Circulando um manual de controle e prevenção da COVID-19

Apesar das redes sociais estarem circulando uma quantidade significativa de dicas para controlar e prevenir a disseminação do coronavírus (a.k.a. COVID-19), poucos materiais existem sobre um tratamento abrangente de todas as possíveis vias de contaminação, bem como sobre as formas de minimizar a chance de que se contraia este vírus.

manual covid 19

Por isso, considero que o “Manual de Prevenção e Controle da COVID-19” organizada pelo Dr. Doutor Wenhong Zhang, líder da Equipe Especializada de Tratamento da Pneumonia Causada por Covid-19, em Xangai, e diretor do Departamento de Infectologia do Hospital Huashan, afiliado à Universidade de Fudan, reúne uma série de orientações interessantes, as quais claramente serão úteis para evitar uma disseminação ainda mais ampla do coronavírus no Brasil.

Interessante notar que este manual está sendo circulado no Brasil a partir de um esforço conjunto que está sendo liderado pela China2Brazil é uma plataforma digital que traz informações e novidades sobre tecnologia, empreendedorismo e economia da China para o Brasil.

Tian Bin, parceiro da consultora IEST, empresa também responsável pela coordenação dos direitos autorais e tradução, disse à imprensa que 5000 cópias deverão ser impressas esta semana e distribuídas sem custos à embaixada e consulados chineses no Brasil, ao Instituto Confúcio, ao Ministério da Saúde do Brasil e a outras instituições relevantes.

Versões em PDF estão já disponíveis para download na conta de Facebook China2Brazil, sendo que a versão final deverá ser disponibilizada na Amazon e em outras plataformas esta semana. 

Quem desejar baixar este manual, basta clicar [Aqui!]

Número de mortes pelo coronavírus está subestimado no Brasil. Mas quanto?

covasCoveiros no cemitério Vila Formosa, em São Paulo.AMANDA PEROBELLI / REUTERS

Já comentei aqui o problema da subnotificação que, no Brasil, é um fato recorrente para diversas doenças, inclusive para a pandemia do coronavírus. A subnotificação implica em outro problema igualmente preocupante que é a diferença entre os que efetivamente morreram pela infecção causada pelo COVID-19 e aquilo que os registros oficiais apontam.

Os números atualizados pelo Ministério da Saúde (ver quadro abaixo) apontam que o Brasil teria até este caso, um total de 1.857 casos confirmados e 941 óbtidos atribuídos ao COVID-19, com o estado de São Paulo liderando o placar nacional em ambos os quesitos.

mortes casos covid

Pois bem, uma reportagem assinada pelo jornalista Carlos Madeiro e publicada pelo site UOL traz a informação que com base nas declarações de óbito registradas nos cartórios, os números oficiais estariam subestimados em cerca de 48%, o que elevaria o número real de mortos pelo COVID-19 para 1.392 óbitos. 

Um complicador para que se chegue a números mais precisos para se estimar com maior precisão o número de infectados pelo COVID-19 e os óbitos resultantes é que o Brasil continua aplicando um número irrisório de testes para confirmar se o coronavírus está presente em um determinada pessoa. Nesse caso a relação entre testes realizados/por milhão de pessoas é de 724. Apenas por comparação, no caso da Alemanha esta relação é de 15.730, o que explica não apenas a baixa letalidade que o COVID-19 está causando entre os alemães, mas também o grau de  precisão com que a pandemia está sendo acompanhada pelo governo alemão.

O maior problema dessa situação toda é que a maioria da população brasileira fica alijada do acesso a informações mais precisas sobre a gravidade que a pandemia causada pelo COVID-19 já alcançou no Brasil. Com isso, é inevitável que haja um relaxamento nas medidas de isolamento social, o que já pode ser facilmente observado em imagens que circulam nas redes sociais.

