Organizações Globo e a sua síndrome do Flautista de Hamelin

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O Flautista de Hamelin é um conto folclórico, reescrito pela primeira vez pelos Irmãos Grimm e que narra um desastre incomum acontecido na cidade de Hamelin, na Alemanha, em 26 de junho de 1284, que estava sofrendo com uma infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um “caçador de ratos” dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos – uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser. 

Apesar de obter sucesso, o povo da cidade esqueceu  da promessa feita e recusou-se a pagar o “caçador de ratos”, afirmando que ele não havia apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.  

Fecha o pano em Hamelin.

Agora, cheguemos ao Brasil e presenciemos o espetáculo diário que a TV Globo está realizando para enfeitiçar os brasileiros, tendo como mote as propinas e as verbas ilegais de campanha pagas pela empreiteira Odebrecht.  Ainda que não tenhamos solicitado esse serviço que se apresenta como de limpeza dos ratos da política nacional, a família Marinho insiste em tentar hipinotizar com seus “jornalistas” e intelectuais homologados.

Antes que eu me estenda muito sobre mais esse ato da família Marinho contra a frágil democracia brasileira, quero compartilhar uma indagação com os leitores deste blog: quem é que está realmente surpreso com as revelações acerca das relações íntimas entre as empreiteiras e a maioria dos partidos brasileiros? É que desde que se começou a liberar as contas de campanha, sabemos que todas as empreiteiras, começando pela Odebrecht, sempre investiram pesado nos seus candidatos. E, mais, que a influência das corporações não se resumia a elas, pois empresas como a Vale também colocavam fortunas para garantir que teriam a devida contrapartida na hora de se formular leis ou de afrouxar as existentes.

E mais, quem ainda não leu o livro “Brazilionnaires” do jornalista Alex Cuadros (Aqui!) pode até se surpreender, mas o chefão da Odebrecht, Emílio Odebrecht, já nos deu a pista. O  esquema de financiamento ilegal de partidos é algo que começou há mais de três décadas. Aliás, começou durante o regime militar de 1964!

E se mais gente ler o livro de Alex Cuadros, maior será a consciência de que as investidas dessas corporações não tem se restringido ao legislativo e executivo, mas também atingem o judiciário e, tchã tchã, a mídia corporativa! Em outras palavras, parte da explicação para a decisão da TV Globo de se comportar como um tipo de Flautista de Hamelin midiático é a simples necessidade de se afastar do fogaréu. Se tomarmos o exemplo do Rio de Janeiro onde a família Marinho deu completa cobertura aos (des)governos do PMDB, é óbvia a necessidade de lançar todos às chamas para que sejam esquecidos os investimentos gastos com “publicidade” .que propiciaram injeções milionárias na Rede Globo pelo hoje ex (des) governador e atual presidiário Sérgio Cabral.

Desta forma, em vez de se ficar prestando atenção nas encenações da família Marinho é partir para o fortalecimento de instâncias autônomas de ação política, incluindo partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais. Com isso, talvez nos livremos não apenas de uma democracia tutelada pelas corporações, mas também das ações de encantamento da mídia corporativa cujo único objetivo é manter a nossa sociedade completamente alienada.

 

(Des) governador Pezão cada vez mais próximo da fogueira

Em que pese o fato de que a informação ainda está tendo pouca repercussão na mídia corporativa, já se sabe que a situação do ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão se encaminha para uma condição para piora substancial.  Isso é o que se depreende da notícia publicada pelo jornal “EXTRA”  que joga uma luz sobre a participação do (des) governador Pezão no esquema que subtraiu algumas centenas de milhões de reais dos cofres públicos do Rio de Janeiro (Aqui).

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A situação do (des) governador Pezão só não é mais crítica porque junto com ele outras dezenas de políticos ocupando cargos foram denunciados pelo ministro Luiz Fachin do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia de ontem. Tivesse essa notícia sobre o envolvimento do (des) governador Pezão aparecido em voo solo, o mais provável é que ele tivesse sido convidado a fazer companhia a Sérgio Cabral não naquele famoso e paradisíaco hotel resort em Mangaratiba, mas sim no complexo prisional de Bangu.

A questão que me parece cristalina neste momento é o seguinte: até quando os servidores públicos e seus sindicatos vão aceitar a situação dramática imposta ao Rio de Janeiro sem questionar fortemente a continuidade do (des) governador Pezão no Palácio Guanabara?  Lamento aos sindicalistas que ainda perdem tempo em conversas com Pezão, mas a hora desse tipo de colóquio já passou. A hora agora é de exigir a saída de Luiz Fernando Pezão da direção do executivo estadual.

