No (des) governo Pezão, as fake news têm pernas curtas e mancam

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Um parcela significativa dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro iniciou 2018 em meio ao mesmo tipo de tratamento mentiroso que lhe foi dispensado pelo (des) governo Pezão ao longo de todo o ano passado. Falo aqui da mistura explosiva de atrasos salariais e distribuição de “fake news” sobre a regularização dos atrasados cujo principal disseminador é o próprio Luiz Fernando Pezão.

O descrédito do (des) governador do Rio de Janeiro é tão grande que o cientista política  João Feres Junior publicou um texto no seu blog na plataforma de notícias mantida pelo jornalista Luiz Nassif onde diz que quando se trata de Pezão, a mentira tem pernas curtas e manca [1]. Tal descrédito é plenamente merecido, pois o (des) governador Pezão se tornou um contumaz distribuidor de informações que não sobrevivem à luz de qualquer escrutínio mínimo.

Entretanto, como já ocorria com o hoje tombado em desgraça (des) governador Sérgio Cabral, a mídia corporativa, principalmente a carioca, continua oferecendo a Luiz Fernando Pezão espaços generosos para que ele dissemine suas “fake news” e são raros os casos em que alguma cobertura jornalística é dada à real situação das contas públicas e, pior, da persistente ausência de formulação de saídas para a grave crise social e econômica que engolfa o estado do Rio de Janeiro.

Tamanha leniência que marca a cobertura jornalística do caos em que o Rio de Janeiro está submerso só pode ser explicada pela aquiescência tácita dos proprietários dos principais veículos da mídia corporativa com as políticas estruturais que são tocadas pelo (des) governo Pezão em prol da contínua acumulação de capital nas mãos das corporações privadas.

Obviamente o (des)governo Pezão não permanece blindado apenas na cobertura jornalística, pois também nada se ouve no fronte da ação política e, tampouco, nas apurações policiais que continuam desvelando um sem número de crimes que ocorreram sob a batuta gulosa de Sérgio Cabral. É que como o próprio Cabral já revelou, algumas coisas aconteciam bem debaixo do nariz de Luiz Fernando Pezão que, inexplicavelmente, permanece intocado, podendo assim continuar sua agenda de desmanche do estado.

Como está evidente que estamos sob a égide de uma orquestração bem azeitada para permitir que o (des) governador Luiz Fernando Pezão continue sua “obra” até o último dia do seu mandato,  a pergunta que se coloca é de até quando os sindicatos que representam os servidores (ou dizem representar) e os partidos ditos de oposição vão sair da posição cômoda de resumir o enfrentamento às políticas privatizantes e de ataque os serviço público à manifestações esporádicas para dentro e fora da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. É que essa tática tem permitido a que os ataques desfechados pelo (des) governo Pezão ocorram praticamente sem resistência.

A coisa para mim é simples: ou se saí da oposição alegórica que permitiu que o (des) governo Pezão tratasse quase metade dos servidores públicos como lixo descartável ou 2018 será ainda pior para quem já sofreu. É que entre as poucas verdades anunciadas pelo (des) governador Pezão já apareceu a informação de que ele pretende adotar mais “medidas amargas” em 2018, o que certamente será traduzido num aprofundamento dos ataques já feitos contra  os servidores públicos , a começar pelas suas aposentadorias [2].

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[1] https://jornalggn.com.br/blog/joao-feres-junior/a-mentira-de-pezao-tem-pernas-curtas-e-manca-por-joao-feres-junior

[2] https://oglobo.globo.com/rio/ainda-vou-tomar-medidas-amargas-diz-pezao-sobre-crise-economica-do-rio-22241025

As agruras da Família Garotinho e o naufrágio da mídia corporativa

Uma das verdades pouco ditas de forma explícita é que a imensa maioria (se não a totalidade) dos veículos da mídia corporativa só sobrevivem atualmente por conta de verbas originadas do setor público. É que se fossem depender de seus leitores, a mídia corporativa já teria fechado completamente suas portas.

Afora o fato de que não possuem a agilidade das redes sociais, a perda de relevância dos jornais e canais de TV tem muita a ver com a forma pouco plural com que sues proprietários apresentam as suas versões dos fatos, colocando de lado os próprios fatos.  Nesse sentido, quem reclama que a internet prejudicou seus negócios só está experimentando um pouco do próprio veneno.

Um caso que me parece exemplar de como a mídia corporativa causa danos à si mesma é a forma com que os imbróglios do ex-governador Anthony Garotinho e sua família com a justiça são retratados.  A desproporcionalidade do tratamento entre notícias negativas e positivas é tornada óbvia todos os dias. Se Garotinho dá um espirro enquanto estiver falando numa entrevista, a manchete é quase certa. Agora, se um de seus filhos, digamos, Wladimir for absolvido em algum processo importante (por exemplo o caso conhecido como “Chequinho”),  a notícia é, quando muito, colocada numa nota escondida e sem qualquer chamada de capa.  O produto final disso é ocultar que Wladimir foi inocentado por falta de provas num processo em que, aparentemente, existe ampla abundância delas. 

