Após reportagem bomba do UOL, procurador da UERJ é cedido para a CEDAE por tempo indeterminado

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O procurador da Universidade  do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Bruno Garcia Redondo, que foi notabilizado por uma reportagem publicada pelo Portal UOL que mostrava uma série de contratações esquisitas (na falta de melhor adjetivo) dentro dos chamados projetos especiais realizados pela instituição aparece em dois atos publicados no Diário Oficial do Rio de Janeiro nesta terça-feira (11/04) (ver imagem abaixo).

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Enquanto em um dos atos publicados Redondo foi nomeado para a nova composição do Conselho Editorial da Procuradoria-Geral da UERJ, no outro ele foi cedido, por prazo indeterminado para a exercer suas atividades no Cargo de Assessor da Diretoria da Presidência (DPR) da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE).

Duas curiosidades nessa situação: a primeira é que a criação da Procuradoria-Geral foi apresentada como uma espécie de salvação da lavoura em termos da representação legal da UERJ. Agora, depois de uma reportagem nada abonadora do UOL, vê-se um dos principais nomes da Procuradoria-Geral da UERJ sendo cedido por tempo indeterminado para a CEDAE.

Essa cessão parece um belo exemplo de alguém que, desafiando a gravidade, está caindo para cima. Enquanto isso, a UERJ segue seu calvário, tendo que explicar o inexplicável.

Escândalo das verbas secretas do governo do Rio de Janeiro chega ao procurador e chefe do gabinete do reitor da UERJ

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O Portal UOL publicou nesta 4a. feira mais uma reportagem assinada pelos jornalistas Igor Mello e Ruben Berta sobre o emprego das chamadas verbas secretas enviadas pelo governador Cláudio Castro para execução de projetos “especiais” pela Fundação Ceperj e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Desta vez o foco da reportagem está no próprio gabinete do reitor Mário Sérgio Alves Carneiro, pois envolve o chefe daquela repartição, o procurador Bruno Garcia Redondo.

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Segundo apontam Mello e Berta, “a esposa, a sogra, o cunhado, ex-sócios e até um ex-personal trainer do procurador da Uerj Bruno Garcia Redondo aparecem em uma lista de 18 pessoas que receberam, em pouco mais de um ano, R$ 5 milhões em verbas públicas para bolsas de pesquisa sob suspeita”. Ainda segundo a reportagem, “os pagamentos estão registrados nas chamadas folhas secretas da Uerj, reveladas pelo UOL em 2022”.  É importante lembrar que parte desses dados só se tornou pública após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) ter solicitado as folhas de pagamento à Uerj.

Curiosamente, além de ser chefe de gabinete do reitor da Uerj, Bruno Garcia Redondo ainda teve tempo para ser, segundo a reportagem, atuar como coordenador em dois desses projetos, tendo recebido R$ 375,5 mil brutos, entre junho de 2021 e agosto de 2022, para complementar o salário mensal de mais de R$ 20 mil que recebe como procurador da instituição. Mas, além disso, a esposa do procurador, a também advogada Fernanda de Paula Fernandes de Oliveira, recebeu outros R$ 180 mil brutos em um desses projetos, mesmo sendo funcionária comissionada da Secretaria Estadual de Agricultura, onde se encontrava nomeada para um projeto de inovação em escolas públicas.

Agora que Mello e Berta tiraram, digamos, o gato de dentro do saco, vamos como se darão as apurações dos fatos que são mostrados nesta reportagem por parte dos órgãos fiscalizadores. Mas nunca é demais lembrar que a própria criação da Procuradoria da Uerj em 2020 foi motivo de questionamentos, mas a sua criação foi apresentada como uma forma de ajustar a carreira dos advogados da Uerj “às demais carreiras jurídicas” do estado do Rio de Janeiro. 

Outra matéria também assinada por Igor Mello e Ruben Berta, traz as respostas de alguns dos beneficiados pela concessão de bolsas nos projetos especiais da Uerj, a começar pelo próprio Bruno Redondo e sua esposa Fernanda de Paula Fernandes de Oliveira. A reportagem intitulada “Cabide da Uerj: Bolsistas ligados a procurador negam irregularidades” traz explicações das mais diversas para fatos bem difíceis de serem explicados.

