PF prende outro (des) secretário de Sérgio Cabral. Afinal, de quem é a culpa da crise?

O jornal “O GLOBO” está noticiando a prisão do ex (des) secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Cortês, em função de sua aludida participação num cartel de distribuidoras e fornecedoras de serviços que teria fraudado as licitações da secretaria de Saúde durante a gestão de Côrtes (2007-2013) no governo Sérgio Cabral e no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) (Aqui!Aqui! e Aqui!).

Sérgio Cortês sempre foi uma figurinha carimbada no (des) governo Cabral, pois além de ser amigo de baladas, como a famosa festa dos guardanapos em Paris, sempre existiram evidências de que sua gestão na Secretaria Estadual de Saúde não era, digamos, santa.

O interessante é notar que com a prisão de Cortês poucos (des) secretários com alguma importância no reinado do período de comando de Sérgio Cabral continuam soltos pelas ruas, incluindo o notório caso do ex (des) secretário da Casa Civil, Régis Fitchner. 

Entretanto, a despeito de todas as evidências de que uma cleptocracia foi instalada no Palácio Guanabara a partir de 2007, ainda vemos o próprio jornal O GLOBO liderando uma campanha de desinformação acerca das raízes da crise financeira que assola o Rio de Janeiro, pois a culpa ainda continua sendo colocada sobre os salários e aposentadorias dos servidores estaduais.

É preciso que os sindicatos que representam os servidores aproveitem as prisões da manhã de hoje para iniciar uma campanha para deixar ainda mais claro quem colocou o Rio de Janeiro na condição lamentável em que se encontra. Afinal, não vai ser apenas com a prisão desses figurões que a coisa vai se resolver.

O sábio que Sérgio Moro pretendia censurar

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Foto: Verbena Editora / Divulgação

*Por Moisés Mendes

O juiz Sergio Moro não reage com naturalidade quando se sente contrariado. Em outubro do ano passado, o juiz de Curitiba incomodou-se com um artigo que o criticava, publicado na Folha de São Paulo, e fez o que muita gente faz.

Escreveu para o jornal e reclamou. Mas fez também o que uma minoria insegura faz. Sugeriu que o autor do artigo fosse censurado pela Folha, por considerar que o texto era panfletário e tinha conteúdo partidário, entre outros defeitos.

O autor do texto acusara Moro de “intolerância moralista”. O artigo dizia: “A história tem muitos exemplos de justiceiros messiânicos como o juiz Sergio Moro e seus sequazes da Promotoria Pública”.

O juiz devolveu, na carta ao jornal: “Embora críticas a qualquer autoridade pública sejam bem-vindas e ainda que seja importante manter um ambiente pluralista, a publicação de opiniões panfletárias-partidárias e que veiculam somente preconceito e rancor, sem qualquer base factual, deveria ser evitada, ainda mais por jornais com a tradição e a história da Folha”. Evitada como?

O juiz não sabia (o que é grave para quem contesta quem o critica) que o autor do artigo ajudou e continua ajudando a Folha a fazer história. O ‘panfletário’ é integrante do conselho editorial do jornal e um de seus principais articulistas há quatro décadas.

Pois agora a ignorância do juiz Moro poderá ser sanada, porque seu alvo faz história pelo país e merece um livro que conte sua trajetória. Chega amanhã às livrarias Um Aprendiz de Quixote: Memórias de Arruá (Verbena Editora), com as memórias do físico, engenheiro e pensador Rogério Cerqueira Leite.

Cerqueira Leite, o ‘rancoroso’ que acionou o mecanismo autoritário do juiz de Curitiba, é um dos grandes brasileiros do século 20. É cientista respeitado, contribuiu para a resistência à ditadura, defende a democracia em sua plenitude, faz e reflete sobre ciência, universidade, ambiente e as questões essenciais do humanismo. Desde o começo das manobras da direita, fez campanha contra o golpe de agosto.

