Operação “Carne Fraca” expõe os intestinos do comércio da carne no Brasil

Em 2008 realizei um trabalho de campo  onde percorri mais de 8.000 Km nos estados de Goiás e Mato Grosso onde visitei várias plantas de abate de gado bovino, bem como curtumes e até uma fábrica de “Dog Toys”. Com essa  experiência vi como operavam empresas como JBS, Marfrig, Minerva, Bertin, Margen, e outras menos conhecidas.  E o cenário não era nada animador, pois ficou claro que havia uma ligação entre a expansão da pecuária, o avanço da indústria da carne e o processo de desmatamento, principalmente na região conhecido como “Arco do Desmatamento” . Talvez por isso é que principalmente nas plantas do Grupo JBS a entrada da nossa equipe de pesquisa foi permitida apenas em Goiania, tendo sido proibidos de realizar coleta de dados em todas as demais plantas, distribuídas nos estados de Goiás, Mato Grosso e Rondônia.

Desde então, graças em parte aos generosos financiamentos do BNDES durante os governos do presidente Lula, o setor da carne alcançou no Brasil um nível de aglomeração que fez desaparecer várias marcas menores, as quais caíram nas mãos principalmente dos grupos  JBS e Marfrig. A JBS inclusive tornou-se a maior empresa de processamento de carne do planeta, comprando empresas na Argentina, EUA e Austrália.

Eis que agora, a Polícia Federal veio a público para anunciar a descoberta de um amplo esquema envolvendo funcionários públicos e grandes frigoríficos envolvidos na comercialização de produtos adulterados, ou em português claro, carne podre (ver figura explicativa do esquema abaixo).

carne 1

Ao longo desses anos, tivemos que assitir ao ator Tony Ramos atuando como menino propaganda da JBS cuja carne era apresentada como sendo produzida sendo os melhores padrões mundiais (Aqui!). Interessante notar que Tony Ramos já até se manifestou sobre a “Operação Carne Fraca” que foi desencadeada pela Polícia Federal no Paraná para apurar a venda de carne estragada e turbinada com produto potencialmente cancerígena  para ser vendida como se estivesse boa (Aqui!).  Segundo suas declarações, Tony Ramos está se declarando “surpreso” com as revelações trazidas à público pela Polícia Federal (Aqui!).

https://youtu.be/jZaZO9LO50o

Mas surpreso mesmo deve estar o dublê deputado federal e ministro da justiça do governo “de facto” de Michel Temer, o paranaense Osmar Serraglio. É que Serraglio foi flagrado numa escuta telefônica tratando de uma inspeção com o suposto chefe do esquema hoje desbaratado pela Polícia Federal,   o fiscal agropecuário e superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016 , Daniel Gonçalves Filho, apontado pela PF como sendo “o líder da organização criminosa” que relaxava a fiscalização dos frigoríficos em troca de propinas. apontado pela PF como sendo “o líder da organização criminosa” que relaxava a fiscalização dos frigoríficos em troca de propinas  (Aqui!).

E aí que a porca torce o rabo. É que a partir daí o enredo fica mais denso, já que, segundo a Polícia Federal essa esquema de corrupção era utilizada para abastercer as contas bancárias do PMDB e o PP.  Esse vínculo serve para colocar por terra toda a noção vendida de que a corrupção no Brasil é algo vinculado apenas a um partido (no caso o PT) e que se dava apenas na PETROBRAS.  Na prática o que se vê é novamente a participação de dois partidos que estão no controle do governo federal (PMDB e PP), e que já estavam nos governos de Lula e Dilma.

Ah, sim, não podemos nos esquecer também que o dublê de ministro da Fazenda e banqueiro, Henrique Meirelles, já presidiu de 2012 a 2016 o conselho de administração da J&F, holding de empresas que controla o frigorífico JBS, maior processador de carnes do mundo (Aqui!). Como a Polícia Federal alega que o esquema é antiga, como fica a situação de Henrique Meirelles? Vai ser convidado a depor sobre as atividades do JBS?

Por outro lado, me desculpem os que veem algum tipo de  atentado contra os interesses nacionais ao se apurar a corrupção no setor da carne no Brasil. É que grupos como a JBS e RBF possuem negócios em escala global, e não porque aparecer com elementos nacionalistas para impedir que se prenda quem estava vendendo carne estragada para aumentar ainda mais suas fantásticas taxas de lucro.

