Semana de protestos na Alerj para barrar pacote de Maldades do (des) governo Pezão

A semana que se inicia promete novos capítulos no enfrentamento que os servidores públicos do Rio de Janeiro estão realizando com o (des) governo e sua base parlamentar na Assembleia Legislativa estadual (Alerj).

É que as duas medidas que mais atingem os salários vão ser votadas na próxima 4a. feira (14/12), mas isto não impediu que um grande ato de protesto tenha sido convocado para esta segunda-feira.

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Um (des) governo tão enrolado em graves denúncias como o comandado por Luiz Fernando Pezão não deveria ter a mínima chance de emplacar medidas tão impopulares. Mas uma base parlamentar dócil e pragmática, e sempre disposta a aprovar o que vem do Palácio Guanabara, acaba dispensando o apoio popular que Pezão não tem. Por isso, a mobilização massiva que os servidores vem fazendo tem sido fundamental para barrar, ainda que parcialmene, o pacote de Maldades de Pezão. Por isso, até agora 11 das 22 medidas enviadas inicialmente já foram rejeitadas ou retornadas para o Palácio Guanabara.

É por saber de seu isolamento político, e que foi agravado pelas denúncias feitas pela Odebrecht de que recebeu vantagens indevidas em contratos públicos, que Pezão enviou hoje um grande contingente policial para cercar a Alerj (ver imagens abaixo).

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A questão será saber se mesmo com toda esse contigente postado na frente da Alerj, os deputados se sentirão inclinados a apoiar um (des) governante que está tão claramente enrolado com a justiça. 

Para colocar ainda mais combustível nessa situação, o (des) governo Pezão não consegue sequer informar quando começará a pagar os salários de quase metade dos servidores do executivo. Já a outra metade, incluindo os policiais militares, talvez (notem que eu disse talvez) apenas na próxima semana.

 

Delator da Odebrecht complica ainda situação do (des) governador Pezão

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A situação do (des) governador Luiz Fernando Pezão já andava boa em meio à profunda crise financeira e política em que está engolfado o estado do Rio de Janeiro. Mas o que já andava ruim, agora parece ter tomado uma guinada para o péssimo.

É que segundo informa a coluna Radar Online da revista Veja, Luiz Fernando Pezão é um dos políticos atingidos pela delação do ex-diretor da construtora Odebrecht, Leandro Andrade Azevedo (Aqui!). É que segundo Azevedo, a campanha de Pezão para a sua eleição para (des) governador do Rio de Janeiro teria sido abastecida com R$ 23,6 milhões em dinheiro e por 800 mil euros numa conta bancária localizada em instituição financeira no exterior.

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A delação de Leandro Azevedo parece vir acompanhada de detalhes de uma relação preferencial entre Pezão e a Odebrecht, envolvendo reuniões no Palácio Guanabara e na própria residência do atual (des) governador do Rio de Janeiro.  Pior ainda são os detalhes de como a proximidade entre Pezão e a Odebrecht teriam sido iniciados pelo seu padrinho político, o agora aprisionado ex (des) governador Sérgio Cabral.

Ainda que Pezão não seja o único político enrolado no emaranhado de delações que estão surgindo do interior da Odebrecht, o momento para que seu nome seja envolvido nessas denúncias é particularmente ruim. É que em meio ao tiroteio das delações da Odebrecht, o (des) governo do Rio de Janeiro está tentando aprovar uma série de medidas que atingem duramente os servidores e aposentados, e os setores mais pobres da população do Rio de Janeiro. O surgimento dessa denúncia certamente será um complicador no meio das negociações que certamente estavam ocorrendo dentro da bancada de apoio dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Aliás, a dificuldade de aprovar o seu pacote de Maldades (como o conjunto de medidas foi alcunhado pelos servidores) pode ser apenas o menor dos problemas que Pezão terá de enfrentar.

 

Ato do MUSPE em Piraí mostra capilarização dos protestos contra o (des) governo Pezão

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Enquanto os sindicatos de servidores públicos se prepara para realizar um grande ato na frente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na próxima 2a. feira (12/12) contra o que restou do pacote de Maldades do (des) governo Pezão, servidores fizeram nesta 6a. feira um protesto na cidade de Piraí, berço político do (des) governador.

Confrontados com mais um mês de parcalamento de salários e sem perspectiva de receber o seu 13o. salário de 2016, os servidores públicos estaduais parecem dispostos a bater de frente com a política de arrocho que é apresentada pelo (des) governo Pezão como a única saída para a grave crise  financeira e política em que o PMDB afundou o Rio de Janeiro.

