Registros de mortes por SRAG disparam, revelando os efeitos devastadores da COVID-19 no Brasil

efeito manadaO número de mortes por insuficiência respiratória bate recordes, revelando real impacto das infecções por coronavírus no Brasil

No dia 07 de Abril publiquei uma nota sobre o f aumento explosivo da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em meio à pandemia da COVID-19, e que servia para ocultar a grave subnotificação que está ocorrendo no Brasil em relação às infecções e óbitos causados pelo coronavírus.

Pois bem, graças aos registros de todos os óbitos ocorridos nos 114 dias iniciais de 2020 que estão no Portal da Transparência do Registro Civil, agora já se pode ter uma ideia da gravidade com que a SRAG está se abatendo sobre a população brasileira, ainda que os registros oficiais de infecção do coronavírus continue na ordem de 14 casos por um milhão de habitantes.

É que, como mostra o gráfico abaixo, apenas no período de 114 dias já morreram 43.407 brasileiros por insuficiência respiratória contra um total de 46.074 para todo o ano de 2019.

srag 2019 2020

Essa discrepância toda ocorre em meio à pandemia da COVID-19 e enfrenta uma ausência óbvia de testes, especialmente em áreas consideradas como epicentros como é o caso dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Amazonas.  No quesito de testes, por exemplo, o Brasil realizou até agora uma taxa de 1.373 testes por milhão de habitantes, enquanto a Venezuela (tão apontada como o espelho do caos pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro) realizou 12.211 testes por milhão de habitantes. 

bolson covid 19Ao contrário do que afirma publicamente, o presidente Jair Bolsonaro deve saber que a COVID-19 não é uma simples “gripezinha”

Para piorar o Brasil já é segundo colocado no número de casos graves no mundo, com um total de 8.318 pacientes, contra 14.016 casos dos EUA que possuem oficialmente 20 vezes mais casos de infectados que o nosso país.

Nesse sentido, é interessante notar a fala do governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, que apontou o Brasil como um mau exemplo onde os governantes estão aplicando a teoria do “efeito de manada” para que haja um aumento exponencial do número de infectados na expectativa de que isso aumente o grau de imunidade da população, deixando que os que tiverem que morrer, morram.

O uso do “efeito de manada” pode até parar a pandemia, mas terá efeitos devastadores

O resultado objetivo da aceitação (e naturalização) dos efeitos mortíferos do uso do “efeito de manada” será o aumento exponencial de mortes nas próximas semanas.  É que, ao contrário das estimativas fictícias apresentadas pelo ministro da Saúde Nelson Teich de que o Brasil está com uma taxa de letalidade pequena para a COVID-19, os dados dos cartórios mostram que há sim um efeito devastador sobre milhares de famílias brasileiras. Por isso, a abertura do comércio em diversos estados e municípios que estavam aplicando o distanciamento social deverá ampliar ainda mais o alcance do vírus e, consequentemente, o número de mortos.

Em poucas palavras, o Brasil está sendo palco de uma política deliberada de “deixar o vírus se espalhar”, claramente na expectativa de que a maioria dos mortos fique circunscrita às regiões periféricas das grandes cidades, onde corriqueiramente os mortos passam despercebidos.

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