Revolução e contrarrevolução na Alemanha: um ótimo guia para entender o avanço do fascismo no Brasil e no mundo

Em tempos de manifestação aberta de grupos neofascistas e neonazistas em várias partes do mundo há uma corrente desinformação não só sobre a gênese dos movimentos originais ocorridos na Itália e na Alemanha e uma evidente incapacidade de entender os componentes sociais desse ressurgimento, bem como do papel que esses saudosistas de Benito Mussolini e Adolf Hitler desempenham no centro e na periferia do sistema capitalista.

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Para quem desejar entender melhor o contexto e as condicionantes que permitiram a ascensão do nazi-fascismo, eu recomendo a aquisição da obra “Revolução e contrarrevolução na Alemanha” que é o resultado da combinação de uma série de textos escritos por Leon Trotsky entre 1931 e 1933, tomando como caso exemplar o Partido Nacional Socialista de Alemanha. 

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Como não vou  resenhar aqui o livro como um todo, me aterei a dois aspectos que considero fundamentais do livro e que me parecem permanecerem bastante atuais, inclusive para o caso brasileiro.

A primeira se refere ao que Trotsky se referiu a um apelo da pequena burguesia para abraçar o Fascismo para superar os movimentos de grave crise econômica, como é o que vivemos atualmente no mundo e no Brasil. Em relação a isso, Trotsky apontou para o caráter dúbio da pequena burguesia que pode tanto abraçar a revolução como a contrarrevolução. No caso da Alemanha da década de 1930. Trotsky afirmou que “o desespero contrarrevolucionário abraçou a massa pequeno-burguesa com tal força que atraiu importantes camadas do proletariado“.  Qualquer semelhança do que afirmou Trotsky sobre a Alemanha não pode ser negado como mera coincidência com o que andamos vendo no Brasil e também nos EUA em pleno 2017.

A segunda questão que trago desta obra de Trotsky se refere ao processo de fascistização do aparelho de Estado. Neste caso Trotsky apontou que a “fascistização do Estado significa (…) antes de tudo e, sobretudo, destruir organizações operárias, reduzir o proletariado a um estado amorfo, criar um sistema de organismos que penetre profundamente nas massas e esteja destinado a impedir a cristalização independente do proletariado. É precisamente nisto que consiste a essência do regime fascista”.

Essa referência ao processo de fascistização do Estado, além de ser uma primorosa caracterização, também nos auxilia a desmascarar a lenda de que os nazifascistas (ou mais precisamente os nazistas) eram de esquerda.  É que os eventuais vícios que a esquerda cometeu após a Revolução Russa, dificilmente envolverão o receituário apontado por Trotsky em relação à tomada do Estado pelo Fascismo.

Mas o essencial aqui é que a análise de Trotsky nos permite sair do aparvalhamento em que muitos estão imersos neste momento em relação ao aparecimento público de grupamentos que não tem a menor vergonha de pregar a eliminação física de judeus, negros, imigrantes e homossexuais.  É que a partir do entendimento das bases teóricas identificadas no  “Revolução e contrarrevolução na Alemanha” que podemos entender as cenas que reproduziam mensagens nazifascistas nas manifestações que pediam o impeachment de Dilma Rousseff, e agora foram repetidas em um tom ainda mais alto nas manifestações em Charlottesville. 

E que ninguém se engane: o nazifascismo representa a expressão mais aguda do caminho sem saída do regime burguês. Foi assim na Alemanha, e está sendo assim no Brasil e nos EUA.

Ah, sim, o livro pode ser encontrado para compra na Estante Virtual [1] e ou em algumas livrarias mais diversificadas em várias partes do Brasil.


[1https://www.estantevirtual.com.br/

5 pensamentos sobre “Revolução e contrarrevolução na Alemanha: um ótimo guia para entender o avanço do fascismo no Brasil e no mundo

  1. Marco Antônio disse:

    Professor Marcos os neonazistas no Brasil não passam de grupos pequenos, sem muita expressão ou programa político concreto para tomada de poder no país (e o mais engraçado – tenho que rir para não chorar – é que estes grupos nazistas contam com negros em seus quadros – no Brasil não duvido que algum dia aparecerá judeus nazistas). Porém não devemos nos esquecer que existem outros grupos mais perigosos (em minha opinião) como os partidos conservadores cristãos, a Frente Integralista Brasileira, o Movimento Linearista Integralista Brasileiro e a Ação Integralista Revolucionária. Outra coisa que não devemos nos esquecer é que já existiram no Brasil governos autoritários enamorados dos métodos fascistas: o Estado Novo com Vargas e a Ditadura Militar. O mai perigoso destes pequenos grupos (novamente na minha opinião) é Valhalla88, que dizem que o nacional-socialismo não é racista e que qualquer abordagem sobre isso é absurda (é coisa de maluco), e que tal caracterização sobre o preconceito dos nazistas seria uma imagem
    criada pela mídia sionista (até hoje não consegui descobrir alguma emissora ou jornal sionista no Brasil) para desmoralização do movimento criando, assim, uma aversão da população em relação a qualquer ideia de origem nacional-socialista. mas os loucos são espertos pois eles agem através da internet e em sites hospedados no exterior. Mas não vejo perigo de surgir um líder, aqui no Brasil, entre estes grupos de pessoas perdidas no tempo e no espaço. Mais uma dica boa sobre o judeu Trotsky…

    • Marco Antônio, creio que se você ler a edição preparada pela editora José Luís e Rosa Sundermann notará na nota dos editores, no prefácio do Mário Pedrosa e nos textos do Trotsky que o partido nazista era minoritário e eleitoralmente desprezível por um bom tempo, e que erros da estalinista permitiram uma rápida ascensão parlamentar que desembocou na ditadura hitlerista. Em outras palavras, tamanho nem sempre é documento, pois há que se apurar a conjuntura histórica. E atual é bastante promissora para pensamentos de recorte nazifascista.

  2. Marco Antônio disse:

    Professor Marcos conheço um pouco da História do nazismo e creio que no Brasil não há como se repetir este fenômeno, e aí dou graças a Deus pela passividade bovina do brasileiro. Qualquer hora é a hora destes malucos perdidos no tempo e no espaço…
    p.s. ainda não consegui descobri se estes malucos apoiam Bolsonaro ou algum outro… mas com certeza não tem candidato próprio.

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