Moro deveria conhecê-lo, antes de atacá-lo por suas discordâncias em relação à seletividade da Lava-Jato. Não se trata de desinformação, mas de ignorância mesmo. Um juiz não pode dizer que desconhece Rogério Cerqueira Leite.

A Folha trouxe na segunda-feira um breve resumo dos feitos do cientista, destacando um ponto: ele é um dos raros oráculos brasileiros que junta ciência e humanidades, sempre fazendo uma abordagem sociológica e literária dos temas que o inspiram.

Cerqueira Leite criou, nos anos 80, uma das loucuras nacionais, o Laboratório de Luz Síncrotron, em Campinas, que atua em várias frentes da pesquisa científica e é considerado o similar brasileiro dos aceleradores de partículas da Europa.

Mas ele não é apenas um professor pardal metido em discussões sobre energia nuclear, combustíveis fosseis (que abomina) e fontes alternativas de energia, como professor da Universidade de Campinas.

É um provocador, um polemizador, um intelectual ativo no debate das grandes controvérsias. Como fez agora ao provocar Sergio Moro e obter como reposta uma sugestão de que deveria ser eliminado do quadro de colaboradores da Folha.

No artigo que contrariou o juiz, Cerqueira fez referência aos embates de ideias de tempos medievais e alertou Moro para o que aconteceu com Girolamo Savonarola, o padre que desafiou a Igreja e foi queimado vivo em Roma.

O cientista escreveu que, depois da caçada a Lula, o juiz poderia ser abandonado pelos que sustentam sua atuação na Lava-Jato: “Cuidado, Moro, o destino dos moralistas fanáticos é a fogueira. Só vai vosmecê sobreviver enquanto Lula e o PT estiverem vivos e atuantes”.

O juiz levou tão a sério a ameaça da fogueira que, na resposta à Folha, lamentou o fato de o cientista “chegar a sugerir atos de violência contra o ora magistrado”.

Cerqueira teve de escrever de novo à Folha, em carta à seção do leitor, para esclarecer e ironizar, num texto curto e brilhante. Eis um trecho: “O fogo a que me refiro é o fogo da história. Intelectos condicionados por princípios de intolerância não percebem a diferença entre metáforas e ações concretas”.

É como se estivesse falando com uma criança. Mas Sergio Moro, o concreto, deve encontrar tempo para ler o livro deste senhor de 85 anos. Quem sabe se arrependa do dia em que teve a ideia de que seria possível censurar o pensamento de um dos últimos sábios brasileiros.

Peço desculpas por tirar o prazer da surpresa, mas a própria Folha esclarece, ao destacar que Cerqueira Leite tem vocação para a encrenca, que o arruá do subtítulo do livro quer dizer arisco, bravio, indócil e brigão. Com quem um juiz previsível, cartesiano, esquemático e simplório foi se meter.

*Moisés Mendes | Jornalista, autor do livro Todos querem ser Mujica – Crônica da Crise (Diadorim Editora, 154 páginas).

FONTE: http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/03/o-sabio-que-sergio-moro-pretendia-censurar/

Prisão de secretário de governo é prenúncio de que tempestade perfeita se arma sobre o (des) governador Pezão

Esta 4a. feira está sendo caracterizada por uma série de prisões que abalam o já instável (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão. A principal delas não é a do ex-secretário Régis Fitchner que ainda é uma herança dos tempos em que Sérgio Cabral estava à frente do (des) governo do Rio de Janeiro.  

O começo do que pode ser o início do fim do (des) governo Pezão foi a realização de buscas e apreensão no gabinete do (des) secretário de governo e ex-prefeito de Bom Jardim (Aqui!), Henrique Affonso Monnerat (Aqui!). É que além de já estar implicado no caso de desvio de verbas nas obras contratadas sem licitação para responder à destruição causadas pelas chuvas que ocorreram na região Serrana em 2011 (Aqui! e Aqui!), Henrique Monnerat é efetivamente o primeiro membro dos (des) governo Pezão a ser envolvido nas apurações da Lava Jato.

