Afinal uma boa notícia: Pedro Parente, o tucano, caiu

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Em meio às consequências trazidas pela greve dos caminhoneiros, a mais positiva foi a disseminação do conhecimento sobre a política de preços estabelecida pelo tucano Pedro Parente para os combustíveis vendidos no Brasil para, por um lado, prejudicar a produção nacional e, por outro, favorecer os vendedores estadunidenses que fizeram a festa desde 2016.

Agora, temos provavelmente a melhor notícia que se teve após o encerramento do movimento paredista dos caminhoneiros que foi o pedido de demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras [1]. É que Parente não é bobo, saiu antes que fosse mandado embora. 

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Com a queda de Pedro Parente haverá um inevitável atraso no processo de desmanche que ele está realizando com vistas à privatização total da Petrobras, processo esse que está facilitando a transformação do Brasil numa espécie de neocolonia das grandes petroleiras, especialmente as estadunidenses.

Mas a queda de Pedro Parente não é suficiente para reverter todo o estrago que ele já causou. Agora é obrigatório cobrar do governo “de facto” de Michel Temer que paralise a criminosa venda de ativos e que seja retomada uma política de preços que priorize os interesses nacionais e não os dos especuladores financeiros que operam nas bolsas internacionais.

Ainda é obrigatório que se cobre a realização de uma apuração rigorosa dos negócios feitos por Parente Parente com empresas e instituições financeiras com as quais ele possui vinculos diretos ou indiretos. Há quem diga que se esses negócios forem bem apurados, teremos um escândalo maior do que o da Lava Jato. Resta saber se vai haver disposição para apurar.


[1] https://www.brasil247.com/pt/247/poder/356963/Cai-Pedro-Parente-o-cora%C3%A7%C3%A3o-do-golpe.htm

Governo Temer corte R$ 3,4 bilhões de programas sociais para bancar acordo com caminhoneiros

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A greve nacional dos caminhoneiros ofereceu uma possibilidade de ouro ao governo “de facto” de Michel Temer para realizar uma série de ataques às políticas sociais em diversas áreas ao jogar no colo dos brasileiros, especialmente os mais pobres, o custo da redução no preço do diesel,  coma realização de cortes estimados em R$ 3,4 bilhões em áreas mais do que estratégicas como saúde, educação e SUS [1]. 

Pela ordem, os cortes realizados por Temer e seu equipe vão implicar em 1) menos dinheiro para políticas à juventude; 2) menos dinheiro às políticas de violência contra mulheres; 3) menos dinheiro nas políticas associadas às drogas e  4) menos dinheiro para o sistema único de saúde (SUS). 

De quebra, o acordo celebrado com os caminhoneiros vai garantir a política de aumento nos preços da gasolina que o tucano Pedro Parente vem realizando para turbinar os ganhos dos acionistas da Petrobras, especialmente aqueles que estão operando nas bolsas internacionais como a de Nova York, por exemplo.

Assim, ainda que os caminhoneiros estivessem no seu mais justo direito de cobrar mudanças para melhorar sua renda em meio a um tipo de trabalho extremamente desgastante como é o do transporte rodoviário, o custo final de sua vitória está sendo colocado, até de forma fácil, pelo governo Temer nas costas de quem vem sendo rapidamente recolocado abaixo da linha da miséria.

Enquanto isso fica intacta a política de preços criada por Pedro Parente e que vai continuar causando aumentos quase diários no preço da gasolina, enquanto viabiliza o avanço do processo de desmanche e privatização da Petrobras.

Mas a culpa disso para mim não é dos caminhoneiros. Os culpados pela forma tranquila que o presidente mais impopular da história da república brasileira vem operando contra a população é dos partidos políticos da esquerda institucional, centrais sindicais e movimentos sociais que não agem para mobilizar a população para cobrar a imediata derrubada derrubada de Michel Temer e seu governo anti-nacional e anti-popular.  Essas forças políticas têm preferido se eximir de suas responsabilidades, desmobilizando suas bases e contribuindo para esse gigantesco ataque aos mais pobres. Simples assim!


