“Má condução da pandemia está passando de todos os limites”

 O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o presidente Jair Bolsonaro

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o presidente Jair Bolsonaro

Por Edison Veiga para a Deutsche Welle

Em entrevista, epidemiologista brasileiro fala sobre carta que publicou na “The Lancet” para chamar atenção da comunidade científica internacional para a maneira “vergonhosa” como o governo Bolsonaro conduz a pandemia.

Coordenador do Epicovid-19, primeiro estudo brasileiro a avaliar a magnitude da pandemia do coronavírus, o epidemiologista e educador físico Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), publicou na revista médica britânica The Lancet, na última sexta-feira (22/01), uma dura crítica à maneira como o governo brasileiro está conduzindo a crise sanitária.

Intitulada SOS Brasil: ciência sob ataque, a carta, endereçada à comunidade científica, inclui números da pandemia do Brasil e relembra momentos em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, agiu minimizando ou desacreditando a gravidade da situação.

“A falta de ação [do governo federal, quanto ao coronavírus, motivou a carta]. A má condução da pandemia pelo governo brasileiro está passando de todos os limites e, agora, com essa questão da vacinação, a situação ficou insustentável. Achei que a comunidade científica internacional deveria saber do que está acontecendo”, disse Hallal em entrevista à DW Brasil.

Em trecho do documento, ele afirma que “a resposta trágica do Brasil à covid-19 tem um preço”. “A população brasileira representa 2,7% da população mundial. Se o Brasil também representasse 2,7% das mortes por covid-19 (isto é, tivesse uma performance no enfrentamento da covid-19 igual à média mundial), 56.311 pessoas teriam morrido. Contudo, até o dia 21 de janeiro de 2021, 212.893 pessoas haviam falecido devido à covid-19 no país”, prossegue.

“Em outras palavras, 156.582 vidas foram perdidas por causa do mau desempenho brasileiro no enfrentamento da pandemia. Atacar pesquisadores definitivamente não vai ajudar a resolver o problema”, critica.

The Lancet, fundada em 1823, é considerada uma das mais prestigiadas publicações médicas internacionais.

A divulgação da carta aumentou a perseguição, sobretudo nas redes sociais, que já vinha sendo sofrida por Hallal desde que começou o trabalho à frente do Epicovid-19 e passou a se posicionar publicamente com orientações para a contenção da disseminação do vírus.

No recorte gaúcho da pesquisa, o Epicovid entrevistou e testou, até o momento, 4,5 mil pessoas desde o início da pandemia. Na abordagem nacional, foram analisadas 33.250 pessoas de todos os estados da federação.

No último dia 11, Hallal participou de um programa veiculado pela Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

Ele foi questionado como se infectou pelo coronavírus e recusou-se a responder. Com o epidemiologista já fora do ar, o deputado federal Bibo Nunes (PSL) e o jornalista Júlio Ribeiro passaram a criticá-lo. Um trecho da gravação foi compartilhado no perfil de Bolsonaro no Twitter, insuflando críticas ao acadêmico.

DW Brasil: O que motivou o senhor a escrever essa carta publicada pela revista The Lancet?

Pedro Hallal: Em primeiro lugar, a falta de ação [do governo federal, quanto ao coronavírus]. A má condução da pandemia pelo governo brasileiro está passando de todos os limites e, agora, com essa questão da vacinação, a situação ficou insustentável.

Achei que a comunidade científica internacional deveria saber do que está acontecendo. E também houve os ataques diretamente a mim. Na verdade, o que me motivou a escrever a carta especificamente foi o Twitter do presidente da República ter publicado aquele trecho da entrevista, quando o deputado e o jornalista me atacaram.

O senhor se refere aos comentários veiculados, no último dia 11 de janeiro, pela Rádio Guaíba, quando o deputado federal Bibo Nunes (PSL) e o jornalista Júlio Ribeiro davam a entender que o senhor, por ter contraído a covid-19, seria um exemplo de que o isolamento social não funciona – ou que o senhor não segue o que recomenda. Podemos dizer que esse episódio, com o posterior compartilhamento do trecho pelo Twitter de Bolsonaro, incitou os ânimos dos críticos?

Precipitou muitos dos ataques que foram feitos a mim. O vídeo original, de 12 minutos, é um ataque absurdo [do deputado], totalmente descontrolado, numa posição incompatível com o cargo que ocupa. Obviamente as devidas providências, se necessárias, serão tomadas.

Tem uma série de absurdos que estamos tratando com o devido cuidado. Estou estudando, mas é realmente um ataque muito direto à minha pessoa. Tem injúria ali, tem uma série de coisas. Talvez sobre o caso eu vá tomar uma providência.

