Ainda que eu esteja devendo uma reflexão acadêmica mais robusta sobre todos os telecouplings (teleconexões) (Aqui!) que estão emergindo da lama lançada pela Mineradora Samarco (Vale+BHP Billiton) no Rio Doce, a qual chega agora de forma gradual mas inexorável ao litoral capixaba, me lembrei de uma entrevista que concedi ao Instituto Humanitas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) em 19 de Novembro de 2013 para comentar os efeitos do colapso do Grupo EBX do então bilionário Eike Batista (Aqui!).
Vejo agora que a chamada da entrevista tinha um caráter de premonição ao anunciar que o ” Colapso de Eike Batista é ensaio do que virá com a manutenção das Parcerias Público-Privadas”. Pois bem, passados pouco mais de dois anos da queda inexorável de Eike Batista, eis que outro campeão nacional do ex-presidente Lula, o Grupo Vale, está imerso em mais um incidente de grandes proporções que abala o já indefensável modelo Neoextrativista (alcunhado de Neodesenvolvimentista para efeitos de propaganda governamental) que embalou a bonança dos oito anos de governo Lula, e deu sobrevida ao primeiro mandato de Dilma Rousseff.
Ainda que a chamada oposição de direita (PSDB e DEM) tente se banquetear na lama fétida que foi lançada em Mariana pela negligência da Samarco (Vale+BHP Billiton) essa postura não passa de hipocrisia, pois nos estados governados por ela, principalmente em Minas Gerais com Aécio Neves e Anastasia, o modelo Neoextrativista também reinou e reinava absoluto até o fatídico dia 05 de Novembro de 2015. Aliás, cabe aos tucanos mineiros explicar o que acontecia debaixo de seus bicos nas minas que a Vale possui em Minas Gerais sob diferentes franquias e joint ventures!
Mas vamos ao que interessa porque é exatamente o que não está sendo mostrado pela mídia corporativa brasileira. O que vem surgindo nas mídias sociais e veículos de imprensa regional é um genuíno repúdio ao modelo Neoextrativista, com populações locais apontando o dedo e fazendo questões cruciais que têm sido ignoradas por quase todo mundo, inclusive pela comunidade científica brasileira. Essa indignação que não me parece ser apenas um reflexo momentâneo das graves consequências que o incidente da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) vem trazendo para a vida de centenas de milhares de pessoas e para o ecossistema do Rio Doce. O que eu venho ouvindo é que as pessoas estão entendendo perfeitamente o papel dos telecouplings existentes entre o papel das corporações agudizado pela solidariedade ativa do Estado brasileiro e a piora da sua condição de existência e subsistência.
E desse entendimento das vítimas dos efeitos negativos do Neoextrativismo e da subserviência das diferentes esferas do Estado brasileiro às corporações que nasce a possibilidade de que este castelo de cartas esteja para desmoronar. O mais interessante disso é que esse processo nasce por fora da estrutura política formal, o que torna tudo muito mais volátil e obviamente mais difícil de controlar.
Finalmente, eu diria que não é impensável que a BHP Billiton decida em breve terminar sua joint venture com a Vale e se retirar da Mineradora Samarco e do Brasil, apesar das inevitáveis perdas financeiras que terá. É que os donos do capital internacional sabem como ninguém que um incidente das proporções que o de Mariana alcançou é péssimo para seus interesses em esfera global. Daí que entregar os anéis para não perder os dedos será um pequeno passo. Já a Vale, para essa corporação privada nascida das benesses da privataria tucana, o jeito vai ficar ser ficar por aqui e conviver com a revolta dos atingidos. A ver!

Não acredito em prejuízo para a empresa. Vou além, as barragens estava saturadas e não permitiam maiores depósitos de rejeitos num atual cenário favorável para exportações com real a preço de banana representando assim um obstáculo para a exploração de minério num momento tão favorável. Resumindo, ao colocar no papel as opções mais viáveis para a destinação dos atuais e futuros rejeitos de minério, o “desastre” mostrou-se a opção economicamente mais interessante. Não existe imagem que não possa ser limpa, nem multa que não possa ser paga e o problema está resolvido num piscar de olhos.
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