Cartórios registram mais de 1.000% de aumento nos óbitos por SRAG no período da pandemia no Brasil

No Rio de Janeiro o aumento de 2.500%. Chama atenção também o aumento do número de mortes por causa indeterminada no estado do Rio de Janeiro desde o início da pandemia, que registra aumento de 8.533% em comparação com 2019.

causa obitos

COVID-19: Portal da Transparência dos Cartórios lança novo módulo detalhado de pesquisa de óbitos, e mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) disparam em 2020, com aumentos estaduais que chegam a mais de 6.000%

Os Cartórios de Registro Civil brasileiros registraram um aumento de 1.012% nos números de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) desde o registro do primeiro óbito no Brasil (16/03). Os dados fazem parte do novo módulo do Portal da Transparência do Registro Civil lançado nesta segunda-feira (27.04) e que reúne os dados relativos a óbitos causados pelo novo coronavírus e demais doenças respiratórias relacionadas à doença que causou a atual pandemia mundial.

O Painel COVID Registral (http://transparencia.registrocivil.org.br/registral-covid), que até a tarde desta segunda-feira (27.04) contabilizava 4.839 mortes suspeitas ou confirmadas por COVID-19, passa agora também a contabilizar registros de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), Pneumonia, Septicemia, Insuficiência Respiratória e Causas Indeterminadas, possibilitando ainda a comparação com o total de óbitos por causas naturais registrados pelos Cartórios em todo o Brasil, com recortes estaduais, municipais e por períodos determinados, sendo também possível a comparação dos dados de óbitos nos anos de 2019 e 2020.

Entre os Estados que mais contabilizaram aumento no número de mortes por SRAG está Pernambuco, com aumento de 6.357% no período da pandemia, seguido por Amazonas, aumento 4.050%; Rio de Janeiro, aumento de 2.500%, e Ceará, com aumento de 1.666%. O estado de São Paulo também registrou aumento, de 866%.  Também chama atenção o aumento do número de mortes por causa Indeterminada no estado do Rio de Janeiro desde o início da pandemia, que registra aumento de 8.533% em comparação com 2019. Os números absolutos podem ser verificados diretamente no Portal.

Desenvolvido mediante padrões profissionais da área médica, o painel traz uma metodologia própria de contabilização das causas mortis. Seguindo os critérios hierárquicos das regras do Código Internacional de Doenças (CID-10), procurando-se classificar a ordem das causas de falecimento de modo a especificar a doença que levou o paciente a óbito. Desta forma:

  • Condição 1: Quando na Declaração de Óbito (DO) houver menção de COVID-19, Coronavírus, Novo Coronavírus, considerou-se como causa COVID-19 (suspeita ou confirmada);
  • Condição 2: Menção Síndrome respiratória grave, considerou-se como causa Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG);
  • Condição 3: Menção de Pneumonia considerou-se como causa Pneumonia;
  • Condição 4: Sepse como única causa informada, considerou-se Sepse;
  • Condição 5: Insuficiência Respiratória como única causa informada, considerou-se Insuficiência Respiratória;
  • Condição 6: Se o óbito não foi classificado em nenhuma das condições anteriores, considerou-se Outra Causa.

“Os dados dos Cartórios de Registro Civil se mostraram úteis para profissionais da área médica de diversos Estados e municípios, assim como para toda a sociedade, podendo auxiliar governos na prevenção do avanço da doença entre a população”, explica o vice-presidente da Arpen-Brasil, Luis Carlos Vendramin Júnior. “Desta forma este novo painel busca refinar ainda mais os dados constantes nas Declarações de Óbitos, utilizando uma metodologia própria e a classificação internacional de doenças, de forma a darmos nossa contribuição para que Poder Público e sociedade conheçam o avanço da doença”, explica.

As estatísticas apresentadas na ferramenta se baseiam nas Declarações de Óbito (DO) – documentos preenchidos pelos médicos que constataram os falecimentos – registradas nos Cartórios do País relacionadas à COVID-19. Os novos gráficos permitem compreender ainda a proporção de óbitos por gênero e idade e, em breve, a identificação do local de falecimento, assim como o local de residência da pessoa falecida (nem sempre o mesmo em que veio a falecer).