Sobre a carta publicada pela revista The Lancet, como foi a reação de seus colegas? Como tem sido a repercussão no meio acadêmico?

Muito positiva e impressionante. Recebi milhares [de mensagens], e digo milhares com a maior tranquilidade, acho que já dá para dizer dezenas de milhares. Tem um abaixo-assinado circulando de alguns cientistas brasileiros em defesa da minha situação. A reação foi positiva. O pessoal está indignado com o ataque que eu estou sofrendo e com a má condução da pandemia.

O assunto principal não é o ataque a mim. O assunto principal não é se o deputado federal Alcibio [nome de Bibo Nunes] é um bom ou um mau deputado, se coloca outdoor com dinheiro público e todos os casos de corrupção atribuídos a ele.

Na verdade o que importa é como o governo brasileiro vem conduzindo a pandemia. E a carta escancara para o mundo a vergonha que tem sido o desempenho brasileiro no enfrentamento à pandemia.

E críticas? A carta também está motivando esse tipo de resposta?

Chegaram a mim umas cinco ou seis. Uma, de um médico do Rio de Janeiro, tentando usar argumentos científicos, falando de cloroquina, aquela coisa de sempre.

Bem agressiva, usando argumento de autoridade pelo fato da formação dele, em medicina. Recebi ainda dois e-mails com conotação religiosa, dizendo que Deus vai proteger o presidente das forças do mal e que talvez eu seja uma das forças do mal.

Em algum momento essas críticas passaram ou têm passado do aceitável para um debate?

As eventuais ameaças que recebi durante a pandemia [pelo trabalho à frente do Epicovid-19], e não foram poucas, essas foram encaminhadas para investigação à Polícia Federal e tramitam em sigilo. São ameaças, sim, de apoiadores do presidente.

PS do Blog da Saúde:  A carta do epidemiologista Pedro Hallal publicada na na Lancet, em inglêsA versão em português da mensagem faz parte do apêndice. Nós a reproduzimos, na íntegra, abaixo.

   


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Este texto foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui! ].

Quem bebeu todo o leite? Os adversários fazem uma refeição com os hábitos de café da manhã de Jair Bolsonaro

O presidente brasileiro tem um fraco por uma humilde condensado – mas seu governo realmente precisava gastar $ 2,9 milhões com isso?

bolsonaro cokeA preferência de Jair Bolsonaro por leite condensado carregado de açúcar está sob escrutínio em meio a uma catástrofe da COVID-19 na Amazônia. Mas isso não significa que ele bebeu todo o suprimento do governo. Fotografia: Adriano Machado / Reuters

Por Tom Phillips para o The Guardian

É um dos pilares da luta populista de Jair Bolsonaro se retratar como um homem do povo sem frescuras: uma lata do tamanho de um punho de leite condensado custando cerca de US $ 4,00 a unidade

Desde sua eleição surpreendente em 2018, o presidente do Brasil tem aparecido repetidamente regando seu pãozinho de café da manhã com o líquido carregado de açúcar – principalmente durante uma refeição matinal com o conselheiro de segurança nacional de Donald Trump, John Bolton.

Mas as alegações, parcialmente refutadas a posteriore, de que o governo Bolsonaro gastou no ano passado 15,6 milhões de reais (£ 2,1 milhões / US $ 2,9 milhões) em seu alimento favorito gerou protestos públicos, com rivais e detratores detonando o que chamaram de hábitos alimentares imoderados do presidente.

“Os responsáveis ​​devem ser punidos!” o esquerdista Ciro Gomes trovejou no Twitter, exigindo uma investigação da Suprema Corte sobre “os gastos absurdos de Bolsonaro”.

Sâmia Bomfim, uma deputada socialista, disse que os brasileiros mereciam saber como 7.200 latas de leite condensado podem ser devoradas a cada dia. “A família presidencial consumiu tudo isso?” ela se perguntou depois que as denúncias foram publicadas por um site de notícias chamado Metrópoles.

Apontando para a mortal crise da COVID-19 na Amazônia, o deputado Marcelo Freixo afirmou que “com o dinheiro que Bolsonaro gastou com leite condensado, 8.000 cilindros de oxigênio poderiam ter sido comprados para impedir que brasileiros morressem sufocados”.

O colunista conservador Merval Pereira condenou um “escândalo [que] seria cômico, se não fosse trágico”. Além do leite condensado, teriam sido gastos 2,2 milhões de reais em chicletes, 8,9 milhões em chocolates e 31,5 milhões em refrigerantes, queixou-se Pereira no jornal O Globo, denunciando como os gastos haviam causado “indigestão cívica”. “Mesmo que o leite condensado tenha se tornado uma mania ministerial, mais de dois milhões de latas é demais”, o colunista se irritou.