Ou será que vamos aceitar que um político tão enrolado em questões de cunho policial (já que é disso que trata a matéria acima) ainda possa destruir direitos e desmantelar o aparelho de estado fluminense?

Mas que surpresa! Lava Jato carioca aponta que corrupção na saúde continua na gestão Pezão

A imagem abaixo é uma reprodução parcial de matéria publicada pelo site UOL onde a equipe da Lava Jato aponta para o fato de que a corrupção ocorrida no período do (des) governador de Sérgio Cabral ainda continua no (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão (Aqui!).

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Aí é que me vem a pergunta que não quer calar: há ainda alguma alma ingênua que pensa que não? Por favor, me digam que não. É que até para a ingenuidade há limite!

Síntese do dia: mais um secretário de Sérgio Cabral preso, e servidores com risco de serem ainda mais penalizados

 

Abaixo posto mais um vídeo que produzi para o “Blog do Pedlowski” para fazer uma rápida síntese do dia de hoje.  É que começamos com a mais do que esperada prisão do ex-secretário estadual de Saúde, Sérgio Cortês, e podemos terminar com a aprovação pela Câmara de Deputados do PL da Maldade que deverá impor medidas draconianas aos servidores de estados falidos como é o caso do Rio de Janeiro.

Há ainda espaço para um rápido comentário sobre a visita do ainda secretário estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social, Pedro Fernandes, ao campus da Uenf no dia de ontem.

 

PF prende outro (des) secretário de Sérgio Cabral. Afinal, de quem é a culpa da crise?

O jornal “O GLOBO” está noticiando a prisão do ex (des) secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Cortês, em função de sua aludida participação num cartel de distribuidoras e fornecedoras de serviços que teria fraudado as licitações da secretaria de Saúde durante a gestão de Côrtes (2007-2013) no governo Sérgio Cabral e no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) (Aqui!Aqui! e Aqui!).

Sérgio Cortês sempre foi uma figurinha carimbada no (des) governo Cabral, pois além de ser amigo de baladas, como a famosa festa dos guardanapos em Paris, sempre existiram evidências de que sua gestão na Secretaria Estadual de Saúde não era, digamos, santa.

O interessante é notar que com a prisão de Cortês poucos (des) secretários com alguma importância no reinado do período de comando de Sérgio Cabral continuam soltos pelas ruas, incluindo o notório caso do ex (des) secretário da Casa Civil, Régis Fitchner. 

Entretanto, a despeito de todas as evidências de que uma cleptocracia foi instalada no Palácio Guanabara a partir de 2007, ainda vemos o próprio jornal O GLOBO liderando uma campanha de desinformação acerca das raízes da crise financeira que assola o Rio de Janeiro, pois a culpa ainda continua sendo colocada sobre os salários e aposentadorias dos servidores estaduais.

É preciso que os sindicatos que representam os servidores aproveitem as prisões da manhã de hoje para iniciar uma campanha para deixar ainda mais claro quem colocou o Rio de Janeiro na condição lamentável em que se encontra. Afinal, não vai ser apenas com a prisão desses figurões que a coisa vai se resolver.

Quem tem medo da delação de Eike Batista?

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A “revista” Veja vem desde ontem antecipando quem serão os delatados pelo ex-bilionário e hoje presidiário Eike Batista. Entre os nomes apontados estão do ex (des) governador e parceiro de presídio Sérgio Cabral e o ex-presidente Lula (Aqui! Aqui!).

Pois bem, ao meu ver qualquer delação de Eike Batista só terá valor se vier acompanhada de provas inequívocas do que ele está delatando. É que Eike Batista nem deveria estar tendo a possibilidade de delatar, já que suas práticas, digamos empresariais, mostram que ele é um excelente vendedor de fumaça e só isso.

Esperemos que na produção desta delação, o inevitável Powerpoint que Eike Batista montará (afinal ele é bom mesmo de montar slides de Powerpoint!) seja de melhor qualidade dos que os montados pelo relator da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

Outra coisa que me intriga é a seguinte: por que ainda se perde tempo em coletar delações contra Sérgio Cabral? O que há de novo que Eike Batista pode acrescentar que os trocentos delatores anteriores ainda não apresentaram?

Por fim, há sim políticos de um determinado município da região Norte Fluminense que devem estar para lá de preocupados com o que Eike Batista poderá delatar acerca das tratativas feitas em escala local para acelerar um certo porto que causou, entre outras coisas, a remoção de centenas de famílias de agricultores de terras que ocupavam há pelo menos dois séculos. E com direito a comenda de barão e tudo mais. Haja rivotril!