Por outro lado, este posição “relax” em relação a um vírus letal é estimulado por ocupantes de diferentes postos de governo, começando pelo presidente da república, passando pela maioria dos governadores e de prefeitos que negam a gravidade da pandemia, preferindo tratá-la com uma gripezinha. O problema é que o COVID-19 não é uma mera gripezinha, e seu grau de letalidade está sendo explicitado com assombrosa didática na população dos Estados Unidos da América.

plataforma fpsoFPSO Capixaba, da Petrobras, que produz e armazena petróleo no campo de Cachalote, no Parque das Baleias. Crédito: Agência Petrobras

Uma demonstração do que pode estar nos esperando por causa da postura negacionista e negligente de muitos governantes e de parte considerável da classe empresarial brasileira vem de um  navio plataforma estacionado entre o sul do Espírito Santo e a região Norte Fluminense (o FPSO Capixaba mostrado acima), onde foram registrados 53 casos de COVID-19 entre os trabalhadores que estavam a bordo. 

Imaginemos o que poderá ocorrer quando coronavírus penetrar com força nas áreas mais pobres das nossas regiões metropolitanas? Por isso, há que se rejeitar toda a confusão que ronda os supostos embates dentro do governo Bolsonaro e nos concentrar para aprofundar, e não afrouxar, o isolamento social. Do contrário, será como alertou o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD) em entrevista ao jornal “O TEMPO” quando ele disse que: “se a população achar que nossa curva está tranquila, que não vamos ter pico, preparem-se para virar Milão. Para jogar corpo em campo de patinação, como se faz na Espanha, porque não tem caixão para enterrar, ou como se faz no Equador, onde estão jogando caixão nas ruas“. Simples assim!

Coronavírus como requiem do neoliberalismo

covid neoliberalismo

O efeito devastador que o coronavírus está tendo em diversas partes do mundo sinaliza que o mundo nunca será mais o mesmo, especialmente no tocante à ideologia neoliberal que foi aplicada em doses cavalares sobre os sistemas públicos de saúde e ciência e tecnologia. 

É que no estalar das consequências nefastas da ação de um vírus que seria mais facilmente derrotável se as estruturas hospitalares públicas não tivessem sido dizimadas por quase 4 décadas de políticas neoliberais. Mas como o cenário em que se encontra os sistemas públicos de saúde na maioria dos países que adotaram o receituário neoliberal é hoje um elemento que facilita o aumento no grau de letalidade do coronavírus.

Tenho visto várias análises de pessoas respeitáveis no sentido de que passada a pandemia, a tendência será tudo a voltar a ser como antes. Eu já tenho a opinião que passada o momento mais agudo, o que deveremos assistir é uma espécie de lavação de roupa suja acerca das políticas neoliberais e de seus perpetradores em diferentes pontos do espectro político. É que inevitavelmente as pessoas vão querer que não sejamos pegos de calças curtas quando a próxima pandemia chegar.

Se esse prognóstico estiver correto, o mais provável é que uma grave crise política se instale em países onde governos insistem em aplicar a ideologia neoliberal como receita para garantir o crescimento econômico.  Por isso mesmo, a América do Sul deverá um dos principais epicentros dessa crise política, visto que aqui a maioria dos governos insiste em demolir os serviços públicos para aumentar ainda mais a já abissal distância entre pobres e ricos, sempre sob a escusa de gerar dinamismo econômico que possibilite a melhoria da vida de todos (no que Ronald Reagan chamava de “trickle down effect” ou (em bom português), “efeito de gotejamento”.

E ao fim e ao cabo, é possível dizer que, querendo ou não, a pandemia do coronavírus esteja sendo uma espécie de requiem do neoliberalismo. 

Marcos Pontes, o ministro astronauta é um soldado “missing in action” na guerra contra o COVID-19

MarcosPontes

O ministro da Ciência e Tecnologia, o ex-astronauta Marcos Pontes, era mais vocal e presente vendendo travesseiros do que agora defendendo o papel da ciência na superação da pandemia causada pelo COVID-19

Em meio às muitas declarações sem qualquer fundamento científico que partem de representantes do governo Bolsonaro no tocante ao combate do coronavírus, a começar pelo próprio presidente, um ministro tem estado particularmente calado em meio ao debate sobre o papel da ciência para que o Brasil chegue à respostas robustas para superarmos esta pandemia mortal. 

