Mensagem curta e direta na entrada do banheiro mostra a situação de penúria em que (des) governo Pezão colocou a UENF

Quem se dirige a um dos banheiros situados no primeiro andar do Centro de Ciências do Homem (CCH) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) dá logo de cara com uma mensagem tão direta quanto inescapável, como mostra a imagem abaixo.

2015-10-15 15.42.41

Mas na Uenf hoje não falta apenas papel ” sanitário” para quem, desgraçadamente, precisar se dirigir ao banheiro para aliviar um desconforto. A falta de recursos atinge outras áreas estratégicas e reduz a capacidade da universidade de cumprir seus desígnios maiores. 

Lamentavelmente essa situação parece que vai piorar ainda mais em 2016 já que o minguado orçamento de 2015 vai diminuir um pouco mais. E o pior é que nem mesmo a diminuição dos orçamentos pode ser entendida como uma garantia de que haverá a liberação financeira para que as universidades estaduais possam operar no limite do precário.

Em outras palavras, o (des) governo Pezão está deixando a Uenf e sua comunidade universitária literalmente na merda.

Com um sindicato como este, quem precisa de patrão? A saga continua na Uerj

Em 01 de julho de 2014 publiquei aqui neste blog uma nota estranhando a posição da direção geral do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), sindicato que supostamente representa os interesses dos servidores técnicos das universidades do Rio de Janeiro, em relação á decisão dos trabalhadores da Uenf de retomar um processo de greve que haviam suspenso recentemente (Aqui!).  

Em julho deste ano voltei a comentar sobre a ação da direção geral do Sintuperj que decidiu mover um processo judicial contra mim por causa da minha defesa do direito de greve dos meus colegas servidores na Uenf; processo esse que foi arquivado de forma imediata pela justiça pelo simples fato de eu não ter cometido nenhum crime ao exercer o meu direito constitucional de expressão (Aqui!).

Eis que agora acabo de encontrar nas redes sociais um documento político assinado pelo Fórum de Técnico-Administrativos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) denunciando a persistência da posição pró-patrão da direção geral do Sintuperj, e com requintes de autoritarismo explícito contra membros do próprio sindicato que querem vê-lo agindo em prol dos interesses da categoria e não da reitoria daquela universidade (ver documento abaixo).

sintuperj

À luz do que está sendo denunciado no documento produzido pelo Fórum dos Técnico-Administrativos, não me resta lamentar que esses dirigentes ainda estejam no comando do Sintuperj. É que na atual conjuntura, tão difícil para os trabalhadores brasileiros, o que precisamos é de dirigentes sindicais que ouçam as críticas e as internalizem de forma democrática. E esse parece continuar não sendo o comportamento da direção geral do Sintuperj.

Finalmente, ofereço o meu pitaco de solidariedade aos que querem recolocar o Sintuperj num caminho de autonomia frente aos patrões e de compromisso de lutar pelas demandas da categoria. 

Venda do futuro: aqui não, lá sim? Haja contradição!

garotinho

Inicialmente quero indicar minha posição contrária à estratégia de se empenhar as rendas futuras dos roaylties do petróleo como está fazendo a prefeita Rosinha Garotinho. Por uma, se não tivessem se comportado como novos ricos e gastado como cigarras que não se preocuparam com o inevitável inverno, talvez pudéssemos estar nos defrontando com o sucesso de uma forma de gerir a coisa pública em meio a uma tempestade global. Mas como não foi esse o caso, não restou à administração liderada de fato por Anthony Garotinho senão embarcar na fórmula de vender o que não se tem para tocar a máquina municipal. E, pior, sem que se corrijam alguns dos defeitos que nos levaram à bancarrota.

