Neurologista adverte: “desacredite da versão oficial”. Coronavírus está matando muito mais

O neurologista Marcelo Eduardo Bigal demonstra em vídeo como o número de mortes por coronavírus no Brasil é muito maior do que indicam as estatísticas do governo: “Desacredite da versão oficial: ela é mentirosa”

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247 – O dr. Marcelo Eduardo Bigal, membro de corpo editorial da The Journal of Headache and Pain, membro de corpo editorial da BioMedCentral Neurology e professor assistente de Neurologia da Albert Einstein College Of Medicine demonstra como a epidemia de coronavírus está muito mais disseminada que a versão das autoridades brasileiras. Bigal demonstra como há muitos mais casos de coronavírus que as estatísticas oficiais apontam e que o número de mortes é maior que os números do governo indicam. “Desacredite da versão oficial: ela é mentirosa”.

 Ele também desmonta o mito da cloroquina num vídeo que postou no Facebook -assista abaixo.

Segundo o médico, há “uma enorme definformação”. Na ausência de testes no Brasil -o país é o que menos testa no mundo. O Brasil testa 296 pessoas por milhão; os Estados Unidos testam mais de 7 mil por milhão e, a Alemanha, 15 mil pessoas por milhão.

Bigal demonstra como o número de 4 mortes por coronavírus para cada milhão de pessoas (5 desde esta sexta-feira, 10) esconde a verdade sobre o número de casos fatais no Brasil.

Ele demonstra como a propaganda da cloroquina é uma mistificação disseminada por Bolsonaro. Ele fala em “irresponsabilidade” do governo e recomenda: as pessoas devem tomar cuidado por si próprias, ficar em casa, usar máscara, lavar as mãos e não tocar no rosto.

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Este artigo foi publicado originalmente pelo site “Brasil 247”  [Aqui!  ].

Sacolões com preços salgados são o maior negócio da pandemia

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Logo após as fortes tempestades que assolaram a região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, causando milhares de mortos e deixando um rastro de destruição, o que se viu logo em seguida foi a erupção de uma série de denúncias (posteriormente confirmadas) de que o dinheiro enviado pelo governo federal tinha sido ilegalmente desviado por parte daqueles que deveriam ter zelado pelo seu correto uso em prol das vítimas.

Pois bem, agora em meio à pandemia da COVID-19, estão aparecendo uma série de matérias que dão conta que prefeituras estão adquirindo os chamados “sacolões” sem o devido processo licitatório e a preços que são incompatíveis com o que é praticado corriqueiramente até para quem compra em pequenas quantidades.

Dois casos me chamaram a atenção em relação à compra de sacolões com preços exorbitantes. O primeiro ocorreu em Búzios onde a prefeitura local teria comprado 20.000 cestas básicas a um preço unitário de R$ 185,25, com o valor total do contrato chegando a R$ 3,5 milhões! O caso foi levantado pelo site “Iniciativa Popular Búzios” que verificou, entre outras coisas que a empresa que supostamente vendeu os sacolões não foi a mesma que fez as entregas.

Segundo reportagem da “Iniciativa Popular Búzios” caminhão fez entrega de sacolões não era da empresa que venceu o processo licitatório no valor de R$ 3,5 milhões

O segundo caso ocorreu aqui mesmo em Campos dos Goytacazes onde a Secretaria Municipal de Educação adquiriu,  com dispensa de licitação, supostamente por causa da emergência sanitária causada pela COVID-19, kits de merenda escolar no valor de R$10.184.681,25 (dez milhões, cento e oitenta e quatro mil, seiscentos e oitenta e um reais e vinte e cinco centavos) por um período de 90 (noventa) dias, sem que houvesse a especificação do número de unidades adquiridas. O que chamou a atenção nesse caso foi o fato que a vencedora, a QUOTIDIEN COMERCIAL ATACADISTA LTDA, tem no seu quadro societário a NUTRIPLUS ALIMENTACAO E TECNOLOGIA LTDAinvestigada na operação contra a máfia da merenda de São Paulo.