Um detalhe a mais é que houve uma tentativa de também criar uma procuradoria na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), mas a proposta acabou sendo barrada pelo Conselho Universitário (Consuni) da instituição sediada em Campos dos Goytacazes. Com esse escândalo envolvendo o procurador e chefe de gabinete Bruno Redondo, quem reclamou da decisão tomada pelo Consuni da Uenf pode agora estar respirando aliviado. 

Servidores-fantasmas da Fundação Ceperj e Uerj voltam a assombrar Cláudio Castro e aliados próximos

Uma curiosidade que eu tinha até a tarde desta 3a. feira (14/12) era como o governador acidental Cláudio Castro havia conseguido passar incólume pelas fartas evidências de que sua campanha usufruiu de recursos públicos via o emprego de servidores fantasmas na Fundação Ceperj e Uerj. 

Bom, o que tudo indica é que Cláudio Castro e vários de seus companheiros de governo e campanha eleitoral não passaram tão incólumes quansto eu pensava. É que hoje o Ministério Público Eleitoral denunciou a chapa formada por Claúdio e Thiago Pampolha de abuso de poder econômico e político por causa do esquema de pagamento na boca do caixa que foi inicialmente revelado por matérias escritas pela dupla Ruben Berta e Igor Mello, as quais foram publicadas pelo portal UOL.

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Segundo a denúncia oferecido pelo MP Eleitoral, Cláudio Castro teria utilizado de desvios na Fundação Ceperj que aconteciam por meio de projetos como Esporte Presente, Casa do Trabalhador, RJ para Todos e Cultura para Todos; e na Uerj, por projetos como o Observatório Social da Operação Segurança Presente.

A coisa fica ainda mais grave quando se vê que além de Cláudio Castro e Thiago Pampolha, vários outros membros da entourage mais próxima do governador acidental também estão sendo acusados (ver lista completa logo abaixo).

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Em condições normais, essa denúncia teria pouca chance de prosperar, mas como não vivemos condições normais no Brasi ou, tampouco, no Rio de Janeiro, estamos diante de um momento de completa indefinição. Como as provas amealhadas pelo Ministério Público Eleitoral têm tudo para serem robustos, pois bastaria aos procuradores compilarem as reportagen de Berta e Mello para terem muitos fatos concretos para montar sua peça, os próximos dias deverão ser de tensão absoluta no Palácio Guanabara.

Mas cá entre nós, o fato de que a campanha eleitoral para o governo do Rio de Janeiro foi claramente repleto de curiosidades já é conhecido da maioria dos cidadãos que habitam o território fluminense, inclusive os que votaram em na dupla Castro/Pampolha. Eu particularmente achava que Cláudio Castro seria assombrado pelos fantasminhas que foram plantados na Fundação Ceperj e na Uerj após tomar posse em janeiro de 2023. Entretanto, o assombro ocorreu antes, uma prova que no Rio de Janeiro pode-se morrer de tudo, menos de tédio.

Uerj é pega em abraço esquisito com deputados bolsonaristas em esquema de servidores fantasmas

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Depois de revelar o escândalo envolvendo a Fundação Ceperj que empregou servidores fantasmas a rodo, o site UOL traz hoje uma reportagem assinada pelos jornalistas Ruben Berta, Lola Fereira e Igor Mello que mostra que o mesma esquema parece operado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). 

Segundo o que mostra a reportagem intitulada “Deputados bolsonaristas pagaram cabos eleitorais com verba de universidade“, a Uerj foi responsável pelo pagamento de dezenas de cabos eleitorais dos deputados do PL, Soraya Santos (federal) e Dr. Serginho (estadual) (que, aliás, é o atual secretário estadual de Ciência e Tecnologia), tendo sido apurado que muitos que tiveram seus nomes e CPFs usados para arrebanhar recursos oriundos da Faetec sequer sabiam do fato, mostrando-se surpresos e indignados.

Uma das peculiariedades desse caso é o uso do esquema “barriga de aluguel” em que se move verbas pertencentes a uma instituição e se colcoa em outra para executar os gastos que, como neste caso, depois aparecem sendo usados no pagamento de servidores fantasmas.