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Essa prisão é provavelmente um sinal de que uma tempestade perfeita estará se abatendo sobre o (des) governo Pezão muito em breve.  É que  provavelmente Henrique Monnerat é uma pessoa com muitos segredos a revelar. A ver!

O oráculo de Garotinho em andamento

Publiquei no dia 25 de Março uma nota comentando uma previsão que o ex-governador Anthony Garotinho havia feito em seu blog sobre o nervosismo que estaria grassando na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em função de uma possível ação polícial (Aqui!).

Pois bem, hoje a mídia coporativa está anunciando mais uma das espetaculares ações da Polícia Federal no âmbito da chamada operação Lava Jato que afeta cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB) (Aqui!Aqui! e Aqui!).

Sobre essa operação de hoje certamente ainda teremos outros desdobramentos que afetarão personagens que foram inclusos na “profecia” de Anthony Garotinho. Uma certeza disso é que o Jorge Picciani, ao contrário dos conselheiros do TCE, não teve prisão preventiva decretada, mas apenas deverá ser levado debaixo de ferros para depor. Se tomarmos como exemplo o caso do deflagrador desta operação, o ex-presidente do TCE Jonas Lopes Filho, conduções coercitivas têm sido uma boa senha para decifrar futuras delações.

Agora, uma coisa é certa: a temperatura no Palácio Guanabara deverá subir muito hoje. É que, pensemos bem, qual é a cabeça (ou seria o pé?) que Jorge Picciani ainda poderá entregar a estas alturas do campeonato das delações premiadas? Não é preciso nem ter poderes de oráculo para prever!

Crise, que crise? (Des) governo Pezão cria nova secretaria e a entrega a ex-prefeita e ré da Lava Jato

Uma matéria do site G1 de autoria do jornalista Gabriel Barreira nos dá conta que em meio à propalada crise financeira que impede o pagamento em dia de salários e aposentadorias, o (des) governador Pezão resolveu criar uma nova secretaria de estado para entregá-la a uma aliada do ex-deputado Eduardo Cunha, Solange Almeida, que é  ré no caso da Lava Jato (Aqui!).

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Com essa tacada de mestre, o (des) governador Pezão nos mostra de forma irrefutável que a maior crise que assola o maltratado estado do Rio de Janeiro não é a financeira, mas uma que combina amoralidade e falta de ética no trato da coisa pública.

É que criação de secretaria implica em aumento de custos para operar a máquina pública. E, além disso, ao entregar essa nova secretaria a uma política que é ré num rumoroso caso de corrupção como a Lava Jato, Pezão diz à toda sociedade fluminense que ele está literalmente despreocupado com o que a população pode pensar a seu respeito ou da condição em que se encontra o seu (des) governo.

Como o (des) governador Pezão ainda não foi visto rasgando dinheiro em público, o caso está mais ou para uma inusitada despreocupação com sua imagem ou para, o que  é o mais improvável, a certeza de que seria inatingível pelos males que afetam o seu mentor político, o ex (des) governador Sérgio Cabral e até o padrinho da nov secretária, o ex-deputado Eduardo Cunha.

Mas sim, do que é mesmo acusada a agora secretária Solange Almeida? De ter, na condição de deputada federal, feito requerimentos na Câmara Federal pedindo investigações sobre o lobista Júio Camargo e a  multinacional sul-coreana Samsung, objetivando exercer pressão pelo pagamento de novas propinas!  

Com certeza, Solange Almeida é mais do que talhada para dirigir de forma ilibada uma secretaria voltada para apoiar as mulheres e os idosos no Rio de Janeiro, não é?

A pergunta que não quer calar: onde foi que o grupo de Sérgio Cabral não pegou propina?

A imagem abaixo reproduz uma nota publicada pelo jornalista Lauro Jardim em seu blog no jornal ” O GLOBO” que nos dá conta que uma das campeãs de obras dos anos dourados do ex (des) governador Sérgio Cabral, os donos da FW Engenharia, esão agora em processo de negociação para uma delação premiada (Aqui!).