Resumida a minha posição sobre a venda do futuro via entrega antecipada dos recursos dos royalties, vou me dedicar a um exercício mais fácil, que é o de explicitar a profunda contradição em que se encontram aqueles que dentro do parlamento municipal ou na imprensa local criticam a estratégia de captação idealizada pelo grupo político que comanda a Prefeitura de Campos dos Goytacazes. É que condenando a “venda do futuro” no plano municipal, essas mesmas forças políticas se calam rotundamente, e alguns até votam a favor na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, pelo uso do mesmo artifício, só que utilizando o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação , o nosso velho amigo, o ICMS pelo (des) gvoernador Luiz Fernando, o Pezão.

A contradição é tão profunda que permite ao ex-deputado Garotinho nadar de braçadas na discussão sobre a entrega dos royalties e, além disso, tecer uma estratégia de desmoralização política para amaciar o caminho da reeleição do seu grupo para continuara Prefeitura de Campos dos Goytacazes em 2016.

Aí é que a situação o imperado romano Júlio César e sua mulher Pompéia quando de um escândalo amoroso, onde o monarca teria dito que “minha esposa não deve estar nem sob suspeita“. É que aqui não há nem suspeita de profunda relativização do que é bom ou ruim para o nosso futuro. A contradição é flagrante demais até para ser ignorada por quem mais conta, os eleitores campistas.

Mobilização na UENF: servidores paralisam por 48 horas para protestar contra (des) governo Pezão

Numa prova de que as recentes eleições foram vistas como apenas mais um passo na retomada de um projeto coletivo de construção da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), os servidores técnico-administrativos não esperaram janeiro chegar para retomar sua mobilização em defesa de seus salários. 

Como mostra o panfleto abaixo, os servidores sob liderança da delegacia local do Sintuperj, sindicato que representa os servidores técnico-administrativos das três universidades estaduais fluminenses, estão realizando uma paralisação de 48 horas para lutar por uma complementação de 20% em relação ao que foi dado pelo (des) governo Pezão em 2014. Além disso, os servidores estão demandando o estabelecimento de uma data base para a recuperação, pelo menos, das perdas inflacionárias que estão corroendo de forma galopante os seus salários.

No caso dos servidores da Uenf, há que se lembrar que diversos cargos estão com valores abaixo do que é praticado, por exemplo, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o que é extremamente injusto já que as funções cumpridas são basicamente as mesmas.

Dessa maneira, hipoteco aqui o meu apoio aos servidores em luta. É que uma universidade é construída pelos três segmentos que compõe a sua comunidade, e não é justo que o tratamento dado a estes segmentos seja diferenciado, especialmente quando o assunto é a reposição de perdas salarias. Pois como diz o panfleto sendo distribuído pelos técnicos, “juntos somos fortes, mas unidos somos muito mais“!

sintu 1 sintu 2

Com uma “não notícia”, reitoria da Uenf informa que bolsas de maio devem ser pagas apenas no dia 21 de julho

A matéria abaixo, publicada pelo jornal O DIÁRIO, traz uma manchete auspiciosa “Governo do Estado paga Bolsa da Uenf”, mas ao ler o seu conteúdo toda a esperança tende a se transformar em frustração. Vejamos porque!

bolsas

É que se os leitores do blog leram a parte marcada em amarelo terão lido a seguinte e trágica informação dada pelo chefe de gabinete da reitoria, Manuel Vazques:

” A previsão é de que pelo menos o pagamento da bolsa de maio seja efetuado no dia 21 de julho, já que o governo do Estado não confirmou a liberação da verba para o pagamento da bolsa de junho.”

Falando em português claro e não o usado na reitoria da Uenf, o que temos é que a melhor previsão para o pagamento da bolsa referente ao mês de Maio (!!) é o dia 21 de julho, sem que isto esteja garantido. E, pior, que não há qualquer informação sobre quando será feito o pagamento da bolsa de Junho!

É muito cinismo e descompromisso com 800 estudantes que precisam dos recursos oriundos dessas bolsas para continuar estudando na Uenf!