Extrato de dispensa de licitação para aquisição de “kits de alimentação” pela Secretaria Municipal de Educação de Campos dos Goytacazes no valor de R$10.184.681,25

Ainda que não se possa afirmar que os gestores envolvidos agiram de má fé, não deixa de ser espantosa a coincidência não apenas na contratação milionária para a entrega de sacolões por prefeituras que vivem afirmando estar em crise financeira, como também a participação de empresas que, olhadas de perto, não são exatamente um exemplo de boas práticas comerciais.

O problema é que enquanto a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes se dispõe a um gasto milionário, e sem licitação, para a compra de sacolões, não há qualquer movimento para que se reabra o Restaurante Popular “Romilton Bárbara” que foi fechado no dia 09 de junho de 2017. Com isso, as filas que já eram grandes em frente ao Mosteiro da Santa Face se tornaram gigantescas, tornando aquele local um ponto crítico para possível disseminação do coronavírus.  

Mosteiro do Jardim São Benedito alimenta 150 pessoas por dia em ...

Daí é que eu pergunto: o que ainda impede a reabertura do restaurante popular de Campos dos Goytacazes? É que se possível dispensar licitação para a compra de kits de alimentação, e sem licitação, em nome da emergência causada pela COVID-19, por que isso não pode ser feito para oferecer comida para os mais pobres em condições mais controladas do que está ocorrendo neste momento em frente ao Mosteiro da Santa Face, em que pese o estupendo trabalho das freiras que estão oferecendo alimentos?

 

Jair Bolsonaro, um pedagogo nato

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Podem dizer o que disserem dele, mas o presidente Jair Bolsonaro é um pedagogo nato. Duvidam de mim? Pois olhem bem, o vídeo abaixo que mostra o presidente da república não apenas quebrando, mais uma vez, o confinamento social recomendado pelo Ministério da Saúde, mas também usando o braço para aparentemente limpar o nariz, segundos antes de apertar as mãos de uma mulher idosa, sem que nenhum dos dois usasse luvas no momento em que se tocaram (a idosa usava apenas máscara, mas Bolsonaro nem isso).

Vamos lá, há alguma forma mais didática de demonstrar como se pode transmitir o COVID-19? É claro que não!

Em tempo, o número oficial de mortes pelo COVID-19 no Brasil atingiu hoje a marca de 1.057.

Pesquisadores finlandeses produzem modelo de dispersão do COVID-19 em supermercados

koronaOs pesquisadores modelaram uma situação em que uma pessoa tosse por um corredor restrito a prateleiras, típico de supermercados. Foto: Petteri Peltonen / Universidade de Aalto

Uma equipe de pesquisadores finlandeses  ligados à Universidade de Aalto, ao Instituto Meteorológico Finlandês (FMI),  e ao Centro Técnico e de Inovação VTT e da Universidade de Helsinque sobre a difusão  do coronavírus e de partículas transportados em atmosferas interiores acaba de divulgar seus primeiros resultados.

Os pesquisadores modelaram um cenário em que uma pessoa tosse em um corredor entre prateleiras, como as encontradas em supermercados; e levando em consideração a ventilação (ver vídeo abaixo).

Na situação modelada pelos pesquisadores finlandeses, a nuvem de aerossol se espalha para fora da vizinhança imediata da pessoa que tosse e se dilui no processo. No entanto, isso pode levar alguns minutos. A modelagem mostra ainda que alguém infectado pelo COVID-19, pode tossir e se afastar, mas depois deixa para trás partículas extremamente pequenas de aerossol carregando o coronavírus. Essas partículas podem acabar no trato respiratório de outras pessoas próximas ‘, explica o professor assistente da Universidade de Aalto, Ville Vuorinen.

‘Os resultados preliminares obtidos pelo consórcio destacam a importância de nossas recomendações. O Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar recomenda que você fique em casa se não estiver bem e mantenha distância física com todos. As instruções também incluem tossir a manga ou um lenço de papel e cuidar de uma boa higiene das mãos ”, diz Jussi Sane, especialista chefe do Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar.