A verdade, perdida em meio ao alvoroço online e uma explosão de memes e receitas, parecia revelar muito menos sobre as papilas gustativas do Bolsonaro.

O site de checagem aos Fatos informou que os valores citados por Metrópoles referem-se ao gasto total do governo federal, e não apenas à presidência. A maior parte – £ 1,9 milhão ($ 2,6 milhões) – do leite condensado foi comprada pelo Ministério da Defesa para alimentar dezenas de milhares de pessoas que trabalham para as forças armadas com doces.

Thomas Traumann, um especialista em comunicação política, disse que é irônico que Bolsonaro, que assumiu o poder com um tsunami de notícias falsas e desinformação, esteja experimentando seu próprio remédio.

Traumann previu que a confusão do leite condensado não derrubaria Bolsonaro. Mas a história foi um golpe de relações públicas para um presidente que já estava sob pressão por causa do colapso da saúde na Amazônia. “Eles começaram o ano na defensiva nas redes sociais, que é o domínio que mais dominam”, disse ele.

Em uma sugestão do mal-estar da família Bolsonaro, o presidente disse aos jornalistas “merdosos” que cobriam a história que eles deveriam “ir se foder”. “Vá enfiar uma lata de leite condensado na sua bunda”, declarou Bolsonaro .

Seu filho Eduardo publicou uma série de tweets defendendo o leite condensado como “um alimento rico em calorias” essencial à culinária brasileira.

Filipe Martins, um assessor presidencial, lançou o que chamou de “acusação estúpida e criminosa” contra seu chefe. Ele culpou a “mídia podre” pelo espalhafato de laticínios.

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Este artigo foi inicialmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Forçar volta às aulas presencias em meio ao agravamento da pandemia = empurrar profissionais da educação para o cadafalso

Cadafalso - UNIVERSO HQ
Li com um misto de incredulidade e pasmo a informação de que o prefeito Wladimir Garotinho está propalando a possibilidade da volta das aulas presenciais em escolas do município de Campos dos Goytacazes. O sentimento duplo se deve ao fato de que, por outro lado, as notícias em relação à pandemia da COVID-19 vão no sentido de que o nosso município enfrenta um quadro de agravamento no total de infecções e mortes.
A impressão que fica é que o destino não apenas de professores, mas de todo o pessoal que carrega as escolas nas costas é sem importância para um prefeito que ao longo da campanha eleitoral prometeu valorizar os servidores municipais e, principalmente, respeita-los.
Mas na prática o que se vê é que, muito provavelmente, para satisfazer demandas vindas dos proprietários de escolas particulares, o prefeito e seu secretário municipal de Educação estão se preparando para enviar profissionais, muitos deles com múltiplas comorbidades, para o cadafalso. Aliás, acho muito peculiar a pressão vinda do setor privado pelo retorno às aulas presencias. A minha suspeita é que as contas de muitas escolas particulares mergulharam no vermelho e seus proprietários precisam ter os alunos nas escolas para gerar mais receita, principalmente com suas cantinas e serviços extras que transformam os pais em uma espécie de vaca leiteira.
De quebra, em um momento em que a carestia invade de forma impiedosa a casa dos trabalhadores, Wladimir Garotinho sapeca mais 3% na cobrança das contribuições a um fundo de previdência que está claramente em dificuldades de se manter de pé, fruto de alguns investimentos mal feitos e de seguidas mordidas por diferentes administrações municipais que se serviram do Previcampos para cobrir buracos criados por ações desastradas.
Aos servidores da educação restará a mobilização e uma ação decisiva para impedir que uma volta às aulas seja imposta em meio ao agravamento de uma pandemia que deverá se aprofundar antes de melhor, mesmo porque teremos ainda conviver com a falta de vacinas que sejam suficientes para imunizar todos os servidores municipais, principalmente os da saúde e da educação.
Finalmente, alguém precisa lembrar ao prefeito Wladimir Garotinho que não adianta abraçar gari em um dia, e no outro mandar centenas de servidores municipais para escolas que têm tudo para se transformar em centros de disseminação da COVID-19 e, última instância, em centros de morte de profissionais da educação.

Os sinos dobram para Jair Bolsonaro

bolso michelleO contraste dos Bolsonaro: Michelle com máscara, Jair sem máscara. (crédito: Marcos Corrêa/PR)

A situação do presidente Jair Bolsonaro começa a se deteriorar rapidamente, a ponto de vários representantes estelares da mídia corporativa nacional (incluindo a direção dos jornais Estadão e Folha de São Paulo) estarem falando abertamente no seu impeachment.

