Abandonada à própria sorte pelo (des) governo Pezão, Uenf virou um gigantesco criadouro de mosquitos

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Ainda que esteja sendo feito praticamente nenhum movimento para informar à sociedade campista que o (des) governo Pezão continua seu processo de asfixia financeira (e neste processo desrespeitando a Constituição Estadual do Rio de Janeiro), a vida anda cada vez mais difícil para quem precisa frequentar o campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), especialmente no período noturno.

É que graças ao aporte generoso de chuvas neste início de 2018 que fez aumentar a altura do matagal que cobra boa parte do campus Leonel Brizola, a Uenf agora se transformou num dos maiores focos de infestação de mosquitos da cidade de Campos dos Goytacazes. 

 A coisa anda especialmente dramática para professores e estudantes que necessitam usar salas de aulas desprovidas de aparelhos de ar condicionado ou até dos prosaicos ventiladores de teto. É que, especialmente no período noturno, os espaços de aula estão sendo invadidos por milhares de mosquitos (ver abaixo o exemplo de uma sala de aula do Centro de Ciências Tecnológicas).

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Nas duas imagens acima cada ponto vermelho representa a presença de pelo menos um mosquito.

Não será nada surpreendente se em algum momento do futuro próximo, a Uenf vier a se tornar o centro disseminador de várias doenças transmitidas por estas “simpáticos” seres alados, incluindo a denguê, a Zika, o Chikungunya, e até a febre amarela.

Apesar de não ser lá um método dos mais eficientes é provável que visitas de veículos do tipo “Fumacê” sejam necessárias para impedir que um quadro de epidemia se instale dentro da Uenf. Com a palavra, o Centro de Controle de Zooneses e Vigilância Sanitária de Campos dos Goytacazes.

Nova expedição científica busca aumentar conhecimento sobre os recifes de corais do delta do Rio Amazonas

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A descoberta de um rico ecossistema de recifes de corais no delta do Rio Amazonas representou uma mudança de paradigma no conhecimento científico, tendo merecido um amplo reconhecimento internacional [1, 2 e 3].

A pesquisa, que contou com a participação de pesquisadores do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), resultou num artigo publicada pela prestigiada revista Science Advances [4]

Pois bem, animados com o resultado da primeira campanha que detectou a existência desse ecossistema, os pesquisadores envolvidos no projeto estão iniciando uma nova etapa da pesquisa com a participação do navio de pesquisas da organização não governamental Greenpeace, o Esperanza.  

Nos próximos dias estarei publicando outras informações sobre o cruzeiro de pesquisa, o qual novamente contará com a presença de pesquisadores da Uenf, que o Esperanza realizará no delta do Rio Amazonas. Por ora, coloco abaixo o vídeo produzido pelo Greenpeace sobre as pesquisas que deverão ser realizadas.


[1] https://www.theguardian.com/environment/2017/jan/30/first-images-unique-brazilian-coral-reef-mouth-amazon

[2] https://www.washingtonpost.com/news/speaking-of-science/wp/2016/04/25/scientists-find-a-massive-coral-reef-just-chilling-in-the-amazon/?utm_term=.20c185530bcd

[3] http://www.latimes.com/science/sciencenow/la-sci-sn-coral-reef-amazon-river-20160422-story.html