Assim, pelo que tudo indica, a Alerj vai ser palco do maior protesto dos servidores públicos do Rio de Janeiro nos últimos anos. Como depois da última segunda-feira o Batalhão de Choque parece ter ficado sem munição suficiente para enfrentar uma grande multidão, os deputados vão votar as medidas mais duras do pacote num ambiente para lá de tenso. A ver!

Revista Veja coloca o dedo nas jóias do (des) governador Pezão

A revista Veja publicou no dia de ontem (07/12) uma matéria mostrando que não é apenas o (des) governador Sérgio Cabral que precisa explicar as suas aquisições de jóias aos procuradores da operação Lava Jato, mas também o seu pupilo mais famoso, o atual (des) governador Luiz Fernando Pezão (Aqui!).

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A matéria da Veja, assinada por Leslie Leitão e Thiago Prado, cita inclusive o roubo de 15 caixas de jóias que ocorreu no apartamento de Luiz Fernando Pezão no dia 30/04/2012, fato que já havia sido mencionado aqui neste blog numa postagem feita no último 23/11 (Aqui!).

O angu fica mais grosso quando se constata que a joalheria, a  Blume Jóias, onde a esposa de Pezão fez suas compras era de propriedade da mulher do executivo da Odebrecht, Benedicto Júnior, a senhora Ronimar Machado Mendes, em sociedade com Verônica Vianna, mulher do ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes (um dos mais controversos secretários estaduais da era Cabral e um dos membros mais famosos da “Gangue dos Guardanapos”. Aliás, era nessa mesma joalheria que Adriana Ancelmo, esposa do (des) governador Sérgio Cabral, comprou parte do seu estoque de jóias.

Aliás, a matéria da Veja traz uma imagem (ver abaixo) da esposa do (des) governador Pezão junto com Adriana Ancelmo (à esquerda na foto) posando alegremente na entrada da Blume Jóias, o que confirma que o amor pelas jóias não está restrito ao casal Cabral.

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O (des) governador Pezão se manifesta na matéria negando qualquer malfeito nas compras de jóias que ele e sua esposa porventura tenham feito na Blume Jóias. Resta saber se todas as transações possuem notas fiscais emitidas, o que não ocorreu com o casal Sérgio Cabral/Adriano Ancelmo.

De minha parte, enquanto ainda espero a conclusão do pagamento do meu salário de Outubro, gostaria mesmo de saber é se a Blume Jóias também foi agraciada com algum tipo de “generosidade fiscal” por parte dos (des) governos comandados por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.  A resposta a esta pergunta poderá vir a valer um colar de ouro ornamentado com esmeraldas.

Sérgio Cabral e seu sofisticado esquema de lavagem de dinheiro (público)

Este blog nasceu em 2009 a partir da minha inconformidade com práticas que eu vinha acontecendo nos bastidores do (des) governo Cabral, e que a mídia corporativa ignorava ao mesmo tempo em que idolatrava o hoje desgraçado Sérgio Cabral Filho. 

O mesmo comportamento de olhar para o lado enquanto Sérgio Cabral reinava predominou em outras áreas, com a única solitária exceção da diminuta bancada do PSOL na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Agora, com Sérgio Cabral Filho jogado na sarjeta e com as apurações avançando, a mídia corporativa nos informa que o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro desvelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro público desviado de múltiplas obras realizadas ao longo de seus dois mandatos (ver reproduções parciais abaixo).

Mas o que me intrigou nessas matérias foram algumas omissões básicas sobre, por exemplo, o papel cumprido pelo atual (des) governador Luiz Fernando Pezão na fiscalização de obras executadas quando ele acumulava o papel de (des) secretário de Obras Públicas com o de vice (des) governador entre 2007-2011 (ver gráfico abaixo com a lista de obras) (Aqui!). Uma obra que me vem imediatamente na memória é a da reforma do Maracanã, onde Pezão era efetivamente o responsável mór pelo andamento das obras, e teria que ser muito desligado para não saber do que se passava por debaixo dos panos com Sérgio Cabral e as empreiteiras.

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Outra omissão que está evidente na relação dos personagens que tocavam na prática o tal esquema sofisticado de lavagem de dinheiro (o primeiro à esquerda logo abaixo de Sérgio Cabral no gráfico abaixo). É que pelo um deles, o Sr. Hudson Braga foi levado e mantido em cargos importantes do (des) governo estadual por sua relação íntima com Luiz Fernando Pezão.

