Anistia Internacional Brasil repudia a invasões e ataques a prédios públicos deflagrados por grupos extremistas em Brasília

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A Anistia Internacional Brasil exige investigações céleres, imparciais e efetivas que sejam conduzidas pelas instituições competentes para que os atos deste domingo, 8 de janeiro, sejam devidamente apurados. A invasão e depredação de prédios públicos, a destruição de documentos, violações da segurança e integridade física de jornalistas que acompanham os eventos e de agentes das forças de segurança que foram agredidos por extremistas devem ser investigadas. Tentativas de destruição e subtração de aparelhos e câmeras de profissionais de comunicação representam grave violação do direito à liberdade de expressão e de imprensa.  

A Anistia Internacional Brasil irá acompanhar a intervenção federal, no âmbito da segurança pública do Distrito Federal, decretada hoje pelo Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, como reação ao ocorrido. 

 É imprescindível que as autoridades garantam a desocupação completa e imediata da Praça dos Três Poderes, incluindo o Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. A destruição de prédios públicos que representam instituições dos Três Poderes do Estado deve ser apurada pelos órgãos competentes e os responsáveis devem ser investigados, processados, julgados e sancionados, em conformidade com os parâmetros internacionais de direitos humanos. 

A obrigação do Estado Brasileiro de garantir os direitos humanos implica que as autoridades estejam preparadas para lidar com as manifestações políticas, o que implica em ações de inteligência, planejamento, precaução e monitoramento de cenários de risco e de grupos extremistas para facilitar que as reações institucionais sejam proporcionais. Os parâmetros internacionais de direitos humanos permitem a dispersão de manifestações pacíficas em casos raros, por exemplo, quando incitam discriminação, hostilidade ou violência. A invasão ocorrida hoje, dia 8 de janeiro de 2023, em Brasília, não se enquadra nos parâmetros de manifestação pacífica.  

Hoje, dia 08 de janeiro, uma multidão de ao menos 3900 manifestantes de grupos extremistas que contestam o resultado das Eleições 2022invadiu o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e a sede do Supremo Tribunal Federal em Brasília. No início do sábado, dia 07 de janeiro, já havia uma preocupação quanto à chegada de mais de 100 ônibus com manifestantes em Brasília, quando o Ministro da Justiça e Segurança Pública autorizou o emprego da Força Nacional para realizar a segurança do local. O governo do Distrito Federal falhou em garantir a segurança e em tomar as medidas necessárias para coibir atos violentos e a invasão dos prédios públicos que já havia sido anunciada pelos grupos extremistas. 

A Anistia Internacional Brasil, desde o primeiro turno das eleições presidenciais, tem monitorado com preocupação a escalada de violência e ameaça ao Estado de Direito por grupos organizados, em alguns casos armados, que contestam, não apenas o resultado do pleito eleitoral, como também o funcionamento das instituições do Estado. 

É alarmante que as autoridades como a Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público do Distrito Federal e o Governo do Distrito Federal não tenham sido capazes de identificar os mandantes e os financiadores da invasão e de impedirem que os ataques de hoje ocorressem.  

A Anistia Internacional Brasil exige que o Estado Brasileiro garanta investigação, de maneira célere, imparcial, séria e efetiva das circunstâncias que levaram à invasão e ataques ocorridos neste 8 de janeiro de 2023, em Brasília, com o fim de identificar, processar, julgar e sancionar todos os envolvidos nestes episódios, incluindo os mandantes, organizadores e financiadores e também as omissões de instituições de Estado que não agiram para evitar essas invasões acontecessem.  

Nota pública do defensor público-geral federal sobre as invasões ocorridas ao Congresso Nacional, ao Palácio do Planalto e ao STF

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A Defensoria Pública da União, por intermédio do Defensor Público-Geral Federal, no exercício das atribuições previstas no artigo 8º, II e III, da Lei Complementar n. 80/1994, tendo em vista seu papel constitucional de instituição expressão e instrumento do regime democrático, prevista no artigo 134 da Constituição Federal, vem a público repudiar as invasões ocorridas, em 08/01/2023, ao Congresso Nacional, ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal Federal, instituições que materializam a democracia brasileira, bem como informar a adoção de providências imediatas para fazer cessar os ilícitos cometidos contra a democracia, a paz e a segurança pública.