[4] http://advances.sciencemag.org/content/advances/2/4/e1501252.full.pdf

A Uenf e sua insustentável aparência de rotina retomada

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Às vésperas de completar um mês do retorno às aulas na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), já se pode ver que a rotina que muitos anseiam por ter está restabelecida, ao menos na superfície. Há aquele característico ir e vir de estudantes e professores por corredores mal iluminados, entrando e saindo de salas de aula em que o calor insuportável é uma das marcas principais, junto com a falta de ventiladores, é claro. Ah, sim, e no meu caso há também a verificação de que todo o clamor por aulas não se traduziu em frequência nas mesmas após sua retomada.
Por outro lado, as juras feitas por grupos de professores e estudantes desafetos do movimento de greve parecem ter tomado um rumo ignorado, tal qual um pistoleiro solitário rumando em direção do pôr-do-sol num daqueles filmes de western que fizeram a gloria de John Wayne e Edward Dew. Fica evidente que todo o ruído feito era simplesmente para o restabelecimento da rotina, a qual mesmo tendo sido precariamente obtida, já é suficiente para que se esqueçam as promessas de mobilização e resistência.
Aliás, a única coisa nova nessas 3 semanas de aula foi a ocorrência de uma campanha de denúncia de ocorrência de assédios moral e sexual contra estudantes por parte do autodenominado Coletivo Uenfiano de Mulheres. Mas mesmo essa campanha não motivou nenhum esforço mais sério de reflexão sobre o estado de coisas dentro da Uenf.
Mas afinal qual é o estado atual da Uenf? Para quem não sabe, até hoje a espetaculosa vitória (de Pirro) obtida na chamada PEC 47 não garantiu ainda o aporte de recursos financeiros que permitam à universidade voltar a funcionar com um mínimo de normalidade. Restou aos professores que ainda não viram a cor do seu 13º. salário de 2017 voltarem a colocar a mão no bolso para bancar pequenos consertos e compras de materiais essenciais para suas atividades profissionais. Em outras palavras, os professores da Uenf, cansados de guerra ou não, voltaram a usar seus salários como único mecanismo de financiamento de atividades básicas, repetindo uma rotina que tornou marca registrada a partir de 2015 quando o (des) governo Pezão iniciou seu processo deliberado de asfixia financeira de uma das melhores universidades brasileiras.
Como não há qualquer garantia que os salários não voltarão a atrasar ao longo de 2018, a Uenf hoje está sentada (ou assentada) sobre uma bomba relógio. É que se os atrasos voltarem, mesmo que a greve não retorne, mesmo a precária estabilidade existente não será mantida.
Interessante notar que agora que a Uenf não é mais palco de uma greve, aqueles veículos de mídia que ganharam agrados do (des) governo Pezão para achincalhar a greve de professores e servidores sem salários perderam completamente o interesse em cobrir o cotidiano da universidade. É que certamente não há interesse em se noticiar como a sabotagem feita pelo (des) governo Pezão causa prejuízos quase irreparáveis ao tripé ensino-pesquisa-extensão e, por consequência, na capacidade da Uenf de responder aos múltiplos desafios colocados pela atual conjuntura política e econômica, especialmente no município de Campos dos Goytacazes.
A mim resta a certeza de que o processo de insurgência contra o desmonte da Uenf que foi sintetizado pela greve de 6 meses serviu para criar um caldo de cultura que servirá para os inevitáveis que ainda ocorrerão em 2018. É que se dependêssemos das juras de amor dos inimigos das greves, a coisa já estaria perdida.
Finamente, que ninguém se iluda com os festejos oficiais de 25 anos que estão sendo promovidos pela reitoria da Uenf. É que não há qualquer motivo para festejar seja o que for neste momento. Nosso tempo e energia serão melhor gastos se forem utilizados para organizar a defesa da Uenf contra os seus muitos inimigos.

Na Uenf de Pollyana: sem PEC 47 e com muito improviso

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Como em outros períodos pós-greve, a Uenf aparentemente voltou à sua rotina costumeira. O campus está cheio de estudantes e na superfície a crise causada pela asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão foi afastada.  Com isso, aqueles que clamavam por novos métodos de mobilização se recolheram ao seu silêncio e insignificância habituais, talvez torcendo que ninguém os lembre das juras feitas de que o fim da greve de professores e servidores iria ser seguida por outras formas de luta em defesa da Uenf.  É o que venho chamando de “mundo de Pollyana” numa referência ao personagem da obra de Eleanor H. Porter.

O fato é que não há nada de normal na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e a tranquilidade aparente é daquelas que só ilude aqueles que querem ser iludidos. Para começo de conversa, o (des) governo Pezão continua ignorando a aprovação da chamada PEC 47 aprovada pela Alerj no final de 2017, e na metade de março ainda não enviou um mísero centavo para garantir o funcionamento básico da Uenf.