Mesmo concordando com o fato de que o presidente Bolsonaro já mostrou não possuir a mínima capacidade de gerir o governo federal em um momento que combina profunda crise econômica e crise sanitária gravíssima,  tenho certeza de que a súbita mudança em seu destino político não se deve a isso. O mais provável é que Bolsonaro, tal como Dilma Rousseff, esteja tendo sua continuidade no cargo ameaçada por não entregar o que as oligarquias que controlam a economia brasileira querem na velocidade em que elas desejam, que são as grandes estatais como o Banco do Brasil e a Petrobras.

Há ainda que se notar que a rápida deterioração da capacidade de Jair Bolsonaro de se manter no poder não está sendo precedida pelo mesmo nível de ataques e desgaste político a que Dilma Rousseff foi submetida. A chamada oposição de esquerda até poucos dias atrás estava mais preocupada em barganhar cargos na mesa da Câmara de Deputados e do Senado Federal do que colocar a sua militância na rua, coisa que só começou a acontecer no dia de ontem. Em outras palavras, se Bolsonaro está começando a balançar no cargo, isto se deve a um acordo por cima entre as oligarquia econômicas brasileiras, e não por mérito da esquerda.

A manobra para tirar Jair Bolsonaro poupa claramente o vice-presidente general Hamilton Mourão, que já se sabe é adepto da mesmíssima agenda econômica, apenas sem os histrionismos que acometem o ex-capitão. Da mesma forma, apesar de toda a sua ação desastrosa, se poupa o dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, Paulo Guedes.  O que se trama, mais uma vez, é a mera substituição de um chefe de estado por um vice mais confiável para executar as tarefas que estão postas para aprofundar a transformação do Brasil em uma espécie de neocolônia, de preferência dos chineses que consomem boa parte das nossas commodities agrícolas e nos vendem quase todos os agrotóxicos que poluem nossos campos e comida.

Diante desse cenário, o que se deve fazer? À primeira vista não cair na armadilha que está posta de tirar apenas Jair Bolsonaro do cargo, e ampliar a ação para a derrubada de seu governo como um todo, incluindo o seu vice-presidente. Afinal, se Bolsonaro está sendo culpabilizado pelas dimensões épicas que a pandemia da COVID-19 no Brasil, o que dizer de seu vice-presidente que até agora seguiu estritamente a mesma cartilha negacionista?

Uma coisa é certa: as próximas semanas serão decisivas para o destino político do governo Bolsonaro, e provavelmente veremos um esforço monumental para reverter a raiz da sua crise que é a falta de uma resposta efetiva contra a pandemia. Assim, que ninguém se surpreenda se o próprio Jair Bolsonaro vire garoto propaganda de uma campanha nacional de vacinação, e que a cabeça do general Eduardo Pazuello seja servida por ele em uma bandeja de prata.

As mortes em Manaus devem ser um alerta para o mundo

Não por causa da imunidade do rebanho: Na metrópole brasileira de Manaus, o sistema de saúde entrou em colapso devido à COVID-19. De acordo com uma teoria, a mutação P.1 é parcialmente responsável

lucas silva © LUCAS SILVA / DPA / PICTURE ALLIANCE 

Por Christian Heinrich para a Spektrum*

Foi dito que a cidade brasileira de Manaus alcançou imunidade de rebanho. Dizia-se que o coronavírus estava sob controle ali. Agora não há apenas dúvidas sobre o estudo de imunidade, mas pior: as unidades de terapia intensiva dos hospitais da metrópole estão superlotadas, o oxigênio está quase esgotado. Ouvimos de hospitais que as pessoas sufocam porque os médicos não conseguem ventilá-las adequadamente. O sistema de saúde entrou em colapso.

O que está acontecendo em Manaus hoje em dia pode ter consequências em todo o mundo. Uma nova variante do coronavírus está circulando na cidade Alguns pesquisadores interpretam suas propriedades como o primeiro sinal de que a luta contra a Covid-19 pode levar a um sério revés na luta contra a pandemia nas próximas semanas e meses.

A situação em Manaus é tão dramática quanto trágica. As clínicas há muito não conseguem aceitar centenas de pacientes da COVID-19 que estão realmente em tratamento intensivo, enquanto enfermeiras e médicos não podem mais cuidar de seus pacientes nas enfermarias. Devido ao grande número de pacientes COVID-19 em unidades de terapia intensiva que requerem ventilação, a necessidade de oxigênio para ventilação artificial aumentou enormemente e a equipe do hospital tem que ventilar os pacientes em alguns locais com bombas manuais. Uma pessoa pode fazer isso por 20 minutos – então outra pessoa tem que ajudar. A solução provisória da solução provisória: voluntários que vêm aos hospitais para salvar vidas.