Porto do Açu: tática de enamoramento da Prumo Logística encontra dificuldades juntos aos moradores do V Distrito

Estive ontem no V Distrito de São João da Barra para visitar algumas famílias atingidas pelas escabrosas desapropriações orquestradas pelos hoje presidiários Sérgio Cabral e Eike Batista.  Visitei também o que ainda resta da Praia do Açu que está sendo paulatinamente consumida por um processo erosivo que constava dos Relatórios de Impacto Ambiental (RIMAs) preparados pela LL(X) para obter as licenças ambientais necessárias para implantar o chamado Complexo Industrial do Porto do Açu (CIPA).

Pois bem, um desdobramento interessante que me foi informado por um morador da Praia do Açu que casualmente encontrei na faixa de areia foi a informação de que a Prumo Logística estaria realizando reuniões para melhorar junto aos moradores da localidade, sendo que três já teriam ocorrido, sempre tendo como mote melhorar as relações entre a empresa e os moradores.

Dou a esse tipo de movimento realizado pelas empresas como sendo a “tática do enamoramento corporativo”.  Isto se dá sempre que uma empresa identifica que sua imagem corporativa pode ser afetada nas bolsas de valores do mundo por causa de algum tipo de dano causado por um de seus empreendimentos.

Entretanto, no caso da Prumo Logística, a coisa parece não estar indo de acordo com o que foi planejado. É que segundo me fo informado, a última reunião teve dois momentos especialmente reveladores de como a população do V Distrito, especialmente os da Barra do Açu, já desenvolveram uma cultura de rejeição ao Porto do Açu por causa dos danos percebidos no meio ambiente e nas vidas de milhares de pessoas. 

O primeiro foi quando após a explanação de um dos técnicos da Prumo Logística ser concluída, um morador questionou a relação do empreendimento com os malfeitos de Sérgio Cabral e Eike Batista. É que segundo o que me disse o meu interlocutor, armou-se um ambiente bastante constrangedor, onde havia respsota a ser dada às evidências que já surgiram na imprensa, especialmente a partir das declarações do ex-bilionário Eike Batista como se deu a “agilização” dos processos relacionados ao Porto do Açu junto aos órgãos estaduais.

O segundo momento pouco auspicioso foi quando se informou que a Prumo Logística iria instalar lixeiras na Praia do Açu. Aí a questão da reconstrução da praia apareceu imediatamente, já que não adiantaria colocar lixeiras numa praia que está sendo engolida pela erosão. Em suma, outro momento bastante constrangedor para quem tentava implementar a “tática do enamoramento corporativo“.

Após estes fatos, não tenho certeza que as reuniões da Prumo Logística com os moradores do V Distrito serão mantidas. É que claramente a população já superou o momento inicial de perplexidade causado pelas múltiplas promessas de um futuro dourado que o Porto do Açu traria para todos os habitantes de São João da Barra. Agora, passo esse momento, o que as pessoas querem mesmo são soluções práticas para os muitos problemas que a implantação do empreendimento trouxe. E não vai ser com a distribuição de espelhinhos (quer dizer, lixeiras) que este clamor por soluções vai ser aplacado.

 

Crise, que crise? (Des) governo Pezão quer conceder mais R$ 650 milhões em isenções fiscais para a AMBEV

cartilha

De tempos em tempos algum porta-voz do (des) governo Pezão ainda tem o desplante de vir a público para defender a política de benesses fiscais criada pelo hoje presidiário Sérgio Cabral e que já custou algo em torno de R$ 200 bilhões aos cofres estaduais.

Até aí tudo bem, pois defender o indefensável é o papel dos sabujos que orbitam ou estão dentro de qualquer (des) governo. Mas a notícia abaixo, vinda da página oficial do deputado Marcelo Freixo (PSOL), é mais uma prova de que não há limite para a irresponsabilidade no atual (des) governo comandado (??) por Pezão.

Senão vejamos. Em plena primeira semana de abril existem hoje mais de 200 mil servidores públicos estaduais que ainda tiveram sequer o prazer de receber um calendário para o pagamento dos seus salários referentes ao mês de Fevereiro. O resultado desse calote salarial pode ser visto em vários dos órgãos afetados por esse processo, onde há servidor sobrevivendo da doação de cestas básicas!

