorrer à reitoria da UENF?
CER: Por várias vezes, em eleições anteriores, meu nome foi colocado por alguns colegas, mas sempre declinei por questões familiares. No entanto, este ano fui novamente procurado, conversei em família, com algumas amigas e amigos, e a questão não foi totalmente rechaçada em um primeiro momento. Desta forma, pensei e considerei inúmeros fatores, principalmente diante da situação atual em que se encontra o país e nosso estado, e iniciei algumas conversas com potenciais pessoas para compor a chapa até chegar ao nome do professor Juraci Sampaio. O professor Juraci é bem mais jovem do que eu, tem trabalhado na UENF nos últimos 15 anos e foi o responsável por um levantamento histórico do desempenho dos nossos alunos de graduação ao longo destes 26 anos de existência da nossa instituição. Cabe ressaltar inclusive que este é um trabalho pioneiro, pois pela primeira vez temos estas informações consolidadas em um documento.
BP: Quais seriam os principais diferenciais da sua chapa em relação às outras duas que também estão participando do processo eleitoral?
CER: Nossa chapa possui uma característica muito importante, pois os dois pesquisadores possuem experiência administrativa e mérito acadêmico. Os dois são membros permanentes de programas de pós-graduação da instituição, tem realizado pesquisas e publicado em revistas com impacto nacional e internacional, e orientado alunos em nível de graduação e pós-graduação. Agora, não vou comentar sobre as características das duas chapas, pois a comunidade conhece as pessoas, as informações estão disponíveis e acredito que a comunidade terá total maturidade para escolha daqueles que representem a instituição da melhor forma possível. Não estamos tratando de um cargo político e sim de uma representação acadêmica da instituição. Nessas horas, muitas pessoas tendem a magnificar defeitos e desconhecerem, ou a desprezar, o mérito acadêmico e da história dentro da instituição.
BP: Em linhas gerais, quais são as principais propostas da sua chapa para a Uenf?
CER: O nosso programa é abrangente, mas precisamos ampliar o acesso ao restaurante universitário; recuperar a infraestrutura da instituição; modernização técnica e profissional dos cursos de graduação e pós-graduação, e a implantação do Colégio de Aplicação da UENF; programas de treinamento técnico nas áreas científica e administrativa; ampliar as atividades culturais e divulgação científica integrando a comunidade acadêmica com a sociedade local e regional, por isto a chapa de chama AvançaUENF: Ciência e Sociedade; intensificar as relações com as instituições de ensino superior que atuam nas regiões Norte, Noroeste e Lagos visando o fortalecimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Concluindo, defendemos uma UENF FORTE, de Qualidade, Inclusiva e Democrática.
BP: Em sua opinião, quais serão os principais desafios que terá de se defrontar caso seja eleito reitor?
CER: o primeiro desafio é a eleição, por este motivo acredito que devemos conduzir este processo dentro de uma liturgia acadêmica para que posteriormente a chapa escolhida pela comunidade consiga conduzir a instituição dentro de um ambiente de união, pois o principal desafio é mostrar a toda sociedade a importância da nossa instituição para o desenvolvimento regional e do país. Precisamos restabelecer os salários e o quadro de servidores, pois ao longo dos últimos anos não tivemos concursos para o quadro permanente dos técnicos e docentes; precisamos também trabalhar para melhoria das bolsas dos estudantes de graduação, pós-graduação e pós-doutorado. Como disse anteriormente, existem coisas que dependem do trâmite e implantação interna com apoio da comunidade através dos seus conselhos e colegiados, outro de um apoio do executivo e dos nossos parlamentares.
BP: Em relação a um tema bastante sensível que é o da proposta de uma eventual cobrança de mensalidades dos estudantes da Uenf, qual é a sua posição?
CER: sou um defensor da Universidade Pública, Gratuita, de Excelência e Socialmente Referenciada. Inclusive, já me pronunciei publicamente sobre este assunto onde reitero o teor, a saber: Aquelas e aqueles que estão ou estiveram na Universidade Pública, seja como servidor técnico ou docente, e também como aluno, tem a obrigação de defendê-la. Quaisquer manifestações contrárias poderiam ser encaradas como um desserviço as nossas instituições públicas, sejam estaduais ou federais.
BP: Além de estar a quase cinco anos sem qualquer reposição salarial, os servidores e professores da Uenf estão com diversos benefícios e direitos congelados. Como pretende resolver este problema junto ao governador Wilson Witzel?
CER: Acredito que temos duas perguntas nesta questão. Primeiro, temos procedimentos em tramitação no âmbito da nossa administração que sequer foram praticados (ex.: enquadramentos, insalubridade) e em seguida, os salários com data para dissídio e benefícios que precisam ser reajustados. Então, uma parte é interna e a outra dependerá de conversar com o Governador e Secretários. Na UENF sempre fui um defensor da nossa autonomia, incluindo a financeira. Há dois anos travamos uma intensa campanha, participei como membro do Conselho Universitário e Tesoureiro da ADUENF, indo para ALERJ, entregando manifesto do CONSUNI aos parlamentares e apoiando a atual reitoria neste pleito. No entanto, discordamos da forma que foi aprovada para implementação, isto é, em 3 anos seguindo os seguintes percentuais 25%, 50% e 100%, e aparentemente correto, pois até agora não se chegou a uma forma final para que este repasse orçamentário se concretize. Enfim, o modelo de autonomia financeira e o total respeito aos repasses destes recursos serão fundamentais para qualquer reitoria.