As autoridades e o governo brasileiro são responsáveis ​​por esta situação. O número de doentes aumentou rapidamente na segunda metade de dezembro, depois que as regras para conter a pandemia foram recentemente relaxadas; incluindo a proibição de reuniões maiores e regras à distância. Isso permitiu que o vírus se propagasse mais amplamente, especialmente durante o Natal e as comemorações de final de ano. O populista de direita presidente brasileiro Jair Bolsonaro fez sua parte minimizando publicamente o perigo do vírus e semeando dúvidas sobre a segurança e eficácia das vacinas: “Não assumimos responsabilidade”, disse ele. “Se você se tornar um crocodilo, o problema é seu.”

Em segundo lugar, existem sinais preocupantes de que os problemas se devem não apenas ao modo como o Brasil está lidando com a crise, mas também a mudanças no coronavírus.

A imunidade do rebanho provavelmente nunca foi alcançada em Manaus

Manaus já era uma cidade com um número particularmente alto de infectados em abril de 2020, durante a primeira onda da pandemia. Naquela época, valas comuns tinham que ser cavadas para os mortos. Como o vírus se espalhou tão rapidamente, os pesquisadores suspeitaram que a maioria das pessoas carregava o patógeno em um curto período de tempo. Já em outubro de 2020, 76% da população de Manaus deveria estar infectada com o Sars-CoV-2, de acordo com a renomada revista científica “Science”. Como resultado, a cidade poderia ter obtido imunidade coletiva de acordo com os critérios oficiais O que também significa: não deveria ter havido um surto tão flagrante como está ocorrendo atualmente em Manaus.

tubos oxigenio© EDMAR BARROS / ASSOCIATED PRESS / PICTURE ALLIANCE (EXCERTO)Carência de oxigênio em Manaus | Os familiares de pacientes da Covid-19 que estão no hospital ficam na frente de uma empresa com garrafas de oxigênio vazias para recarregá-las.

Como pode ser?

Talvez o cálculo esteja errado, ou pelo menos a conclusão que alguns tiraram dele. O estudo da “Ciência” agora é controverso. Os pesquisadores calcularam o número de pessoas que provavelmente seriam protegidas do Sars-CoV-2 examinando amostras de sangue em busca de anticorpos usando métodos estatísticos. No entanto, os dados vêm de doadores de sangue que receberam um teste gratuito para anticorpos Covid-19 como um incentivo. Isso poderia ter atraído os doadores em particular, que suspeitaram de terem sido infectados no passado.

Esse viés estatístico ainda seria o melhor caso. Pelo menos quando você considera a outra opção.

A variante P.1 do coronavírus no estado do Amazonas causa preocupação

Os pesquisadores temem que as mudanças em partes cruciais do vírus sejam a causa. Pelas mutações, daí a preocupação, essa variante do Sars-CoV-2 poderia atacar uma segunda vez mesmo aqueles que já carregavam o vírus ou deveriam ser protegidos por uma vacina – o sistema imunológico não reconhece o patógeno. Essa seria uma notícia desastrosa para a luta global contra a pandemia, na qual a imunidade é laboriosamente construída com a ajuda de vacinas .

Na verdade, uma nova mutação do Sars-CoV-2 pode ser detectada na região amazônica: P.1. A variante foi descoberta pela primeira vez quando já estava no exterior: no Japão, funcionários do laboratório encontraram a mutação em quatro viajantes da região amazônica. Uma análise de P.1 mostrou que ele tinha mutações semelhantes a duas outras variantes de vírus altamente consideradas, B.1.1.7 da Grã-Bretanha e 501Y.V2 da África do Sul . Com esses dois, estudos iniciais mostraram que, embora não levem a cursos de doença mais graves, são mais contagiosos do que os Sars-CoV-2 anteriores.

Jesse Bloom, um biólogo evolucionário do Fred Hutchinson Cancer Research Center em Seattle, acha que isso é preocupante: “Cada vez que as mesmas mutações aparecem e se propagam independentemente, é uma forte indicação de que essas mutações estão ganhando uma vantagem evolutiva significativa. «

Além disso, P.1 da América do Sul já mostra que a extensão das mutações é maior. Portanto, pode ser que esse patógeno modificado tenha outras novas propriedades significativas. Os primeiros pacientes individuais recém-infectados também foram encontrados. “O fato de a variante ter aparecido aqui, entre todos os lugares, pode ser um sinal de que ela está ganhando espaço onde grande parte da população já é supostamente imune”, diz Bloom.