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Diante de mais essa delação, é que eu faço a pergunta de sempre: onde foi mesmo que o grupo de Sérgio Cabral não pegou propina para a realização de obras públicas?

Seria interessante que se investigue qual foi o período e os locais onde as obras realizadas, pois daí teríamos uma real noção do alcance político dessa delação. Mas uma coisa é certa: se espera que as cadeias construídas pela FW Engenharia sejam de boa qualidade. É que hóspede para sistemas prisionais não faltam no Rio de Janeiro após a passagem da revoada de gafanhotos do dinheiro público que marcou os anos de Sérgio Cabral no Palácio Guanabara.

Lava Jato: MPF/RJ pede novas prisões de organização liderada por Sérgio Cabral

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Operação Eficiência apura ocultação de mais de US$ 100 milhões de Cabral exterior, e já repatriou cerca de R$ 270 milhões que estão à disposição da Justiça. Também foi decretada a prisão de Eike Batista.

 

Em nova fase das investigações sobre a organização criminosa liderada pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro pediu à Justiça a decretação de nove prisões preventivas (por tempo indeterminado), quatro conduções coercitivas e o cumprimento de buscas e apreensões em 27 endereços no Rio de Janeiro, Niterói, Miguel Pereira e Rio Bonito. Os mandados, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ, estão sendo cumpridos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (25/1) na Operação Eficiência. Cabral e outros dois réus já presos pela Operação Calicute – seus ex-assessores Carlos Miranda e o ex-secretário de governo Wilson Carlos – tiveram novas prisões decretadas (nº 0510282-12.2016.4.02.5101).

A pedido do MPF, também foram ordenadas as prisões do empresário Eike Batista e do advogado Flávio Godinho, investigados por corrupção ativa com o uso de contrato fictício, e quatro membros da organização: Álvaro Novis, Sérgio de Castro Oliveira, Thiago Aragão (Ancelmo Advogados) e Francisco Assis Neto. As conduções coercitivas se destinam à tomada dos depoimentos de Susana Neves e Maurício Cabral – ex-mulher e irmão de Cabral –, de Eduardo Plass (TAG Bank e gestora de recursos Opus) e de Luiz Arthur Andrade Correia, preso na 34ª fase da Op. Lava Jato, em setembro. As apreensões ocorrem em endereços residenciais ou comerciais de Susana Neves, Maurício Cabral e dos seis presos sem mandado anterior. 

Com a Operação Eficiência, a Força-Tarefa Lava Jato no Rio de Janeiro aprofunda a apuração de um esquema usado por Cabral e pelos demais investigados para ocultar mais de US$ 100 milhões (mais de R$ 340 milhões) remetidos ao exterior. A investigação, concentrada nos crimes de corrupção (ativa e passiva), lavagem e evasão dos recursos, tem avançado com base em quebras de sigilo (bancário, fiscal, telefônico e telemático) e em acordos de colaboração premiada. Segundo os procuradores, a organização criminosa liderada por Cabral movimentou, em dez meses (agosto de 2014 a junho de 2015), R$ 39,7 milhões – cerca de R$ 4 milhões por mês.

“A remessa de valores para o exterior foi contínua entre 2002 e 2007, quando Cabral acumulou US$ 6 milhões. Mas esse alto valor em nada se compararia às surreais quantias amealhadas durante a gestão do governo do Estado do Rio de Janeiro, quando ele acumulou mais de US$ 100 milhões em propinas, distribuídas em diversas contas em paraísos fiscais no exterior”, afirmam os procuradores Leonardo Cardoso de Freitas, José Augusto Vagos, Eduardo El Hage, Renato Silva de Oliveira, Rodrigo Timóteo da Costa e Silva, Jessé Ambrósio Junior, Rafael Antonio Barreto dos Santos, Sérgio Pinel e Lauro Coelho Junior, coautores da petição da Operação Eficiência  (clique para ler a petição, seu aditamento e a decisão judicial). “Sua organização criminosa foi extremamente bem sucedida em seus objetivos, amealhou imensa fortuna distribuída a seus membros. E parte desses valores se descortina com esta medida cautelar.” 