Essa desproporção de tratamento deveria envergonhar qualquer um que se pretenda jornalista sério, mas não.  O tratamento desproporcional à família Garotinho já está naturalizado com o claro objetivo de demonizar não apenas o líder da família, mas a todos os seus membros.  O que isso nos diz é que há que se dar o direito à dúvida a quem é retratado dessa forma, e não a quem retrata. É que, sendo inocente ou não, os objetos da cobertura que se pretenda jornalística deveriam merecer um tratamento minimamente proporcional. Essa deveria ser uma regra de ouro nas redações, mas faz tempo que a mídia brasileira, independente do tamanho da empresa, já perdeu os pruridos e passou a ser parcial e partidarizada. Por isso mesmo, repito, a mídia brasileira merece estar no buraco sem fundo em que se encontra. É que em vez de jornalismo investigativo, o que temos na maioria dos casos são ações de assassinatos seletivos de reputação.

Uma coisa que tem me chamado a atenção é o crescimento da relevância de portais eletrônicos independentes.  O que muitos proprietários de veículos tradicionais teimam em não reconhecer é que a sua perda de relevância frente aos meios  eletrônicos de comunicação se dá por critérios que vão além da velocidade e rapidez  que caracterizam as novas mídias. O critério que cada vez atrai mais leitores parece ser a do equilíbrio na cobertura, o que prefiro chamar de proporcionalidade. Por isso mesmo, no caso específico de Anthony Garotinho, não é por acaso que são os veículos da mídia eletrônica que vêm dando o espaço necessário para apontar para os elementos mais relevantes e contraditórios que cercam o atual cerco judiciário que ele sofre.

Por último, há que se ressaltar que a falência da capacidade investigativa da mídia brasileira está gerando outro fenômeno interessante que é o crescimento da importância da cobertura feita por grandes  veículos da mídia estrangeira como o El País e a BBC, que possuem portais específicos na língua portuguesa.  Esse fenômeno somado ao dos portais eletrônicos locais ou regionais deverá ter repercussões profundas sobre o mercado jornalístico brasileiro. E me arrisco a dizer que só sobreviverão aqueles que conseguirem oferecer informações que reflitam mais a realidade do que aquilo que seus interesses comerciais ditam que seja publicado.  Para os que não mudarem de postura, o naufrágio será inevitável. A ver!

 

 

O cinismo do discurso sobre o direito de “ir e vir”

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O inciso XV do artigo 5 da Constituição Federal Brasileira consagra que “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens“.  

Pois bem, essa cláusula constitucional foi usada ontem “ad nauseam” por jornalistas, empresários e políticos para criticar a realização da greve geral que ganhou manchetes mundiais, mas que aqui no Brasil teve uma cobertura jornalística restrita e tendenciosa.

Agora, vejamos, ao trabalhador brasileiro se quer garantir o direito de “ir e vir”, enquanto se cassam as suas garantias fundamentais de trabalhar com salários compatíveis e de se aposentar com dignidade? Sim, é isso mesmo!

A verdade é que toda essa conversa sobre direitos negados pela ação organizada da classe trabalhadora é só uma mera cortina de fumaça que é lançada para ocultar o que de fato está em jogo no Brasil. E o que está em jogo é o desmonte das garantias básicas que a Constituição Federal de 1988 possui, e que as elites oligárquicas deste país querem destruir para ficarem ainda mais podres de ricas, enquanto a maioria do nosso povo padece sob um regime de profunda exclusão social e econômica.

Então, que me desculpem os defensores desse direito de ir e vir que só servem para os ricos, a classe trabalhadora e a juventude brasileira têm a obrigação de reagir com as ferramentas que lhes estão à mão.

 

Versos íntimos de Augusto dos Anjos para Eike Batista

VERSOS ÍNTIMOS

Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

O poema acima foi escrito por Augusto dos Anjos e publicado em seu único livro no ano de 1912 me parece perfeito para descrever o momento por que passa o ex-bilionário Eike Batista e , por ora, fugitivo internacional.  

É que agora ele certamente sentirá o outro lado da moeda a que se referia Augusto dos Anjos em relação à dualidade que nos cerca na vida em termos de relações humanas, especialmente quando se trata de figuras que apenas se aproximam pela possibilidade da obtenção de vantagens. Nessas horas a bajulação é uma das ferramentas pelas quais vantagens são obtidas e concedidas, muitas vezes por cima das leis vigentes.

Mas abaixo seguem imagens que mostram que Eike Batista teve um trânsito largo com políticos no momento em que estava por cima da carne seca, e que ultrapassou os limites partidários. Eike Batista foi, por exemplo, um doador multipartidário de campanhas eleitorais, e agora parece ficar claro o porquê disso. 

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Mas que ninguém se engane, Eike Batista não virou o maior vendedor de ventos do planeta sem que tivesse ajuda generosa das elites políticas e econômicas do Brasil.

E que Eike não se engane, ele será negado mais que as 3 vezes que Pedro negou Jesus Cristo. É que na hora da desgraça, os bajuladores e amigos de ocasião são sempre os primeiros a desaparecer.

Finalmente, uma palavra para a mídia corporativa que agora espezinha Eike Batista: sem a ajuda dos barões da mídia, o fenômeno “X” nunca teria chegado onde chegou. Assim, principalmente graças à internet, será sempre possível acessar as capas e matérias grandiloquentes sobre as propaladas habilidades de Eike Batista que agora se sabe nunca passaram de uma excelente capacidade de jogar conversa fora.

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