Apesar da reitoria e do (des) governo Pezão, a vida na UENF ainda pulsa forte

A matéria abaixo do jornal O DIÁRIO dá conta de um interessante paradoxo que hoje marca a vida da Uenf. De um lado, a excelência de seu quadro de docente e técnico e um corpo estudantil dinâmico, e, de outro, a asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão. No meio disso, a reitoria da Uenf continua agindo como estafeta de Pezão, se comportando apenas como uma gerente de massa falida, mais preocupada em defender o patrão do que defender a universidade que deveria representar.

O DIÁRIO 1206

Felizmente nas eleições que se avizinham para a reitoria, a comunidade universitária poderá retirar o grupo político que comanda a reitoria desde 2003, pondo um final na subserviência crônica que só beneficia os interesses privados de uma minoria em detrimento da consolidação de uma universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade. Essa será uma chance histórica de recolocar a Uenf nos trilhos, retirando a reitoria da posição subalterna em que se encontra em face de um (des) governo que prefere financiar a Ambev e deixar à míngua as universidades estaduais.

Um detalhe interessante em relação ao ranking  citado na matéria, há que lembrar que  Uenf só figura no topo  do quesito corpo docente porque possui 100% dos seus professores doutorado. A questão é que a atual reitoria queria acabar com o regime de Dedicação Exclusiva e a exigência do titulo de doutor, e isto apenas não aconteceu porque houve uma forte reação da comunidade universitária que impediu esse golpe contra o projeto idealizado por Darcy Ribeiro. Aliás, nas próximas eleições para a reitoria seria interessante verificar qual foi o voto dos candidatos que ocupavam cargo no Conselho Universitário em relação a essa questão.

Ciência fluminense sente efeitos da crise financeira: FAPERJ posterga data do pagamento de suas bolsas

angry

Em que pesem as declarações otimistas do (des) governador de plantão Luis Fernando, o Pezão, a maioria do povo fluminense sabe que a situação financeira do estado do Rio de Janeiro é periclitante. Agora, o que não se sabe é quais são os efeitos objetivos que essa crise tem e de como os custos e benefícios são distribuídos num momento de “pouca farinha”. 

Mas entre os perdedores já se pode incluir a comunidade científica que depende do aporte continuado de recursos via a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). É que como mostra a mensagem eletrônica que está sendo enviada a todos os bolsistas da fundação, a data do pagamento das diferentes modalidades concedidas pela FAPERJ acaba de ser postergada para o dia 20 do mês seguinte ao mês de referência. 

Em alguns casos, como as bolsas de “Cientista do Nosso Estado” e de “Jovem Cientista do Nosso Estado”, a demora é só um incomodo, pois os seus detentores fazem parte dos estratos superiores das comunidade científica fluminense. Entretanto, quando as bolsas são daquelas modalidades destinadas aos segmentos mais jovens e em início de formação, a coisa fica dramática. É que para muitos desses jovens cientistas, a bolsa da FAPERJ é a única forma de sustento financeiro. Em outras palavras, com essa postergação se abre um claro risco de que muitos pesquisadores em início de sua formação acadêmica tenham que abandonar os seus trabalhos ou, em casos extremos, as próprias universidades.

O arrocho financeiro na FAPERJ, entretanto, tem um outra faceta.  Uma delas foi o generoso contrato de 760 milhões “de apoio financeiro” à AMBEV. Para a AMBEV, Pezão tirou R$ 760 milhões do Fundo de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio para dar “apoio financeiro”, por meio de um financiamento que deverá ser pago em 30 anos! No caso da AMBEV, dinheiro não falta,  para alegria total de Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, o 26º do mundo, segundo a revista Forbes. 

20150508_pezaoambev

Finalmente, o temor que muitos servidores têm neste momento é que a postergação do pagamento das bolsas na Faperj seja apenas um teste para se fazer o mesmo com os salários. Se isso acontecer, teremos muita gente com uma severa crise de nervos, pois a maioria vive hoje contando os dias para receber e honrar suas dívidas no cheque especial.