A essência da democracia é o respeito à divergência política. As liberdades de expressão e de manifestação, duramente conquistadas pelo povo brasileiro, não albergam a via da violência, tampouco tolerância ou leniência a atos antidemocráticos que pretendem atacar as instituições democráticas e a Constituição Federal.

As autoridades públicas possuem o dever de adotar todas as medidas necessárias a garantir a segurança pública para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, como determina o artigo 144 da Constituição Federal. Dessa premissa decorre a responsabilidade civil, administrativa e criminal no caso de omissões dolosas que importem no descumprimento desse dever estatal.

Fora da democracia só há o império da força e do arbítrio. Liberdades civis, políticas e direitos sociais conquistados pela luta de trabalhadores e trabalhadoras, movimentos políticos concretizados na Constituição Federal de 1988, não podem ser aviltados por atos de grupos que incitam o desrespeito à ordem jurídica, à cidadania, ao pluralismo político e às diversidades.

Mais do que nunca se torna fundamental reconhecer a legitimidade do pleito eleitoral e reforçar a defesa do regime democrático como única via possível para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, sem quaisquer formas de discriminação.

Diante disso, determinei a instauração de processo coletivo para a adoção de providências imediatas para evitar a escalada da violência e para o restabelecimento da ordem.

A Defensoria Pública da União atua e atuará para afastar, no campo dos direitos interno e internacional, qualquer ameaça de rupturas institucionais que atinjam os pressupostos e os fundamentos do Estado Democrático de Direito.

A invasão da extrema-direita em Brasília como tragédia ou farsa?

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Uma famosa frase do filósofo Karl Marx me vem à mente neste momento após ver as cenas de destruição promovidas por militantes de extrema-direita em Brasília (ver vídeo abaixo). A frase em questão é aquela em que Marx diz que “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

Ainda que aparentemente esta invasão seja uma espécie de “repeteco” da que foi promovida por militantes de extrema-direita dos EUA em janeiro de 2021 para protestar contra a derrota eleitoral de Donald Trump. As características são basicamente as mesmas, ainda que com o peculiar detalhe que nos EUA a invasão se deu em uma 4a. feira (dia normal de trabalho) e a versão brasileira está se dando em um domingo quando tudo está fechado. 

A questão aqui não é tanto a imitação canhestra, mas o que se seguirá a partir de amanhã. É que nos EUA a reação das forças políticas e policiais está sendo relativamente dura e muita gente já está indo para a cadeia. O interessante é que também no dia da invasão do Capitólio houve a mesmíssima conivência que se observou até o momento por parte das forças policiais do Distrito Federal. Entretanto, após a posse de Joe Biden e o início das apurações dos responsáveis, o caminho tomado foi de punir os responsáveis pela invasão.

O governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, já tomou a decisão de demitir o seu secretário de Segurança e ex-Ministro da Justiça do governo Bolsonaro, o também bolsonarista Anderson Torres. Essa medida é acima de tudo preventiva e com tons de auto-proteção, pois até o mais ingênuo dos brasileiros sabe que a reação política deverá ser dura, até para evitar que os militantes de extrema-direita tentem repetir os atos de hoje.

A minha dúvida neste momento é sobre qual será o destino que será dado ao ministro da Defesa José Mucio que logo após sua posse passou pano para estes que hoje invadiram e depredaram os prédios do Supremo Tribunal Federal, do Senado Federal e até o Palácio do Planalto. É evidente que o rumo mais inteligente seria o presidente Lula também demiti-lo ou, no mínimo, exigir que ele se retrate e condene com veemência os militantes da extrema-direita que hoje atentaram contra o patrimônio público e a democracia brasileira.

MPF solicita autos de infração à PRF e pede ações preventivas

PRDC busca evitar que novos bloqueios de rodovias federais ocorram no Estado
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O Ministério Público Federal (MPF) expediu ofício ao superintendente regional da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Alexandre Carlos de Souza e Silva, solicitando cópia dos 61 autos de infração decretados até 31 de outubro, e de futuros autos que possam vir a ser expedidos, referentes às manifestações antidemocráticas que bloquearam estradas federais no estado do Rio de Janeiro após 30 de outubro, dia do segundo turno das eleições de 2022. O ofício foi expedido com a finalidade de apurar os fatos e as circunstâncias desses atos e acompanhar as medidas adotadas pelo poder público para prevenir a reincidência dessa violação de direitos fundamentais.