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A questão que me parece óbvia neste momento é que colocar toda a culpa pela instalação desse tal esquema sofisticado de lavagem de dinheiro público nas costas de Sérgio Cabral Filho é apenas uma repetição da estratégia “boi de piranha” onde ele está sendo sacrificado para que outros passem ilesos e continuem livres de devidas punições na justiça.

O problema é que como em tantos outros casos é quase certo que as investigações serão abruptamente interrompidas quando chegarem perto de personagens ainda incólumes, apesar de igualmente envolvidos num determinado esquema de saque do dinheiro público.

A minha curiosidade maior, entretanto, é sobre até quando o (des) governador Luiz Fernando Pezão vai continuar de fora dos esquemas de investigação. A ver!

O uso de igreja pela PM para bombardear servidores escancara fraqueza do (des) governo Pezão

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Esqueçamos por um minuto a crise institucional instalada em Brasília pela recusa de Renan Calheiros (PMDB/AL) em atender uma decisão liminar do Supremo Tribunal Federal para vacar o cargo de presidente do Senado Federal, e dirijamos nossa atenção ao sofrido estado do Rio de Janeiro, mais precisamente na Assembleia Legislativa e seus arredores. 

É que hoje começaram as votações do chamado Pacote de Maldades do (des) governo Pezão que tenta empurrar para as costas dos servidores e da população o ônus de anos de farra fiscal e apropriação ilegal de recursos públicos.

Pois bem, em meio á grotesca repressão policial que tentou afogar em gás o protesto realizado por servidores públicos, uma cena serviu para escancarar a crise de legitmidade em que se encontra o (des) governador Luiz Fernando Pezão e seu séquito de (des) secretários com super salários. Falo do uso das dependências da Igreja de São José, que fica ao lado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), para de lá atirar balas de borracha e jogar bombas de efeito moral nos manifestantes que se encontravam do outro lado da rua (ver imagens abaixo).

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Tendo frequentado inúmeras manifestações políticas que ocorreram nos anos finais do regime militar de 1964 na mesma área da cidade do Rio de Janeiro, não me recordo de ter presenciado a invasão de uma igreja por forças policiais para dali atirar em manifestantes.

Mas convenhamos, esse show de truculência com o uso de uma igreja é algo que só poderia mesmo acontecer no (des) governo Pezão. É que a crise é tão grande que se está lançando mão das medidas mais absurdas para conter uma oposição que, convenhamos, não chega a ser tão grande assim.

Por isso, eu reafirmo que toda essa violência expressa, ainda que contraditoriamente, o nível de fragilidade em que o (des) governo Pezão se encontra. Isso é tão evidente que mesmo tendo maioria absoluta dentro da Alerj, o (des) governo Pezão foi derrotado na única votação importante do dia que era, pasmemos todos, o fim dos super salários que alguns (des) secretários recebem, ultrapassando o teto constitucional, e queriam continuar recebendo.

A verdade é que a crise política e financeira do Rio de Janeiro tem causas que nada tem a ver com os salários, aposentadorias e pensões dos servidores públicos. E, voltando a Brasília, o Rio de Janeiro parece ter se tornado uma espécie de oráculo sobre o que está por vir no plano nacional. Resta saber quem aqui vai receber o cutelo do STF e quando.

Servidores técnicos defendem Uenf na Alerj

Em que pese a ausência dos professores na manifestação que está ocorrendo hoje na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro contra o pacote de Maldades do (des) governo Pezão, os servidores técnico-administrativos estão lá representando as demandas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) como bem mostram as imagens abaixo.

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A minha expectativa é que superada a eleição convocada para a nova diretoria da ADUENF, os professores se engajem neste ciclo de lutas, visto a gravidade da situação em que a Uenf se encontra neste momento.

Afinal, como diz uma das faixas levadas pelos servidores técnicos para a manifestação de hoje, a situação da Uenf é de um verdadeiro SOS.

(Des) governo Pezão rima com repressão

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O vídeo abaixo mostra cenas em andamento no início da tarde desta 3a. feira (06/12) na frente da sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro onde começa a ser votado o chamado “Pacote de Maldades” do (des) governo Pezão.

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Este vídeo não existe

E que ninguém se engane com Pezão e sua carona de bonachão. Para impor o sucateamento do Estado e sua política de privatização, ele usará cada vez mais intensamente da repressão para intimidar os servidores e a população.