No caso do uso da Uerj como barriga de aluguel, o caso é particularmente problemático, na medida em que as universidades estaduais (Uerj e Uenf) têm convivido há vários anos com grandes dificuldades orçamentárias  e o descumprimento do dispositivo constitucional conhecido como “duodécimo” que deveria garantir a entrega de todo o orçamento aprovado pela Alerj, mas que acaba não acontecendo.

Como essa deve ser apenas a primeira reportagem de uma série, pois foi isto que aconteceu quando Ruben Berta e Igor Mello revelaram o caso da Fundação Ceperj, o mais provável que ainda venha mais chumbo grosso pro aí. Resta saber se a reitoria da Uerj vai insistir em suas declarações protocolares que basicamente negavam a natureza dos fatos que estão sendo revelados. 

O que me parece mais curioso é que apesar de todo o discurso anti-corrupção dos deputados ligados ao presidente cessante Jair Bolsonaro, sempre que um caso de malversação de verbas públicas aparece, junto se verifica a presença de um ou mais desses deputados que dizem preservar a moral e a probidade no uso de recursos públicos.

Em palpos de aranha, Uerj terá de entregar dados de folhas secretas de “programas especiais” para o TCE

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Ex-reitor da Uerj Ricardo Lodi e o governador acidental Cláudio Castro: uma proximidade que agora se mostra constrangedora para a Uerj

Uma nova reportagem assinada pela dupla Igor Mello e Ruben Berta que foi publicada nesta 3a. feira pelo portal UOL mostra que o imbróglio das folhas secretas que foi inicialmente detectado na Fundação Ceperj está deixando a reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), como diriam os antigos, em palpos de aranha. 

É que agora, segundo informam os dois jornalistas do UOL, a reitoria da Uerj terá de enviar para análise do Tribunal de Contas do Estado as folhas de pagamento do programa conhecido como”Observatório Social da Operação Segurança Presente” (OSOSP), visto que os técnicos do órgão de fiscalização avaliaram que há risco de danos aos cofres públicos.

Há que se lembrar que foi graças às reportagens de Igor Mello e Ruben Berta que todo esse imbróglio veio a conhecimento público, inicialmente, como já observei, na Fundação Ceperj. O problema é que está parecendo que o problema é ainda mais grave no caso da Uerj, já que existem pelo menos outros 12 programas “especiais” em execução pela universidade que só em 2022 gastaram sem nenhuma transparência quase R$ 600 milhões.

 Mas por mais que a reitoria da Uerj tente negar a condição embaraçosa em que a instituição se encontra por causa das descobertas ligadas aos chamados “programas especiais”, a coisa parece estar tomando um rumo muito esquisito, na medida em que os técnicos do TCE estão solicitando, entre outras coisas: o  envio de planilha com informações sobre todos os contratados no programa, informando a relação dos locais de atuação do pessoal admitido, informações sobre as atividades desenvolvidas, bem como a carga horária trabalhada; justificativas de porque as contratações foram feitas por RPA (Regime de Pagamento Autônomo), explicações sobre o motivo do aumento de orçamento previsto para 2022 –que deve chegar a R$ 141 milhões, A Uerj deverá ainda revelar o total de pessoas contratadas em cada cargo na equipe técnica, com as respectivas remunerações de cada função.

A reportagem mostra ainda que o TCE está exigindo o envio de diversos documentos obrigatórios não divulgados, como os relatórios de atividade de 2021 e do primeiro semestre deste ano relativo ao programa. 

Em outras palavras, o rolo está armado e a Uerj está claramente enrolada. E eu pergunto: e tudo isso para quê e para atender quais interesse e de quem? Com a palavra, a reitoria da universidade.

Para defender a UERJ é preciso que a reitoria vá às últimas consequências

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Por Redação

A Uerj tem conquistado nas últimas décadas respaldo cada vez maior na comunidade acadêmica nacional e internacional. Ranqueamentos recentes, por exemplo, a colocam em posição de destaque entre as universidades da América Latina. Essa conquista, como se sabe, deve-se em grande parte à reconhecida história de luta de sua comunidade por melhores condições de trabalho e pesquisa, o que, por sinal, também a tornou notável pela resistência a projetos privatistas e/ou autoritários que se colocam contrários à própria existência da universidade pública.