O ofício foi encaminhado por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), que também pede informações sobre eventuais ações e cronograma adotados para prevenir novos bloqueios das rodovias federais pelo menos até o próximo dia 15 de novembro. Por conta da gravidade e urgência dos fatos, foi dado o prazo de 72 horas para que o superintendente regional da PRF encaminhe a resposta.

Manifestações antidemocráticas

No dia 30 de outubro, começaram a surgir pelo Brasil manifestações nas quais os protestantes alegam fraude eleitoral e pedem intervenção militar. Além das manifestações, houve bloqueio de estradas e rodovias em todo o país.

No Rio de Janeiro, o MPF atuou de forma integrada e bem-sucedida na cessação dos bloqueios. O objetivo agora é garantir uma atuação preventiva contra novos bloqueios.

Para entender a extrema-direita é preciso ir além da pós-verdade

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Não devo ser o único que tem visto com algum nível de descrença às cenas bizarras que estão pipocando em diferentes partes do território nacional por parte de brasileiros que discordam do resultado das eleições presidenciais.  Uma hora é gente batendo continência para pneu, outra hora é gente recebendo chuva de bombas de gás rezendo o “Pai Nosso”. Também não faltam marchas diante de quartéis militares demandando, na prática, um golpe militar que já se sabe não irá ocorrer. Até porque o número de militares eleitos para cargos legislativos ou executivos foi grande em 2022, o que diminuiu a necessidade de uma saída autoritária para garantir os privilégios de suas corporações.

A bizarrice fica por conta do fato de que no mundo real, e não aquele em que esses brasileiros vivem suas fantasias autoritárias, as engrenagens já estão se movendo para que o presidente eleito assuma como manda a lei no dia 01 de janeiro de 2023. Se esses brasileiros que marcham em frente de quartéis e que fecharam estradas por quase 4 dias, causando prejuízos humanos e materiais, prestassem um mínimo de atenção, já saberiam que até Silas Malafaia e Edir Macedo já exercitaram o direito de reconhecer o óbvio e passaram a orar pelo sucesso de Lula.

Alguns poderiam dizer que o Brasil do bizarro existe apenas porque há uma poderosa máquina de criar uma pós-verdade onde o presidente cessante é uma espécie de representante da vontade desses brasileiros de verem o mundo por um espectro muito particular, a despeito do que mostram os fatos. Vale lembrar que o cineasta Steve Tesich, um dos primeiros a usar o conceito, definia pós-verdade como sendo “uma espécie de inclinação social em que a verdade não era tão importante quanto o que se imaginava verdadeiro.”. Em outras palavras, que se danem os fatos, pois o que importa é o que quero acreditar que seja verdade é o verdadeiro”. Desta forma, considero que reduzir o problema da extrema-direita no Brasil a um suposto poder mítico das redes sociais é um engano analítico.

Depois de ter travado diversas conversas com apoiadores de Jair Bolsonaro após o último domingo, pude observar que reduzir a raíz das bizarrices que testemunhamos a um seguidismo em torno da figura do presidente é errado. Pelo que pude notar, como outros já o fizeram, Bolsonaro é apenas uma espécie de totem para onde se voltam adeptos de pensamentos que misturam a crença nos valores neoliberais com a defesa do uso da força para impor um mundo desprovido de qualquer tipo de solidariedade.  Aliás, se alguma  engenhosidade existe em Jair Bolsonaro e seu entorno é justamente entender que a extrema-direita é uma espécie de riacho de onde se pode tirar água para beber, mesmo sob pena de ser sacrificado assim que se perde a importância ou uso imediato.

Em outras palavras, o que estamos vendo nessas cenas bizarras é a expressão mais pura do que se convenciona chamar de uma extrema-direita de viés neoliberal. Para esses adeptos da extrema-direita, ao menos pelo que pude notar, não importa se tem gente passando ou se os salários são de fome, pois os culpados são os pobres e sua indisposição de trabalhar, mesmo em um país em que inexistem postos de trabalho para serem ocupados. Por mais que possa ser chocante, é preciso entender que quase quatro décadas de políticas neoliberais fortaleceram um segmento da população que despreza qualquer tipo de solidariedade social, e aposta na imposição autoritária de sua visão de sociedade.

