Paulo Guedes quer congresso a la Pinochet para impor sua agenda ultraneoliberal

Já disse que deveríamos esquecer por alguns minutos a propaganda ideológica do deputado federal Jair Bolsonaro e nos concentrar no que seu guru econômico, o misto de banqueiro e articulista das organizações Globo, anda propondo para viabilizar a implantação uma variante ainda mais radical das políticas neoliberais no Brasil. 

Vejamos, por exemplo, a informação postada nos principais veículos da mídia corporativa que nos dá conta que Paulo Guedes está articulando uma fórmula que sufocará o direito da divergência dentro das bancadas no congresso nacional. A fórmula proposta por Paulo Guedes é simples e brutal:  todos os votos de uma bancada seriam computados integralmente a favor de um projeto se mais da metade dos parlamentares daquele partido votarem a seu favor, conferindo assim uma espécie de superpoderes aos líderes partidários [1].

Na prática, como se sabe que certas mudanças, especialmente aquelas que afetam os princípios estabelecidos pela Constituição Federal de 1988, são difíceis de ser consensuais dentro das maiores bancadas, Paulo Guedes está se adiantando e propondo que se estabeleça uma medida que sufoca a posição das minorias, já que independente da diferença de votos dentro da bancada, prevaleceria artificialmente a vontade da maioria.

O raciocínio de Paulo Guedes é explicitado nas reportagens, pois segundo ele a ideia seria facilitar a aprovação de projetos de um presidente sem maioria parlamentar [2]. Em outras palavras, a ideia é impor o mesmo tipo de concordância que foi vista no Chile sob a ditadura de Augusto Pinochet que juntou seu profundo autoritarismo e um receituário neoliberal, o qual foi imposto por uma maioria parlamentar extremamente obediente.

Há que se frisar que Paulo Guedes está anunciando que já o apoio de Rodrigo Maia (DEM) para este parlamento manietado pelo desrespeito à opinião das minorias.  Apesar de Maia já ter negado, pelo “tracking record” dele não seria surpreendente se ele vier a aceitar a proposta no futuro.

Por isso, repito, paremos de nos preocupar com Jair Bolsonaro, mas com aqueles que vão dar realmente as cartas no seu governo, começando por Paulo Guedes e sua equipe de economistas ultraneoliberais.


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/paulo-guedes-guru-de-bolsonaro-defende-superpoderes-a-partidos-na-camara.shtml

[2] https://oglobo.globo.com/brasil/economista-de-bolsonaro-defende-superpoderes-partidos-na-camara-23090553?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

Esqueçamos por um segundo da ideologia de Bolsonaro; e vamos ao Imposto de Renda de Paulo Guedes

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Os eleitores médios do deputado federal Jair Bolsonaro não se dão muito ao trabalho de verificar as propostas econômicas do seu guru econômico, o Sr. Paulo Guedes. Mas provavelmente começariam a procurar outro candidato se olhassem minimamente as propostas do programa econômico da dupla.

Vejamos, por exemplo, a proposta apresentada por Paulo Guedes de recriar a CMPF e  criar uma alíquota única de contribuição para o Imposto de Renda, começando desde os menores salários até os maiores (ver tabela abaixo) [1].

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O que parece, eu disse parece, igualitário em termos de cobrança de imposto de renda é, na verdade, uma armadilha para os pobres e outro prêmio para os ricos, conforme mostra a tabela abaixo.

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A coisa é simples: quem ganhar até R$ 10.000,00 vai pagar mais imposto, e quem ganhar acima de R$ 15.000,00 vai pagar menos! Em outras palavras, mais imposto para os mais pobres e menos ainda para o mais ricos. 

Aí aparece a questão que não quer se calar: o que ganharão os pobres com a instalação com o governo matiz ultraneoliberal que vai piorar ainda mais a desigualdade social já existente no Brasil?

Ah, sim, pressionado pela evidência de que aumentará a cobrança de impostos em cima dos mais pobres, Jair Bolsonaro desautorizou o seu guru econômico no tocante a esta proposta [2].  Mas será que isto deve servir de consolo em um país onde Fernando Collor usou o argumento de que Lula confiscaria a poupança como instrumento de terror eleitoral para depois ele mesmo usar esse instrumento contra seus eleitores?