Prazos do Registro

Mesmo a plataforma sendo um retrato fidedigno de todos os óbitos registrados pelos Cartórios de Registro Civil do País, os prazos legais para a realização do registro e para seu posterior envio à Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), regulamentada pelo Provimento nº 46 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), podem fazer com que os números sejam ainda maiores.

Isto por que a Lei Federal 6.015 prevê um prazo para registro de até 24 horas do falecimento, podendo ser expandido para até 15 dias em alguns casos, enquanto a norma do CNJ prevê que os cartórios devem enviar seus registros à Central Nacional em até oito dias após a efetuação do óbito. Portanto, o portal que é atualizado dinamicamente

A Covid-19 é uma doença altamente contagiosa que já deixou mais de 180 mil mortos no mundo. A primeira morte em decorrência da infecção pelo novo coronavírus foi registrada no Brasil no dia 16 de março. Entre seus sintomas, estão tosse seca, coriza, dor no corpo e febre – todos muito semelhantes aos apresentados em casos de gripes e resfriados. Segundo dados do Ministério da Saúde 86% dos casos de Covid-19 não apresentam sintomas. Para garantir o diagnóstico, são necessários testes específicos, que estão cada vez mais escassos nos postos de atendimento.

Sobre a Arpen-Brasil

Fundada em setembro de 1993, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) representa a classe dos Oficiais de Registro Civil de todo o país, que atendem a população em todos os estados brasileiros, realizando os principais atos da vida civil de uma pessoa: o registro de nascimento, o casamento e o óbito.

Assessoria de Imprensa da Arpen-Brasil

Assessores de Comunicação: Alexandre Lacerda, Ana Flavya e Fernanda Grandin

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American Jewish Commitee exige desculpas públicas de Ernesto Araújo, o chanceler atrapalhado de Bolsonaro

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Ao comparar isolamento social a campos de concentração nazistas, Ernesto Araújo acabou provocando a ira do American Jewish Committee

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tanto aprontou em suas postagens despropositadas que acaba de tomar um “passa moleque” público do poderoso “American Jewish Committee” que em sua página oficial exigiu que o chanceler brasileiro peça desculpas imediatamente por ter comparado as medidas de distanciamento social adotadas para impedir a disseminação do coronavírus aos campos de concentração nazistas (ver figura abaixo).

ajc araujo

Ernesto Araújo já arrumou seguidos atritos com a China, principal parceira comercial do Brasil, também usando a pandemia da COVID-19 como pano de fundo para suas declarações anti-comunistas.

Contudo, agora Araújo entrou em uma seara totalmente nova ao provocar a ira de uma instituição que possui grande alavancagem política dentro da comunidade judaíca, o que pode também resultar em uma tomada do governo de Israel, sabidamente um dos únicos aliados políticos do governo Bolsonaro.

Esse é, sem dúvida alguma, um dos piores momentos da diplomacia brasileira em toda a história da república brasileira. E pensar que o serviço diplomático brasileiro, antes da assunção de Ernesto Araújo, era altamente respeitado por sua capacidade profissional e de condução pragmática dos interesses brasileiros.

Com Araújo na frente do Ministério das Relações Exteriores, tudo isso agora virou cinzas. Resta apenas saber quando ele emitirá o pedido de desculpas exigido pelo American Jewish Comittee. É que nesse caso,  de nada adiantará Ernesto Araújo tentar sair pela tangente. 

 

Alemanha, Reino Unido, China e ONU pedem estímulo verde para a recuperação econômica pós-COVID-19

Father and child hiking together in a forest stream

Os pacotes de recuperação econômica pós COVID-19 devem respeitar o meio ambiente e o Acordo de Paris sobre mudança do clima, afirmaram hoje (28/4) a chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, o secretário geral da ONU Antonio Guterres e o enviado de Xi Jinping, Huang Runqiu, em uma cúpula climática global em Berlim.

Em suas falanDiálogClimáticdPetersberg – realizado on-line pela primeira vez devido à pandemia atual – os líderes pediram aos governos que estão elaborando planos para reiniciar suas economias que eles não resultem em um aumento das emissões dos gases responsáveis pelo aquecimento global.