Por tudo o que escrevi até aqui, penso que é muito ingênuo achar que há algum tipo de apaziguamento a ser feito com essa parte da população brasileira, já que seus membros não estão querendo se apaziguar ou serem apaziguados.  E quanto mais rápido se cortar as vias que alimentam o engrossamento do número de pessoas dispostas a abraçar uma visão distópica de sociedade, melhor serão as chances de se colocar a extrema-direita para fora da cena política e da vida social.

O descaramento de reclamar de perder uma eleição roubada sob a ótica de Darcy Ribeiro

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No dia de ontem algumas centenas de apoiadores de Jair Bolsonaro foram às ruas pedir, na prática, a intervenção das forças armadas para corrigir um erro curioso que foi a derrota de seu candidato em uma eleição que ele controlou com mão de ferro, além de ter distribuído bilhões de reais com o objetivo explícito de garantir a sua própria vitória.

Em preparação para uma palestra sobre Darcy Ribeiro que talvez nem ocorra, pude visitar alguns dos elementos teóricos que deram suporte às principais obras do criador, entre outras, da Universidade Estadual do Norte Fluminense.  Se estivesse vivo, Darcy certamente reagiria com um misto de alegria e tristeza sobre um mesmo aspecto: a correção de suas análises sobre a natureza da formação e evolução do que chamamos de “povo brasileiro”.

Darcy, como poucos, entendeu a natureza persistente da herança escravocrata que embala parte da nossa população que até hoje permanece inconformada com o fim da escravidão negra que perdurou no Brasil por mais de quatro séculos. É esse sentimento de inconformismo, e que coloca essas pessoas para protestar em frente de quartéis e clamar para que os militares, mais uma vez com já fizeram tantas na história da república brasileira, intervenham para abafar a vontade da maioria.

Há quem diga que todos esses traços que misturam autoritarismo, misoginia, racismo e aporofobia são obra recente de uma extrema-direita empoderada pelas redes sociais.  Se olharmos para o que Darcy Ribeiro já escreveu, veremos que esses traços são persistentes e que explicitam a forma pela qual o Brasil foi constituído.

A pergunta que alguns podem se fazer é se estamos condenados a vivermos como um país que não consegue ultrapassar o seu passado escravagista. Novamente olhando para a receita oferecida por Darcy Ribeiro, veremos que existe esperança sim, mas ela não está na classe média iletrada e feliz em se manter em uma estrutura construída sobre a desgraça alheia. A esperança para Darcy Ribeiro sempre esteve justamente naquele segmento do povo brasileiro que resistiu a séculos de opressão para nos dar o que temos de melhor.

Quanto aos perdedores incomodados, para esses não há esperança, restando trabalhar para que eles aceitem a democracia e a vontade da maioria. Não será fácil, pois se há algo que esses indivíduos desgostam com gosto é viver em uma sociedade democrática.

Sérgio Moro voltou à cena do crime para mostrar o que sempre foi, um personagem obscuro da extrema-direita

Até o debate presidencial de ontem havia ainda gente que preferia se enganar com o real papel cumprido na cena política brasileira pelo ex-juiz federal Sérgio Moro e senador eleito pelo União Brasil pelo estado do Paraná.  Segundo a imagem construída pela mídia corporativa, Sérgio Moro era uma espécie de paladino contra a corrupção e os desvios da classe política brasileira.

moro bolsoA la Padre Kelmon, o ex-juiz Sérgio Moro cumpre o papel de papagaio de pirata de Jair Bolsonaro ao final do debate presidencial de ontem

Ao aparecer ao lado de Jair Bolsonaro após cumprir o papel de conselheiro na condução do debate, Sérgio Moro rasgou a fantasia de paladino contra a corrupção, e se deixou mostrar pelo que realmente é, um personagem sombrio da extrema-direita brasileira para quem corrupção é apenas uma bandeira de ocasião, pois esta ainda comove os segmentos mais reacionários da população brasileira, ou ainda aquelas pessoas desinformadas que caem numa conversa mole que já elegeu muito direitista corrupto ao longo da história da república brasileira.

A tirada de máscara foi tão óbvia que até um apoiador renhido da Lava Jato, Merval Pereira, teve de reconhecer que a ida de Sérgio Moro serviu para acabar com qualquer dúvida sobre sua parcialidade no tratamento das questões judiciais envolvendo o ex-presidente Lula. Como ouvi Merval reconhecendo isso ao vivo, pude ver como as palavras saiam de sua boca como se ele quisesse prendê-las na boca (ver vídeo abaixo). 