Mas há algo a mais que se compõe para acentuar os problemas causados pelo (des) governo Pezão. É que para agravar ainda mais a situação, a reitoria da Uenf vem abusando da improvisação, deixando de lado discussões institucionais que deveriam ser realizadas pelos colegiados universitários em troca de uma suposta transparência por meio de uma difusa distribuição de depoimentos desconexos via redes sociais.  Essa formula acaba gerando uma série de ações pontuais cujo objetivo central parece ser manter a aparência de normalidade cujo único resultado prático é permitir que o (des) governo Pezão continue seu projeto de destruição da Uenf.

Em face da improvisação e da falta de uma política institucional de defesa do caráter público e gratuito da universidade, muitos professores estão retornando ao hábito (ou seria vício?) de usar seus salários corroídos pela inflação para financiar o funcionamento da Uenf. Essa semana uma colega, premida pelas temperaturas escaldantes em que estava dando aula, foi na rua e comprou 3 ventiladores para colocar na sala para diminuir o sofrimento seu e dos alunos. Em outras casos, há ainda que esteja pagando para fazer a revisão de equipamentos também com recursos pessoais.

Ainda que a prática de colocar dinheiro do bolso para garantir o funcionamento da Uenf não seja coisa recente, esse tipo de ação tem um viés pouco pedagógico, especialmente para os estudantes, e ainda contribui para que o (des) governo Pezão fique incólume em face do grave ataque que está realizando não apenas contra a Uenf, mas contra toda a educação pública. Um exemplo disso é o fechamento massivo de escolas, sendo que houve o fechamento de 54 unidades escolares apenas no município de Campos dos Goytacazes.

Ah, sim, ainda há nesse imbróglio o papel cúmplice de parte da mídia campista que, em vez de demandar que o (des) governo Pezão cumpra o que agora é uma cláusula constitucional, opta por atacar o direito de greve dos professores da Uenf.  Falar da irresponsabilidade do (des) governo Pezão que seria o correto, nenhuma linha.

Restará, como sempre restou, aos sindicatos da Uenf continuar a luta em sua defesa. A primeira tarefa será romper o véu do silêncio com querem cobrir a real situação da Uenf. Felizmente, pelo menos no caso da Aduenf, os primeiros passos estão sendo dados para desvelar a paz de cemitério que tentam cercar a Uenf.  A ver!

Rafael Diniz faz convênio com universidade particular, enquanto instituições públicas ficam desamparadas

O jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) dá mais uma demonstração de seu pendor pelas parcerias-público privadas e firmou um convênio com a Universidade Salgado de Oliveira (Universo) que concederá 70% de desconto em seus cursos de graduação para servidores públicos municipais [1].

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Eu fico curioso sobre qual será a contrapartida dada pela gestão Rafael Diniz à Universo em troca desse desconto “generoso” nas mensalidades dos servidores públicos que decidirem aceitar a oferta.  

Enquanto isso, até hoje não vi nada de concreto nas promessas levantadas em diferentes ocasiões em termos de apoio às instituições públicas de ensino superior que existem na cidade de Campos dos Goytacazes, a começar pela Uenf onde sobram promessas e inexistem atos concretos de apoio.

Mas esperar o que de diferente de um governo comandado por Rafael Diniz e seus menudos neoliberais? Compromisso com ensino público, gratuito e de qualidade é que não pode ser. É que começando na parte que toca a Rafael Diniz que é a rede municipal de ensino, a coisa vai de mal a pior.

Já no tocante à Uenf, há que se lembrar que Pezão é Rafael e Rafael é Pezão. Assim, nada de surpreendente na falta de compromisso com a universidade de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.


[1] https://www.campos.rj.gov.br/exibirNoticia.php?id_noticia=43453

Cianobactérias tóxicas são identificadas em reservatórios usados para captação de água em Campina Grande (PB)

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Um grupo de pesquisadores de diferentes instituições brasileiras (UFRJ, UENF, Instituto Butantan, Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto e da  Secretaria de Saúde de Campina Grande) acaba de publicar um artigo na revista “Frontiers in Microbiology” sob o título “Occurrence of Harmful Cyanobacteria in Drinking Water from a Severely Drought-Impacted Semi-arid Region“. 

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Neste trabalho são apresentados os resultados de um estudo  realizado para investigar a qualidade da água de vários reservatórios de água usada para consumo pela população da região metropolitana de Campina Grande (PB). O trabalho traz algumas descobertas importantes acerca da proliferação de cianobacterias potencialmente tóxicas e, por isto, nocivas à saúde humana nos reservatórios estudados.