Falo aqui do dublê de astronauta aposentado e ministro da Ciência e Tecnologia, e ainda tenente-coronel reformado da Força Aérea Brasileira, Marcos Pontes.  Pontes tem assistido em silêncio sepulcral não apenas à declarações que desconsideram aspectos elementares do saber científico sobre as possíveis formas de controle do coronavírus, mas também no tocante aos seguidos cortes que têm sido realizados no orçamento para o sistema nacional de ciência e tecnologia.

marcos pontes 1O ministro da Ciência, Marcos Pontes, em visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais de Campinas (SP) (Foto: Helen Sacconi/EPTV Campinas) 

O astronauta transformado em vendedor de travesseiros chegou ao ministério de Ciência e Tecnologia no mínimo com o benefício da dúvida por parte das lideranças científicas brasileiras. Mas após 15 meses e poucos dias de mandato à frente do “Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações” (MCTIC), Pontes não fez nada até agora que justificasse isso.

A gestão de Pontes à frente do MCTIC é, no mínimo, pouco memorável, o que é muito grave se formos levar em conta as pesadas demandas que estão sendo colocadas sobre a comunidade científica nacional a partir da eclosão da pandemia do COVID-19. A hora seria de termos um ministro que ocupasse, junto com o da Saúde, um papel de destaque no oferecimento de explicações sólidas que servisse para dirimir quaisquer dúvidas sobre os caminhos a serem seguidos para que o governo federal possa responder aos desafios psotos de forma cientificamente informada.

Desconfio que Marcos Pontes, tal como vários outros ministros estão fazendo, optou por adotar uma posição distante para evitar choques com o chamado “setor ideológico” do governo Bolsonaro, preservando assim o seu cargo de ministro. Se for isso mesmo, estamos muitíssimo mal parados, pois este tipo de posição deixa os cientistas não apenas mal financiados para realizar pesquisas fundamentais sobre o coronavírus, mas principalmente desamparados no tocante à necessária validação do papel da ciência na solução dos problemas postos pela pandemia.

Saiba como limpar sacolas de mercado para evitar contaminação de coronavírus dentro de casa

sacolasCovid-19 resiste em superfícies por dias, segundo pesquisas; sacolas reutilizáveis são mais indicadas e devem ser lavadas

São Paulo (SP), 08 de abril de 2020 – Pesquisa recente publicada pelo “New England Journal of Medicine” aponta que o novo coronavírus (Covid-19) pode resistir por até três dias em superfícies como plástico e aço inoxidável. Frente aos perigos de contaminação, muitos consumidores ainda têm dúvidas sobre como impedir que o vírus entre ou se espalhe em sua casa após as compras.

Entre as principais dúvidas estão como escolher e o que fazer com as sacolinhas de compra. De acordo com Marina Valente, gerente do segmento de embalagens médicas da DuPont, o ideal é ir ao mercado com sacolas reutilizáveis, de pano ou ecológicas (ecobags), que reduzem drasticamente o risco de contaminação.

“Ao levar uma sacola reutilizável de casa, há menor manipulação por outras pessoas, reduzindo os riscos de infecção se compararmos com sacolinhas de plástico dos supermercados. O consumidor deve levar sua sacola reutilizável e só usá-la efetivamente na hora de guardas as compras”, afirma Marina.

Após o uso, em casa, as sacolas devem ser lavadas imediatamente. Segundo a executiva, há atualmente no varejo opções de sacolas com plásticos especiais que permitem lavagem fácil e eficaz, como as feitas com Tyvek®, material leve, impermeável e 100% sustentável.

“Após guardar as compras, o consumidor deve imediatamente lavar as sacolas reutilizáveis com água e sabão para evitar que, eventualmente, o vírus permaneça naquela superfície”, explica. Veja neste link um passo a passo de como lavar sua sacola reutilizável. “No caso de sacolinhas comuns de plástico, o ideal é jogá-las no lixo logo após guardar os produtos”.

“Higienização e autopoliciamento são as palavras-chave para evitar contaminação pelo Covid-19 em qualquer situação. Ao fazer compras, a atenção deve ser redobrada porque o vírus pode, sim, ser levado para dentro casa”, finaliza Marina.