———————————————————————————————–

Data: Thu, 11 Jun 2015 
      De: FAPERJ <ndct@faperj.br>
Reponder para: FAPERJ <ndct@faperj.br>

 Assunto: FAPERJ – Mensagem aos bolsistas.
Prezado bolsista XXXX

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, assim como o Governo Federal e os demais estados da federação, vem realizando adequações orçamentárias ao longo do ano, o que tem alterado a liberação de repasses pela Secretaria Estadual de Fazenda. Em função disto, o pagamento de bolsas a partir deste mês passará a ser feito no dia 20.

A FAPERJ reafirma o seu compromisso com o pagamento de todas as verbas de custeio e auxílios.

Elio Gaspari desfere golpe duro na já combalida imagem do (des) governador Pezão

pezao

O jornalista Elio Gaspari que publica sua coluna de opinião nos principais jornais brasileiros reservou boa parte do seu espaço deste domingo para desferir um duro golpe na já combalida imagem do (des) governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza, o Pezão.

Usando como ponto de partida os comentários de Pezão sobre a a prisão de um menor, que depois se verificou não estava envolvido na morte do médico Jaime Gold, Gaspari nos lembra não apenas que o (des) governador está bastante enrolado nas investigações da chamada Operação Lava Jato, como também já possui pelo menos uma condenação por improbidade administrativa.

Vamos ver se depois desse artigo devastador, Pezão pelo menos tenta controlar sua incontinência verbal. Já faria muito por si, e nos livraria de um desnecessário besteirol acerca dos problemas de segurança que afligem atualmente a população fluminense. 

 

Luiz Fernando de Souza acertou seu pezão

 Por Elio Gaspari

A sorte abandonou o governador Luiz Fernando de Souza, o Pezão, quando ele comentou a prisão dos três menores acusados de terem matado o médico Jaime Gold enquanto pedalava na lagoa Rodrigo de Freitas. O doutor disse o seguinte: “Nenhum dos três é inocente. Todos possuem anotações criminais, e o importante é que a polícia está prendendo.”

Parecia uma simples constatação, mas embutia uma empulhação. Um dos três menores, precisamente aquele que a polícia capturara em apenas 72 horas numa operação aparentemente exemplar, seria inocente do crime de que o acusaram. Seis testemunhas estão dispostas a depor mostrando que ele estava em outro lugar na hora do crime.

Se isso fosse pouco, outro menor, confesso, apresentara-se à polícia inocentando-o.

O adolescente tem mais de uma dezena de anotações criminais, nenhuma delas por lesões corporais.

É negro, favelado e infrator. Portanto, seria capaz de tudo. Pezão transformou uma solução -a detenção, mais tarde, de pelo menos um criminoso confesso- num problema: a tentativa de justificar uma acusação contra um inocente.

Como disse o próprio governador “pode ter havido engano, erros acontecem”. Foi aí que a sorte lhe faltou. No mesmo dia o Superior Tribunal de Justiça autorizara a quebra do seu sigilo telefônico para que se investigue a procedência de denúncia do “amigo Paulinho”, que o colocou na frigideira dos 40 políticos envolvidos na Operação Lava Jato.

Segundo o ex-diretor da Petrobras, na campanha eleitoral de 2010, quando “Pezão” elegeu-se vice-governador na chapa de Sérgio Cabral, cinco empreiteiras teriam despejado R$ 30 milhões no caixa dois dos candidatos. O governador, como o menor, repele a acusação.

Na métrica que Pezão usou em relação ao jovem preso, “pode ter havido engano, erros acontecem”. Se a polícia do Rio já tivesse reconhecido o erro, tudo bem, mas isso ainda não havia sido feito. Resta outro ponto: o menor “tem anotações criminais”.

Pezão também. Em 2013 foi condenado a pagar uma multa de R$ 14 mil por improbidade administrativa na compra de uma ambulância quando era prefeito de Piraí. Decisão de primeira instância; só pode ser considerada definitiva depois que o recurso do réu for apreciado.

