A culpa da recessão é de Guedes e Bolsonaro, não da COVID-19

bolsoguedesNão culpem a COVID-19, pois Jair Bolsonaro e Paulo Guedes são os pais da recessão que ameaça a pior da história do Brasil

A mídia corporativa está trombeteando hoje que os desastrosos números relativos à performance da economia brasileira se devem única e exclusivamente à pandemia da COVID-19. Essa forma de apresentar o problema, exonerando a dupla Bolsonaro/Guedes das devidas responsabilidades pela recessão em curso, é a forma pela qual os donos dos grandes veículos de imprensa estão encontrando para salvaguardar seus próprios interesses, já que a maioria deles opera com extrema agilidade no mercado financeiro. E com isto tentam manter no posto de ministro da Fazenda, o sr. Paulo Guedes, que ainda é a melhor garantia de que os negócios continuarão como sempre.

Na real, a situação da economia brasileira já vem mal das pernas desde o início do segundo mandato de Dilma Rousseff, e tudo o que foi feita até aqui pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro foi no sentido de preservar os ganhos das grandes instituições financeiras nacionais e internacionais, com a imposição de perdas cada vez maiores aos direitos trabalhistas e sociais. São os trabalhadores que estão sentindo na pele a opção por alocar cifras trilionárias para preservar um sistema financeiro parasitário.

Assim, não nos enganemos, sem que seja rompido o chamado “Teto de Gastos“, de modo a quebrar a atual incapacidade do Estado brasileiro de realizar investimentos que coloquem a economia brasileira no caminho de uma retomada mínima que seja, a tendência será o aprofundamento dos ataques aos trabalhadores e uma piora ainda maior dos índices de funcionamento da economia brasileira, com repercussões devastadoras sobre a vida da maioria da nossa população.

Por isso, em vez de se ficar discutindo questiúnculas acerca do próximo pleito municipal, o que precisamos fazer é colocar o debate sobre o modelo econômico em curso na ordem do dia, de modo a acelerar o desgaste do modelo pró-banqueiros que o governo Bolsonaro tão bem representa. Qualquer outra coisa significará adaptação à agenda neoliberal de Paulo Guedes. 

Queda econômica sem precedentes no Brasil, em meio a uma crise política e de saúde

Os economistas preveem uma queda no PIB de até 10%, e a situação não está prestes a melhorar: o país está prestes a se tornar o principal foco da epidemia causada pelo coronavírus.

le monde 1Em frente a uma loja, no Rio de Janeiro (sudeste do Brasil), 2 de junho. OLIVARES / REUTERS PILARES

Por Bruno Meyerfeld (Rio de Janeiro, correspondente) para o Le Monde

O Brasil não está perto de uma crise. Atingido com força pela pandemia da COVID-19, assolado pelas convoluções políticas de seu presidente, Jair Bolsonaro, o gigante sul-americano também deve enfrentar um colapso econômico de gravidade sem precedentes.

A perspectiva é muito sombria: o Ministério da Economia conta agora com uma queda no produto interno bruto (PIB) de 4,7% em 2020. Previsões dramáticas, mas que parecem muito otimistas para a maioria dos institutos de pesquisa e economistas. Eles prevêem uma queda de 6% a 10% da riqueza nacional este ano: uma recessão nunca registrada na história do Brasil.

A onda da COVID-19 causou uma desaceleração geral da economia, em especial após as medidas de restrição impostas pelas autoridades locais, prefeitos ou governadores, que fecharam, desde meados de março, a maioria das lojas e atividades não essenciais. Estes fechamentos foram particularmente rigorosos no Estado de São Paulo, epicentro da epidemia e pulmão econômico do país, que gera um terço do PIB nacional.

“Mal se recuperou da grande recessão de 2016-2017”

Ainda faltam dados oficiais para saber o impacto exato da pandemia no desemprego e na pobreza. Mas já em meados de maio, a muito séria Fundação Getulio Vargas (FGV) publicou números preocupantes: segundo ela, 40% das empresas do comércio, indústria, serviços e a construção já foi forçada a demitir todo ou parte de seu pessoal por causa da crise. Mais de uma em cada duas famílias viu um de seus membros afetado pelo desemprego ou uma queda nos salários. Quase oito em cada dez brasileiros hoje dizem que limitam suas compras a bens essenciais.