[1] https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/31/politica/1527790717_851019.html

 

 

Os caminhoneiros e sua greve tolerada: atiraram no que se viram, mas acertaram no que não viram

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A estas alturas do campeonato, a greve dos caminhoneiros já parece ter servido aos propósitos que levaram milhares de trabalhadores rodoviários e seus patrões a colocarem o governo “de facto” de Michel Temer de joelhos. É que graça ao bloqueio de rodovias, o governo Temer já agiu para conceder R$ 5 bilhões em isenções fiscais que aliviam um pouco o fardo de quem mobiliza praticamente toda a produção nacional.

Eu diria que essa é parte visível do que os caminhoneiros acertaram, e esta não é principal coisa revelada por esta, digamos, greve. É que repentinamente todos os brasileiros se tornaram cientes de que o Brasil hoje regula os preços dos combustíveis a partir das leis de mercado que são estabelecidas pelas grandes petroleiras cujos escritórios estão alojados mormente nos países ricos. 

Aliás, com essa greve (ou seria lock out?), não teremos mais que fazer muito esforço (ou talvez tenhamos, sei lá) que explicar para aqueles milhões de esperançosos na capacidade de auto-regulação do mercado (a tal mão invisível) que isso é uma besteira completa e que só difundida para obscurecer o fato de que os donos do capital são quem controlam a economia e não uma entidade sobrenatural que teria a capacidade de fazer tudo se ajustar, de modo a que o sistema funcione da melhor maneira possível. Não, meus amigos leitores, enquanto vivermos no sistema capitalista, quem manda mesmo no mercado são os que possuem grandes quantidades de capital, e ponto final.

Outra grande descoberta para a maioria dos brasileiros é que, graças à política de desmanche da Petrobras imposta pelo tucano Pedro Parente, a produção de combustíveis derivados do petróleo teve uma forte diminuição em 2017 (ver figura abaixo).

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Desta forma, o Brasil está fortemente dependente da importação de gasolina, especialmente dos EUA, aquele país para onde o juiz federal Sérgio Moro tanto adora viajar (ver gráfico abaixo).

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Assim, a única forma de termos uma saída sustentada dessa armadilha criada pela gestão de Pedro Parente na Petrobras seria modificar radicalmente não a política de preços como tem sido aventada, mas retomar a lógica da diminuição da dependência que o Brasil possui em relação à importação de combustíveis, apesar de estar se tornando rapidamente, graças ao petróleo da camada Pré-Sal, um dos pesos pesados da produção de petróleo no mundo.

E é aí que o mora o principal problema e que deverá passar a dominar os debates presidenciais: qual dos candidatos que já se apresentaram vai se comprometer a reverter o processo de desnacionalização do refino do petróleo no Brasil, que tem sido a tônica da ação de Pedro Parente na ainda estatal Petrobras? Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia, João Amoedo, Marina Silva, Ciro Gomes, Manuela D´Ávila, Guilherme Boulos ou, quem sabe, Lula? É que sem um presidente ou presidenta comprometida com o fim da dependência em termos de importação de combustíveis, o que estamos tendo agora é só uma pequena demonstração do que vai acontecer nos próximos anos e décadas: um país rico em petróleo e transformado numa neocolônia dos países ricos. 

Ah, sim, não deixa de ser curioso o comportamento dos “patos” que inundaram nossas ruas, avenidas e postos de gasolina para protestar contra a corrupção na Petrobras e que surtavam  quando o combustível custava módicos, comparados aos preços atuais, R$ 2,80. É que no meio dessa confusão toda, o que mais se destaca não são os caminhões bloqueando as estradas brasileiras, mas o silêncio dos patos paneleiros.