Muita gente acredita que um menor infrator é capaz de tudo. Também há muita gente que, sem esperar pelo devido processo judicial, já condenou os 40 políticos que entraram na lista do procurador-geral Rodrigo Janot.

Quando se viu arrolado na investigação, o próprio Pezão, com bons motivos, queixou-se dessa conduta irracional: “Fui julgado e condenado”.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2015/06/1638583-luiz-fernando-de-souza-acertou-seu-pezao.shtml

Antropóloga e advogado rebatem fala de Pezão

pezao luciane rodrigo

Ao comentar a detenção de três adolescentes por um crime cometido por apenas dois – o assassinato do médico Jaime Gold –, o governador Pezão afirmou: “Ali não tem nenhum inocente”. O Favela 247 recebeu artigos da antropóloga Luciane Soares e do advogado Rodrigo Mondego questionando sua fala. “Seguindo essa lógica, é o mesmo que acharmos certo ele ser preso pela Operação Lava a Jato, pois mesmo não sendo comprovada sua participação nos crimes em questão, ele é político, foi citado por delatores e já foi passível de outros processos. Ninguém deve responder por algo que não fez”, argumentou Mondego

Favela 247 – A resposta do Estado ao trágico assassinato do médico cardilogista e ciclista Jaime Gold, no dia 20 do mês passado, foi a detenção de três adolescentes por um crime cometido por apenas dois. Kiko Nogueira, em artigo intituladoO suspeito de matar o médico no Rio era ‘bucha’? Providenciemos outro“, escreveu: “Pouco mais de uma semana depois, a Delegacia de Homicídios, DH, apanhou mais um menor e avisou que encerrava o caso. Já? Não demorou para surgirem os buracos na “investigação”: o depoimento da única testemunha, um frentista, não batia, o apelido de um dos suspeitos era outro, a “confissão” não existiu. O homem que testemunhou a ocorrência diz ter avistado um branco e um negro. Os dois detidos são negros”.

Na tarde de hoje, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, deu a seguinte declaração em resposta à repercussão negativa das prisões: “Ali não tem nenhum inocente. Todos três viviam em função de assaltos, não só no entorno da Lagoa”. O governador disse que falhas desse tipo, por parte da polícia, são inadmissíveis, mas afirmou que é preciso reconhecer que a polícia está agindo. “O importante é que a polícia está prendendo. Quem teme está se entregando, e a gente está agindo. Foi um crime à noite, e pode ter havido um engano. Mas tem três pessoas presas que assaltavam na Lagoa, e assaltavam em outros lugares”, enfatizou.

As declarações do governador causaram “espécie” em defensores dos Direitos Humanos, e o Favela 247 recebeu artigos da antropóloga Luciane Soares e do advogado Rodrigo Mondego rebatendo as falas de Pezão. Segundo Luciane: “A resposta do governador em relação à morte na Lagoa é desastrosa por várias razões. Em primeiro lugar, os três casos relatados indicam no mínimo, abuso de autoridade por parte de polícia. Em segundo, criminaliza a juventude pobre e negra (esta que mora no Complexo do Alemão, como o menino Eduardo de Jesus, esta que mora no Lins, como o menino Patrick). Em terceiro lugar, reproduz uma lógica inquisitorial, que abre mão de qualquer tipo de investigação e conclui que “apenas olhando já sabemos que é culpado”. Ou seja, o governador retrocede a 1893 e saúda Césare Lombroso e sua ideia de ‘homem delinquente’. Envergonha com este ato, os próprios órgãos de segurança que têm participado de especializações e formação universitária, com o intento de alterar paradigmas ultrapassados sobre violência e crime”.

Já Mondego argumenta: “O governador do Rio ao afirmar que nenhum dos três adolescentes presos é inocente, mesmo sabendo que apenas dois participaram da trágica morte do médico Jaime Gold, reproduz o que é pior do punitivismo. Ao dizer que um menor é passível de punição, mesmo não tendo participado do assassinato, o governador divide o mundo entre os puníveis e os impuníveis”.