Tão ou mais importante que o reconhecimento no meio científico tem sido o respeito e a admiração que a população, em especial a Fluminense, passou a associar à imagem da nossa universidade. Uma imagem construída não de forma fortuita, mas embasada no relevante papel social da Uerj, não apenas pelo seu pioneirismo em políticas de inclusão no ensino superior, mas também pela tradição na socialização do conhecimento que produz por meio dos seus projetos de extensão. Um patrimônio valoroso que, lamentavelmente, está sob ameaça.

Em nota divulgada no dia 16 de agosto, a Asduerj manifestou sua preocupação com reportagem publicada por grande veículo de comunicação, segundo a qual haveria suspeitas de que o governo teria usado a Uerj para empregar aliados políticos com folhas de pagamento secretas. Na ocasião, elogiamos a Reitoria por sua prontidão em divulgar uma resposta, mas advertimos para a insuficiência das informações dadas. Ressaltamos ainda que seria necessário não só buscar apresentar a base legal dos atos praticados, mas divulgar nomes e valores, além dos critérios pelos quais foram escolhidos os projetos alvos da reportagem, bem como os procedimentos previstos para executá-los. Esta não é exigência de um ou outro grupo. Ao contrário, é uma determinação legal a que a universidade deveria ter se antecipado.

No final do mês de agosto, a UERJ disponibilizou uma lista com mais de 50 projetos que foram beneficiados com verbas descentralizadas. Como primeiro passo, é possível, através do portal da transparência, encontrar tal lista e informações tais quais plano de trabalho e relatórios de entrega de alguns deles. Ainda não se encontra disponível, no entanto, arquivo com nomes e valores específicos recebidos pelos integrantes de cada projeto. Como a própria plataforma afirma, há ainda a necessidade de atualizar informações (objeto e ano de referência) em muitos deles. Por outro lado, mesmo naqueles que estão com informações atualizadas, não se consegue encontrar nomes relacionados a valores, sejam mensais ou por projeto.

No que se refere ao mecanismo de busca, também há deficiências. Só é possível pesquisar por nomes específicos que sejam digitados exatamente como estão inseridos no banco de dados. Além disso, quando se encontra um nome, não se consegue acessar valores individualizados recebidos. Desde a implantação do portal de transparência, não houve atualização em termos de novos projetos adicionados.

Infelizmente, após a publicação da Nota da Asduerj, há cerca de 1 mês, outras reportagens do mesmo veículo de comunicação se seguiram, com acusações ainda mais graves, sem que a Reitoria respondesse com a devida transparência. A mais recente publicada na segunda-feira, 12/9, chega a acusar a universidade de ter modificado uma norma interna (Aeda13/21) “para permitir contratações sem transparência, com remuneração de até R$ 32 mil”.

Entre os que receberiam, em forma de bolsa, valores exorbitantes para os padrões da universidade, estariam o advogado Aislan de Souza Coelho, tesoureiro da campanha do governador Cláudio Castro (PL) à reeleição, além de um irmão do deputado Márcio Pacheco (PL), principal aliado político de Castro.

Esse parlamentar aliado assumiu recentemente um dos cargos de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e esse órgão, segundo o referido veículo, abriu representação sobre o projeto da Uerj “Observatório Social de Operação Segurança Presente”. Conforme o mesmo veículo, estaria neste projeto a maior parte dos beneficiados com bolsas de alto valor e que teriam relação com o governador Castro.

O atual conselheiro do TCE parece mesmo ter ganhado uma súbita relevância para a Universidade. Em março deste ano, Márcio Pacheco recebeu da Uerj o título de Grão-Oficial da “Ordem do Mérito José Bonifácio”. A honraria é concedida a “personalidades nacionais e estrangeiras que se tenham notabilizado nos setores da educação e cultura, sobretudo em benefício da Uerj”. A condecoração foi questionada pelo colegiado do Programa de Pós-Graduação em Educação (Proped) da Uerj, que, em carta publicada no dia 25 de março, requereu a divulgação das atas da reunião que definiu a concessão do título e a abertura de um processo para a revisão do ato.