Por essas e outras é que eu digo: os caminhoneiros atiraram no que viram e acertaram no que não viram. É que sem querer, com sua greve eles alteraram radicalmente o rumo dos debates presidenciais que ainda vão acontecer. Vamos ver como cada candidato apresenta sua visão para a Petrobras e, por extensão, para o preço dos combustíveis no Brasil. Vai ser interessante!

Baía de Guanabara – A Guerra Invisível

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Alexandre Anderson, pescador artesanal, fundador e líder da Associação de Homens do Mar (AHOMAR), vive há 4 anos num programa de proteção da Polícia Federal. Entre 2009 e 2012 ele sofreu 6 atentados e ostenta algumas cicatrizes de bala pelo corpo. O embate entre pescadores e as indústrias com atividade na Baía de Guanabara, em especial a Petrobrás, vem gerando uma batalha sangrenta, que inclui ameaças, atentados e assassinatos. Os pescadores atribuem a violência à Petrobrás. A Petrobrás nega e se coloca como uma empresa preocupada com as comunidades pesqueiras e a preservação do meio ambiente. 

 

Pescadores da Guanabara farão protesto durante a procissão de São Pedro

PROCISSÃO MARÍTIMA EM HOMENAGEM A SÃO PEDRO – PADROEIRO DOS PESCADORES(AS) – DIA 29 DE JUNHO (QUINTA FEIRA)

TRABALHADORES DO MAR PROTESTAM CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA E PELA DESPOLUIÇÃO DA BAÍA DE GUANABARA

 O Fórum dos Pescadores e Amigos do Mar e o Movimento Baía Viva estarão promovendo um protesto durante a procissão marítima na Baía de Guanabara no dia 29 de Junho (quinta-feira) quando é comemorado o Dia de São Pedro, que é considerado o Padroeiro dos pescadores(as).

 Uma embarcação estará disponível para os movimentos sociais, simpatizantes e parceiros com VAGAS LIMITADAS, SENDO NECESSÁRIO A PRÉVIA CONFIRMAÇÃO DA PRESENÇA pelos telefone/wathsapp: (21) 99734-8088 ou 99700-2616: o barco sairá às 7:30h (da manhã) do Quadrado da Urca, na Zona Sul do Rio de Janeiro.  

 Diante da grave crise econômica do país que tem provocado a perda de direitos da classe trabalhadora e da poluição que tem gerado um forte empobrecimento e o desmantelamento cultural das comunidades pesqueiras, a manifestação nas águas da Baía tem como principais reivindicações:

– Nenhum direito a menos: contra a reforma da Previdência que retira direitos dos trabalhadores(as) do mar e afeta a aposentadoria desta categoria, obrigando a trabalharem por mais tempo. Apoiamos a Greve Geral no dia 30 de Junho convocada por todas as centrais sindicais.

 –  A retomada imediata das obras do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG, atual PSAM – Programa de Saneamento dos Municípios) com prioridade para a conclusão dos troncos coletores de esgotos de diversas ETEs (estações de tratamento de esgotos) que, apesar de construídas a mais de uma década, atualmente tratam um volume irrisório de esgotos, enquanto a Baía de Guanabara recebe 18 mil litros de esgotos por segundo, o que tem contaminado os rios que deságuam na Baía e prejudicado a pesca.

Pescadores e ecologistas exigem também: maior controle e fiscalização das indústrias que diariamente lançam metais pesados e óleo; a implantação da coleta seletiva nos municípios, reflorestamento, proteção da Biodiversidade como o boto-cinza que encontra-se ameaçado de extinção (eram 800 indivíduos em 1990 e atualmente são apenas 38), monitoramento ambiental, redução das áreas de fundeio no interior da Baía – impulsionada pelo Pré-sal – que provocam um aumento das áreas de exclusão de pesca onde os pescadores artesanais são proibidos de trabalhar.

Passado 10 meses das Olimpíadas de 2016, para a qual o Governador do Estado Pezão (PMDB) prometeu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) a “despoluição de 80% da Baía de Guanabara”, lamenta-se que este prometido “Legado Olímpico Ambiental” não tenha se efetivado. Ou seja, a prometida despoluição da Guanabara (ainda) não saiu do papel!

