Caminhoneiros fazem paralisação no Porto de Santos

Entre as reivindicações, está a redução do ICMS sobre o diesel

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Por Adamo Bazani

Caminhoneiros realizam uma paralisação no Porto de Santos desde zero hora desta segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020.

O ato ocorre mesmo com um liminar da Justiça proibindo o fechamento dos terminais portuários.

O juiz federal Roberto da Silva Oliveira determinou multa de R$ 200 mil por dia ao Sindicam (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos).

Entre as reivindicações da categoria, está a redução do ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços do óleo diesel.

A paralisação é parcial e por 24 horas.

Alguns veículos estão acessando o Porto, mas o grupo em paralisação tenta convencer os outros caminhoneiros.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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O texto desta postagem foi inicialmente publicado pelo “Diário do Transporte” [Aqui!] .

Afinal uma boa notícia: Pedro Parente, o tucano, caiu

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Em meio às consequências trazidas pela greve dos caminhoneiros, a mais positiva foi a disseminação do conhecimento sobre a política de preços estabelecida pelo tucano Pedro Parente para os combustíveis vendidos no Brasil para, por um lado, prejudicar a produção nacional e, por outro, favorecer os vendedores estadunidenses que fizeram a festa desde 2016.

Agora, temos provavelmente a melhor notícia que se teve após o encerramento do movimento paredista dos caminhoneiros que foi o pedido de demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras [1]. É que Parente não é bobo, saiu antes que fosse mandado embora. 

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Com a queda de Pedro Parente haverá um inevitável atraso no processo de desmanche que ele está realizando com vistas à privatização total da Petrobras, processo esse que está facilitando a transformação do Brasil numa espécie de neocolonia das grandes petroleiras, especialmente as estadunidenses.

Mas a queda de Pedro Parente não é suficiente para reverter todo o estrago que ele já causou. Agora é obrigatório cobrar do governo “de facto” de Michel Temer que paralise a criminosa venda de ativos e que seja retomada uma política de preços que priorize os interesses nacionais e não os dos especuladores financeiros que operam nas bolsas internacionais.

Ainda é obrigatório que se cobre a realização de uma apuração rigorosa dos negócios feitos por Parente Parente com empresas e instituições financeiras com as quais ele possui vinculos diretos ou indiretos. Há quem diga que se esses negócios forem bem apurados, teremos um escândalo maior do que o da Lava Jato. Resta saber se vai haver disposição para apurar.


[1] https://www.brasil247.com/pt/247/poder/356963/Cai-Pedro-Parente-o-cora%C3%A7%C3%A3o-do-golpe.htm

Governo Temer corte R$ 3,4 bilhões de programas sociais para bancar acordo com caminhoneiros

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A greve nacional dos caminhoneiros ofereceu uma possibilidade de ouro ao governo “de facto” de Michel Temer para realizar uma série de ataques às políticas sociais em diversas áreas ao jogar no colo dos brasileiros, especialmente os mais pobres, o custo da redução no preço do diesel,  coma realização de cortes estimados em R$ 3,4 bilhões em áreas mais do que estratégicas como saúde, educação e SUS [1]. 

Pela ordem, os cortes realizados por Temer e seu equipe vão implicar em 1) menos dinheiro para políticas à juventude; 2) menos dinheiro às políticas de violência contra mulheres; 3) menos dinheiro nas políticas associadas às drogas e  4) menos dinheiro para o sistema único de saúde (SUS). 

De quebra, o acordo celebrado com os caminhoneiros vai garantir a política de aumento nos preços da gasolina que o tucano Pedro Parente vem realizando para turbinar os ganhos dos acionistas da Petrobras, especialmente aqueles que estão operando nas bolsas internacionais como a de Nova York, por exemplo.

Assim, ainda que os caminhoneiros estivessem no seu mais justo direito de cobrar mudanças para melhorar sua renda em meio a um tipo de trabalho extremamente desgastante como é o do transporte rodoviário, o custo final de sua vitória está sendo colocado, até de forma fácil, pelo governo Temer nas costas de quem vem sendo rapidamente recolocado abaixo da linha da miséria.

