Depois da pantomima Moro-Bolsonaro, voltemos à pandemia da COVID-19

Bolsonaro chora em reunião no Planalto por crise do coronavírus e ...

Depois de termos uma 6a. feira que mais pareceu uma pantomima mal enjambrada dada a crise mais do que anunciada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, creio que podemos voltar a abordar os resultados do trágico avanço da pandemia da COVID-19 que continua se espraiando desde os grandes centros metropolitanas até o interior do Brasil.

Para não ficar apenas no plano teórico, mostro a situação atual da pandemia entre os 11 países mais afetados pelo coronavírus, chamando a atenção para o número oficial de óbitos do Brasil que agora é de 3.963 óbitos, o que torna o Brasil o 10.o colocado em termos de pessoas que morreram em decorrência da infecção.

placar coronavirus

Em grupos de negacionistas da pandemia, o número de mortos pela COVID-19 é comumente desprezado, pois outras causas matariam mais, e tudo o que está sendo dito pelo coronavírus seria, digamos, exagerado. Entretanto,  este desprezo não possui base real. É que, segundo dados oficiais para o estado de São Paulo, o novo coronavírus pode ser considerado a quinta causa mais letal, superando todo os tipos de câncer, dos acidentes de transporte, da diabetes e de doenças por hipertensão.

E é preciso lembrar que neste momento há uma forte subnotificação de casos de infecção de coronavírus em uma ordem que não foi corretamente estimada, já que o Brasil continua com o pior nível de testagem dentre os países que estão sendo mais impactados pela pandemia.  Eu já li e ouvi acerca de vários estimativas, variando na ordem de 7 a 100 casos não notificados para cada caso oficializado como COVID-19.

Uma das formas que tem sido utilizada para estimar as taxas reais de letalidade da COVID-19 é verificar o número de pessoas mortas por insuficiência respiratória (a chamada Síndroma Respiratória Aguda Grave – SRAG) que explodiu em 2020 em relação a anos anteriores, o que levado a vários especialistas médicos a apontar que essa diferença está diretamente ligada às infecções pelo novo coronavírus.

O problema é que os números persistentemente baixos de testes realizados no Brasil impedem uma estimativa mais próxima se já chegamos próximos do ponto de achatamento da curva das mortes ou não. O mais provável é que ainda estejamos na fase de disseminação comunitária do vírus, muito em parte por causa das pressões realizadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados patronais contra as medidas de isolamento social que foram adotadas por governadores e prefeitos. 

Desta forma, me parece crucial que haja uma priorização das questões que estão postas para os brasileiros neste momento. A prioridade é e continuará sendo impedir que o Brasil se torne o próximo epicentro mundial da pandemia do coronavírus. Mas para impedir que o pior aconteça, vai ser preciso não apenas ampliar as medidas de contenção sanitária da dispersão do coronavírus, mas também os mecanismos de suporte aos segmentos mais pobres da população onde a pandemia está fincando raízes neste momento. Ainda que tenhamos exemplos interessantes de auto-organização das comunidades como nos casos de Paraisópolis em São Paulo e no Santa Marta no Rio de Janeiro, é preciso que haja uma coordenação desses esforços, já que sozinhas essas comunidades não terão como fazer frente à pandemia.

Muito se fala sobre os mecanismos de diálogo com a população, de modo a quebrar a inércia política em que o país está imerso. Pois bem,  para que haja a quebra da inércia, as pessoas vão ter que estar vivas após a pandemia. Assim, impedir a explosão descontrolada da COVID-19 é a principal, e talvez única, prioridad que todos os democratas deveriam ter neste momento no Brasil.  As querelas palacianas, convenhamos, podem esperar.

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