Com o auxílio de colaboradores, o MPF já conseguiu repatriar cerca de R$ 270 milhões, que estão à disposição da Justiça Federal em conta aberta na Caixa. A Força-Tarefa está solicitando cooperação internacional para o bloqueio e posterior repatriação dos valores ainda ocultos em outros países. 

Eike Batista

Um objeto das investigações é o pagamento de uma propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador por Eike Batista e Flávio Godinho, do grupo EBX, usando a conta Golden Rock no TAG Bank, no Panamá. Esse valor foi solicitado por Sérgio Cabral a Eike Batista no ano de 2010, e para dar aparência de legalidade à operação foi realizado em 2011 um contrato de fachada entre a empresa Centennial Asset Mining Fuind Llc, holding de Batista, e a empresa Arcadia Associados, por uma falsa intermediação na compra e venda de uma mina de ouro. A Arcadia recebeu os valores ilícitos numa conta no Uruguai, em nome de terceiros mas à disposição de Sérgio Cabral. 

Eike Batista, Godinho e Cabral também são suspeitos de terem cometido atos de obstrução da investigação, porque numa busca e apreensão em endereço vinculado a Batista em 2015 foram apreendidos extratos que comprovavam a transferência dos valores ilícitos da conta Golden Rock para a empresa Arcádia. Na oportunidade os três investigados orientaram os donos da Arcadia a manterem perante as autoridades a versão de que o contrato de intermediação seria verdadeiro. 

“De maneira sofisticada e reiterada, Eike Batista utiliza a simulação de negócios jurídicos para o pagamento e posterior ocultação de valores ilícitos, o que comprova a necessidade da sua prisão para a garantia da ordem pública”, frisam os nove procuradores corresponsáveis por esta Operação. 

Família Cabral

A ex-mulher e o irmão do ex-governador são alvos das investigações na condição de beneficiários dos recursos ilícitos. Suas contas e de suas empresas receberam altas quantias ocultadas pela organização. Para o MPF, há elementos suficientes para pedir as prisões temporárias (por cinco dias) de Susana Neves Cabral e Maurício Cabral, mas foi pedida uma medida menos gravosa –as conduções coercitivas – para que deponham conforme for ordenado pela Justiça.

Lava Jato Acompanhe todas as informações oficiais do MPF sobre a Operação Lava Jato nos sites www.mpf.mp.br/rj e www.lavajato.mpf.mp.br.  

FONTE:  Assessoria de Comunicação Social da Procuradoria da República no Rio de Janeiro, twitter.com/mpf_prr2

 

Enfim está explicando o riso de Júlio Lopes no dia do descarrilamento de 2014

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Nesta imagem de 19.05.2008, Júlio Lopes acompanha Sérgio Cabral em um passeio de bicicleta pela cidade de Paris. De lá, Sérgio Cabral anunciou  o lançamento de um programa de bicicletas públicas ligando pontos das cidades fluminenses.

No dia 22 de Janeiro de 2014 os passageiros que faziam uso do serviço ferroviário de transporte público na região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro enfrentaram um dia de caos por causa de um descarrilamento na estação de São Cristovão (Aqui!).

Naquele dia, o então secretário estadual de Transportes e deputado federal Júlio Lopes (PP/RJ) foi hostilizado pela população pelas péssimas condições de serviços oferecidos pela SuperVia, uma empresa do grupo Odebrecht. Mas nem isso impediu que Júlio Lopes fosse flagrado rindo sobre os trilhos na companhia do presidente da SuperVia,  Carlos José Cunha  e Arthur Vieira Bastos, conselheiro da Agetransp, agência reguladora responsável por fiscalizar a SuperVia. (ver imagem abaixo).