Mas a despeito dessa situação vexaminosa, o que faz o (des) governo Pezão? Envia um projeto de Lei 2543/2017 cujo objeto é a concessão de mais R$ 650 milhões em isenções fiscais, o que totalizaria a fortuna de R$ 2,4 bilhões concedidos a essa que é uma das maiores empresas  não apenas do Brasil, mas do planeta! (ver extrato parcial abaixo)

lei 25432017

É ou não é a prova suprema de que vivemos uma crise para lá de seletiva no Rio de Janeiro sob o (des) governo de Luiz Fernando Pezão? E mais importante ainda, quanto mais tempo os servidores aceitarão ser preteridos em seus direitos básicos para que o (des) governo Pezão possa continuar participando de uma farra fiscal que só prejudicou o Rio de Janeiro?

Governo quer conceder financiamento de R$ 650 milhões para a Ambev

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O Projeto de Lei 2543/2017, que concede um financiamento de R$ 650 milhões e incentivo fiscal à Ambev, foi publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (05/04) e será encaminhado para votação na Alerj. Importante lembrar que, desde 2011, através de decretos, o estado já aprovou a concessão de financiamentos que totalizam R$ 2,4 bilhões à empresa.

A nova iniciativa prevê dois benefícios:

1) Financiamento através do Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social (FUNDES), com limite de crédito de até R$ 650 milhões, carência de 240 meses (20 anos!) e juros de apenas 3% ao ano.

2) Diferimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), ou seja, incentivo fiscal.

A justificativa do PL é a construção de uma nova unidade para produção de garrafas e latas de alumínio, mas o texto sequer especifica em qual cidade do Rio a nova empresa será instalada. Além disso, é importante lembrar que a Ambev já possui 13 unidades no estado, incluindo 4 fábricas.

A proposta estima a geração de apenas 200 novos empregos diretos e indiretos. E, se o valor do investimento é de R$ 650 milhões, isso significa que cada novo trabalho custará R$ 3,25 milhões. Um cálculo que não compensa.

O incentivo torna-se ainda mais questionável porque a Ambev é a maior indústria privada de bens de consumo do Brasil, tendo obtido um lucro líquido de R$ 12,8 bilhões em 2016. No ano passado, nós já havíamos denunciado que, apesar da empresa ter uma dívida de R$ 527 milhões com o governo do Estado, havia obtido mais de R$ 250 milhões de renúncia fiscal entre 2008 e 2013.

Porque será que uma empresa tão grande e lucrativa – e que ainda deve ao estado! – continua recebendo benefícios? Não faz sentido que o(a)s servidore(a)s, estudantes, trabalhadore(a)s e aposentado(a)s sejam responsabilizado(a)s e penalizado(a)s pelos graves problemas econômicos do Rio. É cada vez mais evidente que a crise não é causada por excesso de despesas do governo, mas por problemas na arrecadação das receitas.

FONTE: http://www.marcelofreixo.com.br/blog/governo-quer-conceder-financiamento-de-r-650-milhoes-para-a-amb

Elio Gaspari e a ruína do (des) governador Pezão

pezao cabralA coluna que o jornalista Elio Gaspari publica em diferentes veículos da mídia corporativa traz hoje um artigo que considero devastador para o que ainda restava de credibilidade do (des) governador Luiz Fernando Pezão (Aqui!). 

É que neste artigo Gaspari faz uma excelente síntese dos últimos acontecimentos em torno do suposto envolvimento do (des) governador Pezão em múltiplos casos de corrupção, bem como sobre o seu papel de herdeiro político do hoje presidiário ex (des) governador Sérgio Cabral.

A sensação que eu tenha é que este artigo de Elio Gaspari representa mais um prego no caixão político de Luiz Fernando Pezão cuja continuidade no cargo está claramente segura por um fio muito fino e prestes a arrebentar. 

Abaixo segue a íntegra do artigo de Elio Gaspari cujo título já diz muito sobre o conteúdo do mesmo.

Pezão foi condenado a viver sua própria ruína 

FOTOS DO DIA

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), em visita ao Ministério da Fazenda

Por Elio Gaspari

Tendo vivido o esplendor da ilusão cabralina, quando foi secretário de Obras e vice-governador, Luiz Fernando Pezão está condenado a viver sua própria ruína. Aquele teleférico do morro do Alemão, que foi inaugurado duas vezes, está parado. (Ele se entristecia quando era exposto o ridículo das duas inaugurações.)

A política de segurança do xerife José Mariano Beltrame ruiu, as contas públicas jogaram o governador para a condição de pedinte e os cidadãos a um período de decadência jamais visto.