A única medida verdadeiramente forte e emblemática adotada pelo poder de extrema direita de Jair Bolsonaro é a ajuda de emergência mensal de R$ 600 (109 euros)

A situação é ainda mais difícil, pois a crise atinge um país ” mal recuperado da grande recessão de 2016-2017, com alto desemprego, acima de 11%, e desigualdades muito profundas, onde dois terços da população vivem na pobreza ou na precariedade ”, insiste Monica de Bolle, economista e professora da American Johns-Hopkins University. Acima de tudo, segundo ela, “o  Brasil infelizmente é liderado por um governo passivo, que negou semanas durante a severidade da pandemia, bem como seu impacto na economia e que reage hoje de maneira totalmente improvisada”. .

A única medida verdadeiramente forte e emblemática adotada pelo poder de extrema direita de Jair Bolsonaro é a ajuda de emergência mensal de 600 reais (109 euros), hoje paga, segundo as autoridades, a quase 60 milhões Brasileiros desempregados ou trabalhando no setor informal. “Mas o governo adotou com relutância essa medida, sob pressão da sociedade civil e do Parlamento. Hoje, ele não tem mais nenhum projeto estruturado sobre como ajudar a economia a lidar com a recessão “ , denuncia Monica de Bolle. O Ministério da Economia também anunciou, terça-feira, 9 de junho, que o auxílio emergencial seria pago por mais dois meses, mas por um valor reduzido pela metade (apenas R$ 300).

As caixas estão esvaziando

A situação não está prestes a melhorar: enquanto grande parte do planeta vive no momento do desconfinamento, o Brasil está no caminho de se tornar o principal centro ativo da epidemia, com quase 40.000 mortos e 772.000 casos identificados até 10 de junho, segundo dados oficiais. Ameaças de demissão ou golpe de estado pairando sobre o país provavelmente não tranquilizarão os investidores. Segundo a Reuters, o investimento direto no país foi interrompido em abril: apenas US $ 234 milhões (207,8 milhões de euros), o pior resultado mensal desde 1995.

O governo brasileiro, portanto, terá que enfrentá-lo sozinho, enquanto as caixas estiverem vazias. Um estudo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo e coordenado pelo renomado economista Marcos Lisboa prevê um déficit recorde nas contas públicas para 2020, superior a 1,2 trilhão de reais, e uma dívida que, sem dúvida, deve explodir e exceder a barra simbólica de 100% do PIB (contra 76% antes da crise).

A recuperação será lenta, muito lenta mesmo

Para piorar a situação, uma luta opõe dois campos no topo do estado sobre o procedimento a seguir. Por um lado, o ministro ultraliberal da Economia Paulo Guedes, que gostaria de desregular ainda mais o mercado de trabalho e buscar um vasto plano de privatização. Por outro lado, a ala militar, representada por Walter Braga Netto, ministro-chefe da Casa Civil (equivalente ao chefe de gabinete do presidente), que milita a favor de um grande programa de investimentos em infraestrutura , concebido como um “plano marechal brasileiro”, e estimado em 300 bilhões de reais.

No momento, Jair Bolsonaro concordou com seu ministro da Economia. “Um homem decide a direção da economia no Brasil: o nome dele é Paulo Guedes” , disse ele no final de abril. Desde o início da crise, o chefe de Estado negou a gravidade da pandemia e pediu uma reabertura total da economia. Após semanas de conflitos com prefeitos e governadores, ele parece estar no caminho certo para vencer sua aposta: diante da extensão da recessão, vários estados, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, começaram uma recuperação gradual dos negócios e atividades não essenciais.

Tudo isso, no entanto, não significa o retorno do crescimento, longe disso. A recuperação será lenta, muito lenta esmo. Mesmo que a pandemia diminuísse, o Brasil não retornaria à sua situação pré-coronavírus (já muito sombria …) por vários anos. Até o final de seu mandato, em 2022, Jair Bolsonaro poderia, portanto, ser reduzido a ter que gerenciar a crise. Uma pena para um homem que se gabava de “não entender nada” sobre a economia.

Este artigo foi escrito originalmente em francês e publicado pelo jornal Le Monde [Aqui!].

Caos à vista: Com economia paralisada, o Brasil vê no horizonte uma recessão global

guedes

E o tamanho do PIB é…. 

