A candidatura Boulos é o ocaso do PSOL

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Acompanho os caminhos e descaminhos do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) desde a sua criação em 2004. Ao longo dos anos dei aos candidatos do PSOL a maioria dos meus votos por ver neles elementos fundamerntais para ter no parlamento e nos governos de diferentes níveis gente comprometida com a luta política necessária para avançar os direitos da maioria pobre da nossa população.  

Ao contrário do que muitos pensam, nunca fui militante ou sequer filiado do PSOL. A razão para isto era e continua sendo simples: nunca vi no PSOL a capacidade de formulação para fazer avançar no Brasil um projeto de transformação estrutural que efetivamente armasse politicamente a classe operária, o campesinato e a juventude brasileira. É que perdido em escolhas identitárias, aproximações com artistas famosos e concessões para cooptar parlamentares saídos de várias agremiações (a começar pelo PT), o PSOL acabou se tornando uma espécie de “Viuva Porcina” da esquerda brasileira, aquela personagem da novela “Roque Santeiro” que deixou de ser, sem nunca ter sido [1].

Agora, premida pela necessidade de se viabilizar eleitoralmente e garantir as benesses facultadas financeiras apenas aos partidos que logram angariar mais votos nas eleições burguesas no Brasil, a maioria da direção do PSOL acaba sacrificando qualquer possibilidade de sair do papel de eterna Viuva Porcina em nome da candidatura do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, que está se filiando ao partido prioritariamente para viabilizar sua candidatura presidencial.

Ao fazer este movimento eleitoral, a maioria da direção do PSOL não apenas abandona a tarefa de  desenvolver uma linha política que arme o partido para além das questões identitárias particularistas, como também impõe uma subordinação da ação política do partido a alguém que efetivamente não participou de sua construção.  E como Guilherme Boulos não esconde sua admiração pelo ex-presidente Lula, há ainda o fato inescapável de que o PSOL efetivamente se ajusta a um papel de linha auxiliar do PT para um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2018.  É que na ocorrência de um segundo turno nas eleições presidenciais, a possibilidade de um dos participantes ser Boulos é bem próxima de zero, numa situação diametralmente oposta à uma eventual candidatura de Lula ou de algum “poste” indicado por ele.

Querendo ou não, o que a maioria da direção está fazendo é encerrar precocemente o ciclo de partido autônomo e democrático do PSOL em troca de viabilidade eleitoral. Como eleições no Brasil não passam de um teatro mal ensaiado, ao fazer esta opção a direção do PSOL está conscientemente aniquilando o partido enquanto um instrumento efetivo de luta da classe operária brasileira. Quando muito o PSOL será um canal por onde pautas identitárias, e por isso limitadas em seu alcance político, serão veiculadas. E isso no atual contexto histórico, convenhamos, é muito pouco ou quase nada.

Aos setores do PSOL que querem ir além das vitórias e derrotas eleitorais para investir na construção de um partido que seja efetivamente útil para a luta política em prol de transformações estruturais na sociedade brasileira, o caminho parece bem pedregoso. Ou se ajustam a uma candidatura alienígena ditada por interesses meramente eleitorais, ou poderão ter o mesmo destino que muitos já enfrentaram antes no PT.   Melhor que escolham o segundo caminho, pois talvez assim ainda possamos ter a oportunidade de começar a construir um partido que se oriente por valores universais e orientado pelo conteúdo de classe de suas ações.


[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Roque_Santeiro

 

 

Um pensamento sobre “A candidatura Boulos é o ocaso do PSOL

  1. […] [1] https://blogdopedlowski.com/2018/03/10/a-candidatura-boulos-e-o-ocaso-do-psol/ […]

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