Tampouco há que se deixar enganar com a maioria dos deputados estaduais que vão votar sim a favor do Pacote de Maldades, pois eles dependem dos diversos tipos de favores, a começar pela nomeação de cargos comissionados, que são garantidos pelo executivo em troca de seus votos.

O único caminho para derrotar esse (des) governo é o que está sendo construído pelos servidores estaduais que estão hoje na Alerj enfrentando a repressão policial.

(Des) governo Pezão avança seu projeto de privatização das universidades estaduais

No dia 28 de Fevereiro de 2016 publiquei a postagem “(Des) governo Pezão e seu script para as universidades estaduais: precarizar para depois privatizar” onde procurei traçar um perfil da relação entre a precarização que estava sendo imposta às nossas três universidades estaduais (Uenf, Erj e Uezo) e um eventual processo de suas privatizações (Aqui!).

Olhando em retrospectiva, o meu principal erro naquela postagem foi subestimar a velocidade em que a precarização se daria, a ponto de vislumbrar que ações para a privatização das universidades estaduais já devem estar sendo gestadas dentro do (des) governo Pezão.

O sinal mais evidente de que o (des) governo Pezão se prepara para uma desobrigação completa do financiamento das universidades estaduais é a Uenf que foi deixada sem um mísero centavo de custeio em 2016, e que não parece terá melhor destino em 2017. A verdade é que a Uenf funciona hoje apenas pela hercúlea teimosia de seus estudantes, professores e técnicos.

Mas como boa parte da verba de custeio que está empurrando a Uenf para frente está vindo de projetos de pesquisa dos professores, a diminuição do aporte de verbas via agências de fomento, e que vai piorar com a execução da PEC do Teto, vai secar esta última fonte de oxigênio que manteve a Uenf na UTI como paciente comatoso, mas respirando, ao longo de 2016.

Outro sintoma evidente de que o projeto de privatização do sistema fluminense de Ciência e Tecnologia já está em curso é a completa inoperância da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). A crise da FAPERJ é tão grave que a fundação não vem honrando compromissos básicos como o pagamento de bolsas para estudantes! Além disso, centenas de termos de outorga relacionados a projetos de pesquisa aprovados pela FAPERJ foram transformados em meras cartas para Papai Noel, muitas das quais não foram atendidas já no Natal de 2015!

Agora quem pensa que a falta de verbas nas universidades estaduais é resultado da falta de recursos financeiros, pense de novo. É que basta olhar para os quase R$ 200 bilhões que foram dispensados para empresas e indivíduos na farra fiscal promovida a partir do primeiro mandato de Sérgio Cabral. Quem coloca tanto dinheiro na iniciativa privada, inclusive multinacionais poderosas como a francesa L´Oreal, está fazendo uma opção que não passa pelo desenvolvimento autônomo de ciência e tecnologia, mas sim pelo uso de pacote fechados e sem controle nacional. 

O mais perverso disso tudo é que no Brasil as corporações privadas investem pouquíssimo em desenvolvimento científico e inovação. E quando investem, os produtos gerados não são compartilhados com a indústria nacional. Assim, ao sucatear as universidades estaduais, o que o (des) governo Pezão está fazendo é assegurar que não haja desenvolvimento científico e tecnológico no Rio de Janeiro, condenando a todos nós a um futuro cada vez mais miserável.

Por último, está evidente que no interior das universidades estaduais está instaurado um estado de profunda apatia que beira a anomia institucional. O nível de prostração é tão grande que nem a falta de pagamentos de salários e bolsas é motivo para protestos públicos, quiçá o comprometimento da qualidade do ensino e da pesquisa. Ainda que essa anomia institucional esteja disfarçada pela manutenção de rotinas e cobranças burocráticas, não há como esconder que o estado dominante é de inação e apatia, como se tudo que está sendo feito pelo (des) governo Pezão seja algo, digamos assim, natural.

Diante de um quadro tão ruim, alguém pode me perguntar se ainda há salvação para a condição pública das universidades estaduais. A minha resposta é que sim, pois sempre existem saídas para qualquer problema. A questão é saber se haverá quem queira de dentro das próprias universidades enfrentar a realidade de frente para enfrentar o real projeto do (des) governo Pezão que é entregar as nossas universidades à iniciativa privada.  

Agora, que fique claro que a defesa das universidades estaduais deverá ser levado a frente por um leque mais amplo de indivíduos e instituições. Afinal, se as universidades públicas foram privatizadas, o prejuízo será compartilhado por toda a sociedade fluminense.