Ontem ouvi por poucos minutos um entrevistado de programa local analisando a situação econômica do Brasil em meio às “reformas” de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes que nos isolaria de uma crise que se levanta na economia global.  A similaridade de argumentos e a defesa de mais “reformas” não me deixaram dúvidas, e mudei rapidamente de estação. É que até para ouvir besteira há limites.

O problema é que qualquer observador minimamente capacitado de oferecer uma análise superficial da situação teria dito ao “locutor” que a situação do Brasil já beirava o dramático antes da erupção da pandemia do Coronavírus e da eclosão das disputas entre os países produtores acerca dos preços do petróleo.  Com esses dois desdobramentos, passamos do dramático para o desesperado.

A verdade é que o Brasil já ensaia uma recessão desde que a então presidente Dilma Rousseff iniciou seu segundo mandato praticando um estelionato eleitoral quando colocou no cargo de ministro da Fazenda o neoliberal Joaquim Levy. Como a história já mostra, esse estelionato eleitoral abriu espaço para um golpe parlamentar que tirou Rousseff do poder, colocando em seu lugar Michel Temer que, efetivamente, aprofundou as medidas neoliberais de Levy, o que foi consumado com a aprovação da chamada PEC do Teto de Gastos (PEC-241 na Câmara de Deputados e PEC-55 no Senado Federal).

Ao congelar os investimentos públicos por pelo menos 20 anos, Michel Temer jogou o Brasil ainda mais para o pântano recessivo em que Dilma e Levy já tinham colocado o país. A eleição de Jair Bolsonaro e a assunção de Paulo Guedes resultaram apenas em mais recessão. Em função disso, o nosso país está atolado em uma situação calamitosa, visto que o Estado não investe por causa dos limites impostos pela PEC do Teto de Gastos, e os barões da iniciativa privada estão mais preocupados em migrar seus dólares para paraísos fiscais para salvá-los do naufrágio do que colocar suas fortunas a serviço da recuperação econômica brasileira.

Mas como não há nada que não esteja tão ruim que não possa piorar, agora temos todos os elementos indicadores de que a economia global entrará em uma recessão tão ou mais profunda do que aquela experimentada em 2008. A primeira consequência dessa situação é a fuga de divisas, pois os especuladores internacionais vão colocar suas fortunas em ativos mais seguros, e consequente depreciação acachapante do Real. Mas outra consequência importante é a perda de valor das commodities agrícolas e minerais cuja comercialização é hoje a principal boia de salvação do comércio exterior do Brasil. Com isso, temos o somatório de dois fatores que servirão para tensionar ainda mais as contas brasileiras, devendo ainda obrigar o governo Bolsonaro a torrar as reservas nacionais de dólar que foram acumuladas nos anos dourados de Lula e Dilma. Em suma, não há nada de bom ou estável no horizonte, especialmente porque os preços do petróleo dos quais a União e os chamados estados produtores dependem para obter renda não deverão se recuperar tão cedo.

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Variação dos preços do petróleo e do cobre após a erupção da crise do coronavirus

Demonstrando sua completa incapacidade de oferecer respostas que façam o Brasil se mover para fora do lamaçal econômica onde está colocado, o governo Bolsonaro tem apenas uma receita a oferecer: mais recessão e mais ataques à capacidade de investimento do Estado brasileiro disfarçados de “reformas“.  Com isso, uma situação que já é profundamente problemática tenderá a se agudizar.   Mas novamente,  é preciso dizer que aquilo que está ruim sempre pode piorar. Assim, eu não me surpreenderei nenhum pouco com uma saída intempestiva de Paulo Guedes do governo Bolsonaro, culpando inclusive o chefe pela patranha onde estamos metidos. Se isso acontecer, quem terá que se preocupar com o próprio destino será o presidente Jair Bolsonaro.

Resumo da ópera: quem ainda tiver algo a perder, melhor pensar bem sobre os próximos passos. Já para os que já perderam tudo, não há nada de bom no horizonte.  Simples assim!

Ajuste orçamentário nas universidades e institutos federais deverá ampliar o desemprego e a recessão

weintraub cartoon

O corte anunciado de cerca de R$ 2,2 bilhões no orçamento de 2019 de universidades e institutos federais deverá causar fortes atrapalhos não apenas no interior das instituições ou só capacidade de produção científica brasileira.  Algo que ainda não foi apontado até aqui será o feito que esse ajuste terá sobre um número incalculável de empresas que prestam serviços ou vendem insumos e equipamentos para o sistema federal de ensino.