 

Alessandro Molon explica maiores ataques contidos na Reforma da Previdência da dupla Temer/Meirelles

 

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O deputado federal Alessandro Molon (Rede) é membro da comissão da Câmara Federal que deverá analisar e virtualmente aprovar a proposta de reforma da Previdência Social preparada pelo governo do presidente “de facto” Michel Temer e seu ministro da Fazenda e dublê de banqueiro Henrique Meirelles.

No vídeo abaixo Alessandro Molon explica de forma didátia os principais ataques contra os direitos dos trabalhadores que a proposta Temer/Meirelles traz. É importante assistir e disseminar esse vídeo, pois as perdas que estão inseridas nesta proposta draconiana são bastante profundas contra o conjunto da classe trabalhadora, mas especialmente contra as mulheres e trabalhadores rurais.

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Ato com participação expressiva reúne sindicatos e movimentos sociais no centro de Campos

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Acabo de retornar do ato convocado por sindicatos e movimentos sociais contra a reforma da previdência do governo “de facto” de Michel Temer, onde pude presenciar um nível de participação até surpreendente para o nível de preparação que marcou a realização desta atividade em Campos dos Goytacazes ( ver images abaixo).

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É interessante notar que ali estavam presentes representantes de sindicatos ligados a pelo menos 4 centrais sindicais (CSP Conlutas, CTB, CUT e Força Sindical), do MST e de várias outras organizações sociais. Esse tipo de ação unificada é rara em Campos dos Goytacazes, e certamente reflete o grau de oposição a que está sendo submetida a draconiana reforma da previdência com a qual o presidente “de facto” Michel Temer e seu ministro da fazenda/banqueiro Henrique Meirelles querem empurrar goela abaixo dos trabalhadores brasileiros.

Como também havia a presença de sindicatos ligados aos servidores estaduais, incluindo os dos docentes e servidores técnico-administrativos da Uenf, também ecoaram palavras de ordem contra o (des) governador Luiz Fernando Pezão.

Se o que ocorreu hoje no centro de Campos serve como algum tipo de parâmetro para os próximos meses, o governo “de facto” de Michel Temer vai enfrentar um período de duros enfrentamentos, onde as apurações da Lava Jato incrivelmente serão as menores das preocupações.

É que enquanto nos tribunais, a coisa vai continuar andando a passo de tartaruga com pata quebrada, o ritmo das ruas promete acelerar. A ver!

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(Des) governo Pezão contra a parede: liminar para antecipar empréstimo está na chuva

Diferentes veículos da mídia corporativa estão informando que um dos principais instrumentos do dito acordo feito entre o (des) governo Pezão e o governo “de facto” de Michel Temer está na iminência de dar com os burros n´água.´Falo aqui da antecipação de um empréstimo bancário para pagar as dívidas existentes com os servidores públicos, dando como contrapartida a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE).

O íncrivel é que todas as expectativas geradas para o (des) governador Pezão e dele para seus aliados acabam de ser fulminadas por representantes de instituições e órgãos do governo federal que certamente participaram das tratativas travadas em Brasília com o ministro/banqueiro Henrique Meirelles. É que em vez da prometida liminar no STF para adiantar o empréstimo que pagaria salários atrasados e distrairia os servidores do tamanho do confisco que estão para sofrer, o (dses) governo Pezão está novamente defrontado com a perspectiva de ter que privatizar a CEDAE para ver se depois consegue um empréstimo que agora parece inviável.

Diante desse cenário, não resta ao (des) governador vazar que se sente “decepecionado” e “traído” por seus interlocutores em Brasília. Mas, convenhamos, o que parece estar acontecendo diante do aparecimento de tantas evidências de malfeitos que ocorreram nos últimos anos nos gabinetes do Palácio Guanabara, há muita gente que não quer colocar suas assinaturas em documentos que depois poderão ser imensas fontes de dor de cabeça.

De toda maneira, ao não obter a tão sonhada liminar, o (des) governo Pezão e seus aliados na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a começar pelo seu eterno presidente, deputado Jorge Picciani (PMDB), devem já saber que a privatização da CEDAE que já era um pílula amarga, tornou-se mais difícil ainda de ser engolida.

Enquanto isso, o Espírito Santo está logo ali, como um longo espectro ameaçador, a nos lembrar a todos do que pode acontecer quando medidas neoliberais levam o funcionalismo estadual, especialmente os servidores da segurança, ao extremo de sua capacidade de tolerar o pisoteio de direitos trabalhistas.