– Pagamento pela PETROBRAS da indenização financeira determinada pela Justiça pelo vazamento ocorrido no dia 18 de Janeiro de 2000 de 1,8 milhões de litros de óleo nas águas da Baía num oleoduto que liga a REDUC (Refinaria Duque de Caxias) ao Terminal da Ilha D´Água, vizinho à Ilha do Governador. A produtividade pesqueira na Baía foi reduzida em 90% devido a este desastre ambiental. Já se passaram 17 anos e até hoje a petroleira se nega a indenizar as comunidades pesqueiras pelos prejuízos que vem sofrendo ao longo do tempo. Já são 16 anos de Impunidade sem qualquer responsabilização dos que provocaram este Crime Ambiental.

Na época, o duto desta unidade da PETROBRAS NÃO TINHA LICENÇA AMBIENTAL para operar e a extensa rede de dutos e gasodutos da REDUC também não tinha sequer Sistema de Desligamento Automático em caso de vazamentos, o que contribuiu decisivamente para ampliar o impacto do desastre ambiental.

A própria Justiça reconheceu que, ao longo de todo este período (17 anos!), a PETROBRAS vem adotando sucessivas manobras protelatórias para não efetuar o pagamento das indenizações de milhares de pescadores(as) o que, na prática, tem servido para perpetuar uma situação de Impunidade Ambiental e de injustiça social.

– Políticas públicas para a pesca e aqüicultura, com participação das comunidades, e destinação de recursos financeiros da União Federal, do Estado e dos municípios para implantar: fábricas de gelo, escolas de pesca, aquisição de novas embarcações, capacitação profissional, projetos de aquicultura, saneamento básico das comunidades pesqueiras que oram excluídas do PDBG/PSAM.

Manchete síntese do LeMonde: no Brasil, o reino da impunidade

O jornal Le Monde publicou no dia 28/02 uma matéria assinada pela jornalista Claire Gatinois sobre a situação política no Brasil e a condição deplorável do governo “de facto” que merece entronizada pela sua capacidade de síntese da nossa realidade política, começando pelo título “Au Brésil, le règne de l’impunité“, o que em português equivale a algo como “No Brasil, o reino da impunidade” (Aqui!).

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A matéria aborda a crise que engolfa o (des) governo Temer por causa da sua implicação no em casos de corrupção e também pela táticas consideradas ambíguas para responder ao processo de desgaste popular que isto implica, e sobra ainda uma menção para a indicação do tucano Alexandre de Moraes para ocupar a vaga  aberta pela morte de Teori Zavasck no Supremo Tribunal Federal.

Esta matéria e outras que estão circulando na imptensa internacional representam um duro golpe na capacidade de sobrevivência do (des) governo Temer menos pelo aspecto político interno, onde as panelas dos coxinhas continuam guardadas, mas mais pelo desgaste que isto causa na confiabilidade que o Btasil possui para atrair os tão necessários investimentos internacionais que poderiam alavancar um processo de retomada econômica. É que a não ser por aqueles setores que se aproveitam da exploração de commodities agrícolas e minerais e internalizam os riscos políticos na forma de taxas grandiosas que acarretam degração ambiental e regressão de direitos sociais, poucos se interessam em estar num país com um governo tão impopular e desacreditado como é o liderado pelo presidente “de facto” Michel Temer.

 

Sérgio Moro e suas múltiplas palestras nos EUA: sou só eu que acha estranho?

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A revista Veja traz na edição que chega às bancas neste final de semana mais uma daquelas edições premonitórias sobre o fim da carreira política do ex-presidente Lula. Em uma das matérias que compõe essa edição funerária há espaço para uma rápida entrevista com o juiz federal Sérgio Moro após ele conceder uma palestra em um seminário organizado pela escola de Direito da Universidade da Pensilvânia sobre a formação de líderes íntegros e a difusão de bons valores na vida pública (Aqui!).

