Quem são os culpados pela crise das universidades estaduais do Rio de Janeiro? Uma pista: não são Darth Vader e Kylo Ren

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A crise em que atualmente estão imersas as universidades estaduais do Rio de Janeiro tem trazido uma resposta bastante peculiar por parte das suas direções. É que, apesar de se denunciar a dramaticidade da situação, não ouvi até hoje um vaticínio sobre quem são os culpados pelo processo de quase insolvência em que se encontram duas das principais universidades brasileiras.

Quem assistiu um vídeo do reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Luís Passoni [Aqui!], em que ele saudou precocemente um reinicio de aulas que acabou não ocorrendo por causa da decretação da greve pelos professores deve ter notado que, em uma simples análise de conteúdo da fala encontraríamos um núcleo duro onde se instava ao contínuo sacrifício em nome de uma causa justa (que é manter a Uenf funcionando a despeito de tudo e de todos), sem que se apontasse os culpados pelo drama instalado na vida da instituição e de seus estudantes, servidores e docentes.

Apesar de em sua fala, o reitor da Uenf ter mencionado supostos inimigos que querem destruir a universidade criada por Darcy Ribeiro, não há qualquer menção (direta ou indireta) a quem os mesmos seriam. Um cidadão distraído que assista ao vídeo poderá ser instado a imaginar que os responsáveis pela grave ameaça que paira sobre a Uenf sejam Darth Vader e seu neto Kylo Ren que, portando os seus sabres de luz maléficos, estão atacando um planeta pacífico.

Entretanto, a impossibilidade de que a dupla formada por avô e neto seja a responsável pelo processo de destruição em curso nas três universidades estaduais do Rio de Janeiro começa por um elemento básico: o avô morreu antes do neto nascer. Mas mais do que isso, o que está acontecendo com as universidades estaduais do Rio de Janeiro não tem nada de ficcional, e os vilões que estão participando da trama são reais e de carne osso.  Além disso, o que os move não é a conquista de planetas e galáxias, mas a simples entrega de um valioso patrimônio público para as corporações privadas.

Como já cometei anteriormente, o Rio de Janeiro é atualmente o principal laboratório das políticas ultraneoliberais que pretendem recolonizar a América Latina e aprofundar o seu processo de dependência econômica, política e cultural em relação aos países centrais. E que melhor forma do que destruir centros de produção de ciência e tecnologia que também produzem profissionais altamente capacitados? E quando se asfixia financeiramente as universidades e se confisca os salários e bolsas que sustentam os que as fazem funcionar diariamente, o objetivo é precarizar para depois privatizar.

Ao não fazer essa análise de forma direta e identificar os autores deste ataque, o que as direções institucionais é contribuir para anestesiar a consciência, o que se revela em muitos momentos na forma de apatia e indisposição para o necessário enfrentamento contra os vilões de carne e osso que querem nos empurrar de volta para o Século XVI.

Por isso, é preciso que fique claro que os mentores deste projeto de destruição não são Darth e Kylo, mas Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. Como Sérgio Cabral está metaforicamente numa condição similar à destinada a Darth Vader na saga Star Wars, nos resta combater o continuador de sua obra maléfica que, como Kylo Ren, pode ter sido ferido, mas continua com seus planos de conquista e destruição.

E a partir desta clarificação que não fiquemos tentados a entrar no espírito do “Este é um país que vai para frente” para lutar e defender as universidades estaduais.  O que precisamos mesmo é de praticar ações que coloquem o (des) governo Pezão numa posição em que não possa continuar seu projeto de destruição do serviço público e de tudo o que ele representa para o nosso presente e o nosso futuro. E a primeira coisa a se fazer é dar o nome aos bois. Este é o primeiro passo para que passemos da resistência à insurgência contra o pacote ultraneoliberal que está sendo aplicado no Rio de Janeiro. 

Por isso é eu digo: esqueçam de Darth Vader e Kylo Ren. O nome do arquivilão que estamos enfrentando é Pezão! E em vez de sabres de luz e viver em galáxias distantes, ele porta uma caneta e adora frequentar hotéis e spas luxuosos aqui mesmo.

2 pensamentos sobre “Quem são os culpados pela crise das universidades estaduais do Rio de Janeiro? Uma pista: não são Darth Vader e Kylo Ren

  1. Bruno Felipe disse:

    Professor, o senhor e o Nildo Ouriques são os maiores e mais corajosos intelectuais do Brasil. Parabéns, sempre acompanho os dois. Ps: Seria muito legal que o senhor fizesse um canal no youtube.

    • Bruno, obrigado pelo elogio, mas acho que você exagerou :-). Eu me considero apenas uma pessoa com certo acúmulo de leitura e que tenta fazer reflexões que sirvam para irmos da superfície dos fatos que estão nos impactando no atual contexto histórico. Acredito que o Brasil tem sim uma safra de intelectuais que precisam ser lidos e internalizados em termos dos conteúdos que estão nos oferecendo para refletir sobre a realidade. Cito os exemplos dos professores Andrea Zhouri (UFMG), Carlos Eduardo Rosa Martins (UFRJ), Fernando Horta (UNB), Henri Acserald (UFRJ) e Ricardo Antunes (UNICAMP). Mas existem muitos outros que nos oferecem ferramentas para o entendimento dos processos que estão ocorrendo na nossa sociedade. Lembro ainda que as obras de Florestan Fernandes, Celso Furtad oe Ruy Mauro Marini continuam sendo fontes excelentes de onde as pessoas sedentas por reflexões críticas sobre o mundo podem saciar sua sede. De toda forma, obrigado por acompanhar o blog e eu já possuo um canal no Youtube.

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