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Para chegar a estes resultados, o grupo de pesquisadores utilizou uma ampla gama de metodologias  que incluiu  metagenômica, quantificação de abundância microbiana, Teste ELISA para três cianotoxinas (microcistina, nodularinas e cilíndrospermopsina) e ainda testes ecotoxicológicos in vitru com embriões de peixe zebra.

A análise de citometria mostrou alta abundância de cianobactérias, enquanto a metagenômica identificou uma média de 10,6% das seqüências cianobacterianas, e ainda demonstrou a presença de genes de codificação de microcystis, cilíndrospermose e toxina em todas as lagoas estudadas.  Além disso, os embriões de peixes-zebra apresentaram  alta mortalidade e diferentes malformações, o que foi atribuído à presença das cianobactérias identificadas.

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Este estudo é importante na medida visto que há um histórico de escassez de água na região Nordeste, o que vem a se somar com o processo de contaminação das fontes de água existentes, especificamente por cianobactérias. Mas o alcance do estudo vai além, na medida em que a maioria das cidades brasileiras ainda não oferecem água potável tratada em condições adequadas para toda sua população, obrigando especialmente os segmentos mais pobres a lançarem de outras fontes, muitas delas com potencial para apresentar o mesmo tipo de contaminação por cianobactérias.

Quem desejar em baixar o artigo, basta clicar [Aqui!]

Uenf reinicia aulas sob a influência da Síndrome de Pollyana: faltam recursos, mas sobra otimismo

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Dei a minha primeira aula após a greve que durou mais de seis meses em meio a temperaturas altíssimas sem ter o “privilégio” de sequer ter um ventilador funcionando dentro da sala de aula.   Fiz questão de lembrar aos estudantes que apesar dessa volta não temos um mínimo de garantia de que as aulas ministradas na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) terão um mínimo de condições para serem realizadas, já que nem a aprovação da chamada PEC 47 fez com que o (des) governo Pezão entregasse os míseros 25% do orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para o ano fiscal de 2018 na forma de duodécimos.  

Mas a realidade que apresentei em sala de aula ao tentar ser minimamente realista com os estudantes que corajosamente ainda continuam apostando na Uenf vai totalmente de encontro à posição oficial da reitoria da Uenf que na aula inaugural de 2018 pintou, digamos, um cenário bem mais róseo sobre a situação financeira da instituição que está com os recursos de custeio congelados desde Outubro de 2015.

Um exemplo desse visão rósea da realidade foi a fala do reitor da Uenf, Luís Passoni, que teria afirmado que “embora a Universidade ainda não tenha recebido este ano os duodécimos que lhe cabem, já é possível perceber um novo clima no campus, com a volta do trabalho dos serviços de jardinagem e de recepção dos prédios“.

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Esse tom “otimista” da fala do reitor da Uenf me faz lembrar, mais uma vez, do famoso “Jogo do Contente”, também conhecido como ” Síndrome de Pollyanna”” [1] que nada mais é do que uma metáfora acerca daqueles indivíduos que confrontados com situações difíceis, optam por uma fuga da realidade,  e evitam confrontar a realidade, mas, em vez disso, gerar uma versão “otimista” dos fatos que nada mais é do que uma escapa do reale das tarefas que ele nos coloca.

Mas o problema da Síndrome de Pollyanna é algo que não vejo apenas se manifestando neste ou naquele indivíduo dentro da Uenf. O grotesco dessa situação é que ela se tornou generalizada dentro do seu corpo dirigente que, em função disso, continua politicamente paralisado e esperando que o problema causado do congelamento dos recursos aprovados pela Alerj seja resolvido pela boa vontade do (des) governador Pezão ou, pior ainda, de algum desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Como não vejo condições para a Uenf e as demais universidades estaduais do Rio de Janeiro continuarem funcionando sem verbas de custeio por muito mais tempo, temo  que todo o otimismo demonstrado pelo reitor Luís Passoni não seja suficiente para impedir que tenhamos um aprofundamento ainda maior da crise que já corrói o sistema universitário fluminense. É que não há otimismo, nem mesmo de Pollyanna, que consiga fazer funcionar estruturas de ensino, pesquisa e extensão sem um mísero centavo.

