Uenf reinicia aulas sob a influência da Síndrome de Pollyana: faltam recursos, mas sobra otimismo

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Dei a minha primeira aula após a greve que durou mais de seis meses em meio a temperaturas altíssimas sem ter o “privilégio” de sequer ter um ventilador funcionando dentro da sala de aula.   Fiz questão de lembrar aos estudantes que apesar dessa volta não temos um mínimo de garantia de que as aulas ministradas na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) terão um mínimo de condições para serem realizadas, já que nem a aprovação da chamada PEC 47 fez com que o (des) governo Pezão entregasse os míseros 25% do orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para o ano fiscal de 2018 na forma de duodécimos.  

Mas a realidade que apresentei em sala de aula ao tentar ser minimamente realista com os estudantes que corajosamente ainda continuam apostando na Uenf vai totalmente de encontro à posição oficial da reitoria da Uenf que na aula inaugural de 2018 pintou, digamos, um cenário bem mais róseo sobre a situação financeira da instituição que está com os recursos de custeio congelados desde Outubro de 2015.

Um exemplo desse visão rósea da realidade foi a fala do reitor da Uenf, Luís Passoni, que teria afirmado que “embora a Universidade ainda não tenha recebido este ano os duodécimos que lhe cabem, já é possível perceber um novo clima no campus, com a volta do trabalho dos serviços de jardinagem e de recepção dos prédios“.

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Esse tom “otimista” da fala do reitor da Uenf me faz lembrar, mais uma vez, do famoso “Jogo do Contente”, também conhecido como ” Síndrome de Pollyanna”” [1] que nada mais é do que uma metáfora acerca daqueles indivíduos que confrontados com situações difíceis, optam por uma fuga da realidade,  e evitam confrontar a realidade, mas, em vez disso, gerar uma versão “otimista” dos fatos que nada mais é do que uma escapa do reale das tarefas que ele nos coloca.

Mas o problema da Síndrome de Pollyanna é algo que não vejo apenas se manifestando neste ou naquele indivíduo dentro da Uenf. O grotesco dessa situação é que ela se tornou generalizada dentro do seu corpo dirigente que, em função disso, continua politicamente paralisado e esperando que o problema causado do congelamento dos recursos aprovados pela Alerj seja resolvido pela boa vontade do (des) governador Pezão ou, pior ainda, de algum desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Como não vejo condições para a Uenf e as demais universidades estaduais do Rio de Janeiro continuarem funcionando sem verbas de custeio por muito mais tempo, temo  que todo o otimismo demonstrado pelo reitor Luís Passoni não seja suficiente para impedir que tenhamos um aprofundamento ainda maior da crise que já corrói o sistema universitário fluminense. É que não há otimismo, nem mesmo de Pollyanna, que consiga fazer funcionar estruturas de ensino, pesquisa e extensão sem um mísero centavo.

Agora resta saber como seremos capazes de continuar organizando a resistência ao processo de desmanche das universidades estaduais do Rio de Janeiro sem nenhuma ajuda das Pollyannas que sonham com dias melhores, mas que não movem uma palha para pressionar o (des) governo Pezão a, pelo menos, cumprir o que determina  a Constituição Estadual pós- PEC 47.   A ver!


[1] https://oglobo.globo.com/opiniao/sindrome-de-pollyanna-15338503

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