Leia abaixo aos artigos na íntegra:

A gente tem que discutir o quê governador?

Por *Luciane Soares

Um laudo emitido por peritos da Polícia Civil do Rio de Janeiro, indicou que os tiros que vitimaram Eduardo de Jesus, morto aos 10 anos no Complexo do Alemão, partiram de um fuzil. O governador Luiz Antonio Pezão admitiu que a polícia “errou” e lamentou a morte. Concretamente, os policiais envolvidos no caso estão em licença médica e seus depoimentos ainda não foram colhidos. Serão responsabilizados pela ação?

Casos de não punição pela morte de civis são comuns nas policias brasileiras.  Alguns dias atrás, Lucas Custódio de 16 anos, morador da favela Sucupira, no Grajaú, foi executado por policais militares. Teria implorado para um dos policiais “não precisa me matar, senhor”. Estava desarmado, foi algemado, levado para um matagal e executado. Outros moradores, incluindo mulheres e crianças, foram ameaçados. Nos últimos dias, ocorreram duas ações truculentas da Polícia Militar, no despejo de moradores da favela do Metrô e da Vila Autódromo. Imagens de pessoas feridas, crianças e jornalistas indicam uma intensificação do confronto entre sociedade civil e policiais na cidade do Rio de Janeiro.

A resposta do governador em relação à morte na Lagoa é desastrosa por várias razões. Em primeiro lugar, os três casos relatados indicam no mínimo, abuso de autoridade por parte de polícia. Em segundo, criminaliza a juventude pobre e negra (esta que mora no Complexo do Alemão, como o menino Eduardo de Jesus, esta que mora no Lins, como o menino Patrick). Em terceiro lugar, reproduz uma lógica inquisitorial, que abre mão de qualquer tipo de investigação e conclui que “apenas olhando já sabemos que é culpado”. Ou seja, o governador retrocede a 1893 e saúda Césare Lombroso e sua ideia de “homem delinquente”. Envergonha com este ato, os próprios órgãos de segurança que têm participado de especializações e formação universitária, com o intento de alterar paradigmas ultrapassados sobre violência e crime.

Ou seja, o governador assume com este discurso o que está evidente: uma crise gravíssima nas condições de provimento da segurança, uma crise não resolvida com a instalação de mais Unidades de Polícia Pacificadora. Envergonha a todo cidadão que mesmo temendo viver em uma cidade violenta, tem certeza de que a diminuição da maioridade penal não resolverá o problema da criminalidade urbana.

Pezão fala como chefe de carceragem da época do bandido Lúcio Flávio, “A polícia está prendendo. Quem teme está se entregando, e a gente está agindo”. Uma sequência assustadora de frases infelizes, até mesmo para seus eleitores, que já devem estar cientes do engodo em que foram pegos.

Pezão envergonha o estado do Rio de Janeiro ao demonstrar tanta ignorância diante do quadro complexo da segurança pública. Quadro este que seus subordinados dentro das policias civil e militar conhecem muito bem.

Governador, é o  Estado que está cada vez mais violento, não os adolescentes. Estes estão neste momento correndo as avenidas movimentadas para entregar água, pizza, flores; nos caixas de farmácias, supermercados, padarias. Subindo a Rocinha em motos, rindo nas praças com roupas de escola, andando nos shoppings atrás de seus presentes para o dia 12. Não faça destes, mais uma vez, bodes expiatórios de problemas sociais. Impossíveis de resolver com a prisão.

Não governador, não existem gangues no Brasil e suas afirmações não passam de vergonhosa especulação. Pedimos o fim da morte de jovens negros pela polícia. E acima de tudo, que nosso representante máximo, no uso de suas atribuições, não se comporte de forma tão descuidada, tão irresponsável. Afinal, usar frases de efeito não tem como resultado a resolução mágica dos conflitos urbanos.

