Na Uenf de Pollyana: sem PEC 47 e com muito improviso

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Como em outros períodos pós-greve, a Uenf aparentemente voltou à sua rotina costumeira. O campus está cheio de estudantes e na superfície a crise causada pela asfixia financeira imposta pelo (des) governo Pezão foi afastada.  Com isso, aqueles que clamavam por novos métodos de mobilização se recolheram ao seu silêncio e insignificância habituais, talvez torcendo que ninguém os lembre das juras feitas de que o fim da greve de professores e servidores iria ser seguida por outras formas de luta em defesa da Uenf.  É o que venho chamando de “mundo de Pollyana” numa referência ao personagem da obra de Eleanor H. Porter.

O fato é que não há nada de normal na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e a tranquilidade aparente é daquelas que só ilude aqueles que querem ser iludidos. Para começo de conversa, o (des) governo Pezão continua ignorando a aprovação da chamada PEC 47 aprovada pela Alerj no final de 2017, e na metade de março ainda não enviou um mísero centavo para garantir o funcionamento básico da Uenf.

Mas há algo a mais que se compõe para acentuar os problemas causados pelo (des) governo Pezão. É que para agravar ainda mais a situação, a reitoria da Uenf vem abusando da improvisação, deixando de lado discussões institucionais que deveriam ser realizadas pelos colegiados universitários em troca de uma suposta transparência por meio de uma difusa distribuição de depoimentos desconexos via redes sociais.  Essa formula acaba gerando uma série de ações pontuais cujo objetivo central parece ser manter a aparência de normalidade cujo único resultado prático é permitir que o (des) governo Pezão continue seu projeto de destruição da Uenf.

Em face da improvisação e da falta de uma política institucional de defesa do caráter público e gratuito da universidade, muitos professores estão retornando ao hábito (ou seria vício?) de usar seus salários corroídos pela inflação para financiar o funcionamento da Uenf. Essa semana uma colega, premida pelas temperaturas escaldantes em que estava dando aula, foi na rua e comprou 3 ventiladores para colocar na sala para diminuir o sofrimento seu e dos alunos. Em outras casos, há ainda que esteja pagando para fazer a revisão de equipamentos também com recursos pessoais.

Ainda que a prática de colocar dinheiro do bolso para garantir o funcionamento da Uenf não seja coisa recente, esse tipo de ação tem um viés pouco pedagógico, especialmente para os estudantes, e ainda contribui para que o (des) governo Pezão fique incólume em face do grave ataque que está realizando não apenas contra a Uenf, mas contra toda a educação pública. Um exemplo disso é o fechamento massivo de escolas, sendo que houve o fechamento de 54 unidades escolares apenas no município de Campos dos Goytacazes.

Ah, sim, ainda há nesse imbróglio o papel cúmplice de parte da mídia campista que, em vez de demandar que o (des) governo Pezão cumpra o que agora é uma cláusula constitucional, opta por atacar o direito de greve dos professores da Uenf.  Falar da irresponsabilidade do (des) governo Pezão que seria o correto, nenhuma linha.

Restará, como sempre restou, aos sindicatos da Uenf continuar a luta em sua defesa. A primeira tarefa será romper o véu do silêncio com querem cobrir a real situação da Uenf. Felizmente, pelo menos no caso da Aduenf, os primeiros passos estão sendo dados para desvelar a paz de cemitério que tentam cercar a Uenf.  A ver!

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