Sapatos e verduras

A primeira dica ao chegar em casa após a ida ao mercado é não entrar diretamente com as compras, deixando-as no carro ou na superfície mais limpa possível. Antes de tudo, deixes os sapatos na porta e troque de roupa (colocando a roupa que foi ao mercado imediatamente para lavar). Depois disso, tome banho ou higienize suas mãos (neste link você pode ver o procedimento correto para lavar as mãos).

Prefeitura Municipal de Vila Velha: Lavar as mãos é uma das ...

“O próximo passo é colocar as sacolas de compras em uma superfície fácil de limpar posteriormente – de preferência, de pedra ou vidro. Retire os itens um a um e limpe as embalagens com água e sabão ou álcool em gel 70º antes de guardá-las”, ensina Marina.

Quando possível, guarde alimentos sem as embalagens originais. Para isso, abra os pacotes e jogue-os no lixo imediatamente. Só manuseie os produtos após lavar novamente as mãos. Higienize-os e guarde-os em local próprio e limpo. Frutas e verduras podem ser higienizados com imersão em solução de água sanitária (sem alvejante) ou hipoclorito de sódio.

Após guardar as compras e lavar as sacolas reutilizáveis, limpe bem a bancada onde as sacolas de compras estavam e volte a higienizar as mãos corretamente. “É muito difícil conseguir impedir o Covid-19 de entrar em casa, mas, adotando os procedimentos corretos, podemos reduzir muito os riscos de contato via superfície”, diz.

A executiva lembra que, durante todo esse procedimento, é importante não tocar o próprio rosto, para evitar que o vírus passe das mãos para a boca, o nariz ou os olhos. “Essa dica vale para o dia inteiro: autopoliciar-se para não tocar a própria face sem que as mãos estejam devidamente higienizadas”, conclui.

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Para mais informações, por favor entre em contato com:

2PRÓ Comunicação

Carolina Mendes – carolina.mendes@2pro.com.br
Jorge Soufen Jr – jorge.junior@2pro.com.br
Telefone: (11) 9 9170-9079

Flexibilizar o isolamento social é preparar o genocídio dos pobres

virus infecções

Em várias cidades brasileiras a população vem acorrendo às lotéricas e agências bancárias em grandes números, fato esse que está fartamente ilustrado em jornais e redes sociais.  Apesar de todas essas aglomerações, não se vê na maioria das cidades nenhuma ação do estado (em qualquer esfera que seja) para educar a população e disciplinar o acesso aos serviços que continuam funcionando.

Não bastasse isso, diversos governadores (Wilson Witzel (RJ) e Romeu Zema (MG), como exemplos) estão agindo para flexibilizar (na verdade relaxar) decretos anteriores para permitir a abertura do comércio em cidades que estejam com um número oficial de casos de COVID-19.  Além disso, a entrega dos recursos aprovados pelo congresso nacional para auxiliar a parte mais prejudicada da classe trabalhadora está se dando de forma claramente vagarosa, o que contribui para a saída às ruas das pessoas em busca de algum ganho que lhes permita comprar um mínimo de alimentos para não passar fome.

Várias pessoas caminham pelo centro de São Paulo na segunda-feira, 6 de abril.Multidão caminha pelas ruas do centro de São Paulo no dia 06 de abril.

Toda essa situação ocorre em meio ao aumento do número oficial de pessoas contaminadas pelo COVID-19, aumento esse que também está se estendendo ao número oficial de pessoas falecidas como consequência dessa infecção. 

corona-7abr-1Número de infectados pelo COVID-19 até o dia 07 de abril mostra curva em ascendência acelerada.

O fato é que  no momento exato em que as curvas de contaminados e mortos pelo COVID-19 estão dando sinal de aumento explosivo, os governantes estão abrindo as portas do comércio. Para entender que isso nos levará a uma catástrofe sanitário não é preciso ser cientista, pois é só usar o senso comum para ver que exatamente isto o que ocorrerá. 

E para quê abrir o comércio e flexibilizar a forma de milhões de brasileiros de trabalhar sem que seja sequer fornecido o material necessário para os profissionais de saúde trabalharem em um nível mínimo de segurança? Essa é a questão que deveria estar sendo feita, pois a verdade é que o Brasil está flertando neste momento com o genocídio das parcelas mais pobres da sua população.

