Com Carlos Alberto Decotelli, governo Bolsonaro tem mais um ministro da Educação com perfil acadêmico de baixo impacto

decotelli e bolsonaro_3O presidente Jair Bolsonaro anunciou hoje a indicação de Carlos Alberto Decotelli, ex-presidente do FNDE, para ocupar o cargo de ministro da Educação

O anúncio de Carlos Alberto Decotelli para ser o terceiro ministro da Educação do governo Bolsonaro me deixou por poucos minutos que algo de errado tinha acontecido no processo de seleção,  já que ele foi anunciado como o possuir até de um pós-doutorado em uma universidade no norte da Alemanha, a Universidade de Wuppertal.  Em um primeiro olhar nas notas publicadas pela mídia corporativa foi dada a impressão de que Decotelli representaria uma espécie de partida do padrão “Weintraub” de ministro da Educação.

Mas bastou olhar o Currículo Lattes de Carlos Alberto Decotelli para notar que, apesar da  sua condição de possuidor de um título de doutor,  sua produção acadêmica é de alguém com perfil acadêmico de baixo impacto. Entre outras evidências disso está o fato que o ministro Decotelli não publicou sequer um artigo científico em sua carreira acadêmica, iniciada quando ele entrou no curso de graduação em Ciências Sociais em 1975. Além disso, o mais saliente de seu perfil profissional é não apenas a sua relação com uma série de cooperativas de crédito agrícola, mas também sua atuação em outros cargos do governo Bolsonaro, notadamente a sua efêmera passagem pela presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Isto sem falar na sua passagem no Centro de Jogos de Guerra na Escola de Guerra Naval – EGN.

Mas foi justamente no FDE que a primeira menção negativa surgiu em em relação ao agora ministro Decotelli, visto que foi na sua gestão  que ocorreu a suspensão, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de uma licitação de R$ 3 bilhões por causa dos “riscos de  sobrepreço e de propostas de venda fictícias“; licitação essa que teve sua autorização.

Além disso, a mídia já tratou de informar que Carlos Alberto Decotelli fez parte da equipe de transição do presidente Jair Bolsonaro, por possuir relações profissionais com o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, e com o ainda ministro da Fazenda, o banqueiro Paulo Guedes. Tais relações o habilitam como alguém que não apenas compartilha dos valores reinantes no governo Bolsonaro, mas como um ator importante no estabelecimento de uma visão pró-mercado na Educação brasileira.

Aliás, convenhamos, se o perfil de Carlos Alberto Decotelli não fosse o que é, ele dificilmente seria alçado a qualquer cargo importante, como são os casos da presidência do bilionário FNDE e agora do ministério da Educação.

Diante desse quadro, não tenho qualquer perspectiva de mudança nos rumos do ministério da Educação no governo Bolsonaro, ainda que esteja entrando um ministro que não será tão incompetente quanto Abraham Weintraub. E isto, meus caros leitores, poderá representar ainda mais prejuízos para a sustentabilidade do sistema público de ensino no Brasil. É que boa parte dos ataques pretendidos por Weintraub nunca decolaram por causa da sua inépcia para o cargo.  Dai que ainda pode prevalecer aquela Lei de Murphy que postula “que nada está tão ruim que não possa piorar”. A ver!

Um pensamento sobre “Com Carlos Alberto Decotelli, governo Bolsonaro tem mais um ministro da Educação com perfil acadêmico de baixo impacto

  1. […] pensar que ontem escrevi que com Decotelli iríamos ter outro ministro com perfil acadêmico de baixo impacto. Eu só não imaginava que o impacto baixo começava logo com um título de doutor […]

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