Supercomputador usado para modelagem

O projeto envolve cerca de 30 pesquisadores, cujas especializações incluem dinâmica de fluidos, física de aerossóis, redes sociais, ventilação, virologia e engenharia biomédica. A pesquisa está sendo realizada em conjunto com a Essote (a autoridade municipal conjunta para serviços sociais e de saúde em South Savo), que propôs o projeto de pesquisa, bem como especialistas em doenças infecciosas do Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar.

O transporte aéreo e a preservação das gotículas que saem do trato respiratório foram simulados usando um supercomputador e, em seguida, foi realizada a visualização 3D dos resultados. O CSC – Finlandês IT Center for Science Ltd. disponibilizou seu supercomputador aos pesquisadores em um prazo muito curto. Graças à alta capacidade computacional e à cooperação multidisciplinar, os primeiros resultados foram produzidos em cerca de uma semana.

A física dos fenômenos que estão sendo modelados agora é muito familiar em pesquisas anteriores. O consórcio visa usar a visualização para criar uma melhor compreensão do comportamento das partículas de aerossol. Os pesquisadores continuarão trabalhando na modelagem e aprimorando-a ainda mais. Especialistas em doenças infecciosas e virologia examinarão os resultados e sua importância em relação às informações coletadas sobre infecções por coronavírus e coronavírus. O envolvimento de duas universidades suecas fortaleceu ainda mais o consórcio.

A CSC está priorizando o fornecimento de capacidade computacional e assistência especializada para pesquisas destinadas a combater a pandemia do COVID-19. Se você estiver trabalhando diretamente em um projeto de pesquisa sobre pandemia, entre em contato com servicedesk@csc.fi.

Pesquisadores disponíveis para esclarecimentos

Professor Assistente Ville Vuorinen
Universidade de Aalto
tel. +358 (0) 50 361 1471
ville.vuorinen@aalto.fi

Pesquisador Sênior Antti Hellsten
Instituto Meteorológico Finlandês
tel. +358 (0) 29 539 5566
antti.hellsten@fmi.fi

Pesquisador Sênior Aku Karvinen
Centro de Pesquisa Técnica VTT da Finlândia
tel. +358 (0) 40550 2142
aku.karvinen@vtt.fi

Professora Assistente Tarja Sironen
Universidade de Helsinque
tel. +358 (0) 50447 1588
tarja.sironen@helsinki.fi

Peter Råback
CSC – Centro de TI finlandês para a ciência Ltd
tel. +358 (0) 9457 2080
peter.råback@csc.fi

Circulando um manual de controle e prevenção da COVID-19

Apesar das redes sociais estarem circulando uma quantidade significativa de dicas para controlar e prevenir a disseminação do coronavírus (a.k.a. COVID-19), poucos materiais existem sobre um tratamento abrangente de todas as possíveis vias de contaminação, bem como sobre as formas de minimizar a chance de que se contraia este vírus.

manual covid 19

Por isso, considero que o “Manual de Prevenção e Controle da COVID-19” organizada pelo Dr. Doutor Wenhong Zhang, líder da Equipe Especializada de Tratamento da Pneumonia Causada por Covid-19, em Xangai, e diretor do Departamento de Infectologia do Hospital Huashan, afiliado à Universidade de Fudan, reúne uma série de orientações interessantes, as quais claramente serão úteis para evitar uma disseminação ainda mais ampla do coronavírus no Brasil.

Interessante notar que este manual está sendo circulado no Brasil a partir de um esforço conjunto que está sendo liderado pela China2Brazil é uma plataforma digital que traz informações e novidades sobre tecnologia, empreendedorismo e economia da China para o Brasil.

Tian Bin, parceiro da consultora IEST, empresa também responsável pela coordenação dos direitos autorais e tradução, disse à imprensa que 5000 cópias deverão ser impressas esta semana e distribuídas sem custos à embaixada e consulados chineses no Brasil, ao Instituto Confúcio, ao Ministério da Saúde do Brasil e a outras instituições relevantes.

Versões em PDF estão já disponíveis para download na conta de Facebook China2Brazil, sendo que a versão final deverá ser disponibilizada na Amazon e em outras plataformas esta semana. 

Quem desejar baixar este manual, basta clicar [Aqui!]