E é bom que alguém ensine ao (des) governador Pezão aquela fundamental Lei de Murphy que diz “Nada estão ruim que não possa piorar”. A ver!

Para ler e analisar: termo assinado pelo (des) governo Pezão com Temer/Meirelles para privatizar e confiscar salários

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Acabo de receber o chamado “Termo de Compromisso” assinado pelo (des) governo Pezão com o presidente “de facto” Michel Temer para privatizar a CEDAE e confiscar os salários dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.

Como essa é uma matéria de interesse público,  estou disponibilizado o meso para os interessados em ler e analisar os diversos dispositivos para provocar um arrocho sem precedentes nos salários dos servidores estaduais e, de quebra, aumentar de forma abrupta o custo da população com os serviços de água nos municípios servidos pela CEDAE, estou disponibilizando o arquivo em sua integralidade.

Um fato interessante  a ser adiantado é que notei no conteúdo da Cláusula 10a. que o referido termo será dissolvido se uma das chamadas estruturais ou programáticas não for implementada, ou ainda uma das vedações previstas não for cumprida.  

Pois bem,  parece que este termo de compromisso é mais frágil do que se apresentava. Aliás, a ausência de uma data acima das 4 assinaturas apensadas ao documento já mostra bem isso (ver abaixo).

Aos interessados em acessar o arquivo, basta clicar Aqui!

Reinações de Pezão e Picciani: a privatização da CEDAE e o aumento da contribuição previdenciária são parte do ataque final contra o bem público

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Se um ser extraterrestre aterrissasse  no Rio de Janeiro neste momento certamente ficaria se perguntando como que um (des) governo tão marcado por pesadas acusações de improbidade, desvios de recursos públicos, e ações administrativas desastrosas poderia estar ainda no poder. E mais do que ainda estar no poder, este (des) governo poderia estar pretendendo privatizar a CEDAE, uma empresa estatal que produz lucros para o estado, e ainda aplicar uma tunga descarada nos salários dos servidores públicos.

Qualquer análise para explicar tal paradoxo tem que levar em conta o lugar estratégico que o Rio de Janeiro enquanto segunda economia da federação brasileira ocupa nos planos de recolonização da economia brasileira pelas potências centrais, a começar pelos EUA. É que se o receituário ultraneoliberal passar no Rio de Janeiro, outros estados com menor peso econômico e político não terão outro caminho a não ser aceitar o mesmo destino que o (des) governador Pezão e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, querem impor de forma tão célere quanto autoritária.

Mas não este tipo de receita amarga não se aplica sem o apoio de atores de apoio que aqui incluem a mídia corporativa, os sindicatos patronais, e a justiça. Esses atores, cada um a seu modo, contribuíram e continuam contribuindo para que Pezão e Picciani possam ainda estar nos lugares de poder dos quais já deveriam ter sido arrancados, tantas são as evidências de que suas práticas politicas têm misturado interesses públicos e privados, sempre em benefício do privado.

Não há maior prova do que Pezão e Picciani já deveriam ter se juntado ao hoje desgraçado ex (des) governador Sérgio Cabral do que as visitas que já realizaram a ele nas instalações prisionais onde o mesmo se encontra.   Aliás, a visita de Jorge Picciani que a imprensa noticiou ter durado 3 horas levanta interessantes indagações  sobre o que teria sido tratado entre o presidente da Alerj e um ex (des) governador preso sob acusações de ter acumulado um “oceano” de patrimônio a partir de suas estratégias de aquisição de propinas (Aqui! e  Aqui!).

Entretanto, o papel da mídia corporativa não é menos importante, na medida em que a imensa maioria das matérias passa ao largo dos crimes cometidos por Sérgio Cabral para se concentrar na crise (seletiva) que os mesmos criaram. Aliás, quem pode esquecer toda a cobertura e proteção que Sérgio Cabral recebeu da mídia corporativa enquanto sangrava os cofres públicos? Como os donos dos veículos de mídia são acima de tudo capitalistas, qualquer ação que tomem para apoiar as medidas acordadas entre Pezão e Henrique Meirelles deveria ser vista com profunda desconfiança, especialmente a privatização da CEDAE e de outras autarquias. 