Sérgio Cabral está em Bangu, decidindo entre uma cana de 40 anos e a possibilidade de colaborar com a Viúva, cuja bolsa repetidamente assaltou. O coral dos poderosos da ilusão cabralina já tem dois doleiros, um ex-presidente do Tribunal de Contas, seu filho, e mais gente na fila.

Pezão está na situação dos hierarcas do stalinismo que moravam num imponente edifício perto do Kremlin. À noite, quando o elevador fazia barulho, os comissários acordavam temendo que tivessem vindo buscá-los. A administração do Rio está parada.

Fica a impressão de que só dois gabinetes funcionam: o do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, e o do ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça. Um encanou Cabral. O outro ouviu a melodia da colaboração de Jonas Lopes e de seu filho. O doutor Jonas presidiu o Tribunal de Contas do Estado e sua cantoria resultou na prisão de cinco conselheiros. (Em tempo, não se deveriam chamar essas comissões de contas de “tribunal”, pois não o são.)

Admitindo-se que Pezão tenha sido secretário de Obras e vice de Cabral sem ter desconfiado de nada, nem dos cortes de seus ternos Ermenegildo Zegna “su misura”, Jonas e seu filho jogaram o governador na frigideira. O pai contou que em 2013 Pezão mediou em sua casa uma acalorada discussão para definir o rachuncho das propinas. Num lance, em 2015, cada felizardo receberia R$ 60 mil mensais. Noutro, mordiam a comida dos presidiários.

Jonas Filho diz ter ouvido que parte do dinheiro mandado aos conselheiros foi desviada para atender despesas pessoais de Pezão. Coisa de R$ 900 mil. Nesse aspecto a suspeita é a um só tempo frágil e meritória. Frágil, porque nasce de um “ouvir dizer”. Meritória porque se Pezão recebesse apenas R$ 900 mil para cobrir despesas pessoais, seria um anacoreta na corte de Sérgio, o Magnífico.

O capilé de R$ 900 mil teria sido revelado a Jonas por Marcelo Santos Amorim, o Marcelinho, subsecretário de Comunicação do governador. Ele estava no lote de celebridades estaduais levadas para a Polícia Federal na semana passada. Se a história do capilé é ou não verdadeira, só Marcelinho poderá dizer. De qualquer forma ele terá algo a contar sobre o milagre da comunicação de Pezão, que navegava num Estado falido com a pose dos canoeiros de Oxford.

Pezão e Marcelinho negam que tenham praticado qualquer malfeito e queixam-se da falta de acesso às narrativas de quem os acusa.

Graças ao juiz Bretas e ao ministro Fischer, a administração do Rio de Janeiro pode garantir ao detento Sérgio Cabral que ficou mais difícil roubar em cima das verbas de alimentação do presidiários.

Delator afirma que R$ 900 mil recolhidos em propina foram usados para pagar dívida do (des) governador Pezão

A situação do (des) governador Luiz Fernando Pezão que já não era boa, agora está tomando o rumo do precipício. É que tendo passado incólume pelo vendaval que colocou na cadeia o seu mentor e ex (des) governador Sérgio Cabral, a situação de Pezão está ficando insustentável a partir de relatos que emergiram hoje em diversos veículos da mídia corporativa.

A “novidade” é que o advogado Jonas Lopes Neto teria declarado em sua delação premiada que um assessor  do (des) governador Pezão, que também é parente por laços de matrimônio, Marcelo Santos Amorim, lhe confidenciou ter utilizado R$ 900 mil obtidos por meio de propina para pagar dívidas pessoais do chefe do executivo fluminense (Aqui!Aqui! Aqui!).

Para complicar ainda mais esse enredo tétrico, há o fato de que o Sr. Marcelo Santos Amorim foin conduzido coecertivamente para depor na Polícia Federal no âmbito da operação “Quinto do ouro” (Aqui!). E como já afirmei aqui, essas conduções coercitivas tem resultado em múltiplas delações premiadas. Daí que não seria surpresa que o atual subsecretário de Comunicação do (des) governo Pezão tenha sido levado para depor como uma forma de pressão para que aceite assinar uma delação premiada.

Seja qual for o contexto em que se analisa o caos instalado no Rio de Janeiro, a revelação do uso dessa pequena fortuna para pagar despesas pessoais do (des) governo Pezão vai cair muito mal com os quase 200 mil servidores estaduais que ainda não viram a cor dos salários de Fevereiro.  

E com isso tudo somado, o  mais provável que haja ainda mais revelações cercando o (des) goverador Pezão, o que criaria um contexto ainda mais complicado no Rio de Janeiro.