É que confrontados com o encurtamento do orçamento, as direções das instituições certamente terão que cortar na própria carne, começando pelos serviços básicos de limpeza e segurança, mas chegando naquelas empresas que aportam insumos e equipamentos utilizados não apenas para a pesquisa, mas também para o funcionamento de serviços hospitalares, por exemplo. Com isso, não sofrerão apenas as empresas que prestam serviços ou vendem produtos para o sistema federal de ensino, mas, principalmente, a população brasileira.

Com o encurtamento orçamentário teremos então inevitavelmente fechamentos de empresas e demissões como subprodutos do ataque que está sendo desferido pelo governo federal contra o sistema federal de ensino.

Interessante notar que, ao contrário das fake news divulgadas para dar sustentação a este ataque inédito às instituições federais de ensino, o controle orçamentário realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e também por outros órgãos de controle, o sistema federal já é fortemente monitorado, havendo pouco espaço para estripulias com o dinheiro público.  

Entretanto, sabemos que a real motivação não é nem ampliar o investimento em educação básica, já que esse segmento também sofreu cortes, ou tampouco melhorar a gestão de recursos públicos pelo sistema federal de ensino. O que está em jogo é pura e simplesmente a destruição pura e simples de um patrimônio que levou várias gerações para começar a dar frutos.  Agora, só faltará salgar a terra arrasada em que querem transformar nossas universidades e institutos federais para que ali nunca mais brote nada. Tal como fez o Império Romano em Cartago no ano 146 antes de Cristo (a.C.).  

Por último, há que se apontar que muitas cidades que possuem instalações de universidades e institutos federais são hoje diretamente dependentes da capacidade dessas instituições de empregar e dinamizar a economia municipal. Especialmente nas cidades localizadas no interior é que os efeitos colaterais do ajuste feito pela dupla Bolsonaro/Weintraub deverão resultar em repercussões mais dramáticas.

 

Percurso errático de Donald Trump derruba bolsas e prenuncia nova recessão mundial

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Enquanto no Brasil se ouve os futuros governantes se agarrarem a um discurso voltado para firmar uma aliança estratégica com o governo de Donald Trump, o bilionário transformado em presidente da principal potência econômica-militar do planeta segue causando algo que a mídia estadunidense tem caracterizado de “caos”.

A última investida de Donald Trump foi contra a autonomia do Federal Reserve (o banco central estadunidense) em fixar taxas de juros, um fato que causou uma queda histórica nos índices das principais bolsas dos EUA (com uma perda de 650 pontos no índice Dow Jones), a qual teve uma forte repercussão no mercado de ações em escala global [1].

É interessante notar que essa investida de Trump contra o Federal Reserve contrasta diretamente com a intenção da equipe econômica Jair Bolsonaro de conceder uma autonomia ainda maior para o Banco Central do Brasil. Ao que parece, o que não é bom para Trump é visto com essencial para Paulo Guedes e sua equipe de Chicago Boys.

Se essa tendência de queda das bolsas de ações persistir nas próximas semanas, uma das possibilidades já   pelo próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) é de que haja uma forte recessão na economia mundial, num processo que ameaça superar a crise de 2008, colocando em xeque o sistema financeiro mundial [2].

Se essas “nuvens negras” se confirmarem, o mais provável é que países como  Brasil e Argentina que já se encontram sob forte recessão sofram os piores efeitos desta nova crise capitalista. Aí veremos como se comportarão os dirigentes do novo governo que estão pretendo vender o Brasil a preços mínimos quando a crise engolir os eventuais interessados.

 


[1] https://edition.cnn.com/2018/12/24/investing/stock-market-today-dow/index.html

[2] https://www.theguardian.com/business/2018/dec/11/imf-financial-crisis-david-lipton

 

Enquanto rola o Carnaval no Brasil, bolsas mundiais estão sambando

STOCK

Quando a maioria dos brasileiros voltam para a sua rotina na próxima 5a. feira é provável que ainda não se saiba bem os efeitos duradouros do verdadeiro massacre que as bolsas de ações estão sofrendo na Ásia e na Europa durante este início de semana.