Já no caso da justiça, há que se apontar que na maioria das decisões relacionadas ao (des) governo Pezão a balança sempre tem pendido para o lado que possibilita a sua continuidade. Basta lembrar o arquivamento inicial da ação de improbidade  contra o (des) governador Pezão por não aplicar o montante estabelecido pela legislação na área da Saúde. Ainda que o Conselho Superior do Ministério Público tenha “desarquivado” recentemente esta ação, não há qualquer garantia que a mesma irá à frente  (Aqui!) .

Sob pena de parecer repetitivo, a única possibilidade de barrar os planos de privatização da coisa pública no Rio de Janeiro será a mobilização dos sindicatos de servidores e dos setores da sociedade civil que não querem que o Rio de Janeiro se torne uma vitrine da recolonização do Brasil.  E certamente o embate será duro e desigual, pois as forças que conspiram contra os bens públicos são poderosas e não terão o menor problema de abusar da violência contra quem resistir. Mas por isso mesmo é que não há espaço para recuar, pois as perdas pessoais e coletivas serão avassaladoras se esse plano de ataque ao público vier a prevalecer.

E acreditem quando eu digo que, no caso do (des) governador Pezão, se empurrar só um pouco, ele cai. Então vamos embora lá empurrar. O primeiro encontro é nesta terça- feira (01/02) na frente da Alerj.

Fuga de cérebros, outra consequência do receituário ultraneoliberal de Temer e Meirelles

A leitura do artigo do jornalista Herton Escobar para revista Science sobre a possibilidade de uma grande onda de fuga de cérebros que estaria sendo gestada pelo sucateamento de universidades e centros de pesquisa nacionais (Aqui!) deveria estar soando um forte alarme no Brasil. Entretanto, a não ser no próprio meio acadêmico, e ainda assim timidamente, outras coisas parecem estar tendo mais atenção, a começar pela revolta que está devorando vários presídios brasileiros.

Mas a questão desta potencial fuga de cérebros é sim algo grave, pois sinaliza para um espiral de descenso que atrasará por décadas a evolução da ciência brasileira, justamente num momento em que a ciência está sendo colocada como um dos elementos de diferenciação na acirrada competição econômica e financeira que está se construindo nos mercados mundiais. 

E quem pode condenar se uma geração inteira de jovens pesquisadores decidir abandonar o Brasil, dada a inexistência de qualquer garantia de que terão empregos após a aprovação da famigerada PEC do Tetos de Gastos que implicou num congelamento tácito na abertura de novas vagas para docentes?

E também é importante notar que diferente dos EUA onde o setor privado assimila quase 40% dos novos doutores (Aqui!), no Brasil são as universidades e centros de pesquisas públicos que assimilam a maioria deles. E mesmo quando uma empresa, normalmente uma multinacional, contrata um doutor, o destino dado é fora do território brasileiro.

Nesse cenário sombrio, posso compartilhar minha própria experiência pessoal. Tendo terminado o mestrado em 1990, justamente no ano de ascensão do governo neoliberal de Fernando Collor, fui recrutado para trabalhar no Oak Ridge National Laboratory num grupo de pesquisas que tinha como objeto as mudanças na cobertura vegetal na Amazônia brasileira. Após 1,5 ano fui aprovado para cursar o Doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University (Virginia Tech) onde tive a possibilidade de ter uma bolsa, a qual foi recusada em prol de uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Tivesse eu optado pelo financiamento oferecido pela Virginia Tech jamais teria retornado ao Brasil para trabalhar na Uenf onde estou desde 1998.

Olhando em retrospectiva, eu posso afirmar sem medo de errar que teria tido uma carreira científica mais sólida e estável se tivesse permanecido nos EUA. É que as habilidades científicas que foram fornecidas na minha graduação e mestrado na UFRJ somadas ao que aprendi no doutorado teriam me garantido emprego e financiamento. Entretanto, voltei para o Brasil para fazer algum tipo de diferença no desenvolvimento do nosso sistema científico, o que, apesar de todos os pesares, creio ter ocorrido.

Apesar de acreditar que tomei uma decisão correta ao voltar para o Brasil há quase 20 anos, e de não estar disposto a retomar o caminho do exílio, não posso obrigar que outros optem como eu por aguentar este momento de crise dentro de instituições que sequer possuem condições de pagar suas contas de serviços básicos como água e eletricidade.