[1] https://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/7621876/paulo-guedes-provavel-ministro-da-fazenda-de-bolsonaro-defende-nova-cpmf-e-aliquota-unica-de-ir

[2] https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/agencia-estado/2018/09/20/apos-desgaste-bolsonaro-enquadra-vice-e-guedes.htm

Com Bolsonaro no hospital, vice diz que “casa só com ‘mãe e avó” são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra para o narcotráfico

Muitos analistas esperavam que o atentado cometido contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora e consequente ida do capitão para a UTI do Albert Einstein, o dublê de general da reserva e candidato a vice-presidente, Hamilton Mourão, iria se aproveitar para elevar o nível da qualidade da campanha. É que sendo mais intelectualmente preparado, se esperava de Mourão que elevasse a capacidade de análise da realidade e, ao mesmo tempo, diminuísse o volume da retórica.
Pois bem, quem apostou numa postura mais elevada de Hamilton Mourão, errou redondamente. É que na tarde desta segunda-feira, Mourão conseguiu ao mesmo tempo alienar países em desenvolvimento que são parceiros comerciais do Brasil ao chamá-los de “mulambada” e, ainda pior, colocar sobre os lares comandados por mães e avós o epíteto de serem “fábrica de desajustados” que fornecem mão de obra para o narcotráfico [1] .
Mourão
Inobstante o alvo que o vice de Jair Bolsonaro tivesse em mente quando emitiu essa opinião escabrosa, o fato é que objetivamente ignorou a luta cotidiana que se desenvolve em lares encabeçados por mulheres e impõe a milhões de brasileiras uma responsabilidade que não lhes é devida.


Agora, vejamos como se comportarão eleitores brasileiros que cresceram nos lares que o general da reserva designou como sendo “fábricas de desajustados” que “fornecem mão de obra para o narcotráfico”. Ficarão com a dupla ou com suas mães e avós. A ver!


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/casa-so-com-mae-e-avo-e-fabrica-de-desajustados-para-trafico-diz-mourao.shtml

PRTB decide colocar General Mourão para substituir Bolsonaro em debates e entrevistas, mas “esquece” de avisar o PSL

A atual campanha eleitoral está recheada de esquisitices, mas eu diria que a notícia publicada pelo jornal “Valor Econômico” dando conta que a cúpula do PRTB , partido do general Hamilton Mourão, decidiu entrar com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral em que requisita substituir  Jair Bolsonaro em entrevistas à TV e debates eleitorais, mas “esqueceu” de consultar cúpula do dublê de capitão e deputado federal que convalesce em hospital ou a seu partido, o PSL [1].

mourao bolsonaro

A situação criada por esse pedido sem consulta é para lá de inusitada. É que se este padrão de conduta for mantido durante um eventual governo comandado pelo “capitão”, o que poderemos esperar?

Por essas e outras é que no dia 08 de Agosto de 2018, postei aqui no blog um texto intitulado “Que diria Carlos Marighella da chapa presidencial do capitão e do general?” [2]. Não precisava ter o mesmo tino e faro de Carlos Marighella para saber que dificilmente um capitão vai mandar num general, especialmente quando o general é um profissional condecorado, e a carreira do capitão quase acabou numa malograda operação conhecida como “Beco sem saída” [3] .

Ironicamente, mais de três décadas depois, a chapa do general e do capitão é que ameaça colocar o Brasil num beco sem saída.

 


[1] http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-09-12/mourao-justica-bolsonaro.html

[2] https://blogdopedlowski.com/2018/08/08/que-diria-carlos-marighella-da-chapa-presidencial-do-capitao-e-do-general/

[3http://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/capitao-bolsonaro-a-historia-esquecida/

E agora vamos falar de Marielle Franco?

marielle

O atentado ao deputado federal Jair Bolsonaro foi esclarecido e o seu autor preso e enviado para um presídio federal de segurança máxima em menos de 24 horas. Parabéns à polícia e ao judiciário por tamanha eficiência.