A verdade é que a ida de Sérgio Moro ao debate coloca por terra até a justificativa para sua saída do governo Bolsonaro que se deu sob a denúncia de que Jair Bolsonaro estava exercendo pressões para impedir o trabalho independente da Polícia Federal. Ainda que verdadeira a denúncia, o que se vê agora é que a saída de Moro provavelmente se deu por diferenças de interesses que nada tiveram com o alegado oficialmente (ver vídeo abaixo onde Moro não responde a uma questão direta sobre a questão da interferência de Bolsonaro na Polícia Federal).

Para quem ainda se enganava com Sérgio Moro de forma sincera, espero que essa “volta à cena do crime” sirva para que toda ilusão cesse. É que depois dessa, quem ainda cair na conversa fiada de Sérgio Moro não é vítima, mas cúmplice do crime.

Extremistas de direita formam uma rede influente nos EUA, revela livro de autora alemã

Annika Brockschmidt analisa detalhadamente os evangélicos nos EUA e seu papel político em seu livro “America’s Warrior of God”

capitol invasiomUm homem declama passagens da Bíblia durante a tempestade no Capitólio, na capital dos Estados Unidos, em 6 de janeiro de 2021. Foto: imago images / Joel Marklund

Por Isabella A. Caldart para o Neues Deutschland

Quando um conglomerado de extremistas de direita, fãs de Donald Trump, cristãos de direita e crentes na conspiração (a maioria deles estavam todos juntos) invadiu o Capitólio em Washington, DC em 6 de janeiro de 2021, políticos e jornalistas de todo o mundo expressaram sua grande surpresa para a multidão furiosa. Os especialistas, no entanto, não ficaram muito surpresos; eles há muito alertavam sobre um evento como esse, pelo menos desde a vitória de Joe Biden nas eleições em novembro de 2020 ou o fracasso em reconhecer a vitória de muitos republicanos.

 também não se surpreendeu. Até agora, Brockschmidt é conhecida principalmente no Twitter; Quase 50.000 pessoas a seguem sob o apelido de @ardenthistorian, que apreciam seus tópicos detalhados com análises políticas, especialmente na Alemanha e nos EUA. Agora, a jornalista freelance, que recentemente foi eleita na lista “Top 30 under 30” da “Medium Magazine”, publicou um livro complexo chamado “America’s Warrior of God” sobre “Como os direitos religiosos ameaçam a democracia”, disse Subtitle. Nele, Brockschmidt disseca o nacionalismo cristão e seu casamento com o Partido Republicano.

Conhecimento básico necessário

Antes de mais nada, é preciso dizer: este livro não é para leitores que têm pouca ideia sobre os Estados Unidos. Se nomes como Steve Bannon, Nancy Pelosi, Sarah Palin ou Mitch McConnell não significam nada, se você não tem uma ideia aproximada de como a Suprema Corte funciona, o que a estação de televisão Fox News representa ou qual a abreviatura GOP significa que você rapidamente se perderá aqui. “America’s Warrior of God” não é uma literatura introdutória à política e à sociedade americanas, mas um livro que vai em profundidade, como de outra forma só as obras em inglês o fazem.

Reconhecidamente, é fácil perder de vista os muitos nomes de pessoas e redes, os muitos fatos. É como um milagre que Brockschmidt não o faça (há uma lista de 60 páginas de fontes e referências no apêndice). Mas no final, não importa se você não se lembra de todos os detalhes, porque a declaração abrangente do livro é importante: Evangélicos brancos e organizações religiosas e políticas de direita estão incrivelmente bem conectados – e sua influência vai muito mais longe do que mais suspeito.