Fernando Spilki, virologista da Universidade Feevale, na região metropolitana de Porto Alegre, Brasil, vê outro sinal disso ao examinar mais de perto as mutações do vírus: “A variante de Manaus altera certa parte de uma proteína que pelo menos foi detectada em testes de laboratório que pode neutralizar anticorpos dirigidos contra Sars-CoV-2. “

Mas tudo isso ainda são apenas indicações iniciais. Não é nada certo que a nova variante do vírus contorne a defesa imunológica do corpo treinada em Sars-CoV-2. Pode ser que, nos casos individuais em que ocorreu uma segunda infecção, a causa não seja um patógeno alterado, mas o sistema imunológico do paciente. O sistema pode ter esquecido como se defender do Sars-CoV-2 nos últimos meses.

Também não está claro como o vírus modificado reagirá às vacinas COVID-19 existentes. Ainda não há evidências de resistência. No entanto, alguns pesquisadores interpretam o fato de que o patógeno mudou rapidamente várias vezes em pontos cruciais como um sinal de que Sars-CoV-2 poderia se adaptar rapidamente às vacinas.

Muito ainda é incerto no momento. O certo é que é comum que os vírus mudemMas quanto mais variantes questionáveis ​​estiverem em circulação, menor será a probabilidade de se conseguir conter a pandemia em tempo hábil. Só no Brasil já existem três linhas Sars-CoV-2, diz Spilki: “A variante de Manaus, uma no Rio de Janeiro e outra no sul do país, no Rio Grande do Sul”.

ambulanciasTransporte de ambulâncias | Profissionais de saúde e militares se preparam no Aeroporto de Ponta Pelada, em Manaus, para colocar um paciente Covid-19 em um avião da Força Aérea para ser levado a um hospital fora da cidade.

Experimentos com animais devem revelar mais sobre a variante sul-americana

Para os pacientes de Manaus, as causas são secundárias. O mais importante é cuidar dos enfermos. O Brasil está fazendo tudo o que pode para ajudá-los e colocar a situação sob controle. Por exemplo, helicópteros militares entregaram oxigênio à cidade nos últimos dias e várias centenas de pacientes foram transferidos para hospitais da região.

Enquanto isso, os cientistas estão trabalhando para investigar as propriedades do P.1 com mais detalhes. Em experimentos com animais com hamsters, por exemplo, é testado se animais considerados imunes ficarão doentes novamente após uma infecção inicial, se o vírus mutante pode ser transmitido mais rapidamente e quais características especiais a variante ainda possui. Os primeiros resultados podem ser esperados nas próximas semanas.

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pela revista Spektrum [Aqui! ].

Os necrocomercadores da pandemia e sua insensibilidade social

cemiterio

Assisto relativamente de longe a pendenga estabelecida entre os donos de estabelecimentos comerciais e a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes acerca das necessárias medidas de isolamento social que foram adotadas para frear o agravamento da pandemia da COVID-19.  Se não estivéssemos vivenciando um forte agravamento de contaminações e mortes causadas pelo coronavírus, a discussão sobre abre e fecha o comércio seria meramente escolástica.

O problema é que estamos em meio a uma situação em que vídeos emitidos por médicos atuando na linha de frente do combate à pandemia da COVID-19 em Campos dos Goytacazes apontam, até de forma desesperada, para uma situação crítica em que inexistem leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), e que muitos pacientes já não têm sequer como serem acolhidos nos hospitais da cidade.

Dessa forma, pressionar para manter estabelecimentos comerciais abertos é um convite a um agravamento ainda maior do que já está grave. Lamentavelmente, como no caso de Rafael Diniz, o prefeito Wladimir Garotinho aparentemente está escolhendo o caminho da espinha curvada, em vez de se posicionar como o líder que o município também precisa em um momento gravíssimo de nossa História.

Ao analisar os parcos argumentos oferecidos em prol da abertura de estabelecimentos que, em sua maioria, continuarão às moscas por falta de clientes, não posso deixar de observar que é falacioso afirmar que os estabelecimentos comerciais não são fonte de contaminação.  Qualquer um que percorrer a área comercial do centro de Campos dos Goytacazes verá que o máximo que se faz é oferecer álcool gel e medir a temperatura corporal dos clientes,  medida necessárias que estão longe de impedir a expansão do processo de contaminação.

Mas a grande questão é que para se chegar a um estabelecimento qualquer, o eventual cliente terá que usar transportes públicos precários e circular por ruas em que a maioria não porta máscaras. Assim, a pessoa pode até não se contaminar dentro de uma dada loja, mas isso não quer dizer que o funcionamento de atividades não essenciais não contribua para que haja um agravamento da pandemia. Isto sem falar nos próprios trabalhadores do comércio que, em sua maioria, é obrigada a usar transporte público para chegar ao trabalho.

Já está mais do que claro que as próximas semanas serão marcadas pelo agravamento dos casos de contaminação, o que ampliará ainda mais a pressão sobre unidades hospitalares já sobrecarregadas. Mas nada disso parece sensibilizar os necromercadores da pandemia.   Legal seria se quando a vacinação realmente chegasse, eles se recusassem a entrar na fila para dar lugar aos seus empregados. Mas já sabemos que isto dificilmente ocorrerá.