Lamentavelmente a mesma eficiência não está sendo demonstrada no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (do PSOL do Rio de Janeiro) e de seu motorista Anderson Gomes continua sem esclarecimento, mesmo tendo ocorrido no já longínquo dia 28 de março de 2018.  E contribui para isso o verdadeiro manto de silêncio que foi lançado sobre o caso por autoridades encarregadas de apurar o caso, bem como pela mídia corporativa.

Essa morosidade já torna a falta de identificação dos executores e mandantes anormal para casos semelhantes, em que pese existirem informações que ligam o assassinato de Marielle Franco à sua ação enquanto parlamentar e defensora de segmentos que são historicamente marginalizados e alvos constantes da ação violenta das forças do aparelho de estado.

Além disso, enquanto a natureza política do ataque sofrido por Jair Bolsonaro está restrita, pelo menos até o momento, ao ato individual, o assassinato de Marielle Franco está claramente ligado a uma ação de grupos que tinham seus interesses perturbados pela ação parlamentar que ela realizava.

Em função disso tudo é que causa estranheza que os mesmos setores que agiram de forma tão rápida no caso de Jair Bolsonaro estejam se mostrando tão lerdos no caso de Marielle Franco. Ou pensando bem, não há estranheza alguma.

Sobre lobos em pele de cordeiros e o papel dos partidos de esquerda

lobos

Imagem que está circulando nas redes sociais mostra alguns apoiadores de Bolsonaro (PSL) vestindo uma camisa com a imagem do ex-presidente Lula (PT) decapitado. O fato ocorreu na cidade de Espertina, no Piauí quando um movimento de simpatizantes colocavam banners do deputado da idade média pela cidade. 

Antes de qualquer coisa me sinto obrigado a reafirmar que não sou ligado ao PT ou a qualquer outro partido político, mas reconheço o direito das pessoas terem suas opções partidárias. Outra coisa que não tenho é medo de expor minhas opiniões, visto que participei da resistência à ditadura de 1964 justamente para poder fazer isso.

Além disso, tenho usado o espaço deste blog com responsabilidade desde sua criação e fui poucas vezes alvo de pedidos de reparação judicial. E na maioria dos casos em que isso ocorreu, os que me acionaram não foram atendidos. Por isso, no caso do ataque ao deputado Jair Bolsonaro continuarei mostrando as sementes que ele mesmo lançou para ter o desenlace que teve em Juiz de Fora.

Um exemplo prático disso vai no vídeo abaixo que mostra o agora acamado candidato presidencial incitando a violência armada contra membros do PT durante um comício no estado do Acre que ocorreu apenas 4 dias antes do ataque que ele sofreu em Juiz de Fora.

Assim, deixemos de ser hipócritas e vamos ao que interessa. Se quiserem que não haja mais violência política nesta campanha, que peçam ao Jair Bolsonaro que pare de incitar seus apoiadores a utilizarem violência como método de ação política. Melhor ainda se adotarem os preceitos do profeta Gentileza e abracem o lema “gentileza gera gentileza”.  

bolso

No mais, dos partidos dito de esquerda, o que eu espero é que façam um grande esforço para politizar o que resta desta campanha, de forma a mostrar a face verdadeira da candidatura de Jair Bolsonaro cuja natureza ultraneoliberal implica na entrega do patrimônio nacional, inclusive a Amazônia, às corporações estrangeiras. E de quebra a imposição de uma regressão nos direitos dos trabalhistas que nos deixará à beira de revogação da Lei Áurea. Qualquer coisa a menos do que a denúncia desta plataforma anti-trabalhador será um desserviço por parte dos que dizem se opor a Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

FGV: Ataque com faca a Jair Bolsonaro gera 3,2 milhões de menções em 16 horas

Volume faz do evento o de maior repercussão imediata no Twitter desde as eleições de 2014, de acordo com a metodologia da FGV DAPP; maior grupo em interação questiona a veracidade do ataque

No evento brasileiro de maior repercussão imediata no Twitter desde as eleições de 2014, o ataque a Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) adotou múltiplos contornos de discussão temática e concentrou quase por inteiro o debate político na rede. Das 16h de quinta-feira (06) às 10h desta sexta (07), a FGV DAPP identificou 3,2 milhões de referências sobre o ataque, recobrindo os procedimentos médicos por que Bolsonaro passou, as manifestações de pesar, as referências ao discurso de ódio e à violência no processo democrático e o forte engajamento sobre a veracidade do evento, que até a noite de quinta respondia pela maior parte das interações.