Enquanto isso fica intacta a política de preços criada por Pedro Parente e que vai continuar causando aumentos quase diários no preço da gasolina, enquanto viabiliza o avanço do processo de desmanche e privatização da Petrobras.

Mas a culpa disso para mim não é dos caminhoneiros. Os culpados pela forma tranquila que o presidente mais impopular da história da república brasileira vem operando contra a população é dos partidos políticos da esquerda institucional, centrais sindicais e movimentos sociais que não agem para mobilizar a população para cobrar a imediata derrubada derrubada de Michel Temer e seu governo anti-nacional e anti-popular.  Essas forças políticas têm preferido se eximir de suas responsabilidades, desmobilizando suas bases e contribuindo para esse gigantesco ataque aos mais pobres. Simples assim!


[1] https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/31/politica/1527790717_851019.html

 

 

Greve dos caminhoneiros cortou 50% da poluição atmosférica em São Paulo

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Hoje o Direto da Ciência do competente jornalista Maurício Tuffani traz uma informação para lá de interessante: a greve dos caminhoneiros serviu para cortar em 50% os níveis de poluição atmosférica na cidade de São Paulo [1]

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Esse é um outro aspecto que, querendo ou não, os caminhoneiros acabaram expondo com seu exitoso movimento paredista. É que apesar de se saber que o material particulado e gases expelidos pela queima do diesel impactam a qualidade do ar, o que estamos vendo agora são medidas objetivas de quanto este impacto se trata, e ele é considerável.

O que fica claro é que a diminuição da importância do transporte rodoviária não será bom apenas para a diminuição do peso dos combustíveis fósseis na matriz energética brasileira.  É que com menos consumo de combustíveis fósseis ainda teremos um ganho significativo na qualidade do ar das nossas cidades e, por extensão, na saúde dos seus habitantes.

Lamentavelmente os últimos dias em que vimos inúmeros casos de violência entre consumidores em postos de gasolina são uma demonstração de que o Brasil ainda terá que evoluir muito até que possamos ter o grau de consciência que já existe em nações mais desenvolvidas e que, coincidentemente, estão diminuindo o seu consumo de combustíveis fósseis e os substituindo por matrizes energéticas mais limpas e menos impactantes sobre o clima da Terra, dos ecossistemas naturais e seres humanos que deles dependem para sua sobrevivência.


[1] http://www.diretodaciencia.com/2018/05/30/boletim-de-noticias-greve-de-caminhoes-reduziu-poluicao-a-metade-em-sao-paulo/

Por causa dos caminhoneiros, governo Temer está balançando no ar

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A capitulação do governo “de facto” de Michel Temer frente às demandas iniciais dos caminhoneiros ainda não conseguiu que o movimento se desmobilize neste início de segunda-feira (28/05).  Parte dessa morosidade decorre do fato que a greve dos caminhoneiros está sendo claramente tolerada pelos órgãos de repressão que não mostram nem um décimo do apetite que normalmente utilizam para reprimir greves de professores.

Mas há outro fator que pode estar causando a demora dos caminhoneiros em voltar para a estrada: eles se encantaram com o alcance popular de seu movimento e resolveram ampliar sua pauta de reivindicações, incluindo aí a diminuição dos preços do álcool e da gasolina.  Se isto for verdade e não apenas um soluço de solidariedade por poucos membros de uma categoria que normalmente só cuida dos seus próprios interesses, a situação política do governo Temer poderá piorar ainda mais, coisa que parece impossível neste momento. Mas o fundo do poço de Temer parece estar sempre se reinventando.

Também será interessante observar se o arremedo de greve que está sendo anunciada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) vai mesmo decolar. Se isto acontecer realmente, teremos uma boa oportunidade para verificar a reação do governo Temer e das forças de repressão. É que não tem jeito: ou o movimento dos petroleiros é tratado de forma completamente oposta à dada ao dos caminhoneiros ou o que resta de governabilidade pelas mãos de Michel Temer vai se dissolver completamente, e teremos um novo nível inferior para o fundo do poço de Temer, com repercussões imprevisíveis para o frágil equilíbrio político que ainda existe no Brasil. 