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Indagado sobre o motivo de estar rindo num dia marcado pelo caos de uma empresa concessionária de serviços que deveria estar sendo fiscalizada pela secretária que comandava, Júlio Lopes atribuiu o fato inusitado de rir em meio à desgraça a uma exposição excessiva à radiação solar  (Aqui!).

Não é que hoje o jornalista Lauro Jardim nos informa em sua coluna no jornal O GLOBO que o mesmo Carlos José Cunha, agora operador como delator no âmbito da operação Lava Jato revelou que Júlio Lopes matinha relações pouco republicanas  com a mesmíssima Odebrecht (Aqui!).

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Ainda que esse padrão de envolvimento de membros com o (des) governo Cabral com as práticas de distribuição de propinas pela Odebrecht já não seja nenhuma novidade, a descoberta da possível causa do riso de Júlio Bueno num dia de intenso sofrimento dos usuários da SuperVia ganha relevos escandalosos.

Mas é mais uma daquelas situações onde as elites políticas riem em meio à desgraça em que ajudam a colocar a população que depende de serviços públicos privatizados.

Resta saber agora se as denúncias de Carlos José Lopes vão levar Júlio Lopes ao mesmo destino que acabou engolindo o ex (des) governador Sérgio Cabral, seu parceiro de passeios ciclísticos por Paris.

Rodrigo Janot e sua estranha matemática no meio do fogo cruzado entre Gilmar Mendes e Sérgio Moro

O procurador geral da república, Rodrigo Janot, emitiu uma nota onde contesta a aprovação pela Câmara de Deputados de um projeto de lei com medidas anti-corrupção que segundo ele representam um retrocesso (Aqui!).

Até aí morreu o Neves, pois cada um pode defender posições que melhor lhes convenha, e Rodrigo Janot não está impedido de discordar do projeto aprovado pela Câmara Federal. Agora o que parece estranho é ele ter afirmado que 2 milhões de assinaturas representam um apoio maciço em uma população composta atualmente por 206 milhões de pessoas, o que representa menos de 1% do total.

Aliás, o ilustre ministro Gilmar Mendes (ilustre ao menos para paneleiros e para o pessoal da Rede Globo), o problema com essas 2 milhões de assinaturas é que “nem sempre as pessoas sabem do que estão falando ou defendendo (Aqui!)”. E eu acrescento, ou assinando. 

Finalmente, eu fico imaginando o tamanho do nó que deve ter se formado na cabeça de ilustres globais como Miriam Leitão, Merval Pereira e William Waack durante a audiência no Senado Federal quando Gilmar Mendes criticou o juiz Sérgio Moro e o pessoal da Lava Jato por terem se insurgido contra a Câmara de Deputados. É que os dois (Mendes e Moro) são ídolos dos paneleiros e do pessoal da Rede Globo. Ter que decidir entre um dos dois deve estar sendo difícil para esse pessoal. Pior ainda quando Gilmar Mendes apoiou o projeto aprovado pela Câmara de Deputados.

Procuradores e o juiz da Lava Jato: os heróis da classe média podem não ser tão probos quanto querem parecer

Acabo de voltar de uma viagem de trabalho ao extremo sul catarinense e, por causa disso, não tive como atualizar este blog por alguns dias. Mas é claro que a roda política não esperou a minha volta para continuar a girar, e agora temos o tiroteio entre a maioria dos deputados federais e os procuradores do Ministério Público Federal que atuam no âmbito da chamada Operação Lava Jato por causa das alterações feitas no pacote de medidas supostamente voltadas para combater a corrupção no Brasil.

A primeira coisa dessa gritaria dos procuradores da Lava Jato que me espanta é o fato de que parecem ter achado que suas propostas seriam automaticamente sancionadas pelo congresso nacional. Ora, quem legisla são os deputados e senadores, cabendo aos membros do Ministério Público aplicar as leis. Na hora que eles poderem fazer as leis, me parece que estaremos entrando num terreno ainda mais pantanoso para a frágil democracia brasileira.