Dessa situação me aparece a seguinte indagação: sou só eu que acha estranho que Sérgio Moro esteja aparentemente passando mais tempo em solo estadunidense do que no seu escritório em Curitiba?

Como um juiz de primeira instância que guarda a estas alturas um arquivo colossal sobre o funcionamento de uma das maiores empresas petrolíferas do planeta, acho curioso que ele possa estar indo tanto aos EUA, sem que ninguém no Brasil se dê ao trabalho de perguntar que tipo de encontros  ocorrem nas margens de eventos supostamente acadêmicos. E, mais ainda, quem está financiando todas essas viagens.l

É que tendo vivido nos EUA por um bom tempo não me lembro deste tipo de vai-e-vem. Além disso, os EUA são especialistas em bajular para depois obter as informações que precisam. Além disso,  se fosse o contrário e o fosse um juiz de primeira instância cuidando de casos da Chevron ou da ExxonMobil, posso dizer com tranquilidade que pelo menos o FBI estaria acompanhando as andanças do magistrado com extrema atenção.

Mas como estamos no Brasil, pelo jeito a segurança corporativa não é algo que incomode tanto as autoridades de facto em Brasília.

Brasil à venda: como um golpe legal abriu o caminho para a privatização

Mais austeridade e a venda de valorizados bens públicos vão piorar uma já demolidora recessão econômica.

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Instalações da vila olímpica do Rio de Janeiro (Ricardo Moraes/ Reuters)

Por Andy Robinson*

“Eu sou o ‘Papa Mike- Policial”, diz o policial montado em sua moto BMW. Ele está pronto para escoltar o novo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em seu período de experiência, no seu trajeto de ida e volta no renovado Porto Maravilha com seu reluzente Museu do Amanhã projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava. indo do meio do centro antigo do Rio de Janeiro até  Aeroporto Santos Dumont que provavelmente será privatizado em breve. “Tenho ordens para impedir as pessoas de serem atropeladas”, ele explica enquanto o trem se afasta, passando por um sinal de alerta que diz: “Cuidado! O VLT não faz barulho”.

Quem poderia questionar a preocupação do prefeito Eduardo Paes com o bem-estar dos pedestres da cidade-sede dos Jogos Olímpicos? No entanto, aqueles que estão dentro do vagão lotado, assim como eles estão todos os dias em ônibus lotados percorrendo trajetos intermináveis vindos da vasta periferia ocupada pela classe trabalhadora da cidade do Rio de Janeiro, devem se perguntar por que as mesmas precauções não foram tomadas para evitar o perigo real: a falência do estado do Rio, que vem suspendendo o pagamento de salários e pensões de milhares de trabalhadores do setor público. Cortes draconianos têm sido feito nos orçamentos de escolas, hospitais e transporte de massa, enquanto 39 bilhões de reais (cerca de US $ 10 bilhões) foram gastos com os Jogos Olímpicos. Dois em três brasileiros entrevistados nesta semana pela Folha de São Paulo disseram que os Jogos Olímpicos têm trazido mais problemas do que vantagens.

Outros escoltados a bordo VLT podem se perguntar por que proteções similares não estão sendo oferecidas para os 3 milhões de trabalhadores que perderam empregos desde 2013. A recessão, a pior da história do Brasil, desfez décadas de progressos na redução da pobreza em um país cuja desigualdade de renda chocou o mundo, quando a desigualdade ainda conseguia chocar. Até o final de 2016, a recessão vai ter dizimado cerca de 9% do PIB do país em dois anos. A economia tende a se contrair ainda mais, com um programa radical de austeridade agora oficialmente consagrado em Brasília, sob o governo interino de direita de Michel Temer, que assumiu o poder em maio, após o que muitos chamam de um golpe de Estado legal.