Como não acredito em coincidências ou desatenções por parte dos formuladores das políticas ultraneoliberais que estão grassando de Brasília para todos os estados da federação, o corte de financiamento do sistema nacional de ciência é parte intrínseca da desconstrução do que construído a partir de meados do Século XX, principalmente a partir da criação da Universidade de São Paulo (USP) em 1934, fato que considero chave no   esforço descomunal que foi realizado para vencer o nosso atraso científico e tecnológico. 

Desta forma, não há como esperar sentado para que este vagalhão de medidas regressivas passe por cima de nós para depois juntar os cacos que eventualmente sobrarem. A comunidade cientifica brasileira tem a obrigação de reagir a esse processo de desmanche e impedir que sejamos atropelados por uma massiva fuga de cérebros. É que os riscos são altos demais para ficarmos apenas contemplando o caos que virá se nada for feito.

Mãos à obra contra Michel Temer, Gilberto Kassab, Henrique Meirelles, Luiz Fernando Pezão, Geraldo Alckmin, José Ivo Sartori,  Beto Richa, e todos os outros executores deste projeto de destruição da ciência brasileira.

A delação do marqueteiro pode explicar pressa do (des) governo Pezão

O jornalista Lauro Jardim traz hoje a informação de que o marqueteiro Renato Pereira, responsável pelas campanhas eleitorias de Sérgio Cabral, Eduardo Paes, e Luiz Fernando Pezão está em processo de negociação de sua delação premiada com a chamada Operação Lava Jato (Aqui!).

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Essa informação pode explicar toda a pressa com que o (des) governador Luiz Fernando Pezão vinha tratando o fechamento de um acordo de arrocho fiscal com o presidente “de facto” Michel Temer e seu ministro/banqueiro Henrique Meirelles.

É que se essa delação realmente ocorrer é bem provável que os dias do (des) governador Pezão no Palácio Guanbara estarão irremediavelmente contados. É que segundo o site “Btasil 247”, Renato Pereira iria entregar o número da conta usada pelo (des) governador Pezão no exterior (Aqui!).

De qualquer maneira, o simples vazamento desse suposto acordo já criará dificuldades para Luiz Fernando Pezão na Assmbleia Legislativa do Rio de Janeiro, na medida em que os deputados de sua própria base poderão adotar a posição pragmática de cortar laços políticos para minimizar as eventuais consequências dessa delação.

Agora, com a divulgação desta nota de Lauro Jardim, é provável que a pressa seja ainda maior. É que se não conseguir impor o arrocho nos servidores e a privatização da CEDAE, a utilidade do (des) governo Pezão será mínima. Dai que…..

Usando o ajuste como fachada, Pezão e Henrique Meirelles podem estar “revendendo” o RioPrevidência

Graças ao blog “Conexão Servidor Público” (Aqui!) fui informado que o impensável pode estar acontecendo por detrás de todas as tratativas do tal “ajuste fiscal” que o (des) governo Pezão está realizando com o ministro/banqueiro Henrique Meirelles, qual seja, a “revenda” do RioPrevidência por meio de uma nova operação envolvendo uma nova entrega de rendas futuras dos royalties do petróleo (Aqui!).

E o mais impressionante é que os números citados por Henrique Meirelles para esta nova revenda do RioPrevidência alcançam valores superiores ao que foi levantado por meio da operação realizada em Delaware, alcançando os US$ 4, 0 bilhões (o valor levantado naquela operação teria sido de US$ 3,1 bilhões). Em outras palavras, não bastou quebrar o RioPrevidência uma vez,  Henrique Meirelles quer repetir a dose e num valor ainda maior!

Na entrevista que Henrique Meirelles concedeu e está disponível no próprio site do Ministério da Fazenda (Aqui!), há uma informação muito interessante sobre o porquê de usar novamente o RioPrevidência como cabeça de ponte numa operação captação internacional de recursos que é o fato do fundo ser uma estatal não dependente do estado. 

O curioso é que tratei aqui neste blog da peculiar criação da  Companhia Fluminense de Securitização (CFSEC). por meio do Decreto 45.408 de 15 de Outubro de 2015, uma estatal não dependente cujas atribuições incluem a “estruturação e implementação de operações que envolvam a emissão e distribuição de valores mobiliários ou outra forma de obtenção de recursos junto ao mercado de capitais..“ (Aqui!)