Número de mortes pelo coronavírus está subestimado no Brasil. Mas quanto?

covasCoveiros no cemitério Vila Formosa, em São Paulo.AMANDA PEROBELLI / REUTERS

Já comentei aqui o problema da subnotificação que, no Brasil, é um fato recorrente para diversas doenças, inclusive para a pandemia do coronavírus. A subnotificação implica em outro problema igualmente preocupante que é a diferença entre os que efetivamente morreram pela infecção causada pelo COVID-19 e aquilo que os registros oficiais apontam.

Os números atualizados pelo Ministério da Saúde (ver quadro abaixo) apontam que o Brasil teria até este caso, um total de 1.857 casos confirmados e 941 óbtidos atribuídos ao COVID-19, com o estado de São Paulo liderando o placar nacional em ambos os quesitos.

mortes casos covid

Pois bem, uma reportagem assinada pelo jornalista Carlos Madeiro e publicada pelo site UOL traz a informação que com base nas declarações de óbito registradas nos cartórios, os números oficiais estariam subestimados em cerca de 48%, o que elevaria o número real de mortos pelo COVID-19 para 1.392 óbitos. 

Um complicador para que se chegue a números mais precisos para se estimar com maior precisão o número de infectados pelo COVID-19 e os óbitos resultantes é que o Brasil continua aplicando um número irrisório de testes para confirmar se o coronavírus está presente em um determinada pessoa. Nesse caso a relação entre testes realizados/por milhão de pessoas é de 724. Apenas por comparação, no caso da Alemanha esta relação é de 15.730, o que explica não apenas a baixa letalidade que o COVID-19 está causando entre os alemães, mas também o grau de  precisão com que a pandemia está sendo acompanhada pelo governo alemão.

O maior problema dessa situação toda é que a maioria da população brasileira fica alijada do acesso a informações mais precisas sobre a gravidade que a pandemia causada pelo COVID-19 já alcançou no Brasil. Com isso, é inevitável que haja um relaxamento nas medidas de isolamento social, o que já pode ser facilmente observado em imagens que circulam nas redes sociais.

Por outro lado, este posição “relax” em relação a um vírus letal é estimulado por ocupantes de diferentes postos de governo, começando pelo presidente da república, passando pela maioria dos governadores e de prefeitos que negam a gravidade da pandemia, preferindo tratá-la com uma gripezinha. O problema é que o COVID-19 não é uma mera gripezinha, e seu grau de letalidade está sendo explicitado com assombrosa didática na população dos Estados Unidos da América.

plataforma fpsoFPSO Capixaba, da Petrobras, que produz e armazena petróleo no campo de Cachalote, no Parque das Baleias. Crédito: Agência Petrobras

Uma demonstração do que pode estar nos esperando por causa da postura negacionista e negligente de muitos governantes e de parte considerável da classe empresarial brasileira vem de um  navio plataforma estacionado entre o sul do Espírito Santo e a região Norte Fluminense (o FPSO Capixaba mostrado acima), onde foram registrados 53 casos de COVID-19 entre os trabalhadores que estavam a bordo. 

Imaginemos o que poderá ocorrer quando coronavírus penetrar com força nas áreas mais pobres das nossas regiões metropolitanas? Por isso, há que se rejeitar toda a confusão que ronda os supostos embates dentro do governo Bolsonaro e nos concentrar para aprofundar, e não afrouxar, o isolamento social. Do contrário, será como alertou o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD) em entrevista ao jornal “O TEMPO” quando ele disse que: “se a população achar que nossa curva está tranquila, que não vamos ter pico, preparem-se para virar Milão. Para jogar corpo em campo de patinação, como se faz na Espanha, porque não tem caixão para enterrar, ou como se faz no Equador, onde estão jogando caixão nas ruas“. Simples assim!

Estudo Belga-Holandês: Porque nos tempos do COVID-19 você não pode andar/correr/ andar de bicicleta perto um do outro

belga 1Qual é a distância segura ao correr, andar de bicicleta e caminhar durante o COVID-19 vezes? É mais do que o típico 1-2 metros, conforme prescrito em diferentes países!

