Eduardo Bolsonaro brinca de General Custer e China pode se tornar o “Last Stand” do Brasil

eduardo bolsonaro

Todos minimamente familiarizados com a história militar dos EUA já deve ter ouvido falar do General George Armstrong Custer (que na verdade terminou seus dias como Capitão) e seu fatídico final na Batalha de Little Big Horn. 

Pois é exatamente do General Custer que me lembro quando começo a ler as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro sobre as relações comerciais do Brasil com a China. É que seja qual for a opinião que o filho do presidente possa ter sobre o que bem lhe apetecer, não me parece que ficar provocando o principal parceiro comercial do Brasil seja algo que trará bons resultado para a nossa já combalida economia.

Para melhor ilustrar o que considero um completo “nonsense”  ficar repercutindo as posições do governo dos EUA como se fosse de interesse do Brasil, posto abaixo dois mapas dos estados brasileiros mostrando os principais parceiros comerciais nos quesitos de exportação e importação.

Como os mapas mostram, o Brasil depende muito mais da China para vender suas coisas e dos EUA para comprar o que precisa para, entre outras coisas, gerar a produção que vai acabar nos portos chineses.  

Por isso, ao continuar provocando o país do qual mais estados brasileiros dependem para exportar sua produção, o que Eduardo Bolsonaro pode acabar causando é um prejuízo incalculável aos interesses dos exportadores brasileiros.  Desta forma, a China pode acabar sendo transformada numa espécie de “Last Stand” do Brasil se não a verve de Eduardo Bolsonaro não for amansada.

Como a China está neste momento num grande confronto com o governo Trump, quanto mais tempo demorar para que isto aconteça, maior será a chance de que uma crise política ocorra.

Brasil tem dois chanceleres, que somados não dão um

Mas que juntos causam estragos mesmo antes do governo Bolsonaro ter começado!

O giro do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) está servindo para que ele se posicione como um chanceler de fato (ainda que o nome indicado pelo pai para o posto seja o embaixador, cético quanto às mudanças climáticas, Ernesto Fraga).

Em seu giro por Washigton D.C., Eduardo Bolsonaro já confirmou a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, alinhou o Brasil às políticas anti Irã, e ainda se prestou a ser uma espécie de menino propaganda da campanha de reeleição de Donald Trump em 2020 (ver imagem abaixo).

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Em minha experiência de vida no território estadunidense que incluiu contratos como consultor do Painel de Inspeção do Banco Mundial, eu aprendi algo sobre os estadunidenses que deveria ser simples. Os dirigentes daquele país não possuem muito respeito em quem não lhes mete muito medo.  Aliás, quanto mais subalternizado e deslumbrado for o visitante, menos respeito eles terão por ele. 

E o pior é que com essa tendência à tagarelice incontrolável, o deputado federal Eduardo Bolsonaro está prestando um grande desserviço aos interesses econômicos nacionais que têm nos países árabes um dos nossos principais mercados. E o pior é que em diversas commodities (como a soja e o milho), o Brasil e os EUA competem pelos mesmos mercados. Em outras palavras, toda essa submissão aos interesses dos EUA só trarão prejuízos econômicos e políticos ao Brasil.

Por fim, há que se lembrar que a posição pragmática do Brasil nas relações internacionais tem nos poupado, por exemplo, de sofrermos ataques terroristas como os que ocorrerão na França, na Inglaterra, e nos próprios EUA.  Mas agora, com esses dois chanceleres que somados não dão um,  podemos estar entrando numa nova era, só que de ataques terroristas protagonizados por militantes islâmicos que verão na transferência de nossa embaixada para Jerusalém um motivo justo para que o Brasil se torne um alvo de suas ações.