O bebê, a água suja do banho, e a guerra aos pobres

Throw-the-Baby-out-with-the-Bathwater

Um provérbio alemão que terminou sendo adaptado pelo teólogo e poeta alemão Thomas Murner num livro publicado em 1512 (falo aqui da obra “Apelo a Idiotas”) parece sintetizar bem o problema que temos diante de nós com a extinção de várias políticas sociais pelo governo do jovem prefeito Rafael Diniz. 

Falo aqui da frase “jogar a criança fora com a água suja do banho”. Essa frase nos últimos 500 anos sintetiza o necessário pragmatismo que deveria reger a ação de governantes responsáveis e cientes das necessidades dos cidadãos mais pobres quando assumem a gestão de governos outrora ocupados por adversários ou, mesmo, inimigos políticos.

A premissa é clara: não exagere na eliminação do que seus adversários deixaram, e tente melhorar a eficácia daquilo que foi deixado e que, mesmo com eventuais defeitos, servem propósitos maior do que seus idealizadores pretendiam.

Aliás, é bom que se lembre que durante a campanha eleitoral em que venceu de forma fácil todos os candidatos oponentes, o agora prefeito Rafael Diniz sinalizou de forma inequívoca que a criança (no caso as políticas sociais voltadas para minimizar a profunda desigualdade social existente em Campos dos Goytacazes desde os tempos em que era a capital brasileira da escravidão negra) não seria jogada fora com a água suja do banho.  O problema é que não só a criança está sendo jogada fora, como as explicações para que isto esteja sendo feito não são nada convincentes. Na prática o que se tem é uma culpabilização integral do “governo anterior” e ponto final.

Tenho conversado com pessoas que ainda hesitam em criticar abertamente o verdadeiro estelionato eleitoral que está sendo praticado contra aqueles segmentos da população que acreditaram que a mudança não viria na forma de uma guerra aos pobres. A hesitação decorre de uma tendência natural de não querer jogar água no moinho chamado Anthony Garotinho. Nessa lógica criticar a guerra aos pobres contribuirá para fortalecer o ex-governador e legitimar as suas críticas ao jovem prefeito.

De minha parte eu diria a quem hesita em criticar o extermínio das políticas sociais que o receituário proposto por Rafael Diniz e seus menudos neoliberais é apenas o primeiro passo para um profundo arrocho fiscal que também atingirá as classes médias na forma de novos impostos (parece que vem aí a taxa do lixo para começo de conversa), deixando de fora aquelas pequena multidão de ricos que já conseguiu a promessa de que não contribuirão para segurar o rojão da crise, apesar de terem sido os maiores ganhadores da era dourada dos royalties do petróleo.

Mas para não dizer que só critico o prefeito Rafael Diniz, faço um círculo completo no meu argumento e lhe sugiro que não jogue a criança fora com a água suja do banho. É que desde que Thomas Murner fez o seu apelo a idiotas, muita água já passou debaixo da ponte e incontáveis cabeças coroadas ou eleitas já rolaram por ignorar a ira dos mais pobres.  Mais simples do que isso, impossível!

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