Por Jurgen Thoelen para a “Medium”

Em muitos países, caminhadas, ciclismo e corrida são atividades bem-vindas nestes tempos do COVID-19. No entanto, é importante observar que é necessário evitar o fluxo de derrapagem um do outro ao realizar essas atividades. Isso resulta do resultado de um estudo realizado pela KU Leuven (Bélgica) e TU Eindhoven (Holanda). (1) (2) (3)

A regra típica de distanciamento social que muitos países aplicam entre 1 e 2 metros parece eficaz quando você está parado dentro ou mesmo fora com vento fraco. Mas quando você vai passear, correr ou andar de bicicleta, é melhor ter mais cuidado.

Quando alguém durante uma corrida respira, espirra ou tosse, essas partículas ficam para trás no ar. A pessoa correndo atrás de você no chamado “fluxo de deslizamento” atravessa essa nuvem de gotículas.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão simulando a ocorrência de partículas de saliva de pessoas durante o movimento (andando e correndo) e isso de diferentes posições (próximas umas das outras, na diagonal atrás uma da outra e diretamente atrás uma da outra). Normalmente, esse tipo de modelagem é usado para melhorar o nível de desempenho dos atletas, pois permanecer um no outro é muito eficaz. Mas, ao olhar para o COVID-19, a recomendação é ficar fora do fluxo, de acordo com a pesquisa.

Os resultados do teste são visíveis em várias animações e visuais. A nuvem de gotículas deixadas para trás por uma pessoa é claramente visível. “As pessoas que espirram ou tossem espalham gotas com uma força maior, mas também as que respiram deixam partículas para trás”. Os pontos vermelhos na imagem representam as maiores partículas. Eles criam a maior chance de contaminação, mas também caem mais rapidamente. “Mas, ao atravessar essa nuvem, eles ainda podem pousar em sua roupa”, de acordo com o professor Bert Blocken.

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A partir das simulações, parece que o distanciamento social desempenha um papel menos importante para 2 pessoas em um ambiente de vento fraco ao correr/caminhar próximo um do outro. As gotículas caem atrás da dupla. Quando você está posicionado na diagonal um atrás do outro, o risco também é menor para capturar as gotículas do corredor principal. O risco de contaminação é maior quando as pessoas ficam logo atrás uma da outra, no fluxo de deslizamento uma da outra.

Com base nesses resultados, o cientista aconselha que, para percorrer a distância de pessoas que se movem na mesma direção em uma linha, deve ser de pelo menos 4-5 metros, para corrida e ciclismo lento deve ser de 10 metros e para ciclismo duro, no mínimo 20 metros. Além disso, ao passar por alguém, é aconselhável que você já esteja em uma faixa diferente a uma distância considerável, por exemplo, de 20 metros para ciclismo.

Definitivamente, é uma informação que levarei em consideração e também coloca em perspectiva o fechamento de parques movimentados, etc. Talvez o melhor caminho seja apenas correr na rua, sozinho ou pelo menos a uma distância suficiente. Fique seguro…

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Este texto foi originalmente publicado em inglês pelo site “Medium.com” [Aqui!].

Coronavírus como requiem do neoliberalismo

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O efeito devastador que o coronavírus está tendo em diversas partes do mundo sinaliza que o mundo nunca será mais o mesmo, especialmente no tocante à ideologia neoliberal que foi aplicada em doses cavalares sobre os sistemas públicos de saúde e ciência e tecnologia. 

É que no estalar das consequências nefastas da ação de um vírus que seria mais facilmente derrotável se as estruturas hospitalares públicas não tivessem sido dizimadas por quase 4 décadas de políticas neoliberais. Mas como o cenário em que se encontra os sistemas públicos de saúde na maioria dos países que adotaram o receituário neoliberal é hoje um elemento que facilita o aumento no grau de letalidade do coronavírus.