O pico de menções da discussão, que já acumulava mais de 1,4 milhão de referências no Twitter até as 20h desta quinta, foi por volta das 16h40, logo após a divulgação do ataque, com média de 11,8 mil postagens por minuto no Twitter. Fora do Brasil, já são 48,4 mil tuítes em inglês sobre o ataque a Bolsonaro, provenientes principalmente dos Estados Unidos (14 mil). Em espanhol, somam-se 91,9 mil tuítes, originados sobretudo da Argentina (21,1 mil) e da Venezuela (16,5 mil).

Ao longo de toda a noite, houve mais de 300 mil publicações sobre o tema a cada hora, em média. Na manhã desta sexta, a média de novas postagens se mantém alta, com mais de 150 mil menções novas por hora, sob o acompanhamento da transferência de Bolsonaro a São Paulo, do impacto na campanha presidencial, da propagação de notícias e informações (muitas sem lastro de verificação jornalística) e das discussões sobre responsáveis e culpados. A hashtag de maior mobilização é #forçabolsonaro, com 197,3 mil recorrências, seguida de #bolsonaropresidente17 (21,4 mil), #direitaunida (11,3 mil), #bolsonaro (10,1 mil) e #somostodosbolsonaro (6,2 mil).

Entre os tuítes de maior compartilhamento, permanecem em evidência publicações que abordam se, de fato, houve um ataque a Bolsonaro ou se o dano provocado pela facada foi grave como parece. São postagens que satirizam o candidato do PSL e atingiram mais de 20 mil retuítes desde quinta, mas não continuam com a mesma velocidade de repercussão.Também há publicações de filhos de Bolsonaro, com informações sobre os desdobramentos do atendimento ao pai, e postagens de atores de diferentes espectros políticos destacando que, apesar das divergências em relação a Bolsonaro, repudiam o ataque e desejam pronta melhora.

Os dois presidenciáveis cujas declarações de repúdio mais obtiveram retuítes e expressivo número de curtidas a cada uma das publicações na rede foram Ciro Gomes e João Amoêdo, — Ciro, 12,1 mil retuítes e 67,2 mil curtidas; Amoêdo, 9,9 mil retuítes e 50,7 mil curtidas. O candidato do PDT foi o segundo presidenciável de maior associação ao incidente com Bolsonaro, destacado em 33,4 mil postagens. Ficou atrás de Guilherme Boulos e do PSOL, associados ao debate em 44,6 mil publicações, por conta do histórico de filiação partidária do suspeito de esfaquear o deputado federal, Adélio Bispo de Oliveira.

O ex-presidente Lula permanece desde ontem como o ator político de maior associação ao ataque a Bolsonaro, com 185,9 mil menções, citado por conta dos tiros à caravana pelo Sul do Brasil, em março, e também como figura central do espectro político do país, ao lado de Bolsonaro. Perfis falam dos ataques a ambos como exemplos da agressividade que marca os debates políticos na atualidade e do colapso da manutenção institucional na condução do processo eleitoral. Atores contrários a Lula enfatizam seu papel como principal figura de rejeição a Bolsonaro e afirmam que o PT detém responsabilidade pelo ocorrido, citando a declaração do candidato a vice-presidente do deputado na chapa eleitoral, o general Hamilton Mourão. À esquerda, relaciona-se fala recente de Bolsonaro, sobre “metralhar a petralhada”, com o esfaqueamento que o mesmo sofreu.

Marielle Franco é intensamente citada no debate do Twitter (106,1 mil) por conta de correlações entre o esfaqueamento e o assassinato da vereadora, em março, e o posicionamento de Bolsonaro a respeito da morte de Marielle. Essas publicações vêm, majoritariamente, de grupos contrários ao deputado federal e que manifestam rejeição ao discurso de ódio, ressaltando a escalada de violência no país, de forma geral, contra personagens públicos. Destacam ainda a diferença de opiniões, por perfis defensores de Bolsonaro, quando Marielle foi a vítima: na época, houve forte ênfase comparativa entre as cotidianas mortes de policiais e cidadãos comuns no Brasil para debater a repercussão do assassinato da vereadora. Agora, situação parecida ocorre com o presidenciável.