As estimativas fornecidas pelo jornal britânico apontam para grandes quedas na bolsa de Tóquio e Londres, além da peculiaridade de que os bancos também estão vendo suas ações derreterem rapidamente (Aqui!). É que além do aumento dos calotes dos clientes, a disposição manifesta dos investidores tende a ser por ativos mais resistentes à crises, como o ouro.

A principal razão para mais este recuo nas bolsas é a perspectiva de que a economia mundial vá entrar em recessão, fato este que estaria sendo alimentado pelo recuo da economia chinesa e pela vertiginosa queda nos preços do petróleo. Ao que tudo indica, a economia mundial está dando sinais de que haverá uma repetição da crise de 2008 quando explodiu a crise das hipotecas nos EUA.

Diante deste quadro funesto é quase certo que vão crescer as pressões vindas principalmente do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que o Brasil amplie a utilização de restrições aos direitos dos trabalhadores e amplie a liberalização dos fluxos de capital e a desnacionalização das empresas estatais.  Esta receita é sempre popular entre os neoliberais, mas sempre tende a ser ampliada nos momentos de crise das economias centrais, quando a ampliação da extração da mais valia nacional dos países periféricos é usada para manter o sistema em pé.

Assim, que ninguém se surpreenda se até antes das cinzas esfriarem, a presidente Dilma Rousseff não aparecer com “novidades” de cunho neoliberal para supostamente impedir que a crise se aprofunde no Brasil. A conferir!

O governo Dilma Rousseff expõe de vez sua face neoliberal. E agora, o que fazer?

dilma levy

As medidas anunciadas pelo governo de Dilma Rousseff apontam para cortes orçamentários em torno de R$ 26 bilhões, o que avaliado de perto não representa nada significativo do ponto de vista de um verdadeiro ajuste no déficit público. É que os cortes atingem os salários servidores públicos e programas sociais, deixando de fora o principal problema que são as escorchantes taxas de juros que são o sustentáculo da economia financeirizada que nos levou a essa crise. Tanto isso é verdade que o primeiro apoio explícito às medidas veio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O fato é que a questão real que esses cortes explicitam é a submissão da presidente Dilma Rousseff à lógica rentista que implica na asfixia dos direitos sociais e trabalhistas em nome de uma estabilidade que se sabe é impossível, mesmo porque estamos imersos numa crise de natureza sistêmica e que é alimentada pelo desaquecimento da economia da China e pela incapacidade dos EUA e da União Européia de fazerem suas economias funcionarem de modo minimamente positivo.

É essa submissão que esta em jogo nesses cortes, pois além de manter a ordem rentista intacta, também aprofunda a precarização do serviço público e a privatização de serviços essenciais. Além disso, também joga para as calendas quaisquer possibilidades de iniciarmos as necessárias reformas na propriedade da terra no campo e na cidade.

Aos apoiadores do governo do neoPT resta o argumento surrado de que essa pílula amarga é uma necessidade para que o Brasil volte a crescer e que os sacrifícios de hoje são antevéspera de momentos melhores. É que basta olhar para a situação de países como Grécia, Espanha e Portugal para saber que isto simplesmente é mentira, E que o arrocho financeiro, seja no plano individual ou institucional, serve principalmente aos interesses das grandes corporações financeiras que, parafraseando o ex-presidente Lula, acumulam lucros nunca antes visto na história deste pais. 

E antes que venham me dizem que eu sou um ultra-esquerdista que não quer entender a importância das supostas mudanças trazidas pelo PT desde que chegou ao Palácio do Planalto em 2003, tenho a dizer que esse argumento está sendo superado pelas mudanças que estão ocorrendo no plano político-partidário na Europa até em locais onde a recessão ainda foi sentida plenamente, como foi o caso da Inglaterra onde o Partido Trabalhista escolheu um líder anti-austeridade para seu posto máximo de liderança. E como todos sabemos, o Partido Trabalhista nunca exatamente um partido de ultra-esquerda.

A questão para mim é ver como as forças que se dizem de esquerda vão agir nos próximos meses. Se vão se orientar por uma estratégia que privilegia um combate estratégico contra o controle rentista do Estado ou vão se apegar a ações táticas para vencer eleições para prefeituras e câmaras municipais. É que apesar de não desconhecer o papel que o debate eleitoral cumpre na disputa política, me parece que o pior dos mundos será esquecer o combate político estratégico em prol de ganhos táticos minguados. 