“O coronavírus nos mostra que a cooperação internacional é crucial e que o bem-estar de uma nação sempre depende do bem-estar de outras. Com o Acordo Verde da Europa, a Comissão da UE mostrou o caminho a seguir. A Europa deve se tornar o primeiro continente neutro em termos de emissões até 2050”, destacou Angela Merkel, chanceler da Alemanha. “Combinaremos a ação climática com novas perspectivas econômicas e novos empregos. Deixe-me esclarecer: haverá um debate difícil sobre a alocação de fundos. Mas é importante que os programas de recuperação estejam sempre de olho no clima, não devemos deixar de lado o clima, mas investir em tecnologias climáticas”, destaca.

De acordo com a AdministraçãNacionaOceânicAtmosférica dos EUA, 2020 está a caminho de ser um dos – se não o – ano mais quente já registrado. Os níveis recorde de gases de efeito estufa na atmosfera estão ligados a uma série de eventos climáticos globais cada vez mais extremos.

“Os eventos climáticos extremos não estão dando um tempo enquanto lidamos com outras prioridades, e algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo continuam sofrendo como resultado, como vimos quando o ciclone Harold atravessou o Pacífico Sul este mês”, lembrou Boris Johnson, primeiro ministro do Reino Unido em discurso lido pelo secretário de Relações Exteriores, Dominc Raab. “As nações começarão a emergir do confinamento e tentarão reavivar suas economias mais uma vez. Quando isso acontecer, será dever de todo governo responsável garantir que nossas economias sejam revividas e reconstruídas de maneira a resistir ao teste do tempo. Isso significa investir em indústrias e infraestrutura que podem mudar a situação das mudanças climáticas. E significa fazer todo o possível para aumentar a resiliência ao moldar economias que possam suportar tudo o que a natureza nos lança. Não há escolha entre corte de emissões e economias em crescimento. Esse é um mito que o Reino Unido ajudou a quebrar na última década”, ressaltou.

Para o Secretário Geral da ONU Antonio Guterres, “alguns países, incluindo o Chile, o atual presidente da COP, já enviaram NDCs aprimorados e outros 114 países anunciaram que o farão. 121 países se comprometeram a alcançar a neutralidade do carbono até 2050. A chave para enfrentar a crise climática são os grandes emissores. Não devemos esquecer que os países do G20 representam coletivamente mais de 80% das emissões globais e mais de 85% da economia global. Eles também devem se comprometer com a neutralidade do carbono em 2050. O Acordo de Paris foi amplamente possível graças ao envolvimento dos Estados Unidos e da China. Sem a contribuição dos grandes emissores, todos os nossos esforços serão condenados”.

O Ministro das Relações Exteriores do Butão, Dr. Tandi Dorji, representando os Países Menos Desenvolvidos, reiteirou a mensagem de Guterres: “Qualquer queda nas emissões globais não será significativa nem duradoura, a menos que seja apoiada por promessas climáticas ambiciosas. Este ano, devemos ver países com altos níveis de emissões enviar NDCs novos e atualizados com a maior ambição possível, o que representará sua parte justa de ação, conforme exigido pelo Acordo de Paris”.

O Ministro da China, Huang Runqiu, reafirmou a posição de colaboração de seu país: “Como firme defensora do multilateralismo, a China se juntará a outros países para promover uma implementação completa, equilibrada e eficaz do Acordo de Paris. Implementaremos nossa estratégia nacional proativa de mudança climática e contribuiremos para os esforços de colaboração para enfrentar as mudanças climáticas globais”.

Aglomeração e caos nas agências da CEF: cadê o governo Rafael Diniz?

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Acabo de ver mais cenas de aglomeração com centenas de pessoas apenas em uma fila na região que cerca a agência da Caixa Econômica Federal de Campos dos Goytacazes, com a maioria das pessoas desprovidas de qualquer tipo de proteção facial (ver vídeo abaixo).  Em tempos de expansão da epidemia da COVID-19 esse tipo de aglomeração equivale a uma sentença fatal para um número indeterminado de pessoas que, inevitavelmente, serão contaminadas pelo coronavírus.