De muitas maneiras, Temer está partindo de onde a agora suspensa presidente Dilma Rousseff parou, após sua conversão à austeridade em um segundo mandato desastroso. Agora, no entanto, os cortes de gastos estão coincidindo com um programa de privatização radical. “Eles estão aplicando muitas das mesmas políticas que Dilma aplicou, mas mais descaradamente e com um chapéu neoliberal suas cabeças”, diz Luiz Eduardo Melin, assessor econômico, em tempos mais felizes, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2007-11). “Eles querem impulsionar a economia em uma espiral descendente, mas eles não se importam porque eles não concorrer a uma reeleição”.

“Normalmente, no Rio, a depressão vem depois do Carnaval; mas mesmo antes da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos já estamos de ressaca”, comenta Joel Birman, um psicoterapeuta que trabalha duro no bairro afluente da Gávea onde os aterrorizados membros da classe média do Rio de Janeiro procuram sua ajuda. Para as massas empobrecidas, os mega templos evangélicos executam uma função similar. Aqui, o crescente conservadorismo cristão- um elemento-chave do movimento que derrubou Rousseff- furtivamente constrói sua base entre mais de um quinto da população.

“Eu encontrei a liberdade; agora eu me preocupo só sobre a vida após a morte”, diz Luís, que está sentado na fileira detrás da Igreja Universal do Reino de Deus, no bairro de Botafogo. Luís trabalha para receber um salário de 1.500 reais (US $ 500) por mês como a assistente de cozinheiro em um restaurante próximo e gasta 200 reais por mês em transporte para ir e vir da sua residência, que fica a 1:30 h de viagem no município de Duque de Caxias. A crise do petróleo representou um duro naquele município, dizimando empregos na refinaria e em toda a área industrial, acabando com os ativos da estatal Petrobras.

Uma vez considerada a joia da coroa do Partido dos Trabalhadores, a Petrobras foi dilacerada pelo colapso do preço do petróleo e por uma enorme investigação anticorrupção. A Petrobras pode estar agora na primeira fase de sua privatização. Nas salas de reuniões subterrâneas sob o edifício do Congresso futurista de Oscar Niemeyer em Brasília, um projeto de lei que abriria a exploração do Atlântico reservas do pré-sal da Petrobras para as multinacionais estrangeiras está sendo analisado. Os ativos da empresa na Argentina e no Chile estão à venda.  O enorme banco de desenvolvimento estatal, o BNDES, cuja sede fica ao lado dos arranha-céus da Petrobras no centro do Rio, foi forçado a vender a sua participação em empresas como a Petrobras e no conglomerado de mineração, Vale. Em um monumental encolhimento, o BNDES que já emprestou mais dinheiro do que o Banco Mundial “será deixado sem dinheiro e vai cobrar os empréstimos feitos para empresas brasileiras já em dificuldades devido à recessão”, diz Melin. “Uma vez que estão à beira da falência, elas serão vendidas para alguém a preços excelentes.”

Esse alguém poderá ser encontrado em Wall Street ou em Houston. O governo Temer está “tentando criar as condições” para a privatização da Petrobras e dos bancos públicos, Lula avisou na semana passada. Pedro Parente, o novo presidente da Petrobras negou a acusação, afirmando que “eu não acredito que a sociedade brasileira esteja madura o suficiente” para a venda de um dos mais valiosos ativos estatais na América Latina. Os investidores internacionais, por sua vez, estão se preparando para esta liquidação. “Porque a recessão afetou os lucros das empresas, os ativos podem ser adquiridos a preços que são mais atraentes para os compradores”, aconselhou um novo relatório pelo Conselho do Atlântico em Washington, alegremente intitulado “Petróleo e Gás no Brasil: Uma Nova Fresta de Esperança”.

As vendas, que também incluem os aeroportos e a empresa de correios, vão diminuir cosmeticamente o déficit orçamentário do Brasil, que a 10 % está aumentando a dívida pública. No entanto, como a economista da Universidade de São Paulo, Laura Carvalho alertou, a liquidação privatista vai piorar finanças públicas em longo prazo, porque os dividendos para o estado vão desaparecer. “Este é um truque de ilusionismo fiscal; até o FMI sabe isso”, diz Carvalho.