BP: O senhor tem sido acusado nas redes sociais de estar encabeçando uma chapa com perfil partidário. Como o senhor responde a esta afirmação?
CER: Infelizmente, nosso país passa por um momento muito delicado no âmbito da política partidária e algumas pessoas não conseguem pensar fora desta lógica. Óbvio que tenho minhas preferências políticas, mas na universidade, meu partido é a UENF. Ao longo de 35 anos de profissão, posso afirmar que me orgulho muito da minha trajetória profissional e estar na UENF desde a sua concepção original é uma delas. Assim, esta tentativa tosca de rotular minha candidatura com perfil partidário é absurda e tenta criar factoides para me desqualificar. Agora, deixo claro, jamais deixarei de defender qualquer ponto que considere fundamental e relevante para minha instituição ou para meu país. O que tenho visto nas universidades é uma tentativa de calar, a base da força e de intimidações, as pessoas que possuem uma visão progressista. Ao longo de muitos anos alguns professores cultuaram a postura de negar a política, passar isto para parte dos alunos como uma coisa detestável e hoje temos uma sociedade polarizada e totalmente despolitizada.
BP: Após quase 3 décadas de atuação na Uenf, quais seriam em sua opinião as principais contribuições da universidade para o desenvolvimento regional?
CER: a UENF tem formado excelentes profissionais em nível de graduação e pós-graduação, e considero que esta é a principal contribuição que podemos oferecer para o desenvolvimento da região assim como o conhecimento que geramos através das nossas pesquisas científicas. Na contribuímos ativamente para várias empresas, universidades públicas e privadas, institutos federais e para órgãos públicos como Ministério Público Federal e Estadual, órgãos ambientais e os profissionais formados pela UENF tem atuado em diferentes esferas dos setores públicos e privados. Este é um dos principais legados que nossa instituição tem oferecido para região, para o país e internacionalmente.
BP: A UENF viveu um período muito difícil em 2017 com a falta de salários, mas continuou cumprindo com suas responsabilidades. Como isso foi possível?
CER: De fato este foi um dos piores momentos que vivemos dentro da instituição, pois somados ficamos aproximadamente 6 meses sem salários. Isto realmente comprometeu as finanças e a saúde mental dos nossos servidores técnicos e docentes. Vários não se recuperaram até hoje no quesito financeiro e também da saúde. Um impacto terrível na vida das pessoas e nos vimos confrontados com uma pressão terrível. Em um primeiro momento, fomos convencidos de que a melhor forma para reverter este processo seria continuar trabalhando, mas as reservas financeiras das pessoas foram se esgotando assim como a estabilidade emocional. Afinal de contas todos possuem responsabilidades civis e familiares que em nenhum momento poderiam ser ignoradas. Assim, diante desta situação, algumas das atividades foram descontinuadas e outras até mesmo mantidas por algumas reservas técnicas individuais, mas por força dos servidores técnicos e docentes, as atividades essenciais foram mantidas mesmo diante da pressão por parte de algumas pessoas que insistiam que a situação estava totalmente normal.
BP: Há algo que eu não perguntei e o senhor gostaria de abordar?
CER: O que vem acontecendo na UENF é uma situação muito especial, talvez isto aconteça pela sua jovem história. A instituição certamente possui inúmeras lideranças no plano acadêmico, porém o mais importante é conhecer a trajetória profissional que expressa esta liderança. No nosso caso, a escala de mudança ocorre a cada 4 anos e não basta uma auto identificação, considero que perdemos um pouco estes referenciais na UENF e precisamos resgatar, pois estamos em uma instituição que prega excelência na área de formação de recursos humanos na graduação e pós-graduação, na pesquisa e extensão.
Qualquer gestão pode e deve ser julgada pelos seus resultados, mas a tentativa de se perpetuar a frente da instituição me parece um grande equívoco. A meu ver, a melhor liderança para UENF deve somar qualidades tais como caráter, mérito acadêmico, habilidade e um pouco de sorte. Não faço parte do grupo que deseja o poder a qualquer custo, que isto fique bem claro para todas e todos. A frente de uma gestão a prudência é necessária para avaliar os riscos e apontar para os melhores caminhos. Considero que a eleição representa um ponto inicial da caminhada, mas infelizmente o maior problema em um processo eleitoral é o não reconhecimento das suas qualidades e a ampliação excessiva dos defeitos assim como reinventar parte da história. Concluindo, espero que o indicado pela comunidade conte com apoio de todos os setores depois de finalizada esta etapa, pois está evidente a forma como as universidades têm sido tratadas ao longo dos últimos anos.