Ainda que não se possa ignorar que a existência dessas filas em agências da CEF e casas lotéricas não sejam de criação do governo municipal, e sim de uma política aparentemente deliberada por parte do governo Bolsonaro de dificultar o acesso ao auxílio emergencial aprovado pelo congresso nacional, a ausência de qualquer esforço de organização  por parte do governo municipal, tampouco isenta o jovem prefeito Rafael Diniz de suas responsabilidades.

Chega a ser vexaminoso que, mesmo diante das evidências que a pandemia da COVID-19 está em expansão no município de Campos dos Goytacazes, não haja um esforço de organização do processo de acessos aos poucos serviços estão autorizados a funcionar.

Noto ainda que a maioria das pessoas que estão arriscando suas vidas para estar em filas gigantescas são oriundas dos segmentos mais pobres da população, normalmente com saúde mais frágil e com dificuldade mais acentuada a acessar serviços básicos de saúde. O resultado é que, se nada for feito pelo governo municipal para organizar a situação caótica que está configurada na cidade de Campos dos Goytacazes, em breve teremos a mesma dificuldade encontrada em São Paulo e Manaus até para ter vagas em cemitérios para enterrar as vítimas da COVID-19.

EUA: maior potência econômica e militar da história desmorona frente ao coronavírus

CORONACOVID-19: Os EUA concentram o maior número de contaminados, de mortos e de pacientes em condições críticas

Até por força do fato de morar no Brasil, tenho abordado de forma repetida os efeitos e características da difusão da pandemia da COVID-19 em nosso país, que nesta segunda-feira (27/04) já contabiliza 4.286 óbitos. Entretanto, por mais catastróficas que as tendências no Brasil sejam em relação aos resultados da pandemia, nada do que nos acontecer vai ofuscar o desmoronamento do sistema de saúde dos EUA, que lideram em três quesitos importantes da crise sanitária deflagrada pelo desprezo ao poder letal do novo coronavírus.

É que os EUA são o país com o maior número de pessoas infectadas (32,7% do total global), no número de mortos (26,7% do total) e no número de casos graves (26,3%). Apenas por comparação, a Espanha que é a segunda colocada no número de casos de pessoas infectadas detém 7% do total global,  11% dos mortos, e 13% dos casos graves. 

mass gravesFossas coletivas estão sendo usadas para enterrar os mortos pela COVID-19 na Ilha de Hart em Nova York

A pergunta que se coloca para muitas pessoas é de como a principal potência econômica e militar da história da Terra conseguiu se tornar o centro desta pandemia, mesmo tendo alguns meses para se preparar a sua chegada em seu próprio território.

Uma primeira e óbvia questão é que nos EUA não há um sistema gratuito de saúde, e o acesso ao sistema privado de saúde se dá pela via dos planos de saúde.  Além disso, segundo dados de 2018, um total de 27.9% de estadunidenses abaixo de 64 anos não possuíam qualquer cobertura para obter atendimento de saúde (ver o gráfico abaixo).

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E obviamente os não-possuidores de seguro de saúde estão localizados em grupos economicamente fragilizados e que operam em áreas profissionais em que predominam salários que mal lhes garante o ato de comer todos os dias. Estão aí inclusos negros e latinos, mas também um número significativo de trabalhadores brancos que, aliás, são a maioria dos que não possuem seguro de saúde  (ver figura abaixo).

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Há ainda que se lembrar que a desigualdade de renda nos EUA é uma das maiores dentre os chamados países industrializados, e vem crescendo aceleradamente desde o final da União Soviética.  O resultado disso é que os membros do 1% mais afluentes da sociedade estadunidense possuem acesso a todo tipo de luxo, enquanto uma porcentagem crescente está sendo empobrecida de forma galopante, com um número cada vez maior de pessoas sem trabalho e morando nas ruas das principais cidades dos EUA.

donald trumpO presidente Donald Trump foi um negacionista de primeira hora do impacto do coronavírus nos EUA, e agora paga o preço  da sua postura anti-científica