“Você sabe com quem está falando?” em tempos de pandemia

vacina

Coube ao antropólogo Roberto DaMatta sintetizar a lógica autoritária com que os poderosos e mais abastados exercem suas prioridades sobre o resto da população brasileira sob a frase “Você sabe com quem está falando”?  DaMatta, aliás, acaba de lançar um livro com este título, onde ele promete explicar aspectos complementares do autoritarismo vigente na sociedade brasileira pela editora Rocco.

Apesar de ainda não ter tido a oportunidade de adquirir o livro de DaMatta, eu já me antecipo e indico que uma forma especialmente arrogante de exercício do “Você sabe com quem está falando?” está ocorrendo na furação de filas para ser vacinado contra a COVID-19. Um primeiro exemplo veio justamente de Manaus, onde duas irmãs gêmeas, jovens médicas e milionárias, foram nomeadas para a Secretaria Municipal de Saúde, aparentemente para furarem a fila da vacina. A situação acabou oferecendo ainda mais combustível para a a situação socialmente que foi gerada pela incompetência dos diferentes níveis de governo de impedir dezenas de mortes por asfixia por falta de oxigênio na capital do estado do Amazonas.

Engana-se que a aplicação do “Você sabe com quem está falando?” se resumiu às gêmeas milionárias de Manaus, pois fui informado que um apadrinhado de um político local recebeu tratamento, digamos, especial em pleno Hospital Geral de Guarus, foi vacinado antes dos profissionais daquele unidade de saúde. Lamentavelmente não me foi fornecida nem a identidade do furador de fila ou imagens do momento em que a furação de fila ocorreu.  Entretanto, a fonte que me passou a informação é bastante confiável, e, por isso, não tenho dúvidas de que o fato ocorreu.

O que podemos dizer para indivíduos, a maioria bem educada e capaz de comprar uma passagem para se vacinar em países que estão fazendo isso com os turistas que desafiam o medo da pandemia para viajar, que não se hesitam em passar na frente e deixar aqueles que deveriam ser vacinados primeiro para trás? Provavelmente que eles expressam o que há de mais arcaico e autoritário em uma sociedade que prima por tratar os pobres como bucha de canhão, especialmente em um momento em que um vírus letal ameaça solapar toda o planeta.

Mas esses que exercem o “Você sabe com quem está falando?” em meio a uma pandemia estão pouco se importando com os seus semelhantes, especialmente os mais pobres. Por isso, é que nos cabe publicizar todos os casos comprovados de furadores de fila, pois esse comportamento não pode ser tolerado sob pena da instalação da mais completa forma de barbárie social.

Quando o oxigênio acabar

O número de infecções está explodindo na metrópole da floresta tropical de Manaus. Nos hospitais, muitos dependem de garrafas particulares de oxigênio

Virus Outbreak Vaccine

Um dos muitos enterros em um cemitério de Manaus no início de janeiro de 2021Foto: Edmar Barros / ap

BERLIN taz | As fotos aéreas das valas comuns no Brasil deram a volta ao mundo no início da pandemia corona. Agora, a metrópole de floresta tropical de Manaus, no norte do país, está novamente nas manchetes tristes. Na quinta-feira, os hospitais informaram que ficaram sem oxigênio.

Os funcionários já devem tentar ventilar os pacientes manualmente. Vídeos de pessoas carregando garrafas de oxigênio compradas de forma privada para hospitais para seus parentes doentes estão se tornando virais nas redes sociais . O diretor do maior hospital público enviou um apelo dramático por meio de grupos do Whatsapp: “Se alguém puder ajudar a manter a ventilação, por favor, precisamos de você!”

Mais de 206.000 pessoas já morreram de Covid-19 no Brasil – esse é o segundo maior número depois dos EUA. Manaus foi duramente atingida pela crise de saúde no início da pandemia. Agora, os números explodiram novamente: só nos primeiros doze dias do ano novo, mais de 2.000 novos infectados foram internados nos hospitais. Centenas estão em listas de espera por leitos de terapia intensiva e muitas pessoas sufocaram sem tratamento.

De acordo com especialistas, o rápido aumento de novas infecções pode ser devido a uma mutação do vírus descoberta no estado do Amazonas . Mas as medidas frouxas de isolamento e a negligência da população também são citadas como motivos.

O tradutor alemão Klaus Reuss, que mora em Manaus, disse ao taz que muita gente não cumpriu a regulamentação nas últimas semanas. Já aconteceram festas com milhares de convidados, as pessoas saíram às ruas sem máscaras, as lojas e os bares lotaram. Muitas comemorações de Natal e Ano Novo aconteceram sem restrições.