Derrotas como parte do plano

Em »America’s Divine Warriors«, Annika Brockschmidt esclarece muitos mitos e surpreenderá alguns leitores no processo. Você sabia que não foi até a década de 1970 que os republicanos se transformaram nos militantes antiaborto que conhecemos hoje? Porque estava claro para o partido que não iria mobilizar as grandes massas com sua questão real, a luta contra a segregação, ele buscava outra. “Não foi a liberalização do aborto, mas a abolição da segregação que foi o principal motor da reforma da direita religiosa”, diz o autor. E esse driver puxa: »Uma coisa não mudou desde os anos de fundação da nova direita religiosa na década de 1970:

Este grupo radical atingiu o auge naturalmente com a eleição de Trump como presidente. Pode ser surpreendente que ele tenha recebido tanto apoio dos evangélicos, de todas as pessoas, embora ele não seja uma pessoa particularmente religiosa e presumivelmente nunca tenha lido a Bíblia pela qual os evangélicos brancos juram isso. Mas se você der uma olhada mais de perto, reconhece os paralelos na visão de mundo dos cristãos radicais e capitalistas, como explica Brockschmidt: »[Em] grandes partes do evangelismo conservador, desvantagens estruturais baseadas na origem, cor da pele ou origem social são negadas porque sua existência vai contra os pressupostos básicos de fé. Mais uma vez, a combinação de capitalismo, economia de mercado livre, individualismo e privilégio branco desempenha um papel central. «As estruturas patriarcais também são de grande importância: Na família nuclear heterossexual, o homem é o cabeça, na fé cristã Deus – alguns constroem por motivos religiosos, o ideal papai-mãe-filho, outros sabem que a divisão exata do trabalho é boa para a estabilidade econômica.

Preparação para as eleições intermediárias

Mas é claro que o “Guerreiro de Deus da América” ​​não é apenas sobre Trump, afinal, toda a história dos Estados Unidos é racista e religiosa. Brockschmidt rola a história especialmente a partir do século 20, explica muitas origens, várias atitudes cristãs radicais e o significado dos filmes radicais cristãos e “televangelistas” como os pregadores da televisão, também explica a influência da mídia correspondente e o perigo do sistema de ensino doméstico Teorias da conspiração até a pandemia de corona – e, finalmente, a tempestade no Capitólio. E nos lembra: Mesmo que talvez tenha havido um revés temporário com a eleição de Joe Biden, muitos dos evangélicos pensam em décadas, até mesmo em séculos. “As derrotas fazem parte do plano, são vistas como passos necessários no caminho para a meta.” Uma meta que diz para abolir a separação entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa pouco a pouco.

O livro de Annika Brockschmidt não é otimista. Ela não pinta o diabo na parede, mas explica sobriamente quais são os efeitos das redes da direita religiosa e, acima de tudo, os últimos anos Trump e a recusa de muitos republicanos em reconhecer sua derrota eleitoral para as eleições de meio de mandato em novembro de 2022 e para as presidenciais eleições em 2024 para as quais a população dos EUA já está se preparando lentamente. É precisamente por isso que é tão importante ler “Guerreiros de Deus da América”. Não podemos dizer que não fomos avisados.

Annika Brockschmidt – America’s Divine Warriors, Rowohlt Polaris, 416 páginas, brochura, 16 euros.

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Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Quem ainda se surpreende com a existência de pessoas de extrema-direita nunca estudou a história brasileira

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Uma das consequências mais comuns do pós atos pró-governo Bolsonaro é o uso das redes sociais e grupos de Whatsapp para as pessoas demonstrarem sua indignação e estupefação (sentimento mais frequente) em relação À existência de um segmento pequeno, mas não desprezível, da população brasileira que abraça o ideário de extrema-direita do presidente da república e sua entourage familiar.

Aos que sejam possuídos pelo sentimento de estupefação, sugiro respeitosamente que comecem a ler livros sobre a formação histórica do Brasil, a partir dos olhares de Caio Prado Junior, Nelson Werneck Sodré e Florestan Fernandes. É que se não entendermos minimamente como se deu a evolução da formação política do Brasil, continuaremos sendo surpreendidos sem nenhuma razão pelos atos bolsonaristas.

O fato inescapável é que a história brasileira é assentada sobre o uso da violência extrema por uma minoria privilegiada contra a maioria, inicialmente os povos originários e depois os africanos escravizados. Além disso,  ao longo de 521 anos de história, nunca houve uma ruptura com os alicerces da sociedade escravocrata que deu origem ao Brasil independente.

Por fim, eu insisto que não há motivo para surpresa, mas seguiremos sendo surpresos se ignorarmos os elementos estruturais que explicam a existência dessa minoria que se caracteriza pelo desprezo completo pela construção de uma sociedade menos desigual e menos injusta. E, me perdoem os que veem nele uma espécie de candidato a “Führer” brasileiro, mas Jair Bolsonaro é apenas a face da hora dos membros de uma extrema-direita que possui completa ojeriza à maioria do povo brasileiro.