Para completar a equação, não há como deixar de fora a situação política, onde a atuação do presidente Donald Trump foi decisiva para uma piora nas condições de financiamento da pesquisa científica, com seguidos cortes de investimento e a ostracização de cientistas que passaram a ser vistos como inimigos das ideias por detrás do “Make America Great Again“.  Para piorar, Trump se apresentou até recentemente com um negacionista da pandemia, e só parece ter acordado para o problema quando ficou evidente que sofreria danos eleitorais se nada fosse feito para conter o número de mortos pela infecção. A partir daí, o que tem sido visto é um percurso errante de Trump, que culminou na sugestão de que as pessoas ingerissem dióxido de cloro (usado em alvejantes) para eliminar o coronavírus.

Como ocorre no Brasil em relação aos “bolsonaristas”, os seguidores de Donald Trump tem sido mobilizados para tentar romper as políticas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos para diminuir a velocidade de difusão do coronavírus. A diferença é que, ao menos por enquanto, nos EUA, a maioria da população vem ignorando as carreatas e manifestações dos seguidores de Trump. Entretanto, isto não tem impedido que governadores mais alinhados ao presidente Donald Trump sinalizem uma abertura precoce do comércio, mesmo em estados em que a difusão do coronavírus ainda está em fase de aceleração, como é o caso da Geórgia.

us pandemiaSeguidores de Donald Trump se mobilizam para acabar com as políticas de isolamento social em diferentes partes dos EUA

Ainda que seja difícil realizar um prognóstico definitivo de como os EUA estarão após o fim da pandemia, já é possível dizer que sairão com a imagem de maior nação do mundo e terra das oportunidades desmoronar de forma inapelável. É que certamente outros países mostrarão que com sistemas públicos de saúde e com políticas de apoio aos trabalhadores desempregados são as principais formas de enfrentamento desta e das outras pandemias que virão.

Finalmente, o economista Nouriel Roubini previu no início de março que a pandemia da COVID-19 levaria a um derrota eleitoral de Donald Trump e a uma recessão de dimensões globais que, em última instância, obrigaria um abandono das políticas neoliberais. A entrevista, quando dada, soou exagerada, mas nesta etapa da pandemia, Roubini parece ter acertado mais uma vez.

Coronavírus já causou 5 vezes mais mortos do que Bolsonaro previu. E a contagem continua

bolsonaro máscara

Fala-se muitos dos erros políticos e comportamentais do presidente Jair Bolsonaro, especialmente após a eclosão das crises com os agora ex-ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública).  Me perdoem os que estão concentrados nessa faceta, digamos, mais política dos erros de Bolsonaro, penso que ao fazer isto, se está “passando pano” para erros mais graves que ele cometeu durante a pandemia causada pela COVID-19.

O fato é que, desde o início da crise sanitária em que estamos envolvidos por causa do coronavírus, o presidente brasileiro tem sido um dos principais (senão o principal) líderes do negacionismo a-científico da letalidade da COVID-19.  

Prova disso foi a previsão furada que ele fez no dia 22 de março de que o a COVID-19 não causaria o mesmo número de mortos alcançado pela gripe H1N1, que beirou um total de 800 óbitos. O pior é que ele fez isso em uma entrevista dada ao um programa com razoável audiência, o Domingo Espetacular que é veiculado pela Record TV.

Ao fazer um anúncio sem qualquer base científica e persistentemente trabalhar contra o isolamento social, o presidente Jair Bolsonaro se tornou uma espécie de aliado mór do coronavírus no Brasil.

O resultado dessa ação que desafia o conhecimento científico em torno das características do coronavírus e de seus mecanismos de difusão é que neste domingo (26/04) o Brasil já atingiu de 4.057 de mortos, apenas nos registros oficiais e que ignoram uma flagrante subnotificação dos infectados e mortos pela pandemia no Brasil. Esse valor, antes que o Brasil tenha atingido o pico do número de mortes, pasmem, é cinco vezes maior do que o previsto por Bolsonaro no dia 22 de março.

Assim, mesmo que o presidente Bolsonaro agora alegue que não é coveiro para ficar discutindo o número de mortos, o seu erro de avaliação cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde) irá assombrar o seu governo.  E quando isso acontecer,  nem a horda de robôs que operam nas redes sociais a favor de Bolsonaro será capaz de evitar que o povo brasileiro cobre explicações sobre como foi possível errar tanto em meio a uma pandemia mortal.