Em outras palavras, a minha hipótese é de que se houver sequer um resquício de greve por parte dos petroleiros, a repressão será forte e implacável. É que se isto não acontecer, o risco é de que haja uma propagação de greves, a despeito da má vontade (para não dizer atos de sabotagem) das principais centrais sindicais, tal como a CUT e a CGT.

Por essas e outras é que o governo Temer está definitivamente balançando no ar. Resta saber se alguém (ou quem) vai resolver dar o empurrão final.

Os patos estão se manifestando sem a camisa da CBF. Mas apesar disso continuam sendo patos

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Tenho assistido via redes sociais dezenas de manifestações pelo Brasil afora onde, aproveitando a greve dos caminhoneiros, saudosistas do regime militar de 1964 estão voltando a pedir a intervenção dos militares para que se inicie um novo regime de exceção.

Um detalhe é que nessas manifestações não mais é possível ver a predominância da camisa da CBF como elemento dominante no vestuário. Houve manifestação onde se tolerou até pessoas trajando camisas de cor vermelho, algo que seria impensável nas manifestações que deram sustentação ao golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff.

Esse detalhe não me parece fortuito, pois já está claro que a camisa da CBF já foi claramente identificada como um vestuário de “patos”. Mas os patos que não se enganem, isso não vai nem mudar a natureza deles ou, tampouco, quebrar a associação estabelecida entre eles e a camisa da CBF. Afinal, patos são patos, independente da cor da camisa que estejam usando. Simples assim!

 

Greve dos caminhoneiros, ferrovias e reforma agrária: o futuro do Brasil na balança

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Enquanto a greve (ou seria locaute?) dos caminhoneiros continua paralisando as cidades brasileiras, várias questões relevantes estão sendo postas para que nos debrucemos sobre o necessário debate de que futuro realmente queremos para o Brasil e a maioria do seu povo.

Uma dessas questões se refere ao tamanho da malha ferroviária de um país com dimensões continentais que optou por depender do transporte rodoviário para mobilizar pessoas e produtos.  Ainda que seja de conhecimento amplo o fato de que o transporte por trens é ridiculamente pequeno no Brasil, o ridículo da nossa situação só fica mais claro quando comparamos a nossa malha ferroviária com países de dimensões territoriais próximas das nossas, como é o caso dos EUA, Rússia, China, Índia e Canadá (ver figura abaixo).

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Pelos dados acima, o Brasil fica muito aquém da malha ferroviária da maioria desses países, mas a comparação com os EUA e a China revela de forma mais dramático o nosso atraso nessa área. E, pior, quando consideramos a relação entre extensão territorial da malha ferroviária e a dos países, vemos que o Brasil possui de longe a pior proporção. Assim, enquanto nos EUA, a proporção é de 43.4 , no caso brasileiro é de estrondosos 285.6, significando que nossa malha é quase 7 vezes menor.  Isto sem falar que quando comparamos com a ferroviária argentina, a nossa consegue ser menor.

Mas que ninguém se engane, a opção por impedir o florescimento da nossa malha ferroviária é apenas uma faceta da opção por continuamente favorecer os interesses das montadoras de caminhões que foram as reais ganhadoras da opção feita por seguidos governos pelo transporte rodoviária, incluindo o período do regime militar do qual tantos caminhoneiros em greve se mostram saudosos.

Outra questão que está sendo colocada na berlinda é a questão da dependência dos brasileiros de áreas de produção de alimentos que estão longe das principais concentrações populacionais.  Basta ir a qualquer supermercado ou hortifruti para notar o rápido esvaziamento das gondolas cujo preenchimento é fortemente dependente do transporte rodoviário.  Essa situação nos leva inevitavelmente a uma discussão sobre a necessidade da realização de uma ampla reforma agrária que esteja centrada na produção de alimentos.  

