Tragédia em Mariana: mais uma vez a imprensa internacional tem cobertura mais completa e objetiva

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A explosão de duas áreas de contenção de rejeitos tóxicos da Mineradora Samarco ocupou ontem parte do noticiário da imprensa corporativa brasileira, mas foi na mídia internacional que apareceram detalhes mais completos sobre o caso, e sobre as corporações privadas envolvidas.

Um exemplo da diferença das coberturas dadas ao caso se refere aos termos usados para definir o que aconteceu. Enquanto por aqui se usou o termo “rompimento”, a agência usou ‘burst” o que pode ser traduzido com “explosão” (Aqui!). A diferença não é apenas semântica, já que romper ou explodir uma bacia de rejeitos pode ter causas bastante diferentes, bem como penalizações perante a lei.  

Outra informação crucial que passou em branco na imprensa brasileira foi sobre quem são os proprietários da Mineradora Samarco. Essa informação no plano internacional foi oferecida tanto pela Reuters como pelo jornal “The Guardian” (Aqui!) que informaram aos seus leitores que a empresa é uma “joint venture” que reúne a brasileira Vale e a australiana BHP Billiton, e que a mina de Germano é um empreendimento cuja propriedade é de 50% para cada uma das delas. Confesso que já deveria ter me perguntando antes sobre quem eram os verdadeiros donos da Samarco, mas agora esta charada está resolvida.   O “The Guardian” também reporta que o minério de ferro escavado na área do desastre é transportado para o Espirito Santo na forma de borra onde é beneficiado de forma primária antes de ser exportado (por meio de mineroduto e transporte pelo Porto de Ubú em Anchieta, acrescento eu).

Já a Reuters inclui a informação de que as corporações da mineração se encontram em dificuldades por causa da queda nos preços do minério de ferro e outras commodities por causa do esfriamento das demandas vindas da China que é a maior consumidora de matérias primas industriais do planeta.  A Reuters informa ainda que a Mineradora Samarco produz anualmente 30 milhões de toneladas de ferro, o que representa aproximadamente 10% da produção brasileira.

Agora, voltando ao evento em si e à cobertura nacional, uma criança sobrevivente narrou á Folha de São Paulo que todos os moradores da localidade de Bento Rodrigues esperavam que um dia houvesse a explosão das bacias de rejeito da Mineradora Samarco (Aqui!). Assim, como é que as autoridades mineiras e suas agências ambientais permitiram que esta situação chegasse ao ponto das bacias de rejeito explodirem? Essa pergunta é que deveria ser feita em face das intermináveis concessões de novas áreas de mineração que estão sendo expedidas em Minas Gerais e outras partes do território brasileiro.

Finalmente, essa explosão de rejeitos e suas consequências sociais e ambientais ocorre em meio a uma tentativa de impor um novo código de mineração que seja ainda mais permissivo para as grandes mineradoras. Esse será mais um golpe contra os interesses da população brasileira que, como vemos no caso de Bento Rodrigues, acaba sendo pagando os maiores preços para que corporações nacionais e internacionais saqueiem o Brasil.

samarco

10 comentários sobre “Tragédia em Mariana: mais uma vez a imprensa internacional tem cobertura mais completa e objetiva

  1. Ouvi no rádio esta manhã aqui em Madrid também. Mais uma vez em Minas Gerais, falta de controle no armazenamento de resíduos,o mesmo de Cataguazes e depois aquele vazamento de resíduos de bauxita.
    Quando vamos aprender..

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  2. Marcos, pelo visto você não é da área de mineração, pois o termo técnico utilizado é Rompimento da Barragem, ou Dam Break. A barragem se rompeu por causas indeterminadas até o momento.

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    • Magali, interessante notar que é a imprensa internacional que definiu o que ocorreu em Bento Rodrigues de “burst”. Agora, convenhamos, dizer que as causas são desconhecidas! Pode ser que a Mineradora Samarco e as autoridades mineiras queiram vender essa versão fantasiosa. Mas até os bagres que morreram no Rio Doce sabiam que essas barragens iriam explodir.

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      • Marcos, se vc acha que a Samarco, Vale e BHP sabiam e não fizeram nada… Só pensa qual o interesse disso??? Fazer com que a Samarco feche e deixe cerca de 5.000 desempregados??? Deixar que suas ações caiam?? Ter um prejuízo ainda incalculável, mas com certeza na casa de bilhões???
        Pense um pouco meu caro, não é interesse de nenhuma empresa séria, como era o caso da Samarco, que fazia vários trabalhos com a comunidade…
        Lógico que se tem responsáveis e isso deve ser apurado, mas dizer que sabia e não fez nada.. É só pensar um pouco.

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      • Realmente não precisa pensar muito. Concordo plenamente. Mas você esquece que vivemos num país onde a impunidade reina, vide o Eduardo Cunha. Se me perguntasse como chegamos ao ponto de ter esse incidente, eu apostaria no sentido de impunidade que vem livrando a própria Samarco e outras mineradoras de responderem por seus malfeitos.Lembra de Mirai?

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      • Marcos, se vc acha que a Samarco, Vale e BHP sabiam e não fizeram nada… Só pensa qual o interesse disso??? Fazer com que a Samarco feche e deixe cerca de 5.000 desempregados??? Deixar que suas ações caiam?? Ter um prejuízo ainda incalculável, mas com certeza na casa de bilhões???
        Pense um pouco meu caro, não é interesse de nenhuma empresa séria, como era o caso da Samarco, que fazia vários trabalhos com a comunidade…
        Lógico que se tem responsáveis e isso deve ser apurado, mas dizer que sabia e não fez nada.. É só pensar um pouco.

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  3. Mariana-MG mostra que a vida imita a arte, e vice-versa. Estudei e atuei no ramo de mineração no início de minha vida profissional, e as primeiras constatações me fizeram mudar de rumo, tanto que publiquei em 1992 um livro intitulado: “A Montanha e o Grão de Areia”, onde retrato os bastidores de uma firma mineradora mais preocupada com o lucro do que com a segurança das vidas em volta. Vida? Do que se trata? – pensa um dos executivos. Marcos-benelux@hotmail.com

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