Tenho visto várias análises de pessoas respeitáveis no sentido de que passada a pandemia, a tendência será tudo a voltar a ser como antes. Eu já tenho a opinião que passada o momento mais agudo, o que deveremos assistir é uma espécie de lavação de roupa suja acerca das políticas neoliberais e de seus perpetradores em diferentes pontos do espectro político. É que inevitavelmente as pessoas vão querer que não sejamos pegos de calças curtas quando a próxima pandemia chegar.

Se esse prognóstico estiver correto, o mais provável é que uma grave crise política se instale em países onde governos insistem em aplicar a ideologia neoliberal como receita para garantir o crescimento econômico.  Por isso mesmo, a América do Sul deverá um dos principais epicentros dessa crise política, visto que aqui a maioria dos governos insiste em demolir os serviços públicos para aumentar ainda mais a já abissal distância entre pobres e ricos, sempre sob a escusa de gerar dinamismo econômico que possibilite a melhoria da vida de todos (no que Ronald Reagan chamava de “trickle down effect” ou (em bom português), “efeito de gotejamento”.

E ao fim e ao cabo, é possível dizer que, querendo ou não, a pandemia do coronavírus esteja sendo uma espécie de requiem do neoliberalismo. 

Marcos Pontes, o ministro astronauta é um soldado “missing in action” na guerra contra o COVID-19

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O ministro da Ciência e Tecnologia, o ex-astronauta Marcos Pontes, era mais vocal e presente vendendo travesseiros do que agora defendendo o papel da ciência na superação da pandemia causada pelo COVID-19

Em meio às muitas declarações sem qualquer fundamento científico que partem de representantes do governo Bolsonaro no tocante ao combate do coronavírus, a começar pelo próprio presidente, um ministro tem estado particularmente calado em meio ao debate sobre o papel da ciência para que o Brasil chegue à respostas robustas para superarmos esta pandemia mortal. 

Falo aqui do dublê de astronauta aposentado e ministro da Ciência e Tecnologia, e ainda tenente-coronel reformado da Força Aérea Brasileira, Marcos Pontes.  Pontes tem assistido em silêncio sepulcral não apenas à declarações que desconsideram aspectos elementares do saber científico sobre as possíveis formas de controle do coronavírus, mas também no tocante aos seguidos cortes que têm sido realizados no orçamento para o sistema nacional de ciência e tecnologia.

marcos pontes 1O ministro da Ciência, Marcos Pontes, em visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais de Campinas (SP) (Foto: Helen Sacconi/EPTV Campinas) 

O astronauta transformado em vendedor de travesseiros chegou ao ministério de Ciência e Tecnologia no mínimo com o benefício da dúvida por parte das lideranças científicas brasileiras. Mas após 15 meses e poucos dias de mandato à frente do “Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações” (MCTIC), Pontes não fez nada até agora que justificasse isso.

A gestão de Pontes à frente do MCTIC é, no mínimo, pouco memorável, o que é muito grave se formos levar em conta as pesadas demandas que estão sendo colocadas sobre a comunidade científica nacional a partir da eclosão da pandemia do COVID-19. A hora seria de termos um ministro que ocupasse, junto com o da Saúde, um papel de destaque no oferecimento de explicações sólidas que servisse para dirimir quaisquer dúvidas sobre os caminhos a serem seguidos para que o governo federal possa responder aos desafios psotos de forma cientificamente informada.

Desconfio que Marcos Pontes, tal como vários outros ministros estão fazendo, optou por adotar uma posição distante para evitar choques com o chamado “setor ideológico” do governo Bolsonaro, preservando assim o seu cargo de ministro. Se for isso mesmo, estamos muitíssimo mal parados, pois este tipo de posição deixa os cientistas não apenas mal financiados para realizar pesquisas fundamentais sobre o coronavírus, mas principalmente desamparados no tocante à necessária validação do papel da ciência na solução dos problemas postos pela pandemia.

Em meio à pandemia, grileiros e invasores se aproximam de aldeia Karipuna

Em nota conjunta, Apoika, Cimi e Greenpeace denunciam que o risco de um iminente genocídio da pequena população Karipuna é ainda mais preocupante no contexto da Covid-19

karipuna-chico-batata-todos-olhos-amazonia-scaledRetirada de madeira ilegal na Terra Indígena Karipuna, registrada em 2019. Foto: Chico Bata/Todos os Olhos na Amazônia

Na última quarta-feira (1/4), indígenas Karipuna foram surpreendidos ao avistar quatro invasores limpando uma área de floresta a menos de dez quilômetros da Aldeia Panorama, onde vivem e, atualmente, estão em isolamento, buscando se proteger da pandemia do novo coronavírus.