A ironia é raramente reconhecida pela mídia brasileira, mas o impeachment de Dilma foi, alegadamente,  provocada pelo utilização de “pedaladas fiscais”, uma técnica de contabilidade comum e inócua, para reduzir temporariamente o déficit. O termo refere-se à intrincada manobra usada por jogadores de futebol brasileiros para enganar pelo adversário. No mês passado, uma comissão especial de impeachment no Senado Brasileiro declarou que o uso de pedalada não representa uma ofensa que possa resultar no afastamento definitivo da presidente Dilma. No entanto, há pouca chance de que o Senado irá inverter sua posição inicial pró-impeachment em sua segunda votação em Agosto. “A decisão do comitê não faz diferença em tudo-isso é um golpe suave e parlamentar, e a Pedalada foi apenas um pretexto”, diz Vladimir Safatle, um filósofo da Universidade de São Paulo.

Sob pressão da outrora poderosa federação de indústrias de São Paulo (Fiesp), que financiou o movimento pró- impeachment, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, recuou de suas promessas de aumentar impostos e, em vez disso colocou o fardo do programa de austeridade sobre os novos cortes de despesas e investimentos públicos. Isto ameaça os fundamentos do programa de combate à pobreza adotado pelo Partido dos Trabalhadores. Pior ainda, uma proposta irá condicionar o financiamento de governos estaduais e municipais já sitiados em sua capacidade de reduzir o número de famílias pobres que recebam subsídios para reduzir a pobreza. Pior, uma nova proposta de lei poderá impor limites constitucionais sobre os gastos, impondo a austeridade “ad infinitum”, e também eliminando a alocação orçamentária mínima para a educação e saúde.

Os mercados financeiros estão muito satisfeitos com tudo isso. Os investimentos mais rentáveis do mundo nos últimos seis meses têm sido o índice de ações da BM&F IBOVESPA em São Paulo e do real, que se valorizou cerca de 20 % desde sua baixa em 2015.  Analistas de mercado como o FMI acreditam que a economia brasileira já chegou ao fundo e vai começar a se recuperar em 2017. Os lucros dos bancos- liderados pelo pró-impeachment Itaú, o maior banco da América Latina, aumentaram de forma espetacular já que as taxas de juros estratosféricos do Brasil oferecem oportunidades lucrativas para a especulação financeira no mercado da dívida pública “A queda de Dilma foi selada quando ela tentou usar os bancos estatais para tentar forçar os bancos privados a diminuir suas taxas de juros”, disse um economista do BNDES.  

A esquerda está agora dividida entre aqueles que pensam que Lula-ainda o político mais popular no Brasil, pode arrastar o cadáver do Partido dos Trabalhadores para a vitória eleitoral em 2018, e os que defendem a construção de alternativa. “Lula poderia fazê-lo em silêncio, se eles não colocá-lo na prisão”, diz o economista BNDES, se referindo à investigação sobre a corrupção na Petrobras. Mesmo que o ex-presidente evite o julgamento, Lula precisa de um partido para liderar, e a existência do Partido dos Trabalhadores não pode ser garantida após as próximas eleições municipais de outubro, que incluirão mais de 20 milhões de eleitores nas megalópoles do Rio e de São Paulo, “O único argumento é o de criar medo do que a direita irá fazer; eles não têm nenhum programa alternativo”, diz Safatle.

Para alguns, a melhor esperança para a esquerda pode ser Marcelo Freixo, o jovem candidato socialista, para suceder Eduardo Paes como prefeito do Rio. “Freixo deve ser a prioridade agora”, diz Tania, uma eleitora do PT no Rio que cresceu no exílio em Paris durante anos de ditadura militar do país. “Não há nenhum ponto em desperdiçar tempo com Dilma e Lula.”