A Assembleia da Asduerj, de 02 de setembro, manifestou grande preocupação com o impacto das recentes acusações à reputação da universidade. O desafio é duplo: não permitir que tais denúncias sugiram o questionamento de nossa excelência acadêmica e bloquear que a extrema-direita instrumentalize nossas boas práticas, em especial a autonomia e a descentralização. A solução é, porém, óbvia. A reitoria deve dar visibilidade ampla e irrestrita a todos os dados e simplificar seu acesso. O surgimento de novas denúncias ao longo das últimas semanas exige um passo a mais. A reitoria tem o dever de investigar supostas irregularidades. E tal investigação deve responder a nossas instâncias coletivas, sobretudo ao Consun. Blindar a UERJ em relação à extrema-direita só será possível se ela retomar as experiências progressistas de gestão pública: aumentar ferramentas e estratégias de controle público e participação democrática na tomada de decisões.

Aliás, não parece condizente com a democracia universitária regulamentar por meio de um Ato Executivo, projetos de pesquisa, de desenvolvimento tecnológico, de Inovação ou extensão na universidade, sem qualquer tramitação pelo Conselhos Superiores, como fez o Aeda 13/2021. Essa norma modificada por meio de outro Aeda, o 017, com a justificativa de se adequar a Lei 9255/21, é a forma pela qual, segundo o veículo de comunicação citado, representantes de um governo de extrema direita receberiam, pela universidade, remunerações vultuosas, sem qualquer controle.

À Reitoria da Uerj cabe, urgentemente, dar transparência real aos dados, investigar todas as acusações e, caso comprovadas, responsabilizar o governo Castro e os envolvidos pelos danos à imagem da universidade, construída às custas da luta e do trabalho valoroso de sua comunidade.


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Este texto foi originalmente publicado na página oficial da Associação de Docentes da Uerj (Asduerj) [Aqui!].

Nova matéria da UOL revela que UERJ alterou procedimento rotineiro para pagar contratados fantasmas

Após um período de relativa calmaria, uma nova matéria da lavra dos jornalistas Ruben Berta e Igor Mello que foi publicada hoje pelo site UOL revela que a reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro utilizou de procedimentos no mínimo estranhos para permitir o pagamento de salários vultosos a contratados em alguns dos ditos “programas especiais” que foram financiados pelo governo de Cláudio Castro com verbas obtidas pela privatização da CEDAE.

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Um procedimento apontado na reportagem foi o de isentar contratados em um tal “núcleo estruturante” dos denominados projetos especiais de terem de passar sequer por um processo seletivo simplificado. Com isso, a matéria mostrou que vários contratados eram ou estavam ligados a políticos diretamente relacionados ao governador acidental Cláudio Castro, incluindo um condenado por porte ilegal de armas.

Esses aliados políticos, ainda segundo a matéria, teriam recebido apenas entre julho e dezembro de 2021 a “bagatela” de R$ 8,3 milhões os quais teriam pagos em folhas secretas que já sabemos eram regularmente pagas na “boca do caixa”, uma forte indicação de que os beneficiários dos pagamentos eram “fantasmas”.

Em uma curiosidade a mais, um dos programas especiais que mais abrigou este tipo de contratado “Gasparzinho” foi o chamado “Observatório Social do Segurança Presente”, o que não deixa de ser curioso, na medida em que o tal observatório deveria se ocupar do correto cumprimento de um programa de policiamento urbano.

Uma das coisas que mais me impressionam nessa situação toda é que fora dos chamados programas especiais, a Uerj tem enfrentado muitas dificuldades financeiras para levar a cabo suas atividades fim, que incluem projetos de ensino, pesquisa e extensão.  Ao que parece, o dinheiro só aparece mesmo quando os beneficiários são ligados a algum político aliado de Cláudio Castro.

Finalmente, a reitoria da Uerj claramente deve explicações críveis à sociedade fluminense e à sua propriedade comunidade universitária. O fato é que a reportagem de hoje aumentará a pressão por explicações. Resta saber se a reitoria terá algum crível para apresentar.