E como bem disse o neurocientista Miguel Nicolelis: ‘Temos de convencer as pessoas da letalidade do inimigo’, pois o principal a fazer no momento é manter o isolamento social: “Estamos num estado de guerra. O mundo que a gente conhecia desabou”.  Simple assim!

Pacto pela Vida e pelo Brasil

sociede civil

Cidadãos brasileiros, mulheres e homens de boa-vontade, mais uma vez, conclamamos a todos:

O Brasil vive uma grave crise – sanitária, econômica, social e política — exigindo de todos, especialmente de governantes e representantes do povo, o exercício de uma cidadania guiada pelos princípios da solidariedade e da dignidade humana, assentada no diálogo maduro, corresponsável, na busca de soluções conjuntas para o bem comum, particularmente dos mais pobres e vulneráveis. O momento que estamos enfrentando clama pela união de toda a sociedade brasileira, para a qual nos dirigimos aqui. O desafio é imenso: a humanidade está sendo colocada à prova. A vida humana está em risco.

A pandemia do novo coronavírus se espalha pelo Brasil exigindo a disciplina do isolamento social, com a superação de medos e incertezas. O isolamento se impõe como único meio de desacelerar a transmissão do vírus e seu contágio, preservando a capacidade de ação dos sistemas de saúde e dando tempo para a implementação de políticas públicas de proteção social. Devemos, pois, repudiar discursos que desacreditem a eficácia dessa estratégia, colocando em risco a saúde e sobrevivência do povo brasileiro. Em contrapartida, devemos apoiar e seguir as orientações dos organismos nacionais de saúde, como o Ministério da Saúde, e dos internacionais, a começar pela Organização Mundial de Saúde – OMS.

Os países democráticos atingidos pelo COVID-19 estão construindo agendas e políticas para combatê-lo de maneira própria, segundo suas características, mas, todos, sem exceção, na colaboração estreita entre sociedade civil e classe política, entre agentes econômicos, pesquisadores e empreendedores, convencidos de que a conjugação de crise epidemiológica e crise econômica assume tal magnitude, que só um amplo diálogo pode levar à sua resolução. É hora de entrar em cena no Brasil o coro dos lúcidos, fazendo valer a opção por escolhas científicas, políticas e modelos sociais que coloquem o mundo e a nossa sociedade em um tempo, de fato, novo.

Nossa sociedade civil espera, e tem o direito de exigir, que o Governo Federal seja promotor desse diálogo, presidindo o processo de grandes e urgentes mudanças em harmonia com os poderes da República, ultrapassando a insensatez das provocações e dos personalismos, para se ater aos princípios e aos valores sacramentados na Constituição de 1988. Cabe lembrar que a árdua tarefa de combate à pandemia é dever de todos, com a participação de todos — no caso do Governo Federal, em articulada cooperação com os governos dos Estados e Municípios e em conexão estreita com as nossas instituições.

A hora é grave e clama por liderança ética, arrojada, humanística, que ecoe um pacto firmado por toda a sociedade, como compromisso e bússola para a superação da crise atual. Como em outras pandemias, sabemos que a atual só agravará o quadro de exclusão social no Brasil. Associada às precárias condições de saneamento, moradia, renda e acesso a serviços públicos, a histórica desigualdade em nosso país torna a pandemia do novo coronavírus ainda mais cruel para brasileiros submetidos a privações. Por isso, hoje nos unimos para conclamar que todos os esforços, públicos e privados, sejam envidados para que ninguém seja deixado para trás nesta difícil travessia.

Não é justo jogar o ônus da imensa crise nos ombros dos mais pobres e dos trabalhadores. O princípio da dignidade humana impõe a todos e, sobretudo, ao Estado, o dever de dar absoluta prioridadeàs populações de rua, aos moradores de comunidades carentes, aos idosos, aos povos indígenas, à população prisional e aos demais grupos em situação de vulnerabilidade. Acrescente-se ao princípio da dignidade humana, o princípio da solidariedade – só assim iremos na direção de uma sociedade mais justa, sustentável e fraterna.