* Andy Robison trabalha como repórter para o La Vanguardia de Barcelona, e já escreveu sobre a Espanha para o “The Guardian”, para the New Statesman, e para o The Nation. Agora trabalhando no Brasil, ele é o autor do livro ” Um Reporter na Montanha Magica” que trata do Fórum Econômico de Davos e a desiguladade.

Este artigo foi originalmente publicado pelo “The Nation” (Aqui!)  em inglês e a tradução acima é de minha autoria e responsabilidade.

Quanto custa Júlio Bueno ao tesouro estadual? O Portal da Transparência diz que é bem mais do Wagner Victer

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Como diz aquele velho ditado “blog que tem leitor atento não morre pagão”. É que tendo eu levantado aqui a questão dos custos financeiros associados à presença de servidores e funcionários cedidos no alto escalão do (des) governo do Rio de Janeiro, um leitor decidiu colaborar fornecendo os números disponíveis para o secretário de Fazenda Júlio Bueno (aquele mesmo que quer acabar com a estabilidade dos servidores públicos concursados).

Pois bem, as imagens abaixo mostram o custo apontado no Portal da Transparência da Secretaria Estadual de Fazenda para os senhores Júlio Bueno e Wagner Victer para o período acumulado entre 01/janeiro/2016 e 01/maio/2016.

E o que podemos ver a partir desses números é que o custo salarial do Sr. Júlio Bueno, apenas com o ressarcimento junto à PETROBRAS, foi de R$ 600.000,00!” Já o custo do Sr. Wagner Victer (presidente da FAETEC), também junto à PETROBRAS, foi de míseros (míseros??)  R$ 348.018,90!

Há que se lembrar que adicionado ao salário-base, o Sr. Júlio Bueno ainda recebe uma polpuda remuneração pela ocupação do cargo de secretário estadual.

Ainda que eu tenha nada contra as pessoas receberem salários justos, o que fica explícito com o custo do Sr. Júlio Bueno para o depauperado cofre estadual do Rio de Janeiro é que antes de falarem em cortar salários e demitir servidores concursados, o que os nobres secretários e presidentes de autarquias deveriam fazer é começar a enxugar os custos que eles e seus indicados causam ao estado do Rio de Janeiro.

É que só pela análise dos casos isolados destes dois funcionários de carreira da Petrobras, os custos são muitos mais altos do que aqueles que eles imputam aos servidores concursados. E querem saber, sem que demonstrem qualquer efetividade para resolver a grave crise que, inclusive, ajudaram a criar. 

Quanto o cedido Júlio Bueno custa aos cofres do Rio de Janeiro?

Postei recentemente aqui no blog uma nota sobre o custo vultoso da cessão do presidente da Faetec, Wagner Granja Victer, aos cofres dilapidados do Rio de Janeiro (Aqui!). Mas dai uma leitora deste blog me lembrou que outro personagem central da trama em curso contra os servidores públicos estaduais também é funcionário de carreira da Petrobras.

E quem é ele?  Ah, o inefável secretário estadual de Fazenda, o Sr. Júlio Bueno! Aliás, para verificar isso é só ir verificar o perfil abaixo.

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E ai a pergunta que se faz é a seguinte: quanto custa aos cofres do estado do Rio de Janeiro a cessão do Sr. Júlio Bueno? É que o deputado estadual Eliomar Coelho declarou em plenário que Wagner Victer custa em torno de R$ 90 mil.

Mas a mesma leitora me lembrou que, aos custos desses dois funcionários de carreira da Petrobras, ainda devem ser acrescidos os salários pagos a “auxiliares”  deles que foram trazidos do quadro da petrolífera, estejam eles na ativa ou aposentados. 

Agora, me digam, qual é a moral que o Sr. Júlio Bueno possui para quebrar a estabilidade dos servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro? Ele deveria começar a economia que o Rio de Janeiro fazendo-nos o extremo favor de cessar sua própria cessão (e de todos os que trouxe com ele da Petrobras).  Com certeza, a economia seria grande e, de quebra, teríamos uma melhora substancial no processo de gestão das finanças estaduais.