E notem que “coincidência”. A entrevista supracitada de Henrique Meirelles foi concedida no dia 11 de Novembro de 2015 enquanto ele estava em Nova York tratando, entre coisas, de uma nova operação envolvendo o RioPrevidência!

Como no mundo da política real o espaço para coincidências genuínas é muito exíguo, eu diria que há que se olhar em detalhe todos os acordos que estão sendo feitos entre o (des) governo Pezão e o governo “de facto” de Michel Temer e do ministro/banqueiro Henrique Meirelles. A minha hipótese é que nesse novo pacote de Maldades haverá um item diretamente relacionado a essa nova operação envolvendo o RioPrevidência e a CFSEC, sem que haja qualquer destaque para a mesma na imprensa corporativa. Estão fechando acordos para “revender” o RioPrevidência e não estão contando aos principais interessados que são os servidores públicos do Rio de Janeiro.

Para quem quiser ler a entrevista de Henrique Meirelles com as respostas relacionadas ao RioPrevidência sublinhadas em amarelo, basta clicar (Aqui!). Só um conselho: antes de lerem, coloquem as mãos embaixo do queixo!

Finalmente, eu só fiquei com uma dúvida sobre o papel que Henrique Meirelles estava cumprindo nessa viagem a Nova York: ministro ou banqueiro? Ah, deixa para lá!

Acorda servidor! Pezão e Meirelles querem confiscar salários para fazer a alegria dos fundos abutres

Os diferentes veículos da mídia corporativa estão fazendo uma verdadeira festa com as notícias desecontradas que estão vindo de Brasília acerca das tratativas entre o (des) governador Luiz Fernando Pezão e o ministro/banqueiro Henrique Meirelles. Obviamente nenhuma das matérias produzidas vão às verdadeiras raízes da grave crise financeira que foi produzida por anos de políticas fiscais irresponsáveis, gastança descontrolada e, sim, por eventos da mais pura corrupção.

Mas esqueçamos por um momento do diversionismo que é impulsionado pela mídia corporativa e nos concentremos num dos aspectos mais draconianos da medicina amarga que Pezão e Meirelles querem empurrar garganta abaixo do funcionalismo estadual do Rio de Janeiro, qual seja, o aumento das contribuições para salgados 20% segundo o que informou o ESTADÃO e foi repercutido pelo jornal O DIA (Aqui!).

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Como abordei em múltiplas postagens no ano de 2016, qualquer aumento de contribuição só vai servir objetivamente para alegrar os chamados fundos abutres (e.g., Allianz, Pimco, BlackRock e UBS) que hoje recebem boa parte (senão a totalidade) do que é recolhido dos salários dos servidores estaduais em função da desastrosa operação realizada pela dupla Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão no paraíso fiscal corporativo de Delaware,  sob a batuta do secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, então diretor-presidente do RioPrevidência (Aqui!,Aqui! e Aqui!). 

Por isso, antes de qualquer majoração nas contribuições, o que teríamos de ter seria uma verdadeira devassa nos livros do RioPrevidência e no seu irmão gêmeo, o Rio Oil Finance Trust. Uma coisa que seria interessante determinar é sobre quem são os controladores (donos) do Rio Oil Finance Trust, apenas para começo de conversa. Aliás, cadê a prometida Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) iria realizar sobre o RioPrevidência? O deputado Jorge Picciani sentou em cima e ninguém reclamou?

Agora, nessas tratativas há uma coincidência interessante entre o caso de Delaware e o que está sendo planejado para o Rio de Janeiro sob a batuta do banqueiro/ministro é a participação do Banco do Brasil como uma parte diretamente interessada na engenharia financeira do “ajuste” a la Grecia que será imposto ao Rio de Janeiro. É que o Banco do Brasil foi uma das instituições financeiras que viabilizou a engenharia da operação feita em Delaware com a ajuda do BNP Paribas (Aqui!). Agora, o Banco do Brasil está sendo apontado como a instituição que viabilizará  parte do processo de reestruturação da dívida do Rio de Janeiro, tendo como lastro a privatização da CEDAE (Aqui!).  Será que sou só eu que vê um estranho espectro pairando nesse envolvimento do Banco do Brasil nessas duas operações?

O fato é que os servidores estaduais tem mais é que ficar prontos para o embate quando o pacote de Maldades da dupla Pezão/Meirelles chegar na Alerj. É que a mordida salgada que se pretende dar nos seus salários só servirá para alegrar os fundos abutres. Simples assim!