É fundamental que o Estado Brasileiro adote políticas claras para garantir a saúde do povo, bem como a saúde de uma economia que se volte para o desenvolvimento integral, preservando emprego, renda e trabalho. Em tempos de calamidade pública, tornam-se inadiáveis a atualização e ampliação do Bolsa Família; a rápida distribuição dos benefícios da Renda Básica Emergencial, já aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Executivo, bem como a sua extensão pelo tempo que for necessário para a superação dos riscos de saúde e sobrevivência da população mais pobre; a absorção de parte dos salários do setor produtivo pelo Estado; a ampliação de estímulos fiscais para doações filantrópicas ou assistenciais; a criação do imposto sobre grandes fortunas, previsto na Constituição Federal e em análise no Congresso Nacional; a liberação antecipada dos precatórios; a capitalização de pequenas e médias empresas; o estímulo à inovação; o remanejamento de verbas públicas para a saúde e o controle epidemiológico; o aporte de recursos emergenciais para o setor de ciência & tecnologia no enfrentamento da pandemia; e o incremento geral da economia. São um conjunto de soluções assertivas para salvaguardar a vida, sem paralisar a economia.

Ressalte-se aqui a importância do Sistema Único de Saúde – SUS, mais uma vez confirmada, com seus milhares de agentes arriscando as próprias vidas na linha de frente do combate à pandemia. É necessário e inadiável um aumento significativo do orçamento para o setor: o SUS é o instrumento que temos para garantir acesso universal a ações e serviços para recuperação, proteção e promoção da saúde.

Em face da expansão da pandemia e de suas consequências, é imperioso que a condução da coisa pública seja pautada pela mais absoluta transparência, apoiada na melhor ciência e condicionada pelos princípios fundamentais da dignidade humana e da proteção da vida. Reconhecemos que a saúde das pessoas e a capacidade produtiva do país são fundamentais para o bem-estar de todos. Mas propugnamos, uma vez mais, a primazia do trabalho sobre o capital, do humano sobre o financeiro, da solidariedade sobre a competição.

É urgente a formação deste Pacto pela Vida e pelo Brasil. Que ele seja abraçado por toda a sociedade brasileira em sua diversidade, sua criatividade e sua potência vital. E que ele fortaleça a nossa democracia, mantendo-nos irredutivelmente unidos. Não deixaremos que nos roubem a esperança de um futuro melhor.

Dia Mundial da Saúde, 7 de abril de 2020

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB

José Carlos Dias, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns

Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências – ABC

Paulo Jeronimo de Sousa, presidente da Associação Brasileira de Imprensa – ABI

Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

Desenvolvimento de filtro aerador vai ajudar a manter o ar puro em UTIs e Hospitais de Campanha

Com o aumento da demanda em unidades de saúde devido à pandemia de Coronavírus, diversos hospitais de campanha estão sendo montados para ajudar no atendimento, porém a aglomeração de pessoas nestes ambientes pode também oferecer risco de contaminação. Pensando em buscar novas tecnologias que solucionem este problema, a EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e a empresa Biotecam, desenvolvem um filtro aerador para transformar o ar infectado com vírus e bactérias em ar puro.

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Sequência acima mostra imagens do projeto-pai que deu origem ao filtro.

Pesquisadores da Unidade EMBRAPII do Polo de Inovação do Instituto Federal Fluminense (IFF) estão trabalhando nesta inovação que deve ficar pronta em maio. Na prática, o sistema absorve o ar circulante em hospitais de campanha, UTIs ou outras unidades de saúde até um reservatório por onde passa por uma solução desinfectante. Após este processo de limpeza, o ar é oxigenado e devolvido ao ambiente.

“Dada a situação de emergência da pandemia, os hospitais de campanha precisarão de estruturas eficientes e móveis para purificar o ar de suas instalações”, afirma o diretor do polo de inovação do IFF, Rogério Atem de Carvalho. “O sistema de exaustão do ar vai garantir que o ambiente crítico com a presença de pacientes infectados fique com pressão levemente negativa e o ar seja “lavado” em tanques para depois ser devolvido ao ambiente descontaminado. ”

O equipamento é móvel e de baixo consumo energético, podendo se adequar e atender a demanda em diferentes espaços.

O investimento em hospitais de campanha é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), uma vez que as unidades de saúde de diversos países estão sobrecarregadas devido à pandemia da COVID-19.