A ex-presidente Dilma Rousseff também recebeu volume expressivo de referências no debate sobre o ataque a Bolsonaro, mobilizadas a partir de publicação do pastor Silas Malafaia (afirma que o suspeito de esfaquear o candidato atua na campanha de Dilma ao Senado em Minas Gerais) e da repercussão do comentário que fez sobre o ocorrido. Foi bastante criticada por perfis, não apenas à direita, por relativizar o incidente e “culpar a vítima”, sob o argumento da propagação do discurso de ódio.

Mapa de Interações

A análise de 1.702.949 retuítes feitos entre as 18h30 de quinta (06) e as 9h de sexta (07) sobre o ataque sofrido por Bolsonaro mostra que cinco principais grupos se engajaram no debate. O maior deles é o grupo laranja, que agregou 40,5% dos perfis, e aborda o ataque como uma “fake facada”, questionando a veracidade do ocorrido. O grupo também ironiza as críticas da direita à falta de empatia da esquerda.

grupo azul uniu 12,7% dos perfis e demonstra apoio a Bolsonaro, desejando sua recuperação e vitória nas eleições. O grupo também dialoga com a esquerda, criticando seus posicionamentos.

grupo rosa representa 9,8% dos perfis, que compartilham mensagens de solidariedade a Bolsonaro de candidatos à esquerda no espectro político, como Ciro Gomes e Haddad, e citam a suposta falta de empatia de Bolsonaro em situações similares.

grupo verde agregou 8,7% dos perfis e critica quem comemora o ataque a Bolsonaro, uma vez que esta atitude mostra que não seriam diferentes em nada do candidato à Presidência.

Por fim, o grupo roxo uniu 7% dos perfis em debate e, em geral, são perfis de direita e que criticam as suspeitas da esquerda quanto à veracidade do ataque e também a felicidade de alguns com a situação. O grupo demonstra solidariedade a Bolsonaro, mas não apoio necessariamente a sua vitória.

FONTE: Insight Comunicação

 

Jair Bolsonaro prova do próprio veneno ao ser esfaqueado em comício

bolsonaro esfaqueado

Informações que estão vindo de Juiz de Fora dão conta que o candidato Jair Bolsonaro  (PSL) teve de passar por uma cirurgia no fígado por causa de um atentado contra a sua vida [1]. Esse caso materializa de forma bastante exemplar o tipo de ambiente hostil que foi criado na atual campanha presidencial pelo próprio Bolsonaro que disseminou propositalmente com fins eleitorais. Basta lembrar a cena em que segurou um tripé de fotografia e o transformou em uma metralhadora metafórica para, segundo ele mesmo, metralhar petistas [2].

A possibilidade de que um ataque fosse promovido contra sua vida aparentemente estava clara para Bolsonaro, na medida em que ele andava protegido por um colete de balas e cercado de seguranças pelos eventos onde ele disseminava sua não plataforma baseada, entre outras coisas, na homofobia e na misoginia.

Convenhamos, como esse atentado mostrou, Jair Bolsonaro  é apenas uma expressão da violência que campeia na sociedade brasileira. Aliás, a própria viabilidade eleitoral de sua candidatura é expressão de algo ainda pior, que é a capacidade das elites brasileiras apoiaram qualquer um que possa servir de instrumento para manter a abjeta desigualdade social que existe no Brasil.

Mas uma coisa é certa: Bolsonaro provou do próprio veneno. Afinal, quem adota a violência como método de ação política, cedo ou tarde acaba experimentaondo uma espécie de efeito boomerang e se transformando no alvo daquilo que pregou.

Por último, esse ataque adiciona um grau de conflitividade ainda maior a um processo eleitoral que já se desenhava como um dos mais polêmicos no pós-Ditadura de 1964. Vamos ver como se comportam os meios de comunicação e o judiciário brasileiro que até agora, convenhamos, passaram a mão na cabeça de Jair Bolsonaro. Só falta ele ser transformado em algum tipo de mártir da democracia brasileira. A ver!