O Oxigênio da Venezuela

O governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, admitiu a dramática situação em entrevista coletiva na quinta-feira e anunciou o toque de recolher entre 7 e 6 horas. Os pacientes da COVID-19 devem agora voar para outros estados e um suprimento emergencial de oxigênio foi acordado com um vizinho em crise, a Venezuela . Enquanto isso, internautas e celebridades estão coletando doações para poder enviar garrafas de oxigênio de maneira privada para o estado do Amazonas.

Por muito tempo, os especialistas advertiram sobre um novo colapso do sistema de saúde e declararam que a imunidade coletiva não era esperada na metrópole duramente atingida. No final de dezembro, o governador de direita Lima retirou um decreto para um novo bloqueio após pressão pública. A decisão foi celebrada por políticos de direita, como o filho do presidente Jair Bolsonaro.

O vice-presidente Hamilton Mourão disse na quinta-feira que garrafas de oxigênio serão transportadas para o estado em aeronaves militares. O presidente Bolsonaro falou na noite de quinta-feira ao lado de seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Em um vídeo ao vivo, Bolsonaro, que repetidamente se referiu à Corona como uma “gripe menor”, zombou dos doentes e ignorou as advertências da Organização Mundial de Saúde (OMS), disse que a responsabilidade pelo caos em Manaus é do governo do estado e da prefeitura.

O ex-militar novamente elogiou a polêmica droga contra a malária , a cloroquina como uma droga milagrosa contra a COVID-19. O governo também é criticado por sua estratégia de vacinação. Por razões políticas, Bolsonaro levantou o ânimo contra uma vacina chinesa e declarou várias vezes que não seria vacinado em hipótese alguma.

O deputado federal de esquerda Marcelo Freixo encontrou no Twitter palavras claras: “Isso não é incompetência. O que estamos observando atualmente em Manaus são as consequências de crimes dolosos cometidos por Bolsonaro e seus cúmplices ”.

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal berlinense TAZ [Aqui!].

A Inglaterra, que já vacina, decide fazer um lockdown radical contra a COVID-19. E o Brasil de Bolsonaro? Nada!

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Em que pese o Reino Unido já ter começado o seu processo de vacinação em massa contra a COVID-19, o  primeiro ministro conservador (isto é, de direita) Boris Johnson declarou hoje medidas de lockdown que são as mais extremas desde março de 2019.  As razões para a adoção de medidas que envolvem a permissão de sair de casa apenas uma vez por dia para a maioria dos ingleses por um período de, pelo menos sete semanas, são o espalhamento acelerado da pandemia, a elevação do número de mortos, e o ainda processo ainda relativamente lento de vacinação.

Já no Brasil, que ainda não possui um calendário real para iniciar o seu processo de vacinação (aliás, o governo Bolsonaro sequer conseguiu garantir a compra da quantidade de seringas que seria necessária para garantir o uso das vacinas quando elas forem finalmente liberadas para aplicação), tudo continua ao “Deus dará”, sem medidas reais de confinamento social, e com um presidente da república que continua objetivamente incentivando processos de grande aglomeração, com resultados que são mais do que previsíveis, mas que incluem a elevação do número de pessoas contaminados e do número de mortos pela COVID-19.

Enquanto isso, vejo os partidos políticos (sem distinção de viés ideológico) se ocupando da disputa pelo controle das mesas diretoras da Câmara de Deputados e do Senado Federal, como se nada estivesse ocorrendo de anormal no Brasil, e como se os problemas reais dos brasileiros se concentrem apenas em uma suposta defesa de uma democracia que, no nosso caso, é meramente formal.

Já escrevi antes e repito agora: a questão política central neste momento é obrigar o governo Bolsonaro a reverter a sua opção fiscalista de sabotar a adoção de um massivo processo de vacinação da população brasileira, o que além de fazer sentido do ponto de vista sanitária, é a única forma de colocar o país em um movimento de mudança política progressiva. 

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Enquanto isso não ocorrer, o presidente Jair Bolsonaro poderá continuar tranquilamente com suas performances, seja na praia ou no campo, pois continuará imune à qualquer pressão política real. Afinal de contas, seja quem vencer a eleição da Câmara de Deputados, Baleia Rossi ou Arthur Lira, o governo Bolsonaro continuará controlando a agenda política, impondo ainda mais derrotas e regressões aos trabalhadores brasileiros.

Aos leitores do blog, renovo a minha insistência que aumentem suas medidas de autoproteção (incluindo as medidas de isolamento, uso de máscaras e de asseio pessoal).  É que no imenso Deus dará que está estabelecido no Brasil, não é possível se dar ao direito ao descuido.