E, sim, há que se lembrar que a contagem de mortos ainda parece longe de terminar. Simples assim!

Estudo de pesquisadores da USP mostra resultados positivos de anticoagulante na reversão de casos graves de COVID-19

heparina

Uma pesquisa conduzida no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo com 27 pacientes constatou que o uso da heparina, remédio indicado para prevenir trombose, reduziu o tempo de internação e de intubação, mostrando-se uma estratégia promissora para os casos graves da enfermidade.  O estudo foi publicado on-line pela revista British Medical Journal (BMJ), e adiciona peso científico para outras pesquisas  realizadas em outras partes do mundo que também apontaram os anticoagulantes como um tratamento eficaz para evitar a falência dos pulmões

Como em outros tratamentos em andamento, a equipe liderada pela pneumologista Elnara Marcia Negri, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) trata os resultados promissores com cuidado.  Isso decorre do fato de que todas as pesquisas com a heparina são experimentais, e os pesquisadores  alertam que é necessário realizar mais testes com numerosos pacientes, incluindo grupos de controle, para validar a descoberta.

De toda forma, os autores do estudo acrescentam em suas conclusões, que apesar de suas suas descobertas fornecem elementos para reflexão, e “talvez uma justificativa para justificar o uso de um medicamento prontamente disponível e bem conhecido, como a heparina”  para melhorar o sombrio prognóstico de pacientes com COVID-19, enquanto  dados mais sólidos para tratamento da doença ainda são produzidos.

Em que pese as corretas salvaguardas pela equipe liderada pela pneumologista Elnara Marcia Negri, os resultados deste estudo são efetivamente alvissareiros e demonstram a importância da ciência brasileira na busca do controle e combate à pandemia causada pelo coronavírus.

Quem desejar acessar o artigo publicado pelo BMJ, basta clicar Aqui!

Depois da pantomima Moro-Bolsonaro, voltemos à pandemia da COVID-19

Bolsonaro chora em reunião no Planalto por crise do coronavírus e ...

Depois de termos uma 6a. feira que mais pareceu uma pantomima mal enjambrada dada a crise mais do que anunciada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, creio que podemos voltar a abordar os resultados do trágico avanço da pandemia da COVID-19 que continua se espraiando desde os grandes centros metropolitanas até o interior do Brasil.

Para não ficar apenas no plano teórico, mostro a situação atual da pandemia entre os 11 países mais afetados pelo coronavírus, chamando a atenção para o número oficial de óbitos do Brasil que agora é de 3.963 óbitos, o que torna o Brasil o 10.o colocado em termos de pessoas que morreram em decorrência da infecção.

placar coronavirus

Em grupos de negacionistas da pandemia, o número de mortos pela COVID-19 é comumente desprezado, pois outras causas matariam mais, e tudo o que está sendo dito pelo coronavírus seria, digamos, exagerado. Entretanto,  este desprezo não possui base real. É que, segundo dados oficiais para o estado de São Paulo, o novo coronavírus pode ser considerado a quinta causa mais letal, superando todo os tipos de câncer, dos acidentes de transporte, da diabetes e de doenças por hipertensão.

E é preciso lembrar que neste momento há uma forte subnotificação de casos de infecção de coronavírus em uma ordem que não foi corretamente estimada, já que o Brasil continua com o pior nível de testagem dentre os países que estão sendo mais impactados pela pandemia.  Eu já li e ouvi acerca de vários estimativas, variando na ordem de 7 a 100 casos não notificados para cada caso oficializado como COVID-19.

Uma das formas que tem sido utilizada para estimar as taxas reais de letalidade da COVID-19 é verificar o número de pessoas mortas por insuficiência respiratória (a chamada Síndroma Respiratória Aguda Grave – SRAG) que explodiu em 2020 em relação a anos anteriores, o que levado a vários especialistas médicos a apontar que essa diferença está diretamente ligada às infecções pelo novo coronavírus.