Editorial do “The Guardian” afirma que Jair Bolsonaro é uma ameaça para o Brasil e para o mundo

O presidente de extrema direita do Brasil deu rédeas soltas à COVID-19 e à destruição da Amazônia. Agora parece que ele planeja se apegar a tudo o que os eleitores disserem

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“É possível que, inspirado por Donald Trump, o Sr. Bolsonaro pense em se agarrar ao poder pelo uso da força? Não. É provável. ‘ Fotografia: Joédson Alves / EPA

Editorial do “The Guardian”

A perspectiva de o extremista de direita Jair Bolsonaro se tornar presidente do Brasil sempre foi assustadora . Era um homem com histórico de denegrir mulheres, gays e minorias, que elogiava o autoritarismo e a tortura. O pesadelo se revelou ainda pior na realidade. Ele não apenas usou uma lei de segurança nacional da época da ditadura para perseguir os críticos e supervisionou o maior aumento do desmatamento na Amazônia em 12 anos , mas também permitiu que o coronavírus se alastrasse sem controle, atacando as restrições de movimento, máscaras e vacinas. Mais de 60.000 brasileiros morreram apenas em março. “Bolsonaro conseguiu transformar o Brasil em um gigantesco buraco do inferno”, tuitou o ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper. recentemente. A disseminação da variante P1 mais contagiosa está colocando em perigo outros países .

Com uma pesquisa na semana passada mostrando 59% dos eleitores o rejeitando , Bolsonaro parece estar se preparando para um resultado desfavorável nas eleições do próximo ano. Na semana passada, ele demitiu o ministro da Defesa , um general aposentado e amigo de longa data que, no entanto, parece ter criticado as tentativas de Bolsonaro de usar as forças armadas como ferramenta política pessoal. Os comandantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea também foram demitidos – supostamente quando estavam prestes a renunciar.

O gatilho imediato para as demissões foi o retorno bombástico do ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, no mês passado, depois que um juiz anulou suas condenações criminais – abrindo a porta para ele concorrer novamente no ano que vem. Os ataques injuriosos de Lula ao presidente são amplamente vistos como o prenúncio de uma nova candidatura ao poder de um político carismático que continua muito popular em alguns setores.

É possível que, inspirado por Donald Trump, o Sr. Bolsonaro pense em se agarrar ao poder pelo uso da força? Não. É provável. As Forças Armadas já anularam a vontade do povo: o Brasil foi uma ditadura militar de 1964 a 1985. Quando a multidão invadiu o Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro, seu filho se opôs não ao ataque, mas à ineficiência: “Foi um movimento desorganizado . É uma pena ”, disse Eduardo Bolsonaro . “Se eles tivessem sido organizados, os invasores teriam se apoderado do Capitólio e feito demandas pré-estabelecidas. Eles teriam poder de fogo suficiente para garantir que nenhum deles morresse e para poder matar todos os policiais ou os congressistas que eles tanto desprezam ”.

Embora a saída dos chefes das forças armadas possa sugerir resistência a um plano de golpe, também permite ao presidente instalar aqueles que ele julga mais obedientes; os oficiais mais jovens sempre foram mais entusiasmados com Bolsonaro. Os políticos da oposição pressionam pelo impeachment , com um aviso: “Há uma tentativa aqui do presidente de organizar um golpe – e isto já está em andamento”.

Existe algum motivo para esperança. Ataques violentos do presidente e seus comparsas não conseguiram conter um ambiente vibrante de mídia, intimidar os tribunais ou silenciar os críticos da sociedade civil. Seu tratamento desastroso da COVID-19 parece estar causando dúvidas entre a elite econômica que anteriormente o abraçava. Algumas partes dos militares aparentemente compartilham desse mal-estar. A possibilidade do retorno de Lula é suficiente para concentrar mentes da direita em encontrar um candidato alternativo, menos extremista do que Bolsonaro. Pode ser irritante ver aqueles que ajudaram sua ascensão se posicionarem como os guardiões da democracia, ao invés de seus próprios interesses. Mas sua saída seria bem-vinda, pelo bem do Brasil e do planeta.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].