Agora resta saber como seremos capazes de continuar organizando a resistência ao processo de desmanche das universidades estaduais do Rio de Janeiro sem nenhuma ajuda das Pollyannas que sonham com dias melhores, mas que não movem uma palha para pressionar o (des) governo Pezão a, pelo menos, cumprir o que determina  a Constituição Estadual pós- PEC 47.   A ver!


[1] https://oglobo.globo.com/opiniao/sindrome-de-pollyanna-15338503

Campus da Uenf tomado por matagal pode se transformar em área foco para doenças transmitidas por mosquitos

Muito se fala da atual greve de professores e servidores técnico-admistrativos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e dos seus prejuízos que estão sendo causados na rotina da instituição.  Noto, entretanto, que pouco se fala das condições objetivas que causaram a longa duração do atual movimento paredista, a começar pelos atrasos crônicos no pagamento de salários ao longo de 2017.

O pior é que menos ainda se fala sobre o processo de degradação da infraestrutura da Uenf que está sendo causada pela não entrega de verbas de custeio desde o final de 2015! Como falar parece ter se tornado pouco eficiente, posto abaixo uma imagem obtida na manhã desta 4a. feira (07/02) que fala por si só: o campus Leonel Brizola hoje beira as condições do que se convenciona denominar de “regeneração de cobertura vegetal” ou, simplesmente, que a área está sendo transformada numa imensa capoeira!

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Como acabo de completar 20 anos de labuta na Uenf, posso adiantar que nunca vi o campus Leonel Brizola em tamanho estado de abandono. E tenho uma série desconfiança que a capoeira é o menor dos problemas que estão submersos neste momento pelo processo de greve.  Na lista de situações que deverão aflorar com um eventual retorno às aulas está a degradação do sistema elétrico, telefonico e de internet da Uenf. Em suma, a Uenf transita no limiar de um completo caos e o eventual fim da greve de professores e servidores deverá mostrar isso de forma cristalina.

Agora, o que pouco tem sido dito é sobre a possibilidade real de que o campus da Uenf esteja se transformando num foco para a reprodução de mosquitos com capacidade transmitir doenças como dengue, zika, chikungunya e, por que não, febre amarelo. É que mato alto e água disponivel em profusão oferecem condições ideais para a reprodução de mosquitos e outros insetos.  Esse fato é bem conhecido, por exemplo, dos frequentadores do campus da Universidade Federal de Rondônia até meados da década de 1990, já que ali existia uma área de risco para malária.  

E antes que alguém venha dizer que estou exagerando sugiro a leitura do artigo intitulado “O risco da reurbanização da febre amarela” que foi publicado pelo site “Direto da Ciência”  de onde saiu a imagem abaixo [1]. 

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Assim, o mínimo que se espera da reitoria da Uenf é que se dê ao trabalho de não apenas remover o matagal que hoje ocupa os antigos gramados do campus Leonel Brizola, mas que também haja de forma rápida e diligente para identificar e suprimir todas as áreas que sejam focos potenciais de reprodução de mosquitos. 

Afinal, quem quer tanto dar aula, não pode expor a comunidade universitária a outros riscos além daqueles que já são conhecidos. Afinal, dos mosquitos não há como escapar.


[1] http://www.diretodaciencia.com/2018/02/06/boletim-de-noticias/

Nota de apoio à ADUENF e em defesa das Universidades Estaduais do Rio de Janeiro

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Reforçamos, por meio desta nota, nosso apoio à ADUENF e ao importante papel que a mesma tem cumprido na luta em defesa das universidades estaduais do Rio de Janeiro (UENF, UERJ e UEZO)

O Rio de Janeiro é uma espécie de laboratório do projeto neoliberal do governo e de seus financiadores de destruição do caráter público das universidades. O objetivo nos parece claro: precarizar para privatizar. Ao retirar das universidades estaduais quaisquer condições de trabalho, estudo e manutenção, não tem demorado para que setores oportunistas defendam as mais variadas estratégias de privatização que não resolvem e não resolverão os graves problemas nos quais estamos imersos. Quando opta por não pagar docentes, técnicos, aposentados, atrasar o pagamento de bolsas ao mesmo tempo em que segue com uma política criminosa de isenções fiscais voltada a beneficiar grandes empresários, o governo indica claramente que não está entre suas prioridades a educação pública superior no estado, a ciência e a tecnologia. O governo se utiliza permanentemente do argumento da crise para tentar mascarar suas opções políticas e tentar aprová-las de forma autoritária.