O problema é que os números persistentemente baixos de testes realizados no Brasil impedem uma estimativa mais próxima se já chegamos próximos do ponto de achatamento da curva das mortes ou não. O mais provável é que ainda estejamos na fase de disseminação comunitária do vírus, muito em parte por causa das pressões realizadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados patronais contra as medidas de isolamento social que foram adotadas por governadores e prefeitos. 

Desta forma, me parece crucial que haja uma priorização das questões que estão postas para os brasileiros neste momento. A prioridade é e continuará sendo impedir que o Brasil se torne o próximo epicentro mundial da pandemia do coronavírus. Mas para impedir que o pior aconteça, vai ser preciso não apenas ampliar as medidas de contenção sanitária da dispersão do coronavírus, mas também os mecanismos de suporte aos segmentos mais pobres da população onde a pandemia está fincando raízes neste momento. Ainda que tenhamos exemplos interessantes de auto-organização das comunidades como nos casos de Paraisópolis em São Paulo e no Santa Marta no Rio de Janeiro, é preciso que haja uma coordenação desses esforços, já que sozinhas essas comunidades não terão como fazer frente à pandemia.

Muito se fala sobre os mecanismos de diálogo com a população, de modo a quebrar a inércia política em que o país está imerso. Pois bem,  para que haja a quebra da inércia, as pessoas vão ter que estar vivas após a pandemia. Assim, impedir a explosão descontrolada da COVID-19 é a principal, e talvez única, prioridad que todos os democratas deveriam ter neste momento no Brasil.  As querelas palacianas, convenhamos, podem esperar.

Registros de mortes por SRAG disparam, revelando os efeitos devastadores da COVID-19 no Brasil

efeito manadaO número de mortes por insuficiência respiratória bate recordes, revelando real impacto das infecções por coronavírus no Brasil

No dia 07 de Abril publiquei uma nota sobre o f aumento explosivo da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em meio à pandemia da COVID-19, e que servia para ocultar a grave subnotificação que está ocorrendo no Brasil em relação às infecções e óbitos causados pelo coronavírus.

Pois bem, graças aos registros de todos os óbitos ocorridos nos 114 dias iniciais de 2020 que estão no Portal da Transparência do Registro Civil, agora já se pode ter uma ideia da gravidade com que a SRAG está se abatendo sobre a população brasileira, ainda que os registros oficiais de infecção do coronavírus continue na ordem de 14 casos por um milhão de habitantes.

É que, como mostra o gráfico abaixo, apenas no período de 114 dias já morreram 43.407 brasileiros por insuficiência respiratória contra um total de 46.074 para todo o ano de 2019.

srag 2019 2020

Essa discrepância toda ocorre em meio à pandemia da COVID-19 e enfrenta uma ausência óbvia de testes, especialmente em áreas consideradas como epicentros como é o caso dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Amazonas.  No quesito de testes, por exemplo, o Brasil realizou até agora uma taxa de 1.373 testes por milhão de habitantes, enquanto a Venezuela (tão apontada como o espelho do caos pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro) realizou 12.211 testes por milhão de habitantes. 

bolson covid 19Ao contrário do que afirma publicamente, o presidente Jair Bolsonaro deve saber que a COVID-19 não é uma simples “gripezinha”

Para piorar o Brasil já é segundo colocado no número de casos graves no mundo, com um total de 8.318 pacientes, contra 14.016 casos dos EUA que possuem oficialmente 20 vezes mais casos de infectados que o nosso país.

Nesse sentido, é interessante notar a fala do governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, que apontou o Brasil como um mau exemplo onde os governantes estão aplicando a teoria do “efeito de manada” para que haja um aumento exponencial do número de infectados na expectativa de que isso aumente o grau de imunidade da população, deixando que os que tiverem que morrer, morram.

O uso do “efeito de manada” pode até parar a pandemia, mas terá efeitos devastadores

O resultado objetivo da aceitação (e naturalização) dos efeitos mortíferos do uso do “efeito de manada” será o aumento exponencial de mortes nas próximas semanas.  É que, ao contrário das estimativas fictícias apresentadas pelo ministro da Saúde Nelson Teich de que o Brasil está com uma taxa de letalidade pequena para a COVID-19, os dados dos cartórios mostram que há sim um efeito devastador sobre milhares de famílias brasileiras. Por isso, a abertura do comércio em diversos estados e municípios que estavam aplicando o distanciamento social deverá ampliar ainda mais o alcance do vírus e, consequentemente, o número de mortos.

