Greve geral no dia 28/4: até lá não terão votado o que?

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Estive na manifestação realizada no centro de Campos dos Goytacazes na última 6a. feira (31/03) e me surpreendi com o baixo nível de participação que encontrei, inclusive de membros dos principais sindicatos que possuem sua base na cidade.   Esta surpresa negativa se deveu ao fato de que estive no mesmo local no dia 15/03 e havia bem mais gente. Desde então,  o ptesidente “de facto” Michel Temer assinou a draconiana lei de terceirização que praticamente legalizará o trabalho escravo no Brasil, além de inviabilizar a previdência social em médio prazo.

Por que então não houve uma adesão ainda maior por parte dos trabalhadores? A minha resposta, diferente de alguns oradores que lá estava presentes, não está na classe trabalhadora, mas nas direções sindicais e de partidos de esquerda que não estão à altura das tarefas apresentadas da atual conjuntura histórica.  Como Leon Trotsky bem colocava “a crise histórica da humanidade reduz-se à crise da direção revolucionária...”. 

E no presente cenário brasileiro está evidente que uma parte significativa do que poderia ser a “direção revolucionária” está adaptada firmemente a um calendário eleitoral que sequer se sabe será cumprido pela burguesia brasileira.  Falo aqui das eleições presidenciais de 2018 e da candidatura do ex-presidente Lula que está sendo apresentada como a única chance de retroagir o Brasil a um estado pré governo “de facto” de Michel Temer. Mas, alto lá, perdas razoáveis já tinham sido impostas sobre a classe trabalhadora antes da derrubada de Dilma Rousseff!

Considero essa adaptação ao processo eleitoral mais um grave erro político que está sendo cometido pelo PT e seus aliados nos sindicatos e movimentos sociais. É que retroagir ao que havia durante os anos Lula/Dilma é muito pouco em termos das perdas acumuladas pelos trabalhadores. É como se estando no inferno, a melhor proposta que nos oferecem seria a de voltar ao purgatório!

Quem se der ao trabalho de olhar ao que está acontecendo na América do Sul verá que o nosso continente está praticamente sublevado contra as mesmíssimas políticas que estão sendo aplicadas por Michel Temer. Há uma greve geral em curso na Guiana Francesa e fortes mobilizações na Argentina que deixam o que a oposição fazendo no Brasil como o que são, reações minimalistas para não atrapalhar o calendário eleitoral burguês.

Sabendo disso, o governo impopular de Michel Temer corre para realizar todos os retrocessos que puder enquanto estiver no poder. É que ao fazer isso estará garantindo que o debate político que eventualmente ocorrerá se as eleições de 2018 forem confirmadas seja pautado pelo retrocesso que vivenciamos neste momento, e não pelo avanço que precisamos ter em direção a uma sociedade menos desigual e não tão segregada.

Por essas e outras é que considero a greve supostamente geral que foi marcada para o dia 28 de Abril um desperdício de tempo e energia, além de ser um fator de desorganização da justa indignação que já corre na maioria da população brasileira contra as medidas regressivas adotadas por Michel Temer. É que, começando pela dita reforma da previdência (que, na verdade, é o fim da aposentadoria pública) a data escolhida poderá ser tardia. E o que faremos no dia 28 de Abril se Rodrigo Maia (DEM) já tiver passado o rodo, como fez como projeto de terceirização? Sentaremos e choraremos sobre o leite derramado?

2 pensamentos sobre “Greve geral no dia 28/4: até lá não terão votado o que?

  1. Drude disse:

    Na mosca

  2. Tulio disse:

    Concordo com o que escreveu e sei que em momentos de crise a melhor alternativa e nao desperdicar recursos o que nao esta acontecendo de fato se olharmos para os gastos publicos e investimentos precarios. Em relacao a greve geral acredito que a ficha nao caiu na mente dos sindicatos porque eles ainda tem resistencias quanto a organizacao do movimento e indo alem a desuniao sindical sempre foi um problema.

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