Diretoria da Aduff-SSind – Gestão Democracia e Luta:
Em defesa dos Direitos Sociais, do Serviço Público e da Democracia Interna, Biênio 2016/2018

FONTE: http://aduff.org.br/site/index.php/notocias/noticias-recentes/item/3133-nota-de-apoio-a-aduenf-e-em-defesa-das-universidades-estaduais-do-rio-de-janeiro

A ideologia neoliberal e a transformação do cidadão em consumidor

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Os estudos acerca dos impactos da ideologia Neoliberal já trouxeram inúmeros “insights” sobre o que acontece com os seres humanos que se deixam absorver pela visão de mundo que a mesma oferece [1 e 2]. A coisa vai da solidão profunda, passa pelo consumismo desenfreado e acrítico, e desemboca na completa insensibilidade frente aos semelhantes a partir de uma visão completamente individualista de realização pessoal, já que tudo deve ser resolvido a partir da capacidade de competir e, sim, vencer [3].

É interessante notar que no bojo da aplicação das políticas neoliberais houve um crescimento exponencial das taxas de desemprego e a precarização do acesso aos elementos de mitigação das enfermidades sociais e clínicas desenvolvidas a partir da criação de uma visão de mundo que por um lado infatiliza e, por outro, objetifica todas as relações pessoais e inter-pessoais.

O problema é que vejo grassando na atual greve dos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense uma síntese de todas essas características neoliberais. É que de um lado os professores em greve são pintados como demônios insensíveis que não se preocupam com os impactos na formação dos alunos transformados em consumidores de conhecimento. Entretanto, em contrapartida, não há qualquer menção de se cobrar do (des) governo Pezão que pare de asfixiar financeiramente a instituição, fato esse que não apenas está no bojo da greve, como também impedirá que o estudante/consumidor=cliente possa alcançar uma formação minimamente qualificada para que possa assim pleitear uma colocação num mercado que cada vez cobra mais excelência para os poucos escolhidos para terem empregos. E, pior, com a aceitação tácita de que os fornecedores do conhecimento (i.e., professores) devam fazer isso, em que pese a falta de salários e condições de trabalho. A eles importa apenas o pleno exercício da sua condição de clientes preferenciais.

E aí parece residir uma das grandes dificuldades para se enfrentar as deformações psicossociais originadas pela hegemônia da ideologia neoliberal. É que o cidadão transformado em consumidor se torna plenamente apático quando se trata de enfrentar o aparato estatal que age para restringir o número de aquinhoados com as possibilidades de acessar os arquétipos que representam o sucesso no mundo neoliberal.

Certamente desconstruir a ideologia neoliberal não é uma tarefa simples, já que ela hoje se apresenta como hegemônica. Mas como Karl Marx já elaborou de forma seminal na “Ideologia Alemã”, a saída do labirinto neoliberal se dará a partir do oferecimento de práticas materiais que apontem no sentido da superação de seu modelo de mundo. E nas atuais circunstâncias da Uenf, por exemplo, aqueles que falam na superação das ideologias como método de volta a uma normalidade intangível sabem perfeitamente que estão exercendo práticas para evitar a fuga do labirinto em que se colocaram e querem atrair mais companhias para, provavelmente, diminuir a solidão em que se meteram.


[1] https://link.springer.com/article/10.1057/pcs.2014.5

[2] http://naspa.tandfonline.com/doi/pdf/10.2202/1940-1639.1620?needAccess=true

[3] https://www.researchgate.net/profile/Daniel_Butler5/publication/305402204_Falling_Through_the_Cracks_Precarity_Precocity_and_Other_Neoliberal_Pressures/links/578dc25008ae5c86c9a65d3a.pdf