Em poucas palavras, o Brasil está sendo palco de uma política deliberada de “deixar o vírus se espalhar”, claramente na expectativa de que a maioria dos mortos fique circunscrita às regiões periféricas das grandes cidades, onde corriqueiramente os mortos passam despercebidos.

Alimento para o pensamento no Dia da Terra: fundos de desenvolvimento se dissolvendo em celulose

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Por Luisa Colasimone , Responsible Virgin Fibre, Social Responsibility

Hoje é o 50º aniversário do Dia da Terra, uma data simbólica comemorada em todo o mundo para mostrar apoio à ação ambiental. Mas este ano é diferente.

O ano de 2020 trouxe grandes expectativas na luta contra as mudanças climáticas, mas as pessoas foram pegas de surpresa pela pandemia do COVID-19. Nossos modos de vida são interrompidos, milhões de pessoas estão trancadas, muitos perderam parentes e amigos devido à doença, outros estão sacrificando suas vidas familiares para ajudar a combater o vírus, outros estão simplesmente tentando se adaptar e encontrar maneiras de sobreviver a isso.

Embora a emergência de saúde do COVID-19 assuma corretamente os holofotes neste momento da história, também devemos ver o que é: um lembrete de que natureza, ação humana e saúde estão intimamente entrelaçadas. À medida que os países se preparam para preparar seus pacotes de recuperação econômica pós-COVID-19, deve ficar claro que não pode haver recuperação adequada sem a ação ambiental e a proteção da natureza. Não podemos simplesmente voltar aos negócios como de costume.

Para contribuir com a conversa que está refletindo sobre o status quo e visualizando o caminho para um futuro mais saudável e resiliente, publicamos um novo documento de discussão intitulado “Development Funds Dissolving in Pulp” que fornece idéias para reflexão sobre como nós, como sociedade, queremos crescer. Através de um estudo de caso atual, ele mostra que precisamos repensar a maneira como produzimos e investimos, e que o que foi empacotado como “desenvolvimento” ou “verde” não é necessariamente responsável ou melhora a resiliência local.

A Klabin, maior produtora de papel do Brasil, conseguiu garantir fundos de bancos e agências internacionais de desenvolvimento para um grande projeto de expansão no Paraná, conhecido como projeto Puma II. Os empréstimos obtidos representam cerca de 80% do custo total estimado do projeto (US $ 2,2 bilhões).

A grande parte das finanças de bancos e agências de desenvolvimento levanta uma série de perguntas que são abordadas no novo documento de discussão. É realmente o papel dessas instituições financiar esta ou qualquer fábrica de celulose? O setor tem uma importância nacional tão estratégica? Está enfrentando dificuldades econômicas e, portanto, precisa de apoio, ou é muito importante para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e combater as mudanças climáticas?

A produção de celulose e papel têm impactos sociais e ambientais significativos. No entanto, o papel também oferece muitos benefícios à sociedade, e o acesso a produtos de higiene e segurança é algo que está na mente de todos atualmente. O desafio é produzir apenas o suficiente para atender às necessidades de todos e garantir que todos tenham acesso à sua parte justa de papel.

Para combater o colapso da biodiversidade e a crise climática que o mundo está enfrentando, e para aumentar a resiliência de nossa sociedade, é urgente que bancos e agências de desenvolvimento, assim como governos, financiem projetos que protejam e restaurem florestas naturais e protejam a segurança alimentar,  em vez de investir em projetos que exijam expansão de plantações de árvores exóticas em larga escala.

As decisões tomadas nos próximos meses para superar a crise do COVID-19 serão um ponto de virada, não apenas para a economia, mas também para as mudanças climáticas e o planeta. Não podemos nos dar ao luxo de escolher o caminho errado, não teremos uma segunda chance.

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pela “Environmental Paper Network” [Aqui!].