Pescadores e marisqueiras denunciam perseguição judicial da papeleira Fibria na Reserva Extrativista de Cassurubá

MANIFESTO DOS PESCADORES, PESCADORAS E MARISQUEIRAS DA RESERVA EXTRATIVISTA DA CASSURUBÁ CONTRA A PERSEGUIÇÃO JUDICIAL DA FIBRIA

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Os pescadores e pescadoras, e marisqueiras da Reserva Extrativista de Cassurubá, localizada nos municípios de Caravelas, Nova Viçosa e Alcobaça, estado da Bahia, realizaram dois atos no mar em defesa dos direitos dos pescadores artesanais e ribeirinhos, manifestando o descontentamento das Comunidades Tradicionais que aqui vivem e tiram seu sustento, com todos os impactos ambientais negativos que afetam a manutenção dos seus modos de vida tradicional.

Isso se dá com a empresa de celulose Fibria S.A, que é a responsável pela dragagem do Canal do Tomba e acessos e que tem por objetivo permitir a passagem das barcaças que transportam eucalipto para a sua indústria de celulose em Aracruz/ES. Tal dragagem promove graves impactos ambientais no território tradicional de pesca de aproximadamente 2.000 pescadores artesanais. O processo de dragagem e descarte dos sedimentos resultam em assoreamento do ambiente estuarino, carreamento de material lamoso às praias e recifes de corais, soterramento dos bancos camaroeiros, alteração na dinâmica hídrica estuarina e limitação às áreas tradicionais de pesca, pela hidrovia criada para transporte naval de eucalipto. Além dos impactos causados pelo tráfego das grandes barcaças, causando riscos constantes a navegação de pequenas embarcações pesqueiras, ainda há o envenenamento dos rios da região, causado pela contaminação por herbicidas e defensivos agrícolas utilizados pela monocultura do eucalipto.

A Fibria Celulose S.A, responsável por tal empreendimento, é obrigada a cumprir uma série de condicionantes determinadas pelo IBAMA, já que seus impactos ocorrem em Zona de Amortecimento de uma unidade de conservação federal. Dentre estas condicionantes o Programa de Apoio às Atividades Pesqueiras exige que a empresa financie projetos em caráter indenizatório às comunidades tradicionais da Resex de Cassurubá. No entanto, a empresa está se valendo de artimanhas sorrateiras, ao contratar uma empresa de consultoria, que ao invés de coordenar e orientar a execução dos projetos de maneira participativa, justa e isenta, promove a cooptação de lideranças e associações, no intuito de dividir, enfraquecer e manipular a participação popular.

Neste contesto, quatro extrativistas da Resex Cassurubá, Carlos, Jailton, Alan, Roberto e outras lideranças locais, estão com um forte processo de perseguição e criminalização pela Fibria, e decidem assim enviar um forte sinal ao IBAMA, ICMBio e Fibria Celulose S.A., que não irão mais tolerar o cinismo de falsas lideranças comunitárias associações e cooperativas de fachada, que se valendo da convergência de interesses escusos com o maior poluidor do extremo sul da Bahia promovem o atrofiamento da manutenção da vida já suficientemente dura e sofrida dos irmãos e irmãs do mar e manguezais deste mais belo encanto do Brasil e da Bahia. Neste exato momento, tivemos notícia de que haverá duas audiências amanhã (06/10), nas quais, os pescadores estão sendo processados por uma das entidades ligadas à Fibria, pelo simples fato de denunciarem em uma mídia local as irregularidades que ocorrem na região, que prejudicam a manutenção da pesca artesanal e do equilíbrio ecossistêmico local.

Há um agravante nesse contexto, que é bem visível a influência do poder dessa multinacional de celulose nos municípios de atuação, influência essa política e econômica. A tensão nos últimos dias, tem se agravado e os pescadores estão se sentindo ameaçados e encurralados, pois está em curso um processo generalizado de perseguição dessas comunidades, com o uso de falsas denúncias crimes, calunias, difamações, uso de mídias compradas, atingindo até a gestão da Reserva Extrativista de Cassurubá (que sempre manteve um posicionamento de defesa do modo de vida tradicional das comunidades pesqueiras), a fim de debelar a resistência contra os maus feitos dessa poderosa empresa poluidora.

Movimento Autônomo dos Pescadores de Cassurubá

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