O exemplo de Ponta Grossa (PR) na regulação do funcionamento de supermercados

Coronavírus: Ponta Grossa restringe circulação de pessoas em supermercados

Durante transmissão ao vivo em rede social, prefeito Marcelo Rangel (PSDB) anunciou ainda que vai normalizar horários do transporte coletivo. Cidade tem cinco casos da Covid-19.

supermercados

A Prefeitura de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, publicou neste domingo (5) um decreto que restringe a circulação de pessoas em supermercados por causa do novo coronavírus. Fiscais da prefeitura estarão nos estabelecimentos a partir desta segunda-feira (6).

Segundo a prefeito, Ponta Grossa tem cinco casos confirmados da Covid-19, sendo quatro recuperados. No estado, a Secretaria Estadual de Saúde já confirmou 445 casos e 10 mortes.

Com o decreto, a circulação nos supermercados deverão seguir as seguintes regras:

  • Alocar funcionários para fornecer a higienização com álcool em gel aos clientes na entrada do estabelecimento;
  • Demarcar espaços com 1,5 metro em locais em que possa haver filas e aglomerações;
  • Disponibilizar a todos os empregados máscaras, luvas e álcool em gel
  • Manter higienização do local

Durante a transmissão, o prefeito Marcelo Rangel (PSDB) disse que a medida foi tomada após movimento “abusivo” de pessoas nos estabelecimentos durante o fim de semana.]

Supermercados que descumprirem com a medida poderão ser fechados e multados, conforme o decreto. O supermercado será imediatamente fechado em caso de descumprimento de alguma regra e uma multa poderá ser aplicada. O valor da sanção é de 5.000 Valores de Referência, de R$ 81,11, o que dá R$ 405.550.

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Postagem escrita com textos obtidos dos sites UOL e G1 [Aqui!] e [Aqui!].

Quando as gangues cuidam da sua saúde

rio de janeiro favelasEm muitas favelas do Rio de Janeiro (nesta imagem vê-se o Morro da Coroa), as condições de higiene são preocupantes. (Foto: Mauro Pimentel / AFP)

Por Christoph Gurk para o Süddeutsche Zeitung

Pelo menos quando o sol se põe, o bairro fica quieto, diz Lidiane. Ela prefere não ver seu sobrenome no jornal, nem mesmo na Alemanha distante, porque muita atenção pode ser perigosa onde ela mora.

O jovem de 29 anos é da Cidade de Deus, uma favela do Rio de Janeiro. Estima-se que 40.000 pessoas moram aqui em pequenas casas aninhadas. Em 2002, o bairro pobre ganhou fama mundial pelo filme de mesmo nome do diretor Fernando Meirelles, no final de semana passado, pelo menos infelizmente em todo o país, porque a Cidade de Deus registrou o primeiro caso oficial de infecção por corona em uma favela.

Desde então, a vida mudou, diz Lidiane. “As ruas estão vazias à noite”, diz ela, e assim que escurece, há um silêncio estranho. O jovem de 29 anos acredita que as pessoas têm medo do vírus, mas também dos traficantes de drogas que patrulham as ruas depois da noite para que ninguém viole o toque de recolher que eles impuseram.

A partir das 20h, ninguém pode estar na rua, então a facção que comanda o local determinou. Para que todos saibam, eles dirigiram pelas ruas com carros de alto-falante, diz Lidiane. Também haveria uma mensagem do WhatsApp, que supostamente veio da facção: “Queremos o melhor para a população”, afirmou. “Se o governo não acertar, o crime organizado tomará o assunto por conta própria”.

“Para servir de exemplo”

As facções que atuam em outras favelas da cidade veem a situação da mesma forma. Em favelas como Rocinha, Rio das Pedras ou Morro dos Prazeres, os líderes dessas facções impuseram toque de recolher, em alguns lugares as festas populares foram canceladas e, em outros lugares, as pessoas só podem sair às ruas em pares durante o dia, relatam os moradores. Se você for pego à noite,  você será usado como um exemplo.