Escândalo dos cargos secretos: nova reportagem do UOL revela que Uerj e governo Castro estão juntos e misturados

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Em dezembro de 2020, o então reitor Ricardo Lodi e o governador acidental Cláudio Castro estiveram na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para celebrar a assinatura de um decreto que garantiu a nova sede do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira – CAp-Uerj, através de um repasse de cerca de R$ 26 milhões do Legislativo aos cofres do Executivo. Foto de Ricardo Wallace

Em mais uma reportagem com tons explosivos publicada hoje pelo portal UOL, os jornalistas Igor Mello e Ruben Berta mostram que até o tesoureiro da campanha de reeleição do governador acidental Cláudio Castro recebeu salários (enquanto possuía cargo de confiança na Secretaria Estadual de Governo) via o chamado “Observatório Social da Segurança Presente” (OSSP) que está hospedado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O advogado Aislan de Souza Coelho, que atualmente faz as vezes de tesoureiro da campanha eleitoral de Cláudio Castro, teria recebido R$ 70 mil  por supostos serviços prestados ao OSSP entre junho e dezembro de 2021, o que lhe conferiu no período uma confortável remuneração mensal de R$ 28 mil com a sobreposição de funções no governo do Rio de Janeiro.

Essa “descoberta” é uma prova irrefutável de que, ao menos no caso dos cargos secretos (uma denominação agradável para servidores-fantasmas), a Uerj e o governo Castro estão juntos e misturados, o que é, no mínimo, um caso a ser devidamente explicado pela reitoria da instituição. Lembremos que essa situação toda começou ainda quando o reitor era o professor de direito e atual candidato a deputado federal pelo PT, Ricardo Lodi.  

Assim, ainda que o atual da Uerj seja uma espécie de herdeira do imbróglio, não fica bem a aparente procrastinação em liberar os dados das folhas de pagamento dos “programas especiais” ligados ao esquema que Mello e Berta detectaram inicialmente na Fundação Ceperj. Aliás, a partir das crescentes evidências de que o sistema aplicado na Fundação Ceperj é o mesmo usado na Uerj, uma pergunta que fica é sobre onde realmente tudo começou a ser realizado. 

Por onde andava decantada Procuradoria da Uerj que não alertou a reitoria dos perigos desse arranjo?

Desde que foi criada em setembro de 2020 de uma proposição do então reitor Ricardo Lodi, a chamada Procuradoria Geral da Uerj tem sido apresentada como uma espécie de salvadora da pátria, e que seria responsável por possibilitar uma série de ganhos ocorridos obtidos pela universidade desde setembro de 2020.  O sucesso da procuradoria da Uerj suscitou até a tentativa de uma congênere na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e que só não ocorreu ainda em dezembro de 2021 porque uma série de membros do Conselho Universitário (inclusive eu mesmo) solicitaram mais esclarecimentos sobre a proposta que tem o potencial de encarar a folha de pagamento anual em torno de R$ 3 milhões.

Pois bem, a pergunta que me vem à cabeça após as revelações já conhecidas sobre os “projetos especiais” do governo Castro que estão executados pela Uerj é sobre o porquê da Procuradoria Geral não ter sequer alertado para os riscos de exposição que um esquema envolvendo o pagamento na boca do caixa poderia trazer para a universidade.  Afinal de contas, não era para defender os interesses estratégicos da Uerj que a estrutura foi criada?

A Uerj prometeu garantir a transparência dos pagamentos em setembro, mês que começa esta semana

Após o esquema de cargos secretos ser exposto e ser cobrada a prestar as devidas informações sobre o caso, a reitoria da Uerj prometeu dar a devida transparência e publicar a lista dos nomes dos beneficiados com salários nos ditos programas especiais executados pela instituição.  Como o mês de agosto está por um fio e setembro começa na próxima 5a. feira, os ponteiros do relógio estão girando e colocando pressão sobre o atual reitor e professor de Odontologia Mário Sérgio Alves Carneiro para que a prometida transparência seja transformada em realidade.

A questão é que até aqui a Uerj parece ter tomado o caminho oposto da transparência e vem dificultando o acesso às folhas de pagamento executadas principalmente com verbas obtidas com a escandalosa privatização da CEDAE.  Entretanto, a pressão que já é grande certamente vai aumentar, gerando desconfortos desnecessários para a Uerj,

Mas como eu já disse e repito “passarinho que acompanha morcego, acorda de cabeça para baixo“.