Artigo na Frontiers in Marine Science traz novas descobertas sobre os recifes de corais do Rio Amazonas

Resultado de imagem para bp e total querem explorar petroleo na área dos corais da amazonia

A revista “Frontiers in Marine Science” publicou nesta 2a. feira (23/04) um artigo científico abordando a extensão, taxa de biodiversidade e ameaças relacionadas ao que seus autores denominam de “Great Amazon Reef System” (GARS).  Um fato importante acerca do conteúdo deste artigo é que as estimativas apresentadas estão baseadas em pesquisas baseadas em imagens submarinas da região onde se encontra esse sistema de recifes de corais na região do delta do Rio Amazonas [1].

Segundo os autores do artigo, as imagens submarinas corroboram uma série de hipóteses, incluindo: (1) o fato da área do GARS poder ser seis vezes maior do que a sugerida anteriormente (até 56.000 km2); (2) que o GARS pode se estender a profundidades maiores do que o sugerido anteriormente (até 220 m); (3) que o GARS é composto por uma maior complexidade e diversidade de habitats do que o anteriormente reconhecido (por exemplo, plataformas de recife, paredes de recife, leitos de rodolitos e fundos de esponja); e que (4) o GARS representa um sistema útil para testar se um corredor profundo conecta o Mar do Caribe ao Oceano Atlântico Sudoeste.

coral reefs

Mapa do Great Amazon Reef System (GARS) mostrando locais de amostragem. A área cinza denota a área potencial coberta por recifes mesofóticos (56.000 km2). As letras A-D correspondem aos locais em que características típicas dentro de um gradiente de profundidade de 70 a 220 m.

