
Seja qual for o resultado da votação do impeachment da presidente da Dilma Rousseff, o certo é que estamos assistindo ao desmoronamento da chamada “Nova República” que sucedeu ao regime dos militares em 1985.
A exposição do apodrecimento do sistema político partidário brasileiro é tão evidente que não é mais possível negar que estamos assistindo a um processo de esfacelamento do processo de colaboração que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva tão bem sintetizou após chegar à presidência da república em 2003.
Mas a vitória da ampla aliança de partidos direitistas liderada por Michel Temer e Eduardo Cunha no impeachment de Dilma Rousseff também implicará em algo que provavelmente as elites não estão calibrando bem, qual seja, o extremo recrudescimento da luta de classes no Brasil.
Parece até que os desejosos da partida de Dilma Rousseff esqueceram os múltiplos casos de saques de supermercados que ocorreram no início do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Tampouco as elites parecem estar assistindo a insurreição estudantil que se espalha por vários estados importantes da federação por causa da destruição do ensino público.
As elites também estão desprezando os crescentes enfrentamentos no campo que nas últimas semanas resultou em mortes de sem terra em diferentes pontos do território do Brasil, e também da disposição mostrada pelos sobreviventes de prosseguir o enfrentamento.
O nome dessa coisa que as elites não parecem estar visualizando numa proporção minimamente correta é o que Karl Marx rotulou de “luta de classes”. E essa consequência desprezada nos corredores do congresso nacional é poderá resultar num incêndio para o qual as elites não vão poder contar com seu principal bombeiro, o ex-presidente Lula. É que Lula sabe que no frigir dos ovos, a sua saída de cena momentânea tornará o seu retorno inevitável em 2018, pelas mãos das mesmas elites que hoje o espezinham.
Agora resta saber se os “russos” (no caso os pobres) vão topar esperar a próxima eleição presidencial.
O que está faltando para o Brasil alavancar a Economia? Estamos assistindo ao desmoronamento democrático e retrocedendo aos direitos trabalhistas.
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