Mas movidos pelos reclamos de seus heróis tivemos a volta ontem dos paneleiros das classes médias e altas que fizeram ruído depois de meses de silêncio sepulcral. Nem é preciso lembrar que nesse meio tempo de silêncio obsequioso daquela multidão de pele alva e olhos claros tivemos o desmanche de programas sociais, o processo de privatização branca da PETROBRAS e o começo do desmanche do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. No meio disso tudo, a aprovação da PEC 241 pela Câmara de Deputados (depois rebatizada no Senado Federal como PEC 55) cuja aplicação deverá jogar o Brasil com índices de desenvolvimento dos países mais pobres da África e da Ásia. Enquanto isso tudo era aprovado, o silêncio das panelas foi total.

Então é preciso reconhecer que as chamadas e apelos de cunho moralista que partiram dos procuradores da Lava Jato possuem um forte eco em determinados segmentos da população brasileira, a ponto de fazê-los voltar a bater panelas. A curiosidade que eu tenho sobre esse fenômeno é se os paneleiros já olharam seus heróis de mais perto para ver se eles são mais probos do que os deputados federais e senadores que eles tanto possuem ojeriza. A minha resposta é não, ainda que isto ocorra por um misto de comodidade e cinismo. É que para esses setores conservadores há essa mescla de probidade seletiva. Basta ver o ódio ao programa Bolsa Família, enquanto se enriquecem com a especulação financeira que é uma forma de bolsa família dos endinheirados.

Contudo, duas situações envolvendo dois dos heróis dos paneleiros me fazem pensar que haveria algum desencanto caso eles decidissem aplicar os mesmos critérios de probidade aplicados a deputados e senadores em seus personagens ideais. Vejamos o caso do misto de pastor e procurador da república, Deltan Dallagnol, que foi flagrado adquirindo dois apartamentos construídos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV)na cidade de Ponta Grossa (Aqui!).  Apesar de não haver nada de ilegal com o uso de dinheiro pessoal para a compra de imóveis está claro que as unidades do MCMV foram adquiridas por Dallagnol para lucrar com um programa que deveria garantir a casa própria para setores menos abastados da população. Não tão probo assim, certo?

Agora o segundo caso que é o do herói mor dos paneleiros, o dublê de juiz federal e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Moro, que solicitou e obteve autorização para se licenciar do Brasil para estudar nos Estados Unidos da América, supostamente após a conclusão da Operação Lava Jato, o que deverá ocorrer em 2018 ou 2019 (Aqui!).  Afora o pedido peculiarmente adiantado no tempo que Sérgio Moro fez à UFPR, as relações mal explicadas que ele possui com o FBI  e os processos que correm na justiça estadunidense deveriam suscitar perguntas sobre a pertinência dessa viagem de “estudos”. Entretanto, nada disso parece abalar até agora a adoração que os paneleiros destinam a Sérgio Moro. Eu fico imaginando apenas o que mais ainda vai aparecer sobre as relações entre Moro e o governo dos EUA, e isto importaria de algum modo aos seus fãs.

Para mim o que fica claro é que nos déssemos ao trabalho de olhar outros heróis dos paneleiros com lupas mais apuradas é provável que encontraríamos outros pequenos desvios da imagem de completa e integral probidade que eles gostam de passar. E o que temos no Brasil no momento é apenas um momento em que o passe livre que partes do judiciário se auto-concederam está gestando uma crise institucional sem precedentes na nossa história recente, enquanto os paneleiros seletivamente cutucam suas panelas reluzentes. E, sim, enquanto isso a depressão econômica avança inclemente e milhões de brasileiros estão sendo recolocados rapidamente abaixo da linha de miséria. Nada que impressione ou importe aos paneleiros. Afinal, eles continuam lucrando bastante com as estratosféricas taxas de juros que o Brasil paga.