Cargos secretos: na contramão do prometido, UERJ aumenta sigilo sobre gastos com “projetos especiais”

Em uma indicação de que há realmente algo de podre no reino da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em relação ao envolvimento da instituição no escândalo dos cargos secretos promovido pelo governo acidental de Cláudio Castro. É que mostra a mais nova reportagem assinada pelos jornalistas Igor Mello e Ruben Berta mostra que, ao contrário do prometido, a reitoria da Uerj aumentou o nível de sigilo sobre os nomes dos ocupantes de cargos relativos aos “projetos especiais” do governo Castro que estão sendo executados pela universidade.

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Essa negação da transparência pode ser apenas o produto de um zelo extra com os que receberam legitimamente pagamentos por trabalharem nos diversos projetos especiais que estão sendo realizados na Uerj pela “bagatela” de quase R$ 600 milhões (com parte substancial dos recursos vinda da privatização da CEDAE).  Mas negar o acesso aos nomes dos beneficiários também pode ter razões outras, o que agrava a crise de imagem que este evento vem provocando contra a Uerj, na medida em que a mesma foi pega em cheio com evidências de que diversos beneficiários dos pagamentos “na boca do caixa” estão ligados a políticos da base de apoio do governador acidental Cláudio Castro.

Como tudo indica que Igor Mello e Ruben Berta têm “mais bala na agulha” , o problema da reitoria da Uerj é ver revelações ainda mais desairosas contra a universidade, o que agravaria as pressões pela liberação completa dos nomes dos beneficiários da lista de pagamentos dos “projetos especiais”.

Em suma, um problemão sem tamanhos, mas que pode ficar ainda maior. É que enquanto o dinheiro fluia fácil nos projetos especiais, a maioria das unidades da Uerj vivia e continua vivendo em grandes dificuldades. E essa realidade pode criar mais problemas dentro do que fora dos muros da universidade. Mas é o que eu digo, repetindo um velho chavão, “passarinho que anda com morcego, acorda com a cabeça para baixo”.

O enredo dos cargos secretos se adensa na UERJ com nova reportagem do UOL

Em mais uma primorosa reportagem assinada pela dupla de jornalistas Igor Mello e Ruben Berta fica evidente que o esquema dos cargos secretos que foi inicialmente detectado na Fundação Ceperj está mais entranhado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) do que inicialmente parecia. É que, como mostram Mello e Berta, até o ex-vereador Daniel Marcos Barbiratto de Almeida , preso na chamada Operação Furna da Onça, estava na lista de pagamentos do Observatório Social da  Operação Segurança Presente, realizado na Uerj com recursos da Segov (Secretaria Estadual de Governo).  E com um detalhe bastante peculiar: recebendo salários generosos (i.e, R$ 16 mil mensais) que a maioria dos servidores públicos concursados nem sonha receber.

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Um detalhe interessante é que o ex-vereador é enteado do deputado estadual Luiz Martins (União Brasil-RJ), também preso na Furna da Onça. A reportagem aponta que Barbiratto ficou nove meses preso preventivamente sob a acusação de corrupção passiva, e que o processo deixou a esfera criminal e corre na Justiça Eleitoral, onde ainda aguarda denúncia.

Este caso em específico demonstra que os “programas especiais” do governo acidental de Cláudio Castro estavam sendo usados para alocar apadrinhados políticos a salários vultosos. O problema é que agora está ficando mais do que evidente que a Uerj estava servindo, ao que tudo indica, como uma espécie de barriga de aluguel desse esquema de apadrinhamento político.

Em tempo: em nota a reitoria da Uerj prometeu dar a devida transparência às folhas de pagamento executadas pela instituição para remunear os participantes dos projetos especiais do governo Castro que estavam sendo executados pela instituição. Vamos esperar que isto realmente ocorra, pois, se não ocorrer, vai meio dar vida à famosa frase “Há algo de podre no reino da Dinamarca” que foi imortalizada pelo personagem Marcelo na peça “Hamlet” de Willian Shakespeare. Só que no caso, o reino é a Uerj.