[1] https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-leva-facada-em-ato-de-campanha-em-minas-assista-ao-video-23046155

[2] https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/09/06/stf-da-10-dias-para-bolsonaro-explicar-declaracao-sobre-fuzilar-a-petralhada.ghtml

Deputados da PEC do teto de gastos não merecem votos em 2018

A imagem abaixo mostra os deputados federais do Rio de Janeiro que chamaram a PEC do teto dos gastos (também conhecido como PEC fim do mundo), e que são cúmplices do presidente “de facto” Michel Temer na situação de terra arrasada que resultou no incêndio do Museu Nacional.

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Destacados na imagem estão Índio da Costa, candidato do PSD a governador do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo PSL, e  Paulo Feijó, deputado do PR que até onde eu saiba continua circulando livre, apesar de sua condenação em última instância pelo STF.

Examinar como cada um dos deputados do Rio de Janeiro votou nesse caso e em tantos outros nos ajuda a entender como estão mal representados e, mais ainda, porque não se deve dar votos nessas figuras em 2018.

TSE joga eleição presidencial nas mãos de Lula, o gênio tático

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A impugnação da candidatura presidencial do ex-presidente Lula a partir de um pedido do ator Alexandre Frota é a síntese de como as coisas andam mal no Brasil.  Entretanto, ao impugnar a candidatura do ex-presidente por 6 votos a 1, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral podem até não ter se dado conta, mas caíram comp patinhos no enredo que Lula estabeleceu para as eleições de 2018.

É que não há possibilidade de que Lula não tivesse feito friamente os cálculos sobre as chances da sua candidatura ser homologada.  Lula sabe bem que, dada a atual conjuntura, as forças que comandam o judiciário brasileiro compuseram o acordo político que derrubou a presidente Dilma Rousseff e instalaram o governo biônico do PMDB-PSDB, e que nos dois últimos anos impuseram um duro retrocesso nos direitos sociais e na capacidade de desenvolvimento autônomo do Brasil. E essas forças não iriam de jeito algum permitir que ele fosse candidato.

Quem deu um golpe parlamentar e condenou Lula sem provas, não iria deixar que ele participasse de uma eleição onde poderia sair vencedor sem muito esforço. Se não for por motivos estratégicos, quem participou do golpe parlamentar, sabe que um novo governo Lula não lhes seria tão gentil quanto foram os dois anteriores.

Mas aí é que reside a genialidade de Lula.  É que se colocar voluntariamente no calvário, ele está dando chances reais a que o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, tenha chances reais de derrotar Jair Bolsonaro, contra quem quase todos os candidatos derrotados em primeiro turno deverão se alinhar no segundo. 

Assim, quem não gosta de Lula e do PT tem hoje ainda mais razões para detestar o ex-metalúrgico, hoje transformado em ícone mundial. É que toda essa perseguição judicial está servindo como uma espécie de elixir da pureza política, o qual sendo bem usado recolocará o PT no poder. E sem a companhia desagradável do PMDB na vice-presidência.

Li hoje um “colonista” da Folha de São Paulo dizendo que a impugnação da candidatura de Lula serviu para “higienizar” a campanha presidencial, pois a livra da participação de um condenado em segunda instância.  Essa manifestação é o cumprimento mais explícito que pode ser feito a Lula, na medida em que essa “higienização” nos deixa com opções medonhas de candidaturas, as quais acabarão por favorecer a chapa do PT/PC do B/Pros.

O fato de que a chapa de Fernando Haddad e Manuel D´Á vila terá apenas 45 dias para fazer campanha me parece ser outra demonstração da genialidade política de Lula. Tivessem mais tempo e sem a narrativa do suplício de Lula, que chance essa chapa teria?

Por isso é que neste cenário de caos político instalado no Brasil, o gênio tático que Lula é se sobressai sobre todos os seus adversários. É que, como em muitos esportes onde a tática é essencial para garantir vitórias, Lula ao fingir que estava querendo receber a bola, deixou o seu jogador da vez na cara do gol.