O ataque do MPF à Lula e a condição da luta de classes no Brasil

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Desde que militei no Partido dos Trabalhadores entre os anos de 1981 e 1990 nunca fui próximo da corrente política organizada em torno do ex-presidente Lula. Eu participava de organização que ele e sua corrente impulsionavam nunca me permitiram apreciar a forma messiânica de condução do PT que girava essencialmente em torno de uma proposição de natureza messiânica.

Bom isto tudo é só para dizer que apesar das diferenças ideológicas com Lula, eu não tenho como compactuar com o ataque desferido pelo Ministério Público Federal contra ele no dia de hoje. Não é que eu ache que Lula seja um santo ou coisa do gênero, mas porque o tipo de argumento que foi apresentado pelo procurador Deltan Dallagnol não resiste a um exame mínimo de lógica sobre o que definiria um “general da corrupção”. 

Além disso, os números financeiros atribuídos a Lula e sua esposa são irrisórias quando comparados a outros esquemas de enriquecimento pessoal, a começar pelo que foi levantado em termos de contas secretas do agora ex-deputado federal Eduardo Cunha. Aliás, nunca custa lembrar daquela mansão que o ex-(des) governador Sérgio Cabral continua desfrutando impávido em Mangaratiba. 

Para mim o que está claro é uma tentativa tosca de inabilitar Lula enquanto candidato a presidência da república em 2018.  È que na falta de provas palpáveis volta a se recorrer ao mesmo tipo de estratagema já utilizado para condenar José Genoino e José Dirceu sob o tal “domínio do fato”. A diferença agora é que até um imóvel com escritura em nome de uma empresa vale como item de indiciamento. Convenhamos, é tudo muito tosco!

Agora, indo além do indiciamento de Lula e sua esposa, o que este ataque à principal liderança política do Brasil revela para mim é que todas as luvas foram removidas no ringue da luta de classes no Brasil. Se é possível atacar Lula com base em provas tão rudimentares, o que dizer de lideranças de movimentos sociais e sindicais que se insurjam contra os planos anti-nacionais e anti-populares do presidente de facto?

Mas como já escrevi antes aqui neste blog, toda essa sanha de destruir Lula pode ainda acabar por fortalecê-lo. Daí se ele poderá ou não ser candidato vai se tornar irrelevante, pois ele acabará tendo o poder de eleger até um dos seus postes para presidir o Brasil a partir de 2019.

De toda forma, enquanto 2018 não chega, a minha avaliação é que teremos um recrudescimento da luta de classes no Brasil. É que com esse indiciamento o que os procuradores do MPF lotados em Curitiba foram derramar muita gasolina numa mata derrubada em algum ponto seco da Amazônia brasileira. Bastará agora que algum incauto jogue um primeiro fósforo aceso para a fogaréu começar.  Bem vindos à luta de classes!

 

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