Definitivamente a minha paciência com os moralistas seletivas se esgotou, seja no plano federal, estadual ou municipal. Peguemos por exemplo os que denunciam de forma “ad nauseum” o (des) governo municipal comandado por Rosinha Garotinho em Campos dos Goytacazes. Pessoalmente considero a atual gestão muito pobre em todos os níveis, e olha que não estou falando da aparente penúria que grassa nos cofres municipais. Falo efetivamente no que conta: a capacidade de atacar os problemas que tornam a vida do campista um completo desafio todos os dias. E para mim basta passar na esquina das ruas Formosa (a.k.a Tenente Coronel Cardoso) e do Ouvidor (a.k.a Marechal Floriano) e me deparar, após vários dias, com os riscos causados pela inexistência de um sinal de trânsito que repentinamente tomou Doril. Para mim, nem é preciso ir depois dali para ver que a atual gestão está cambaleando.
Agora, é chato demais notar que os mesmos articulistas que criticam Rosinha Garotinho são os mesmos que inventam mil maneiras para esconder da nossa população que o (des) governador Luiz Fernando Pezão lançou o Rio de Janeiro no maior caos de sua história recente. Nada funciona no Rio de Janeiro quase todo privatizado para beneficiar os financiadores das campanhas do PMDB e dos seus partidos satélites. Falência dos serviços de trem, metrô, barcas e hospitais, e o calote no décimo terceiro salário dos servidores? Disso os supostos puristas anti-corrupção no plano municipal querem ser lembrados.
Esse tipo de moralismo seletivo é indicativo de que em 2016 teremos uma das eleições mais sujas da história já manchada por contínuos escândalos em Campos dos Goytacazes. É que os moralistas seletivos vão continuar omitindo a situação trágica que o Estado vive, enquanto descerão impiedosamente o relho na prefeita.
A questão para nós que queremos mudanças efetivas no jeito de governar não bastará ficar olhando de fora das quatro linhas, como se isso fosse nos dar o que precisamos. Vai ser preciso participar de forma crítica do processo eleitoral, de modo a aumentar as chances de que possamos discutir as coisas que precisam ser discutidas, sem os maniqueísmos de bem e mal que servem apenas para encobrir uma triste verdade que é de que os supostos salvadores da Pátria poderão ser até piores do que o que temos no momento. Mas como dizia meu falecido pai, jacaré parado vira bolsa. E ai, o que vamos querer? Jacaré em movimento ou bolsa de madame?

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