A questão é que temos que rejeitar a tentação de equivaler a falência política do PT com uma crise da “esquerda”. É que desde a trágica “Carta aos Brasileiros” de 2002, a direção nacional do PT escolheu caminhar até um beco sem saída.  E, pior, não vejo qualquer movimento interno para que se faça algo semelhante ao que acaba de ocorrer no Partido Trabalhista inglês.  Em suma, quem está em crise é o PT e não a “esquerda”. Esta, por sua vez, possui problemas sérios para entender ou, pelo menos vislumbrar, o seu próprio papel num momento tão crucial da nossa história. 

Assim, se concentrar na construção de um programa que rompa efetivamente com o governo Dilma Rousseff é a tarefa da vez para muitos ativistas e militantes que não querem a manutenção da ditadura dos bancos.  O resto, me desculpem, são chorumelas, e o resultado certamente será a prostração e a depressão psicológica e econômica. Simples assim!

Exame: Wall Street abre em queda livre após queda de ações chinesas

©AFP/Archives / Timothy A. Clary
Placa indicando Wall Street

Wall Street: às 10h57 (horário de Brasília), o indicador Dow Jones caía 3,9 por cento, a 15.819 pontos

Da REUTERS

Wall Street entrou no território de correção nesta segunda-feira, com a Dow ficando abaixo dos 16.000 pontos pela primeira vez desde fevereiro de 2014, na sequência da queda de mais de 8 por cento das ações chinesas e a venda generalizada no petróleo e outras commodities.

Às 10h57 (horário de Brasília), o indicador Dow Jones caía 3,9 por cento, a 15.819 pontos, depois de chegar a cair 6,6 por cento. Já o S&P 500 tombava 4,2 por cento, a 1.889 pontos, após recuar 5,3 por cento. O índice de tecnologia Nasdaq .IXIC operava em baixa de 4,5 por cento, a 4.494 pontos, depois de chegar a desabar 8,8 por cento.

Mais informações em instantes

FONTE: http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/wall-street-abre-em-queda-livre-apos-queda-de-acoes-chinesas

Manchete que está faltando: contagiadas pela China, bolsas mundiais afundam e ameaçam aprofundar recessão mundial

china

Tenho hábito de todas as manhãs ler os principais veículos de mídia em inglesa, e na manhã desta segunda-feira (23/08) estou lendo manchetes sobre o mergulho profundo que ocorreu nas bolsas de valores da Ásia e que já contaminou o mercado de ações na Europa. Os principais motivos para essa segunda-feira devastadora são o desaquecimento da economia da China e o seu efeito sobre a tímida recuperação que se esboçava na economia dos EUA. O jornal inglês inglês “The Guardian” já colocou online uma matéria com a estimativa que só nas bolsas chinesas as perdas alcançaram 40 bilhões de libras esterlinas (uma bagatela equivalente a 220 bilhões de reais ao câmbio de hoje) (Aqui!).

Ainda que eu saiba que a imprensa corporativa brasileira possui horários diferenciados, procurei ver o que apareceu e para minha surpresa, quase nada. Aliás, há que se mencionar o site brasileira da Agência Reuters que já colocou no ar uma pequena matéria com um título muito revelador “Ações chinesas têm queda brutal e devolvem ganhos do ano (Aqui!).

Em relação ao Brasil, a expectativa é de que a Bolsa de Valores de São Paulo vá sofrer também um forte impacto, mas esse é o menor dos problemas. É que muitos analistas avaliam que haverá uma queda ainda maior no preço do petróleo e um desaquecimento ainda maior no preço das principais commodities minerais, ameaçando, entre outras coisas, colocar o custo da extração do pré-sal acima do valor pago pelo petróleo. Ambos fatores atingem diretamente o modelo neodesenvolvimentista (ou seria neoextrativista?) abraçado pelo Brasil desde a ascensão do neoPT ao poder. 

A questão que se coloca é sobre quando começaremos a ter uma cobertura pela mídia brasileira que esteja à altura dessa pequena hecatombe que assola as bolsas mundiais e que ameaça recolocar a economia mundial em um modus operandi de recessão profunda?