Apenas à guisa de exemplo, hoje fui ao mercado municipal de Campos dos Goytacazes realizar um exercício duplo composto pro dois movimentos: o primeiro foi tentar adquirir legumes e frutas que hoje inexistem em outros locais, enquanto que o segundo se tratou de verificar a origem do que estaria sendo vendido.

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Apesar do oferecimento aquém do normal, não tive dificuldade de comprar o que desejava, ainda que a preços mais salgados. Além disso, para nenhuma surpresa minha, verifiquei que os produtos que comprei haviam sido buscados no entorno da área urbana de Campos dos Goytacazes, onde existem diversos assentamentos de reforma agrária. E a oferta seria maior se houvesse por, exemplo, um plano municipal de apoio à produção dentro destes assentamentos, coisa que sequer foi ventilada por diferentes administrações que ocuparam a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes desde o início da instalação do Assentamento Zumbi dos Palmares em 1997. 

O fato é que sem ter a pretensão de exaurir o debate sobre as amplas ramificações do que está sendo desvelado pela greve dos caminhoneiros, me parece que se unirmos o problema da malha ferroviária diminuta com a não realização de uma ampla reforma agrária, veremos que temos diante de nós uma grande oportunidade para abrir o debate sobre o tipo de modelo de desenvolvimento que queremos para o Brasil. E é por isso que eu já disse e repito: os caminhoneiros atiraram no que viram, e acertaram no que não viram.

Greve dos caminhoneiros evidencia a face frágil do capitalismo flexível

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A atual greve (parece que agora realmente virou greve e não locaute) dos caminhoneiros é o sonho de todo professor que, como eu, precisa ensinar as principais características do capitalismo flexível. É que nela estão concentradas várias facetas que cotidianamente enfrentamos e não nos damos conta.

Como ensino anualmente, o chamado capitalismo flexível tem como um dos seus pilares básicos, o sistema “just in time” (literalmente no tempo certo) é uma forma de administração da produção que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa para um consumidor já definido e que está disposto a pagar pelo produto antes de o mesmo sequer ter iniciada a sua montagem [1].

A ideia do “just in time” é combinar uma redução no processo de desperdício com a diminuição da quantidade estocada e, teoricamente, numa melhoria da qualidade no sistema de produção. Além disso, para isso dar certo, há uma precarização dos trabalhadores que são transformados em “colaboradores” das empresas onde passam a cumprir múltiplas tarefas por salários normalmente achatados pela falta da proteção de sindicatos que defendam seus direitos.

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Pois bem, para poder entender para a situação criada por menos de uma semana de greve dos caminhoneiros onde falta quase tudo em termos de produtos básicos, a começar por combustíveis e gêneros alimentícios, será forçoso não apenas incluir o “just in time”, como também a precarização dos trabalhadores, no caso os caminhoneiros e seus ajudantes. 

Um exemplo prático que posso dar é que fui num posto de gasolina em Campos dos Goytacazes e comprei a quantidade exata de combustível que desejava e com aquele ritmo manso de que nada está  acontecendo. Já na 5a. feira de manhã ao sair para trabalhar, dei de cara com filas enormes em todos os postos de gasolina que encontrei pelo caminho.  Atribuo isso aos estoques reduzidos com os quais os donos desses estabelecimentos funcionam, de forma a minimizar o montante de capital empatado no produto que estão vendendo. Mas como quase todos os empresários funcionam ajustados ao “just in time”, o que se viu foi uma clássica sequência de quedas de dominós, onde o primeiro (no caso os postos de gasolina) começou a arrastar todos os demais.

O interessante aqui é notar que se essa lição sobre o verdadeiro calcanhar de Aquiles que a produção flexível, a partir do “just in time“, representa para capitalistas e seus representantes no aparelho de estado, for assimilada por trabalhadores do setor de transportes é bem possível que brevemente tenhamos uma verdadeira greve geral no Brasil. 

É que diante de um governo fraco e incapaz de atender as necessidades mínimas da maioria da população brasileira, é muito provável que outros movimentos venham a eclodir. E aí nem com tropa armadas será possível segurar o processo de contestação que hoje está localizado nos caminhoneiros.


