Paulo Guedes quer congresso a la Pinochet para impor sua agenda ultraneoliberal

Já disse que deveríamos esquecer por alguns minutos a propaganda ideológica do deputado federal Jair Bolsonaro e nos concentrar no que seu guru econômico, o misto de banqueiro e articulista das organizações Globo, anda propondo para viabilizar a implantação uma variante ainda mais radical das políticas neoliberais no Brasil. 

Vejamos, por exemplo, a informação postada nos principais veículos da mídia corporativa que nos dá conta que Paulo Guedes está articulando uma fórmula que sufocará o direito da divergência dentro das bancadas no congresso nacional. A fórmula proposta por Paulo Guedes é simples e brutal:  todos os votos de uma bancada seriam computados integralmente a favor de um projeto se mais da metade dos parlamentares daquele partido votarem a seu favor, conferindo assim uma espécie de superpoderes aos líderes partidários [1].

Na prática, como se sabe que certas mudanças, especialmente aquelas que afetam os princípios estabelecidos pela Constituição Federal de 1988, são difíceis de ser consensuais dentro das maiores bancadas, Paulo Guedes está se adiantando e propondo que se estabeleça uma medida que sufoca a posição das minorias, já que independente da diferença de votos dentro da bancada, prevaleceria artificialmente a vontade da maioria.

O raciocínio de Paulo Guedes é explicitado nas reportagens, pois segundo ele a ideia seria facilitar a aprovação de projetos de um presidente sem maioria parlamentar [2]. Em outras palavras, a ideia é impor o mesmo tipo de concordância que foi vista no Chile sob a ditadura de Augusto Pinochet que juntou seu profundo autoritarismo e um receituário neoliberal, o qual foi imposto por uma maioria parlamentar extremamente obediente.

Há que se frisar que Paulo Guedes está anunciando que já o apoio de Rodrigo Maia (DEM) para este parlamento manietado pelo desrespeito à opinião das minorias.  Apesar de Maia já ter negado, pelo “tracking record” dele não seria surpreendente se ele vier a aceitar a proposta no futuro.

Por isso, repito, paremos de nos preocupar com Jair Bolsonaro, mas com aqueles que vão dar realmente as cartas no seu governo, começando por Paulo Guedes e sua equipe de economistas ultraneoliberais.


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/paulo-guedes-guru-de-bolsonaro-defende-superpoderes-a-partidos-na-camara.shtml

[2] https://oglobo.globo.com/brasil/economista-de-bolsonaro-defende-superpoderes-partidos-na-camara-23090553?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

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