Pezão e a sanha punitivista

Por **Rodrigo Mondego

O governador do Rio ao afirmar que nenhum dos três adolescentes presos é inocente, mesmo sabendo que apenas dois participaram da trágica morte do médico Jaime Gold, reproduz o que é pior do punitivismo. Ao dizer que um menor é passível de punição, mesmo não tendo participado do assassinato, o governador divide o mundo entre os puníveis e os impuníveis.

Seguindo essa lógica, é o mesmo que acharmos certo ele ser preso pela Operação Lava a Jato, pois mesmo não sendo comprovada sua participação nos crimes em questão, ele é político, foi citado por delatores e já foi passível de outros processos. Ninguém deve responder por algo que não fez. Além de injusto, não contribui em nada na resolução dos problemas da segurança pública.

Pezão incentiva uma sanha punitivista que cega qualquer racionalidade. Que um dia voltemos a enxergar, para que enfim possamos caminhar para uma sociedade mais justa, segura e fraterna.


*Luciane Soares
é professora associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul,  doutora em sociologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e atualmente é pesquisadora associada ao Núcleo de Estudos da Exclusão e da Violência (NEEV).

**Rodrigo Mondego é advogado militante dos Direitos Humanos e membro do Coletivo de Advogados – RJ.

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/favela247/183630/Antrop%C3%B3loga-e-advogado-rebatem-fala-de-Pez%C3%A3o.htm

STJ autoriza quebra de sigilo telefônico de Cabral e Pezão

De Brasília

PEZAOCABRAL

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a quebra de sigilo telefônico do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB) e também do ex-governador do Estado, Sérgio Cabral, também do PMDB. No mesmo pedido foi autorizada ainda a quebra de sigilo de Régis Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do Rio, e de representantes de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.

O pedido de quebra de sigilo foi enviado à Corte pela Polícia Federal e autorizado pelo ministro Luis Felipe Salomão, relator da Lava Jato no STJ. A autorização dada pelo ministro é para que sejam revelados registros telefônicos dos investigados referentes ao período que antecedeu a campanha de 2010.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apura se os investigados cometeram os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. De acordo com a Procuradoria, Cabral e Pezão agiram juntos, com a contribuição de Fichtner, para receber R$ 30 milhões de empresas contratadas pela Petrobras para a construção do Comperj, no Rio de Janeiro. O dinheiro teria sido destinado para a campanha de Cabral e Pezão aos cargos de governador e vice, respectivamente, do Estado do Rio de Janeiro, em 2010.

Em um mesmo inquérito do STJ são investigados Cabral, Pezão e Fichtner por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal suspeita que o recebimento da propina foi feito por meio do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. No STJ existe outro inquérito que apura o suposto envolvimento do governador do Acre, Tião Viana (PT-AC). A reportagem apurou que não houve, por ora, quebra de sigilo telefônico no inquérito de Tião.

‘Mentiras’

Por meio da assessoria de imprensa, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) comentou a quebra de sigilo telefônico autorizada pelo STJ e reiterou não ter ligação com o esquema de corrupção na Petrobrás. Cabral classificou como “mentiras” as denúncias do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, que acusa o ex-governador de ter pedido dinheiro para o caixa 2 da campanha da reeleição, em 2010, quando o atual governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), era candidato a vice. “O ex-governador Sérgio Cabral respeita o processo judicial e reitera seu repúdio e sua indignação às mentiras ditas pelo delator Paulo Roberto Costa”, diz a nota de Cabral.

O ex-secretário da Casa Civil Regis Fichtner considerou a medida da Justiça “natural”. “Diante das inverdades ditas pelo delator Paulo Roberto Costa, cabe à Justiça investigar os fatos. A quebra de sigilo telefônico, diante disso, é natural e servirá apenas para demonstrar que jamais falei com ele ao telefone sobre qualquer assunto”, disse Fichtner, em nota. O governador Pezão ainda não respondeu ao pedido do Estado.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/06/03/stj-autoriza-quebra-de-sigilo-telefonico-de-cabral-e-pezao.htm