[1] https://www.ibccoaching.com.br/portal/descubra-as-vantagens-e-desvantagens-do-just-in-time/

Os caminhoneiros e sua greve tolerada: atiraram no que se viram, mas acertaram no que não viram

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A estas alturas do campeonato, a greve dos caminhoneiros já parece ter servido aos propósitos que levaram milhares de trabalhadores rodoviários e seus patrões a colocarem o governo “de facto” de Michel Temer de joelhos. É que graça ao bloqueio de rodovias, o governo Temer já agiu para conceder R$ 5 bilhões em isenções fiscais que aliviam um pouco o fardo de quem mobiliza praticamente toda a produção nacional.

Eu diria que essa é parte visível do que os caminhoneiros acertaram, e esta não é principal coisa revelada por esta, digamos, greve. É que repentinamente todos os brasileiros se tornaram cientes de que o Brasil hoje regula os preços dos combustíveis a partir das leis de mercado que são estabelecidas pelas grandes petroleiras cujos escritórios estão alojados mormente nos países ricos. 

Aliás, com essa greve (ou seria lock out?), não teremos mais que fazer muito esforço (ou talvez tenhamos, sei lá) que explicar para aqueles milhões de esperançosos na capacidade de auto-regulação do mercado (a tal mão invisível) que isso é uma besteira completa e que só difundida para obscurecer o fato de que os donos do capital são quem controlam a economia e não uma entidade sobrenatural que teria a capacidade de fazer tudo se ajustar, de modo a que o sistema funcione da melhor maneira possível. Não, meus amigos leitores, enquanto vivermos no sistema capitalista, quem manda mesmo no mercado são os que possuem grandes quantidades de capital, e ponto final.

Outra grande descoberta para a maioria dos brasileiros é que, graças à política de desmanche da Petrobras imposta pelo tucano Pedro Parente, a produção de combustíveis derivados do petróleo teve uma forte diminuição em 2017 (ver figura abaixo).

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Desta forma, o Brasil está fortemente dependente da importação de gasolina, especialmente dos EUA, aquele país para onde o juiz federal Sérgio Moro tanto adora viajar (ver gráfico abaixo).

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Assim, a única forma de termos uma saída sustentada dessa armadilha criada pela gestão de Pedro Parente na Petrobras seria modificar radicalmente não a política de preços como tem sido aventada, mas retomar a lógica da diminuição da dependência que o Brasil possui em relação à importação de combustíveis, apesar de estar se tornando rapidamente, graças ao petróleo da camada Pré-Sal, um dos pesos pesados da produção de petróleo no mundo.

E é aí que o mora o principal problema e que deverá passar a dominar os debates presidenciais: qual dos candidatos que já se apresentaram vai se comprometer a reverter o processo de desnacionalização do refino do petróleo no Brasil, que tem sido a tônica da ação de Pedro Parente na ainda estatal Petrobras? Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia, João Amoedo, Marina Silva, Ciro Gomes, Manuela D´Ávila, Guilherme Boulos ou, quem sabe, Lula? É que sem um presidente ou presidenta comprometida com o fim da dependência em termos de importação de combustíveis, o que estamos tendo agora é só uma pequena demonstração do que vai acontecer nos próximos anos e décadas: um país rico em petróleo e transformado numa neocolônia dos países ricos. 

Ah, sim, não deixa de ser curioso o comportamento dos “patos” que inundaram nossas ruas, avenidas e postos de gasolina para protestar contra a corrupção na Petrobras e que surtavam  quando o combustível custava módicos, comparados aos preços atuais, R$ 2,80. É que no meio dessa confusão toda, o que mais se destaca não são os caminhões bloqueando as estradas brasileiras, mas o silêncio dos patos paneleiros.

Por essas e outras é que eu digo: os caminhoneiros atiraram no que viram e acertaram no que não viram. É que sem querer, com sua greve eles alteraram radicalmente o rumo dos debates presidenciais que ainda vão acontecer. Vamos ver como cada candidato apresenta sua visão para a Petrobras e, por extensão, para o preço dos combustíveis no Brasil. Vai ser interessante!