Dois dias antes (30/3) eles ouviram constantes ruídos de máquinas e motosserras, também próximos à aldeia, explicitando que invasores voltaram ao seu território tradicional. Esta situação deixou os Karipuna e seus aliados em estado de alerta e extrema preocupação, agravada pela experiência histórica do próprio povo.

Na década de 1970 – há pouco mais de 40 anos, portanto – os Karipuna foram quase exterminados por doenças contagiosas transmitidas durante o traumático processo de contato com a sociedade não indígena protagonizado pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Naquela época, o povo Karipuna foi reduzido a apenas oito pessoas: quatro adultos e quatro crianças. Atualmente, sua população totaliza 58 pessoas.

O risco de um iminente e fatal genocídio do povo ressurge agora de modo ainda mais preocupante, seja em função de um potencial ataque dos invasores, seja devido à possibilidade desses invasores contaminarem os Karipuna com o coronavírus.

A Associação do Povo Indígena Karipuna (Apoika), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Greenpeace Brasil externam grande preocupação com o avanço e as potenciais consequências da grilagem da Terra Indígena (TI) Karipuna, no estado de Rondônia.

karipuna 1Foto: Rogério Assis/Todos os Olhos na Amazônia – O avanço do desmatamento e das invasões é ainda mais grave no contexto da COVID-19, porque invasores podem contaminar os Karipuna

Nos últimos anos foram feitas diversas denúncias – tanto no Brasil como em organismos internacionais – sobre as severas ofensivas dos invasores na TI Karipuna, inclusive com o aumento do desmatamento e até mesmo a venda de lotes no interior da terra. Este recente avanço de grileiros e madeireiros sobre o território, em meio à pandemia de Covid-19, é mais um indicativo de que as ações de monitoramento e fiscalização do território realizadas ao longo de 2019, mais do que nunca, precisam ser retomadas, sob pena de testemunharmos um recrudescimento do desmatamento e da degradação na TI Karipuna.

Em dezembro de 2019, conforme documento protocolado no Ministério Público Federal (MPF) e na Polícia Federal (PF), em Porto Velho, já denunciávamos uma intensa movimentação de motocicletas para e no interior da terra indígena. Cumpre frisar que a terra indígena em questão está devidamente registrada como Patrimônio da União desde 1998, nos termos do que determina o Artigo 20 da Constituição Brasileira e que, portanto, o direito de usufruto é exclusivo dos Karipuna, conforme estabelece o Artigo 231 da mesma Carta Magna.

No dia 15 de março de 2020, uma denúncia anônima informava que um grupo de pessoas estaria se organizando para invadir a TI Karipuna com o intuito de dar continuidade ao processo de loteamento e grilagem desta terra, de ocupação tradicional indígena.

Diante disso, é urgente que as autoridades tomem medidas cirúrgicas e estruturantes de combate à grilagem em curso na TI Karipuna. Neste sentido, exigimos:

  1. O devido e tempestivo cumprimento de decisão judicial, de junho de 2018, que determina a continuidade da fiscalização e um plano de proteção permanente da TI Karipuna;
  2. A retirada imediata dos invasores do interior da TI Karipuna, com a respectiva identificação e prisão dos mesmos;
  3. A identificação, apreensão de bens e prisão das pessoas responsáveis pela organização e dos beneficiários do processo de invasão, retirada ilegal de madeira e grilagem da TI Karipuna;
  4. A identificação dos proprietários das áreas do entorno que são usadas para a invasão, retirada ilegal de madeira e grilagem da TI Karipuna, com a devida investigação, pela Polícia Federal, a fim de averiguar eventual conivência ou não dos mesmos.

Associação do Povo Indígena Karipuna (Apoika)
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
Greenpeace Brasil