Existem várias centenas de favelas no Rio, estima-se que dois milhões de pessoas moram aqui, ninguém sabe exatamente. Alguns locais são dominados por facções clássicas do tráfico de drogas, outros pelas chamadas milícias, que são compostas por criminosos locais e ex-policiais . O estado se retirou da grande maioria das favelas faz um longo tempo.

As facções do narcotráfico e as milícias estão no controle, não apenas sobre o tráfico de drogas, mas também sobre coisas mundanas, como a venda de canais ilegais de TV a cabo. Os comerciantes geralmente precisam deduzir o dinheiro da proteção, as empresas de transporte pagam pedágio. As leis brasileiras podem ter pouco significado em muitas favelas, mas as áreas pobres não são sem lei, muitas vezes existem regras e proibições claras, cujo cumprimento é monitorado pelas facções e punido com punições que são muitas vezes draconianas.

Bolsonaro ignora todos os avisos

Sob essa perspectiva, é apenas paradoxal à primeira vista que as facções de traficantes   estão fazendo o que o Estado brasileiro até agora deixou de fazer. Embora o Brasil tenha sido o primeiro país da América Latina a registrar a infecção pelo COVID-19, ainda não existe uma estratégia nacional contra o vírus. Pelo contrário: o presidente Jair Bolsonaro chamou Corona de “gripezinha”, ou seja, uma pequena gripe.  Bolsonaro ignorou todos os avisos e recomendações de seu próprio ministro da Saúde e instou o Brasil a voltar ao normal. Enquanto isso,  Bolsonaro fala do “maior desafio para nossa geração”.

O comportamento passado de Bolsonaro levou a uma disputa aberta com os governadores dos estados brasileiros, a maioria dos quais há muito ordenou medidas por conta própria. A maioria das escolas em todo o país está fechada, São Paulo e Rio de Janeiro estão em quarentena desde a semana passada, e o fato de as  facções que dominam os bairros pobres estarem ajudando a reforçar as restrições mostra o quão dramática é a situação.

Porque de políticos a traficantes ou chefes de  facções – todos sabem que isso quase inevitavelmente levará a uma catástrofe se o coronavírus se espalhar amplamente nas favelas. É uma ironia do destino que a doença tenha sido trazida de avião dos ricos para o Brasil, disse o professor Paulo Buss, do renomado centro de pesquisas da Fiocruz.

Extremamente densamente povoado

Enquanto os pacientes da classe alta mais abastada costumam receber cuidados saudáveis ​​em hospitais particulares depois de serem infectados na Europa antes de retornar a seus apartamentos com elevador e ar condicionado, as favelas geralmente carecem de atendimento médico adequado, nenhum sistema de esgoto ou água corrente. A lavagem regular das mãos, conforme exigido por todos os profissionais de saúde é quase impossível. Além disso, as favelas também costumam ser extremamente densamente povoadas, até 50.000 pessoas vivem em um quilômetro quadrado, grandes famílias geralmente sob o mesmo teto, divididas em duas ou três salas. Sob essas condições, o distanciamento social é impossível.

Lidiane divide um pequeno apartamento de dois quartos com os pais, avó, namorado e filha de dois anos. Ela mesma trabalha como faxineira, o pai como vendedor ambulante e a amiga faz todo o trabalho que pode conseguir. O dinheiro é escasso, principalmente porque a vida pública quase parou. E não há economia. “Não podemos ficar em casa”, disse Lidiane.

É assim que se sente a grande maioria das pessoas nas partes pobres do Brasil. Mais de um terço da força de trabalho no país não tem contrato de trabalho, nem segurança. O governo agora quer pagar 600 reais por mês aos milhões de pessoas que têm empregos informais, quase 100 euros, mas a maioria das pessoas ainda não recebeu o dinheiro.

Então as pessoas tentam se ajudar da melhor maneira possível. Associações de moradores e organizações de ajuda em várias favelas começaram a distribuir pacotes de sabão e alimentos. E com ela na vizinhança, diz Lidiane, alguns traficantes não apenas impuseram um toque de recolher, mas também tomaram outras medidas de precaução: eles ainda vendem drogas nas esquinas, mas, mais recentemente, usam máscaras faciais e luvas de borracha.

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Este artigo foi originalmente publicado em alemão pelo Süddeutsche Zeitung [Aqui! ].