Os autores do trabalho também chama atenção para a necessidade urgente de adotar medidas cautelares de conservação para proteger a região diante das crescentes ameaças das práticas extrativas de petróleo e gás.

Esse alerta é particularmente importante porque a região coberta pelo GARS são alvo de pelo menos duas petroleiras (BP e Total). Ainda que a BP tenha anunciado sua desistência em relação a explorar petróleo na região do GARS, nada ainda se ouviu da francesa Total.

Um dos autores desse trabalho é o professor Carlos Eduardo Rezende, professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e que está envolvido nas pesquisas relacionadas ao GARS desde o seu início. 

Quem desejar acessar esse artigo na íntegra, basta clicar [Aqui!].

Artigo na Scientific Reports alerta para efeitos duradouros da contaminação causada pelo TsuLama da Samarco

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Quase dois anos depois da ocorrência do TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton), a comunidade científica continue lançando luz sobre os efeitos desastrosos que o maior acidente da história da mineração está tendo sobre os ecossistemas do Rio Doce. Um exemplo disso é o artigo publicado por pesquisadores brasileiros no “Scientific Reports”, revista científica que é publicada pelo mesmo grupo que publica a revista Nature, e que conta com a participação do professor Carlos Eduardo Rezende, chefe do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Segundo o que me revelou o prof. Carlos Rezende, um dos principais pontos do artigo foi que ficou demonstrado que a situação no Rio Doce não está normalizada, o que foi verificado a partir do uso de equipamentos mais sensíveis e que permitiram uma avaliação mais precisa do estado em que se encontra a área afetada pelo TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton).

Do ponto de vista dos resultados, o artigo demonstra que os níveis de material dissolvido e em suspensão continuam elevados quase dois anos depois da ocorrência do TsuLama. Os autores do trabalho alertam ainda que a ocorrência de chuvas pesadas levarão a processos erosivos que, por sua vez,  devem contribuir para a remobilização e o consequente transporte de material contaminado.

Este cenário implicará na manutenção de altos níveis de entradas de material particulado em suspensão (MPS) e de metais por um período ainda indeterminado.  Como consequência, os ecossistemas do Rio Doce continuarão sendo impactados com efeitos duradouros sobre a capacidade dos mesmos de gerar os chamados serviços ambientais.

Diante dos cenários apontados nesta publicação, fica ainda mais evidente a necessidade de que as mineradoras envolvidas na ocorrência do TsuLama (Samarco, Vale e BHP Billiton) sejam obrigadas a ressarcir as comunidades atingidas e de investir de forma mais robusta na reparação dos danos ambientais que continuam ocorrendo ao longo do Rio Doce.

Para os interessados em ler este artigo, basta clicar [Aqui!]

Pesquisadores da Uenf no time que acaba de revelar existência de recifes no delta do Amazonas

A força do corpo científico que existe na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) acaba de ser demonstrado mais uma vez e, desta vez , com direito a espaços generosos na mídia corporativa mundial dada a importância do que foi descoberto. 

Liderados pelo Prof. Carlos Eduardo Rezende vários membros do Laboratório de Ciências Ambientais são co-autores de um artigo que acaba de ser publicado na Science Advances, uma das mais importantes revistas científicas do mundo, e que mostra a existência até então desconhecida de um sistema de recifes de corais no delta do Rio Amazonas.

Essa é uma descoberta que pode alterar muito do que se estimava ser o estabelecimento e manutenção de comunidades coralíferas, visto que este sistema se encontra estabelecido em águas turvas, enquanto os sistemas conhecidos até então estão em águas cristalinas.

E o interessante é que os resultados desta pesquisa vem a público num momento em que a Uenf corre o risco de fechar as portas pela falta de pagamento de contas de água,  eletricidade, telefones, e tudo o mais que se possa necessitar para que possa funcionar. 

Abaixo o link para este importante artigo que muito honra a ciência brasileira e, em especial, a Uenf e seus pesquisadores que participaram da pesquisa.

sciences advancws