Enquanto choramos, eles celebram

chape

Por ter me sentido pessoalmente tocado pelo terrível acidente que vitimou a equipe da Chapecoense tinha decidido não tocar nesse evento aqui no blog e, tampouco, misturá-lo com o que estamos assistindo no Brasil em termos de regressão de políticas sociais, violência contra manifestantes pacíficos e aplicação medidas neoliberais que dificultarão a vida do brasileiro pelas próximas duas décadas.

Mas depois de ler o texto abaixo do articulista do jornal Folha de São Paulo, Bernardo Mello Franco, decidi mudar de posição.  É que o que ele traz à luz ajuda a explicar porque desde terça-feira estamos sendo inundados por uma cobertura jornalística sensacionalista sobre o acidente da Chapecoense, enquanto somos privados de informações cruciais sobre o que anda acontecendo  nos círculos políticos de Brasília.

De alguma forma, me parece que o drama e o sofrimento que experimentamos por causa do trágico acidente que vitimou a incrível equipe do Chapecoense é apenas uma amostra do que estamos por passar nas mãos de uma elite política que não possui o menor compromisso com o que se passa na vida da maioria dos brasileiros.

De toda forma, aproveito para expressar minhas profundas condolescências aos familiares, amigos e torcedores da equipe da Associação Chapecoense de Futebol, a gloriosa Chape. Como palmeirense que sou há mais de 50 anos é fácil dizer que a Chapecoense expressou nos últimos anos o que há de melhor em todos nós, como povo e como trabalhadores. Espero que o processo de reconstrução que virá em Chapecó mantenha isso vivo. 

Lágrimas e charutos

Por Bernardo Mello Franco

BRASÍLIA – A noite de quarta-feira, 30 de novembro, foi daquelas que ficarão na memória. Em Medellín, na Colômbia, um estádio lotou sem nenhum time em campo. A torcida estava lá para homenagear as 71 vítimas da queda do avião da Chapecoense, a maior tragédia do esporte brasileiro. A cerimônia emocionou milhões de pessoas nos dois países.

Enquanto a multidão chorava, um grupo de 52 pessoas confraternizava animadamente em Brasília. Eram senadores reunidos na casa do líder do PMDB, Eunício Oliveira. No fim da noite, a festa ganhou o reforço do presidente Michel Temer, que distribuiu gracejos e degustou um legítimo havana oferecido pelo anfitrião.

O contraste entre lágrimas e charutos resume a distância crescente entre o mundo político e as ruas. O fosso se ampliou nesta semana, quando o Congresso afrontou a sociedade ao aprovar medidas de arrocho e costurar amarras para conter o Ministério Público e o Judiciário.

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Michel Temer após entrevista coletiva com Renan Calheiros e Rodrigo Maia

Na terça, o Legislativo aproveitou o luto nacional para acelerar votações impopulares. O Senado aprovou, em primeiro turno, a emenda que congelará gastos sociais nos próximos 20 anos. Do lado de fora, a polícia reprimia os descontentes com bombas de gás e balas de borracha.

Poucas horas depois, a Câmara desfigurou as chamadas dez medidas contra a corrupção. O pacote incluía ideias reprováveis, como a validação de provas obtidas de forma ilegal, mas sua mutilação foi uma mera revanche de políticos na mira da lei.

O desprezo pela opinião pública não tem sido exclusividade dos congressistas. No início da semana, Temer chamou de “fatozinho” o escândalo que acaba de derrubar mais dois ministros de seu governo. Ele ainda deve explicações convincentes sobre o caso, em que é acusado de pressionar um auxiliar para favorecer interesses particulares de outro.

No coquetel dos senadores, a preocupação do presidente era outra: não ser filmado ou fotografado enquanto dava suas alegres baforadas.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/bernardomellofranco/2016/12/1837667-lagrimas-e-charutos.shtml?mobile

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